Archives Junho 2023

Empatia em escala

Cada vez mais as marcas são obrigadas a mostrar que realmente entendem as necessidades de cada cliente. O desafio se torna ainda maior com a tarefa de também garantir boas experiências nos diversos pontos de contato de consumo

A companhia fez com que uma Coca-Cola gelada saísse direto de um painel eletrônico para as mãos de quem passasse pelo Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo

Diariamente aplicando as mais diversas pesquisas para diferentes marcas, nos damos conta do quão efêmera é a validade da informação atualmente. Uma situação sob domínio hoje pode ter muito valor, mas no dia seguinte nem tanto. Nunca como antes o verbo adaptar virou tanto sinônimo de sobrevivência – ou relevância, para usar um termo mais adequado ao universo das redes sociais. Tanto é verdade que está se tornando mais difícil seguir como uma grife nunca esquecida no Top of Mind RS. Aquelas que ainda seguem invictas, no entanto, têm provado que sua fortaleza é a inteligência em saber ouvir e não só comunicar. Note que há algum tempo consumidores seguiam marcas, e agora elas desejam estar com o consumidor onde quer que ele vá. Atender e até superar as expectativas de cada um deles, eliminando incômodos e pontos de atrito, é fundamental para reter clientes e aumentar o ciclo de vida de um produto ou serviço, aspecto fundamental para a rentabilidade de qualquer negócio. Por isso é tão importante ouvir o consumidor, pois as tendências estão cada vez mais democráticas.

As estratégias de branding ou mesmo ativações de marca clamam por serem mais ágeis e inovadoras, por vezes necessitando de insights instantâneos. Afinal, atualmente uma pergunta não pode esperar dias para encontrar uma resposta. Esse é o diagnóstico que a Engaje tem colhido de 2019 para cá, quando iniciou a aplicar a pesquisa online para AMANHÃ, veículo responsável por lançar o estudo de marcas pioneiro no Brasil que tem mais de três décadas de existência. Com a internet oferecendo tudo o tempo todo, como as empresas podem se conectar com seus diferentes públicos e construir uma relação permanente? Acreditamos que a resposta está na troca de valor mútua, que vem ditando como, quando e por qual razão as marcas ganham a atenção e a confiança das pessoas. Elas precisam demonstrar empatia em escala, mostrando que realmente entendem as necessidades de cada cliente e ainda garantir boas experiências nos diversos pontos de contato de consumo.

A regra é que o experimento tem de cair na graça dos consumidores. Isso não aconteceu – pelo menos até agora – com o Metaverso, ambiente virtual que replica a vida real criado por Mark Zuckerberg. Ele não levou em conta que um serviço tão avançado como esse pode estar à frente do seu tempo e não ser minimamente entendido pelas pessoas. O anúncio da novidade perdeu o timing, pois o período exato para apresentá-lo deveria ter sido ao longo isolamento social, no auge da pandemia, quando as plataformas de reuniões virtuais, como o Zoom, por exemplo, tiveram seu boom. Naquele momento, possivelmente as pessoas poderiam aderir e criar um vínculo forte com o Metaverso. No lado oposto, e ainda no campo da tecnologia, o Nubank é um bom exemplo por ter oferecido um serviço que foi útil aos correntistas. O banco digital, campeão em sua categoria no Top of Mind RS, apresentou ao mercado suas “caixinhas”. O alvo foi fazer com que os clientes separassem seu dinheiro em forma de metas, como investimentos líquidos para a reserva de emergência ou objetivos que podem exigir um saque mais rápido. Ou mesmo para projetos mais longos, como a aquisição de um bem ou uma viagem. A interface das “caixinhas” também foi destaque, já que os usuários podem colocar imagens para alimentar seus sonhos.

Marcas mais presentes: Autoescola Xtraordinária, iniciativa da Localiza, quer elevar a inclusão social no trânsito

Abraçar uma causa justa também pode agregar muito valor para marcas. A Localiza pode servir de inspiração para muitas companhias brasileiras. A locadora de automóveis lidera o projeto Autoescola Xtraordinária. O plano é elevar a inclusão social no trânsito, estimulando pessoas com síndrome de Down a tirarem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo dados do Ministério da Infraestrutura, são mais de 78 milhões de condutores habilitados no Brasil, mas há apenas duas pessoas com síndrome de Down que possuem CNH. Para divulgar a iniciativa, a companhia veiculou um vídeo inspirado na história de Laura Simões, que há dois anos se tornou uma das primeiras brasileiras com a síndrome a tirar CNH. Como parte da estratégia, a Localiza pagará as despesas para que 30 pessoas possam retirar suas carteiras de motorista. A empresa ainda fechou uma parceria com o Instituto Mano Down para capacitar autoescolas interessadas a formar novos condutores. A ação reflete a busca por ultrapassar a relação tradicional B2C com as marcas mais presentes na vida particular de cada um. Revela também que as pessoas querem se identificar com a comunicação evocada pelas propagandas que apresente expectativas reais, como fez o Boticário, o mais lembrado no item Perfume. Na campanha para o Dia das Mães, cujo conceito era resumido na hashtag #MaternidadeSemJulgamentos, o grupo paranaense se propôs a organizar um espaço de escuta para discutir o peso das cobranças constantes da sociedade com as mães. A mensagem defendia que as mães deveriam e mereciam ser ouvidas, e não julgadas. Foi um comercial tanto marcante quanto importante para debater os sentimentos maternos, e com um objetivo plenamente tangível.

A mídia de massa, em meio a dezenas de sites e plataformas, ainda tem seu valor – desde que seja muito bem utilizada. Apostar em programas de TV aberta, como o Big Brother Brasil, pode render bons frutos se a estratégia de marketing for bem arquitetada. Afinal, o reality da Globo tornou-se multicanal com presença maciça na web e no streaming. Ainda que alguns acreditem que o BBB tenha perdido audiência, vídeos são incessantemente compartilhados até mesmo por seus críticos. A Pantene, uma das patrocinadoras do programa, não apenas sabe se utilizar desse veículo como também unir sua marca a grandes personalidades. Quem não se lembra da modelo Gisele Bündchen tirando de sua necessaire produtos da marca em uma entrevista com a apresentadora Angélica? Se não bastasse Gisele, a Pantene também apostou em Marina Ruy Barbosa, Camila Queiroz e a ex-BBB Juliette. Todas têm em comum não só beleza e carisma, mas cabelos volumosos e maravilhosos. A Pantene sabe como ninguém investir no uso de imagem de celebridades – lindas, carismáticas e midiáticas – que chamam a atenção do espectador imediatamente. O combo é completado com diversos vídeos dos participantes do BBB manipulando produtos da marca.

Percebemos que diversas estratégias de marcas inteligentes misturam o online e o offline com maestria. A Coca-Cola, campeã da categoria Refrigerante, é um exemplo a ser seguido. A companhia fez com que uma Coca-Cola gelada saísse direto de um painel eletrônico para as mãos de quem passasse pelo Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A marca estreou na América Latina o recém-lançado “3D Deep Iconic”, equipamento criado exclusivamente para a veiculação de campanhas em três dimensões. As quatro telas em LED de altíssima qualidade elevam a perspectiva de visão e dão ângulo para a perspectiva 3D em diversos pontos do saguão. A ativação tem como objetivo entregar inspiração e magia ao unir o mundo virtual com o mundo real, onde a famosa personagem da arte “Moça Com Brinco de Pérola”, de Vermeer, transforma uma Coca-Cola digital em uma Coca-Cola física e gelada, de verdade, para quem estiver próximo ao painel. Que experiência incrível e inspiradora, não é mesmo?

Como se nota ao longo deste artigo, as possibilidades são inúmeras para que determinada marca permaneça ativa na memória dos consumidores – e melhor ainda se também estiver no coração. Mas a complexidade também se multiplicou na mesma proporção. Hoje qualquer empresa que deseje ser perene tem por obrigação acompanhar as mudanças que ocorrem cada vez mais rápido no comportamento das pessoas, fator que impacta diretamente no padrão de consumo. Um dos instrumentos para acompanhar isso são as pesquisas aplicadas na internet, que podem ser conjugadas com grupos focais e outras ferramentas. Desse modo, será possível saber se uma determinada iniciativa realmente funciona, por exemplo. Afinal, adaptar-se constantemente aos movimentos pendulares do modo de consumir atual é a única forma de manter a relevância da marca.

*Diretoras da Engaje Pesquisas

Esse conteúdo integra a edição 343 da revista AMANHÃ, publicação do Grupo AMANHÃ. Clique aqui para acessar a publicação online, mediante pequeno cadastro.

Cada vez mais as marcas são obrigadas a mostrar que realmente entendem as necessidades de cada cliente. O desafio se torna ainda maior com a tarefa de também garantir boas experiências nos diversos pontos de contato de consumo

Inflação desacelera e taxa é de 0,23% em maio

A alta acumulada do IPCA é de 2,95% no ano

Grupo com maior peso na inflação oficial do país, o preço dos alimentos desacelerou em maio

A inflação oficial do mês de maio ficou em 0,23%, 0,38 ponto percentual abaixo da taxa de 0,61% registrada em abril. O resultado é do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE. Em 2023, a alta acumulada do IPCA é de 2,95%. Já nos últimos 12 meses, o índice é de 3,94%. Em maio de 2022, a variação da inflação havia sido de 0,47%. Os grupos de transportes (-0,57%) e de artigos de residência (-0,23%) foram os únicos a registrarem queda no mês passado. No primeiro, destacam-se os recuos nos preços das passagens aéreas (-17,73%), além do resultado de combustíveis (-1,82%), por conta das baixas do óleo diesel (-5,96%), da gasolina (-1,93%) e do gás veicular (-1,01%).

A desaceleração do índice em maio também foi influenciada pelo resultado do grupo de alimentação e bebidas, que passou de 0,71% em abril para 0,16% em maio. “Trata-se do grupo com maior peso no índice, o que acaba influenciando bastante no resultado geral”, explica André Almeida, analista da pesquisa. O principal destaque foi na alimentação no domicílio, que passou de 0,73% no mês anterior para uma estabilidade em maio. O grupo registrou queda nos preços das frutas (-3,48%), do óleo de soja (-7,11%) e das carnes (-0,74%). Por outro lado, a alta teve como destaque a inflação do tomate (6,65%), do leite longa vida (2,37%) e do pão francês (1,4%). “Nos casos do tomate e do leite, os aumentos de preço estão relacionados a uma menor oferta”, contextualiza Almeida.

Entre os demais seis grupos, todos apresentaram alta nos preços. A inflação em saúde e cuidados pessoais teve a maior variação (0,93%) com destaque para plano de saúde (1,2%) e itens de higiene pessoal (1,13%), com especial influência para a alta do subitem perfumes (3,56%). Também os produtos farmacêuticos, com alta de 0,89%, contribuíram para o resultado, após a autorização do reajuste de até 5,60% no preço dos medicamentos, a partir de 31 de março. Já o grupo de habitação, com alta de 0,67%, contribuiu para a alta IPCA de maio. “Houve influência dos preços da água e esgoto e da energia elétrica, que registraram reajustes em algumas capitais”, justifica o analista da pesquisa. A maior contribuição veio da taxa de água e esgoto, com variação de 2,67%, devido a reajustes aplicados em seis áreas de abrangência do índice (Recife, São Paulo, Aracaju, Curitiba, Belém e Goiânia).

A alta acumulada do IPCA é de 2,95% no ano

Banco Mundial eleva para 1,2% previsão de crescimento do Brasil

Alta ocorre em cenário de leve melhoria para economia global

Segundo o organismo multilateral, o crescimento econômico deste ano será sustentado principalmente pelas exportações

Num cenário que classificou de “resiliência da economia global”, o Banco Mundial elevou de 0,8% para 1,2% a previsão de crescimento do PIB do Brasil em 2023. A projeção consta do relatório Perspectivas Econômicas Globais, divulgado pela instituição financeira. Apesar da melhora no ano, o Banco Mundial reduziu, de 2% para 1,4%, as projeções de crescimento para a economia brasileira em 2024, na comparação com o relatório anterior, divulgado em janeiro. Para 2025, o organismo multilateral estima expansão de 2,4%.

Divulgado duas vezes por ano, o relatório lista as estimativas para o desempenho das economias em todo o planeta feitas pelo Banco Mundial. Segundo o organismo multilateral, apesar da melhora em alguns países latino-americanos, o crescimento econômico deste ano será sustentado principalmente pelas exportações, num cenário de dificuldades provocadas por inflações domésticas persistentemente altas e de aumento de juros. Para a economia global, o documento elevou, de 1,7% para 2,1% a estimativa de crescimento econômico. Segundo o Banco Mundial, os Estados Unidos e outras grandes economias estão se revelando resilientes diante do aumento de juros decididos pelos principais bancos centrais.

Mesmo com a melhoria, a estimativa do Banco Mundial representa desaceleração em relação a 2022, quando a economia global cresceu 3,1%. Para 2024, o relatório diminuiu a previsão de crescimento de 2,7% para 2,4%. Segundo o organismo internacional, os juros altos terão efeitos no próximo ano, por meio da queda de investimentos comerciais e residenciais.

Com Agência Brasil

Alta ocorre em cenário de leve melhoria para economia global

Copel mantém Triplo A da agência Fitch Ratings

Este é o terceiro ano consecutivo da companhia no posto mais alto da agência de classificação de risco

A classificação se estende à Copel e às subsidiárias integrais – Copel Geração e Transmissão e Copel Distribuição – e as suas respectivas emissões de debêntures

A Copel continua a figurar entre as empresas com melhor avaliação de risco de crédito em todo o mundo. A Fitch Ratings, uma das três maiores agências independentes de classificação de risco que analisam o desempenho das organizações, manteve a classificação AAA (bra) da companhia em relatório divulgado nesta semana. A avaliação coroa o trabalho da empresa, que em 2021 foi, também, a primeira estatal do setor elétrico a alcançar o nível mais alto da Fitch. A classificação se estende à Copel, às subsidiárias integrais – Copel Geração e Transmissão e Copel Distribuição – e as suas respectivas emissões de debêntures, servindo de norte para que investidores conheçam o nível de risco dos títulos que adquirem. Este é o terceiro ano consecutivo da companhia no posto mais alto da Fitch.

De acordo com o relatório da Fitch, a classificação da Copel é justificada por resultados consistentes. A companhia mantém um forte perfil de negócios, com ativos diversificados e relevantes, o que contribui para reduzir riscos operacionais e regulatórios. A empresa também apresenta uma geração de caixa robusta, e fluxo de caixa positivo, o que garante a execução do seu plano de investimentos. Outros destaques são os ganhos de eficiência, modernização da rede de distribuição de energia e uma alavancagem financeira conservadora que contribui para a saúde financeira da companhia. O reconhecimento da Fitch chega no momento em que a Copel executa um dos maiores planos de investimentos de sua história. Somente em 2023 estão sendo aplicados R$ 2,1 bilhões em geração, transmissão e distribuição de energia. A maior parte do investimento destina-se à ampliação e a melhoria da rede de distribuição da empresa no Paraná, que está recebendo 86% dos recursos – R$ 1,8 bilhão.

A Copel é a terceira maior empresa da região e também a maior do Paraná, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC. Leia o anuário completo clicando aqui, mediante pequeno cadastro.

Este é o terceiro ano consecutivo da companhia no posto mais alto da agência de classificação de risco

Atividade industrial volta a cair no Rio Grande do Sul

Pesquisa da Fiergs revela recuo de 2,4% em abril

Atividade industrial gaúcha está no menor patamar desde maio de 2021, mas ainda 5,2% acima do nível anterior ao da pandemia

Sem crescer há cinco meses e depois de terminar o primeiro trimestre praticamente estável, o Índice de Desempenho Industrial gaúcho (IDI-RS), divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), voltou à trajetória negativa em abril. Recuou 2,4% em relação a março, com ajuste sazonal. A atividade industrial gaúcha, medida pelo IDI-RS, acumula baixa de 9,3% em seis quedas nos últimos oito meses. Está no menor patamar desde maio de 2021, mas ainda 5,2% acima do nível anterior ao da pandemia, em fevereiro de 2020. “A conjuntura econômica, sobretudo os elevados níveis de juros e de incerteza, a demanda doméstica insuficiente e a perda da confiança empresarial mantêm as dificuldades e as perspectivas pouco favoráveis para a atividade do setor nos próximos seis meses”, afirma o presidente da federação, Gilberto Perty, por meio de nota.

A pesquisa mostra que o balanço de 2023 até aqui é negativo para a atividade industrial, com volatilidade e perdas significativas ante o mês imediatamente anterior, com o ajuste sazonal, que vêm desde setembro do ano passado. Além disso, as quedas interanuais são generalizadas. O IDI-RS é formado por seis componentes que evoluíram em sentidos opostos na passagem de março para abril. A principal influência na sua queda veio do faturamento real (-8,6%), impactado também pela utilização da capacidade instalada, que caiu 2,2 pontos percentuais e atingiu 77,8%, e pelas compras industriais (-2,9%). Por outro lado, cresceram as horas trabalhadas na produção, 1,2%; o emprego, 0,4%, o que não ocorria desde setembro do ano passado, e a massa salarial real, 1,1%.

Na comparação anual de 2023 com iguais períodos de 2022, também houve recuos do IDI-RS de 4,7% em abril (o quarto seguido na comparação com o mesmo mês do ano anterior), e de 2,7% no acumulado dos primeiros quatro meses. A queda da atividade industrial até abril de 2023 é disseminada, atingindo quatro dos seis componentes do IDI-RS e 11 dos 16 setores analisados. Já nas análises de setores, produtos de metal, com retraçado de 7,7%; químicos, derivados de petróleo e biocombustíveis, com queda de 6,2%; e máquinas e equipamentos, que caiu 3,5%, foram os principais impactos negativos no desempenho da atividade industrial gaúcha no acumulado do ano entre janeiro e abril. As maiores contribuições positivas, ao mesmo tempo, vieram de couro e calçados (+3,2%) e equipamentos de informática e eletrônicos, com 9,1% de crescimento.

Pesquisa da Fiergs revela recuo de 2,4% em abril

Poupança tem retirada líquida recorde de R$ 11,7 bilhões em maio

Em 2023, saques superam depósitos em R$ 69,2 bilhões

Atualmente, os juros básicos estão em 13,75% ao ano, o que fez a poupança deixar de perder para a inflação pela primeira vez desde meados de 2020

A aplicação financeira mais tradicional dos brasileiros continua a registrar retiradas recordes de recursos. Em maio, os brasileiros sacaram R$ 11,7 bilhões a mais do que depositaram na caderneta de poupança, informou o Banco Central (BC). Essa é a maior retirada líquida (saques menos depósitos) para meses de maio desde o início da série histórica, em 1995. O desempenho contrasta com maio do ano passado, quanto os correntistas tinham depositado R$ 3,5 bilhões a mais do que tinham sacado. Com o desempenho de maio, a poupança acumula retirada líquida de R$ 69,2 bilhões no acumulado do ano. A aplicação registra a maior retirada acumulada para o período desde 1995. Nos cinco primeiros meses do ano passado, os saques superavam os depósitos em R$ 46,7 bilhões.

Em 2022, a caderneta registrou fuga líquida (mais saques que depósitos) recorde de R$ 103,2 bilhões, num cenário de inflação e endividamento altos. Os rendimentos voltaram a ganhar da inflação por causa dos aumentos da taxa Selic (juros básicos da economia), mas outras aplicações de renda fixa continuam mais atraentes que a poupança. Em 2020, a poupança tinha registrado captação líquida (depósitos menos saques) recorde de R$ 166,3 bilhões. Contribuiu para o resultado a instabilidade no mercado de títulos públicos no início da pandemia de Covid-19 e o pagamento do auxílio emergencial, que foi depositado em contas poupança digitais da Caixa Econômica Federal. Em 2021, a poupança teve retirada líquida de R$ 35,5 bilhões. A aplicação foi pressionada pelo fim do auxílio emergencial, pelos rendimentos baixos e pelo endividamento maior dos brasileiros.

Rendimento
Até recentemente, a poupança rendia 70% da Taxa Selic (juros básicos da economia). Desde dezembro do ano passado, a aplicação passou a render o equivalente à taxa referencial (TR) mais 6,17% ao ano, pois a Selic voltou a ficar acima de 8,5% ao ano. Atualmente, os juros básicos estão em 13,75% ao ano, o que fez a aplicação financeira deixar de perder para a inflação pela primeira vez desde meados de 2020. Nos 12 meses terminados em maio, a aplicação rendeu 8,38%, segundo o Banco Central. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor-15 (IPCA-15), que funciona como prévia da inflação oficial, atingiu 4,07%.

Com Agência Brasi

Em 2023, saques superam depósitos em R$ 69,2 bilhões

Produção de automóveis cresceu 27,4% em mês que antecedeu publicação da MP

Cerca de 100 mil a 110 mil carros deverão usufruir dos descontos de R$ 2 mil a R$ 8 mil

A produção de veículos em maio teve o melhor resultado desde agosto, com 227,9 mil unidades, 27,4% superior a abril e 10,7% a mais que em maio de 2022

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Márcio de Lima Leite, elogiou a abrangência da a Medida Provisória do setor automotivo, anunciada na segunda-feira (5) pelo governo federal. Para ele, o programa adotado, que tem um viés não só de aquecimento do mercado de veículos leves e pesados, mas também uma preocupação ambiental e de segurança viária muito forte, promovendo a renovação de frota de caminhões e ônibus de forma direta, e estimulando indiretamente essa renovação entre os automóveis, ao reduzir preços de modelos novos, e pressionando para baixo o valor dos usados. “Embora seja um programa de curta duração, traz um ânimo para todo o ecossistema automotivo e coloca um foco sobre um setor que tem potencial para gerar incontáveis benefícios à sociedade brasileira de forma geral”, afirmou.

Pelas estimativas da Anfavea, cerca de 100 mil a 110 mil automóveis e comerciais leves deverão usufruir dos descontos de R$ 2 mil a R$ 8 mil, antes do esgotamento do teto de R$ 500 milhões em créditos tributários disponibilizados pelo Ministério da Fazenda. Isso deverá ocorrer em pouco mais de um mês, ou seja, bem antes dos 4 meses de prazo estipulado pela MP 1175. Para caminhões e ônibus, espera-se um prazo mais largo para o teto de R$ 1 bilhão, até porque são veículos de maior valor, e com venda atrelada à retirada das ruas e reciclagem de veículos pesados com mais de 20 anos de uso, para desconto de R$ 33,6 mil a R$ 99,4 mil, dependendo do produto.

Bom desempenho da indústria em maio
A produção de veículos em maio teve o melhor resultado desde agosto, com 227,9 mil unidades, 27,4% superior a abril e 10,7% a mais que em maio de 2022. Para a Anfavea, alguns fatores foram responsáveis por essa alta, como o retorno das fábricas que haviam parado em parte do mês anterior, o maior número de dias úteis e, sobretudo, a expectativa gerada pelo anúncio de medidas para reaquecer o mercado, com descontos para modelos de até R$ 120 mil. Muitas empresas ampliaram seus estoques à espera de uma forte demanda a partir deste mês. Por outro lado, a espera pela MP do setor automotivo ocasionou um adiamento de compra por parte de muitos consumidores desde a metade de maio.

O resultado foi uma desaceleração do ritmo de vendas, mesmo após uma primeira quinzena muito positiva. As 176,5 mil unidades emplacadas no último mês representaram crescimento de 9,8% sobre abril e recuo de 5,6% sobre o mesmo mês do ano passado. Como maio teve quatro dias úteis a mais que abril, a média diária de vendas caiu 10,1% em relação ao mês anterior, de 8.929 para 8.025 unidades por dia. Esses movimentos da produção e do mercado interno geraram pela primeira vez em três anos um nível de estoque que só se verificava antes da pandemia, com mais de 250 mil unidades nos pátios das fábricas e das concessionárias. Volume que tende a ser escoado com rapidez, agora que os descontos de R$ 2 mil a R$ 8 mil oferecidos pelo governo federal estão válidos, além de eventuais reduções oferecidas pelas montadoras e suas redes.

Cerca de 100 mil a 110 mil carros deverão usufruir dos descontos de R$ 2 mil a R$ 8 mil

Grupo curitibano de investidoras-anjo celebra primeira venda de startup

Nascido dentro do Vale do Pinhão, o Women Investment Movement vendeu a startup de tecnologia educacional Pontue para a editora FTD Educação

Os aportes do grupo são destinados ao universo feminino, com investimentos em startups de base tecnológica que tenha pelo menos uma mulher como cofundadora

Nascido dentro do Vale do Pinhão, o Women Investment Movement (WIM Angels), grupo curitibano de investidoras-anjo voltado a incluir mais mulheres no mundo dos investimentos, celebra seu primeiro “exit”, com a venda da startup de tecnologia educacional Pontue para a editora FTD Educação. O Vale do Pinhão é o ecossistema de inovação lançado pela Prefeitura de Curitiba em 2017, com a Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, criado para fortalecer e potencializar o ambiente de inovação na cidade pelo empreendedorismo, a economia criativa e a tecnologia. No idioma do mundo das startups, “exit” é o momento em que é negociada a empresa na qual os investidores-anjo apostaram, gerando retorno a quem acreditou no seu potencial de mercado. “Fazer um exit em dois anos de existência é algo muito raro e é um grande mérito para o WIM Angels. Essa é uma conquista celebrada pelo Vale do Pinhão, já que tudo começou em um evento promovido pelo ecossistema de inovação da cidade. Esse feito mostra que promover o encontro de agentes de transformação inovadora da cidade é uma estratégia eficiente para fomentar os negócios em Curitiba”, destaca o coordenador geral da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, Marlon Alves Cardoso.

A WIM Angels nasceu em um Business Round em 2021, encontro mensal do Vale do Pinhão, realizado pela Agência Curitiba, que reúne representantes de startups, investidores, empresários, pesquisadores, estudantes, gestores públicos para uma rodada de negócios durante um happy hour. No evento, quatro mulheres começaram um debate sobre as dificuldades das empreendedoras e investidoras em conquistar espaço no universo dos investimentos-anjo. Da conversa, saiu o projeto da criação do grupo de investidoras-anjo. Dois meses depois, o WIM Angels passou de quatro para as 13 fundadoras, que fizeram seu primeiro investimento, em parceria com a WE Impact Network, de São Paulo. A escolhida para o aporte de estreia foi a Pontue, edtech de Ribeirão Preto, que recebeu aporte de capital e conselhos estratégicos para o crescimento, que contribuíram para atrair outras empresas, resultando na sua venda.

Fundada em 2017 pela professora de português Cris Miura e pela bacharel em direito Livia Toledo, a Pontue é uma das mais completas plataformas em correção de redação do mercado brasileiro. Usa inteligência artificial e customização para correção de redação e oferta de conteúdos. Atualmente, tem mais de 30 mil usuários cadastrados e 250 mil redações corrigidas. “Muito além do retorno financeiro, celebramos a geração de conhecimento e fortalecimento da rede de mulheres conectadas pelo negócio”, diz Marcia Cavalcante, da WIM, que liderou a rodada de investimentos. Isso porque as investidoras têm, entre seus propósitos, contribuir na redução do abismo de gênero existente na área de investimentos: hoje, a cada 100 investidores-anjo, apenas sete são mulheres. Os aportes do grupo são destinados ao universo feminino, com investimentos em startups de base tecnológica que tenha pelo menos uma mulher como cofundadora. Com o exit, a edtech passa a integrar o hub digital da FTD e estará disponível para mais as mais de 5 mil escolas parceiras da empresa.

Nascido dentro do Vale do Pinhão, o Women Investment Movement vendeu a startup de tecnologia educacional Pontue para a editora FTD Educação

Saiba como calcular o desconto do carro popular

Redução dos valores vai de R 2 mil a R$ 8 mil

As faixas são definidas pela pontuação que cada veículo soma quando são calculados todos os fatores

A medida provisória que trata do desconto patrocinado de carros populares sustentáveis foi publicada nesta terça-feira (6) com as regras para que o consumidor possa entender e escolher a melhor opção na hora de comprar o zero-quilômetro. Foram criadas sete faixas de descontos, que vão de 1,6%, equivalente a R$ 2 mil, a 11,6%, somando R$ 8 mil, conforme os critérios de eficiência energética, que inclui fonte de energia e consumo energético; preço do automóvel e densidade produtiva, que seria o percentual de utilização de peças de produção nacional.

As faixas são definidas pela pontuação que cada veículo soma quando são calculados todos os fatores. Por exemplo: um veículo híbrido, aquele que usa combustível fóssil e também eletricidade como fonte de energia, e que tem consumo menor que 1,4 megajoules por quilômetro (MJ/Km), soma 50 pontos no fator eficiência energética. Se o preço desse veículo for de R$ 120 mil, o maior valor para carros na categoria econômica para desconto patrocinado, são somados mais 15 pontos. E se os componentes dele forem 75% produzidos no Brasil, são somados mais 25 pontos (conforme tabela 1 a seguir).

Nesse caso, os noventa pontos somados classificariam o veículo na primeira faixa, que permite um desconto maior de R$8 mil (consulte tabela 2 abaixo). O veículo, que inicialmente seria no valor de R$ 120 mil, passaria a custar R$ 112 mil (Com Agência Brasil). 

Redução dos valores vai de R 2 mil a R$ 8 mil