Archives 2025

Comércio deve desacelerar em 2025

Segundo a CNC, alta de juros e menor expansão fiscal devem reduzir o ritmo de crescimento do setor 

A previsão sucede um ano de bons resultados: o comércio varejista restrito acumulou alta de 5% em 2024 até novembro, enquanto o ampliado registrou crescimento de 4,4%

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê um crescimento de 1,9% para o setor do comércio em 2025, impulsionado pela recuperação consistente do mercado de trabalho e pelos níveis históricos da massa de rendimento das famílias. A previsão sucede um ano de bons resultados: o comércio varejista restrito acumulou alta de 5% em 2024 até novembro, enquanto o ampliado registrou crescimento de 4,4%, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 9 de janeiro. A CNC projeta um crescimento de 4,7% no varejo ampliado, até o fim de 2024.

Os dados de novembro reforçam a dinâmica mista do setor, com uma leve queda de 0,4% no varejo restrito e 1,8% no ampliado, em comparação com o mês anterior. Mesmo assim, categorias como Equipamentos e Materiais para Escritório, Informática e Comunicação (+3,5%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (+1,4%) apresentaram avanços expressivos no mês. “Apesar das pressões da política monetária, o mercado de trabalho e o poder de compra das famílias têm sido os pilares que sustentam o desempenho do comércio. Para 2025, esses fatores continuam favoráveis, o que nos permite projetar crescimento mesmo diante de juros elevados”, analisa João Vitor Gonçalves, economista da CNC. Além do fortalecimento do consumo das famílias, o economista aponta o gasto público em patamar elevado como outro vetor de estabilidade para o setor no próximo ano. “Embora o governo deva reduzir o ritmo de expansão fiscal em 2025, o volume de investimentos ainda será significativo para sustentar a atividade econômica como um todo”, finaliza o economista.

Segundo a CNC, alta de juros e menor expansão fiscal devem reduzir o ritmo de crescimento do setor 

Produção automotiva fecha 2024 com alta de 9,7%

Soma de vendas de novos e usados chegou à marca de 14,4 milhões de veículos leves vendidos, maior resultado na história do país

Resultado fez com que o Brasil retomasse da Espanha o posto de oitavo maior produtor de veículos em 2024

A produção total de 2,5 milhões de veículos representou uma alta de 9,7% na comparação com 2023 e fez com que o Brasil retomasse da Espanha o posto de oitavo maior produtor de veículos em 2024, de acordo com levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Nos emplacamentos, o fechamento foi de 2,6 milhões de unidades, volume 14,1% mais alto que o do ano anterior, e bem superior à média global, que foi de um avanço de 2%. Nenhum grande mercado do mundo cresceu tanto quanto o brasileiro em 2024. Esse, aliás, foi o maior aumento no ritmo de vendas internas desde 2007.

O fato mais representativo de 2024 foi que a soma de vendas de novos e usados chegou à marca de 14,4 milhões de veículos leves vendidos, maior resultado na história do país. “Claramente, há uma demanda reprimida por transporte individual que vem sendo atendida de forma crescente, graças às melhores condições de crédito. Se essas condições melhorarem e se houver uma política de renovação de frota, mais pessoas poderão optar por veículos novos”, afirmou o presidente Márcio de Lima Leite. No ano passado houve um aumento de 36% das concessões de crédito para financiamento de veículos novos e usados.

As exportações de dezembro confirmaram o forte viés de alta do segundo semestre, que compensaram o fraco desempenho do primeiro e praticamente igualaram o resultado de 2023, indicando um 2025 de recuperação nos embarques. Ao todo, 398,5 mil autoveículos foram enviados para outros países. Argentina e Uruguai foram os destaques em termos de crescimento, a ponto de compensar as quedas de envios para todos os outros países da América Latina.

Já as importações tiveram o melhor período entre os últimos 10 anos, com 466,5 mil emplacamentos, alta de 33% impulsionada pela entrada maciça de eletrificados, em especial da China. “Neste ano é preciso reequilibrar os volumes de exportações e importações, de forma a evitar um novo déficit na balança comercial, como ocorreu em 2024. Temos um Imposto de Importação muito baixo para elétricos e híbridos, o menor entre países que fabricam veículos, o que nos torna um alvo preferencial de empresas importadoras, em prejuízo de nosso parque industrial e dos nossos empregos”, explicou o presidente da Anfavea.

Soma de vendas de novos e usados chegou à marca de 14,4 milhões de veículos leves vendidos, maior resultado na história do país

Bunge, maior empresa do Sul, investe em digitalização e agricultura regenerativa

Empresa encerrou o primeiro semestre de 2024 com lucro global consolidado de US$ 314 milhões

Apesar do cenário mais desafiador, a Bunge seguiu entregando resultados sólidos e consistentes, muito em função do robusto trabalho que tem feito ao longo dos últimos anos para fortalecer o negócio

Em 2023, por mais um ano, a Bunge entregou fortes resultados tanto no Brasil quanto globalmente em todas as principais frentes de atuação, com destaque para o segmento de agronegócio, cujo desempenho foi impulsionado pela melhora nas margens das operações de processamento. A performance financeira do período também foi positivamente impactada por diversos recordes de produção, graças à busca contínua pela excelência e pela melhoria das operações, o que levou a recordes de utilização da capacidade nas fábricas de esmagamento de oleaginosas, por exemplo. Já o ano de 2024 tem apresentado um ambiente de mercado menos robusto comparado a anos anteriores. 

Globalmente, a demanda por óleo e farelo permanece forte, mas tanto a comercialização de grãos e oleaginosas por parte dos produtores quanto a compra dos produtos pelos clientes finais está concentrada no mercado spot [quando a compra se dá com pagamento à vista e pronta entrega dos produtos]. No Brasil, o ritmo de comercialização de grãos e oleaginosas se mostrou mais lento em razão dos preços mais baixos das commodities, mas a ampla estrutura e capilaridade de ativos da Bunge a mantêm bem posicionada para capturar as oportunidades de originação [compra de grãos] sempre que elas surgem. Portanto, apesar do cenário mais desafiador, a Bunge seguiu entregando resultados sólidos e consistentes, muito em função do robusto trabalho que tem feito ao longo dos últimos anos para fortalecer o negócio e torná-lo mais flexível e ágil para se adaptar às diferentes condições de mercado. Com isso, a empresa encerrou o primeiro semestre de 2024 com lucro global consolidado de US$ 314 milhões, aumento da expectativa de lucro por ação para o ano completo e manutenção de sua posição como a primeira colocada em 500 MAIORES DO SUL. 

Com mais de 200 anos de história no mundo e 119 de Brasil, a Bunge construiu uma jornada de sucesso baseada na valorização de relações de confiança com produtores rurais parceiros e com os clientes finais. “Além disso, nosso modelo operacional global, único na indústria, organizado por cadeias de valor, nos torna mais ágeis na tomada de decisão, um time extremamente dedicado, apaixonado pelo que faz, e uma rede de ativos integrada ao redor do mundo nos dá flexibilidade para operar e nos permite desenvolver soluções inovadoras e sustentáveis que beneficiam não só os nossos negócios, mas também os negócios dos produtores e dos clientes com os quais nos relacionamos, ao mesmo tempo em que promove impactos positivos para o mundo”, avalia Julio Garros, co-presidente global de agronegócio da Bunge. 

Garros destaca a importância da região Sul do Brasil para as operações da empresa. Presentes nos três estados, cerca de 2 mil dos mais de 6 mil funcionários da Bunge atuam em unidades na região. No Rio Grande do Sul, entre as instalações da multinacional estão um terminal portuário e uma planta de esmagamento de soja na cidade de Rio Grande e unidades de armazenagem em Cruz Alta e Passo Fundo. No Paraná, possuem um moinho de trigo e uma fábrica de esmagamento de soja em Ponta Grossa, um terminal portuário em Paranaguá e unidades de armazenagem em Maringá, Cascavel e Guarapuava. Já em Santa Catarina ficam um porto em São Francisco do Sul, além do escritório de serviços compartilhados, localizado na cidade de Gaspar. 

“Na Bunge, entendemos que temos um papel relevante de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico das comunidades onde estamos presentes, onde vivem e com a qual nossas pessoas colaboradoras interagem. Assim, no Sul, promovemos diversas iniciativas que vão desde a formação de novos talentos até o impulso a negócios locais”, detalha Garros. Em Santa Catarina, há, por exemplo, o Espaço Bunge, na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), inaugurado em abril deste ano. Trata-se de um espaço corporativo com salas de aula, espaços de coworking e áreas de descompressão, localizado no prédio do hub de inovação e empreendedorismo na Univali, no qual a Bunge mantém uma agenda contínua de palestras, workshops e discussões de cases práticos alinhados à grade de conteúdo dos cursos de graduação e pós-graduação oferecidos pela universidade, especialmente os relacionados à Escola de Negócios, Educação e Comunicação (Enec). A parceria se dá no escopo da estratégia de relacionamento da empresa com universidades, e tem o objetivo de fomentar a integração entre teoria e prática e de contribuir com a formação de talentos na comunidade. 

Outro exemplo é o projeto Economia da Gente, liderado pela Fundação Bunge, que trabalha para a qualificação de empreendedores locais em cidades onde está presente, com foco em habilitá-los para atender aos padrões de fornecimento de empresas globais. O objetivo é ampliar a compra de produtos e serviços de fornecedores locais, desenvolvendo a socioeconomia destes municípios. Atualmente, o projeto se estende a nove cidades onde a Bunge tem unidades, incluindo Ponta Grossa (PR) e Rio Grande (RS).

Projetos para o futuro
Ao passo em que mantém investimentos nas unidades existentes com foco em melhoria contínua e no aumento da eficiência de operações, inclusive visando metas baseadas na ciência para a redução das emissões de gases de efeito estufa, os times da Bunge também se dedicam a desenvolver chamados “projetos-chave” para o futuro da companhia. Entre eles, o grande destaque é a futura combinação global da Bunge com a Viterra e a aquisição, no Brasil, da CJ Selecta. “Ambas são transações que esperamos concluir em breve, após as aprovações regulatórias necessárias”, antecipa Garros. Assim que concluída a operação com a Viterra, a Bunge estará melhor posicionada para atender as demandas de mercados cada vez mais complexos e melhor servir agricultores e clientes finais em todo o mundo. Já a operação da CJ Selecta, que é principalmente voltada à produção de proteína concentrada de soja, reforçará o portfólio de produtos de alto valor agregado. 

Tais movimentos estão alinhados à estratégia de originação da companhia, suportada pela consolidação de uma rede diversificada e integrada de ativos, e a permitirão ter maior flexibilidade logística para que os produtos continuem chegando em todas as partes do mundo de forma segura e sustentável. A Bunge está investindo US$ 20 milhões para mais do que dobrar a área beneficiada por seu programa de estímulo à agricultura regenerativa no Brasil, dos atuais 250 mil hectares para 600 mil hectares até 2026. O programa remunera produtores que aderem à iniciativa, fornece diagnóstico das propriedades, oferece assistência técnica gratuita para a melhoria ou adoção de novas práticas agrícolas sustentáveis, disponibiliza ferramentas digitais e de agricultura de precisão para gestão eficiente das fazendas. 

Outro aporte pesado da Bunge é em ferramentas digitais. Isso inclui investimentos em interconectividade, automação e aprendizado de máquina para garantir que as plantas funcionem com desempenho ideal. Além disso, a companhia está investindo em sistemas para aumentar os insights em tempo real para antecipar melhor as principais tendências do mercado e gerenciar fluxos e transações.

Este conteúdo integra o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC. Leia o anuário completo clicando aqui, mediante pequeno cadastro.

Empresa encerrou o primeiro semestre de 2024 com lucro global consolidado de US$ 314 milhões

BRDE se aproxima de R$ 6 bilhões em investimentos no Sul em 2024

Marca histórica de R$ 5,970 milhões superou em cerca de R$ 140 milhões o volume registrado no ano anterior

Com uma carteira ativa de R$ 21,5 bilhões, o BRDE opera no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (estados controladores), além do Mato Grosso do Sul

Com um total de 13.446 novas operações realizadas ao longo de 2024, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) fechou o ano muito próximo de atingir R$ 6 bilhões em novos investimentos no Sul do país. Com uma carteira ativa de R$ 21,5 bilhões, o BRDE opera no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (estados controladores), além do Mato Grosso do Sul. Mesmo diante de um cenário desafiador em termos de acesso ao crédito, a marca histórica de R$ 5,970 milhões superou em cerca de R$ 140 milhões o volume de financiamentos registrado no ano anterior. O número total de contratos avançou 75%, com as micro e pequenas empresas e os produtores rurais sendo os segmentos de maior crescimento.

Com fortes investimentos em inovação e desenvolvimento de novos produtos, a indústria somou R$ 1,406 milhão nos estados onde o BRDE opera. Já o setor do agronegócio fechou o ano com R$ 1,934 milhão em novos contratos, seguido muito de perto pelo comércio e serviços (R$ 1,920 milhão). Os investimentos viabilizados pelo banco, através da parceria com a Finep, chegaram a R$ 757 milhões, superando os R$ 697 milhões registrados em 2023. As micro, pequenas e médias empresas demandaram cerca R$ 1,62 bilhão, enquanto os produtores rurais registraram R$ 1,21 bilhão em financiamentos (mais de dez mil contratos).  

Os investimentos por parte de empresas de grande porte somaram R$ 2,65 bilhões em financiamentos aprovados pelo BRDE ao longo do ano passado. Já os projetos voltados ao setor de infraestrutura responderam por um volume de R$ 709 milhões, com destaque para o forte crescimento de financiamentos por parte das prefeituras. Para investimentos em obras de urbanização, resiliência e prevenção a eventos climáticos, saneamento e iluminação pública, as prefeituras contrataram mais de R$ 476 milhões no ano passado (em 2023 esse valor ficou em R$ 300 milhões).

No ano passado, o BRDE concluiu com êxito as primeiras Parcerias Público-Privadas (PPPs) dos serviços de iluminação pública nos municípios gaúchos de Santa Maria e Sapiranga. Mantendo o desempenho positivo do período anterior, as parcerias do BRDE em projetos de geração de energias com fontes renováveis e maior eficiência no consumo energético chegaram a R$ 553 milhões em 2024. Destaque também para o apoio às agroindústrias (cooperativas), com R$ 1,39 bilhão em novos empréstimos, e aos projetos para ampliar a capacidade de armazenagem de grãos, com R$ 776,8 milhões de investimentos.

Marca histórica de R$ 5,970 milhões superou em cerca de R$ 140 milhões o volume registrado no ano anterior

Pra tudo se acabar na quinta-feira

Quanto tempo dura uma alegria?

Se a tese do norte-americano Phil Stutz estiver certa, é possível que Fernanda Torres tenha vivido num “universo paralelo” de euforia desde o domingo (5), em que ganhou o Globo de Ouro (Foto: Robyn Beck / AFP)

Se a tese do norte-americano Phil Stutz estiver certa, é possível que Fernanda Torres tenha vivido num “universo paralelo” de euforia desde o domingo (5), em que ganhou o Globo de Ouro, até a quinta-feira seguinte, dia 9. A partir de então, as coisas voltaram ao normal para a atriz brasileira, que ainda terá um “chorinho” de contentamento ao retornar ao país para uma provável rodada de homenagens e festejos entre os seus (e para o assédio de uma penca de aproveitadores, claro).

Esclarecendo: Stutz é psicólogo em Los Angeles e tratou, ao longo de 40 anos, algumas das maiores estrelas de Hollywood. Segundo ele, casos recorrentes entre seus pacientes comprovam que a alegria de vencer um Oscar dura 96 horas. Passados quatro dias, lamentavelmente, a vida sucks again (mais aqui, aqui e aqui).

Donde alguém poderia questionar: se satisfações duram tão pouco, por que esforçar-se para obtê-las?

Bem, porque fomos biologicamente programados para desejar. E para que a intensidade desse desejo seja superior ao regozijo derivado da realização, garantindo que um objetivo seja substituído por outro logo em seguida e a vida se mantenha em eterno movimento.

Prêmios, especificamente, são motivações extrínsecas a qualquer atividade, assim como o dinheiro e a fama. E não costumam ser as únicas, nem sequer as mais importantes. Há outras, estabelecidas pelo próprio indivíduo, tão relevantes quanto. No caso de um filme, atuar bem, estar à altura de uma personagem histórica, sentir-se contribuindo para uma obra coletiva ou desfrutar da companhia de colegas de elenco e produção são exemplos de motivações intrínsecas. Pela qualidade do trabalho que executou, é muito provável que Fernanda tenha gabaritado todas elas.

Depois de um certo tempo, o que foi uma explosão de alegria e de novidades para a atriz — o anúncio do nome, a caminhada até o palco, o discurso, a festa, o contato com estrelas a quem só via pela telinha e pela telona, as dezenas de cumprimentos — vai sendo acomodada na memória e garantindo doses homeopáticas de alegria quando recordada. Mas será incapaz de fazer girar novamente a roda da motivação, inclusive porque premiações são incertas, um tanto lotéricas, até — Demi Moore foi ganhar a primeira com mais de 40 anos de carreira.

Disso não se conclua que ganhar ou perder uma estatueta dê no mesmo. Se o desfrute da vitória é efêmero, a ruminação da derrota pode ser eterna — como deixou claro a própria Fernandinha ao dedicar o prêmio à mãe, a quem considerou injustamente preterida 26 anos atrás no mesmo Golden Globe e no Oscar.

Quanto tempo dura uma alegria?

Em 26 anos, inflação do país ficou acima da meta oito vezes

Além de 2024, a inflação ficou fora do intervalo de tolerância nos seguintes anos: 2001, 2002, 2003, 2015, 2017, 2021 e 2022 

O IPCA, que leva em conta a variação do custo de vida de famílias com rendimento de até 40 salários mínimos, fechou o ano passado em 4,83%

Desde 1999, quando o Brasil passou a adotar o regime de metas de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ultrapassou oito vezes o limite máximo da meta. A última vez foi no ano passado, segundo dados divulgados na sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA, que leva em conta a variação do custo de vida de famílias com rendimento de até 40 salários mínimos, fechou o ano passado em 4,83%. A meta estipulada pelo governo era de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos, isto é, um arco de 3% até 4,5%. 

Além de 2024, a inflação ficou fora do intervalo de tolerância nos seguintes anos: 2001, 2002, 2003, 2015, 2017, 2021 e 2022. Dos oito anos de estouro, apenas 2017 ficou abaixo do piso. O IPCA terminou o ano em 2,95%. O piso determinado era 3%. Em 2002, quando o teto da meta era 5,5%, o IPCA alcançou 12,53%, o maior desde a implantação do regime monetário. Em 2021, ano com efeitos da pandemia, chegou a 10,06%. O órgão do governo que define a meta é o Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e o presidente do Banco Central (BC). A perseguição da meta é conduzida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Um dos principais recursos para o Copom fazer a política monetária, ou seja, controlar a inflação, é a taxa básica de juros, a Selic – que serve de referência para qualquer operação de empréstimo.

A Selic alta faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas – e é sinônimo de freio na atividade econômica, o que tem potencial de conter aumento de preços. Por outro lado, desestimula investimentos e a criação de emprego e renda. Atualmente, a Selic está em 12,25% ao ano. O último aumento, de 1 ponto percentual, foi em 11 de dezembro. O Copom já indicou mais aumentos de 1 p.p. nas próximas duas reuniões – que ocorrem a cada 45 dias, com o objetivo de conter a pressão inflacionária dos próximos anos. Eventos climáticos, desvalorização do real ante o dólar e o preço das carnes são fatores que ajudam a explicar a inflação acima da meta em 2024.

Cada vez que o país estoura a meta de inflação, o presidente do BC tem de divulgar, por meio de carta aberta ao ministro da Fazenda (que responde como presidente do CMN) a descrição detalhada das causas do descumprimento da meta, as providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo no qual se espera que as providências produzam efeito. Em carta divulgada nesta sexta-feira (10), o Banco Central diz que a alta do dólar e das commodities (bens primários com cotação internacional) e o aquecimento da economia explicam a maior parte da alta da inflação em 2024.

Meta contínua
Até 2024, a meta de inflação era fechada no fim do ano corrente. Uma resolução do CMN determina que, para 2025 em diante, a meta seja apurada ao longo dos últimos doze meses. Assim, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao mês de dezembro de cada ano. Esse padrão segue exemplos internacionais e é conhecido como “meta contínua”. Por exemplo, em abril de 2025 será levado em conta o intervalo de maio de 2024 a abril de 2025 para se apurar se o IPCA está dentro do limite. O presidente do BC terá que explicar por carta aberta se deixar a inflação fora da meta por seis meses seguidos. Segundo o BC, a utilização desse período evita a caracterização de descumprimento em situações de variações temporárias na inflação. Esse é o caso, por exemplo, de um choque em preços de alimentos que faça com que a inflação fique fora do intervalo de tolerância por apenas alguns meses. Para 2025, a meta segue em 3%, com tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos.

Em 2024, o acumulado de 12 meses do IPCA chegou a marcar 3,69% em abril, antes de sofrer inflexão e seguir tendência de alta, até alcançar a máxima de 4,87% em novembro. O índice de dezembro (0,52%) permitiu um recuo no fim do ano, que fechou em 4,83%. Se estivesse valendo o novo critério, o BC estaria somando três meses seguidos de taxa acima do teto, mas não precisaria ainda prestar informações via carta aberta ao CMN.

Com ABR

Além de 2024, a inflação ficou fora do intervalo de tolerância nos seguintes anos: 2001, 2002, 2003, 2015, 2017, 2021 e 2022 

Santa Catarina acumulou 149 mil novos empregos em 2024 até novembro

Serviços e indústria puxaram criação de vagas no ano passado 

Estado ocupou a quarta posição entre os estados que mais criaram empregos industriais no país,

Santa Catarina gerou 149.155 novos postos de trabalho formais no acumulado de 2024 até novembro. O setor de serviços liderou a criação de vagas, com 69,8 mil empregos, seguido da indústria, com 55,4 mil. O segmento do comércio criou 21,5 mil postos e a agropecuária 2,5 mil novas vagas, segundo dados do Novo Caged, compilados pelo Observatório FIESC. Dentro da indústria, o segmento da construção liderou a geração de vagas, com 11,9 mil novas oportunidades no ano, seguido pelo setor têxtil, de confecção, couro e calçados, com 7,9 mil empregos criados. O ramo de alimentos e bebidas veio na terceira posição, com 5,5 mil novos postos. Já produtos químicos e plásticos acumulou 5 mil vagas formais criadas até novembro de 2024, seguido pelo setor de máquinas e equipamentos, com 4,5 mil empregos gerados.

Santa Catarina ocupou a quarta posição entre os estados que mais criaram empregos industriais no país, no acumulado de 2024 até novembro, segundo análise do Observatório FIESC. Para o presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, a indústria catarinense tem se mantido entre as mais dinâmicas do país. “Essa quarta posição ganha uma relevância ainda maior se considerarmos que o estado tem apenas 3,8% da população brasileira. Temos um parque fabril muito diversificado, distribuído por todo o estado e também bastante internacionalizado. Isso coloca SC numa posição diferenciada. A indústria catarinense tem sido o motor da economia, alavancando a geração de empregos nos demais segmentos”, explica Aguiar.

Considerando apenas o mês de novembro, o estado gerou cerca de 9 mil vagas. No período, a indústria apresentou saldo negativo de vagas, com perda de 4,1 mil postos. Dentro do setor industrial, os segmentos que apresentaram maior recuo foram: construção civil (-1.761), têxtil (-1.387) e madeira e móveis (-622). Já o setor de equipamentos elétricos apresentou saldo positivo de vagas (446) no período, assim como o de máquinas e equipamentos, com 206. No mês de novembro de 2024, o comércio liderou a criação de novas vagas, com 5,5 mil vagas, com a contratação de mão de obra para as vendas de Natal. O segmento de serviços gerou 5,3 mil empregos, enquanto a agropecuária criou 2,3 mil empregos com carteira assinada no mesmo período.

Serviços e indústria puxaram criação de vagas no ano passado 

Confira ao que o MEI precisa estar atento para 2025

Tributos foram reajustados e prazos para regularizar situações do Simples Nacional se encerram neste mês

Janeiro é um mês importante para os microempreendedores individuais. É momento para regularizar as dívidas, optar por permanecer no Simples Nacional para 2025 (caso tenha ultrapassado os R$ 81 mil de limite de faturamento), enviar Declaração Anual (DASN-SIMEI) e muito mais. Confira, a seguir, os principais fatores para ficar de olho.

Contribuição mensal
Uma das maiores mudanças é que, com 
o aumento do salário-mínimo para R$ 1.518, o valor da contribuição mensal do MEI, feito pelo Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), passa a ser de R$ 75,90, podendo chegar a R$ 81,90, dependendo da atividade exercida pelo profissional, que pode ou não incidir impostos sobre serviço ou mercadorias. Para o MEI Caminhoneiro, a contribuição mensal será entre R$ 182,16 e R$ 188,16. Entenda como é feito o cálculo:

– R$ 75,90 de INSS (5% do valor do salário-mínimo, de R$ 1.518,00, ou 12% para o MEI transportador autônomo de cargas);
– R$ 5,00 de ISS, caso seja contribuinte deste imposto; e
– R$ 1,00 de ICMS, caso seja contribuinte deste imposto.

A guia de contribuição deve ser paga até o dia 20 de cada mês. O primeiro boleto a considerar essa mudança vence em fevereiro de 2025, pois o recolhimento é sempre com relação ao mês anterior. Pelas plataformas de atendimento do Sebrae (site, 0800, ou app), é possível emitir o boleto gratuitamente.

Adesão ao Simples Nacional
Está aberto, até o próximo dia 31 de janeiro, o prazo para que os empreendedores façam adesão ao Simples Nacional. A iniciativa é voltada para aqueles pequenos negócios que foram excluídos do regime de tributação, inclusive quem está em débito com a Receita Federal. No mesmo período, os MEI que ultrapassaram o teto de faturamento de R$ 81 mil serão automaticamente desenquadrados da figura do microempreendedor individual e precisam fazer a solicitação para permanecer no Simples Nacional no mesmo período. É possível consultar a situação do seu CNPJ pela página do Simples.

Dívidas
O período até 31 de janeiro é uma nova oportunidade para os donos dos pequenos negócios regularizarem as dívidas com a Receita Federal e evitar a exclusão do Simples Nacional. No total, mais de 1,8 milhão de empresas receberam notificações da Receita, mas cerca de 1,5 milhão ainda não regularizaram a situação. Os empreendedores que receberam um termo de exclusão do Simples Nacional, pelo Domicílio Tributário Eletrônico do Simples Nacional precisam pagar as dívidas (à vista ou parcelada) em um prazo de 30 dias após a visualização do documento. Com a exclusão o pequeno negócio perde benefícios fiscais, terá dificuldades para emitir notas fiscais, entre outras complicações. O Sebrae possui trilhas de apoio que orienta sobre a regularização de dívidas.

Declaração Anual
A Declaração Anual do Simples Nacional para o Microempreendedor Individual (DASN-SIMEI) já está disponível para o preenchimento. O documento reúne as informações sobre as contribuições e o faturamento da empresa em 2024 e de empregados que eventualmente o MEI tenha tido. Mesmo quem não teve faturamento em 2024 precisa fazer a declaração. O período para envio das informações segue até 31 de maio. Assista o passo a passo que o Sebrae preparou para fazer sua declaração anual obrigatória.

Com Agência Sebrae

Tributos foram reajustados e prazos para regularizar situações do Simples Nacional se encerram neste mês

Vendas no varejo diminuem 0,4% em novembro

Ao todo, no ano de 2024, o varejo acumula alta de 5%

Já o acumulado nos últimos 12 meses ficou em 4,6%, 26º mês seguido em que esse indicador é positivo

Em novembro de 2024, as vendas no comércio varejista no Brasil tiveram redução de 0,4% na comparação com o mês anterior, quando registraram aumento de 0,4%. Ao todo, no ano, o varejo acumula alta de 5%. A média móvel trimestral, que foi de 0,3% em outubro, variou 0,2% no trimestre encerrado em novembro. Já o acumulado nos últimos 12 meses ficou em 4,6%, 26º mês seguido em que esse indicador é positivo. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (9) pelo IBGE. 

No comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado especializado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas caiu 1,8% na passagem de outubro para novembro. A média móvel trimestral do varejo ampliado ficou estável (0%) no trimestre encerrado em novembro, após registrar 0,4% em outubro. Quanto às atividades, cinco das oito apresentaram resultados negativos: móveis e eletrodomésticos (-2,8%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-2,2%), livros, jornais, revistas e papelaria (-1,5%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,1%). Por outro lado, entre outubro e novembro de 2024, três grupamentos pesquisados mostraram alta: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,5%), combustíveis e lubrificantes (1,5%) e tecidos, vestuário e calçados (1,4%).

“O resultado de novembro representa estabilidade pelo segundo mês consecutivo, mas muito próximo do recorde histórico registrado em outubro (0,4%). Vale destacar que, dos últimos cinco meses, os resultados positivos de julho (0,6%) e de setembro (0,6%) foram os únicos a apresentar variação fora da faixa de -0,5% a +0,5%. Mesmo com esse cenário estável, é interessante observarmos que o indicador acumulado no ano (5%) é bastante expressivo quando comparado a anos anteriores”, explica Cristiano Santos, gerente da pesquisa.

Ao todo, no ano de 2024, o varejo acumula alta de 5%

Google e Linux Foundation se unem para fortalecer o projeto Chromium

chromiumEm um movimento estratégico, o Google anunciou uma parceria com a Linux Foundation para apoiar o projeto de código aberto Chromium, a base tecnológica por trás de navegadores como Google Chrome, Microsoft Edge, Opera e Brave. O anúncio chega em um momento delicado, já que o Google enfrenta discussões sobre possíveis medidas antitruste, que poderiam […]Em um movimento estratégico, o Google anunciou uma parceria com a Linux Foundation para apoiar o projeto de código aberto Chromium, a base tecnológica por trás de navegadores como Google Chrome, Microsoft Edge, Opera e Brave. O anúncio chega em um momento delicado, já que o Google enfrenta discussões sobre possíveis medidas antitruste, que poderiam […]

Porto de Paranaguá bate novo recorde de movimentação em 2024

Crescimento registrado é de 2,1%, com 1.375.745 toneladas a mais do que em 2023

Apenas a título de comparação, o volume movimentado equivale a 80% de toda a produção de grãos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

A Portos do Paraná fechou o ano de 2024 com a maior movimentação de cargas da sua história, com o recorde de 66.769.001 toneladas. O crescimento registrado é de 2,1%, com 1.375.745 toneladas a mais do que em 2023. Os números foram alcançados diante de condições adversas – foram 115 dias de chuva em 2024 (situação que afeta a operação), oito a mais do que no ano anterior. Os resultados foram apresentados em entrevista coletiva nesta quinta-feira (09). O Porto de Paranaguá recebe e envia os mais diversos tipos de produtos. Apenas a título de comparação, o volume movimentado equivale a 80% de toda a produção de grãos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, colhidos na safra de 2024. Isso corresponde a 3.209 caminhões bitrens sendo recebidos diariamente ao longo de 365 dias.

Pelos berços do cais passaram 40 milhões de toneladas em exportação e 26,7 milhões em importação. Os tipos de cargas mais enviados ao exterior foram soja (13.265.751), contêineres (9.049.796) e açúcar a granel (6.412.716). Já as principais cargas trazidas ao Brasil por Paranaguá foram fertilizantes (11.140.049), contêineres (7.276.868) e derivados de petróleo (4.912.767). Em números proporcionais, um dos destaques é a cevada. No acumulado de 2023, a Portos do Paraná movimentou 159.458 toneladas. Em 2024, alcançou a marca de 428.132 – um aumento de 168% impulsionado pela indústria cervejeira, que coloca o Paraná entre os maiores fabricantes da bebida em todo o Brasil. O expressivo crescimento da movimentação da cevada em Paranaguá se deve à implantação da maior maltaria do mundo em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. O malte é a matéria prima da cerveja. A indústria tem capacidade para produção de 360 mil toneladas por ano, equivalente a 30% do mercado nacional. Somente duas cervejarias, instaladas em Ponta Grossa, são responsáveis pelo abastecimento das regiões Sul e Sudeste do País, considerando o mercado premium.

Outro destaque é o trigo, com 157% de importação e 58% de exportação ao longo do último ano. Paranaguá tem se consolidado cada vez mais como porto multicargas, mas seis tipos (soja, farelo de soja, contêineres, fertilizantes, açúcar a granel e derivados de petróleo) somaram 58,3 toneladas transportadas em 2024, o que representa 87,3% do que foi movimentado durante o ano. Um dos pontos altos do ano passado foi o aumento de cargas gerais, que registrou crescimento de 23% em 2024, em comparação com o ano anterior. A movimentação de veículos aumentou 29%: 112.870 passaram por Paranaguá, importados ou exportados. Também o Porto de Antonina registrou índices positivos em 2024, com 47% a mais de volume movimentado em relação ao ano anterior. O total chegou a 1.993.620 toneladas, em comparação com 1.355.626 toneladas de 2023, concentradas em dois produtos: fertilizantes e açúcar.

Recentemente, o Porto de Paranaguá passou a operar com uma profundidade maior. A atualização do calado – que corresponde à distância entre o ponto mais profundo da embarcação (quilha) e a superfície da água – ajuda a diminuir o tempo de espera para atracação e desatracação. Ao mesmo tempo, permite que navios possam chegar e sair com muito mais carga e com total segurança.

Crescimento registrado é de 2,1%, com 1.375.745 toneladas a mais do que em 2023

Inflação oficial do país em 2024 é de 4,83%, acima do limite da meta

Percentual é o mais alto desde 2022, quando chegou a 5,79%

Aumento no preço dos alimentos, notadamente das carnes, impactos do clima e a desvalorização do real ante o dólar são os principais fatores que explicam a inflação

Com o resultado de 0,52% em dezembro, a inflação oficial do país fechou 2024 em 4,83%, acima do limite máximo da meta estipulada pelo governo. Em 2023, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia ficado em 4,62%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A meta de inflação do governo para 2024 foi de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos. Ou seja, o IPCA do ano ficou 0,33 p.p. acima. O resultado de 2024 é o mais alto desde 2022 (5,79%). Ao longo de 2024, o grupo alimentos e bebidas foi o que mais pressionou o bolso dos brasileiros, com alta de 7,62%, impacto de 1,63 p.p. no IPCA.

Fatores para o aumento
Aumento no preço dos alimentos, notadamente das carnes, impactos do clima e a desvalorização do real ante o dólar são os principais fatores que explicam a inflação oficial de 2024 ter ficado acima do limite máximo da meta estipulada pelo governo. Segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, a subida no preço dos alimentos se explica por causa da “influência de condições climáticas adversas, em vários períodos do ano e em diferentes localidades do país”. Em seguida, as maiores pressões vieram dos grupos saúde e cuidados pessoais (6,09%, impacto de 0,81 p.p.) e transportes (3,3%, impacto de 0,69 p.p.). Juntos, esses três grupos responderam por cerca de 65% da inflação de 2024. O IBGE apura o comportamento de preços de 377 produtos e serviços. Individualmente, o que mais pressionou o custo de vida foi a gasolina, que subiu 9,71%, o que representa um impacto de 0,48 p.p. Em seguida, figuram plano de saúde (alta de 7,87% e impacto de 0,31 p.p.) e refeição fora de casa, que ficou 5,7% mais cara (impacto de 0,2 p.p.).

Ao analisar o comportamento dos produtos pesquisados, o IBGE identifica que a maior pressão de alta veio do item carnes. Em 2024, os cortes ficaram 20,84% mais caros, o que representa peso de 0,52 p.p. É o maior aumento desde 2019, quando subiram (32,4%). Em 2023, o preço das carnes recuou 9,37%. Esse encarecimento final de 2024 contrasta com o comportamento dos preços no começo do ano, que caíram. Mas o repique de setembro a dezembro (+23,88%) foi suficiente para o ano fechar com alta. “Essa queda do primeiro semestre foi mais que compensada pelas altas”, define o analista do IBGE André Almeida. Ele explica que há efeito direto de questões climáticas no comportamento do preço do alimento que vai ao prato do brasileiro. “A gente teve uma forte estiagem, ondas de calor, seca em diversas regiões do país, o que intensificou os efeitos da entressafra, quando as pastagens ficaram ainda mais restritas”, diz. “A gente teve, por conta do próprio ciclo da pecuária, um menor volume de animais para abates, o que reduz a oferta do produto para o consumidor final e acaba pressionando os preços”, completa a explicação.

Ao analisar especificamente produtos alimentícios, o IBGE identificou que as principais altas dentro do item carnes foram o contrafilé (20,06%), carne de porco (20,06%), alcatra (21,13%) e costela (21,33%). Esses subitens só perdem para o café moído (39,60%) e o óleo de soja (29,21%). Mesmo assim, as carnes influenciam mais o IPCA, pois têm maior peso na cesta de produtos do brasileiro, segundo metodologia do IBGE. “A influência do clima está muito ligada à produção dos alimentos. Se chove muito ou fica muito seco, isso tudo compromete a produção”, aponta o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves. Ao observar também os produtos não alimentícios, a gasolina – dona do maior peso na cesta de produtos pesquisada – subiu 9,71%, representando o impacto mais acentuado em todo o IPCA (representando 0,48 p.p.).

Almeida acrescenta que outro fator ajuda a explicar o IPCA fora da meta de 2024: o câmbio. Em 2024, o real viu o dólar subir 27% em 12 meses, terminando o ano negociado a R$ 6,18. “O câmbio é um dos fatores que influenciam no comportamento dos preços de diversos produtos, desde alimentícios, com a questão da cotação de algumas commodities alimentícias em dólar” detalha ele, se referindo a mercadorias negociadas com preços internacionais. O analista acrescenta que o real desvalorizado faz com que produtores prefiram destinar parte da produção para o exterior, uma vez que receberão as receitas em dólar valorizado. “Isso restringe oferta interna”, diz. Almeida lembra ainda que o câmbio influencia o custo de produtos que possuem componentes importados. “Existem diversos mecanismos pelos quais o câmbio pode influenciar na inflação”, ressalta. Ao longo de 2024, o país teve 11 meses com inflação positiva e um com deflação (queda de preços). Foi em agosto (-0,02%), influenciado pelo recuo na conta de luz e alívio dos alimentos no bolso. O maior resultado mensal foi em fevereiro (0,83%), puxado pela educação, por causa do reajuste de mensalidades.

Com ABR

Percentual é o mais alto desde 2022, quando chegou a 5,79%

Santa Catarina registra crescimento de 71% no número de turistas internacionais

Estado recebeu mais de 495 mil estrangeiros em 2024, de acordo com dados do Ministério do Turismo

O estado catarinense foi o segundo com o maior crescimento, atrás apenas de Roraima

De acordo com dados do Ministério do Turismo, Santa Catarina teve um aumento expressivo de 71,7% no número de turistas internacionais durante 2024. Assim, o estado catarinense foi o segundo com o maior crescimento, atrás apenas de Roraima (97%). Segundo o levantamento, Santa Catarina recebeu mais de 495 mil estrangeiros em 2024, sendo o quarto estado do Brasil com mais turistas de outro país.

Segundo a instituição, esses números resultam de um intenso trabalho e planejamento em fortalecer a imagem de Santa Catarina fora do Brasil. A abertura de rotas internacionais inéditas, conectando com destinos da América Central e do Norte e da Europa, também contribuíram para o resultado. Ainda de acordo com os dados, o país todo teve um crescimento no número de visitantes internacionais, totalizando o maior número dos últimos 44 anos. Ao todo, o Brasil recebeu mais de 6,65 milhões de estrangeiros, 12,6% a mais do que em 2023.

Estado recebeu mais de 495 mil estrangeiros em 2024, de acordo com dados do Ministério do Turismo

Receita esclarece que não cobrará imposto por Pix

Operações acima de R$ 5 mil devem ser informadas a partir deste mês

No comunicado, a Receita também explicou que o reforço na fiscalização não desrespeitará as leis que regulam os sigilos bancário e fiscal, sem identificar a natureza ou a origem das transações

O reforço na fiscalização de transferências via Pix e cartão de crédito não significa criação de impostos, esclareceu a Receita Federal. Em comunicado, o Fisco desmentiu informações falsas que circularam nas redes sociais nos últimos dias sobre cobrança de imposto para transferências digitais. Em 1º de janeiro, entraram em vigor as novas regras da Receita Federal para a fiscalização de transferências financeiras. A principal mudança foi a extensão do monitoramento de transações financeiras às transferências Pix que somam pelo menos R$ 5 mil por mês para pessoas físicas e R$ 15 mil para pessoas jurídicas. Além das transações Pix, esses limites também valem para as operadoras de cartão de crédito e as instituições de pagamento, como bancos digitais e operadoras de carteiras virtuais. Elas deverão notificar à Receita operações cuja soma mensal ultrapassa esse teto. Os bancos tradicionais, as cooperativas de crédito e instituições que operam outras modalidades de transação já tinham de informar à Receita sobre esses valores.

No comunicado, a Receita também explicou que o reforço na fiscalização não desrespeitará as leis que regulam os sigilos bancário e fiscal, sem identificar a natureza ou a origem das transações. “A medida visa a um melhor gerenciamento de riscos pela administração tributária, a partir da qual será possível oferecer melhores serviços à sociedade, em absoluto respeito às normas legais dos sigilos bancário e fiscal.” A Receita reiterou que a e-Financeira não identifica o destinatário das transferências de uma pessoa ou empresa para terceiros, via Pix ou Transferência Eletrônica Disponível (TED). O sistema, explicou o Fisco, soma todos os valores que saíram da conta, inclusive saques. Se ultrapassado o limite de R$ 5 mil para pessoa física ou de R$15 mil para pessoa jurídica, a instituição financeira informará a Receita Federal.

Em relação aos valores que ingressam em uma conta, a e-Financeira apenas contabiliza as entradas, sem individualizar sequer a modalidade de transferência, se por Pix ou outra. Todos os valores, informou a Receita, são consolidados, devendo ser informados os totais movimentados a débito e a crédito em determinada conta, sem especificar os detalhes das transações. As instituições financeiras enviarão os relatórios à Receita Federal a cada seis meses. As informações referentes ao primeiro semestre deverão ser prestadas até o último dia útil de agosto. Os dados do segundo semestre serão apresentados até o último dia útil de fevereiro, prazo que permitirá a inclusão na declaração pré-preenchida do Imposto de Renda, na metade de março.

Com ABR

Operações acima de R$ 5 mil devem ser informadas a partir deste mês

Piora no cenário econômico abala a confiança do industrial gaúcho

Índice de Confiança do Empresário Industrial gaúcho (ICEI-RS) tem forte queda em dezembro de 2024

Resultado interrompe a tendência de recuperação do otimismo no setor após a enchente de 2024

O Índice de Confiança do Empresário Industrial gaúcho (ICEI-RS) sofreu um forte abalo em dezembro de 2024, de acordo com levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS). O resultado de 49,7 pontos, queda de 3,7 em relação a novembro, interrompe a tendência de recuperação do otimismo no setor após a enchente de 2024, e que chegou a atingir o maior patamar no penúltimo mês do ano passado, com 53,4. Essa foi a maior queda desde maio último, quando chegou a -6,1 pontos. “Os resultados mostram que a piora no quadro fiscal brasileiro, com reflexos no ciclo de aperto monetário, no aumento da inflação e na instabilidade na taxa de câmbio afetaram ainda mais a percepção negativa dos empresários sobre a economia do país. Cenário que começa a influenciar na avaliação das empresas”, diz o presidente da FIERGS, Claudio Bier.

O ICEI-RS varia de zero a cem pontos, sendo que a marca de 50 divide a presença de otimismo e pessimismo. Todos os seus componentes caíram em dezembro, sobretudo os relacionados à economia. O Índice de Condições Atuais recuou de 50,9 pontos em novembro para 47,5 em dezembro, passando de uma avaliação levemente positiva para uma percepção de piora nos negócios. As condições atuais da economia brasileira são o componente de pior avaliação, com o índice caindo de 43,8 pontos para 39,5. O percentual de empresários que avaliam as condições da economia como piores aumentou de 33,1%, em novembro, para 41,6%, em dezembro. O índice daqueles que percebem melhora recuou de 12,3% para 6,8% no mesmo período. Para 51,6% dos empresários, não houve alterações na economia brasileira nos últimos seis meses (eram 54,5%, em novembro). O Índice de Condições Atuais das Empresas ainda revela melhora, mas registrou forte queda, de 54,5 pontos para 51,5 entre novembro e dezembro.

Em relação ao Índice de Expectativas para os próximos seis meses, houve uma diminuição de 3,9 pontos entre novembro e dezembro, caindo para 50,8. Embora, ao permanecer acima de 50, mantenha-se no campo positivo, está agora bem mais próximo da marca que separa otimismo do pessimismo. O Índice de Expectativas da Economia Brasileira caiu cinco pontos, de 46,3 para 41,3. Isso reflete o aumento no percentual de empresários pessimistas, de 26,6%, em novembro, para 39,8%, associado à redução nos otimistas, de 14,9% para 11,2%. A maioria dos empresários, 49,1%, não espera mudança no cenário econômico doméstico nos próximos seis meses. Por fim, as expectativas em relação às próprias empresas continuam positivas, mas também ficaram menos otimistas, com recuo de 3,3 pontos ante novembro. Em dezembro, alcançaram 55,6.

Índice de Confiança do Empresário Industrial gaúcho (ICEI-RS) tem forte queda em dezembro de 2024