Archives Novembro 2021

Inadimplência atinge 5,8 milhões de empresas em setembro

Segmento de serviços registra participação recorde

Expansão pode ser o prenuncio de um cenário mais complicado daqui até o final do ano

A inadimplência alcançou 5,8 milhões de empresas em setembro deste ano. O aumento de 0,1% em comparação a agosto foi impulsionado, principalmente, pelos negócios de todos os portes do setor de Serviços, que representou a maior parcela dentre os negativados (51,7%). Em relação ao mês anterior a participação desse segmento cresceu 0,5 ponto percentual, atingindo um número recorde na série histórica do índice, iniciada em 2018. Confira mais informações no gráfico e tabela abaixo.

De acordo com o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, existe um conjunto de motivos que podem ter ocasionado o crescimento da inadimplência em setembro. “Com uma maior inflação e a alta da taxa de juros, os empresários são impactados direta e indiretamente. Primeiro pelo encarecimento dos insumos necessários para manter o próprio negócio funcionando, depois, pela sensação de incerteza gerada aos consumidores, que cortam ou priorizam gastos, enfraquecendo o fluxo de caixa das empresas”. Rabi ainda comenta que, “depois de quatro meses com quedas consecutivas na inadimplência, essa expansão, mesmo que leve, pode ser o prenuncio de um cenário mais complicado daqui até o final do ano”.

Agosto de 2021 registrou 5,3 milhões de micro e pequenas empresas inadimplentes. No mês seguinte, setembro do mesmo ano, esse número cresceu para 5,3 milhões. A análise por segmento mostra que, diferente do setor de serviços que teve alta de 0,1%, os negócios das áreas de comércio e indústria obtiveram melhora, ambos com queda de 0,1%. Além disso, a região Sudeste foi a única a marcar retração, essa de 0,2%.

Segmento de serviços registra participação recorde

Grupo Rudolph divulga receita recorde

Acumulado do ano até setembro atinge valor histórico

O CEO da Rudolph, Alex Marson, ressalta que o desempenho de todas as unidades do grupo superou expectativas

Apesar dos impactos da pandemia no ambiente de negócios, a Rudolph Investimentos e Participações – controladora da Rudolph Usinados, Rudolph Fixações e USITIM –, sediada em Timbó (SC), alcançou recorde na receita operacional líquida, no acumulado do ano até setembro.

Histórico para a companhia, o valor chegou a R$ 137,6 milhões, um salto de 100,4% sobre o mesmo período de 2020, superando as estimativas do planejamento estratégico do grupo. No trimestre, a receita atingiu R$ 50,8 milhões, com avanço de 9,5% sobre abril a junho deste ano e de 71,1% sobre o terceiro trimestre de 2020.

Os números, divulgados pela Rudolph nesta semana, indicam crescimento médio de 18,5% ao ano, ao longo dos últimos cinco anos. O balanço compara o desempenho do grupo – que tem forte presença no mercado automotivo, como fornecedora de componentes – à performance da indústria nacional de veículos: segundo dados da Anfavea, o setor cresceu 4% em cinco anos, e a receita líquida da Rudolph aumentou em 134%. Quase 31% da receita se deve ao segmento automotivo pesado, e 28% é proveniente de clientes da indústria automotiva leve.

O CEO da Rudolph, Alex Marson, ressalta que o desempenho de todas as unidades do grupo superou expectativas. “Em um cenário de oportunidades e desafios igualmente grandiosos, o ambiente de colaboração e o engajamento de pessoas e times que se inspiram e se desenvolvem para servir com integridade e excelência fizeram toda a diferença”, avaliou, em nota.

Acumulado do ano até setembro atinge valor histórico

Superávit da balança comercial é o mais baixo para outubro desde 2015

Exportações superam importações em US$ 2 bilhões

Apesar da alta do preço das commodities, as exportações desaceleraram

O crescimento das importações e a desaceleração das exportações de alguns produtos fizeram o superávit da balança comercial cair para o nível mais baixo em seis anos em outubro. No mês passado, o país exportou US$ 2 bilhões a mais do que importou. Esse foi pior resultado para o mês desde 2015, quando o superávit tinha atingido US$ 1,5 bilhão. Em relação a outubro do ano passado (resultado positivo de US$ 4,4 bilhões), a queda chega a 54,5% pelo critério da média diária.

O saldo recuou, mesmo com as exportações totais batendo recorde. No mês passado, as exportações somaram US$ 22,5 bilhões, alta de 27,6% sobre outubro de 2020 pelo critério da média diária. As importações, no entanto, cresceram mais e totalizaram US$ 20,5 bilhões, alta de 54,9% na mesma comparação.

Desaceleração
Apesar da alta do preço das commodities, as exportações desaceleraram. No mês passado, o volume de mercadorias embarcadas subiu apenas 0,7% em relação a outubro de 2020. Os preços subiram, em média, 26,3% na mesma comparação. Por causa da quebra na safra de milho, afetada pela seca e pelas geadas, as exportações do produto caíram US$ 442,6 milhões em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. O mesmo ocorre com os açúcares e melaços, cuja exportação caiu US$ 324,1 milhões, também afetado por quebra de safra.

A suspensão das compras de carne bovina pela China fez as vendas do produto cair US$ 265,8 milhões em outubro em relação ao mesmo mês do ano passado. Apenas no segmento da agropecuária, o volume de exportações caiu 12,8% na mesma comparação, enquanto os preços subiram 36,8%. Em relação aos produtos industrializados, caíram as vendas de aviões (-US$ 205,3 milhões) e de automóveis de passageiros (-US$ 45,9 milhões). No caso dos veículos, a crise econômica na Argentina, principal compradora do Brasil, está afetando as vendas externas.

Do lado das importações, as compras de combustíveis, de adubos e fertilizantes e de medicamentos apresentaram o maior crescimento. A alta do dólar, associada à elevação no preço internacional do petróleo (usado tanto nos combustíveis como em parte dos fertilizantes), pressionou as importações. A recuperação da economia também elevou o consumo. No mês passado, o volume importado subiu 19,6%, e os preços médios aumentaram 23,5%, em comparação a outubro de 2020.

Estimativa
Em outubro, o governo tinha diminuído para US$ 70,9 bilhões a previsão de superávit da balança comercial neste ano. Mesmo com a revisão para baixo, este ano deve terminar com resultado recorde. A estimativa já considera a nova metodologia de cálculo da balança comercial. As projeções estão mais otimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$ 70,1 bilhões neste ano.

Em abril, o Ministério da Economia mudou o cálculo da balança comercial. Entre as principais alterações, estão a exclusão de exportações e importações fictícias de plataformas de petróleo. Nessas operações, plataformas de petróleo que jamais saíram do país eram contabilizadas como exportação, ao serem registradas em subsidiárias da Petrobras no exterior, e como importação, ao serem registradas no Brasil.

Outras mudanças foram a inclusão, nas importações, da energia elétrica produzida pela usina de Itaipu e comprada do Paraguai, num total de US$ 1,5 bilhão por ano, e das compras feitas pelo programa Recof, que concede isenção tributária a importações usadas para produção de bens que serão exportados. Toda a série histórica a partir de 1989 foi revisada com a nova metodologia.

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Com Agência Brasil 

Exportações superam importações em US$ 2 bilhões

Caged revisa dados e número de vagas criadas recua para 75,9 mil

O indicador mede a diferença entre contratações e dispensas com carteira assinada

Responsável pelo Caged desde a recriação da pasta, em julho, o Ministério do Trabalho e Previdência atribuiu a redução do saldo ao envio de declarações fora do prazo

A revisão de dados de demissões fez o saldo de criação de empregos formais no Brasil cair pela metade em 2020. Pelas novas estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram abertas 75.883 vagas no ano passado, queda de 46,8% em relação ao dado anterior de 142.690 vagas.

O indicador mede a diferença entre contratações e dispensas com carteira assinada. Inicialmente, o Caged apontava que haviam ocorrido 15.166.221 admissões e 15.023.531 desligamentos no ano passado. Com as revisões, o número de contratações subiu 1,8%, para 15.361.234. As demissões aumentaram 2,2%, para 15.437.117.

Responsável pelo Caged desde a recriação da pasta, em julho, o Ministério do Trabalho e Previdência atribuiu a redução do saldo ao envio de declarações fora do prazo, em meio ao início da pandemia de Covid-19 e a adaptação para o novo modelo de declaração eletrônica.

Novo eSocial
Até 2019, as contratações e as demissões eram informadas manualmente. Em janeiro de 2020, o processo passou a ser realizado de forma eletrônica, por meio da Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial).

Em março de 2020, pouco depois do início da pandemia de Covid-19, o Ministério da Economia, na época responsável pelo eSocial e do Caged, suspendeu a divulgação das estatísticas por dois meses. Na ocasião, a pasta alegou que, durante o processo de adaptação ao novo sistema, diversas declarações de demissões foram preenchidas de forma errada e que o processo de retificação foi comprometido pela pandemia.

Até aquele momento, apenas os dados do Caged de dezembro de 2019 haviam sido divulgados. Os números só voltaram a ser apresentados no fim de maio de 2020, com os dados de janeiro a abril do mesmo ano e uma nova metodologia que passou a incluir trabalhadores temporários e bolsistas, impossibilitando a comparação com o Caged de anos anteriores.

Justificativa
Em nota, o Ministério do Trabalho e Previdência informou que, mesmo com a revisão dos dados, o ano de 2020 continuou a registrar criação de empregos formais. “Ressaltamos que, mesmo com a mencionada revisão, o saldo do Caged de 2020 se mantém positivo, em que pese o pior momento da pandemia da Covid-19”, destacou a pasta. Segundo o ministério, o prazo para ajustes dos dados do ano passado acaba no fim deste ano.

“A entrada de dados fora do prazo acontece quando as empresas declaram as informações de admissão e demissão após a competência em que a movimentação se realizou. A possibilidade de realizar esse tipo de declaração já existia no antigo Caged, havendo uma ocorrência um pouco maior neste momento devido ao processo de transição para a declaração via eSocial, que ocorreu para um número significativo de empresas ao longo de 2021”, acrescentou o Ministério do Trabalho e Previdência.

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Com Agência Brasil

O indicador mede a diferença entre contratações e dispensas com carteira assinada

Produção industrial fecha terceiro trimestre com queda de 1,1%

Indústria se encontra 3,2% abaixo do patamar pré-pandemia

Setor de produtos alimentícios recuou 1,3% em setembro

A produção industrial caiu 0,4% na passagem de agosto para setembro. Essa é a quarta queda consecutiva do indicador, que acumula perda de 2,6% no período. Com isso, a indústria se encontra 3,2% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia, e 19,4% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada pelo IBGE. No ano, o setor acumulou expansão de 7,5% e, nos últimos 12 meses, de 6,4%. Após registrar crescimentos desde o quarto trimestre de 2020, no terceiro trimestre de 2021 a produção industrial teve queda de 1,1%, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

O gerente da pesquisa, André Macedo, destaca que, diferentemente do que ocorreu nos meses anteriores, em setembro não houve predominância de taxas negativas entre as atividades investigadas pela PIM. “Houve queda na produção em sete dos nove meses deste ano. O que há de diferente em setembro é que a retração foi mais concentrada em poucas atividades. Mas isso não significa necessariamente que haja mudanças no comportamento predominantemente negativo do setor industrial, uma vez que ele é ainda bastante caracterizado pela perda de dinamismo”, explica.

Dez das 26 atividades tiveram resultados negativos. Entre elas, os maiores impactos no índice geral de setembro vieram do segmento de produtos alimentícios, que recuou 1,3%, e de metalurgia (-2,5%). “Podemos observar sinais negativos em segmentos importantes no setor de alimentos, como a parte relacionada ao açúcar, por causa das condições climáticas adversas que prejudicaram a cana-de-açúcar. Outro setor com comportamento negativo foi o das carnes bovinas, explicado pela suspensão das exportações desse produto para a China no início de setembro, por conta do ‘mal da vaca louca’. Isso impactou negativamente o setor de alimentos”, revela André. Com isso, esse segmento encontra-se 7,4% abaixo do patamar pré-pandemia.

O pesquisador ressalta que esse cenário é diferente do que ocorre com o setor de metalurgia, que avançou 0,4% em agosto e voltou para o campo negativo em setembro. “Mesmo com a queda do mês de setembro, que suplantou o crescimento de agosto, o segmento está 8,6% acima do patamar pré-pandemia. Tanto a metalurgia quanto o segmento de produtos alimentícios têm peso importante dentro do contexto da produção industrial e explicam essa concentração de poucas atividades com comportamento negativo”, afirma.

Além desses setores, tiveram queda na passagem de agosto para setembro os segmentos de couro, artigos para viagem e calçados (-5,5%), outros equipamentos de transporte (-7,6%), bebidas (-1,7%), indústrias extrativas (-0,3%), móveis (-3,7%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-1,7%).

Entre os que registraram alta, destacaram-se produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,5%), outros produtos químicos (2,3%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,0%) e máquinas e equipamentos (1,9%). Outras altas vieram de celulose, papel e produtos de papel (1,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,7%) e produtos do fumo (6,6%).

A categoria bens de capital teve a taxa negativa mais acentuada (-1,6%) e intensificou a queda de 1,2% registrada em agosto. Bens de consumo duráveis (-0,2%) e bens intermediários (-0,1%) também recuaram no período, enquanto o segmento de bens de capital (15,0%) foi a única grande categoria econômica a avançar.

Produção industrial cai 1,1% no terceiro trimestre
Ao recuar 1,1% no trimestre encerrado em setembro, o setor industrial interrompeu o comportamento positivo que vinha sendo registrado desde o último trimestre do ano passado (3,4%). De acordo com André, essa mudança é explicada pela diminuição no ritmo das quatro grandes categorias econômicas.

“Havia uma sequência, em termos trimestrais, de resultados positivos. Inclusive, no segundo trimestre deste ano houve uma expansão que se destaca (22,7%), em função de uma base de comparação bastante depreciada. E esse movimento de volta ao campo negativo é justificado pelos resultados em todas as categorias econômicas, em especial, do segmento de bens de consumo duráveis, que sai de um crescimento de três dígitos e vem para uma queda de 16,9%”, explica o pesquisador, que destaca, dentro do setor, as retrações nos grupamentos de automóveis e de eletrodomésticos.

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Indústria se encontra 3,2% abaixo do patamar pré-pandemia

Fed anuncia redução dos estímulos

BC dos Estados Unidos manteve taxa de juros em 0%

Magnitude da retirada de estímulos pode aumentar de acordo com a situação econômica, sinaliza Fed

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) anunciou nesta quarta-feira (3) que iniciará a redução dos estímulos monetários reduzindo em US$ 15 bilhões mensais a compra de títulos, com início neste mês. O Fomc também manteve a taxa de juros inalterada no intervalo entre 0% e 0,25%.

“O Comitê julga reduções em ritmo similar nas posições líquidas mensalmente para cada mês”, revela o comunicado, ressaltando que a magnitude da retirada de estímulos pode aumentar de acordo com a situação econômica. “O Comitê continua a monitorar as implicações de informações vindouras para a perspectiva econômica”, e que “estaria preparado para ajustar a política monetária caso os riscos emerjam para a consecução dos objetivos da política monetária”.

A política monetária consiste a partir de agora na compra mensais de até US$ 70 bilhões em títulos públicos e de até US$ 35 bilhões em títulos hipotecários. Anteriormente, os estímulos consistiam em compras mensais de até US$ 80 bilhões e de US$ 40 bilhões, respectivamente.

BC dos Estados Unidos manteve taxa de juros em 0%

Biocombustível pode ajudar na luta contra o aquecimento global

Erasmo Carlos Battistela, CEO da BSBIOS, defendeu na COP 26 a necessidade de os países incentivarem os biocombustíveis para uma matriz energética mais limpa

O empresário também destacou a importância de convencer os investidores institucionais e os setores financeiros a comprometer quantias significativas de capital no combate às mudanças climáticas

O Brasil já comprovou que os biocombustíveis têm um papel concreto e imediato para a transição energética global para uma matriz mais limpa. Essa foi a mensagem de Erasmo Carlos Battistela, CEO da BSBIOS, durante a apresentação “Biocombustíveis – uma solução real”, realizada nesta quarta-feira (3) no Pavilhão Brasil da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP 26). Battistella destacou a experiência da trajetória brasileira, o que permitiu ao país ter 25% da matriz com uso de biocombustíveis, sendo 5% com biodiesel.

“No Brasil, os biocombustíveis são vistos como uma energia limpa e sustentável para o futuro, fruto de uma bonita história de políticas públicas e investimentos privados que desenvolveram esse patrimônio nacional e levaram o país a ser referência mundial”, revelou Battistella. Só a BSBIOS já produziu, desde 2011, 4,9 bilhões de litros de biodiesel, o que corresponde a 9,4 milhões de toneladas de CO2 evitados.

“Precisamos que a COP 26 reconheça esse protagonismo em um cenário de sustentabilidade para que o produto esteja contemplado imediatamente nas políticas públicas em vários países, gerando um ar mais limpo nas grandes cidades e empregos verdes no campo”, analisou. “Os biocombustíveis têm um custo, mas qual o custo real de não se investir em descarbonização? Qual seria o custo de não ter biodiesel no Brasil?”, questionou.

O empresário também destacou a importância de convencer os investidores institucionais e os setores financeiros a comprometer quantias significativas de capital no combate às mudanças climáticas. O próprio ECB Group já está explorando o potencial dos biocombustíveis da segunda onda por meio do projeto Omega Green, um investimento de US$ 1 bilhão em uma biorrefinaria de biocombustíveis avançados no Paraguai, com início de operação previsto para 2025.

A iniciativa será a primeira desse tipo no hemisfério sul para produção do diesel renovável HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), o combustível renovável para aviação (Synthetic Paraffinic Kerosene – SPK), também conhecido como Sustainable Aviation Fuel (SAF) e o Green Naphtha [usado na indústria química para fazer plástico verde, entre outros produtos].

Além disso, a companhia já fechou contratos de venda de parte da produção da Omega Green para Shell e BP. Bem como investiu na aquisição de matérias-primas com um contrato para aquisição de óleo pongâmia, matéria-prima originada de modelo de conservação e reflorestamento baseado nos princípios do Sistema Silvipastoril (SSP), combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área, ao mesmo tempo, e manejados de forma integrada.

“Somos contra o desmatamento e entendemos que os biocombustíveis é uma rota para recuperação de áreas degradadas”, destacou Battistella.”Esse projeto é feito por pessoas e para as pessoas em primeiro lugar. Não quero ser cobrado pelas minhas filhas por não ter colaborado na luta por um mundo com menos poluição e aquecimento”, completou.

Carbono Neutro até 2030
Com foco de atuação nas áreas do agronegócio e de energia renovável, o planejamento estratégico do ECB Group definiu o foco do investimento em negócios sustentáveis com o objetivo de ser o maior produtor de biocombustíveis avançados da América Latina até 2025. Outra parte importante do planejamento é fomentar negócios que posicionem a organização entre as três maiores produtoras de biocombustíveis do mundo, além de se tornar Carbono Neutro até 2030.

Alguns países categorizam os biocombustíveis como uma energia de transição, mas eles têm um papel muito maior do que isso. “O produto está pronto para cumprir sua missão na transição da matriz energética com baixo custo de investimento e sem a necessidade de mudanças estruturais – uma solução ideal para os grandes centros urbanos”, explicou Battistella.

É importante notar também que o aumento da produção de biocombustíveis ajuda a impulsionar a produção de alimentos. Isso porque o farelo resultante dessa produção é usado na produção de proteína animal. A América Latina tem potencial para produzir muito mais matéria-prima para biocombustíveis e terá um papel importante na redução das emissões globais, sem afetar a floresta.

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Erasmo Carlos Battistela, CEO da BSBIOS, defendeu na COP 26 a necessidade de os países incentivarem os biocombustíveis para uma matriz energética mais limpa

Cade condena Rumo por impossibilitar serviço de concorrente

Multa determinada à empresa alcança R$ 247,1 milhões

Companhia criou dificuldades à atuação de empresa rival no mercado de logística para exportação de açúcar via transporte ferroviário

Na sessão de julgamento desta quarta-feira (3), o tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou a Rumo Logística Operadora Multimodal (Rumo) e da América Latina Logística (ALL) por abusar da posição dominante e criar dificuldades à atuação de empresa rival no mercado de logística para exportação de açúcar via transporte ferroviário. A multa aplicada à empresa alcança R$ 247,1 milhões.

A investigação teve início em 2016, a partir de denúncia feita ao Cade pela Agrovia, prestadora de serviço de logística integrada via modal ferroviário para exportação de açúcar. A empresa alegou à época que dependia da utilização da Malha Paulista, controlada pela Rumo-ALL, para transportar açúcar até o Porto de Santos, em São Paulo, e que a companhia estaria criando empecilhos ao seu funcionamento. A denunciante informou, por fim, que precisou encerrar suas atividades em razão do comportamento anticompetitivo da Rumo-ALL.

A denúncia foi reforçada por uma comunicação encaminhada ao Cade pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que apurou a existência de indícios de infração à ordem econômica em um processo que tramitava na agência envolvendo as mesmas empresas.

De acordo com as investigações do caso, a Rumo-ALL interditou o pátio de Santa Adélia, cidade no interior de São Paulo, que era essencial às atividades da Agrovia, impossibilitando a empresa de prestar serviços aos clientes no período entressafra, sob a alegação de que o local oferecia riscos à segurança por ausência de manutenção e reparos. Contudo, a manutenção do pátio, segundo a ANTT, era de responsabilidade da própria Rumo-ALL.

O Tribunal considerou provas que demonstraram que a Rumo-ALL buscou discutir com a Agrovia sobre a atribuição de responsabilidade da manutenção do pátio de Santa Adélia para, dessa forma, atrasar o restabelecimento do acesso à infraestrutura essencial detida por ela por um período de, pelo menos, quatro meses, o que configura o caráter anticompetitivo da conduta.

Segundo a relatora do processo, a conselheira Paula Azevedo, o comportamento da Rumo-ALL inviabilizou o acesso da Agrovia a equipamentos e canais de distribuição necessários à atividade-fim de escoamento do açúcar, criando dificuldades desarrazoadas ao funcionamento e desenvolvimento da concorrente.

Nesse sentido, o Conselho entendeu que a suspensão das atividades nesse período gerou entraves para a Agrovia, que, em um primeiro momento, foi forçada a fornecer transporte via modal rodoviário, e, posteriormente, impossibilitada de firmar contratos para a safra de 2016/2017 em função da incerteza sobre o restabelecimento da operação em Santa Adélia.

Além disso, a investigação aponta que a Agrovia não conseguiu manter suas atividades e se retirou do mercado ainda em 2016, quando da rescisão do contrato de transporte ferroviário. Dessa forma, parte considerável da demanda antes atendida pela Agrovia foi realocada para a Rumo-ALL, que se beneficiou da ausência da concorrente no mercado.

Penalidades
Além de pagar multa, a Rumo-ALL está obrigada a divulgar em seus sites oficiais e comunicar aos seus clientes sobre o teor da decisão do Cade em até 15 dias após a publicação da decisão plenária. Além das sanções, o Tribunal determinou, entre outras medidas, o envio da decisão à Procuradoria Federal especializada junto ao Cade para que seja avaliada se as condutas praticadas pela Rumo-ALL também podem significar descumprimento aos termos previstos no Acordo em Controle de Concentrações (ACC), firmado quando a autarquia aprovou a fusão da Rumo com a ALL.

Multa determinada à empresa alcança R$ 247,1 milhões

Wilson Bley assume presidência do BRDE

Meta é aumentar programas de desenvolvimento

Paranaense ocupava os cargos de vice-presidente e diretor de Operações do BRDE e presidirá a instituição até fevereiro de 2023

O paranaense Wilson Bley Lipski assumiu nesta quarta-feira (3) a presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), cargo que ocupará até fevereiro de 2023. Até então ele ocupava as funções de vice-presidente e diretor de Operações da instituição. O banco atua nos três estados do Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – e no Mato Grosso do Sul. Leany Lemos permanece no BRDE como diretora de operações, responsável pelo setor de crédito.

A meta do novo presidente é tornar o BRDE o maior banco de desenvolvimento regional do Brasil. Para ele, este é um caminho possível após os resultados obtidos pelo banco desde 2019, quando Bley e sua equipe assumiram a diretoria no Paraná. Hoje, a carteira tem 32 mil clientes em 1.285 municípios, fazendo do BRDE a quarta maior instituição entre os bancos de desenvolvimento e agências de fomento no Brasil em ativos e a 2ª maior em ativos, considerando apenas bancos de desenvolvimento puro no Brasil. Além disso, é a instituição que menos possui inadimplência, de 0,32% nos últimos 90 dias.

Os números são resultados de novos programas adotados pelo BRDE. “Lançamos programas como Jovem Empreendedor e Mulheres Empreendedoras, que mostram uma ação inovadora do BRDE. Somos um banco e não podemos ficar numa trajetória de menos riscos”, declarou Bley.

Para continuar sendo um banco de desenvolvimento diferenciado, afirma Bley, a aproximação com a sociedade deve ser um pilar. “Nossa gestão será marcada pela aproximação da instituição com a sociedade, atuando com políticas públicas voltadas às demandas de empreendedores do campo ou da cidade, pequenos ou grandes e, principalmente, dos municípios. Vamos transformar o BRDE na maior instituição de fomento e desenvolvimento regional do Brasil”, destacou.

Para isso, o banco toma alguns direcionamentos, como a procura por novos fundings. “Vamos sair ao mercado para captar recursos, entregando dinheiro com longo prazo e condições razoáveis de juros. Há cinco anos, 99,3% dos recursos eram do BNDES. Diversificamos e agora a dependência é de 55%”, disse. Para construção e desenvolvimento do Paraná, Bley completa que o objetivo é aumentar a carteira de crédito aos municípios dentro da visão de geração de emprego e renda. “O BRDE amplia sua carteira de projetos para se aproximar cada vez mais da sociedade, atendendo a uma premissa desenhada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior já no começo da gestão”, pontuou.

De acordo com o BRDE, as contratações em 2021 devem bater na casa dos R$ 3,5 bilhões. Em 2020, foram R$ 3,3 bilhões. Desse total, R$ 1,5 bilhão foi em aprovações no Paraná, valor que indica a aceleração da retomada econômica estadual. O banco completou 60 anos em 2021. Criado em 1961 com o desafio inicial de propiciar ganhos de produtividade para uma economia regional à época majoritariamente agrícola, o BRDE nasceu da necessidade de atrair para os estados do Sul melhores fatias das linhas de crédito federal, por muitos anos fonte majoritária de funding.

Meta é aumentar programas de desenvolvimento

BC manterá ciclo de elevação da taxa de juros em dezembro

Copom prevê retomada econômica menos intensa e focada em serviços

De acordo com o comitê, os indicadores recentes da produção industrial e do comércio tiveram resultados negativos e abaixo do esperado

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) mantém a expectativa de retomada da atividade econômica no segundo semestre deste ano, ainda que menos intensa e mais concentrada no setor de serviços. A avaliação consta na ata da última reunião do Copom e reflete o impacto das limitações na oferta de insumos em determinadas cadeias produtivas, que devem perdurar até o próximo ano. De acordo com o comitê, os indicadores recentes da produção industrial e do comércio tiveram resultados negativos e abaixo do esperado. Por outro lado, o setor de serviços, que foi mais atingido pelas restrições da pandemia de Covid-19, “continuam em trajetória de recuperação robusta”.

“Para 2022, se por um lado a elevação dos prêmios de risco e o aperto das condições financeiras atuam desestimulando a atividade econômica, por outro, o Copom avalia que o crescimento tende a ser beneficiado por três fatores: a continuação da recuperação do mercado de trabalho e do setor de serviços; o desempenho de setores menos ligados ao ciclo de negócios, como agropecuária e indústria extrativa; e os resquícios do processo de normalização da economia conforme a crise sanitária arrefece”, detalha a ata.

Segundo o BC, no cenário internacional, o ambiente também tem se tornado menos favorável, refletindo a persistência da inflação. “O próximo ano deve ser caracterizado por menor crescimento, com a reversão dos impulsos fiscais e avanço nos processos de normalização da política monetária. Para as economias emergentes, essa combinação implica um cenário mais desafiador”, projeta o documento.

No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de setembro, o Banco Central projetava crescimento de 4,7% para a economia em 2021. Já ao longo de 2022, espera-se um ritmo de crescimento menor do que no segundo semestre de 2021, resultando em crescimento anual de 2,1% no PIB. O próximo relatório será divulgado em dezembro. O mercado projeta crescimento maior neste ano e menor em 2022. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 4,94% do PIB em 2021 e 1,2% no ano que vem.

Inflação em alta
A projeção está desacelerando por causa da persistência da inflação e da alta dos juros. De acordo com a ata do Copom, a inflação ao consumidor segue elevada e tem se mostrado mais persistente que o antecipado, com alta dos preços mais disseminada e abrangendo também componentes mais associados à inflação subjacente, que é o núcleo da inflação, que desconsidera distúrbios de choques temporários.

“A alta nos preços dos bens industriais ainda não arrefeceu e deve persistir no curto prazo, enquanto a inflação de serviços acelerou, refletindo a gradual normalização da atividade no setor, dinâmica que já era esperada. Além desses desenvolvimentos, desde a última reunião [do Copom] houve alta substancial dos preços internacionais de commodities energéticas, cujo impacto inflacionário é amplificado pela depreciação do real, sendo essa combinação o fator preponderante para a elevação das projeções de inflação do comitê tanto para 2021 quanto para 2022”, revelam os membros do comitê.

Por isso, no encontro da semana passada, o Copom elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 6,25% ao ano para 7,75% ao ano e já sinalizou que deve fazer um aumento da mesma magnitude, de 1,5 ponto percentual, na próxima reunião, em dezembro, mantendo o ciclo de elevação da taxa de juros, em um aperto monetário “significativamente mais contracionista” do que o utilizado no cenário básico. Com isso, espera-se a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui os anos de 2022 e 2023.

Esse foi o maior aperto monetário em quase 20 anos. A última vez em que o Copom tinha elevado a Selic em mais de 1 ponto percentual tinha sido em dezembro de 2002. Na ocasião, a taxa tinha passado de 22% para 25% ao ano, com alta de 3 pontos.

Para decidir sobre a elevação, o comitê estabeleceu um cenário básico para a inflação, com as projeções em torno de 9,5% para 2021, 4,1% para 2022 e 3,1% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 8,75% ao ano em 2021 e para 9,75% ao ano em 2022, terminando em 9,5% ao ano, e reduz- para 7% ao ano em 2023.

Com os dados, as projeções para a inflação de preços administrados, como combustível e energia, são de 17,1% para 2021, 5,2% para 2022 e 5,1% para 2023. O Copom adotou ainda uma hipótese de bandeira tarifária de energia elétrica em “escassez hídrica” em dezembro deste ano e em “vermelha – patamar 2” em dezembro de 2022 e 2023.

Esse foi o sexto reajuste consecutivo na taxa Selic. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018. Em agosto de 2019, houve mais redução e, para combater os efeitos da pandemia, em agosto de 2020, chegou ao menor nível da história, em 2% ao ano. Em março deste ano, começou a subir novamente, quando avançou para 2,75% ao ano, chegando a esse patamar de 7,75% ao ano.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia. Puxada pelo aumento dos preços de energia elétrica e combustíveis, em setembro, a inflação chegou a 1,16%, o maior para o mês de setembro desde 1994, quando foi de 1,53%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o índice está em 10,25%, acima dos 9,68% registrados nos 12 meses anteriores. Este ano, a inflação já acumula alta de 6,9%.

O valor está acima do teto da meta de inflação. Para 2021, o Conselho Monetário Nacional (CMN) tinha fixado meta de inflação de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 5,25% neste ano nem ficar abaixo de 2,25%. Para 2022 e 2023 as metas são 3,5% e 3,25%, respectivamente, com o mesmo intervalo de tolerância.

Riscos fiscais
No Relatório de Inflação, o BC estimava que, em 2021, a inflação fecharia o ano em 8,5% no cenário base. A projeção, no entanto, pode estar desatualizada com a possibilidade de que o teto de gastos seja alterado. O cenário básico do Copom para a inflação também envolve o risco fiscal diante da decisão do governo de mudar o cálculo do teto de gastos. Na avaliação do órgão, os acontecimentos recentes elevaram o risco de a inflação subir mais que o previsto, justificando a alta dos juros.

“Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico”, destaca a ata.

Para os membros do Copom, o processo de reformas e ajustes necessários é essencial para o crescimento sustentável da economia brasileira. “Esmorecimento no esforço de reformas estruturais e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, diz a ata.

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Com Agência Brasil 

Copom prevê retomada econômica menos intensa e focada em serviços

Apenas sete capitais estão preparadas para receber o 5G

Curitiba e Porto Alegre estão entre elas. Florianópolis deve alterar lei atual

Essas capitais têm leis de antenas preparadas para o avanço da nova tecnologia

Um levantamento da Conexis Brasil Digital indica que das 27 capitais brasileiras, sete têm legislações para instalação de infraestrutura e antenas preparadas para a chegada do 5G: Boa Vista, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Palmas, Porto Alegre e Porto Velho. Essas capitais têm leis municipais com alta aderência à Lei Geral de Antenas, de 2015.

Legislações modernas que facilitem a instalação de antenas são imprescindíveis para o avanço da nova tecnologia. “O 5G vai exigir de cinco a 10 vezes mais antenas que o 4G, considerando a mesma área de cobertura, mas são antenas pequenas que podem ser instaladas nas fachadas dos edifícios”, explica Marcos Ferrari, presidente executivo da Conexis.

O levantamento aponta ainda nove capitais com média aderência à Lei Geral de Antenas: Cuiabá, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Maceió, Manaus, Recife, Salvador e São Luís, e quatro cidades que estão trabalhando na alteração da legislação por leis mais modernas e aderentes à legislação federal: Belo Horizonte, Florianópolis, Rio de Janeiro e São Paulo.

Ferrari destaca ainda a importância do apoio do governo e da Anatel para a adequação das leis municipais que permitirão a instalação do 5G no Brasil. “A Anatel, o Ministério da Economia e o Ministério das Comunicações prepararam uma minuta de projeto de lei padrão a partir da qual as Câmara municipais podem elaborar leis mais modernas e que facilitem a instalação de infraestruturas de telecomunicações”, afirmou.

O leilão do 5G ocorrerá nesta quinta-feira (4). O edital prevê que as empresas comecem a oferecer o 5G nas capitais até o dia 31 de julho de 2022, mas o atendimento desse compromisso depende da permissão para a instalação de antenas, que são essenciais para a conexão.

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Curitiba e Porto Alegre estão entre elas. Florianópolis deve alterar lei atual

Menos risco é baixo ganho. Como fugir da velha máxima?

Todos os perfis de investidor devem diversificar a carteira de investimento

Não faz sentido colocar todos os ovos na bolsa de valores, correndo o risco de perder dinheiro, para ter um ganho de 15% no melhor dos cenários

Muitos poupadores ainda têm em mente que guardar dinheiro é colocar na poupança pelo baixo risco. Ledo engano. Hoje existem opções de investimento mais seguras e rentáveis de renda fixa que permitem investir para objetivos futuros ou ter uma reserva de emergência de forma muito mais atraente. No outro extremo, temos os investidores que acreditam que para ter rentabilidade é preciso arriscar alto, que baixo risco significa baixo ganho. Não é bem assim que o mundo dos investimentos funciona e tudo depende de cenário econômico e político.

Para o primeiro perfil, é preciso esclarecer que a poupança está rendendo menos que a inflação, ou seja, o dinheiro vai desvalorizando enquanto está lá, ainda mais em um período de inflação alta. Além disso, a poupança só rende quando ela faz aniversário. Isso significa que se alguém deixar um valor nela por 29 dias e resgatar por conta de alguma emergência, o rendimento dela será zero. Ela só rende no 30º dia. Já em outras opções como o CDB, a compensação é diária. Você sabia disso?

O segundo grupo deve entender que a renda fixa possui excelentes opções com bom rendimento e que risco não necessariamente significa ganho. Em ambos os casos, é preciso conhecer as opções. Infelizmente, a tendência do mercado é sempre comparar as opções de renda fixa com as de renda variável.

A verdade é que todos os perfis de investidor, dos conservadores ao mais arrojados, devem diversificar a carteira de investimento. Aqui vale novamente falar sobre a importância de não colocar todos os ovos na mesma cesta. Você pode investir em renda variável, ter ações na bolsa, fundos imobiliários ou produtos de investimento no exterior, mas também tem que buscar alternativa de renda fixa para equilibrar os ganhos e também as variações.

A proporção desses componentes não deve ser sempre igual. É aí que está o pulo do gato. Dependendo do cenário, a carteira deve ter mais renda fixa, mais ações no exterior, mais ações no Brasil ou fundos imobiliários. No cenário atual de juros subindo rapidamente, inflação descontrolada e incerteza muito grande no curtíssimo prazo (com indefinição do cenário eleitoral e das políticas que serão adotadas pelo novo governo), optar pelo que é garantido é a melhor opção. E com boa rentabilidade.

Para se ter uma ideia, em plataformas fora dos bancos tradicionais, CDBs e outros ativos bancários livres de risco já oferecem 12% e até 13% de ganho ao ano. Sendo assim, não faz sentido colocar todos os ovos na B3, correndo o risco de perder dinheiro, para ter um ganho de 15% no melhor dos cenários. A diferença é muito pequena e o risco é muito grande, além do estômago para lidar com as possíveis perdas e incertezas.

Os investidores mais experientes já vêm percebendo essa movimentação, diminuindo sua fome de risco e ampliando a parcela de renda fixa em suas carteiras. A tendência é que o cenário de indefinição se mantenha pelos próximos 18 meses no mínimo. Sendo assim, a renda fixa deve ser a melhor opção por algum tempo, pelo menos no curto prazo.

Mas nem só de CDBs vive a renda fixa. As LCIs e LCAs sempre foram muito procuradas porque são os únicos ativos bancários isentos de imposto. Tanto eles quanto o CDB são muito bons porque têm risco zero se mantidos dentro da garantia do fundo garantidor de crédito.

Outras alternativas são as emissões de crédito privado, que incluem basicamente os Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRIs e CRAs) e debêntures incentivadas. Existem opções de CRIs e CRAs que pagam CDI + 3, inflação + 5, tudo isso livre de imposto. Essas opções são lançadas no mercado, mas têm um certo limite de oferta, razão pela qual é preciso estar atento e manter contato com o seu assessor de investimentos.

Para escolher a melhor opção na renda fixa, é importante acompanhar taxas como CDI, que está rendendo abaixo da inflação, e IPCA, analisar as opções pré-fixadas. É hora de fugir dos bancos tradicionais e ir para instituições menores (desde que façam parte do Fundo Garantidor de Crédito). Essas empresas oferecem taxas até 50% a 100% maiores do que os bancos tradicionais.

Muitas pessoas ainda acham que abrir conta de investimentos só é possível na bolsa de valores e não é assim. É possível abrir contas em corretoras de câmbio, bancos de investimentos e outras instituições de forma muito fácil. É mais simples do que abrir em um banco tradicional, que na maior parte das vezes requer ir pessoalmente à agência e levar documentos como comprovante de residência e RG. Nessas plataformas é possível abrir uma conta de investimentos de forma on-line.

Vale a pena alertar também que investir é uma forma de proteger o patrimônio e evitar perdas com golpes como os do Pix, que vem assustando com roubos de celulares e sequestros. O dinheiro guardado em fundos de investimentos, ainda que com resgate diário ou mesmo em ações, não pode ser retirado por qualquer um com celular. A conta corrente deve ser usada para as transações do dia a dia, não para investir.

É preciso entender que investir não se trata necessariamente de assumir riscos ou que segurança só existe na poupança. Investir é explorar tudo o que o mercado tem de proteção e crescimento do seu patrimônio, atingindo seus objetivos da melhor forma possível.

*sócio e diretor comercial da EWZ Capital, assessoria de investimentos filiada ao BTG Pactual

Todos os perfis de investidor devem diversificar a carteira de investimento

Líderes mundiais prometem conter desmatamento até 2030

Declaração conjunta será adotada por mais de 100 países

Os dirigentes de mais de 30 instituições financeiras irão também comprometer-se a não investir mais em atividades ligadas à desflorestação

Os líderes mundiais comprometeram-se, na Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP 26) a conter o desflorestamento até 2030. O acordo foi anunciado antecipadamente pelo governo britânico, anfitrião do encontro. Os ambientalistas consideram que lhe falta a urgência necessária. Uma declaração conjunta será adotada por mais de 100 países onde se situam 85% das florestas mundiais, entre elas a floresta boreal do Canadá, a Floresta Amazônica ou ainda a floresta tropical da bacia do Congo.

A iniciativa, que se beneficiará de um financiamento público e privado de US$ 19,2 bilhões, é essencial para alcançar o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius acima dos valores médios da era pré-industrial, disse o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. “Esses formidáveis ecossistemas abundantes – essas catedrais da natureza, os pulmões do nosso planeta – estão no centro da vida de comunidades ao absorver grande parte do carbono liberado na atmosfera”, defendeu Johnson. As florestas estão recuando ao “ritmo alarmante” de 27 estádios de futebol por minuto. O primeiro-ministro considera o acordo histórico para a proteção e recuperação das florestas mundiais”.

Boris Johnson afirmou que não são apenas países que se juntaram a esse compromisso, que também abrange o setor privado. Acrescentou que é uma “oportunidade sem paralelo para a criação de empregos”.

O evento Ação sobre Florestas e Uso da Terra, do qual participou a cúpula de líderes mundiais da COP26, reuniu uma aliança sem precedentes de governos, empresas, atores financeiros e líderes não estatais para aumentar a ambição sobre as florestas e o uso da terra. Doze países doadores comprometem-se com um novo Compromisso de Financiamento Florestal Global. O objetivo é apoiar ações em países em desenvolvimento, incluindo a restauração de terras degradadas, combate a incêndios florestais e promoção dos direitos dos povos indígenas e das comunidades locais.

Entre os signatários do compromisso, estão o Brasil e a Rússia, países acusados da aceleração da desflorestação nos seus territórios, bem como os Estados Unidos, a China, a Austrália e a França. Numa das sessões da 26ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP 26), os dirigentes de mais de 30 instituições financeiras irão também comprometer-se a não investir mais em atividades ligadas à desflorestação, segundo o comunicado de Downing Street. Atualmente, quase um quarto (23%) das emissões mundiais de gases com efeito de estufa provém de atividades como a agricultura e a indústria madeireira.

Longe da urgência
Esse novo compromisso faz eco da Declaração de Nova York sobre as Florestas, de 2014, quando muitos países se comprometeram a reduzir para metade a desflorestação em 2020 e a colocar fim em 2030. Para organizações não governamentais (ONG) como o Greenpeace, o objetivo de 2030 está demasiado distante no tempo e dá, assim, ‘luz verde’ a “mais uma década de desflorestação”.

Os especialistas alertam que o acordo anterior, de 2014, “falhou no compromisso de desacelerar” a desflorestação. Embora saudando esses anúncios, Tuntiak Katan, da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia da Amazônia (Coica), indicou que a forma como as verbas alocadas a esse objetivo será efetivamente gasta será monitorada de perto.

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Com Agência Brasil e RTP

Declaração conjunta será adotada por mais de 100 países

Quando o cliente já não é o único centro das atenções

Grupo Services implanta política de valorização do teleatendente e novo modelo de relacionamento com consumidores

“Nosso negócio começou com os antigos call centers e ninguém respondia que queria ser operador de call center quando crescesse, pois era uma atividade diminuída e pouco valorizada”, afirma Jansen Alencar, CEO do Grupo Services

Com 20 anos de mercado e 10 mil funcionários, o paranaense Grupo Services está implantando um novo modelo de relacionamento da empresa com os colaboradores, clientes e consumidores finais, entendendo as necessidades e expectativas de cada um. Batizado de Journey Experience, o projeto foi desenvolvido para valorizar o trabalho do teleatendente, profissional que ficou estigmatizado pelas práticas agressivas do telemarketing.

O Services tem 40 clientes no Brasil, Argentina, Colômbia, Estados Unidos, Finlândia e Japão, entre telecoms, bancos e financeiras, varejos e fintechs. A empresa informa que em 2020, cresceu 32% em relação ao ano anterior com um faturamento de R$ 375 milhões. Para este ano, o Grupo Services projeta crescer 33% e atingir a marca de meio bilhão de faturamento. Com a nova política de relacionamento com seus públicos interno e externo, o grupo pretende modificar a máxima de que o cliente é o único centro das atenções.

“Entendemos que todo o bom relacionamento é feito por pessoas felizes e bem atendidas e que essa jornada começa dentro de casa. Assim, nosso foco sai de um único C, de Customer, para atender aos três Cs dessa jornada – Colaborador, Cliente e Consumidor final. Com isso, desenvolvemos relações mais sólidas, fiéis e harmoniosas e oferecemos as melhores experiências em relacionamento, tudo isso com muita tecnologia embarcada para que cada player possa escolher a jornada que mais lhe agrada”, resume Jansen Alencar, CEO do Grupo Services.

O Journey Experience vem impactando os funcionários desde agosto do ano passado, quando a empresa iniciou seu processo de reposicionamento. “Foram 20 mil horas de treinamentos em diferentes áreas e habilidades e R$ 6 milhões investidos em prêmios, desenvolvimento do projeto do novo posicionamento e captação e retenção de talentos, entre outras iniciativas”, explica o CEO. Alguns resultados já aparecem: entre os dez mil colaboradores, 80% em seu primeiro emprego, a empresa registra um turn over de apenas 5%.

Rede social e painel de humor
Para trabalhar internamente essa nova cultura, a área de Recursos Humanos foi rebatizada para People Experience (PX). O colaborador passou a ser tratado como um JXLover. A intranet passou a ser a rede social JXplorer. Essa nova plataforma não possui moderação e todos têm a liberdade de interagir, compartilhar e comentar qualquer conteúdo postado, desde treinamentos a comunicados oficiais.

Ao abrir o JXplorer, o JXLover encontra um painel de humor para informar, antes de iniciar a sua jornada, se está triste, irritado, perdido ou doente, dentre outras opções. Caso a opção seja uma destas, imediatamente alguém da PX entra em contato para dar suporte e atendimento a essa pessoa.

Toda interação do JXLover no JXplorer gera pontos e esses JXPoints, além de serem usados em um clube de vantagens, passam a ser considerados nas promoções internas. Em um ano de uso, o JXplorer já se tornou a principal ferramenta de engajamento dentro do Grupo.

“Nosso negócio começou com os antigos call centers e ninguém respondia que queria ser operador de call center quando crescesse, pois era uma atividade diminuída e pouco valorizada. Hoje, estamos trabalhando para que o nosso agente de teleatendimento não resolva mais problemas repetitivos e chatos, do dia a dia. Para isso, existe a tecnologia que desenvolvemos. O ambiente de trabalho também é outro, menos opressivo e industrial, com espaços criativos e disruptivos, promovendo a convivência e a integração das equipes. Em suma, cuidamos bem dos nossos JXLovers para que eles cuidem bem dos nossos clientes”, detalha Alencar.

Reposicionamento e pioneirismo
O novo conceito de Journey Experience do Grupo Services vem acompanhado do novo posicionamento de marca: Sempre à frente. Sempre juntos, que reforça a vocação para o pioneirismo da empresa e expressa o novo modelo de relacionamento.

“A empresa foi a primeira em Curitiba a ter um discador automático, em 2003; a implantar a estrutura blend, quando um mesmo agente se relaciona com o mesmo consumidor, tanto nos contatos ativos quanto receptivos; a criar um sistema de acompanhamento de atendimentos com área de control desk, que dobrou sua produtividade; foi a primeira do Brasil a montar o primeiro contact center 100% digital; foi a primeira a estruturar uma área de MIS com um Sistema de Informações Gerenciais; a ter o seu próprio robô, o premiado Zeus; e foi a primeira a oferecer o serviço All in One, que permite que o consumidor acesse diferentes canais de relacionamento e resolva todos os seus problemas com uma única chamada”, enumera o CEO.

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Um copo de sangue aos canibais

As empresas dominadas pela opinião pública digital

Empresas dominadas pelos clientes talvez não existam mesmo, mas companhias escravizadas pela histeria digital, sim – e que essas são tão merecedoras de reprovação quanto as primeiras

Quando cursei o mestrado, um dos meus professores fazia questão de diferenciar empresas orientadas para o cliente daquelas dominadas por eles. As primeiras representavam uma espécie de fim último do marketing: tinham a capacidade de converter necessidades e desejos dos consumidores em produtos e serviços econômica e tecnologicamente viáveis. As segundas, ao contrário, submetiam-se a todos os caprichos dos compradores, e, por esse motivo, colocavam em risco sua própria sobrevivência – no limite, afinal, tudo o que um consumidor quer é um produto perfeito de graça.

Sempre achei que a advertência do professor tinha muito mais caráter pedagógico, ao permitir diferenciar facilmente certos conceitos a partir de exemplos extremos, do que prático; uma empresa que faz tudo o que os clientes querem, obviamente, não existe nem jamais teria existido.

Mas a era das redes sociais e do cancelamento me obriga a rever esta ideia. Se não há exatamente empresas dominadas pelos clientes, agora a todo momento aparecem aquelas visivelmente dominadas pela opinião pública – ou, ao menos, a opinião pública que se mobiliza on-line, talvez nem tão representativa assim da sociedade. Foi o caso de Gerdau e Fiat, semana passada, quando ameaçaram retirar o patrocínio de um time de voleibol em função de postagens supostamente homofóbicas de um de seus jogadores.

Friso a palavra “supostamente” pois não vi, no texto de Maurício Souza, qualquer referência que justificasse o escarcéu que se seguiu. Até porque, convenhamos, tratava-se de uma banalidade: a reprovação moral à bissexualidade de um personagem de histórias em quadrinhos. Nenhuma ofensa direta ou leviandade, nenhum textão repleto de injúrias ou preconceitos; apenas uma opinião tida como conservadora acerca de um símbolo da cultura pop.

Alguém pode alegar, não sem razão, que Gerdau, Fiat e Minas Tênis Clube foram pragmáticos ao resolver um potencial problema de imagem pela raiz, livrando-se de seu causador. Eu, ao contrário, acredito que só estejam contribuindo para alimentar o monstro das torcidas organizadas digitais empenhadas em fazer valer, na marra, sua visão de mundo. E conferir poder a quem não tem, na verdade; casos verdadeiramente graves de crises de imagem já foram contornados sem concessões de monta. Por que agora seria diferente? A Vale destruiu duas cidades em Minas Gerais e nem por isso é menos cotada na bolsa de valores ou de empregos.

Provavelmente, em uma ou duas semanas o episódio Mauricio-Superman estaria esquecido, substituído por outra polêmica tola que volta e meia assalta o ambiente digital. Os gestores de redes sociais de Gerdau e Fiat teriam lá um ou dois serões de monitoramento de hashtags hostis e CTRL-C CTRL-V de respostas protocolares e… assunto encerrado. Ao oferecer a cabeça do jogador na bandeja, escancararam quão suscetíveis são às pressões dos cuspidores de regras da internet.

E quase vinte anos depois de iniciadas as aulas no mestrado, descubro, enfim, que empresas dominadas pelos clientes talvez não existam mesmo, mas companhias escravizadas pela histeria digital, sim – e que essas são tão merecedoras de reprovação quanto as primeiras.

As empresas dominadas pela opinião pública digital