Archives Abril 2022

Quão grande e rico será o mercado da China em 2030?

Dobrar de tamanho em uma década é a expectativa para o mercado chinês

Segundo país do mundo em quantidade de bilionários, com quase 700 em 2021, a China tem também a segunda maior quantidade de empresas com maior faturamento

Há controvérsias importantes sobre a eliminação da pobreza extrema na China, anunciada em 2020, e do país ter retirado da pobreza, de 1980 até agora, aproximadamente 800 milhões de pessoas. O que não se contesta é o crescimento fantástico do poder aquisitivo da sua população, expresso nas dimensões superlativas do seu mercado consumidor, e as perspectivas mais que animadoras para 2030, segundo todos os estudos disponíveis na Internet: do Banco Mundial, de 2013; da revista The Economist, de 2016; do Morgan Stanley, de janeiro de 2021 (disponível apenas para clientes); e da consultoria McKinsey (Five consumer trends shaping the next decade of growth in China | McKinsey), de novembro de 2021.

Trata-se de um mercado estimado em US$ 6,3 trilhões, em 2019, e que deverá chegar a US$ 13 trilhões em 2030, se não surgirem grandes turbulências no meio do caminho. Dobrar de tamanho em uma década é a expectativa para o mercado chinês. Impossível de se acreditar, não fosse pelo histórico de crescimento: de US$ 940 em 2000, a renda per capita pela paridade cambial saltou em 2020 para US$ 10.435 e US$ 17.211 pela paridade do poder de compra (PPP) – bem acima da renda brasileira, de US$ 6.797 a cambial e US$ 14.835 a PPP.

Realmente, é muito dinheiro: há cinco anos, o PIB da China calculado pela PPP, ultrapassou o dos Estados Unidos (EUA), e em 2020, quanto atingiu US$ 24,3 trilhões, representou 18,2% do PIB mundial. Naquele ano, com US$ 20,9 trilhões, os EUA ficaram com 15,7% do total mundial.

Esse mercadão imenso é resultado de fatores favoráveis que ocorrem de maneira combinada na China há mais de 30 anos: migração de centenas de milhões de pessoas, das áreas rurais para cidades, fazendo do mercado de trabalho urbano chinês o maior do mundo; pleno emprego e aumentos reais de salário; significativas alterações demográficas; e crescimento constante do poder aquisitivo da população.

Some-se a tudo isso a mudança da estratégia de desenvolvimento, no 12º Plano Quinquenal (2011-2015), do mercado externo para o mercado interno, com estímulo governamental ao aumento do consumo, mais as dezenas de milhões de pessoas que enriqueceram junto com o crescimento do PIB de 9% ao ano, na média do período. Segundo país do mundo em quantidade de bilionários, com quase 700 em 2021, a China tem também a segunda maior quantidade de empresas com maior faturamento. Por essas razões, até 2030, o mercado chinês será o maior, o mais rico e o mais diversificado do mundo.

Evidentemente, a redução da pobreza na China é causa e efeito de todas essas transformações, pois os 500 milhões de trabalhadores rurais que foram incorporados ao mercado de trabalho urbano, a partir de 1980, quantidade equivale a cinco vezes a população economicamente ativa do Brasil, geraram grande parte da riqueza hoje existente e ficaram com uma parte dela, expressa em patrimônio e na taxa de poupança do país, que é a maior do mundo.

Comentarei sobre mais alguns aspectos importantes da redução milionária da pobreza na China no dia 14 de abril, das 19h30 às 21h, para estudantes da Universidade Federal Fluminense, neste link (número da sala: 670-4476-5752).

Dobrar de tamanho em uma década é a expectativa para o mercado chinês

Grupo Livrarias Curitiba abre loja em São Paulo

Unidade traz marca própria de varejo que complementa o livro na hora de presentear

Maior rede de livrarias do Sul tem quatro lojas em São Paulo e prevê ampliações especialmente no interior

O Grupo Livrarias Curitiba inaugurou no início de abril mais uma loja no estado de São Paulo, no Golden Square Shopping, em São Bernardo do Campo. A unidade recebeu R$ 1,5 milhão de investimentos e é a 26ª da rede. Com 457 metros quadrados, emprega 13 funcionários e oferece cerca de 50 mil itens – incluindo livros, papelaria, presentes, decoração, brinquedos, games e informática.

A abertura faz parte do plano de expansão da companhia paranaense – maior rede de livrarias do Sul do Brasil – que tem quatro lojas em São Paulo e prevê ampliações especialmente no interior. As demais unidades da companhia estão no Paraná e em Santa Catarina. “Nosso foco está nas cidades paulistas de médio porte, com grande potencial de consumo e onde não haja concorrência direta com outros players”, explica a diretora de varejo Rute Pedri.

Novidades dois em um
Essa é a primeira loja da rede que já nasce com a LivLov – marca própria de varejo com opções que acompanham e complementam o livro na hora de presentear. Esses itens ampliam o leque de produtos de tal modo que o cliente encontre diferentes itens de cultura e criatividade no mesmo local. O ambiente LivLov é instagramável, traz artigos divertidos, inovadores, descolados, que são tendências, apresentam personagens, séries e cores que “brilham aos olhos”, atraem e dialogam com os visitantes.

A LivLov faz parte de uma nova frente de negócios da rede paranaense, que está prestes a completar 60 anos e, dentro de um projeto de estratégia e inovação, vai apresentar outras novidades em breve. “Somos pioneiros na criação de uma nova marca, pois não existe outra livraria que tenha desenvolvido uma nova marca para o varejo, e a LivLov já nasce com redes sociais exclusivas no Instagram e Facebook, a @amolivlov”, destaca a porta-voz.

“Nossos clientes amam livros e papelaria. Seguidores das redes sociais começaram a nos chamar carinhosamente de liv e daí veio o nome da marca. Assim, vamos oferecer o que há de mais atual no universo da papelaria – que se encaixa perfeitamente nas novidades literárias, brinquedos, games, presentes e artigos de tecnologia que temos nas lojas”, detalha a diretora.

Experiência completa
A Livrarias Curitiba do Golden Square Shopping de São Bernardo do Campo seguirá o novo projeto arquitetônico do grupo, com espaços mais amplos, modernos, iluminados e áreas mais organizadas. Desde 2019, os pontos de vendas têm um conceito aberto, sem vitrine e que serve de convite para que o público entre e conheça o ambiente. O local também será um espaço de entretenimento para todas as idades, vai realizar eventos culturais gratuitos como lançamentos de livros, palestras, workshops, clubes de conversação de idiomas e a hora do conto.

“Organizamos essa livraria para que os visitantes tenham uma experiência completa, sintam-se à vontade para explorar o espaço, conhecer todo mix de produtos e encontrar itens correlacionados com mais comodidade”, complementa Rute.

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Unidade traz marca própria de varejo que complementa o livro na hora de presentear

Os novos hábitos de consumo dos donos de pets

A chamada jornada “figital” cresce entre os consumidores e orienta planejamento de fornecedores como a Organnact

Organnact está presente em 34 mil pontos de vendas físicos no Brasil

Chegou ao mercado dos pets o conceito “figital”, empregado para definir as jornadas de compra que reúnem etapas física e digital. Na prática, o figital está ligado àquele consumidor que se relaciona com a marca por múltiplos canais, tendo uma jornada de compra que pode, por exemplo, iniciar na internet e finalizar na loja física. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Pet e divulgada recentemente revelou que o comportamento dos pais e mães de pets está diretamente ligado a essa realidade. Na pesquisa – que indicou um crescimento de 27% no faturamento mercado pet em 2021 – as vendas por pet shops pequenos e médios continuam sendo a principal forma de consumo, representando 48% de todas as vendas do setor.

Na família do advogado Júlio Freire, que mora com a filha Isabela e a biewer terrier Lilith, a pesquisa de preços feita pela internet sempre termina na loja física. “Sempre que preciso de algo diferente para a Lilith começo procurando pela internet, até pra ter noção de preço e informações sobre o produto. Mas a ida ao pet shop sempre é melhor, pois além de garantir a ração dela ainda conto com o suporte do pessoal da loja, que ajuda na escolha daqueles produtos que não compramos com tanta frequência, como vitaminas, por exemplo”, conta ele.

A jornada de Júlio traduz exatamente outros dados revelados pela pesquisa, como é o caso do consumo de pet food, que representou 55% do faturamento do setor e produtos de higiene e bem-estar animal, que teve uma alta de 19,5%. As marcas do setor também vêm sentido essa diferença. É o caso da Organnact, empresa que há 30 anos pesquisa, desenvolve e comercializa suplementação para pets. A empresa vende seus produtos em diversos marketplaces, apostando alto no marketing digital e nas redes sociais e, sobretudo, na parceria com pet shops, lojistas, casas agropecuárias e outros parceiros. São mais de 34 mil pontos de vendas físicos no Brasil, e a meta é estar presente em 100% das cidades brasileiras.

“A gente entende que nosso público busca muita informação sobre os produtos na internet. Até porque o ato de comprar algo que vai além da ração sempre exige mais informações. Mas a gente sabe que as famílias multiespécies ainda têm muito forte o hábito de ir ao pet shop, é quase como ir ao mercado”, conta Jorge Bacila, diretor comercial e de marketing da Organnact. A empresa decidiu, com isso, não criar um e-commerce próprio, mesmo durante a pandemia.

O público figital
Para entender mais como famílias como a do advogado Júlio consomem, diversos estudos vêm sendo feitos. É o caso de uma pesquisa realizada pela All in e Social Miner em parceria com a Opinion Box, que ouviu mais de 1 mil brasileiros em 2021. Segundo o estudo, a compra realizada de forma híbrida representa 60% do público, sendo que 49% escolhe também a compra física por não ter de pagar o temido frete de entrega.

O estudo ainda revelou que 83% do público considera o acesso à informação no mínimo importante para o engajamento com uma marca, por isso, estar presente com conteúdo de qualidade continua sendo fator fundamental. “O site da Organnact possui um descritivo bem detalhado de todos os produtos justamente por isso. Para que o público que precisa comprar, por exemplo, uma suplementação específica para o seu pet, possa entender a composição, a indicação, o modo de usar e assim ficar mais seguro da sua compra”, finaliza Bacila.

A chamada jornada “figital” cresce entre os consumidores e orienta planejamento de fornecedores como a Organnact

Paraná lidera mercado de fusões e aquisições no Sul

Estado dobra número de transações em um ano

“O volume de M&A reflete o bom desempenho relativo da economia do Sul e do Paraná, o que atrai investimentos de empresas nacionais e estrangeiras. Mas há também o movimento de empresas do Sul fazendo aquisições para consolidar e expandir suas posições regionais”, explica Magalhães

O Paraná é o estado que concentra o maior volume de fusões & aquisições (M&A) de empresas na região Sul do Brasil. Segundo dados da KPMG, em 2021 o Paraná teve crescimento de 101% nas transações, com 121 operações em 2021 contra 60 no ano anterior. O volume de negociações realizadas por empresas paranaenses coloca o estado no topo do ranking regional, seguido de Santa Catarina, com 98 transações, e Rio Grande do Sul, com 78.

“O volume de M&A reflete o bom desempenho relativo da economia do Sul e do Paraná, o que atrai investimentos de empresas nacionais e estrangeiras. Mas há também o movimento de empresas do Sul fazendo aquisições para consolidar e expandir suas posições regionais”, explica João Caetano Magalhães, diretor da Redirection International, empresa especializada em Fusões & Aquisições.

Segundo dados da Transactional Track Record (TTR), em 2021 as operações de M&A movimentaram cerca de R$ 69 bilhões nos três estados do Sul e o Paraná respondeu por 42,5% deste total. “Isso demonstra o quanto as transações paranaenses vêm se consolidando nos últimos três anos. Em 2018, o estado estava na última colocação da região em volume transacionado, com apenas R$ 3,4 bilhões, e agora é o líder, atingindo R$ 29,4 bilhões no ano passado, um crescimento de 439% neste período”, comenta Magalhães.

Ainda de acordo com a KPMG, juntos, os três estados do Sul registraram 297 operações de M&A em 2021, aumento de 95% em relação ao ano anterior. Além disso, a participação nacional da região aumentou de 11,6% no primeiro semestre de 2019 para 15,4% em 2021. “Ao mesmo tempo em que a participação do Sul cresceu, houve uma ligeira diminuição de 1,6% na fatia de mercado do Sudeste, mas ainda assim, o Sudeste continua respondendo pela maior fatia do mercado de M&A do Brasil (76% do total), em função principalmente do peso econômico de São Paulo”, analisa Magalhães.

Bons indicadores na região atraem investidores
Segundo João Caetano, a performance das Fusões & Aquisições no Sul demonstra a força e a resiliência do ambiente de negócios nos três estados e confirma o potencial de crescimento da região em relação ao cenário nacional. “Existe muito capital no mercado a ser alocado, muitos fundos querendo investir e também grupos corporativos buscando turbinar seu crescimento por meio das aquisições, principalmente nos setores de saúde, agronegócio e tecnologia, que são os que estão em tendência de alta na região”, explica. O cenário macroeconômico do Paraná também coloca o estado em posição de vantagem. “O Paraná tem bons resultados na produção industrial, no setor de serviços e na geração de empregos, por exemplo. Além disso, oferece estabilidade política e esses fatores influenciam diretamente o mercado de investimentos”, destaca.

De olho nesse mercado crescente, a Redirection participou no ano passado, junto com outras empresas da área, da fundação do Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Fusões & Aquisições (Idefa), entidade sem fins lucrativos com sede em Curitiba. A ideia é promover o setor de M&A, compartilhando informações do mercado com os empresários.

Estado dobra número de transações em um ano

José Ferreira Coelho é indicado para comandar Petrobras

Ele é presidente do Conselho de Administração da PPSA

A escolha ocorre após o economista e consultor Adriano Pires, anteriormente indicado para a função, ter anunciado a desistência do cargo da estatal

O ex-secretário de Petróleo do Ministério de Minas e Energia, José Mauro Ferreira Coelho, foi indicado para ocupar a presidência da Petrobras, informou a pasta. A escolha ocorre após o economista e consultor Adriano Pires, anteriormente indicado para a função, ter anunciado a desistência do cargo. Atual presidente do Conselho de Administração da Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA), estatal responsável por comercializar o óleo e o gás extraídos da camada pré-sal, Coelho foi secretário de Petróleo do ministério entre março e 2020 e outubro de 2021. Ele também foi diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e atuou na Agência Nacional do Petróleo (ANP) por 15 anos.

O ministério também anunciou a indicação de Marcio Andrade Weber para ser o novo presidente do Conselho de Administração da Petrobras. A indicação saiu depois que o presidente do clube de futebol Flamengo, Rodolfo Landim, anunciar a desistência do cargo na noite de domingo (3).

Membro do conselho da estatal, Weber integrou a diretoria de Serviços da Petrobras Internacional e foi diretor da Petroserv. Os dois nomes precisam ser aprovados em assembleia de acionistas da Petrobras no dia 13. O governo tem a maioria das ações com direito a voto. No caso de Weber, o indicado para a presidência do Conselho de Administração já passou por todas as etapas de análise do cumprimento das regras internas da companhia.

Com Agência Brasil

Ele é presidente do Conselho de Administração da PPSA

BRF anuncia novo VP de finanças e RI

Fabio Mariano assumirá a função

A BRF é a segunda maior empresa da região e também a segunda maior de Santa Catarina, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL

A BRF anunciou seu novo vice-presidente Financeiro e Relações com Investidores e o aprimoramento de sua estrutura organizacional com o objetivo de reforçar o relacionamento com seus clientes no mercado nacional, bem como a estratégia global de suas marcas de consumo. As alterações acontecem em função da saída do vice-presidente Financeiro Finanças e RI, Carlos Moura, e do vice-presidente do Mercado Brasil, Sidney Manzaro, que decidiram seguir novos projetos profissionais.

Em sua primeira reunião realizada da quarta-feira (6), o novo Conselho de Administração da BRF aprovou a nomeação, a partir de 11 de abril, de Fabio Mariano, atual diretor executivo de controladoria, para assumir a vice-presidência Financeira e de Relações com Investidores. Mariano conta com 22 anos de experiência, sendo os últimos 14 anos na própria BRF, onde já ocupou a posição de CFO Latam e gerente-geral da BRF Alimentos Calchaqui, na Argentina. Em 2017, retornou ao Brasil como diretor executivo Financeiro e, desde 2019, também atua como vice-presidente do Conselho da BRF Previdência.

Em relação ao Mercado Brasil, a Companhia promoveu uma evolução em sua estrutura para melhor atendimento das necessidades de seus clientes e consumidores. Manoel Martins, atual diretor executivo Comercial para o Autosserviço (AS), foi nomeado diretor executivo de Mercado Brasil, ficando responsável pelas áreas comerciais de toda a linha de produtos voltados para o mercado brasileiro, respondendo diretamente ao CEO global, Lorival Luz. Martins possui 23 anos de carreira, sendo 15 anos na BRF, onde já teve passagens como expatriado pela Argentina e Oriente Médio. Desde 2018 é responsável pelo relacionamento com os clientes de AS no Brasil.

Com o objetivo de potencializar a estratégia global de marcas, o atual vice-presidente de Novos Negócios, Marcel Sacco, passa a ser também o Chief Marketing Officer da BRF, agregando a suas atuais atribuições a responsabilidade pelas áreas de Marcas e Categorias das marcas icônicas da BRF, Sadia, Perdigão e Qualy, entre outras. Manzaro permanece na BRF até 1º de julho.

A BRF é a segunda maior empresa da região e também a segunda maior de Santa Catarina, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC. Leia o anuário completo clicando aqui, mediante pequeno cadastro.

Fabio Mariano assumirá a função

Languiru alcança receita anual recorde

Faturamento em 2021 foi de R$ 2,2 bilhões

“Temos a previsão de dobrar o faturamento da Languiru nos próximos cinco anos”, revelou Bayer

A Languiru divulgou que obteve um recorde de faturamento bruto em 2021. No total, a cooperativa obteve receita de R$ 2,2 bilhões, crescimento de 23,2% sobre 2020. No entanto, considerando as dificuldades impostas pela pandemia, estiagem e alto custo de produção, a Languiru não terá a distribuição de sobras entre os associados. Em contrapartida, o presidente Dirceu Bayer anunciou repasse de valores ao quadro social, aprovado pelo quórum da assembleia, estimados em R$ 4,3 milhões. “Apesar do momento de dificuldade e do cenário econômico adverso, procuramos encontrar alguma maneira de valorizar a fidelidade dos associados, que igualmente sofrem os efeitos da crise mundial. É uma atitude própria de cooperativa que se preocupa com o seu produtor”, frisou Bayer.

Ele conduziu a apresentação do relatório da gestão e valorizou a diversidade de negócios em período de extrema dificuldade para o segmento das carnes. Também ressaltou a necessidade de investimentos nas unidades industriais. “Precisamos agregar valor à matéria-prima, isso nos mantém competitivos”, afirmou, mencionando o incremento no mix de produtos. Também tratou da construção da queijaria, em Teutônia, ao longo de 2022; e da ampliação da rede de varejo, especialmente lojas Agrocenter, a primeira delas prevista para o segundo semestre em Rio Pardo. “São segmentos que nos dão sustentação. Além da venda de máquinas, implementos e insumos, ampliam nossas possibilidades de captação de grãos, reduzindo a dependência de compra de milho de outros estados”, explicou. Bayer ainda citou obras de construção de Supermercado e Agrocenter em Westfália, além de investimentos no restaurante junto ao posto de combustível no mesmo município.

O superintendente administrativo, comercial e financeiro, Euclides Andrade, e a gerente executiva de Controladoria, Carla Gregory, apresentaram o demonstrativo do desempenho econômico. “O ano de 2021 foi extremamente desafiador e nos mostrou o quanto o desempenho da Languiru nos anos anteriores foi importante, com reservas que neste momento dão sustentação aos negócios”, citou Andrade. Entre outros números, ele falou da variação do custo com relação ao milho e farelo de soja, com aumento de 44%, o que correspondeu a mais de R$ 170,8 milhões. Por outro lado, valorizou a estratégia de compra antecipada de milho, o que gerou economia de mais de R$ 61 milhões.

Olhando para o futuro, Bayer falou em crescimento com estabilidade. “Temos a previsão de dobrar o faturamento da Languiru nos próximos cinco anos”, revelou, apesar de alertar para a manutenção dos altos custos de produção em 2022, “um ano de desafios e de grande volatilidade”.

A Languiru é a 120ª maior empresa da região e também a 47ª maior do Rio Grande do Sul, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC. Leia o anuário completo clicando aqui, mediante pequeno cadastro.

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Faturamento em 2021 foi de R$ 2,2 bilhões

Conta de luz deve ter bandeira verde até o fim do ano

Diretor-geral da ONS citou volume dos reservatórios

O sistema de bandeiras tarifárias é o que define o real custo da energia

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que a bandeira verde vai vigorar até o final deste ano. Novas mudanças não são esperadas até o fim de ano. Isso significa que provavelmente as tarifas não voltarão a sofrer acréscimos em 2022. “Essa é a expectativa”, afirmou Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do ONS. A entidade é responsável por coordenar e controlar as operações de geração e transmissão de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN).

O sistema de bandeiras tarifárias é o que define o real custo da energia. Quando as condições de geração de energia não são favoráveis, é preciso acionar as usinas termelétricas, elevando os custos. Assim, cobranças adicionais têm por objetivo cobrir a diferença e também funcionam para frear o consumo. Quando vigora a bandeira verde, não há acréscimos na conta de luz. Já na bandeira amarela, o consumidor paga um adicional de R$ 0,01874 para cada quilowatt-hora (kWh). A bandeira vermelha é dividida: no patamar 1, o acréscimo é de R$ 0,03971 e no patamar 2 é de R$ 0,09492.

No ano passado, foi criada a bandeira de escassez hídrica, que fixa um acréscimo de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos. Ela estava vigente há sete meses, desde setembro. Segundo o governo federal, a medida era necessária para compensar os custos da geração de energia, que ficaram mais caros em consequência do período seco em 2021, apontado como o pior em 91 anos. Ciocchi afirmou que, com o volume de chuvas registrado desde o fim do ano passado, a atual situação dos reservatórios das usinas hidrelétricas permitirá ao país atravessar o restante do ano de forma mais tranquila e segura do que em 2021. “Sudeste e Centro-Oeste terminam o período de chuvas no melhor nível desde 2012”, observou.

Segundo o diretor-geral da ONS, a geração térmica deverá se limitar às usinas inflexíveis, que são aquelas que não podem parar e que possuem uma capacidade em torno de 4 mil MW (megawatts). Nos piores momentos da crise hídrica de 2021, as térmicas respondiam por mais de 20 mil MW. Atualmente, as hidrelétricas são responsáveis por cerca de 65% da geração de energia no país. A matriz brasileira vem sendo modificada nos últimos anos com o crescimento de novas fontes renováveis, como eólica, que já representa aproximadamente 9% do total.

Apesar da recuperação das usinas hidrelétricas, Ciocchi considera ter sido acertada a decisão do governo de contratar térmicas emergenciais no ano passado. Elas deverão garantir, até dezembro de 2025, a reserva de energia que era considerada necessária para uma recuperação de longo prazo. “Na hora que tomamos a decisão, existia uma incerteza muito grande. Tínhamos duas escolhas: o arrependimento de contratar e o arrependimento de não contratar”, pontuou.

Com Agência Brasil

Diretor-geral da ONS citou volume dos reservatórios

Grupo Garcia e Brasil Sul investem R$ 440 milhões desde a fusão

Com 800 ônibus e 22 milhões de passageiros por ano, empresa vê movimento retomar índices pré-pandemia

“Queremos entender como será o novo cenário do transporte rodoviário para adequarmos as nossas projeções e seguirmos neste ritmo de crescimento”, adianta o vice-presidente Estefano Boiko

Desde a fusão, há oito anos, que deu origem ao Grupo Viação Garcia e Brasil Sul, R$ 440 milhões foram investidos na operação, hoje responsável por 800 ônibus que transportam 22 milhões de passageiros por ano. Com idade média de um ano, a frota é a mais nova do país. O presidente José Boiko comemora os resultados recentes e diz que eles projetam o retorno do movimento de passageiros nas estradas brasileiras aos níveis pré-pandemia.

Com 2,5 mil funcionários, atuando em sete estados, o grupo aguarda a regulamentação da nova lei do setor para traçar suas próximas estratégias de médio e longo prazos. “Queremos entender como será o novo cenário do transporte rodoviário para adequarmos as nossas projeções e seguirmos neste ritmo de crescimento”, adianta o vice-presidente Estefano Boiko. Mas o cronograma de obras não parou. O grupo constrói agora uma nova sede em Londrina, uma obra de 16 mil metros quadrados e investimento de R$ 40 milhões. Recentemente, inaugurou uma garagem em Maringá, que recebeu recursos de R$ 25 milhões.

Desafios
Em 2014, a Garcia completava 80 anos em meio a uma grave crise financeira. A Brasil Sul, criada em 2004, estava em franca ascensão. A fusão se deu de modo pouco convencional: a empresa de menor porte adquiriu a sua maior concorrente, a Viação Garcia. “Os desafios da fusão foram, antes de mais nada, equacionar as finanças da empresa, já que a Garcia tinha um passivo elevado naquele momento. Também foi um grande obstáculo integrar as culturas das duas empresas, até então concorrentes. Tivemos de vencer uma certa resistência entre os colaboradores para compatibilizar a gestão”, recorda o vice-presidente.

A experiência da nova administração teve peso expressivo no processo de recuperação da empresa, com a adoção de medidas para a redução de custos, corte de desperdícios e otimização da frota. “O sucesso se deve também ao comprometimento dos funcionários. Passada a surpresa inicial, entenderam que a empresa superaria os desafios e se tornaria mais sólida, como ocorreu”, observa José Boiko. A estrutura administrativa da Garcia, com forte potencial operacional, somou-se à expertise da Brasil Sul, com foco em inovações, incorporação de tecnologias e excelência dos serviços. “Isso acelerou a consolidação da ‘nova’ empresa, que rapidamente se estabilizou em um cenário desafiador, marcado por grandes transformações e que exige rapidez na tomada de decisões para a máxima eficiência operacional”, afirma Estefano.

Crescimento
Com o saneamento financeiro e a integração operacional concluída, a empresa traçou sua rota de crescimento, baseada em contínua renovação da frota. A compra mais recente foi efetuada no ano passado e, desde novembro, Garcia e Brasil Sul recebem 118 ônibus de última geração (G8 Marcopolo com chassi Mercedes-Benz). O aporte supera R$ 111 milhões. Dos novos ônibus, 31 já estão em operação e, em um prazo de três meses, outros 87 passarão a rodar nas estradas. São carros dos modelos Paradiso 1800 Double Decker, Viaggio e Torino Plus. A segurança das viagens é outro pilar da empresa. Os ônibus contam com sensores de acompanhamento das faixas da rodovia, rastreamento em tempo real, sistema automático de frenagem e os motoristas recebem treinamento constante. Como resultado, nos últimos anos, a empresa incorporou uma faixa de público do transporte aéreo que tem migrado para o serviço rodoviário ao encontrar conforto de primeira classe e segurança avançada. Já no início da pandemia, em 2020, a empresa incorporou rapidamente práticas anti-Covid, com medidas de biossegurança no seu processo operacional, desde a compra da passagem até o desembarque. “Neste novo modelo de negócios, são medidas que vieram para ficar”, resume Estefano.

Inovações e prêmios
A pandemia também atuou como um acelerador de inovações, e precipitou mudanças no comportamento do consumidor. As vendas digitais, em 2019, no período pré-pandemia, representavam 24,5% do faturamento da empresa. Em 2020, esse percentual subiu para 27,1%. Em 2021, um novo salto, desta vez para 33,3%. A expectativa para 2022 é de nova expansão, já que, em um intervalo de apenas três anos, o crescimento foi de quase dez pontos percentuais – o que aponta para um novo padrão de consumo no setor.

Quem viaja em um dos ônibus do grupo tem a facilidade de compra oferecida através dos canais online (site, telefone, WhatsApp e plataformas de vendas), bem como de pagamento em modalidades variadas: dinheiro, cartão, pix ou criptomoedas. O Check-in digital é uma comodidade anterior à pandemia, permitindo ao cliente o embarque com a apresentação de documento com foto, sem necessidade de impressão da passagem. Esta prática foi reconhecida com a conquista, em 2016, do conceituado Prêmio ANTP – Boas práticas do Transporte Terrestre de Passageiro. No ano anterior, a empresa já havia sido contemplada no mesmo prêmio na categoria Inovação e Tecnologia pelo produto “Espaço Mulher”, que diz respeito à fileira de poltronas exclusivas para mulheres, que podem viajar com mais tranquilidade.

Inédito no país, o serviço Cabine Cama oferece o conforto de hotel aos passageiros, com reclinação de 180 graus das poltronas em couro e kit conforto que leva a assinatura da rede de Hotéis Bourbon. O conjunto inclui travesseiros de alto padrão, tecido percal 180 fios e manta importada. Tudo higienizado e empacotado a vácuo em embalagem oxibiodegradável a cada viagem. O kit conferiu à empresa a menção honrosa na 7ª edição do Prêmio ANTP-ABRATI, na categoria “Satisfação do Cliente”.

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Com 800 ônibus e 22 milhões de passageiros por ano, empresa vê movimento retomar índices pré-pandemia

Ministério lança portal sobre ecossistema de inovação agro no país

A meta é fortalecer transformação digital no campo

Agro Hub Brasil disponibiliza informações sobre conectividade em áreas rurais e aplicativos de celular

Informações sobre o ecossistema de inovação da agropecuária brasileira e principais iniciativas em curso no país agora estão reunidas no Agro Hub Brasil. O novo portal, lançado nesta quarta-feira (23), traz números de agtechs – startups do setor agropecuário – de hubs de inovação, além de informações sobre parques tecnológicos, incubadoras e aceleradoras de empresas.

“O Agro Hub Brasil vem preencher uma lacuna, pois muito já se sabia do que estava acontecendo no campo referente à transformação digital, mas não havia um espaço que desse a visibilidade da grandeza desse processo. Para o futuro, a ideia é lançar chamadas online para que startups apresentem soluções para os desafios do Agro brasileiro, entre outras evoluções que devem acontecer ainda este ano”, disse o coordenador-geral de Inovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Daniel Trento.

Ainda segundo Trento, o Agro Hub Brasil contribui para uma maior coordenação das ações em curso, sejam elas promovidas pelo ministério ou por outras instituições, além de integrar o compromisso do ministério de promover e potencializar iniciativas de inovação que fortaleçam a aceleração da transformação digital no campo.

No Agro Hub Brasil, o usuário tem acesso a um calendário com as principais iniciativas do agro que acontecem no país, além de espaço dedicado ao produtor rural que deseja conhecer um pouco mais sobre a agricultura digital. Nesse espaço também estão disponíveis informações sobre conectividade em áreas rurais e aplicativos de celular com soluções para o dia a dia no campo e exemplos de uso das tecnologias digitas na agropecuária, além de explicações sobre linhas de apoio e fomento público e privado para as startups.

Com Agência Brasil

A meta é fortalecer transformação digital no campo

Crise causada pela guerra sinaliza fim de ciclo tecnológico e busca por nova hegemonia mundial

Análise é do professor Paulo Vicente, da Fundação Dom Cabral, que falou a empresários em Curitiba

“O planejamento empresarial deve olhar para os cenários, as crises que vivemos, pensando no futuro”, avalia Paulo Vicente

O ano 2022 será de gestão de risco, o que significa que os agentes econômicos não vão buscar performance, e sim resiliência e resistência, disse em Curitiba o professor Paulo Vicente, da Fundação Dom Cabral (FDC), que falou a empresários a convite da JValério Gestão e Desenvolvimento. Mas essa é apenas a consequência imediata desses novos tempos. A médio prazo, o mundo está definindo novas forças hegemônicas. “O planejamento empresarial deve olhar para os cenários, as crises que vivemos, pensando no futuro. Avaliar as matrizes de impacto e prováveis planos de ação”, observou, destacando os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia entre os principais desafios a superar.

Para ele, a crise na Ucrânia encerra um ciclo de tecnologia e marca um novo ciclo histórico de formação de uma nova potência hegemônica. Seu modelo de análise baseia-se nas teorias dos ciclos hegemônicos e dos ciclos tecnológicos, essa última desenvolvida por Nikolai Kondratiev. “No caso dos ciclos hegemônicos, o que se observa nos últimos 500 anos é como o poder político mantém o poder econômico (e vice-versa) e como isso cria potências hegemônicas, que são trocadas a cada 100 – 150 anos, sendo a atual os Estados Unidos. A historiografia que trata dos ciclos tecnológicos aborda como eles têm evoluído nos últimos 250 anos por meio de ciclos ou revoluções em períodos de 50 a 60 anos cada. O que eu fiz foi pegar as duas historiografias e fazer uma extrapolação, ou seja, como seria o cenário futuro com base na combinação das duas análises”, explica.

O que o modelo extrapolado revela, segundo ele, é que estamos vivendo uma década de transição, no final de um quinto ciclo tecnológico, ambiente que sempre gera uma série de conflitos. Isso força o capitalismo a se reinventar, nesse momento, a partir da tecnologia. O que esse cenário trouxe mais fortemente foi uma guerra fria entre Estados Unidos e Rússia e entre Estados Unidos e China. “É um final de ciclo tecnológico, em que tempos desesperados requerem medidas desesperadas, nos quais as pessoas investem em soluções que nunca tinham tentado. E quando se investe centenas de bilhões de dólares em tecnologias que vão gerar mais 50 anos de prosperidade.”

Leia a seguir a entrevista com o professor Paulo Vicente. 

Em que fase está a potência hegemônica atual?
No meio do caminho. Ela começa a se estabelecer com esse papel em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial e matematicamente ingressa num ciclo de 100 a 140 anos, com a média de 120. Espera-se que o fim desse ciclo aconteça por volta de 2065, quando iniciaríamos outra fase de transição para uma nova potência hegemônica. Não dá para estimar quem seria essa próxima potência hegemônica, mas tenho cinco candidatos.

Quem seriam?
Primeiro os “Estados Unidos da Europa”, ou seja, uma Europa Unificada incluindo Reino Unido e parte da Rússia, nos próximos 40 anos. O segundo candidato seria “Los Estados Unidos”, uma potência que unificaria os Estados Unidos à América Latina, com a diferença que seria uma potência latinizada de dentro. O terceiro candidato seria a China e suas “colônias” na África, processo em andamento, visto que a China não para de crescer e projeta a busca de recursos no continente africano. A quarta potência provável é a Índia e suas “colônias” também na África. Assim como a China, a Índia tem problemas de falta de recursos e precisa buscá-los fora do seu território. Estima-se que a China atinja o pico de seu modelo de crescimento nessa década e a Índia tem margem para ultrapassar os chineses como grande motor de crescimento do mundo. O quinto e último candidato é o Brasil, fundido à América do Sul. Estamos numa marcha para o Pacífico, como aconteceu com os Estados Unidos no século 19, e a expansão da fronteira agrícola vai nos levando para dentro dos vizinhos. Isso vai levar à integração econômica e demográfica da região, mas não necessariamente à uma integração política.

Você aposta em um desses cinco candidatos em potencial?
É difícil afirmar qual deles tem condições de ser a potência hegemônica, mas, em ciência, o mais divertido é o debate sobre o tema. Os cinco movimentos estão acontecendo ao mesmo tempo. Há uma corrida colonial por recursos, puxada por países asiáticos como China e Índia, e há a integração econômica e demográfica e, em alguns casos, até políticas, mas existem também relações contraditórias entre tamanho e flexibilidade. É bom fazer uma União Europeia porque aumenta o poder de barganha dos países. Há grandes vantagens em se fazer a integração como a do Mercosul ou como fizeram os Estados Unidos ao longo de sua história. A dificuldade é como manter os interesses locais. Os Estados Unidos fizeram isso bem, com a federalização dos 50 estados, onde cada um tem a sua constituição. É preciso ter a vantagem da grande escala, sem tirar a flexibilidade.

Nessas mudanças de busca de recursos na África por parte da China, o Brasil não perde espaço?
O que a China está fazendo nada mais é do que a diversificação de fornecedores. Ela não quer depender somente da América do Sul, quer depender menos da região que fica distante do ponto logístico e militar. Não dá pra comparar com o domínio que ela exerce, por exemplo, no Mar do Sul da China. O processo de expansão para busca de recursos tem uma lógica. Primeiro, começa apenas com a importação. Se a dependência aumenta, passa-se para o investimento, com estabelecimento de empresas, compra de terras locais, portos. A fase seguinte envolve a ativação de bases militares, de forma a proteger as rotas e defender os interesses militares. E, por fim, estabelece-se o monopólio por meio de protetorados ou colônias.

Como o Brasil se torna candidato a potência hegemônica?
Temos a marcha do país para o Pacífico, com o deslocamento da população puxado pelo agronegócio. Há várias fases nesse processo. A primeira é a busca por terras mais baratas e férteis, etapa encerrada, com a sobra de terras piores. A segunda fase estamos vivendo há 40 anos e envolve a produção maior, ou seja, mais produtividade. Foi fundamental nesse processo o papel da Embrapa e da expansão da infraestrutura, como as estradas, além do avanço do sistema bancário e outras estruturas como a educacional. Existe um ecossistema de produção e de escoamento que tem mais 15 anos pela frente, puxado pela agricultura de precisão e investimentos em infraestrutura. A próxima fase é como crescer, e esse crescimento deve ser liderado pela agroindústria. Ou seja, pega-se o insumo e se industrializa, agregando tecnologia e marketing. O exemplo clássico é o chocolate belga e o suíço. Os dois países tinham gado leiteiro, mas com a importação de cacau e açúcar dos Trópicos, criaram uma indústria de chocolates.

Parece clichê, mas estamos falando em valor agregado?
Sim. A França não vende uvas da região de Champagne e sim o Veuve Clicquot. O cinturão do milho nos Estados Unidos criou o corn flakes e o vendeu como solução para o café da manhã. Ganha-se muito valor, multiplica-se por 20 a 30 vezes o valor do produto. A soja bateu o preço de R$ 180 a saca de 60 quilos. Ou seja R$ 3 reais por quilo. A carne vegetal, baseada em soja, pode ser vendida a R$ 90 o quilo. É muita coisa. Se pegarmos a safra brasileira, estimada em US$ 2 trilhões, podemos multiplicá-la para um valor de dezenas de trilhões.

Como fica a questão ambiental?
Há uma grande reclamação externa e com razão, porque estamos pegando cada vez mais terras menos produtivas sem ganho algum e jogando mais commodities no mercado, ao invés de produtos com valor agregado. Quanto mais commodities, menor o valor pago por eles. É uma burrice. É preciso industrializar esses produtos básicos e certificá-los internacionalmente, com selos ambientais. O Brasil tem ótimas leis nessa área e a maior cobertura vegetal percentualmente falando, mas não se divulga isso. Parte do agronegócio já entendeu o que é necessário fazer, mas tem outra parte que ainda não entendeu que é necessário agregar valor e fazer propaganda, investindo em tecnologia e marketing.

E em termos de ciclos tecnológicos, onde estamos?
Há três grandes eixos que moldam o mundo atual: o da robotização e Inteligência Artificial; o de novas fontes de energia e novos materiais; e o da melhoria humana. O primeiro reduz a necessidade de mão de obra, num mundo em que o crescimento da população se estabiliza e a mão de obra fica mais qualificada. No caso da procura de novas fontes, vamos reduzir a pegada de carbono e de lixo, inclusive com a exploração espacial, saindo da Terra. No terceiro eixo, temos o aumento da longevidade, o que significa valorização do capital intelectual por mais tempo.

Análise é do professor Paulo Vicente, da Fundação Dom Cabral, que falou a empresários em Curitiba

Menos é mais

É o que descobrirá a Cooperativa Piá?

Quando um produto chega à maturidade, é comum que se passe a oferecê-lo em mais de uma versão

Enfrentando prejuízos, a Cooperativa de Laticínios Piá, com sede em Nova Petrópolis (RS), pretende reduzir a variedade de produtos comercializados pela marca. Segundo seu diretor presidente, Jeferson Smaniotto, a empresa “vai permanecer com todas as linhas [de produtos], mas com menos sabores. Vamos deixar os sabores que realmente tenham mercado, que são consumidos e com margem de contribuição” (Zero Hora, 26/03/2022).

Quando um produto chega à maturidade, é comum que se passe a oferecê-lo em mais de uma versão. Trata-se de uma tentativa de renovar o interesse dos clientes pelo item, assim como de atrair aquela parcela dos consumidores que ainda não se sentiu sensibilizada a experimentá-lo. No caso da indústria de alimentos, da qual faz parte a Piá, o lançamento de novos sabores é uma tática bastante comum, juntamente com a de oferecer opções diet/light, vegetarianas/veganas ou em novos formatos e embalagens, a depender do momento econômico e do público-alvo.

Essas apostas, como bem ilustra o caso da Piá, nem sempre se mostram rentáveis. E, do ponto de vista do consumidor, menos atrativas do que se imagina, uma vez que lidar com uma grande quantidade de versões de um produto na hora da escolha pode se mostrar angustiante. Embora a priori todos nós prefiramos mais a menos opções, decidir torna-se mais complicado à medida que aumenta o número de alternativas. Trata-se de um fenômeno conhecido como “paradoxo da escolha” (AMANHÃ abordou esse assunto nesta edição, a partir da página 46).

Por isso, uma tática eficaz para facilitar a escolha do consumidor está em reduzir o mix de opções. Uma medida que não apenas diminui custos e a complexidade operacional de um negócio, como também pode garantir um insuspeito aumento de vendas. A Danone, na França, tomou essa resolução com sucesso – cortou 40% a quantidade de itens comercializados e viu as vendas crescerem 20%. E o mais interessante: apenas 15% dos consumidores percebeu que certas mercadorias tinham sumido das prateleiras.

Não nos espantemos se a mesma decisão, tomada pela Piá, resultar em desempenho parecido. E que a conhecida cooperativa gaúcha volte ao azul justamente descobrindo que, tal como diz o ditado, menos é mais.

É o que descobrirá a Cooperativa Piá?

As três capitais do Sul estão entre as seis melhores para empreender no Brasil

Estudo foi criado pela Endeavor e produzido pela Enap

As três capitais da região Sul estão entre as seis melhores cidades para empreender no Brasil,, de acordo com o Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) 2022, estudo criado pela Endeavor e nesta edição produzido pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Ele serve como norteador para o avanço do setor, revelando para gestores públicos quais aspectos precisam ser valorizados ou melhorados nas cidades. Os dados apresentados se baseiam em sete fatores que são determinantes para o sucesso do empreendedorismo: ambiente regulatório; infraestrutura; mercado; capital financeiro; inovação; capital humano; e cultura empreendedora. A publicação está na sexta edição. Desta vez foi possível fazer uma comparação mais ampla com o estudo anterior, porque nesses dois relatórios os indicadores de empreendedorismo e os municípios analisados foram expandidos e padronizados.

A capital catarinense é a vice-líder do país, perdendo apenas para São Paulo. Curitiba é a terceira e Porto Alegre conquistou o sexto lugar, enquanto Joinville ganhou a nona posição (veja o ranking das dez primeiras colocadas a seguir). Completam a lista dos municípios paranaenses Cascavel (13ª posição), Londrina (17ª), Maringá (30ª) e São José dos Pinhais (38ª). Blumenau, na 20ª colocação é a outra representante de Santa Catarina no ranking. A lista ainda conta com as gaúchas Santa Maria (19ª), Caxias do Sul (36ª), Canoas (45ª) e Pelotas (64ª). 

“No ranking geral o empreendedorismo continua concentrado em cidades do Sul, Sudeste e Centro-Oeste”, destaca Diogo Costa, presidente da Enap. Segundo ele, o empreendedorismo é o motor da produtividade e do crescimento econômico. “Toda a transformação digital, ambiental e social que precisamos enfrentar começa com uma transformação empreendedora”, acrescenta o presidente.

Ranking por área
No quesito ambiente regulatório, Rio de Janeiro, Macapá, São Gonçalo e São Paulo permanecem na lista dos 10 municípios mais favoráveis ao empreendedorismo. Várzea Grande, Cuiabá, Joinville, Florianópolis, Blumenau e Porto Velho melhoraram nesse aspecto em relação ao levantamento anterior e agora estão no top 10. Essas são cidades com pouca burocracia e que têm valores de taxas e tributos locais bem atrativos para o empresariado.

Em relação à infraestrutura de transporte e condições urbanas, municípios de São Paulo são os mais bem posicionados e praticamente dominam o ranking dos dez melhores colocados. Isso foi observado no relatório anterior e também na edição atual. Aqui vale um destaque para cidades de outras partes do Brasil que se aprimoraram e subiram de posição: Brasília, Porto Alegre, Rio Branco e Florianópolis. O bom desempenho nesse item está relacionado à boa conectividade por rodovias, menores distâncias de portos e maior número de decolagens de avião por ano. É o caso também de amplo acesso à internet rápida, bom preço médio de imóveis por metro quadrado, custo de energia elétrica satisfatório e baixa taxa de homicídios (já que estudos mostram que o comércio é o principal grupo afetado pela violência e criminalidade).

No item mercado aparecem representantes de todas as regiões do País em posição de destaque – em 2020 nenhum município do Norte aparecia entre os 10 primeiros, mas no novo estudo Boa Vista integra a lista, em 8º lugar. Canoas (RS) e Florianópolis aparecem nessa categoria.

O capital para empreender no Brasil está disponível principalmente em grandes centros urbanos. Essa é uma realidade que aparece no ICE de 2020 e se mantém em 2021. Das 10 cidades mais bem colocadas nas duas edições recentes do índice, oito são capitais e duas fazem parte de regiões metropolitanas. As principais formas para empresários captarem recursos financeiros no País são: crédito bancário com juros (capital disponível via dívida); venda de uma parte do empreendimento para fundos de investimento (capital de risco); e poupança (capital poupado per capita). Estudos empíricos indicam que o “custo” de acessar esses recursos é o principal impedimento a ser superado na abertura de um novo negócio. As três capitais da região constam na lista.

A inovação no Brasil não ocorre de forma homogênea em todas as cidades – ao contrário, é concentrada no Sudeste e no Sul. Na edição de 2020 do relatório apenas municípios dessas regiões apareceram no topo da lista, mas em 2021 há novidades: Campina Grande (6º) e Vitória (8º) passam a integrar o rol das cidades que se destacam nessa temática em relação ao ambiente de negócios local. As três capitais da região, além de Caxias do Sul, estão nesse ranking. As cidades que se sobressaem nesse quesito são as que têm um bom percentual de profissionais mestres e doutores em ciência e tecnologia (C&T), investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), infraestrutura tecnológica local e grande número de contratos de propriedade intelectual. Também significa que são os municípios com maior quantidade de empresas com patentes e softwares próprios, de economia criativa, indústrias inovadoras ou ligadas à tecnologia.

Em relação ao capital humano, os locais mais bem posicionados no ranking são os que dispõem de profissionais qualificados tanto em mão de obra básica quanto especializada. Nesse quesito, as seis primeiras colocadas em 2021 já tinham se sobressaído em 2020. Entram na lista deste ano um município da região Nordeste (Recife), dois do Sul (Maringá e Porto Alegre) e um do Sudeste (Santos).

Estudo foi criado pela Endeavor e produzido pela Enap

Grupo LS investe US$ 50 milhões na fábrica de Garuva

Unidade atende à demanda doméstica e exporta tratores para toda a América do Sul

O aporte será destinado a melhorias estruturais

O grupo sul-coreano LS informou que vai investir US$ 50 milhões (cerca de R$ 142 milhões) em sua fábrica de tratores no Brasil, administrada pela LS Tractor, braço da LS Mtron, e localizada em Garuva (SC). O aporte será destinado a melhorias estruturais. A informação é do jornal Valor Econômico em sua versão digital desta quarta-feira (30).

“A unidade catarinense foi inaugurada em 2013, pouco depois de a LS Tractor iniciar suas operações no mercado brasileiro”, recorda a nota assinada pelo jornalista Fernando Lopes. A fábrica atende à demanda doméstica e exporta tratores para toda a América do Sul, América Central, México, Filipinas e costa oeste da África.

Unidade atende à demanda doméstica e exporta tratores para toda a América do Sul

Google Meet vai expulsar você se for a única pessoa na reunião

O Google anunciou que vai lançar uma atualização para o Google Meet para que você saia das reuniões quando for a única pessoa nelas. 

Caso você faça login em uma reunião de equipe, mas ninguém aparece em cinco minutos: uma notificação aparecerá perguntando se você ainda está lá e se deseja continuar esperando ou sair da chamada. Se você não responder em dois minutos, será automaticamente expulso. 

A empresa não divulgou o motivo do recurso, se ajuda a desperdiçar recursos ou impedir que você transmita acidentalmente seu feed de vídeo e áudio. 

Será possível desativá-lo se não quiser ser solicitado a sair de suas reuniões. O recurso estará ativado por padrão, mas você pode ir para Geral em Configurações para desativá-lo. 

A novidade chega a partir de amanhã (11 de abril) e levará 15 dias para alcançar todos os usuários de desktop e iOS.

O Google anunciou que vai lançar uma atualização para o Google Meet para que você saia das reuniões quando for a única pessoa nelas.  Caso você faça login em uma reunião de equipe, mas ninguém aparece em cinco minutos: uma notificação aparecerá perguntando se você ainda está lá e …