Archives Maio 2024

Banrisul anuncia medidas de apoio aos clientes, com alocação de R$ 7 bilhões

Banco gaúcho divulgou ações que incluem medidas emergenciais de crédito e isenção de tarifas

Banco também disponibilizará linhas de crédito especiais para os municípios que estão em calamidade pública

Com o objetivo de preparar a retomada econômica, diante da devastação que a tragédia climática trouxe para o Rio Grande do Sul, o Banrisul anunciou uma série de medidas emergenciais para apoiar a população e as empresas do Estado. As iniciativas foram divulgadas nesta quarta-feira (8) e incluem R$ 7 bilhões para capital de giro, além de linhas de crédito especiais para os municípios que estão em calamidade pública. Conforme o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, a instituição atua em diversas frentes para promover a reconstrução. “O banco atua em praticamente todos os municípios do Rio Grande do Sul, conhece a realidade local, os desafios dos setores produtivos e não deixará de cumprir a sua missão de fomentar a economia e apoiar a sociedade neste momento de grande união de esforços”, destaca.

Para as empresas, o Banrisul vai disponibilizar R$ 7 bilhões em linha específica de capital de giro, na Conta Única, com prazo de até cinco anos para pagamento. A medida tem prazo de 60 meses, com renovação semestral automática, inclusive dos juros, com taxa pré-fixada a partir de 1,39% ao mês e pós-fixada a partir de 0,29% ao mês + CDI. Essa linha estará disponível para todas as empresas — MEI, micro, pequenas, médias e grandes empresas —, com isenção de tarifa de abertura de crédito da Conta Única por 180 dias. O banco também anunciou uma série de medidas para os clientes pessoa física e jurídica dos municípios incluídos no Decreto Estadual de Calamidade Pública (Decreto 57.696 de 1º de maio de 2024), que abrange, até o momento, mais de 300 cidades gaúchas.

Repactuação para pessoa física
Para os clientes pessoa física que necessitarem, as operações de crédito pessoal terão repactuação de três parcelas, com três meses de carência e 12 meses de pagamento. Já as faturas de maio e junho dos cartões de crédito serão prorrogadas, podendo ser também parceladas em até 12 meses pelo cliente. Também, para os clientes que precisarem, será suspenso ainda o pagamento de três parcelas do crédito imobiliário Banrisul, diluindo no prazo remanescente do contrato. Para os clientes com crédito rural, o vencimento das operações de maio e junho será prorrogado para o mês de julho. Já para os clientes Vero, o banco anunciou que as empresas e pessoas físicas credenciadas terão isenção de tarifas pelo prazo de 60 dias nos meses de maio e junho.

Banco gaúcho divulgou ações que incluem medidas emergenciais de crédito e isenção de tarifas

Lucro líquido da 3tentos avança 51% entre janeiro e março

Companhia lançou campanha de arrecadação para reconstrução das localidades afetadas pelas enchentes no RS

Companhia gaúcha apresenta o 21º trimestre seguido de crescimento

A 3tentos obteve crescimento no primeiro trimestre do ano nos três segmentos em que atua, registrando lucro líquido de R$ 156,4 milhões, aumento de 51% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a receita operacional líquida cresceu 48,5%, atingindo R$ 2,7 bilhões. Em insumos, o crescimento foi de 35,4%, em grãos, 21,6%, e, na indústria, 68,6%. O CEO da 3tentos, Luiz Osório Dumoncel, destaca que este é o 21° trimestre consecutivo de resultados positivos, o que demonstra a capacidade da companhia em manter um crescimento consistente. O início da indústria de processamento de soja e produção de biodiesel de Vera (MT), em julho do ano passado, e a melhor safra de soja do Rio Grande do Sul nos últimos dois anos (colhida antes dos recentes temporais) alavancaram os números do trimestre.

Ele também ressaltou a expansão para o Vale do Araguaia (MT), onde a 3tentos irá instalar sua primeira indústria de processamento de milho. Prevista para 2026, ela terá capacidade para produzir 935 metros cúbicos de etanol por dia. No início do ano, a 3tentos anunciou um novo ciclo de crescimento, com investimento previsto de R$ 2 bilhões nos próximos sete anos. A primeira loja de 2024 foi inaugurada no município de Espumoso (RS). Hoje, a companhia conta com um total de 64 lojas (56 no Rio Grande do Sul e oito no Mato Grosso), que atendem o produtor na venda de insumos e originação de grãos.

Os temporais que atingiram o Rio Grande do Sul não interromperam o funcionamento das duas indústrias, em Ijuí e Cruz Alta. Entre as 56 lojas, apenas duas delas, em Santa Maria e Cachoeira do Sul, tiveram acúmulo de água, porém, sem comprometimento de estruturas ou estoques. A empresa está recebendo e fazendo doações, além de atuar na logística para distribuição de alimentos e roupas. A companhia lançou também uma campanha de arrecadação para reconstrução das localidades afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul que está sendo divulgado pelos seus canais de comunicação nas redes sociais. “Estamos juntos a todos os gaúchos no atendimento das demandas emergenciais de socorro, amparo e acolhimento, e certamente também estaremos juntos com toda a sociedade na reestruturação e recuperação do nosso estado. Estaremos aqui, firmes e com coragem, junto com nossos colaboradores, clientes e fornecedores, sempre alicerçados na confiança e parceria fazendo o que for preciso para superarmos essa tragédia”, afirma Dumoncel.

Companhia lançou campanha de arrecadação para reconstrução das localidades afetadas pelas enchentes no RS

Inflação sobe 0,38% em abril

Alta em produtos farmacêuticos e alimentos influenciaram o índice

Alta de preços dos produtos farmacêuticos foi a principal responsável pelo resultado do grupo de saúde e cuidados pessoais em abril (Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,38% em abril, 0,22 ponto percentual acima do registrado em março. No ano, a inflação acumula alta de 1,8% e, nos últimos 12 meses, de 3,69%, abaixo dos 3,93% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril de 2023, a variação foi de 0,61%. Os dados são do IBGE. Os grupos de saúde e cuidados pessoais (1,16%) e alimentação e bebidas (0,7%) foram os destaques no índice de abril, sendo responsáveis pelos maiores impactos. Em abril, sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta de preços.

“Saúde e cuidados pessoais foi impactado pela alta de preços dos produtos farmacêuticos (2,84%), em decorrência do reajuste de até 4,5% autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, a partir de 31 de março”, explica André Almeida, gerente do IPCA. No grupo de alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio acelerou de 0,59% no ms anterior para 0,81% em abril. Mamão (22,7%), cebola (15,6%), tomate (14,1%) e café moído (3,1%) apresentaram as altas mais expressivas, provocadas pela menor oferta desses produtos em abril. “Fenômenos climáticos ocorridos no fim de 2023 e no começo de 2024 afetaram a produção”, acrescenta Almeida.

Já a alimentação fora do domicílio (0,39%) registrou variação semelhante à de março (0,35%). Embora o lanche tenha desacelerado de 0,66% para 0,44%. Após variação negativa no mês passado (-0,33%), o segmento de transportes (0,14%) teve os subitens com maior impacto positivo e maior impacto negativo no índice de abril, de modo que eles acabaram se anulando. Houve queda na passagem aérea (-12,1%). No que se refere aos combustíveis (1,7%), somente gás veicular (-0,5%) teve diminuição de preços. Etanol (4,5%), gasolina (1,5%) e óleo diesel (0,3%) registraram altas.

Alta em produtos farmacêuticos e alimentos influenciaram o índice

Folha de pagamento de 17 setores será reonerada a partir de 2025

Governo anuncia acordo após acordo com o Congresso Nacional.

Em vigor desde 2012, a desoneração permite que as empresas dos setores beneficiados contribuam menos para a previdência social e, em tese, contratem mais trabalhadores

Após um acordo entre o governo, o Congresso Nacional e representantes de 17 setores da economia, a folha de pagamento para essas atividades continuará desonerada neste ano, mas haverá alíquotas gradualmente recompostas entre 2025 e 2028. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, detalhou o fechamento do acordo após reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o líder do Governo do Senado, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP).A reoneração começa no próximo ano, com a contribuição patronal dos 17 setores à previdência social sendo feita da seguinte forma:

2024: desoneração total;2025: alíquota de 5% sobre a folha de pagamento;2026: alíquota de 10% sobre a folha de pagamento;2027: alíquota de 15% sobre a folha de pagamento;2028: alíquota de 20% sobre a folha de pagamento e fim da desoneração.

Modulação
Antes de anunciar o acordo no Senado, Haddad se encontrou com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Luiz Fux. O ministro da Fazenda afirmou que o governo pedirá ao Supremo a modulação da liminar concedida pelo ministro do STF, Cristiano Zanin, que barrou a desoneração da folha salarial de setores da economia. Por meio da modulação, o Judiciário pode dar aval ao acordo para o encerramento gradual do benefício. Prorrogada até o fim de 2027, após a aprovação de um projeto de lei que cinco ministros do Supremo consideraram inconstitucional, a desoneração da folha de pagamento permite que empresas de 17 setores substituam a contribuição previdenciária, de 20% sobre a folha de pagamento dos empregados, por uma alíquota de 1% a 4,5% sobre a receita bruta.

Em vigor desde 2012, a desoneração permite que as empresas dos setores beneficiados contribuam menos para a previdência social e, em tese, contratem mais trabalhadores. No fim do ano passado, o Congresso aprovou o projeto de lei que também reduziu de 20% para 8% da folha a contribuição para a previdência social de pequenos municípios. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o texto, mas o Congresso derrubou o veto no fim do ano passado. Nos últimos dias de 2023, o governo editou uma medida provisória revogando a lei aprovada. Por falta de acordo no Congresso para aprovar o texto, o governo concordou em transferir a reoneração para projetos de lei. No entanto, no fim de abril, a Advocacia-Geral da União recorreu ao Supremo. O ministro Cristiano Zanin, do STF, acatou o pedido de suspensão imediata da desoneração da folha e da ajuda aos pequenos municípios. Desde então, o governo vem tentando chegar a um acordo com os 17 setores da economia.

Com Agência Brasil

Governo anuncia acordo após acordo com o Congresso Nacional.

Governo cria malha aérea emergencial para atender o RS

Canoas receberá cinco voos diários

Aeroportos regionais em Santa Catarina e no Paraná ampliam oferta tendo como destino a Base Aérea de Canoas

O Ministério de Portos e Aeroportos anunciou na quinta-feira (9), em Brasília, a disponibilização de uma malha aérea emergencial com 116 voos comerciais semanais para atender a população do Rio Grande do Sul, afetada por fortes chuvas e enchentes, que obrigaram o fechamento, por tempo indeterminado, do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, que permanece com pista, pátio e saguão completamente alagados. Antes do fechamento, o aeroporto da capital gaúcha estava entre os dez mais movimentados do país e representava quase 90% do volume de passageiros transportados em todo o estado.

Segundo o ministro Sílvio Costa Filho, dos doze aeroportos existentes hoje no Rio Grande do Sul, seis terminais farão parte do plano emergencial, com ampliação de voos e número de passageiros, além da Base Aérea de Canoas, na região metropolitana, que se tornou o principal centro logístico para a chegada de cargas e operações de resgate, e que poderá receber cinco voos comerciais diários e até 35 por semana. Ao todo, segundo o governo, serão 53 voos semanais operando nos aeroportos de Caxias do Sul, Santo Ângelo, Passo Fundo, Pelotas, Santa Maria e Uruguaiana, no interior do estado. Além disso, os aeroportos de Florianópolis, Chapecó e Jaguaruna, em Santa Catarina, também farão parte do plano para apoio à população do Rio Grande do Sul, com ampliação de frequências e número de assentos.

Os aeroportos regionais gaúchos e catarinenses estão operacionais e as principais companhias aéreas estão disponibilizando a venda de bilhetes para os novos voos. As principais ligações aéreas, nessa primeira fase, serão os aeroportos de Guarulhos, na Grande São Paulo, e Viracopos, em Campinas (SP), além do aeroporto Afonso Pena, em Curitiba. O Ministério de Portos e Aeroportos explicou que a malha aérea emergencial amplia de 7 mil para 13 mil os assentos semanais em voos para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O volume representa uma fração do que o Aeroporto de Porto Alegre ofertava quando estava em funcionamento, transportando 100 mil passageiros por semana. “Vamos avançar na aviação regional. Naturalmente, conforme a demanda da população, a gente vai ampliando o número de voos regionais, para que a sociedade brasileira, sobretudo o povo do Sul, possa ter acesso aos voos que são tão importantes para o estado”, afirmou Costa Filho.

Base Aérea de Canoas
O início dos voos comerciais para a Base Aérea de Canoas ainda não tem data marcada e deve levar, pelo menos, alguns dias. A operação será toda coordenada pela Fraport, a concessionária que administra o aeroporto de Porto Alegre. “A Fraport assumiu a operação, está estruturando o aeroporto [de Canoas], o que vocês sabem que leva alguns dias. E a gente espera que a Fraport possa o quanto antes iniciar os cinco voos diários”, explicou o ministro. A estruturação inclui montagem da logística, adaptação do terminal de passageiros, montagem de equipamentos de raio-X, escadaria de acesso a aeronaves, segurança e logística de bagagens, entre outros serviços essenciais para a aviação civil.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que atuou na construção do plano emergencial, informou que as principais companhias áreas do país estão interessadas e envolvidas na operação da nova malha aérea. “Todas as empresas aéreas, como Gol, Latam e Voepass, operam nessas seis bases [aeroportos regionais] que foram apresentadas, e têm interesse de operar, também, dentro da viabilidade operacional de segurança, na base área de Canoas, quando isso estiver regularizado para operação regular”, afirmou Jurema Monteiro, presidente da entidade que representa as aéreas. Veja como fica a malha aérea emergencial no Rio Grande do Sul e Santa Catarina a seguir.

Aeroporto de Caixas do Sul (RS) | 25 voos semanais
Aeroporto de Santo Ângelo (RS) | 2 voos semanais
Aeroporto de Passo Fundo (RS) | 16 voos semanais
Aeroporto de Pelotas (RS) | 5 voos semanais
Aeroporto de Santa Maria (RS) | 2 voos semanais
Aeroporto de Uruguaiana (RS) | 3 voos semanais
Base aérea de Canoas (RS) | 35 voos semanais
Aeroporto de Florianópolis (SC) | 21 voos semanais
Aeroporto de Jaguaruna (SC) | 7 voos semanais
Aeroporto de Chapecó (SC) | aumento de capacidade da aeronave

Com Agência Brasi

Canoas receberá cinco voos diários

Portos catarinenses movimentaram 6,6% mais no primeiro trimestre

O resultado ficou acima do crescimento médio nacional, que foi de 5,2%

A Portonave movimentou 305,2 mil TEUs

Os portos de Santa Catarina tiveram um primeiro trimestre positivo na movimentação de cargas. O movimento registrado nos primeiros três meses de 2024 foi de 15,2 milhões de toneladas, 6,6% maior que no mesmo período de 2023. O resultado catarinense ficou acima do crescimento médio nacional, que foi de 5,2%. Os dados foram apurados pela Gerência de Portos, da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), conforme informações divulgadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Na movimentação de contêineres (TEUs), os portos catarinenses movimentaram 6,4 milhões de toneladas, com crescimento de 3,8% em relação ao primeiro trimestre de 2023. O setor é responsável por 19,17% da movimentação nacional de contêineres. A Portonave movimentou 305,2 mil TEUs, seguido por Itapoá com 269,5 mil TEUs e Imbituba com 16,7 mil TEUs. Os resultados significam 19,1% de toda a movimentação de contêineres, sendo o segundo maior estado do Brasil. Entre o desempenho geral dos portos, São Francisco do Sul movimentou 4,5 milhões de toneladas, seguido por Portonave com 3,1 milhões de toneladas. Itapoá, Terminal Aquaviário de SFS (combustível da Petrobrás) e Imbituba completam a lista.

O resultado ficou acima do crescimento médio nacional, que foi de 5,2%

Fiergs afirma que prazo de retomada das atividades na indústria é incerto

Problemas logísticos afetam diretamente a recuperação

A interrupção das atividades de empresas indefinidamente, por exemplo, provoca incertezas que podem acarretar a saída permanente de algum negócio das cidades

É incerta a perspectiva de retomada das atividades industriais após as inundações no Rio Grande do Sul, e é ainda impossível determinar um prazo com precisão. Segundo o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Arildo Bennech Oliveira, tudo dependerá da realidade específica das empresas e dos municípios afetados, já que os impactos foram extremamente heterogêneos. “É importante ressaltar que esta situação é diferente do que enfrentamos durante a pandemia. Há uma perda permanente de capital, danos significativos à infraestrutura e problemas logísticos que afetam diretamente a capacidade de recuperação econômica”, destaca, por meio de nota.

Além dos danos diretos das enchentes, existem aqueles indiretos que ainda não podem ser quantificados completamente. A interrupção das atividades de empresas indefinidamente, por exemplo, provoca incertezas que podem acarretar a saída permanente de algum negócio das cidades. Além disso, pode ocorrer a migração da população em busca de condições de vida mais seguras. “O processo de reconstrução exigirá medidas extraordinárias e um investimento significativo tanto do governo como da iniciativa privada. A qualidade dos projetos apresentados será crucial para garantir uma reconstrução eficaz”, ressalta Oliveira. Para ele, a retomada das atividades dependerá não apenas do tempo, mas também dos recursos e esforços dedicados à reconstrução e revitalização das áreas afetadas. Segundo um estudo preliminar divulgado pela Fiergs, os 336 municípios incluídos no decreto de calamidade do governo do Estado correspondiam a mais de 80% da atividade econômica do Rio Grande do Sul. Nesta quinta-feira, porém, com a ampliação das enchentes, o número de cidades atingidas já chegava a 425, ou seja, o prejuízo poderá ser ainda maior.

Problemas logísticos afetam diretamente a recuperação

Governo federal anuncia R$ 50,9 bilhões em medidas para o Rio Grande do Sul

Planalto garantiu que burocracia não irá atrapalhar urgência das ações

O Rio Grande do Sul enfrenta a maior tragédia de sua história, após ser atingido por chuvas e enchentes nos últimos dias

O governo federal anunciou, nesta quinta-feira (9), um conjunto de medidas que deve injetar quase R$ 50,9 bilhões na economia do Rio Grande do Sul, estado que enfrenta a maior tragédia de sua história, após ser atingido por chuvas e enchentes nos últimos dias. A antecipação de benefícios, a estruturação de projetos de logística e infraestrutura e, principalmente, o aporte de recursos para alavancar e subvencionar o crédito estão entre as ações. Em apresentação no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicou que esses são recursos iniciais. “Isso não termina aqui. Eu tenho dito aos ministros que temos de nos preparar porque a gente vai ter o tamanho da grandeza dos problemas quando a água baixar e quando os rios voltarem à normalidade”, disse Lula, que também garantiu que o governo federal está empenhado para que nenhuma burocracia atrapalhe a urgência das iniciativas que vêm sendo anunciadas.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, as medidas e recursos anunciados nesta quinta-feira vão beneficiar trabalhadores assalariados, beneficiários de programas sociais, estado e municípios, empresas e produtores rurais. “É um conjunto amplo de medidas, cada uma com um instrumento específico, para atender esse conjunto de atores que vão ter de, nos próximos dias, começar a reconstruir suas vidas. Assim que a água baixar, esse sistema tem de estar pronto para ser ativado na ponta, para que o povo gaúcho tenha o atendimento o mais rápido possível”, frisou. “É uma primeira medida que vai garantir um fluxo de recursos importante nesse primeiro momento, até que tenhamos um apanhado maior da situação, que pode exigir medidas adicionais”, explicou Haddad. De acordo com o ministro, o impacto primário das medidas é de R$ 7,6 bilhões e não afetará as ações e programas executados ordinariamente pelo governo federal em outras regiões do país. “É um recurso em proveito do povo gaúcho, que conta com o decreto de calamidade para sua execução”, fez questão de sublinhar.

Adicionalmente, cada ministério está elaborando seu plano de ação para o Rio Grande do Sul. Além disso, na próxima segunda-feira (13), o Ministério da Fazenda deve anunciar o resultado das negociações em torno da dívida do estado com a União. O governador Eduardo Leite pede a suspensão das parcelas dos débitos com o governo federal para liberar cerca de R$ 3,5 bilhões do caixa do estado. Os anúncios feitos hoje estão em medida provisória assinada por Lula, que será encaminhada ao Congresso Nacional. Durante o evento, Banco do Brasil, Caixa e BNDES também anunciaram medidas adicionais para atender a população do Rio Grande do Sul. Os bancos públicos anunciaram a suspensão do pagamento de dívidas e do FGTS por parte das empresas. Os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, estiveram presentes no evento.

Trabalhadores assalariados
Para trabalhadores assalariados, haverá a antecipação do pagamento do abono salarial para este mês de maio. Serão R$ 758 milhões destinados a 705 mil trabalhadores com carteira assinada. Também haverá a liberação de duas parcelas adicionais do seguro-desemprego para os desempregados que já estavam recebendo antes da decretação de calamidade, ao final da última parcela. Serão beneficiados 140 mil trabalhadores formais desempregados e o impacto será de R$ 495 milhões aos cofres públicos. A Receita Federal também trabalha na priorização no pagamento da restituição do Imposto de Renda para contribuintes do Rio Grande do Sul. O pagamento ocorrerá até junho para até 1,6 milhão de pessoas, no valor de R$ 1 bilhão. “É um valor que é delas, a única coisa que estamos fazendo é antecipando o cronograma para mobilizar recursos para ativar a economia e a reconstrução da vida das pessoas afetadas”, explicou Haddad. O governo federal antecipará os pagamentos do mês de maio do Bolsa Família e do Auxílio-Gás para 583 mil famílias gaúchas que recebem esses benefícios. O impacto imediato será de R$ 380 milhões.

Estado e municípios
Serão aportados R$ 200 milhões para que os fundos de estruturação de projetos dos bancos públicos consigam apoiar e financiar projetos de reconstrução de infraestrutura do estado e dos municípios afetados. “Estamos falando de pontes, viadutos, estradas, de um conjunto de ativos, logísticos sobretudo, que vão exigir um escritório de projetos para que tenhamos celeridade na contratação e obras. Muitas vezes, você não vai construir a mesma ponte no mesmo lugar, pode ser uma ponte diferente ou deslocar aquele equipamento para outra localidade. Isso vai exigir que tenhamos agilidade para a formatação de projetos que possam ser contratados em regime de urgência”, afirmou Haddad. “Uma coisa é contratar obras em regime de urgência, outra coisa é não ter o projeto e contratação de obra, você não consegue nem orçar para fazer uma contratação emergencial”, emendou. O governo federal também fará uma força-tarefa para acelerar a análise de crédito com aval da União para municípios do Rio Grande do Sul. São 14 municípios que estão com operações de crédito em andamento no valor de R$ 1,8 bilhão, sendo R$ 1,5 bilhão em operações externas e R$ 300 milhões em operações internas.

Empresas
Para as empresas, haverá o aporte de R$ 4,5 bilhões no Fundo Garantidor de Operações (FGO) para garantias de crédito no âmbito do Programa Nacional de Apoio a Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Segundo Haddad, os recursos deverão alavancar R$ 30 bilhões em empréstimos aos empresários. Além disso, também no âmbito do Pronampe, o governo destinará R$ 1 bilhão para subvenção de juros, até o valor máximo de crédito concedido passível de desconto de R$ 2,5 bilhões. Ou seja, dos R$ 30 bilhões potenciais de crédito, R$ 2,5 bilhões sero concedidos com desconto de juros. “Muitas vezes, você dá a garantia de crédito, mas, mesmo dando a garantia, tem um limite de redução de juros porque temos uma Selic alta, o spred [diferença entre taxa de captação de dinheiro, pelo banco, e a cobrada dos clientes], e o banco, mesmo querendo, não consegue reduzir a patamares que o tomador consiga pagar, sobretudo em uma situação como essa. Então, temos de criar linhas de crédito com juros zero, em alguns casos não haverá outra alterativa”, disse Haddad.

Segundo ele, o Pronampe funcionou durante a pandemia de Covid-19 e, recentemente, foi corrigido para permitir a renegociação de dívidas. “Agora, com essa medida, vamos reativar o programa nas bases estabelecidas pelo governo. Qualquer ocorrência que venha acontecer daqui um ano, dois anos com o tomadores, ele vai saber que o sistema bancário estará autorizado a reprogramar esses pagamentos, em caso de necessidade”, explicou. O governo ainda fará o aporte de R$ 500 milhões no Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), do BNDES, para garantir a alavancagem de crédito no Programa Emergencial de Acesso ao Crédito. A medida deve alavancar R$ 5 bilhões em concessão de crédito para microempresários individuais, micro, pequenas e médias empresas. Também será prorrogado, por no mínimo três meses, os prazos de recolhimento de tributos federais e Simples Nacional. A medida terá impacto de R$ 4,8 bilhões e deverá beneficiar 203 mil empresas.

Produtores rurais
Ainda para empresa e também para produtores rurais, haverá a dispensa da apresentação da certidão negativa de débitos para facilitar o acesso ao crédito, contratações e renegociações em instituições financeiras públicas. A medida valerá por seis meses, de maio a novembro. Por fim, os produtores rurais também terão R$ 1 bilhão para subvenção de juros ao Pronaf e Pronamp, até o limite global de crédito de R$ 4 bilhões passíveis de desconto de juros. “Isso garante uma entrada de recursos no campo bastante importante para recuperar a capacidade de produção agrícola”, disse o ministro Haddad.

Com Agência Brasil

Planalto garantiu que burocracia não irá atrapalhar urgência das ações

Perfilor terá nova fábrica em Santa Catarina

Joint venture formada entre ArcelorMittal e Tekno investirá R$ 100 milhões

Empresas implantarão nova fábrica para a produção de telhas e painéis termoisolantes em Araquari

O município de Araquari, localizado no litoral Norte de Santa Catarina, sediará o novo investimento da Perfilor, joint venture formada entre a ArcelorMittal e a Tekno, da ordem de R$ 100 milhões. As obras para a construção da nova fábrica, que produzirá telhas e painéis termoisolantes, se iniciaram no mês de abril e a previsão é que o início da operação ocorra no primeiro trimestre de 2025. A empresa já possui uma fábrica em Lorena, no interior de São Paulo. “A implementação da nova unidade é estratégica para a empresa e se trata da expansão geográfica com uma operação na região Sul, para atender segmentos da construção com coberturas termoisolantes para obras industriais e comerciais, como também câmaras frias e salas limpas para o agronegócio e indústria farmacêutica”, explica Eduardo Zanotti, vice-presidente comercial da ArcelorMittal Aços Planos para América Latina.

De acordo com o executivo, há mais de uma década o mercado de telhas e painéis termoisolantes cresce entre 5% e 7% ao ano. “Apostamos no crescimento deste mercado no Brasil e queremos continuar crescendo com esta nova unidade aproveitando a experiência que temos neste segmento na Europa”, completa Zanotti. A fábrica vai abastecer o Sul do Brasil. As soluções são voltadas para o setor da construção civil. Cerca de 100 empregos temporários vão ser gerados durante as obras na unidade. Após a conclusão e a entrada de operação, a perspectiva é chegar a 80 funcionários. A unidade será abastecida por bobinas galvanizadas provenientes da unidade Vega da ArcelorMittal, localizada em São Francisco do Sul, e pré-pintada na Tekno.

Joint venture formada entre ArcelorMittal e Tekno investirá R$ 100 milhões

BNDES alavanca R$ 5 bilhões em crédito para empresas gaúchas

Banco vai suspender o pagamento de dívidas por 12 meses

Suspensão de pagamentos beneficia empresas e produtores rurais de municípios gaúchos em situação de emergência e calamidade pública, no valor de R$ 7,7 bilhões até 2025

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai alavancar R$ 5 bilhões em crédito para micro, pequenas, médias empresas e microempreendedores individuais (MEIs), por meio do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (FGI PEAC), e vai suspender, por 12 meses, o pagamento de dívidas de empresas e produtores rurais do Rio Grande do Sul. A concessão de garantias por parte de agentes financeiros, por meio do FGI-PEAC, já está disponível a partir deste mês de maio, com taxa média de juros de 1,75% ao mês. A medida se soma ao total de R$ 50,9 bilhões destinados a trabalhadores, empresas, produtores rurais e famílias beneficiárias de programas sociais do Rio Grande do Sul, anunciados nesta quinta-feira (9) em Brasília (DF).

A suspensão completa do pagamento (juros e principal), também conhecida por standstill, de dívidas de empresas e produtores rurais beneficiará aqueles que estão em municípios do Rio Grande do Sul em situação de emergência ou em estado de calamidade pública, em decorrência de chuvas intensas, inundações, enxurradas ou alagamentos. A medida deve alcançar parcelas no valor de até R$ 6,1 bilhões em 2024 e até R$ 1,6 bilhão, somando um total de R$ 7,7 bilhões nos dois anos. As parcelas serão suspensas por até 12 meses e os contratos poderão ser prorrogados por 12 meses. Na solenidade, o diretor de planejamento e estruturação de projetos do BNDES, Nelson Barbosa, afirmou que o Banco também poderá contribuir com o Rio Grande do Sul com a estruturação de projetos para a reconstrução do estado, além do crédito e da suspensão dos pagamentos. “Podemos estruturar projetos para a reconstrução. Já fazemos vários projetos e, agora, com esse recurso que o Ministério da Fazenda está colocando, mais R$ 200 milhões a fundo perdido, vamos poder fazer vários outros projetos de investimentos, de escolas, de hospitais, de rodovias, pontes e desenvolvimento para a agricultura familiar”, explicou.

Banco vai suspender o pagamento de dívidas por 12 meses

Economia catarinense cresce 5,1% em fevereiro

Evolução revela que a atividade da indústria apontou aumento de 6,6% no período

Recorde no volume de exportações também tem impacto na indústria

A atividade econômica catarinense cresceu 5,1% no segundo mês do ano, em relação a fevereiro do ano passado. O percentual está acima da média brasileira, de 2,6% no mesmo período. De acordo com análise do Observatório Fiesc, o desempenho foi motivado pelo ciclo de redução da taxa de juros no Brasil e pela manutenção do consumo das famílias. A indústria cresceu 6,6% em Santa Catarina em fevereiro, em relação ao mesmo mês de 2023. O setor de equipamentos elétricos cresceu 21,3% no período, enquanto o segmento de máquinas e equipamentos avançou 3,7%, ambos incentivados pela trajetória de queda da Selic, que favorece a aquisição de bens de capital.

A economista Camila Morais, do Observatório Fiesc, ressalta que a demanda externa no setor madeireiro também contribuiu para o desempenho, com a expansão de 13,5% em fevereiro, contra o mesmo mês de 2023. “As melhores condições da indústria da construção dos Estados Unidos têm ampliado as exportações do setor e também as vendas de motores elétricos”, destacou. Camila explicou também que as exportações de bombas de líquidos, máquinas e aparelhos mecânicos com função própria e máquinas agrícolas para países da América Latina também contribuíram para o desempenho. O crescimento da atividade econômica de Santa Catarina refletiu ainda o impacto positivo da manutenção do nível de consumo das famílias no mercado interno, que favoreceu o crescimento da produção de produtos alimentícios. A indústria de produtos têxteis expandiu motivada, dentre outros aspectos, pela fabricação de tecidos de malhas para atender as novas coleções de outono/inverno.

De acordo com análise do Observatório Fiesc, o comércio teve a maior variação em fevereiro em relação ao segundo mês do ano passado, com expansão de 11,3%. O resultado também refletiu o ciclo de queda das taxas de juros e a manutenção do nível elevado do consumo das famílias. As vendas de eletrodomésticos, por exemplo, tiveram crescimento de 18,4%, sendo a sexta expansão consecutiva em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Nesse cenário, destaque também para a comercialização de veículos, motocicletas, partes e peças, com alta de 22,7% no período. Essa atividade impulsionou a venda de combustíveis e lubrificantes, que cresceu 4,8% no período analisado. Já a melhoria nas condições de acesso ao crédito e a queda nos preços incentivaram o aumento das vendas de materiais de construção, que cresceram 5% em fevereiro.

A venda de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação também teve aumento, de 19,5% em fevereiro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, influenciada pela expansão das atividades administrativas e serviços complementares, que envolvem locação de mão de obra e serviços de escritório. O segmento de serviços cresceu 8,4% no segundo mês de 2024 contra 2023, também puxado pelo consumo elevado das famílias, que impulsionou os serviços de transporte e armazenagem, que cresceram 9,3% na análise interanual, especialmente o transporte rodoviário de cargas.

Evolução revela que a atividade da indústria apontou aumento de 6,6% no período

Reconstruir infraestrutura atingida por chuvas no RS custará R$ 19 bilhões

Estimativa inicial do governo estadual pode ser superior

Pouco mais de 1,4 milhão de pessoas foram de alguma forma afetadas, em 425 municípios atingidos

Técnicos do governo do Rio Grande do Sul estimam que a restauração da infraestrutura pública atingida pelas consequências das fortes chuvas que atingem o estado desde o último dia 26 custarão ao menos R$ 19 bilhões. Segundo o governador Eduardo Leite, a estimativa é baseada em “cálculos iniciais”, ou seja, o montante necessário pode ser superior ao anunciado. “São necessários recursos para diversas áreas. Insisto: o efeito das enchentes e a extensão da tragédia são devastadores”, informou Leite, nas redes sociais. Ainda de acordo com o governador, os cálculos, bem como as ações já delineadas para responder à situação de calamidade pública no estado serão detalhados ainda nesta quinta-feira (9) no canal do governo gaúcho no YouTube a partir de 13h30. “Vamos detalhar as ações projetadas que contemplariam as nossas necessidades.”

Segundo a defesa civil estadual, ao menos 107 pessoas já morreram devido a efeitos adversos das chuvas, como inundações, alagamentos, enxurradas, deslizamentos, desmoronamentos e outros. Cento e trinta e seis pessoas estão desaparecidas. Pouco mais de 1,4 milhão de pessoas foram de alguma forma afetadas, em 425 municípios atingidos. Em todo o estado, ao menos 164.583 pessoas foram desalojadas, tendo que buscar abrigo nas residências de familiares ou amigos. Muitas delas seguem esperando que o nível das águas baixe para poder retornar a suas casas. Outras 67.542 pessoas ficaram desabrigadas, ou seja, sem ter para onde ir, precisaram se refugiar em abrigos públicos municipais.

Com Agência Brasil

Estimativa inicial do governo estadual pode ser superior

Conheça iniciativas de empresas e instituições para ajudar os gaúchos – e inspire-se a também auxiliar

Enchentes já deixaram mais de 100 mortos e afetaram mais de 400 cidades do RS. Mas uma grande corrente de solidariedade está se formando para superar as dificuldades

Empresas e organizações estão contribuindo com a corrente de solidariedade que se formou em solo gaúcho

Em meio a uma tragédia sem precedentes na história do Rio Grande do Sul, empresas de todos os portes e instituições se mobilizam para estender a mão ao próximo e ajudar, com doações e oferta dos próprios serviços gratuitamente. Outras se voltam para dentro, a fim de oferecer amparo aos funcionários. De alguns, a água levou tudo, deixando um rastro de desolação e desesperança. Até esta quinta-feira (9), o número de mortos passava de mais de uma centena, com 428 dos 497 municípios gaúchos sendo afetados diretamente pelas chuvas.

Ações de solidariedade serão necessárias não só neste momento de emergência, mas por muitos meses subsequentes ao escoamento das águas. “Não apenas empresas, mas também ecossistemas de negócios desapareceram por completo. Sedes administrativas, maquinário, estoques, arquivos: muito se perdeu. Para algumas companhias de abrangência local, o mercado consumidor sumiu, junto com bairros e cidades inteiras”, avalia o advogado Eduardo Grangeiro, coordenador da área de reestruturação de empresas e falências do escritório SCA – Scalzilli Althaus. Confira algumas iniciativas de empresas e instituições de diversos estados.

Carrefour: congelamento de preços até 31 de maio
O grupo francês Carrefour decidiu congelar os preços de todos os produtos nas suas lojas do Rio Grande do Sul, incluindo hiper, supermercados e atacarejos. A medida é válida, portanto, para unidades de todas as suas bandeiras no estado: Carrefour, Atacadão, Sam’s Club e Nacional. Os preços de 1º de maio serão mantidos pelo menos até 31 de maio. Além disso, lojas do Carrefour no Rio Grande do Sul, em parceria com a ONG Ação da Cidadania, estão recebendo doações de alimentos não-perecíveis, kits de higiene pessoal e materiais de limpeza.

Colégio Anchieta: mobilização para abrigar pessoas
Uma das mais tradicionais escolas de Porto Alegre, o Colégio Anchieta abriu as portas do ginásio da sede localizada no Morro do Sabiá, na Zona Sul da capital, para receber os desabrigados. O espaço, destinado a atividades dos alunos aos finais de semana, foi equipado com colchões, toalhas, cobertas e doações de roupas e alimentos. Os quartos foram organizados para os grupos prioritários, como idosos, gestantes e portadores de necessidades. “Mais do que nunca, é hora de fazermos uma corrente do bem e amenizar o sofrimento de tantos gaúchos afetados por esse desastre. Ajudar o próximo é um chamado a todos nós”, afirma o diretor Pe. Jorge Álvaro Knapp.

Baly Brasil: em vez de energético, água potável
A catarinense Baly Brasil, de Tubarão, está mobilizando empresários e comunidade para doações de mantimentos e itens de necessidade básica. Além de disponibilizar a frota de carretas, destinou, em parceria com outras empresas, duas linhas de produção dos energéticos para envasar 1 milhão de litros de água potável para doação.

Ecosul: isenção da tarifa de pedágio
A Ecosul, concessionária que administra 457,3 quilômetros de estradas no Sul do estado, dispensou o pagamento das taxas de pedágio para quem estiver em deslocamento para auxiliar as vítimas das enchentes. A medida é válida para quem está fazendo transporte de suprimentos e está atuando no resgate de pessoas. Em âmbito nacional, as concessionárias do grupo EcoRodovias estão compartilhando, nos painéis eletrônicos, uma chave pix para doações. A ação já roda por estados como São Paulo, Minas Gerais, Tocantins e Goiás.

Lojacorr: empresa duplicará o valor arrecadado
Maior rede de corretoras de seguros do país, a Lojacorr vai ajudar a Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul duplicando o valor arrecadado. Ou seja, para cada real doado, a Lojacorr também doará um real. As doações via Lojacorr podem ser feitas pelo Pix.

Condor: mais de 130 mil itens de higiene e limpeza
A catarinense Condor contribuiu com mais de 130 mil itens essenciais para auxiliar as famílias afetadas, como vassouras, rodos, escovas de dente, esponjas, lixas e trinchas para pintura.

FCC: força-tarefa em ação
Indústria que atua em diversos setores, com destaque para calçadista, construção civil e moveleiro, a FCC tem sede em Campo Bom, uma das cidades afetadas pela enchente. O Pix solidário, criado pela empresa, terá valores repassados de forma integral às vítimas. Para auxiliar os próprios colaboradores afetados, a empresa antecipou benefícios e isentou cobranças de consultas psicológicas. Também fez doações de materiais de limpeza para contribuir com a força-tarefa que vem sendo realizada no bairro em que se localiza.

PipeRun: ajuda para quem perdeu tudo
Sete colaboradores da PipeRun, que atende mais de 1,5 mil empresas com sistema de gestão de vendas, perderam tudo que tinham em função dos alagamentos. Para auxiliar o time com a arrecadação de recursos, a startup organizou uma vaquinha solidária. Enquanto isso, a empresa segue buscando garantir a continuidade dos serviços.

Sistema Ocergs: doação setorizada
O Sistema Ocergs, órgão de representação das cooperativas gaúchas, lançou campanha, em conjunto com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Foram criadas contas exclusivas e separadas por propósitos para quem quiser ajudar com qualquer valor na doação de alimentos e bebidas, medicamentos e material médico-hospitalar e reconstrução de casas e infraestrutura.

Fiep: organização de informações
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) criou um ambiente virtual específico para quem quiser ajudar os gaúchos. Parte da campanha “De mãos dadas com o Rio Grande do Sul”, o portal está conectado ao site da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e disponibiliza informações confiáveis e seguras. Também está organizando os pontos de recolhimento de donativos nas 12 Casas da Indústria espalhadas pelo Paraná.

Universidade de Passo Fundo: teleconsultas gratuitas às vítimas
Uma plataforma desenvolvida na Universidade de Passo Fundo (UPF), pelo mestrado de computação aplicada, está oferecendo teleatendimento gratuito às vítimas das enchentes. O aplicativo eProHealth permite o cadastro de voluntários – profissionais da saúde – de todo o Brasil e do mundo.

Pan American School: ação internacional
A Pan American School (PAS) se mobilizou junto à comunidade de escolas internacionais do Brasil para arrecadar doações. Os professores estrangeiros da instituição também estão utilizando suas redes para conseguir recursos em seus países. Além disso, a escola conta com campanhas próprias, lideradas por alunos, com o objetivo de contribuir com a corrente de solidariedade que se formou em solo gaúcho. Colaboradores, estudantes e famílias da comunidade PAS estão engajados na arrecadação, na organização e na distribuição de donativos.

Hospital Moinhos de Vento: abrigando funcionários
O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, estabeleceu comitê de enfrentamento de crise desde quinta-feira (2) para promover ações conjuntas de garantia do funcionamento da instituição, bem como medidas de apoio à comunidade. O hospital está recebendo pacientes de outros hospitais – e colocou o heliponto à disposição da sociedade para envio de insumos. Entre as ações adotadas para mitigar a situação dos colaboradores, estão medidas financeiras e de doação conjunta. Além disso, funcionários impossibilitados de voltar para casa foram acolhidos nas dependências. Atendimento psicológico também está sendo oferecido a todos os atingidos. O Instituto Moinhos Social, pilar social do hospital, está reunindo doações, que serão repassadas às comunidades atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul. O repasse pode ser feito para a chave Pix moinhos.social@hmv.org.br.

Ivira: mobilização no Paraná e até no Paraguai
Mobilizando os principais empresários de Foz do Iguaçu e do Paraguai, Bruno Vallini está auxiliando na organização das doações no Paraná. “Um colega disponibilizou uma aeronave para levar mantimentos de forma mais rápida, então, direcionamos as doações até ele. O restante está indo de carreta”, conta presidente da Ivira Incorporação e Desenvolvimento Imobiliário, empresa que está à frente do Leaves Premium Suítes, em Foz do Iguaçu.

Assespro-PR: união de esforços
De Curitiba, a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-PR) faz coro ao pedido de socorro dos colegas da entidade parceira, a Assespro-RS. No Rio Grande do Sul, a Assespro gaúcha lidera a “Ação Solidária: Ajuda aos Desabrigados”. De acordo com o material de campanha, a proposta neste momento é arrecadar colchões – ou dinheiro para comprá-los.

UFRGS: mobilização em diversas frentes
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) disponibilizou um de seus campus para abrigar a população. O restaurante universitário está fazendo mais de 3 mil refeições por dia, entre café, almoço, janta e lanche. Há também serviço de enfermagem, medicina, farmácia e psicologia sendo prestados. São mais de 300 voluntários, incluindo alunos da universidade no local. Além disso, a frota de veículos da universidade foi mobilizada para apoiar no transporte para a prefeitura, defesa civil e o governo estadual. A equipe do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) é uma das protagonistas deste momento, fazendo projeções e mapeamentos de áreas atingidas pelas enchentes, bem como o movimento de massa para risco de deslizamento. Com análise de cenário e modelos matemáticos, a equipe faz as previsões dos níveis do Guaíba, com 100% de acerto até agora.

Eletromidia: reforço na divulgação
Empresa de mídia que conversa com mais de 27 milhões de pessoas por meio de aproximadamente 65 mil pontos de contato, a Eletromidia acompanha de perto as consequências do desastre natural que assola o Rio Grande do Sul. Buscando contribuir com o resgate e atendimento dos desabrigados, e posteriormente com a reconstrução das cidades, a empresa reforça a divulgação de duas campanhas de doação no portfólio de edifícios e ruas em todo o Brasil.

Simers: organização de escalas de médicos voluntários
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul está atuando diretamente no gerenciamento de fluxos e de escalas de médicos voluntários em abrigos de Porto Alegre. Mais de 700 médicos voluntários já se cadastraram. A iniciativa é uma parceria com a secretaria municipal de saúde para organizar processos e otimizar recursos humanos. “A solidariedade tem sido muito intensa, mas temos de organizar esses processos para termos melhores resultados para a população”, descreve o vice-presidente do Simers, Fernando Uberti.

Wert: arrecadação de itens essenciais
De Porto Belo, em Santa Catarina, a Wert lançou uma campanha solidária de arrecadação de alimentos não perecíveis, água, roupas de cama, roupas, produtos de higiene e de limpeza e ração para pets, além de água potável, um dos recursos mais solicitados por quem está na linha de frente. As doações estão sendo reunidas na Casa Wert (rua Rio Perequê, 519, Jardim Dourado), em Porto Belo.

Enchentes já deixaram mais de 100 mortos e afetaram mais de 400 cidades do RS. Mas uma grande corrente de solidariedade está se formando para superar as dificuldades

Diego Ramos assumirá presidência da Acate

A nova diretoria eleita tomará posse em junho

Gestão de Ramos terá como foco expansão e relacionamento com órgãos nacionais e internacionais

A Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) elegeu na terça-feira (7) a nova diretoria para a gestão 2024-2026. O presidente será Diego Brites Ramos, que ocupou a posição de vice-presidente de relacionamento da entidade nos últimos quatro anos. O empresário é diretor geral da Teltec Solutions, sediada em Florianópolis, e é também vice-presidente de sustentabilidade da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro). Para o novo presidente, o momento é de “mostrar ao mundo as vantagens de se inovar em Santa Catarina” e trabalhar em parceria com governos locais e federal. “Temos de pensar grande e grandes ações exigem movimentações conjuntas. Juntar o setor produtivo, o melhor da academia e o melhor do governo para promover o desenvolvimento da tecnologia, ciência, inovação e empreendedorismo. Criar uma agenda em torno de interesses comuns e estabelecer um centro global de empreendedorismo e tecnologia”, defende.

O novo quadro diretor da Acate terá ainda como vice-presidentes Annalisa Blando Dal Zotto (finanças), Walmoli Gerber Júnior (marketing), Cesar Griebeler (integração), Betina Giehl Zanetti Ramos (relacionamento), Tulio Vinicius Duarte Christofoletti (ecossistema), Moacir Antonio Marafon (talentos) e Henrique Marcos Fava Bilbáo (internacionalização). Após duas gestões como presidente, Iomani Engelmann assumirá uma cadeira do conselho deliberativo. A nova diretoria eleita tomará posse no dia 1º de junho. A nova gestão da associação vem em um momento de consolidação e expansão do ecossistema de inovação catarinense. Perto dos 40 anos de fundação, a entidade leva a marca de Santa Catarina com ações de internacionalização expandidas após a pandemia e, hoje, conta com parcerias e missões ao Canadá, Inglaterra e Emirados Árabes. A entidade conta hoje com mais de 1700 associados e polos regionais espalhados por oito cidades de Santa Catarina – estado que possui mais de 22 mil empresas de tecnologia, com um faturamento anual de R$ 24 bilhões e que geram quase 80 mil empregos diretos.

A nova diretoria eleita tomará posse em junho

Reconstruir infraestrutura atingida por chuvas no RS custará R$ 19 bilhões

Estimativa inicial do governo estadual pode ser superior

Pouco mais de 1,4 milhão de pessoas foram de alguma forma afetadas, em 425 municípios atingidos

Técnicos do governo do Rio Grande do Sul estimam que a restauração da infraestrutura pública atingida pelas consequências das fortes chuvas que atingem o estado desde o último dia 26 custarão ao menos R$ 19 bilhões. Segundo o governador Eduardo Leite, a estimativa é baseada em “cálculos iniciais”, ou seja, o montante necessário pode ser superior ao anunciado. “São necessários recursos para diversas áreas. Insisto: o efeito das enchentes e a extensão da tragédia são devastadores”, informou Leite, nas redes sociais. Ainda de acordo com o governador, os cálculos, bem como as ações já delineadas para responder à situação de calamidade pública no estado serão detalhados ainda nesta quinta-feira (9) no canal do governo gaúcho no YouTube a partir de 13h30. “Vamos detalhar as ações projetadas que contemplariam as nossas necessidades.”

Segundo a defesa civil estadual, ao menos 107 pessoas já morreram devido a efeitos adversos das chuvas, como inundações, alagamentos, enxurradas, deslizamentos, desmoronamentos e outros. Cento e trinta e seis pessoas estão desaparecidas. Pouco mais de 1,4 milhão de pessoas foram de alguma forma afetadas, em 425 municípios atingidos. Em todo o estado, ao menos 164.583 pessoas foram desalojadas, tendo que buscar abrigo nas residências de familiares ou amigos. Muitas delas seguem esperando que o nível das águas baixe para poder retornar a suas casas. Outras 67.542 pessoas ficaram desabrigadas, ou seja, sem ter para onde ir, precisaram se refugiar em abrigos públicos municipais.

Com Agência Brasil

Estimativa inicial do governo estadual pode ser superior