Archives Maio 2024

BC vê alta de expectativas de inflação e não indica corte de juros

Na última reunião, Selic caiu 0,25 ponto, para 10,5% ao ano

Os membros do Copom afirmaram que a tragédia climática no Rio Grande do Sul, além dos seus impactos humanitários, também terá desdobramentos econômicos e o BC seguirá acompanhando

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) mostrou preocupação com as expectativas de inflação acima da meta e, em meio a um cenário macroeconômico mais desafiador do que o previsto anteriormente, não prevê novos cortes na taxa Selic, os juros básicos da economia. Para os membros do colegiado, a extensão e a adequação de ajustes futuros na taxa serão ditadas pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta. “O comitê, unanimemente, avalia que o cenário global incerto e o cenário doméstico marcado por resiliência na atividade e expectativas desancoradas demandam maior cautela”, diz a ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira (14). “A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, expectativas de inflação desancoradas e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária”, acrescenta o BC. O encontro ocorreu na semana passada e, pela sétima vez consecutiva, o Copom reduziu a Selic. No entanto, a velocidade do corte diminuiu. De agosto do ano passado até março deste ano, o Copom tinha reduzido os juros básicos em 0,5 ponto percentual a cada reunião. Dessa vez, a diminuição foi de 0,25 ponto percentual, para 10,5% ao ano.

Expectativas
Um dos principais motivos para a cautela do Copom é a desancoragem [dinâmica das expectativas de longo prazo que impede um alívio maior na curva de juros] das expectativas de inflação. Apesar de estar em queda, o índice ainda se encontra acima da meta estabelecida pelo Banco Central, alimentando a incerteza entre os agentes econômicos. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%. Além disso, as projeções para a inflação divulgadas no último relatório de inflação do BC, em março, apontam para uma diminuição da inflação em ritmo mais lento em 2024, pressionado pela alta dos preços de alimentos e combustíveis. No relatório, a autoridade monetária manteve a estimativa de que o IPCA fechará 2024 em 3,5% no cenário base. A projeção, no entanto, pode ser revista na nova versão do relatório, que será divulgada no fim de junho.

Entre os possíveis motivos da recente desancoragem das expectativas de inflação, o BC elencou a piora do cenário externo; os recentes anúncios de política fiscal; e a percepção de agentes econômicos acerca do compromisso da autoridade monetária com o atingimento da meta ao longo dos anos. “O comitê avalia que a redução das expectativas requer uma atuação firme da autoridade monetária, bem como o contínuo fortalecimento da credibilidade e da reputação tanto das instituições como dos arcabouços fiscal e monetário que compõem a política econômica brasileira”, destaca a ata. O cenário internacional mais adverso contribuiu para a decisão do Copom, de reduzir o ritmo do corte de juros. Para o BC, o aumento da volatilidade nos mercados financeiros globais, a desaceleração da economia norte-americana e a persistência da inflação em diversos países geram incertezas quanto à trajetória da economia mundial.

Apesar dos desafios, o Copom reconhece que o cenário do mercado de trabalho e a atividade econômica brasileira apresentaram um desempenho mais dinâmico do que o esperado no primeiro trimestre de 2024. Esse crescimento, impulsionado principalmente pelo setor de serviços, contribuiu para a decisão de reduzir a taxa Selic, ainda que em um ritmo mais lento. Por outro lado, a resiliência da atividade e a pujança do mercado de trabalho sugerem uma menor elasticidade do hiato do produto [capacidade ociosa da economia] à política monetária, o que poderia induzir um processo de desinflação ainda mais lento. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz o BC. Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, estimulando a atividade econômica e reduzindo o controle sobre a inflação. Já quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De março de 2021 a agosto de 2022, o Copom elevou a Selic por doze vezes consecutivas, num ciclo de aperto monetário que começou em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis. Por um ano, de agosto de 2022 a agosto de 2023, a taxa foi mantida em 13,75% ao ano, por sete vezes seguidas. Como resultado, o IPCA encerrou 2022 com alta de 5,8%, recuando em relação ao observado em 2021, de 10,1%.

Antes do início do ciclo de alta, a Selic tinha sido reduzida para 2% ao ano, no nível mais baixo da série histórica iniciada em 1986. Por causa da contração econômica gerada pela pandemia da Covid-19, o Banco Central tinha derrubado a taxa para estimular a produção e o consumo. A taxa ficou no menor patamar da história de agosto de 2020 a março de 2021. Em 2023, o IPCA fechou o ano com alta acumulada de 4,62%, acima do centro da meta determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que era de 3,25%, mas dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 1,75% e 4,75%. Em abril deste ano, pressionada pelos preços de alimentos e gastos com saúde e cuidados pessoais, a inflação do país foi a 0,38%, acima do observado no mês anterior (0,16%), mas abaixo do apurado em abril do ano passado (0,61%). De acordo com o IBGE, em 12 meses, o IPCA acumula alta de 3,69%.

Novamente, o Copom reforçou a visão de que o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, “com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”. A taxa neutra é aquela que nem estimula, nem desestimula a economia, ou seja, é a taxa de juros real consistente para manter o nível de atividade econômica, com o fomento ao pleno emprego e a inflação na meta. Quando o BC quer conter a demanda aquecida e frear a inflação, ele aumenta a taxa básica de juros para uma posição acima do juro neutro. A taxa de juros real neutra utilizada nas projeções pelo BC é de 4,5% ao ano. A política fiscal, de equilíbrio das contas públicas do país, também impacta as expectativas de inflação. O Banco Central reafirmou que “uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária”.

“Ainda que as projeções de resultado primário e de trajetória da dívida não tenham se alterado significativamente, observou-se, no período, um aumento do prêmio de risco e uma percepção de piora da situação fiscal, de acordo com os agentes [financeiros] que respondem o questionário pré-Copom”, diz a ata. Os membros do colegiado acrescentaram que a tragédia climática no Rio Grande do Sul, além dos seus impactos humanitários, também terá desdobramentos econômicos e o Copom seguirá acompanhando. A reunião do Copom no último dia 8 foi marcada pela divergência dos seus membros em torno do nível de corte de juros que seria realizado. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, desempatou a decisão ao votar por um corte de 0,25 ponto.

Além de Campos Neto, votaram por essa redução os diretores Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Otávio Ribeiro Damaso e Renato Dias de Brito Gomes, indicados pelo governo anterior. Votaram por uma redução de 0,5 ponto percentual Ailton de Aquino Santos, Gabriel Galípolo, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira, indicados pelo atual governo. Os membros que defenderam um corte maior também compartilharam da percepção de aumento das incertezas, mas alertaram sobre o custo de oportunidade de não seguir o guidance (orientação futura do Copom) da última ata, de corte de 0,5 ponto. “Eles discutiram se o cenário prospectivo divergiu significativamente do que era esperado a ponto de valer o custo reputacional de não seguir o guidance, o que poderia levar a uma redução do poder das comunicações formais do Comitê”, revela a ata.

“Para tais membros, julgou-se apropriado, tal como em reuniões anteriores, seguir o guidance, mas reafirmando o firme compromisso com a meta. Robustecendo a análise, notaram que as projeções de inflação eram mais afetadas pela determinação da taxa de juros terminal e que a redução de 0,5 ponto percentual ainda manteria a política monetária suficientemente contracionista”, acrescentou o BC. Já para os membros que defenderam a redução de 0,25 ponto percentual, o guidance indicado na reunião anterior era condicional ao cenário previsto na época, no entanto houve alteração nas condições macroeconômicas. “Tais membros ressaltaram que muito mais importante do que o eventual custo reputacional de não seguir um guidance, mesmo que condicional, é o risco de perda de credibilidade sobre o compromisso com o combate à inflação e com a ancoragem das expectativas”, destaca o documento.

Com Agência Brasil

Na última reunião, Selic caiu 0,25 ponto, para 10,5% ao ano

Catarinense FiberX projeta centro de inovação no Sapiens Parque

Projeto prevê investimentos de R$ 100 milhões e a criação de mais de 600 empregos

A FiberX é uma das representantes da Huawei, que é a maior fornecedora de equipamentos para redes e telecomunicações no mundo

O governador Jorginho Mello assinou na quinta-feira (11) um protocolo de intenção com a FiberX, empresa de tecnologia do Oeste catarinense que oferece serviços de telecomunicações. A empresa projeta instalar uma planta de pesquisa, desenvolvimento e inovação no Sapiens Parque, em Florianópolis. Será um investimento privado de R$ 100 milhões para o desenvolvimento e exportação dos produtos, que prevê a criação de mais de 600 empregos. A empresa é uma das representantes da Huawei, que é a maior fornecedora de equipamentos para redes e telecomunicações no mundo, e da Sineng, atuando como distribuidora exclusiva no Brasil. Ambas empresas chinesas se mostram grandes investidoras no mercado de tecnologia no Brasil e em Santa Catarina.

Ao oficializar o protocolo de intenções, o fundador e CEO da FiberX, Ivandro Tochetto, destaca a escolha pelo Sapiens Parque para instalar o centro de inovação e tecnologia da empresa por conta da infraestrutura existente. “Estamos com excelentes expectativas para a concretização desse projeto, assim como temos muito orgulho de investir em nosso estado, potencializando a capacidade de inovação de Florianópolis, e gerando emprego e renda. Temos um projeto audacioso, que envolve muita tecnologia inovadora e automação, sustentabilidade, aproveitamento solar e de água”, explica Tochetto. O diretor-presidente do Sapiens Parque, Eduardo César Cordeiro Vieira, comenta a parceria com a FiberX e os próximos passos para o Sapiens Parque e como irá investir na tecnologia no estado. “É uma grande empresa que irá trazer investimentos, mais mão de obra e empregos qualificados não só para a região de Florianópolis, mas para todo o estado”, destacou Vieira no ato da assinatura do protocolo de intenções.

Em 2020, a FiberX contava com pouco mais de 20 funcionários, mas hoje são mais de 300 profissionais. Sua matriz fica em Florianópolis (SC), mas mantém escritórios em Curitiba (PR), Porto Belo (SC), São Paulo (SP) e Sapucaia do Sul (RS), além de centros de distribuição em Cariacica (ES), Varginha (MG), Recife (PE) e Porto Belo (SC). Fazem parte da FiberX Group as empresas FiberX Telecom, FiberX Renováveis, FiberX Services, FiberX Training, FiberX Energy. Em 2023, pelo segundo ano consecutivo, a FiberX foi listada no ranking das 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com a consultoria técnica da PwC Brasil.

Projeto prevê investimentos de R$ 100 milhões e a criação de mais de 600 empregos

Banco do Brics vai destinar R$ 5,7 bilhões para reconstrução do RS

Montante será liberado em parcerias com BB, BNDES e BRDE

O Rio Grande do Sul vem sendo fortemente atingido por temporais, enchentes e alagamentos desde o fim de abril

O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), também conhecido como Banco do Brics, vai destinar US$ 1,1 bilhão, cerca de R$ 5,7 bilhões, para o Rio Grande do Sul. O anúncio foi feito nesta terça-feira (14) pela presidente do NDB, Dilma Rousseff, nas redes sociais. Desde o fim de abril, o estado vem sendo fortemente atingido por temporais, enchentes e alagamentos. Em seu perfil na rede social X, Dilma classificou o momento vivido pelo estado brasileiro como difícil e doloroso e citou um cenário de calamidade pública. “Sei que têm sido semanas de muita dor e tristeza. Conversei com o presidente Lula e com o governador [do Rio Grande do Sul] Eduardo Leite para tratarmos dessa situação dramática e definirmos como poderíamos prestar ajuda financeira”.

“O Banco do Brics tem um compromisso e vai atuar na reconstrução e na recuperação da infraestrutura do estado. Queremos ajudar as pessoas a reconstruir suas vidas. Vamos destinar, da maneira mais rápida possível, recursos para o estado”, revelou Dilma. O montante será liberado em parcerias com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Em parceria com o BNDES, serão enviados US$ 500 milhões, sendo metade para pequenas e médias empresas e o restante para obras de proteção ambiental, infraestrutura, água, tratamento de esgoto e prevenção de desastres. Em parceria com o Banco do Brasil (BB), o NDB vai destinar US$ 100 milhões para infraestrutura agrícola, projetos de armazenagem e infraestrutura logística. Em parceria com o BRDE, serão destinados US$ 20 milhões para projetos de desenvolvimento e mobilidade urbana e recursos hídricos. No curto prazo, serão destinados ainda US$ 295 milhões previstos em um segundo contrato com o BRDE, em processo de aprovação final.

Criado em dezembro de 2014 para ampliar o financiamento para projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável no Brics e em outras economias emergentes, o NDB, até o início de 2023, tinha cerca de US$ 32 bilhões em projetos aprovados. Desse total, cerca de US$ 4 bilhões estavam investidos no Brasil, principalmente em projetos de rodovias e portos. Em 2021, o Banco do Brics teve a adesão dos seguintes países: Bangladesh, Egito, Emirados Árabes Unidos e Uruguai.

Com Agência Brasil

Montante será liberado em parcerias com BB, BNDES e BRDE

Paraná projeta instituir rede de ajuda humanitária com abrangência nacional

Iniciativa deverá promover ações de respostas rápidas e de caráter humanitário, como na crise do Rio Grande do Sul

Caminhões com doações dos paranaenses chegam ao município de Santa Cruz do Sul

O governo paranaense enviou na segunda-feira (13) para a Assembleia Legislativa um projeto de lei que institui a rede estadual de ajuda humanitária, com o objetivo de dar assistência emergencial e acolhimento a pessoas que ficam em situação de vulnerabilidade após crises humanitárias, como as climáticas (chuvas ou secas). O Paraná é o primeiro do país a instituir uma rede de ajuda que pode se estender a todo o Brasil. O texto vai tramitar em regime de urgência. Pela proposta, a rede estadual de ajuda humanitária deverá promover ações de respostas rápidas e de caráter humanitário, tanto no Paraná, como em qualquer outro estado, como na crise do Rio Grande do Sul. Ela deve ser um caminho mais fácil para ações de caráter social, podendo contar inclusive com participação de organizações da sociedade civil na execução das medidas, em ações como campanhas de arrecadação e criação de mecanismos para facilitar doações.

A rede terá uma comissão permanente com membros da superintendência geral de ação solidária, coordenadoria estadual da defesa civil, secretaria de desenvolvimento social e família e secretaria da justiça e cidadania. Os recursos serão de responsabilidade do órgão que propor alguma medida emergencial, com ampla transparência para a sua utilização. Segundo a primeira-dama do Paraná, Luciana Saito Massa, o projeto de lei vai melhorar o atendimento do governo a situações extremas. “Essa iniciativa chega em boa hora. Será fundamental para darmos uma resposta célere em situações de crise, de maneira que possamos ir além daquilo que já tem sido feito pelos nossos irmãos gaúchos, com a organização das doações, apoio logístico e com as forças de segurança e salvamento. Além do atendimento a todos os municípios paranaenses, ele irá permitir que possamos socorrer qualquer ente federativo que esteja atravessando uma crise humanitária”, afirmou.

De maneira geral as crises humanitárias impõem decretos de situação de emergência ou calamidade, aprovados por governos estaduais e federal, o que permite que a defesa civil apoie as prefeituras com a distribuição de bens para atender as famílias vulneráveis, além de telhas, lonas e outros materiais. Com a rede estadual de ajuda humanitária, a ideia é que a liberação de recursos seja mais rápida, inclusive antes dos decretos, e possa atender inclusive outros estados, para distribuição de donativos, de efetivo para o trabalho e também de recursos financeiros.”As pessoas que estão sofrendo precisam de atendimento imediato. Acontece que, muitas vezes, esse reconhecimento da situação de estado de calamidade pública ou situação de emergência é um tanto complexo e burocrático. Então, para que o Estado possa ajudar, existe um trâmite também junto ao governo federal. A nova rede possibilita, de forma legal, o envio imediato, de alimentos, materiais de higiene, limpeza ou equipes especializadas”, afirmou o coordenador-geral da defesa civil do Paraná, coronel Fernando Schunig.

“Quem está sofrendo não pode esperar, tem que ter um atendimento rápido. O paranaense é um povo solidário por natureza e com esse novo projeto conseguiremos expandir as nossas ações”, explicou o coordenador. Ele também lembra que essa é uma nova ação dentro da política de resposta a essas crises. Outra recente foi a criação do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap), no fim do ano passado. Mais de 80 municípios já foram atendidos com recursos desse fundo, com a transferência de cerca de R$ 34 milhões.

Iniciativa deverá promover ações de respostas rápidas e de caráter humanitário, como na crise do Rio Grande do Sul

Volume de serviços volta a crescer em março

Índice registrou expansão de 0,4%

Setor de informação e comunicação teve a maior alta desde janeiro de 2017 e chegou ao patamar recorde da série

O volume de serviços prestados no país voltou a avançar em março, registrando uma expansão de 0,4%, após ter recuado 0,9% em fevereiro. O patamar ficou 12,1% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 1,5% abaixo do ponto mais alto da série histórica (alcançado em dezembro de 2022). Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada pelo IBGE. Já no indicador acumulado para o primeiro trimestre de 2024, frente a igual período de 2023, o setor fechou com crescimento de 1,2%. No acumulado dos últimos 12 meses, a expansão é de 1,4%. Das cinco atividades de divulgação investigadas, quatro apresentaram avanço. O principal destaque foi para o setor de informação e comunicação, que cresceu 4% em março, eliminando a perda de 2,5% registrada em fevereiro. Foi o crescimento mais intenso para essa atividade desde janeiro de 2017, quando registrou alta de 8,2%. O setor também alcançou, em março de 2024, o patamar mais alto da série histórica.

“Essa expansão é explicada pelas altas de um conjunto de serviços investigados dentro de serviços de tecnologia da informação, tais como: desenvolvimento e licenciamento de software; portais, provedor de conteúdo e ferramenta de busca da internet; e consultoria em TI”, enumera Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa. “São tipos de serviços que têm um mercado muito dinâmico, que envolve muita inovação, principalmente depois da pandemia, quando acelerou a informatização de muitos empresas e serviços”, complementa. Também o segmento de receita de empresas de TV aberta ajudou na alta dessa atividade. Outra atividade com importante avanço em março foi a de profissionais, administrativos e complementares, que com a alta de 3,8%, se recupera da queda de 2,1% no mês anterior. “Os destaques são os serviços de engenharia; os de administração de programas de fidelidade e de cartões de desconto; assim como a intermediação de negócios por meio de aplicativos, sendo os dois últimos ramos em franca expansão no pós-pandemia”, explica o pesquisador. “O que se observa nos últimos meses, é que, em geral, os serviços voltados às empresas são mais dinâmicos. Assim, estão ditando o ritmo do setor de serviços, mais do que os serviços voltados às famílias”, afirma Lobo.

Também registraram crescimento em março as atividades de transportes (0,3%) e serviços prestados às famílias (0,6%). Na análise regional, 13 dos 27 estados tiveram alta no volume de serviços na passagem de fevereiro para março. O impacto positivo mais importante veio de São Paulo (1,1%), seguido por Rio de Janeiro (1,1%), Minas Gerais (1,2%) e Espírito Santo (5,1%). Em contrapartida, Rio Grande do Sul (-3,6%), seguido por Mato Grosso (-7,6%), Distrito Federal (-4%) e Mato Grosso do Sul (-9,7%) exerceram as principais influências negativas.

Índice registrou expansão de 0,4%

Lucro líquido da 3tentos avança 51% entre janeiro e março

Companhia lançou campanha de arrecadação para reconstrução das localidades afetadas pelas enchentes no RS

Companhia gaúcha apresenta o 21º trimestre seguido de crescimento

A 3tentos obteve crescimento no primeiro trimestre do ano nos três segmentos em que atua, registrando lucro líquido de R$ 156,4 milhões, aumento de 51% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a receita operacional líquida cresceu 48,5%, atingindo R$ 2,7 bilhões. Em insumos, o crescimento foi de 35,4%, em grãos, 21,6%, e, na indústria, 68,6%. O CEO da 3tentos, Luiz Osório Dumoncel, destaca que este é o 21° trimestre consecutivo de resultados positivos, o que demonstra a capacidade da companhia em manter um crescimento consistente. O início da indústria de processamento de soja e produção de biodiesel de Vera (MT), em julho do ano passado, e a melhor safra de soja do Rio Grande do Sul nos últimos dois anos (colhida antes dos recentes temporais) alavancaram os números do trimestre.

Ele também ressaltou a expansão para o Vale do Araguaia (MT), onde a 3tentos irá instalar sua primeira indústria de processamento de milho. Prevista para 2026, ela terá capacidade para produzir 935 metros cúbicos de etanol por dia. No início do ano, a 3tentos anunciou um novo ciclo de crescimento, com investimento previsto de R$ 2 bilhões nos próximos sete anos. A primeira loja de 2024 foi inaugurada no município de Espumoso (RS). Hoje, a companhia conta com um total de 64 lojas (56 no Rio Grande do Sul e oito no Mato Grosso), que atendem o produtor na venda de insumos e originação de grãos.

Os temporais que atingiram o Rio Grande do Sul não interromperam o funcionamento das duas indústrias, em Ijuí e Cruz Alta. Entre as 56 lojas, apenas duas delas, em Santa Maria e Cachoeira do Sul, tiveram acúmulo de água, porém, sem comprometimento de estruturas ou estoques. A empresa está recebendo e fazendo doações, além de atuar na logística para distribuição de alimentos e roupas. A companhia lançou também uma campanha de arrecadação para reconstrução das localidades afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul que está sendo divulgado pelos seus canais de comunicação nas redes sociais. “Estamos juntos a todos os gaúchos no atendimento das demandas emergenciais de socorro, amparo e acolhimento, e certamente também estaremos juntos com toda a sociedade na reestruturação e recuperação do nosso estado. Estaremos aqui, firmes e com coragem, junto com nossos colaboradores, clientes e fornecedores, sempre alicerçados na confiança e parceria fazendo o que for preciso para superarmos essa tragédia”, afirma Dumoncel.

Companhia lançou campanha de arrecadação para reconstrução das localidades afetadas pelas enchentes no RS

Safra atual deve ser 5% menor do que a de 2023

IBGE estima colheita de 299,6 milhões de toneladas em 2024

A região Sul é responsável por 28,9% da produção nacional de grãos

A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve ser de 299,6 milhões de toneladas em 2024, segundo a estimativa de abril do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgada pelo IBGE. Isso representa uma produção 5,0% menor do que a obtida no ano passado (315,4 milhões de toneladas). Na comparação com a estimativa de março, houve um aumento de 0,4% ou de 1,2 milhão de toneladas. A produção de soja, principal commodity do país, cresceu 0,9% na comparação com o previsto em março e deve chegar a 148,3 milhões de toneladas. Essa quantidade equivale a uma retração de 2,4% na comparação com o total produzido no ano passado.

Os efeitos causados pelo fenômeno climático El Nino, caracterizado pelo excesso de chuvas nos estados da região Sul e falta de chuvas regulares com elevadas temperaturas no Centro-Norte do Brasil, trouxeram, como consequência, uma limitação no potencial produtivo da leguminosa em boa parte das unidades da federação produtoras. O destaque positivo ficou por conta do Rio Grande do Sul, como pontua o gerente da pesquisa. “Quando falamos da soja, mais especificamente do Rio Grande do Sul, há uma recuperação neste início do ano após um período de seca que afetou três safras. Já no verão de 2023 para 2024, choveu bastante, causando um aumento na produção da soja e do milho primeira safra. Portanto, a produção da soja está se recuperando quando olhamos para a estimativa feita em abril, analisando essa primeira parte do ano”, avalia Carlos Barradas, gerente do LSPA.

A produção do milho, quando consideradas as duas safras, caiu 0,3% na comparação com o estimado no mês anterior e deve somar 115,8 milhões de toneladas em 2024, ficando 11,7% menor do que o produzido em 2023, uma queda de 15 milhões de toneladas. “A produção do milho no Brasil apresentou queda principalmente por conta do preço, que caiu muito e desestimulou seu plantio na segunda safra. Importante destacar também que o milho da primeira safra enfrentou problemas climáticos em alguns estados com poucas chuvas e muito calor. Uma das consequências, como já vínhamos destacando em outras divulgações, é que alguns produtores deixaram de lado essa produção para plantar algodão, o que também resultou em recordes de produção de algodão”, lembra o pesquisador do IBGE.

Já a safra do arroz deve crescer 2% na comparação com o produzido do ano passado. A estimativa foi 0,3% maior em relação ao previsto em março, alcançando 10,5 milhões de toneladas. Juntos, a soja, o milho e o arroz respondem por 91,6% da produção de grãos no país. “Esse crescimento deve-se, principalmente, ao aumento na área plantada, que subiu 3,7%. O arroz é plantando durante a safra de verão e sofre uma concorrência muito grande com a soja, principal cultura brasileira. Como os preços do arroz subiram nos últimos meses, houve também um aumento de área plantada em detrimento da soja em algumas localidades. Isso ajuda a explicar o crescimento na produção do arroz em relação ao ano passado”, destaca Barradas. O Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 28%, seguido pelo Paraná (13,4%), Rio Grande do Sul (13,3%), Goiás (10,6%), Mato Grosso do Sul (8,3%) e Minas Gerais (5,6%), que, somados, representaram 79,2% do total. Regionalmente, o Centro-Oeste (47,2%) lidera esse ranking, enquanto as demais regiões têm as seguintes participações: Sul (28,9%), Sudeste (9,2%), Nordeste (8,7%) e Norte (6%).

IBGE estima colheita de 299,6 milhões de toneladas em 2024

Pelas memórias de uma vida

É urgente lançarmos o olhar também para os idosos que estão em abrigos, com a roupa do corpo e uma aposentadoria insuficiente, quando muito

O Asilo Padre Cacique chegou a enfrentar escassez de mantimentos, mas uma grande corrente do bem se formou para ajudar na superação desse desafio

Em meio a essa catástrofe, o grande destaque é a solidariedade: o povo pelo povo, como estamos vivenciando nas cidades alagadas. Exemplos não faltam, e não apenas do gaúcho, mas do catarinense, paranaense, paulista, mineiro, carioca. O brasileiro, de Norte a Sul, tem se mobilizado para doações e para trabalho. Para comida e para acolhimento. Todos ainda mantêm o foco na tragédia — o que é óbvio e totalmente compreensível. Mas a reconstrução nos espera, logo adiante. Por isso, é preciso planejar o futuro desde já. E isso envolve pensar em todos, sem exceção. É urgente lançarmos o olhar também para as pessoas de 60, 70, 80 anos de idade que estão em abrigos, com a roupa do corpo e uma aposentadoria insuficiente, quando muito. Restaram, para eles, as memórias de uma vida. Os traumas de uma calamidade. E a incerteza do amanhã.

Essa população, que é maioria no nosso estado, vive dias de poucas perspectivas, tanto financeiras como emocionais. Em virtude da idade avançada, financiamentos e empréstimos a essa faixa da população devem ter sua liberação dificultada, infelizmente. O cenário é ainda mais desafiador quando percebemos que diversas instituições onde eles moram foram devastadas pela calamidade — ou estão precisando de apoio para se manterem abertas. A iniciativa privada está contribuindo e buscando fazer a sua parte. Para citar um exemplo emblemático: o Asilo Padre Cacique, instituição centenária reconhecida pelo carinho e cuidado com seus moradores, chegou a enfrentar escassez de mantimentos. Mas uma grande corrente do bem se formou para ajudar na superação desse desafio.

Que sigamos assim! Todos somos chamados a contribuir e dar suporte à reconstrução das vidas dessas pessoas e das instituições que atendem e lidam com a longevidade e o envelhecimento. Olhando para o próximo, vamos incentivar a solidariedade. As enchentes deixaram para trás um rastro de destruição. Mas, também, nos evidenciaram a bondade transformadora que está no coração da maioria de nós.

*Gerente de marketing da ABF Developments

É urgente lançarmos o olhar também para os idosos que estão em abrigos, com a roupa do corpo e uma aposentadoria insuficiente, quando muito

BRDE disponibiliza suspensão por até um ano do pagamento de empréstimos

A prorrogação será analisada de maneira individualizada

Banco também busca novas linhas de crédito para auxiliar empresas afetadas pela catástrofe climática no Rio Grande do Sul

Com o objetivo de atenuar os prejuízos e auxiliar na retomada das empresas atingidas pelo maior desastre climático da história do Rio Grande do Sul, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) está disponibilizando a suspensão por até um ano do pagamento de empréstimos para clientes cujas atividades foram prejudicadas pelas cheias. Ao mesmo tempo que possibilita o congelamento temporário das dívidas com a repactuação de contratos, conhecido como standstill, o banco vem trabalhando para ampliar a oferta de recursos para todas as empresas do estado, especialmente para capital de giro e reconstrução das instalações. Neste sentido, o BRDE está em tratativas com os demais parceiros de funding, tanto instituições nacionais e internacionais, com a finalidade de elevar o limite de crédito. A diretoria do BRDE informa, ainda, que a prorrogação dos prazos de pagamento será analisada de maneira individualizada e, para tanto, a instituição está disponibilizando um único canal de contato a partir do e-mail gearc.rs@brde.com.br.

A prorrogação será analisada de maneira individualizada

Randoncorp fecha primeiro trimestre com receita de R$ 2,5 bilhões

Companhia dedica esforços nos cenários associados à situação de calamidade vivida no RS

Após um período de suspensão temporária em parte dessas operações, a empresa está mobilizada no apoio necessário aos funcionários vítimas das chuvas

A Randoncorp encerrou o primeiro trimestre de 2024 com receita líquida consolidada de R$ 2,5 bilhões (veja os demais indicadores na tabela ao final desta reportagem). Entre os destaques dos negócios da companhia, a retomada na produção de caminhões reverteu cenário negativo do ano passado e impulsionou as operações da vertical Autopeças. Para este ano, as principais associações do setor apontam crescimento importante nos volumes no comparativo com 2023. A vertical Controle de Movimentos, que reúne as operações da Frasle Mobility, registrou resultados estáveis na comparação anual, e acompanha o bom momento do mercado de reposição automotiva. “Nestes três primeiros meses do ano, observamos um ambiente de negócios positivo, com a retomada no segmento de caminhões e continuidade do bom nível de demanda de peças de reposição e de semirreboques. No entanto, nesse período realizamos movimentos importantes em governança e reorganização fabril, que reduziram os dias trabalhados, afetando nossa performance no trimestre, mas que são fundamentais para o futuro da companhia”, avalia o CFO da Randoncorp, Paulo Prignolato.

Neste momento, a companhia dedica esforços nos cenários associados à situação de calamidade vivida no Rio Grande do Sul, estado-sede da Randoncorp, e que concentra a maioria das operações industriais e administrativas do grupo. Após um período de suspensão temporária em parte dessas operações, a empresa está mobilizada no apoio necessário aos funcionários vítimas das chuvas e às comunidades impactadas por esta tragédia. Em uma rede de solidariedade promovida junto ao Instituto Elisabetha Randon, que envolve também comunidade, funcionários, parceiros, fornecedores e clientes, a Randoncorp está contribuindo com doações para as vítimas.

Informações para participação na corrente solidária:
Chave Pix: ier@randon.com.br
Destinatário: Instituto Elisabetha Randon
CNPJ: 05.768.706/0001-11
Agência: 0606/Conta corrente: 06.110990.0-6
Banco: Banrisul (041)

Companhia dedica esforços nos cenários associados à situação de calamidade vivida no RS

Governo suspende parcelas da dívida do RS por três anos

Medida ainda vai passar pelo Congresso

O RS participa de um regime de recuperação fiscal com a União e enfrenta efeitos devastadores das enchentes que atingem a região há cerca de duas semanas

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta segunda-feira (13) a decisão de suspender o pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União pelo período de 36 meses. Além disso, os juros que corrigem a dívida anualmente, em torno de 4%, serão perdoados pelo mesmo período. O estoque da dívida do estado com a União está em cerca de R$ 100 bilhões atualmente e, com a suspensão das parcelas, o estado disporá de R$ 11 bilhões a serem utilizados em ações de reconstrução. O Rio Grande do Sul é um dos estados que participa de um regime de recuperação fiscal com a União, assinado em 2022, e enfrenta efeitos devastadores das enchentes que atingem a região há cerca de duas semanas.

O anúncio da suspensão da dívida foi feito durante uma reunião com as presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador gaúcho, Eduardo Leite, que participou de forma remota, dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, do vice-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, além de outros ministros do governo federal, como Rui Costa (Casa Civil) e Paulo Pimenta (Comunicação Social).

Segundo Haddad, a suspensão da dívida e renúncia dos juros está prevista em uma proposta de lei complementar que será enviada ao Congresso Nacional, que precisa aprovar o texto. O projeto de lei prevê que os recursos que o Rio Grande do Sul deveria pagar à União sejam depositados em um “fundo contábil” com aplicação exclusiva em ações de reconstrução da infraestrutura do estado.

Com Agência Brasil

Medida ainda vai passar pelo Congresso

Plano de recuperação de Porto Alegre terá consultoria que atuou nos EUA após furacão Katrina

Os primeiros 60 dias da Alvarez & Marsal serão sem custo para a prefeitura

O plano de recuperação da capital gaúcha também contará com a união de competências das empresas parceiras CPFL Energia, Equatorial, Corsan Aegea e Fraport

A prefeitura de Porto Alegre contará com um serviço de consultoria especializada na recuperação de grandes cidades após eventos climáticos extremos. A parceria, formalizada nesta segunda-feira (13), engloba a gestão de recursos financeiros, regularização das operações, estruturação do plano e a gestão do comitê de crise, por meio da empresa Alvarez & Marsal. A partir de estudos técnicos desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) e com participação de diversos órgãos municipais, serão empreendidas medidas similares às já feitas após a destruição do estado de Louisiana, Estados Unidos, pelo furacão Katrina, em 2006. Na ocasião, a consultoria Alvarez & Marsal, agora operante na capital gaúcha, atuou na identificação de oportunidades de melhorias e eficiência nos programas de assistência social. “A empresa já operou no rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho e conhece os desafios que estamos enfrentando na Capital, já que aqui temos o maior desastre natural do último século no país”, explica o secretário da Smamus, Germano Bremm.

A empresa responsável, Alvarez & Marsal, atuará em conjunto com a administração municipal para a elaboração e gestão de um plano assertivo que promova respostas rápidas e estratégicas em momentos de crise. Os primeiros 60 dias da consultoria serão sem custo para a prefeitura. A partir da estruturação realizada nos cinco eixos, será possível identificar medidas a longo prazo para Porto Alegre: estruturação do plano e gestão do comitê de crise, ações emergenciais e logística de recursos, gestão de recursos financeiros, regularização das operações e alavancas fiscais e tributárias. O plano também contará com a união de competências das empresas parceiras CPFL Energia, Equatorial, Corsan Aegea e Fraport.

Os primeiros 60 dias da Alvarez & Marsal serão sem custo para a prefeitura

Sobe para 94,3% o percentual da atividade econômica gaúcha afetada pelas chuvas

Atualização da Fiergs inclui novos municípios, que já são 447 atingidos no Rio Grande do Sul

Os locais mais atingidos incluem os principais polos industriais do Rio Grande do Sul, impactando segmentos significativos para a economia

Aumentou para 447 o número de municípios (cerca de 90% do total) afetados pelas enchentes, segundo atualização do governo estadual. Isso representa, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), 94,3% de toda a atividade econômica estadual. “Os locais mais atingidos incluem os principais polos industriais do Rio Grande do Sul, impactando segmentos significativos para a economia”, afirma o presidente em exercício da Fiergs, Arildo Bennech Oliveira. A Federação atualizou nesta segunda-feira o estudo preliminar, divulgado na semana passada, que incluía 336 municípios, sobre os problemas econômicos decorrentes da catástrofe climática no Rio Grande do Sul. Segundo a entidade, das dez regiões econômicas, as com o maior número de municípios atingidos até 13 de maio são Planalto (94), Missões (87), Vale do Taquari (51) e Central (46). Em relação à atividade econômica, as quatro regiões com maiores municípios com Valor Adicionado Bruto (VAB) potencialmente afetado são: Metropolitana (R$ 108 bilhões), Vale do Sinos (R$ 65 bilhões), Serra (R$ 47 bilhões) e Planalto (R$ 46 bilhões). Em relação ao VAB da indústria, as regiões com maior atividade industrial potencialmente atingida são: Vale do Sinos (R$ 25 bilhões), Metropolitana (R$ 17 bilhões), Vale do Taquari (R$ 16 bilhões) e Serra (R$ 15 bilhões).

Em relação aos estabelecimentos industriais, as regiões com a maior quantidade de Indústrias no Rio Grande do Sul em municípios afetados são Vale dos Sinos (9,1 mil), Metropolitana (8 mil) e Serra (6,6 mil). Já as regiões que mais empregam na indústria do Rio Grande do Sul em municípios atingidos são Vale dos Sinos (184 mil), Metropolitana (128 mil) e Serra (121 mil). Quanto às exportações apenas da Indústria de Transformação em cidades potencialmente afetadas, se destacam as regiões Sul, com R$ 3,7 bilhões; Metropolitana, US$ 3,2 bilhões; Central, US$ 3,1 bilhões, e Planalto, US$ 2,7 bilhões. Por fim, as regiões com maior impacto potencial sobre a arrecadação de ICMS em estabelecimentos industriais são Vale dos Sinos, com um total de R$ 5,3 bilhões, Serra, R$ 3,5 bilhões, e Metropolitana, R$ 3,1 bilhões. Entre os locais mais atingidos, na Serra o destaque vai para a produção nos segmentos metalmecânico (veículos, máquinas, produtos de metal) e móveis, enquanto na Região Metropolitana de Porto Alegre estão os metalmecânico (veículos, autopeças, máquinas), derivados de petróleo e alimentos. Já no Vale do Sinos tem grande relevância a produção de calçados; e no Vale do Rio Pardo, destacam-se os segmentos de alimentos (carnes, massas) e tabaco. Por fim, o Vale do Taquari é forte nos segmentos de alimentos (carnes), calçados e químicos.

Atualização da Fiergs inclui novos municípios, que já são 447 atingidos no Rio Grande do Sul

Voos da malha emergencial do RS já chegam ao interior

Ministério e governo do estado acertam novas medidas

O Aeroporto Salgado Filho permanece fechado porque a pista de pouso e o terminal ficaram totalmente alagados

Novos voos extras da malha aérea emergencial para o interior do Rio Grande do Sul começaram a operar nesta segunda-feira (13). O aeroporto de Porto Alegre está fechado em consequência das fortes chuvas que atingem o estado desde 29 de abril e provocaram 147 mortes e estragos em centenas de municípios. Os voos regionais retomados têm como destino Santa Maria, Uruguaiana e Caxias. No sábado (11), três companhias aéreas brasileiras (Gol, Latam e Azul) já operaram voos para os municípios gaúchos de Passo Fundo, Santo Ângelo e Caxias do Sul.

De acordo com o boletim da Defesa Civil do estado que atualiza os serviços de infraestrutura, divulgado nesta segunda-feira (13), os aeroportos administrados pelo governo do estado que operam normalmente são os de Canela, Capão da Canoa, Carazinho, Erechim, Passo Fundo, Rio Grande, Santo Ângelo e Torres. Os aeroportos municipais em funcionamento são os de Santa Cruz do Sul e de Caxias do Sul. A operação deste último, porém, varia conforme as condições climáticas e, por isso, a situação tem sido constantemente atualizada. Já os terminais concedidos à iniciativa privada, administrados pela CCR Aeroportos, que estão em operação são os de Bagé, Pelotas e Uruguaiana. O Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, permanece fechado por tempo indeterminado por questões de segurança porque a pista de pouso, o terminal de passageiros e as salas de embarque ficaram totalmente alagados.

Trechos previstos
Estes são os primeiros voos extras da malha aérea emergencial de 116 voos criada para atender a população que deseja deixar o estado ou acessar as cidades gaúchas. A ampliação da oferta de voos foi anunciada na última quinta-feira (9) pelo Ministério de Portos e Aeroportos, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas e companhias aéreas. Em nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, informou que se reunirá com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para discutir a questão da malha aérea do estado e novas medidas emergenciais. “Estamos vendo os primeiros voos extras chegando ao interior do Rio Grande do Sul, garantindo, com isso, o direito de ir e vir da população neste momento delicado”, diz em nota. Pelo plano emergencial, na primeira fase do total de 116 voos semanais, são 88 estão previstos em sete municípios no Rio Grande do Sul e 28, em três cidades catarinenses.

Com Agência Brasil

Ministério e governo do estado acertam novas medidas

Calçadistas lançam campanha para reconstruir a cadeia do setor no RS

Movimento Próximos Passos RS quer priorizar os empregos em aproximadamente 3 mil empresas

Com cerca de 120 mil trabalhadores diretos, a cadeia produtiva tem papel social e econômico fundamental

As entidades representativas da cadeia produtiva do calçado Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) e Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), em união com empresas do setor, lançaram a campanha Movimento Próximos Passos RS. O objetivo é reconstruir o ecossistema calçadista gaúcho, priorizando seu bem mais valioso: as pessoas. Em manifesto conjunto, “o movimento destaca que a cadeia calçadista no Rio Grande do Sul não é apenas um setor econômico; é o sustento de milhares de famílias, a base de seus sonhos e de seu futuro”. Com aproximadamente 3 mil empresas e cerca de 120 mil trabalhadores diretos, a cadeia produtiva tem papel social e econômico fundamental para o estado. “Nos últimos dias estamos sendo testemunhas de uma tragédia sem precedentes no Rio Grande do Sul. Uma catástrofe climática que está deixando milhares de empresas e milhões de famílias devastadas. Perdemos não somente bens materiais, mas lares, documentos, recordações, amigos e familiares. Mas, em meio ao caos e tristeza, surgiu uma força inigualável: a solidariedade do povo gaúcho e de todo Brasil, manifestada em atos voluntários e doações generosas para reconstruir vidas e renovar a esperança”, continua o manifesto.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o Movimento Próximos Passos RS é uma resposta à urgência de reconstrução da cadeia produtiva, que tem nas pessoas seu principal ativo. “Somos um setor intensivo em mão de obra. São milhares de pessoas que vivem da atividade. A reconstrução, primeiro da vida dessas pessoas, é o nosso principal objetivo com a campanha. É a partir da dignidade e das condições de moradia das famílias que dependem da cadeia calçadista que teremos um setor inteiro restabelecido”, argumenta. Para Silvana Dilly, superintendente da Assintecal, a união das entidades e empresas que fazem parte do ecossistema do calçado será fundamental para a recuperação da atividade. “Um período de grave crise, com uma catástrofe climática como nunca vista no Rio Grande do Sul, exige medidas urgentes de auxílio. A resposta da união entre entidades e empresas não somente do Estado, mas de todo o Brasil, é igualmente histórica e irá ajudar milhares de pessoas envolvidas na produção do calçado”, diz.

Como funciona
O Movimento Próximos Passos RS é um movimento coletivo, que além das entidades, já conta com a adesão de importantes empresários gaúchos e de fora dele. Fazem parte da campanha, embaixadores como Alexandre Birman (Arezzo&Co); Pedro Bartelle (Vulcabras); Sergio Bocayuva (Usaflex); Ana Carolina Grings (Piccadilly); Astor Ranft (Pegada); Daniel Gewehr (Via Marte); Andrea Kohlrausch (Bibi); Marcelo Lehnen (Dakota); Vilson Hermes (Grupo Dass); Roberto Argenta (Calçados Beira Rio); Marco Schmitt (Box Print); Milton Killing (Killing Tintas e Adesivos); Eduardo Seleme (Viposa); ⁠⁠Jair Krummenauer (Cortume Krumenauer) e Emerson Fuga (Curtume Luiz Fuga). As doações recolhidas via pix ou depósito (nacional) e via depósito internacional estão sendo alocadas em um fundo para posterior destinação a entidades de auxílio mapeadas nas cidades atingidas: Associação de Amigos da Oktoberfest (Amifest de Igrejinha), Campo Bom Solidário, Distrito LD2 da Associação Internacional de Lions Clubes (Roca Sales, Muçum, Encantado, Arroio do Meio, Estrela, Lajeado e Taquari), Lions Clube de Parobé, Lions Clube de Três Coroas e Rotary Clube Oeste de Novo Hamburgo.

Como ajudar
Via depósito nacional

Banco do Brasil
Agência: 0314-X
Conta corrente: 39761-X
Via Pix: financeiro@abicalcados.com.br

Via depósito internacional*

Banco do Brasil (001)
IBAN: BR9600000000003140000397610C1
SWIFT: BRASBRRJCTA
*As doações no exterior devem incluir o motivo do envio “Ajuda Enchentes RS May 2024”.

Movimento Próximos Passos RS quer priorizar os empregos em aproximadamente 3 mil empresas