Archives 2022

Ano começa com queda nos emplacamentos de veículos

Dificuldades nas cadeias produtivas, alta nos juros e sazonalidade afetam o mercado em janeiro

Para a Fenabrave, esses fatores, além das fortes chuvas e a nova variante do Covid-19 provocaram retração nas vendas de veículos novos

De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), os emplacamentos de veículos apresentaram retração em janeiro. Na comparação com dezembro, a queda foi de 31,6% “O resultado é conjuntural e acontece, principalmente, em função dos baixos estoques das concessionárias, em dezembro, da persistente falta de produtos – ainda provocada pela escassez de insumos e componentes e, também, devido à sazonalidade do período”, explica José Maurício Andreta Jr., Presidente da Fenabrave.

“Além desses fatores, a alta nas taxas de juros restringiu a aprovação de crédito para financiamentos e, também, tivemos queda na renda do consumidor, pelo aumento da inflação, em que pese tenhamos tido melhora dos níveis de emprego no país. Avaliando a sazonalidade, lembro que, em janeiro, a renda familiar fica mais comprometida, em função dos impostos e gastos com matrículas e materiais escolares, por exemplo, o que acaba afetando a decisão de compra do consumidor”, completa. As fortes chuvas, que vêm ocorrendo em várias localidades do país, assim como o aumento do contágio das pessoas, pela variante Ômicron, têm provocado queda na passagem de loja, segundo a entidade.

Caminhões
O segmento continua aquecido, com a programação de entrega seguindo o ritmo de produção da indústria. “Ainda existe espera por alguns modelos, mas, aos poucos, a demanda vai sendo atendida. Em dezembro de 2021, houve um grande volume de emplacamentos o que, se comparado a janeiro de 2022, resultará na retração que tivemos, de quase 29%. O resultado do primeiro mês de 2022 é o melhor, entre os meses de janeiro, desde 2014”, revela Andreta Jr, em nota.

Ônibus
O segmento mais afetado pela pandemia tem perspectivas de melhora neste ano. “Os emplacamentos de ônibus registraram aquecimento nos últimos meses de 2021, em que pese a base comparativa baixa. Os programas governamentais de transporte público, como o Caminho da Escola, podem ajudar na recuperação deste segmento este ano”, projeta o presidente da Fenabrave.

Implementos rodoviários
Após registrar seu melhor desempenho histórico, em emplacamentos, em 2021, os Implementos rodoviários continuam com boa demanda e mantêm um cenário favorável para os próximos meses. “Assim como os caminhões, a procura continua alta e o segmento tem condições de renovar e até superar o recorde atingido no ano passado. As quedas registradas são resultado da maior entrega de produtos, em dezembro, mas podemos observar estabilidade sobre janeiro do ano passado”, avalia.

Tratores e máquinas agrícolas
Segundo Andreta Jr., existe alta demanda para estes equipamentos e as perspectivas para o agronegócio, neste ano, devem manter o segmento aquecido. “O ano de 2021 foi ótimo para a venda de tratores e máquinas agrícolas. Foram mais de 58 mil unidades comercializadas e o cenário, para 2022 é, igualmente, positivo para o agrobusiness, o que deve manter a demanda alta”, antevê o dirigente.

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Dificuldades nas cadeias produtivas, alta nos juros e sazonalidade afetam o mercado em janeiro

RS emite alerta para todas as regiões Covid

Estado apresenta o nível mais elevado de contaminação desde o início da pandemia

Na ocupação de leitos clínicos, em 30 dias, o número de internados passou de 269, entre confirmados e suspeitos, para 1.748

O gabinete de crise do governo gaúcho decidiu emitir alerta, pela segunda semana consecutiva, para as 21 regiões Covid do Sistema 3As de Monitoramento, responsável pelo gerenciamento da pandemia no Rio Grande do Sul. O estado apresenta o nível mais elevado de contaminação desde o início da pandemia. Todas as regiões alcançaram o maior nível de incidência semanal, o que indica o risco de contágio generalizado em todo o território.

Durante férias e veraneio, a circulação de pessoas entre diferentes cidades é intensificada, fazendo com que o vírus circule com mais facilidade por longas distâncias. Apenas em janeiro, já foram confirmados 315 mil casos no Rio Grande do Sul, número que supera em 35% o pico ocorrido em março do ano passado e equivale a 2,8% da população gaúcha. Assim como se observa a elevação do contágio ao longo do mês, o número de óbitos também apresentou aumento, passando de 35 óbitos semanais ao fim de 2021 para 232 óbitos registrados na última semana de janeiro. Com isso, a taxa de mortalidade semanal se equipara aos níveis de agosto do ano passado.

Na ocupação de leitos clínicos, em 30 dias, o número de internados passou de 269, entre confirmados e suspeitos, para 1.748. Esse ciclo de elevação só não supera a variação e a velocidade de crescimento do ciclo de março de 2021. No entanto, o aumento já é superior aos demais três ciclos de aumento (junho e julho de 2020, novembro e dezembro de 2020 e de maio de 2021). Em janeiro, houve média de 47,7 internados a mais em leitos clínicos por dia. Também foi registrada elevação no número de internados em UTIs em todo o estado, passando de 243 para 639 pacientes, entre suspeitos e confirmados. Com isso, a ocupação das UTIs passou de 48,5% para 61% ao longo do mês, retornando aos níveis de agosto de 2021.

A elevação de casos confirmados em 2022 repercutiu de forma moderada sobre os indicadores de internações em leitos clínicos, em UTIs e em óbitos, quando comparado a outros momentos da pandemia. Caso fosse aplicada a mesma letalidade aparente observada em março de 2021 sobre o número de casos observados em janeiro de 2022, o total de óbitos poderia superar 11 mil pessoas no Rio Grande do Sul apenas em janeiro. Com o avanço da vacinação, o número de óbitos, apesar da elevação, alcançou 412 vítimas. A imunização sobre as faixas etárias a partir de cinco anos, incluindo especialmente a dose de reforço para garantir maior imunidade, se mostra importante para reduzir a proporção de casos graves ocasionados pelo altíssimo contágio corrente.

Estado apresenta o nível mais elevado de contaminação desde o início da pandemia

Indústria fecha 2021 com alta de 3,9%

Setor avançou 2,9% em dezembro frente a novembro

Setor de veículos teve alta de 12,2% em dezembro

A produção industrial cresceu 2,9% na passagem de novembro para dezembro. No mês anterior, a indústria havia registrado variação nula, o que interrompeu cinco meses consecutivos de queda. Com o resultado de dezembro, o setor se encontra 0,9% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia, e 17,7% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011. No ano, houve ganho acumulado de 3,9%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE.

O gerente da pesquisa, André Macedo, destaca que o resultado do fechamento do ano reflete a perda de ritmo da indústria no decorrer de 2021. “É o primeiro resultado positivo depois de dois anos. Em 2019, o acumulado do ano foi um recuo de 1,1% e em 2020, retração de 4,5%. Em 2021, houve uma característica decrescente ao longo do ano, uma vez que houve ganho acumulado de 13% no primeiro semestre e, posteriormente, o setor industrial mostrou redução de fôlego. Os resultados positivos dos primeiros meses do ano tinham relação com uma base de comparação muito depreciada, já que em 2020 houve perdas bastante intensas para a indústria”, detalha.

Já o segundo semestre do ano, cujo resultado acumulado foi uma queda de 3,4%, tinha uma base de comparação mais elevada. “Além disso, há os reflexos da pandemia no processo produtivo, como o encarecimento dos custos de produção e falta de insumos, e também, pelo lado da demanda doméstica, inflação em patamares mais elevados e o mercado de trabalho que, embora tenha mostrado algum grau de recuperação, ainda é muito caracterizado pela precarização das condições de emprego, com pagamento de salários menores”, justifica o pesquisador.

No acumulado anual, a indústria teve resultados positivos em três das quatro grandes categorias econômicas e em 18 das 26 atividades investigadas pela pesquisa, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias (20,3%), máquinas e equipamentos (24,1%) e metalurgia (15,4%).

“É um ano em que a indústria cresce sobre um período de muita perda. Essa também é uma característica da atividade de veículos automotores, que, em 2020, teve acumulado no ano baixa de 27,9%. Então ela segue o mesmo comportamento da indústria geral: cresce e fica no campo positivo, embora não tenha revertido as perdas do ano anterior. Em termos de produtos, o destaque fica com o avanço na produção dos caminhões”, afirma Macedo. De acordo com o gerente da pesquisa, esse setor é um exemplo da desarticulação das cadeias produtivas durante a pandemia de Covid-19.

Na comparação com novembro, com a expansão de 2,9% da indústria geral, a maior parte das atividades investigadas pela pesquisa também teve crescimento. A maior influência veio de veículos automotores, reboques e carrocerias, segmento que teve alta de 12,2% em dezembro. É o quarto mês consecutivo de crescimento do setor, período em que acumulou ganho de 17,4%.

Os produtos alimentícios também tiveram forte influência sobre o resultado da indústria. Mesmo com alta de 2,9% em dezembro, o setor teve menor crescimento do que o apresentado no mês anterior (7,1%). “É o segundo mês de crescimento dessa atividade e esse ganho se deve, principalmente, à produção do açúcar e à volta da exportação da carne bovina para a China”, explica. Apesar do resultado positivo, o setor ainda se encontra 4,1% abaixo do patamar pré-pandemia.

Na comparação com dezembro do ano anterior, a produção industrial caiu 5%. Os resultados negativos atingiram três das quatro grandes categorias econômicas e 20 dos 26 ramos pesquisados. As principais influências negativas entre as atividades vieram metalurgia (-13,9%), produtos de borracha e de material plástico (-19,9%) e produtos de metal (-19,1%).

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Setor avançou 2,9% em dezembro frente a novembro

Como atrair mais clientes com estratégias de Marketing Digital B2B

As estratégias digitais elaboradas para gerar leads de qualidade e fechar as vendas com outras empresas, estão ganhando cada vez mais força.   Ter um site profissional, com design compatível com os diferentes tipos e tamanhos de dispositivos (como notebooks, celulares e monitores HD) e estar presente nas mídias sociais é o mínimo que se espera…

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Em busca da plena sustentabilidade

O projeto BioCMPC tornará a planta de Guaíba uma das mais sustentáveis do Brasil

A CMPC deseja fazer da unidade industrial em Guaíba (RS) uma das mais sustentáveis do Brasil no setor de celulose. Para isso, a multinacional chilena lançou o projeto BioCMPC. Ele prevê a implantação de importantes investimentos em modernização operacional, além de novas medidas de controle e gestão ambiental.

O BioCMPC gerará um relevante ganho no desempenho da unidade de Guaíba, por meio do aumento de aproximadamente 18% da capacidade produtiva, quando comparado aos resultados dos últimos doze meses. Essas medidas elevarão a planta gaúcha da CMPC para a condição de uma das mais sustentáveis do Brasil, quando considerados parâmetros como gestão de resíduos, tratamento de efluentes, emissões atmosféricas, sistemas de tratamento de gases e gestão ambiental. A conclusão da obra deve ocorrer em dezembro de 2023. Com aporte de R$ 2,7 bilhões, a previsão é que sejam criados aproximadamente 7,5 mil novos postos de trabalho durante a execução das obras, e que cerca de metade dos fornecedores sejam empresas locais, tornando o projeto o maior investimento em ESG do Rio Grande do Sul e proporcionando uma grande geração de valor compartilhado com as cadeias produtivas nacionais.

Esse é o segundo maior investimento privado da história do estado – ficando atrás somente da criação de Guaíba 2, linha de produção de celulose da CMPC que teve sua implantação concluída em 2015. No BioCMPC, as obras de implantação também serão sustentáveis. Além da priorização de mão de obra e fornecedores locais, evitando migração de pessoas de fora, o principal canteiro de obras ficará distante da área da empresa. “Antes a sociedade esperava que as empresas trabalhassem para reduzir seus impactos. Hoje em dia isso é apenas o ponto de partida. No século 21, a sociedade espera que as empresas não gerem problemas e ainda ajudem a sociedade a superarem seus próprios desafios. E é isso que estamos fazendo. Basta considerarmos que a pandemia agravou os índices de desemprego e o BioCMPC vai ajudar fortemente na criação de novas oportunidades de trabalho. Outro desafio de toda a sociedade está relacionado aos gases de efeito estufa. Nesse caso, além das nossas florestas que já sequestram milhares de toneladas de carbono, eliminaremos uma fonte de energia não renovável e vamos instalar uma nova caldeira de recuperação para produção de energia 100% limpa”, detalha Mauricio Harger, diretor-geral da CMPC no Brasil.

O projeto BioCMPC tornará a planta de Guaíba uma das mais sustentáveis do Brasil

Porto Alegre terá maior coworking de saúde do Sul

Com 77 consultórios, empreendimento será inaugurado neste mês

O empreendimento ficará localizado no Medplex Eixo Norte, em frente ao hospital Cristo Redentor, na capital gaúcha

Os profissionais da saúde vão ganhar a partir deste mês um coworking de alto padrão, focado na área da saúde, de aproximadamente 1.700 metros quadrados, com 77 consultórios equipados. O empreendimento ficará localizado no Medplex Eixo Norte, em frente ao hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre. O negócio é da ProdeltaMed, empresa do Grupo Delta que tem experiência de quase 20 anos na gestão de coworkings e espaços de trabalho flexíveis. 

O grupo já atua em São Paulo, com um coworking focado na área de saúde e elegeu o Rio Grande do Sul para dar mais um passo no seu plano de expansão. Já estão previstos novos empreendimentos para serem lançados ainda neste ano, em Canoas e mais dois locais em Porto Alegre. No entanto, a empresa revelou ao Portal AMANHÃ ter interesse nas regiões Sul e Sudeste. A companhia não revela quanto terá para investir na expansão em solo gaúcho, como também em todo o Sul.

“Os espaços compartilhados são uma tendência e que agora chegam com cada vez mais força na área da saúde. Outro grande diferencial são os serviços completos para que tudo esteja sempre funcionando e o nosso profissional possa focar no atendimento aos pacientes, sem se preocupar com o restante”, destaca Gabriela Ferreira, diretora da ProdeltaMed. O profissional da saúde pode se tornar um associado do coworking com pagamento de uma mensalidade de R$ 220 e o custo de R$ 1 por minuto de uso dos consultórios e todos o espaço.

No caso de no show na consulta, não há nenhuma penalidade com cancelamento até cinco minutos antes do horário agendado. Os membros ainda ganham um site personalizado conforme a sua especialidade, cartão de visitas, número de telefone exclusivo e acesso a todo sistema de gerenciamento de consultas. Além do plano de salas rotativas, é possível ter um consultório exclusivo, que pode ser compartilhado com até três profissionais, com planos a partir de R$ 3,5 mil por mês. A modalidade também atende clínicas. “Fizemos uma pesquisa de mercado e a média de custo para manter um consultório é de pelo menos R$ 8 mil mensal em Porto Alegre”, revela Gabriela.

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Com 77 consultórios, empreendimento será inaugurado neste mês

Contas públicas registram superávit de R$ 64,7 bilhões em 2021

Dados são do relatório das estatísticas fiscais do Banco Central

O resultado, o primeiro positivo das contas públicas desde 2013, representa 0,75% do PIB frente aos 9,4% de impacto registrados em 2020

As contas públicas registraram saldo positivo em 2021, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). No ano passado, o setor público consolidado, formado por União, estados e municípios, apresentou superávit primário de R$ 64,7 bilhões, ante déficit de R$ 703 bilhões em 2020. O resultado, o primeiro positivo das contas públicas desde 2013, representa 0,75% do PIB frente aos 9,4% de impacto registrados em 2020.

Os dados estão no relatório das estatísticas fiscais do BC. Segundo o banco, no mês de dezembro, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 123 milhões, ante déficit de R$ 51,8 bilhões em dezembro de 2020. No Governo Central (Previdência, Banco Central e Tesouro Nacional), houve superávit de R$ 13,9 bilhões, e nos governos regionais e nas empresas estatais, déficits, na ordem, de R$ 12,8 bilhões e R$ 1 bilhão.

O resultado primário é formado pelas receitas menos os gastos com juros, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Assim, quando as receitas superam as despesas, há superávit primário. Em 2021, o resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, apresentou um déficit de R$ 383,7 bilhões (4,4% do PIB), ante R$ 1 trilhão (13,6% do PIB) em 2020. Em dezembro, o déficit nominal atingiu R$ 54,2 bilhões, comparativamente a R$ 75,8 bilhões em dezembro do ano anterior.

Segundo o BC, o superávit primário do setor público consolidado, em 2021, de 0,75% do PIB, contribuiu para que o déficit nominal de 2021 também fosse o menor, em percentual do PIB, desde 2013, quando ficou deficitário em 2,96% do PIB.

O gasto com juros somou R$ 448,4 bilhões em 2021, contra R$ 312,4 bilhões em 2020. Os juros nominais atingiram R$ 54,4 bilhões em dezembro, frente a R$ 24 bilhões em dezembro de 2020. O aumento foi influenciado pelas operações do BC no mercado de câmbio (swap cambial) que registraram perda de R$ 4 bilhões em dezembro de 2021, ante ganho de R$ 8 bilhões em dezembro de 2020, e pelo aumento da taxa Selic, atualmente em 9,25% ao ano.

O swap cambial é a venda de dólares no mercado futuro. Os resultados dessas operações são transferidos para o pagamento dos juros da dívida pública, como receita, quando há ganhos, e como despesa, quando há perdas.

Dívida pública
A dívida líquida do setor público (balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais) fechou 2021 em R$ 5 trilhões, o que corresponde a 57,3% do PIB. Segundo o BC, o resultado reflete, sobretudo, efeitos da desvalorização cambial acumulada no ano de 7,4%, (redução de 1,2 ponto percentual); do crescimento do PIB nominal (redução de 8,7 pontos percentuais), do superávit primário (redução de 0,7 ponto percentual), “parcialmente contrabalançados pelos juros nominais apropriados (aumento de 5,2 pontos percentuais) e pela variação da paridade da cesta de moedas que integram a dívida externa líquida (aumento de 0,4 ponto percentual).”

Já a dívida bruta do governo geral – que contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais – chegou a R$ 7 trilhões ou 80,3% do PIB.

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Com Agência Brasil

Dados são do relatório das estatísticas fiscais do Banco Central

Receita da C.Vale totaliza R$ 17,4 bilhões

Cooperativa de Palotina vai repassar R$ 129,5 milhões em sobras

Para Lang, o ano de 2022 exigirá grandes doses de cautela e planejamento devido ao alto custo dos insumos e às quebras de safra

Em um cenário em que boa parte dos produtores rurais faz os cálculos sobre o tamanho da quebra da safra de soja pela estiagem, a C.Vale, sediada em Palotina (PR) vai repassar R$ 129,5 milhões em sobras [como é conhecido o lucro no sistema cooperativista], juros e devolução de capital a seus associados. O valor é quase 40% maior que o distribuído no início de 2021.

O pagamento das sobras foi aprovado em assembleia, com público reduzido devido à pandemia de coronavírus, no final de janeiro. O presidente da C.Vale, Alfredo Lang, explicou aos associados que a alta do dólar deu grande contribuição à rentabilidade dos negócios e também favoreceu o crescimento do faturamento em 2021. A receita total da cooperativa alcançou R$ 17,4 bilhões, avanço de 42,2% sobre 2020.

O bom desempenho da C.Vale também foi puxado pela elevação de 15,6% no recebimento de soja, que acabou compensando a redução do volume de milho causada por estiagem e geadas no ano passado. No total, a cooperativa recebeu 4,7 milhões de toneladas de produtos, o equivalente a 78,5 milhões de sacas de 60 quilos. As indústrias responderam por quase 25% do faturamento total da C.Vale, com receitas de R$ 4,3 bilhões. No segmento de frango, a cooperativa exportou 66,7% das 378 mil toneladas de carne produzidas no ano passado.

Lang lembrou que, no ano passado, a C.Vale incorporou a Cooatol, de Toledo (PR), e deu início às obras da indústria esmagadora de soja, um investimento superior a R$ 650 milhões que deverá entrar em operação até o final de 2023. Para Lang, o ano de 2022 exigirá grandes doses de cautela e planejamento tanto para a cooperativa quanto para os produtores devido ao alto custo dos insumos e às quebras de safra. “Os bons resultados dão segurança aos cooperados para negociar com uma empresa sólida e garantem à cooperativa a sustentação de que ela precisa para novos investimentos”, comemora o dirigente.

A C.Vale é a 15ª maior empresa da região e também a sexta maior do Paraná, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC. A publicação também trouxe uma reportagem especial sobre o cooperativismo do Sul (clique aqui para conferir). Leia o anuário completo clicando aqui, mediante pequeno cadastro.

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Cooperativa de Palotina vai repassar R$ 129,5 milhões em sobras

Preços na indústria fecham 2021 com alta de 28,3%

O índice alcança um recorde da série histórica

Oito atividades fecharam o ano com alta nos preços, destaque para o refino de petróleo e biocombustíveis

A inflação do setor industrial recuou 0,12% em dezembro frente ao mês anterior, primeiro resultado negativo depois de 28 meses. Com isso, os preços na indústria fecharam o ano de 2021 com alta acumulada de 28,3%, recorde desse indicador na série histórica, iniciada em 2014. Os dados são do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo IBGE. A alta de 2021 foi 9 pontos percentuais maior que o de 2020.

De acordo como gerente de análise e metodologia da coordenação de indústria do IBGE, Alexandre Brandão, são muitas as variáveis que contribuíram para este comportamento dos preços na indústria brasileira. “Podemos enumerar o câmbio, cuja depreciação chegou a quase 10%; o comportamento do mercado ao longo do ano, com aumentos consideráveis no preço do minério de ferro, do óleo bruto de petróleo, de alimentos como açúcar e carne. Também não dá para desconsiderar a pandemia, que ainda tem tido impacto nas cadeias produtivas, além do clima, já que o inverno foi rigoroso e proporcionou problemas na safra do açúcar e do café, por exemplo”, destaca o especialista.

Embora tenha apresentado índice recorde no acumulado anual, o IPP demonstrou desaceleração no segundo semestre. Em junho, o acumulado de 2021 era 36,7%, e caiu ao longo dos meses até a taxa de 28,3%. “Do meio para o fim do ano, houve uma atenuação muito por conta do setor de indústria extrativa, em específico o minério de ferro, cujos preços foram desacelerando a partir de setembro”, explica Brandão.

O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, isto é, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. Oito delas fecharam o ano com alta, destaque para refino de petróleo e biocombustíveis (69,7%), outros produtos químicos (64%), metalurgia (41,7%) e madeira (40,7%).

O índice alcança um recorde da série histórica

Paraná e Mato Grosso do Sul discutem implantação de uma nova ponte

A estimativa de custo da obra é de cerca de R$ 350 milhões

Ligação faz parte de um projeto mais amplo, que inclui a duplicação da BR-376

O governador Carlos Massa Ratinho Junior se reuniu na manhã desta segunda-feira (31), por meio de videoconferência, com representantes da Sociedade Civil Organizada do Paraná (Socipar) e demais autoridades, para discutir a viabilidade da construção de uma nova ponte entre o Paraná e Mato Grosso do Sul, ligando os municípios de São Pedro do Paraná (PR) e Porto São João (MS), para o escoamento da produção agrícola. A ponte faz parte de um projeto ainda mais amplo, que inclui a duplicação da BR-376, conhecida como a Rodovia do Agronegócio Brasileiro, pela grande quantidade de caminhões que transportam a safra sul-mato-grossense, passando pelo Paraná a caminho do Porto do Paranaguá. A estimativa de custo da obra é de cerca de R$ 350 milhões.

Para dar seguimento ao projeto de construção da ponte, a Itaipu deve financiar os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental, a fim de identificar os impactos sobre o Rio Paraná e o desenvolvimento regional. Avaliado em R$ 3 milhões, o convênio tramita internamente e ainda não tem data para ser assinado. “Junto ao Governo do Mato Grosso do Sul, conseguimos fazer um encaminhamento para que a Itaipu bancasse o estudo de viabilidade. É um passo muito importante e acredito que a licitação passe a rodar nos próximos dias”, destacou o governador.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, defendeu a importância da obra para criar um eixo de desenvolvimento regional e local e destacou que ela encurtará as viagens em mais de 130 quilômetros. “Com a ponte, muda a realidade, o traçado é outro. Você encurta o caminho e esse é o nosso objetivo”, ressalta o secretário.

Para o presidente da Socipar, Demerval Silvestre, a ponte terá como objetivo ligar o setor produtivo e será fundamental para a economia do estado, principalmente por conta dos avanços a serem promovidos no setor logístico, mas também em outras áreas. “Paraná e Mato Grosso do Sul são dois grandes produtores rurais que compartilham as mesmas estradas para escoamento da produção com destino ao Porto de Paranaguá. A construção da ponte vai alavancar o desenvolvimento regional e incentivar outros investimentos locais em turismo e hotelaria”, acrescentou.

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A estimativa de custo da obra é de cerca de R$ 350 milhões

Lar apresenta crescimento de receita de 57%

Cooperativa paranaense faturou R$ 17 bilhões no ano passado

A meta da cooperativa, em uma década, é fazer com que o faturamento alcance os R$ 32 bilhões

A Lar Cooperativa, de Medianeira (PR), obteve faturamento bruto de mais de R$ 17 bilhões no ano passado, um avanço de 57%. O resultado líquido foi de R$ 823,7 milhões. Os números foram apresentados e aprovados em assembleia na sexta-feira (28).

Apesar de todos os desafios enfrentados em 2021, com aumentos significativos nos custos de produção, a Lar cresceu muito nos últimos dois anos. “Para nós o que conta é uma cooperativa muito mais estruturada, para atender melhor os seus associados e ajudar a região a se desenvolver mais, socialmente inclusive”, afirmou o diretor-presidente Irineo da Costa Rodrigues. A Lar encerrou o ano com 12.352 associados e 24.090 funcionários, seguindo como a cooperativa singular que mais gera empregos no Brasil.

A cooperativa recebeu 2,5 milhões de toneladas de soja, cresceu 53% na avicultura com mais de 275 milhões de aves abatidas durante o ano e produziu mais de 945 mil leitões. De acordo com o diretor-presidente, para 2022 a Lar pretende completar muitos projetos que estão andamento, como é o caso do Complexo Bom Jesus em Medianeira, no qual a primeira indústria de rações será concluída neste ano. Rodrigues mencionou as novas atividades que serão fortalecidas no decorrer do ano: a Lar Máquinas Agrícolas e Lar Credi. “A Lar é inquieta e está sempre buscando trabalhar melhor”, relatou o dirigente ao mencionar que a inovação é uma constante.

Como revelou a reportagem especial sobre cooperativismo no anuário 500 MAIORES DO SUL, a Lar pretende chegar a 38 mil empregados até 2030. “Essa mão de obra não existe na região e terá de vir de fora”, projeta Rodrigues. A meta da cooperativa, em uma década, é fazer com que o faturamento alcance os R$ 32 bilhões. Leia o anuário completo clicando aqui, mediante pequeno cadastro. Também de acordo com o ranking publicado pelo Grupo AMANHÃ com a parceria técnica da PwC, a Lar é a 17ª maior empresa da região e a sétima maior do Paraná.

Cooperativa paranaense faturou R$ 17 bilhões no ano passado

Sul fecha 2021 com saldo de 480 mil postos de trabalho

A região demitiu quase 79 mil trabalhadores no mês passado

Paraná lidera no saldo acumulado anual

O Paraná obteve, na região Sul, o melhor saldo de novos empregos no acumulado de todo o ano de 2021, de acordo com os dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados nesta segunda-feira (31). No total, o Sul obteve um saldo de mais de 480 mil novos postos de trabalho entre janeiro e dezembro (veja a tabela ao final desta reportagem).

No acumulado do ano de 2021, foi registrado saldo de 2.730.597 empregos em todo o Brasil, decorrente de 20.699.802 admissões e de 17.969.205 desligamentos. O emprego celetista no país apresentou retração em dezembro de 2021, registrando saldo negativo de 265.811 postos de trabalho. Esse resultado decorreu de 1.437.910 admissões e de 1.703.721 desligamentos.

Apenas o comércio, com a criação de 9.013 vagas, obteve saldo positivo no mês passado. Os demais apresentaram saldos negativos, sendo que o setor de serviços desligou 104.670 pessoas. Já a indústria de transformação demitiu 88.296 trabalhadores.

Os dados do Caged vêm de onde?
O Caged deve ser preenchido por empregadores com informações sobre admissões e desligamentos de funcionários da empresa. O formulário deve ser enviado por meio de um sistema próprio na internet. Há penalização para as empresas que dispensarem ou contratarem empregados e não derem essa informação ao Ministério do Trabalho.

Com base nos cadastros, é possível saber quantas vagas foram abertas e fechadas no país durante um mês e calcular o número de aberturas de vagas líquido (contratações menos desligamentos). É possível saber a abertura e fechamento de vagas por região e setor.

Os dados só abrangem os contratos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), diferentemente da Pnad, que abarca também o setor informal e autônomos. Sua série histórica começa em 1992, embora tenha sofrido mudanças metodológicas que impossibilitam a comparação com números anteriores ao ano de 2020.

Uma portaria de outubro de 2019, por exemplo, mudou o sistema de preenchimento de dados, que é feito hoje pelo pelo eSocial, e passou a reunir mais informações na mesma base de dados. O novo Caged tornou obrigatório informar a admissão e demissão de empregados temporários. Antes, essa comunicação era facultativa.

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A região demitiu quase 79 mil trabalhadores no mês passado

Mercado financeiro eleva projeção de inflação para 5,38%

Expectativa para o crescimento do PIB passou para 0,3%

Dólar deve fechar o ano em R$ 5,60

O mercado financeiro aumentou novamente a previsão de inflação para este ano. Segundo projeção do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2022 em 5,38%. Há uma semana a projeção do mercado era de que a inflação terminasse o ano em 5,15%. Há quatro semanas a previsão era de 5,03%.

O boletim, que é divulgado semanalmente, reúne a projeção do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos do país. Na projeção dessa semana, o Focus aponta um pequeno aumento na previsão do PIB, na comparação com a semana passada. A nova projeção é de um PIB de 0,3%, ante os 0,29% da semana anterior. Há quatro semanas o mercado previa um crescimento da economia brasileira de 0,36%.

A previsão do mercado para a taxa básica de juros, a Selic, em 2022, também ficou estável em relação ao divulgado na semana passada, ficando em 11,75% ao ano. Há quatro semanas a projeção era de que a Selic fecharia 2022 em 11,5% ao ano. A taxa, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), atualmente está em 9,25% ao ano. Para a próxima reunião do órgão, em fevereiro, o Copom já sinalizou que deve elevar a Selic em mais 1,5 ponto percentual.

A expectativa do mercado para a cotação do dólar em 2022 se manteve igual ao projetado na semana passada, ficando em R$ 5,60.

Com Agência Brasil

Expectativa para o crescimento do PIB passou para 0,3%

Intenção de consumo volta a subir em janeiro

Brasileiros estão confiantes em um crescimento econômico

A parcela que pretende aumentar seu consumo nos próximos meses alcançou o maior percentual desde abril de 2020

O ano começou com expectativas positivas para o comércio, de acordo com a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de janeiro. O indicador apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) alcançou neste mês o patamar de 76,2 pontos, o maior nível desde maio de 2020 (81,7 pontos). Apesar de ter permanecido abaixo do nível de satisfação de 100 pontos (o que acontece desde abril de 2015), com o ajuste sazonal, a série apresentou crescimento de 1,1%, após dois meses de retração, e elevação de 3,6%, na comparação com janeiro de 2021.

O principal destaque positivo foi o índice de emprego atual, que contou com aumento de 2,6%. O item sobre a perspectiva de consumo também mostrou expansão de 2,5%, a segunda consecutiva, além de alcançar o maior patamar desde abril de 2020 (81 pontos). Assim como o indicador de renda atual, que, apesar da alta inflação, atingiu o melhor nível desde junho de 2021, registrando 82,7 pontos, com crescimento de 0,5% este mês.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, os dados indicam que, apesar das incertezas para este ano, os consumidores estão confiantes em um crescimento econômico. “Os números relativos à percepção do mercado de trabalho apontam que as pessoas se sentem um pouco mais seguras em relação à situação atual. E, apesar de ainda não representar a maior parte das famílias, a parcela que pretende aumentar seu consumo nos próximos meses alcançou o maior percentual desde abril de 2020, dando sinais favoráveis para o comércio neste início de ano”, avalia.

O indicador de acesso ao crédito apresentou a queda mais expressiva da pesquisa: 1% em relação ao mês anterior e 7,4% na comparação com janeiro de 2021. A economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, explica que a redução está relacionada ao encarecimento do crédito. “Isso é consequência do aumento dos juros, ocasionado pela alta inflacionária, que também reduz o poder de compra. Ambos os fatores representam maiores dificuldades para os consumidores”, detalha.

Em janeiro, o índice que mede o momento [de compra] para duráveis teve a quinta retração mensal seguida, de 0,8%, e uma queda de 5,7% na comparação anual. Entre os consumidores, 75% acreditam ser um momento negativo para compras desses tipos de produtos, percentual um pouco abaixo do 75,2% observados em dezembro de 2021.

Considerando a análise por grupos de renda, o nível de insatisfação das famílias com ganhos abaixo de dez salários mínimos mostrou crescimento mensal de 1,1% e anual de 1,7%. Já na faixa com renda superior a dez salários mínimos, as variações foram de 1% em relação ao mês anterior e de 10,5% na comparação com janeiro de 2021, revelando que as famílias com maior renda estão evoluindo mais favoravelmente em relação ao ano passado e sendo mais beneficiadas com a flexibilização do isolamento social.

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Brasileiros estão confiantes em um crescimento econômico

Governo tem menor déficit primário desde 2014

Resultado negativo nas contas públicas fica em R$ 35,1 bilhões

Para 2022, o orçamento prevê que o déficit primário chegue a R$ 79,3 bilhões

O crescimento da arrecadação e a redução de gastos relacionados à pandemia de Covid-19 fizeram o déficit primário fechar 2021 no menor nível desde 2014. No ano passado, o Governo Central – Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – registrou resultado primário negativo de R$ 35,1 bilhões.

Em dezembro, a secretaria especial de tesouro e orçamento havia divulgado que a projeção de déficit primário para 2021 estava em R$ 89,8 bilhões. O resultado também foi melhor que as previsões do mercado. Segundo a pesquisa Prisma Fiscal, divulgada todo mês pelo Ministério da Economia com instituições financeiras, os analistas de mercado previam déficit primário de R$ 83 bilhões para o ano passado.

O resultado primário representa o resultado negativo das contas do governo desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública. Apenas em dezembro, o governo teve superávit primário de R$ 13,8 bilhões e o melhor para o mês desde 2013, quando tinha atingido R$ 14,3 bilhões. O resultado primário em dezembro foi melhor que o projetado pelas instituições financeiras. Os analistas de mercado estimavam déficit de R$ 14,4 bilhões no mês passado, de acordo com o Prisma Fiscal.

Em 2020, o governo tinha registrado déficit primário recorde de R$ 743,2 bilhões. O resultado negativo decorreu dos gastos extras com o enfrentamento à pandemia, que totalizaram R$ 520,9 bilhões no ano retrasado. Em 2021, o gasto com créditos extraordinários caiu R$ 366,5 bilhões; a despesa com ajudas a estados e municípios, R$ 89,4 bilhões; e o gasto com subsídios e subvenções, R$ 16,3 bilhões na comparação com o ano anterior. Segundo o Ministério da Economia, todas essas despesas estavam relacionadas ao combate à pandemia.

Desde 2014, o governo tem tido resultados negativos. Para 2022, o orçamento prevê que o déficit primário chegue a R$ 79,3 bilhões. O aumento do déficit decorre da emenda constitucional que mudou a fórmula de cálculo do teto de gastos e abriu espaço para o governo implementar o Auxílio Brasil, programa de transferência de renda que substituiu o Bolsa Família.

Receitas e despesas
O principal fator para a melhoria do resultado fiscal em 2021, no entanto, foi o crescimento da arrecadação, que bateu recorde. No ano passado, as receitas líquidas subiram 21,2% em relação a 2020, descontada a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Elas somaram R$ 1,5 trilhão no ano passado. Sem os gastos com a pandemia, as despesas somaram R$ 1,6 trilhão em 2021, com queda de 23,6% descontado o IPCA.

Os benefícios da Previdência Social somaram R$ 709,5 bilhões, com queda de 1,3% descontada a inflação. No ano passado, o déficit da Previdência Social ficou em R$ 247,3 bilhões, com recuo de 11,7% em relação a 2020, também considerando a inflação. O valor foi levemente inferior à estimativa de resultado negativo de R$ 248,2 bilhões apresentada pela equipe econômica em dezembro. Parte da queda do déficit deve-se à reforma da Previdência, que aumentou as contribuições e reduziu os gastos no médio prazo. Outra parte deveu-se à recuperação do mercado de trabalho em 2021, com mais gente contribuindo formalmente para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Os gastos com o funcionalismo público também caíram, somando R$ 329,3 bilhões, com recuo de 5,4% descontada a inflação pelo IPCA. A queda deve-se ao congelamento de salários dos servidores públicos, que vigorou desde junho de 2020 até o fim do ano passado.

Teto de gastos
Em nota, o Tesouro Nacional recomendou a aprovação de reformas que reduzam os gastos obrigatórios do governo e a preservação do teto de gastos, mecanismo que limita o crescimento das despesas à inflação por até 20 anos, como âncora fiscal. Segundo o órgão, apesar da arrecadação recorde e da queda dos gastos com a pandemia, o teto de gastos contribuiu para a redução do déficit primário.

“Não fosse essa regra [teto de gastos], o resultado do Governo Central poderia ser, teoricamente, inferior em quase 10 vezes, já que a meta de resultado primário do ano, com todas as compensações previstas, permitia um déficit de mais de R$ 330 bilhões”, destacou o Tesouro.

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Com Agência Brasil

Resultado negativo nas contas públicas fica em R$ 35,1 bilhões