Archives 2024

Arrozeiros garantem que não faltará arroz mesmo com as enchentes no RS

Para a Federarroz, o que já foi colhido tem condições plenas de abastecimento do mercado interno e não há necessidade de importação

Federarroz afirma que não existe problemas de abastecimento com relação ao arroz

A colheita de arroz no Rio Grande do Sul, até o momento, chegou a 83% do total da área prevista e o que já foi colhido apresenta boa qualidade e produtividade, o que garante o abastecimento dos brasileiros. A informação é da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). Segundo o presidente da entidade, Alexandre Velho, dentro do espectro dos 83% já colhidos, se apresentam boas médias de produtividade. “Já temos um bom volume de arroz e mesmo que a gente tenha dificuldades na colheita deste saldo que falta colher, certamente o Rio Grande do Sul tem plenas condições de colher uma safra bem acima dos sete milhões de toneladas. Embora tenhamos este grande problema com relação à colheita do que falta, temos plenas condições de afirmar que não temos problemas com relação ao abastecimento do mercado interno”, garante, por meio de nota. Para evitar uma possível escalada no preço arroz, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou que compraria o produto já industrializado e empacotado no mercado internacional.

Conforme o dirigente, há um problema momentâneo de logística, principalmente na ligação com o interior do Rio Grande do Sul. “Mas a ligação com os grandes centros através da BR-101 está normal, temos bastante arroz para deslocar para as regiões centrais do Brasil. Então não existe qualquer problema com relação ao abastecimento ou uma necessidade urgente de importação. O Brasil é um grande produtor de arroz, a área aumentou aqui no Rio Grande do Sul, assim como em outros Estados produtores. Então não existe motivo algum para termos qualquer alerta com relação a problemas de abastecimento com relação ao arroz”, avalia. Ele ainda ressalta que este momento é de auxiliar os produtores, deixar baixar as águas para poder chegar nas lavouras e, desta forma, poder calcular o tamanho real do prejuízo futuramente.

Para a Federarroz, o que já foi colhido tem condições plenas de abastecimento do mercado interno e não há necessidade de importação

Novo balanço contabiliza R$ 4,6 bilhões em prejuízos por enchentes no RS

Mais de 78% dos municípios gaúchos foram afetados por temporais

O total dos prejuízos, calculado pela CNM, foi informado pelos municípios, mas são parciais e estão sendo alterados pelos gestores locais à medida que o nível da água continue a baixar

Acompanhando os desdobramentos dos desastres naturais que atingem o Rio Grande do Sul, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) atualizou os dados com informações do cenário atual. O número de vítimas fatais subiu para 90 e já são mais de 78% dos municípios foram atingidos. Das 388 cidades afetadas, 336 tiveram, até o momento, a situação de anormalidade reconhecida pelos governos estadual e federal em estado de calamidade pública. Os prejuízos financeiros superam a estimativa de R$ 4,6 bilhões e já há o registro de 99,8 mil casas danificadas ou destruídas.

O total dos prejuízos foi informado pelos municípios, mas são parciais e estão sendo alterados pelos gestores locais à medida que o nível da água continue a baixar. “Desse valor, R$ 465,8 milhões são no setor público, R$ 756,5 milhões setor privado e a grande maioria dos prejuízos, por enquanto, referem-se ao setor habitacional, com R$ 3,4 bilhões”, destaca o levantamento atualizado pela confederação. Até agora, os principais setores privados afetados são a agricultura (R$ 435 milhões em perdas), pecuária (R$ 134,7 milhões em prejuízos), indústria (R$ 92 milhões) e comércios locais (R$ 37,5 milhões). Já entre os principais setores públicos afetados estão danos materiais em instalações públicas como escolas, hospitais, prefeituras (R$ 333,6 milhões em prejuízos), obras de infraestrutura, como pontes, estradas, calçamento e sistemas de drenagens urbanas (perdas de R$ 91,3 milhões) e sistema de transportes (R$ 8,4 milhões).

Mais de 78% dos municípios gaúchos foram afetados por temporais

RS: 90% das cidades em calamidade hoje enfrentaram emergências desde 2013

Ao todo, elas formam um grupo de 303 municípios e somam 953 decretos nesse período

Imagem de satélite mostra parte de Porto Alegre submersa por conta das fortes chuvas

Desastres ambientais em decorrência de chuvas vêm sendo recorrentes nos últimos anos na maioria dos 336 municípios do Rio Grande do Sul que tiveram o estado de calamidade pública decretado pelo governo federal por meio de portaria recente. Levantamento da Agência Lupa, ao qual o Portal AMANHÃ teve acesso, revela que 90,1% dessas cidades já decretaram alguma situação de emergência ou estado de calamidade devido às chuvas ou causas associadas entre 2013 e 2023, a exemplo de deslizamentos. Ao todo, elas formam um grupo de 303 municípios e somam 953 decretos nesse período. Desse número, 267 decretos foram publicados somente ano passado — cerca de 28%. Esse foi o maior volume de decretos emitidos da série histórica analisada. Em setembro do ano passado, as enchentes provocadas por um ciclone deixaram 54 mortos. Até então, esse tinha sido o pior desastre natural da história do Rio Grande do Sul. Isso aconteceu após uma queda nos números de decretos registrada entre os anos de 2018 e 2022.

Os dados extraídos do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, indicam também que o número de cidades atualmente em situação de emergência ou calamidade é ainda maior do que no ano passado: ao menos 395 municípios foram duramente atingidos pelas chuvas desde janeiro no Rio Grande do Sul e estão sob o efeito de decretos. Além dos 336 das atuais enchentes, entre janeiro e abril, 59 cidades já haviam decretado emergência por conta de tempestades. Para essa análise, foram considerados apenas tipologias de desastres provocados por chuvas e tipologias associadas, excluindo assim incêndios, estiagem, doenças infecciosas virais e infestações de animais. Vale lembrar ainda que alguns dos desastres notificados, como deslizamentos, podem ter outras causas. Os dados analisados incluem decretos de situação de emergência ou estado de calamidade pública. Ambos os cenários ocorrem após uma situação anormal provocada por um desastre. A diferença, de acordo com o Decreto 10.593, de dezembro de 2020, está no comprometimento da capacidade de resposta do poder público.

Em casos de situação de emergência, o comprometimento da capacidade de resposta do poder público é parcial. O município, neste caso, não necessariamente vai precisar de apoio estadual ou federal. Quando há um desastre de grande magnitude, que demande a adoção de medidas administrativas excepcionais para resposta e recuperação, adota-se o estado de calamidade pública. Nesta situação, “o comprometimento da capacidade de resposta do Poder Público do ente atingido é substancial”. Com a decisão, os municípios podem ter acesso a recursos federais de forma facilitada, fazer compras emergenciais sem licitação e ultrapassar as metas fiscais previstas para custear ações de combate à crise. Analisando a série histórica, é possível observar que o número de estados de calamidade pública decretados foi significativamente menor em comparação com os de situação de emergência: foram emitidos 65 decretos de calamidade, contrastando com os 882 decretos de situação de emergência. Esses números destacam a magnitude da tragédia que os gaúchos estão enfrentando atualmente: o total de cidades atualmente em calamidade pública (395) é cinco vezes maior do que a soma do registrado entre 2013 e 2023.

Ranking de municípios
A cidade de São Jerônimo, com cerca de 21 mil habitantes, lidera entre 2013 e 2023 o número de municípios que declararam situação de emergência ou estado de calamidade, totalizando 13 decretos (11 de emergência, um de calamidade pública e outro não identificado). Até a noite de segunda-feira (6), aproximadamente 4,8 mil pessoas estavam desalojadas, buscando abrigo com familiares ou amigos, enquanto outras 1 mil estavam desabrigadas devido às fortes chuvas, de acordo com a prefeitura local. O rio Jacuí estava 10,5 metros acima do seu nível e seguia baixando lentamente. Seis municípios aparecem empatados em segundo lugar, com nove decretos. São eles: Cachoeira do Sul, Cristal, Eldorado do Sul, São Gabriel, Soledade e Venâncio Aires. O prefeito de Eldorado do Sul, Ernani de Freitas Gonçalves, declarou que praticamente toda a cidade foi submersa pela água. A estimativa é de que entre 20 mil e 30 mil pessoas estejam desabrigadas. Ou seja, dos quase 40 mil habitantes, cerca de 75% foram atingidos. Já o prefeito de Venâncio Aires, Jarbas da Rosa, afirmou durante uma entrevista a uma rádio local que o cenário era de “destruição total” devido ao alto nível do rio Taquari. Em Soledade, município com quase 30 mil habitantes, as chuvas provocaram alagamentos, levando à perda de móveis, eletrodomésticos, além de danos estruturais em muitas casas. O mesmo ocorreu em São Gabriel, com 58,4 mil habitantes. Por lá, cerca de 400 residências foram atingidas e 1,7 mil pessoas tiveram as casas alagadas.

Situação atual
Autoridades e especialistas avaliam que o Rio Grande do Sul está enfrentando uma tragédia climática sem precedentes. O elevado volume de chuvas, combinado com fenômenos como correntes intensas de vento e a influência de um corredor de umidade proveniente da Amazônia, juntamente com um bloqueio atmosférico causado por ondas de calor, resultou em inundações e, até o começo da tarde desta quarta-feira (8), causou a perda de uma centena de vidas. O professor Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), disse recentemente, em entrevista ao site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que as chuvas no Rio Grande do Sul podem ser vistas como a materialização do aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos previstos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). “Não há dúvida que esse aumento de enchentes, essas chuvas muito torrenciais, são definitivamente associadas com as mudanças climáticas e a aceleração dessas mudanças no nosso planeta inteiro”, contextualizou.

Ao todo, elas formam um grupo de 303 municípios e somam 953 decretos nesse período

Novo balanço contabiliza R$ 4,6 bilhões em prejuízos por enchentes no RS

Mais de 78% dos municípios gaúchos foram afetados por temporais

O total dos prejuízos, calculado pela CNM, foi informado pelos municípios, mas são parciais e estão sendo alterados pelos gestores locais à medida que o nível da água continue a baixar

Acompanhando os desdobramentos dos desastres naturais que atingem o Rio Grande do Sul, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) atualizou os dados com informações do cenário atual. O número de vítimas fatais subiu para 90 e já são mais de 78% dos municípios foram atingidos. Das 388 cidades afetadas, 336 tiveram, até o momento, a situação de anormalidade reconhecida pelos governos estadual e federal em estado de calamidade pública. Os prejuízos financeiros superam a estimativa de R$ 4,6 bilhões e já há o registro de 99,8 mil casas danificadas ou destruídas.

O total dos prejuízos foi informado pelos municípios, mas são parciais e estão sendo alterados pelos gestores locais à medida que o nível da água continue a baixar. “Desse valor, R$ 465,8 milhões são no setor público, R$ 756,5 milhões setor privado e a grande maioria dos prejuízos, por enquanto, referem-se ao setor habitacional, com R$ 3,4 bilhões”, destaca o levantamento atualizado pela confederação. Até agora, os principais setores privados afetados são a agricultura (R$ 435 milhões em perdas), pecuária (R$ 134,7 milhões em prejuízos), indústria (R$ 92 milhões) e comércios locais (R$ 37,5 milhões). Já entre os principais setores públicos afetados estão danos materiais em instalações públicas como escolas, hospitais, prefeituras (R$ 333,6 milhões em prejuízos), obras de infraestrutura, como pontes, estradas, calçamento e sistemas de drenagens urbanas (perdas de R$ 91,3 milhões) e sistema de transportes (R$ 8,4 milhões).

Mais de 78% dos municípios gaúchos foram afetados por temporais

Estado e empresários discutem ações para a reconstrução do RS

O processo de restauração deve levar em consideração as novas realidades climáticas

Leite contextualizou a situação atual do Rio Grande do Sul, que conta com 401 municípios atingidos até o momento

A reconstrução do Rio Grande do Sul, etapa posterior ao salvamento de vidas nas enchentes que devastaram mais de 80% do Estado desde o fim de abril, foi tema de reunião híbrida convocada pelo governador Eduardo Leite e pelo vice Gabriel Souza na terça-feira (7). Com a presença de secretarias, instituições financeiras, entidades e empresários, foram apresentadas as ações que estão sendo feitas para preservar vidas e recuperar os setores produtivos do Rio Grande do Sul. O governador fez a abertura contextualizando a situação atual do Estado, que conta com 401 municípios atingidos, salientando, apesar de tudo, que os eventos ainda estão em andamento. Leite destacou a posição do governo em relação à segurança pública, assistência social, saúde e divulgação de informações, uma vez que circulam boatos que atrapalham o trabalho que está sendo desenvolvido.O chefe do Executivo estadual reforçou que está em contato com governadores de outros estados para pedir auxílio, em especial aos que fazem parte do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud).

A destinação das doações dos valores por Pix e o plano de reconstrução e seus desafios foram as pautas principais da reunião, pois devem exigir medidas extremamente excepcionais e que necessitarão do apoio da esfera federal. “Minha grande preocupação é dar ao Brasil a noção do que está acontecendo aqui”, disse Leite. O governador explicou que pretende estabelecer uma autoridade estadual de reconstrução, com caráter técnico e com uma estrutura dedicada. O projeto passará pelas etapas de assistência, restabelecimento e reconstrução, que focará na recuperação do Rio Grande do Sul, e de prevenção e resiliência climática, que formulará estratégias para que se possa prevenir e minimizar as emergências climáticas. O governador afirmou que os planos já estão sendo elaborados, com o auxílio das secretarias do Estado e entidades, para conduzir da melhor maneira o processo.

O titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Ernani Polo, iniciou sua fala agradecendo aos empreendedores, gaúchos e de outros estados, presentes na reunião por sua disponibilidade em colaborar com a reconstrução do Rio Grande do Sul. Também mencionou o setor da proteína animal, que está ajudando com alimentos e logística. “Precisamos que todas as esferas do poder público e da sociedade civil organizada se unam para enfrentar o momento difícil que estamos passando”, disse. Polo garantiu que será mantida a conversa com o setor produtivo para construir caminhos viáveis, tendo atenção aos aspectos fiscais e jurídicos durante o processo.

O Gabinete de Apoio ao Empreendedor, coordenado pela Sedec, já está levantando os impactos nas micro, pequenas e médias empresas para encaminhamentos das ações de apoio. A titular da Secretaria da Fazenda (Sefaz), Pricila Santana, informou que se reuniu com secretários de Fazenda de todo o país com o intuito de simplificar procedimentos e dar agilidade e capacidade de reação do setor produtivo gaúcho. Também está sendo feita, em coordenação com bancos gaúchos, a organização de oportunidades de recuperar as empresas debilitadas, preservando a sua segurança financeira. “Estamos sendo procurados por multinacionais, com fundos privados, que conseguirão disponibilizar crédito a taxas menores”, disse Pricila. A titular da Sefaz afirmou que nada será feito sem ouvir os empresários, pois é necessário entender onde estão os gargalos para agir de forma assertiva.

Os empresários que participaram da reunião foram unânimes em seus pedidos por cobranças ao governo federal pela liberação de verbas e postergação da dívida com a União. Em suas manifestações, também destacaram a cooperação e a solidariedade como fatores essenciais para enfrentar esta crise. O presidente do Transforma RS, Daniel Randon, ressaltou a união dos empresários com o poder público, salientando ser necessário um bom alinhamento, de forma sincronizada e sob a organização do governo, para recuperar o Estado. O empresário José Galló chamou a atenção para o fato de que o processo de reconstrução deve levar em consideração as novas realidades climáticas.

O empresário paulista, Luciano Luft, informou que o centro de doações em São Paulo já arrecadou toneladas de doações e que está recebendo ligações do Brasil de empreendedores querendo ajudar, mostrando a solidariedade do país com o Estado. O presidente da Cotrijal, Nei Mânica, disse que foi solicitado ao governo federal apoio ao campo e destacou que o povo gaúcho é um desbravador e que certamente vai conseguir reconstruir o que foi perdido. Leite encerrou a reunião explicando que o Estado terá dificuldades e que não será fácil fazer essa organização. O governador reforçou que o Rio Grande do Sul está em um período de urgência, operando com fatores críticos de sobrevivência, que demandam uma grande remobilização em vários setores econômicos e muitos recursos. “Precisaremos reerguer estradas, casas, vidas e, fundamentalmente, o futuro do Estado. No final desse processo, todos teremos orgulho do que fizemos”, disse o governador.

O processo de restauração deve levar em consideração as novas realidades climáticas

Produção e vendas de automóveis superam o patamar de 220 mil unidades

Anfavea teme os efeitos da calamidade no RS, que já estão afetando fábricas de veículos

Com o salto em abril, a produção acumulada no quadrimestre chegou a 760,1 mil unidades, 6,3% acima do mesmo período do ano anterior

O mês de abril fechou com patamares elevados de vendas e produção, comprovando a manutenção do ritmo de recuperação do mercado brasileiro. A produção de 222,1 mil unidades foi a melhor desde agosto do ano passado, período em que as vendas estavam elevadas em função da MP 1.175, programa de descontos oferecido pelo governo federal. Em 2023, só em três meses a produção superou a casa das 220 mil unidades. Com esse salto em abril, a produção acumulada no quadrimestre chegou a 760,1 mil unidades, 6,3% acima do mesmo período do ano anterior, de acordo com o balanço divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Na comparação com março, a produção subiu 13,5%. Já contra abril de 2023, a elevação foi de 24,2%.

As vendas internas em abril atingiram a marca de 220,8 mil veículos, alta de 17,6% sobre o mês anterior e de 37,4% sobre abril do ano passado. O acumulado do ano é de 735 mil unidades, volume 16,3% superior ao dos quatro primeiros meses de 2023. No ano passado, o patamar de 220 mil unidades só foi superado em julho, com estímulo do governo, e dezembro, tradicionalmente o mês mais aquecido de cada ano. O indicador que contrastou com esses bons resultados foi o das exportações. As 27,3 mil unidades embarcadas representaram queda de 16,4% em relação a março. No acumulado do ano, o volume de 109,6 unidades é 26% inferior ao do primeiro quadrimestre de 2023. A operação-padrão do Ibama, que há meses vem represando a liberação de licenças ambientais para veículos importados, também tem prejudicado as exportações na medida em que afeta a logística das rotas comerciais.

“Foi um mês bastante animador, sobretudo pela alta na produção, que começa a se beneficiar do aquecimento do mercado interno, mesmo com a elevada presença de produtos importados. Esperamos manter esse ritmo nos próximos meses, mas temos pela frente alguns pontos de alerta, como a redução do ritmo de queda dos juros e os efeitos da calamidade no Rio Grande do Sul, que já estão afetando fábricas de veículos, máquinas agrícolas e de importantes componentes usados por toda a cadeia automotiva”, afirmou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite.

Anfavea teme os efeitos da calamidade no RS, que já estão afetando fábricas de veículos

Wilson Lipski é nomeado como novo diretor-presidente da Sanepar

Claudio Stabile assumirá a secretaria da administração e da previdência

Lipski também presidiu o BRDE entre novembro de 2021 e fevereiro de 2023, além de ter sido superintendente do Paranacidade

O governador Carlos Massa Ratinho Junior anunciou) algumas mudanças na equipe de secretários estaduais e em outras estruturas, em função da desincompatibilização dos secretários que planejam disputar o pleito deste ano. As alterações estão no comando da Sanepar e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). As mudanças vão ocorrer durante o mês maio.

Ex-secretário da Fazenda, Renê Garcia Junior, que é doutor e mestre em economia e bacharel em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, além de bacharel em Economia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, vai para a diretoria financeira do BRDE. Na Fazenda, ele ajudou a implementar o Profisco II, programa de modernização da gestão fazendária, e apoiar o crescimento do superávit orçamentário. O cargo no banco, que bateu recorde de financiamentos em 2023, era ocupado por Wilson Bley Lipski, que agora assumirá a Sanepar. Formado em direito pela Universidade Católica do Paraná e pós-graduado pelo Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos em Direito Contemporâneo, Lipski também presidiu o BRDE entre novembro de 2021 e fevereiro de 2023, além de ter sido superintendente do Paranacidade, secretário estadual do desenvolvimento urbano e conselheiro da Agência de Fomento do Estado do Paraná.

Diretor-presidente da Sanepar, Claudio Stabile assumirá a secretaria da administração e da previdência (Seap). Ele presidia a companhia de saneamento desde janeiro de 2019. Formado em direito pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel e pós-graduado em sustentabilidade do território urbano paranaense na França, também possui especializações em direito administrativo e direito processual civil. Ele ainda foi presidente do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Cascavel e diretor administrativo-financeiro do Paranacidade. Na gestão de Stabile, a Sanepar foi reconhecida como a melhor companhia estadual de abastecimento do Brasil, com seguidas premiações no Trata Brasil, e recentemente no Global Waters Award, maior premiação do mundo do setor.

Claudio Stabile assumirá a secretaria da administração e da previdência

Entenda o que são eventos climáticos extremos e como eles estão mais frequentes

As chuvas e enchentes reforçam o alerta sobre a frequência desses fenômenos no Brasil

Os temporais que atingem o estado do Rio Grande do Sul desde o fim de abril já afetaram, até a manhã de terça-feira (7), cerca de 80% dos municípios

Os temporais que atingem o estado do Rio Grande do Sul desde o fim de abril já afetaram, até a manhã de terça-feira (7), cerca de 80% dos municípios, segundo boletim da Defesa Civil estadual. O balanço aponta ainda 90 mortes confirmadas decorrentes dos temporais e outros quatro óbitos em investigação. As chuvas e enchentes reforçam o alerta sobre a frequência dos eventos extremos no Brasil. Também percebidos nas ondas de calor acima do normal para algumas épocas do ano, que superam médias históricas, esses acontecimentos muitas vezes são alvos de dúvidas, peças desinformativas ou negacionismo nas redes. Em 2023, o Rio Grande do Sul já havia enfrentado em setembro a passagem de um ciclone extratropical que causou ao menos 50 mortes. No mesmo ano, em fevereiro, temporais no litoral norte de São Paulo destruíram casas e provocaram deslizamentos de terras. Ao todo, foram 65 mortes. Em 2022, Petrópolis (RJ) viveu sua maior tragédia em função das fortes chuvas que deixaram 4 mil desabrigados e 235 mortos. A Lupa levantou uma série de estudos e ouviu especialistas em geografia e climatologia para questionar se essas ocorrências estão relacionadas com as mudanças climáticas e esclarecer dúvidas sobre o que pode ser caracterizado como um evento climático extremo. Confira.

Afinal, o que é um evento climático extremo?
Um evento climático extremo é um fenômeno que ocorre em volume acentuado e fora dos níveis considerados normais. É preciso levar em consideração fatores como frequência e intensidade para analisar a extremidade de um evento climático, para que se diferencie, por exemplo, a ocorrência de chuvas normais e esperadas já previstas pelas médias climáticas. Essa concepção é defendida pelo Painel Internacional para Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), em relatório publicado em 2021. De acordo com o Observatório do Clima e Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os eventos climáticos e meteorológicos extremos, geralmente, são classificados como de origem hidrológica (inundações bruscas e graduais, alagamentos, enchentes, deslizamentos); geológicos ou geofísicos (processos erosivos, de movimentação de massa e deslizamentos resultantes de processos geológicos ou fenômenos geofísicos); meteorológicos (raios, ciclones tropicais e extratropicais, tornados e vendavais); e climatológicos (estiagem e seca, queimadas e incêndios florestais, chuvas de granizo, geadas e ondas de frio e de calor).

“Nos últimos 10, 20 anos a gente percebe no Brasil muitas catástrofes de massa, como as que ocorreram na região de serra do Rio de Janeiro, em São Sebastião, em São Paulo, no sul da Bahia, aqui em Recife em 2022”, relembra o professor Osvaldo Girão, do Programa de pós-graduação em geografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Então esses eventos geralmente estão dentro da questão do contexto climático, por exemplo, mas a questão é a intensidade”, reforça. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o ano de 2023 bateu recorde de ocorrências de desastres hidrológicos e geohídricos no Brasil. Foram 1.161 eventos de desastres, sendo 716 associados a eventos hidrológicos, como transbordamento de rios, e 445 de origem geológica, como deslizamentos de terra. Antes, 2022 e 2020 também registraram recordes pelo mesmo monitoramento, que aponta uma crescente.

O professor e pesquisador em climatologia Emerson Galvani, da Universidade de São Paulo (USP), também aponta que, nas últimas décadas, a frequência desses eventos passou a ser mais observada. “As chuvas estão ficando mais concentradas, embora os volumes totais anuais não apresentem tanta diferença. No litoral norte de São Paulo, em fevereiro do ano passado, a gente teve pluviômetros que registraram 590 milímetros em 24 horas. Então, o fato é que a elevação de temperatura do planeta tem produzido maior calor, maior energia no planeta e isso tem potencializado, sim, eventos extremos de precipitação e ondas de calor”, destaca o professor da USP.

Estudos apontam aumento de eventos climáticos extremos
A ocorrência de eventos climáticos no país tem sido tema de diversos estudos publicados em revistas científicas. Na USP, foi desenvolvida uma pesquisa que apontou o aumento de eventos climáticos extremos na região metropolitana de São Paulo. O estudo publicado em 2020 na revista Annals of the New York Academy of Sciences revela que houve um aumento significativo no volume total de chuvas. Entre 2001 e 2020, a região metropolitana de São Paulo teve 11 tempestades acima de 100 milímetros. A título de comparação, de 1941 a 2000, houve somente a ocorrência de dez eventos de chuva intensa com esse mesmo volume. “Episódios de chuvas mais fortes podem aumentar o risco de inundações frequentes e repentinas e deslizamentos de terra em áreas expostas, onde a população e as infraestruturas vulneráveis podem ser alocadas”, apontou o estudo.

Pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou também que as temperaturas estão cada vez mais altas na costa sudeste e sul do país. O estudo, que foi publicado na revista Scientific Reports em abril de 2023, analisou uma série histórica de dados de temperatura do ar observados nos últimos 40 anos em cinco regiões costeiras do país: Maranhão (em São Luís), Rio Grande do Norte (na capital Natal), Espírito Santo (em São Mateus), São Paulo (no município de Iguape) e Rio Grande do Sul (em Rio Grande). A pesquisa constatou que toda a costa brasileira já está sofrendo algum tipo de impacto das mudanças climáticas. As regiões Sul e Sudeste foram as que registraram maior mudança nas ocorrências diárias de extremos máximos de temperatura e das ondas de calor. Na análise das últimas quatro décadas, a ocorrência de eventos extremos de temperatura quase dobrou em São Paulo, dobrou no Rio Grande do Sul e quase triplicou no Espírito Santo.

O que é mudança climática?
Segundo o IPCC, as mudanças climáticas se referem a alterações no estado do clima que podem ser identificadas por alterações na média ou na variabilidade das suas propriedades e que persistem por um período prolongado, normalmente décadas ou mais. Ainda de acordo com o painel internacional, as alterações climáticas podem ser consequência de processos naturais internos ou a forças externas, mas também pela atuação do homem quando se trata da emissão de gases do efeito estufa, por exemplo. “As mudanças climáticas são mudanças nos parâmetros da atmosfera, principalmente temperatura e precipitação, mas envolvem também atributos de umidade, radiação solar, vento e pressão atmosférica, por exemplo”, pontua o professor Galvani, da USP. Para que um evento possa ser caracterizado também como mudança climática, é preciso que sua ocorrência tenha sido observada por, no mínimo, 30 anos. “A atmosfera apresenta variabilidade de ano para ano, tem ano que chove mais e tem ano que chove menos, isso é um processo natural. Mas quando a gente percebe que essa variabilidade é persistente para mais ou para menos em uma série longa de dados, de no mínimo 30 anos, aí podemos inferir que estão ocorrendo mudanças climáticas”, explica.

Ainda segundo Galvani, há um consenso científico que aponta que a Terra está passando por mudanças climáticas — ao contrário de peças desinformativas que dizem. “Existe um pequeno número de cientistas que ainda não convalida dessa leitura. A grande maioria faz parte do consenso de que há uma mudança climática em andamento, em especial por conta da elevação de temperatura, vide os últimos dados de temperatura média planetária que apresentaram um aumento significativo”, destaca. “Então, o consenso existe, a temperatura planetária está aumentando, sim”, reforça.

Qual a relação do El Niño com eventos extremos?
O El Niño é um sistema que se relaciona com o oceano e a atmosfera. Ou seja, é um momento em que o oceano pacífico equatorial está mais quente do que a condição média histórica. Dessa forma, quando as águas se aquecem, há um aumento da concentração de vapor de água na atmosfera, o que eleva a temperatura e a frequência de chuvas. O fenômeno se inicia na metade de um ano e se encerra no final do ano seguinte. No caso das enchentes de setembro de 2023 no Rio Grande do Sul, por exemplo, o professor Emerson Galvani, da USP, afirma que as inundações foram provocadas por uma combinação de fatores, entre eles o El Niño e a passagem do ciclone extratropical que provocou a elevação do nível do Rio Taquari (que afetou a região). Já nas enchentes que atingem o estado agora, resquícios do El Niño voltam a ser mencionados, desta vez agravando a onda de calor na região central do Brasil, que acaba por bloquear a passagem das frentes frias — que rapidamente chegam ao Sul — para a região Norte. São fenômenos que podem ser previstos, mas que em ambos os casos ocorreram com uma intensidade superior.

“Já existiam previsões, nós já sabemos que, em anos de El Niño, o Sul do Brasil, de modo geral, é mais úmido, mas a gente não consegue acertar exatamente a latitude e a longitude onde [o evento climático] vai ocorrer, que é um fenômeno de grandes proporções”, ressalta o professor da USP. Girão destaca ainda que a manifestação dessas ocorrências climáticas está se desenvolvendo de maneira mais intensa que a previsão. Além disso, como aponta o professor da UFPE, o fenômeno se manifesta de outras formas em outros estados do país. “Cientificamente, sabe-se que o El Niño causa estiagens na região Norte e Nordeste do Brasil, causa na região Centro-Oeste e Sudeste a formação de massa de ar quente e, historicamente, o El Niño tem sido um fator que agrava enchentes na região Sul”, enumera.

As chuvas e enchentes reforçam o alerta sobre a frequência desses fenômenos no Brasil

Governo gaúcho destina R$ 200 milhões em resposta à catástrofe climática

Estado também pediu apoio da Força Nacional para reforçar as forças de segurança

“Nesta primeira leva dos repasses Fundo a Fundo, serão 70 milhões de reais no total”, destacou Leite

Estratégias e processos desenvolvidos devido às enchentes de 2023 embasam as ações em resposta à catástrofe climática que atinge o Rio Grande do Sul. Isso foi reiterado pelo governador Eduardo na terça-feira (7), no Palácio Piratini, antes de anunciar a destinação, em um primeiro momento, de R$ 200 milhões em recursos emergenciais para o enfrentamento da crise atual. Leite destacou que é primordial agilizar o encaminhamento dos recursos. “Aprendemos muito com o episódio da enchente no Vale do Taquari no ano passado. Não pode haver burocracia. É preciso colocar o recurso na ponta logo, para que os municípios tenham capacidade de resposta”, afirmou. “Todos os municípios que estão decretando situação de emergência vão receber os valores. Nesta primeira leva dos repasses fundo a fundo, serão 70 milhões de reais no total, o que representa cerca de R$ 200 mil para cada cidade”, acrescentou o governador.

As verbas serão destinadas para reas como defesa civil, assistência social, saúde e infraestrutura. Serão R$ 70 milhões em repasses fundo a fundo aos municípios para ações emergenciais; R$ 50 milhões por meio do programa Volta por Cima, beneficiando 20 mil famílias inscritas no CadÚnico; R$ 10 milhões para hospitais atingidos e com necessidades emergenciais; R$ 40 milhões para recuperar e desobstruir estradas; e R$ 30 milhões em Aluguel Social, contemplando 75 mil famílias. O governo pediu apoio da Força Nacional, que enviará 400 integrantes e 120 viaturas, e anunciou a implementação do Programa Mais Efetivo, que visa reforçar as forças de segurança, a partir do emprego de militares inativos. A ideia é fortalecer o combate a práticas criminosas que se disseminaram durante a crise. O Executivo também está articulando com deputados e senadores do Rio Grande do Sul demandas para reconstrução do território gaúcho.

Estado também pediu apoio da Força Nacional para reforçar as forças de segurança

Febraban alerta para golpes na ajuda para vítimas das chuvas do RS

Doador deve checar detalhadamente dados de transações de Pix antes de concluir a transferência

Em suas primeiras ações e iniciativas, já foram contabilizados R$ 20 milhões em doações diretas da Febraban e dos bancos para auxiliar no socorro aos moradores

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta que criminosos estão aproveitando o movimento de solidariedade da população brasileira nas doações às vítimas das chuvas históricas que atingem o Rio Grande do Sul para aplicar golpes. A principal orientação é que, quando for fazer uma transferência com um número de chave Pix, o doador confira com muita atenção todos os dados do pagamento e se o beneficiário é realmente quem irá receber o dinheiro. A mesma orientação é válida para doações feitas por TED e boletos. Outra situação de golpe ocorre por meio de links falsos e da engenharia social, que usa técnicas para enganar o indivíduo para que ele forneça dados confidenciais, além de realizar transações financeiras para o golpista.

“Muitos criminosos estão aproveitando o momento de comoção pública para criar chaves Pix e pedir dinheiro para sua própria conta. Quando for doar, confira o nome do beneficiário, empresa ou ONG e esteja certo se eles estão realmente fazendo campanhas de ajuda às vítimas. Também é muito importante que o cliente não clique em links recebidos por aplicativos de mensagens, de redes sociais e em links patrocinados em sites de busca”, alerta José Gomes, diretor do comitê de prevenção a fraudes da Febraban. “A federação e seus bancos associados manifestam profundo pesar às vítimas e se solidarizam com as famílias atingidas pela catástrofe e se somam aos esforços das autoridades para o atendimento emergencial da população”, manifesta a Febraban por meio de nota. Em suas primeiras ações e iniciativas, já foram contabilizados R$ 20 milhões em doações diretas da Febraban e dos bancos (Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual, Banco do Brasil e Caixa) para auxiliar no socorro aos moradores. Os bancos também têm parcerias com entidades civis locais e estão mobilizando clientes e funcionários para doações às vítimas.

Doador deve checar detalhadamente dados de transações de Pix antes de concluir a transferência

Brasil vai importar arroz para evitar possível desabastecimento

Rio Grande do Sul é responsável por 70% da produção do grão no país

O Brasil produz cerca de 10,5 milhões de toneladas de arroz, sendo que entre 7 e 8 milhões vêm de produtores gaúchos

Para evitar uma possível escalada no preço arroz, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai comprar o produto já industrializado e empacotado no mercado internacional. A informação foi dada na terça-feira (7) pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Trata-se de um dos efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul, estado responsável por 70% da produção nacional de arroz. De acordo com o ministro, perdas na lavoura, em armazéns alagados e, principalmente, a dificuldade logística para escoar o produto, com rodovias interditadas, poderia criar uma situação de desabastecimento, elevando os preços no comércio. “O problema é que teremos perdas do que ainda está na lavoura, e algumas coisas que já estão nos armazéns, nos silos, que estão alagados. Além disso, a grande dificuldade é a infraestrutura logística de tirar do Rio Grande do Sul, neste momento, e levar para os centros consumidores”, explicou. Os recursos para a compra pblica de estoques de arroz empacotado serão viabilizados por meio da abertura de crédito extraordinário.

“Uma das medidas já está sendo preparada, uma medida provisória autorizando a Conab a fazer compras, na ordem de 1 milhão de toneladas, mas não é concorrer. A Conab não vai importar arroz e vender aos atacadistas, que são compradores dos produtos do agricultor. O primeiro momento é evitar desabastecimento”, acrescentou o ministro. A medida provisória depende da aprovação, pelo Congresso Nacional, de um decreto legislativo que reconhece a calamidade pública no Rio Grande do Sul e, com isso, suspende os limites fiscais impostos pela legislação para a ampliação do orçamento.

Na primeira etapa, o leilão de compra da Conab, uma empresa pública federal, será para 200 mil toneladas de arroz, que devem ser importados dos países vizinhos do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Paraguai, e eventualmente da Bolívia. “Se a gente for rápido na importação, a gente mantém [o preço] estável”, garantiu. O restante, até totalizar 1 milhão de toneladas, será importando conforme a avaliação de mercado. Essa cota ainda poderá ser elevada, se for necessário, assegurou o ministro. Fávaro explicou que a Conab só deverá revender o produto no mercado interno diretamente para pequenos mercados, nas periferias das cidades, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, para não afetar a relação dos produtores de arroz brasileiros com os atacadistas, que são seus principais clientes.

Em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia antecipado a informação de que o país poderia ter que importar arroz e feijão. No entanto, segundo o ministro Fávaro, apenas a importação de arroz será necessária. O Brasil produz cerca de 10,5 milhões de toneladas de arroz, sendo que entre 7 e 8 milhões vêm de produtores gaúchos. O consumo interno anual, de 12 milhões de toneladas, supera a produção nacional, e o país já costuma importar o grão todos os anos.

Com Agência Brasil

Rio Grande do Sul é responsável por 70% da produção do grão no país

BMW fabricará carros híbridos plug-in em Araquari

Utilitário esportivo X5 começará a ser produzido no último trimestre deste ano

Mais de 50 funcionários foram contratados para apoiar o aumento da produção na planta localizada em Santa Catarina

O BMW Group anunciou que vai eletrificar a planta de Araquari (SC) e expandir suas atividades de engenharia local. Após um recorde histórico de vendas de veículos eletrificados no ano passado, o BMW Group anuncia agora a produção local do BMW X5, o primeiro modelo híbrido plug-in a ser feito na América do Sul. O modelo se juntará ao BMW X1, BMW X3 e BMW X4, além do BMW Série 3, na produção de Araquari. A diferença entre um automóvel híbrido convencional e o plug-in é que o último permite recarregar as baterias também em tomada, o que garante melhor aproveitamento do sistema elétrico.

“O BMW Group está comprometido com o Brasil, o país líder em vendas para a marca BMW na América Latina. Em 2023, a BMW foi líder do segmento Premium no Brasil pelo quinto ano consecutivo, com 15.113 unidades vendidas. Agora, vamos subir a barra para continuar moldando o futuro da mobilidade premium, de forma eletrificada”, anunciou Reiner Braun, Presidente e CEO do BMW Group América Latina. “No BMW Group, a produção acompanha a demanda de mercado. No ano passado, a BMW alcançou um recorde de 25% de mix de vendas de modelos eletrificados no Brasil, e o BMW X5 foi o terceiro modelo mais vendido em toda a linha BMW, seguindo o BMW Série 3 e o BMW X1. Essa é uma das razões para anunciar agora a produção do BMW X5 Plug-in Hybrid no Brasil a partir do último trimestre deste ano”, detalha Braun.

“A planta Araquari possui uma linha de produção flexível e, portanto, está pronta para produzir modelos híbridos ou elétricos em um curto período, dependendo da demanda do mercado. Ela será a única a produzir modelos a combustão interna, híbrido plug-in e flex-fuel em toda a rede de produção do BMW Group. Este é um presente único para a planta, que celebrará seu décimo aniversário em outubro”, exalta Michael Nikolaides, head de production network e logística do BMW Group. Em dezembro, o BMW Group anunciou um aumento de 10% na produção na planta de Araquari a partir deste ano, com o objetivo de alcançar 11 mil unidades anuais. Além disso, a força de trabalho do BMW Group Brasil também aumentará em 5%. Mais de 50 funcionários foram contratados para apoiar o aumento da produção na planta localizada em Santa Catarina.

Investimentos em P&D
O BMW Group expandirá seu caminho estratégico em 2024, com investimentos em suas fábricas, produtos, serviços e nas atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do departamento de engenharia no Brasil, localizado em São Paulo e na planta de Araquari. “Os gastos globais com P&D alcançarão níveis mais altos em 2024 e terão um reflexo positivo no departamento de engenharia no Brasil. Entre outras atividades, o departamento de engenharia local agora tem a responsabilidade por desenvolver e homologar especificações de blindagem para a região América Latina, seguindo todos os padrões de engenharia internacionais do BMW Group”, conta Jochen Otterbach, head de veículos com proteção especial do BMW Group. “O BMW X1 Protection e o BMW iX1 Protection serão oferecidos em breve no Brasil. Alguns modelos novos também serão anunciados em breve e estarão disponíveis, incluindo mais modelos puramente elétricos”, completa.

Atualmente, o programa BMW Protection no Brasil oferece quatro modelos oficialmente homologados pela Engenharia Global da BMW, sendo o BMW Série 3 Protection, BMW X3 Protection, BMW iX3 Protection e BMW X5 PHEV Protection. Em breve, o BMW X1 Protection e o BMW iX1 Protection somarão seis modelos blindados, formando o maior portfólio de veículos blindados homologados no mercado local. A fábrica de Araquari e os escritórios nacionais em São Paulo são o lar do único departamento de engenharia global do Grupo BMW na América Latina, responsável por apoiar o desenvolvimento digital global e validar testes de qualidade. Testes de durabilidade de motores e seus componentes são realizados em todos os mercados da América Latina para apoiar as equipes de engenharia global. Além disso, alguns dos engenheiros são responsáveis por testar e validar todo o sistema de infotainment [sistema de comunicação sofisticado de direção inteligente e de entretenimento. São integrados por meio de diversas centrais de processamento e uma ou mais telas instaladas nos veículos] para os lançamentos mais recentes da BMW globalmente, como os modelos de alta gama BMW iX e BMW i7, além dos novos BMW X1 e BMW Série 3 produzidos na planta de Araquari.

Utilitário esportivo X5 começará a ser produzido no último trimestre deste ano

Cosud envia reforço para socorrer vítimas das chuvas no RS

Todo o estado está sob situação de calamidade pública

Um comboio de 15 caminhões partiu também de várias cidades paranaenses levando 190 toneladas de donativos

O Consórcio de Integração Sul Sudeste (Cosud), formado pelos sete estados das duas regiões, enviou reforços para socorrer vítimas das chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul. O estado está sob situação de calamidade pública. O Paraná mandou 34 bombeiros militares, nove viaturas, quatro embarcações do Batalhão da Polícia Militar de Operações Aéreas, um helicóptero Falcão 08, 30 policiais militares, sete viaturas do Batalhão de Choque Defesa Civil. Um comboio de 15 caminhões partiu também de várias cidades paranaenses, na segunda-feira (6), levando 800 colchões e kits dormitório, 1,5 mil caixas com copos d’água e 190 toneladas de donativos, incluindo alimentos não perecíveis, itens de higiene pessoal, materiais de limpeza, água e telhas arrecadados por meio da campanha SOS RS. Todos os quartéis do Corpo de Bombeiros estão recebendo donativos. Inclusive, uma aeronave do estado levou no domingo (5) bolsas de nutrição parental a crianças internadas em hospitais das cidades gaúchas de Santa Maria e Santiago.

O governo paulista deslocou uma equipe de 33 bombeiros militares e dois cães farejadores. O Comando de Aviação da Polícia Militar enviou oito pilotos, três mecânicos, dois médicos, dois enfermeiros e quatro tripulantes, além de três helicópteros Águia, oito viaturas e sete embarcações do Corpo de Bombeiros. A Defesa Civil paulista mandou um grupo de 16 técnicos e um geólogo. O Fundo Social de São Paulo juntamente com a Defesa Civil do estado iniciaram no último domingo uma campanha humanitária com objetivo arrecadar água potável, itens de higiene e limpeza para fornecer assistência às comunidades afetadas. As doações devem ser entregues no depósito do Fundo Social, localizado na Avenida Marechal Mário Guedes, 301, no bairro do Jaguaré na capital, das 8h às 17h.

O Rio de Janeiro mandou até o momento 64 bombeiros militares, um helicóptero AW169, bimotor, com capacidade de voo noturno, 15 embarcações (botes e barcos de alumínio), cinco viaturas, 200 materiais para salvamento em desastres como desencarceradores, cordas, entre outros equipamentos de socorro. Até segunda-feira (6), foram realizados mais de 70 resgates de pessoas com vida. A Polícia Civil enviou dez agentes do Serviço Aeropolicial da Coordenadoria de Recursos Especiais, um avião, equipado para operações noturnas; e uma equipe multidisciplinar com peritos papiloscopistas, bucomaxilo, entre outros profissionais, cedidos conforme necessidade e demanda solicitada.

O estado de Minas Gerais enviou 28 bombeiros militares, especializados em busca, salvamento em enchentes, inundações e grandes desastres, três viaturas de salvamento, um veículo apropriado para o transporte de dois cães de busca, um caminhão que transporta diversos materiais e equipamentos logísticos, três botes, uma motoaquática. O governo mineiro deslocou também para o Rio Grande do Sul um avião Cesna Caravan, com capacidade até nove passageiros e condições de fazer transporte de feridos em grandes distâncias, além de um helicóptero Esquilo, para resgates e transporte de feridos. Foram disponibilizados ainda quatro agentes da Defesa Civil do estado, dez militares, uma aeronave da Polícia Militar, uma viatura de apoio e uma carga de 750 colchões.

Com Agência Brasil

Todo o estado está sob situação de calamidade pública

BC suspende medidas contra devedores do Rio Grande do Sul por 90 dias

Inadimplentes com a instituição não irão para dívida ativa

Pessoas que moram no Rio Grande do Sul e empresas com sede no estado que estão inadimplentes com o Banco Central (BC) deixarão de ser incluídos na dívida ativa

Pessoas que moram no Rio Grande do Sul e empresas com sede no estado que estão inadimplentes com o Banco Central (BC) deixarão de ser incluídos na dívida ativa. O órgão suspendeu por 90 dias as medidas executivas contra devedores da instituição. Além de não irem para a dívida ativa, os devedores não receberão certidões de protesto nem terão ações judiciais de execuções fiscais ajuizadas. O BC explicou que a medida não atingirá os créditos da autarquia [recursos que a autoridade monetária tem direito a receber] com risco de prescrição.

Segundo o BC, ainda não é possível estimar a quantidade de devedores beneficiados nem o montante envolvido. Durante o período de suspensão, o órgão fará ações de controle e monitoramento que permitirão identificar os impactos da medida. A suspensão consta de portaria editada a ser editada nesta terça-feira (7) pelo Banco Central.

Com Agência Brasil

Inadimplentes com a instituição não irão para dívida ativa

Novo Porto Seco de Foz do Iguaçu dobrará movimentação de cargas na tríplice fronteira

Estrutura será construída pela catarinense Multilog com um aporte de R$ 500 milhões

“Este projeto do porto seco se une aos demais, dando mais agilidade aos processos logísticos, no desembaraço alfandegário, facilitando o transporte de produtos”, ressalta Ratinho Junior

O governador Carlos Massa Ratinho Junior participou nesta quinta-feira (2) do lançamento do projeto do novo Porto Seco de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, que deve dobrar e modernizar a movimentação de cargas na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. A estrutura será construída pela empresa catarinense Multilog, que venceu a licitação promovida pela Receita Federal e já é responsável pela operação do atual porto seco do município. Com investimento previsto de R$ 500 milhões, a nova unidade alfandegada será instalada em uma área de 550 mil metros quadrados, às margens da rodovia BR-277, fora da área urbana da cidade, e de fácil acesso à Perimetral Leste e à Ponte de Integração Brasil-Paraguai, obras do Governo do Estado, governo federal e Itaipu Binacional. O terminal terá uma infraestrutura mais ampla e robusta que a atual, facilitando o comércio entre os três países, além da previsão de gerar 3 mil empregos diretos e indiretos. “Este projeto do porto seco se une aos demais, dando mais agilidade aos processos logísticos, no desembaraço alfandegário, facilitando o transporte de produtos. Tudo isso potencializa a atração de investimentos ao município”, ressalta o governador.

Um dos principais operadores logísticos do Brasil, a Multilog administra desde 2016 o atual Porto Seco de Foz do Iguaçu, que foi construído nos anos 1980 e já está com sua capacidade de operação saturada. Porém, mesmo instalado no perímetro urbano do município, o terminal é o maior da América Latina em termos de movimentações de cargas terrestres. Somente em 2022, foram US$ 6,5 bilhões em cargas transportadas por 201,2 mil caminhões. “Foz do Iguaçu é muito estratégica para o comércio internacional da tríplice fronteira. A nova área será três vezes maior que a atual, já prevendo o crescimento da movimentação na região”, destaca o presidente da Multilog, Djalma Vilela. “Trabalhamos incluindo o cenário da nova ponte e da perimetral, que também são importantes para o fortalecimento do comércio internacional. Tanto que a obra deve ser finalizada de forma sincronizada com esses projetos, com a previsão de ser entregue no final de 2025”, prevê.

O projeto foi dividido em duas etapas – a primeira começa a ser executada ainda neste semestre, com investimento inicial de R$ 240 milhões. Esta fase inclui a área de pátio, de 197 mil metros quadrados, destinada aos caminhões. A parte de armazenagem e vistoria terá 7,2 mil metros quadrados de área coberta fechada, incluindo mais de 600 metros quadrados de câmara fria, com três docas exclusivas para o armazenamento de produtos que necessitam de temperaturas controladas. A estrutura também contará com equipamentos modernos, como balanças de elevada precisão e scanner de cargas. Em termos de segurança, serão instaladas câmeras avançadas para vigilância interna e externa. Haverá quatro portões de entrada de veículos e dois de saída, com uma entrada e saída para cargas especiais com altura e largura excedentes. Os acessos terão sistemas de pesagem e identificação de veículos totalmente automatizados.

Estrutura será construída pela catarinense Multilog com um aporte de R$ 500 milhões