Archives 2024

O diferencial da Tintas Renner é a proximidade

Comprometida com a oferta de produtos cada vez mais inovadores, a Tintas Renner acaba de anunciar seu novo produto no mercado de acabamentos: a tinta Frentes & Fachadas Elástica Fosco

Ainda esse ano, durante o segundo semestre, a marca fará sua tradicional divulgação da cor do ano para 2025

Uma marca que resiste ao tempo, renova-se constantemente e se faz presente em todo o estado, principalmente com sua tradição de produtos de qualidade e inovação. Essa é a Tintas Renner, presente na vida dos gaúchos há quase 100 anos – e uma das marcas mais lembradas pelo estado. Além da importante missão da empresa, outro fator que contribui fortemente para a alta lembrança é a estratégia de marketing da empresa, que tem como base a proximidade e parceria com os clientes, sempre visando fornecer as melhores soluções para lojistas e consumidores. “Entendemos que a tinta tem o poder de transformar os ambientes e, com isso, mudar o astral das pessoas. Por isso, nossas campanhas de marketing buscam levar nosso astral a todas as partes, através de pontos de venda, mídias, comunicações visuais e eventos”, explica Marcelo Diniz, diretor de negócios para tintas arquitetônicas América Latina e América Central da Tintas Renner.

Além de apoiar eventos tradicionais no Rio Grande do Sul, como o Acampamento Farroupilha e a Mostra Elite Design, a Tintas Renner fortalece o compromisso de melhorar o astral das cidades e da comunidade através do apoio à cultura, como à Casa de Cultura Mário Quintana e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul. Além disso, a marca coleciona diversas intervenções artísticas na cidade de Porto Alegre, como o mural Daiane dos Santos, o do DAER e diversos outros. Outra importante iniciativa que demonstra o compromisso da Tintas Renner com o desenvolvimento da cidade é o plantio de mudas de árvores na região metropolitana, que visa a rearborização nas cidades e a redução de carbono.

Outra decisão acertada no marketing da empresa foi o lançamento do podcast da Tintas Renner, o Papo Astral, lançado no começo do ano. Já com diversos episódios, que trazem a reflexão de que a cor tem o poder de influenciar as pessoas, o programa é uma iniciativa que aponta uma nova fase na comunicação da marca, com um olhar mais institucional e integrado em todos os pontos de contato com os clientes. “Nosso diferencial é a proximidade. Estar sempre perto para proteger e embelezar os ambientes, trazendo novidades, inovações e os melhores serviços. Os episódios do Papo Astral abordam temas que refletem positividade, alegria e leveza, buscando estreitar o relacionamento com o público e promover a mudança no astral das pessoas”, completa Diniz. O conteúdo de largada da iniciativa foi com a arquiteta e urbanista Jéssica de Carli, que falou sobre seu trabalho no Projeto Mosaico na Quebrada, que revitaliza favelas e bairros de Caxias do Sul com o objetivo de trazer “vida” para esses lugares. Os episódios estão disponíveis nas plataformas Youtube e Spotify. 

Inovação no mercado 

Comprometida com a oferta de produtos cada vez mais inovadores, a Tintas Renner acaba de anunciar seu novo produto no mercado de acabamentos: a tinta Frentes & Fachadas Elástica Fosco. Com uma elasticidade de 800%, ela oferece uma solução eficaz para prevenir trincas e fissuras, ideal para áreas externas devido à sua alta resistência ao sol, chuva e maresia, além de contar com qualidade impermeabilizante. Integrando-se à linha flexível da empresa, composta também por outras opções como o Semibrilho, Emborrachado e Selador Flexível, este lançamento promete contribuir fortemente para o reconhecimento do portfólio da Tintas Renner como uma verdadeira revolução no setor da construção civil.

Ainda esse ano, durante o segundo semestre, a marca fará sua tradicional divulgação da cor do ano para 2025. A definição da cor acontece em um workshop com especialistas mundiais conduzido pela PPG, que conta com representantes das cinco unidades de negócios. “Há uma peculiaridade na experiência de previsão da PPG, pois usamos uma abordagem baseada em fatos para identificar a direção da cor para mais superfícies do que qualquer empresa no mundo. Do automotivo ao arquitetônico; eletrônicos de consumo para o setor aeroespacial; industrial para produtos embalados, o benefício é que cada setor informa ao outro. Nossos estilistas de cores analisam com antecedência as cores, os estilos e as texturas comerciais e residenciais de exteriores e interiores e produzem insights para o setor de hotelaria para que arquitetos e construtores criem e projetem espaços luxuosos, confortáveis e impactantes. Nosso workshop anual de previsão é a culminância de meses de pesquisa e informações do cliente”, explica Diniz.

Em 2024, a cor do ano anunciada foi a Limitless (PPG1091-3), um tom fresco e quente que combina tanto o poder de uma cor primária quanto a essência de um neutro, inspirando possibilidades infinitas. O “tom de bege mel” oferece aplicações ilimitadas, podendo ser utilizado em qualquer ambiente para criar um visual atualizado e em tendência, complementando qualquer estilo de design. A cor Limitless e os demais produtos da Tintas Renner by PPG estão disponíveis em lojas especializadas em pintura, do segmento da construção civil e home centers do Brasil. 

Comprometida com a oferta de produtos cada vez mais inovadores, a Tintas Renner acaba de anunciar seu novo produto no mercado de acabamentos: a tinta Frentes & Fachadas Elástica Fosco

Intenção de consumo das famílias avança 1,3% em maio

Esse é o segundo resultado positivo consecutivo

O consumo vem sendo influenciado positivamente também pelo mercado de trabalho, que já avançou 1,6% no primeiro trimestre do ano

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 1,3% em maio, descontados os efeitos sazonais. Esse é o segundo resultado positivo consecutivo do índice, apurado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado nesta terça-feira (21). O indicador apresentou alta em todos os componentes. No comparativo com maio de 2023, o aumento foi 6,4%. A ICF está em 102,9 pontos, na zona de satisfação (em que se encontra desde agosto do ano passado). O índice que mede a satisfação dos consumidores em geral com o acesso ao crédito cresceu 2,2% no mês, impulsionado pelas quedas consecutivas da taxa Selic. Em maio, 31,4% dos entrevistados consideraram mais fácil o acesso ao crédito, o maior percentual desde abril de 2020.

A ICF aumentou em ambas as faixas de renda analisadas, com maior intensidade nas famílias com renda abaixo de dez salários mínimos (alta de 1,4%). Entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o aumento foi 0,7%. O mesmo movimento foi percebido no que diz respeito à satisfação com o acesso ao crédito, que aumentou de forma mais intensa (2,3% de alta) entre os consumidores com menores salários. O economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, explica que, com a taxa média de juros em queda desde outubro de 2023, os consumidores têm mais confiança para utilizar esse tipo de recurso em suas compras. Assim, o indicador que mede a avaliação do consumidor sobre como o momento se apresenta para a compra de bens duráveis foi o que mais subiu na variação anual: 18,1%. No mês, no entanto, o aumento foi 0,9% – este foi o menor crescimento entre todos os componentes da ICF. “Por serem produtos de grande valor agregado, a venda deles é mais influenciada pela oscilação do mercado de crédito”, avaliou Tavares.

De acordo com o economista-chefe da CNC, o consumo vem sendo influenciado positivamente também pelo mercado de trabalho, que já avançou 1,6% no primeiro trimestre do ano, acima do crescimento de 1,2%, observado no emprego formal no mesmo período de 2023. Em função disso, o indicador que mede a satisfação com o emprego atual avançou pelo segundo mês seguido (alta de 1,2%), mesma tendência vista no indicador perspectiva profissional (crescimento de 1,1%). Com o mercado de trabalho aquecido e acesso ao crédito mais fácil, as famílias avaliaram positivamente o nível de consumo atual, que foi o segundo indicador que mais subiu em maio (alta de 1,5%). Com o momento atual favorável, a perspectiva de consumo cresceu 1,1% no mês e 3,8% no ano, taxa melhor do que a apresentada em abril.

Com ABR

Esse é o segundo resultado positivo consecutivo

Base Aérea de Canoas recebe voos comerciais a partir de quarta-feira

Companhias já iniciaram venda de passagens

A Base Aérea de Canoas, administrada pela Força Aérea Brasileira (FAB), funcionará como aeroporto e receberá 35 voos semanais, a partir de quarta-feira

A Base Aérea de Canoas, administrada pela Força Aérea Brasileira (FAB), funcionará como aeroporto e receberá 35 voos semanais, a partir de quarta-feira (22). A medida emergencial servirá como alternativa ao Aeroporto Internacional Salgado Filho em Porto Alegre (RS), que está fechado por tempo indeterminado desde 6 de maio, após ter as instalações térreas e a pista de pouso e decolagem alagadas com a cheia do Guaíba. De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e o ministro da Secretaria Extraordinária da Presidência da República para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta, as companhias aéreas podem iniciar a venda de bilhetes a partir desta terça-feira (21).

“Na quarta-feira, a Base Aérea de Canoas está disponível para receber voos comerciais. Amanhã, as companhias aéreas vão iniciar as vendas de bilhetes para, a partir daí, começar os voos que, naturalmente, dependem da demanda que as [companhias] aéreas vão começar a receber.” Com este anúncio, a malha emergencial terá 134 voos para o acesso ao Rio Grande do Sul por semana, A primeira fase do plano de aviação foi anunciada com 116 voos comerciais semanais. “Com mais 6 mil [passageiros] que nós teremos em Canoas, vamos ter condições de atender, no primeiro momento, a 30 mil passageiros por semana”, estima o ministro da Secretaria Extraordinária, Paulo Pimenta.

De acordo com a CNN Brasil, os voos comerciais para a Base Aérea de Canoas começam na próxima segunda-feira (27). Nessa data, a Latam inicia os voos entre São Paulo e a cidade da região metropolitana. Como o embarque será em um shopping center, o passageiro terá de chegar até três horas antes do horário do voo para o check in. A Azul também voará entre as duas cidades, com início em 1º de junho. Nesse caso, Campinas será a origem do voo. A Gol também terá voos para Canoas, mas ainda não anunciou a data de início. Em entrevista na segunda-feira ao programa Roda Vida, da TVE, o governador Eduardo Leite informou que a Base Aérea de Canoas poderá passar a ter 12 voos diários dentro de algum tempo. Na mesma ocasião, Leite anunciou que o Aeroporto Internacional Salgado Filho somente voltará a operar dentro de cinco meses a partir da verificação das necessidades estruturais do terminal.

Voos emergenciais
Os aviões decolarão e pousarão em sete aeroportos de pequeno e médio porte no Rio Grande do Sul e mais dois em Santa Catarina. Veja a malha aérea emergencial a seguir.

Rio Grande do Sul
Aeroporto de Caxias do Sul: 39 voos semanais;

Aeroporto de Santo Ângelo: 6 voos semanais;

Aeroporto de Passo Fundo: 21 voos semanais;

Aeroporto de Pelotas: 6 voos semanais;

Aeroporto de Santa Maria: 3 voos semanais;

Aeroporto de Uruguaiana: 3 voos semanais;

Base Aérea de Canoas: 35 voos semanais.

Santa Catarina
Aeroporto de Florianópolis: 14 voos semanais;
Aeroporto de Jaguaruna: 7 voos semanais.

Com ABR

Companhias já iniciaram venda de passagens

Roca Sales estuda realocar cerca de 40% da população

Medida é necessária para aumentar segurança e evitar novas tragédias

Praticamente todo o centro de Roca Sales está em uma área alagável, próxima ao rio Taquari

A prefeitura de Roca Sales (RS), no Vale do Taquari, estuda propor a transferência de milhares de moradores e comerciantes da área central da cidade para outro ponto do território municipal menos sujeito aos efeitos adversos das chuvas, como enchentes, alagamentos e inundações. “Hoje, praticamente todo o centro da cidade está em uma área alagável, próxima ao rio Taquari […] Precisamos reconstruí-lo em um local com menor probabilidade de alagamentos, pois já deu para perceber que esses problemas vêm ocorrendo com cada vez mais frequência”, contou o secretário municipal de administração e coordenador da defesa civil municipal, Silvio Zart, referindo-se às cheias deste mês, as mais severas da história da cidade.

Segundo ele, todos os cerca de 10,4 mil habitantes foram, de alguma forma, prejudicados pela catástrofe socioambiental que, em todo o estado, afetou mais de 2,3 milhões de pessoas, causando ao menos 157 mortes e deixando 88 desaparecidos e 76.188 desabrigados – números contabilizados até o meio-dia de segunda-feira (20). Apenas em Roca Sales foram registradas dez mortes. Os reflexos das chuvas também comprometeram as obras que a prefeitura vinha realizando para reparar os danos das cheias de setembro de 2023, agravando os danos à infraestrutura local. De acordo com Zart, entre 3,5 mil e 4 mil pessoas moram ou trabalham na área central da cidade.

A realocação, ainda que complexa e desafiadora, é vista como uma medida crucial para dar segurança à população e evitar novas tragédias. “Pretendemos discutir isso com a população em geral e com as empresas afetadas. É um trabalho muito severo, mas que precisará ser feito porque é preciso ter em mente que, em apenas oito meses, algumas dessas áreas foram atingidas por ao menos três grandes cheias do Rio Taquari”, destacou Zart. Na última sexta-feira (17), o prefeito de Roca Sales, Amilton Fontana, e outros integrantes do poder executivo municipal apresentaram a alguns empresários locais uma primeira versão do projeto de transferir estabelecimentos para um local a cerca de quatro quilômetros de distância da região central. Segundo Fontana, a proposta de recriar o distrito industrial busca “oferecer um espaço seguro para a realocação ou instalação de empreendimentos de pequeno, médio e grande porte, de modo que estes possam prosseguir com as atividades que já desenvolvem no município”.

Ainda de acordo com Fontana, o novo ponto receberá toda a infraestrutura necessária para possibilitar os investimentos privados. “Hoje, o município não dispõe dos recursos [financeiros] necessários para custear sozinho toda esta empreitada, mas alguém vai ter de dar início a este trabalho que vai ser longo”, destacou Zart. “Acredito que muitas pessoas já estão conscientes da necessidade de uma medida semelhante. Até porque ninguém merece viver com essa apreensão ou passar por algo assim. Algo que, na cidade, ocorreu mais de uma vez em meses. O que indica que poderemos ter a quarta, a quinta cheia”, finalizou Zart.

Com ABR

Medida é necessária para aumentar segurança e evitar novas tragédias

CNM revela que 94% dos municípios já sofreram emergência ou calamidade

Pesquisa foi feita por confederação dos municípios entre 2013 e 2023

De acordo com o estudo, apenas as prefeituras somaram ao longo dos anos pesquisados um prejuízo de R$ 81 bilhões

Levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) apontou que 5.233 cidades brasileiras, o que corresponde a 94% das unidades federativas municipais, foram afetados pelo menos uma vez por eventos que resultaram em decreto de situação de emergência ou estado de calamidade pública, entre os anos de 2013 e 2023. O impacto nas populações desses locais foi de 2.667 mortes e os prejuízos somaram R$ 639,4 bilhões. O estudo foi um dos dados apresentados pelo presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, nesta segunda-feira (20), um dia antes da 25ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, quando gestores das cidades brasileiras se reúnem em Brasília para apresentar ao governo federal as demandas das cidades. Este ano, com o tema Pacto Federativo: um Olhar para a População Desprotegida, a mobilização política pretende tratar dos impactos dos extremos climáticos e a adaptação das cidades.

De acordo com o estudo, apenas as prefeituras somaram ao longo dos anos pesquisados um prejuízo de R$ 81 bilhões, em função desses eventos. Segundo Ziulkoski, esses nmeros não são condizentes com o repasse de recursos federais para ações de resposta e recuperação. “De tudo isso, o governo federal autorizou R$ 9,5 bilhões, nesses anúncios ao longo desses anos de todos os governos, e o que foi pago foi R$ 3 bilhões”, declarou. estudo também revela o número de moradias afetadas por desastres, que chegam a 2,6 milhões, sendo que desse total, 115 mil habitações foram totalmente destruídas, somando um prejuízo de R$ 36,2 bilhões em habitações. Para Ziulkoski, esses números também não condizem com as metas habitacionais apontadas pelos governos, que entre os anos de 2019 e 2023 descontinuou a faixa que atendia aos municípios com menos de 50 mil habitantes e que representam 83% dos que tiveram as moradias afetadas pelas emergências climáticas. “Estamos mostrando com transparência essa necessidade dos municípios brasileiros de se estruturarem com um mínimo de infraestrutura permanente”, reforça.

Com ABR

Pesquisa foi feita por confederação dos municípios entre 2013 e 2023

Perdas de empresas podem chegar a R$ 10 bilhões em razão das enchentes

Mapeamento preliminar da Fecomércio-RS também calcula perda de R$ 40 bilhões no PIB

Os prejuízos patrimoniais calculados contemplam estoque, maquinário, mobiliário, instalações, entre outros

Empresas gaúchas acumulam até R$ 10 bilhões em perdas de ativos em razão das enchentes que atingem o Rio Grande do Sul desde o fim de abril. Os valores são apontados em estudo preliminar realizado pela Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado (Fecomércio-RS). Os prejuízos patrimoniais calculados contemplam estoque, maquinário, mobiliário, instalações, entre outros. A entidade avalia ainda que a perda de PIB do Rio Grande do Sul decorrente das enchentes chegue a cerca de R$ 40 bilhões, ou, aproximadamente 5% do PIB anual. A avaliação da entidade traz dois recortes da crise enquanto às perdas. Em uma primeira análise, realizada com base em imagens de satélite, a entidade aponta que são cerca de 33 mil estabelecimentos diretamente afetados pelos alagamentos nos setores de comércio, serviços e indústria. A perda de ativos é calculada em R$ 5 bilhões. O levantamento não inclui micro e pequenas empresas que funcionam em domicílios residenciais, nem municípios que sofreram maior impacto de enxurrada do que de alagamentos.

Já em um segundo recorte, que considera o número de CNPJs, entre matrizes e filiais, concentrados nos 46 municípios em estado de calamidade pública, as perdas avaliadas são maiores. A Fecomércio-RS calcula que 10% dos 661.159 CNPJs ativos nessas cidades tenham sido diretamente afetados pelas enchentes. Seriam 66 mil estabelecimentos empresariais impactados (54,5 mil do comércio de bens e serviços). Nesse cenário, as perdas patrimoniais chegam a cerca de R$ 10 bilhões, sendo R$ 8 bilhões referentes a comércio e serviços. “É imprescindível estarmos embasados por dados que dimensionem o tamanho desta tragédia e seus impactos para pleitearmos ações efetivas em prol de mitigar os seus efeitos”, comenta o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. “Olhando pelo aspecto econômico, essas são empresas que fazem a nossa economia girar, que geram milhares de empregos e que precisam, mais que nunca, de apoio. Temos trabalhado, neste sentido, por diversas medidas junto às esferas municipais, estadual e federal. Elas objetivam que as organizações consigam sobreviver ao período em que estiverem com suas receitas interrompidas ou prejudicadas, e que, logo, possam retomar suas atividades”, completa.

A Fecomércio-RS ainda mostra que os 46 municípios que permanecem com calamidade pública decretada concentram 41,6% do PIB gaúcho total, 41,5% do PIB da indústria e 50,6% do PIB do setor de comércio e serviços gaúcho. Nessas cidades, estão 42,6% dos CNPJs ativos e 48,3% dos empregos. Empresas do setor de comércio e serviços são maioria e os estabelecimentos comerciais foram penalizados de forma acentuada em virtude do Dia das Mães, data comemorativa de tradicional incremento nas vendas. A federação chama atenção, ainda, ao fato de que, mesmo empresas que não tenham sido atingidas diretamente pela enchente, sentem diferentes impactos da crise. Algumas ficaram sem insumos essenciais, como água e energia elétrica, sem recursos humanos com casos de colaboradores afetados ou tiveram a logística para recebimento de matéria-prima, mercadorias ou prestação de serviços prejudicada devido aos problemas causados à infraestrutura. Outras tantas foram prejudicadas pela redução de demanda. Por esses motivos, a entidade estima a perda de PIB de cerca de R$ 40 bilhões.

Mapeamento preliminar da Fecomércio-RS também calcula perda de R$ 40 bilhões no PIB

Fruki passa a envasar água na nova fábrica de Paverama para atender o mercado gaúcho

Unidade permitirá uma capacidade adicional de água para capital, região metropolitana e o sul do estado

Com uma das fábricas mais modernas e tecnológicas da América Latina, a planta de Paverama aumentou em 50% a capacidade produtiva da Fruki

Com o cenário de desabastecimento de água se agravando nas regiões mais atingidas pelas enchentes, tanto pela alta demanda quanto pela dificuldade logística, a Fruki Bebidas antecipou o projeto de envase de água na nova fábrica de Paverama (RS), previsto para o segundo semestre do ano, para atender às atuais necessidades emergenciais dos mercados gaúchos. A iniciativa pode ampliar em até 1,4 milhão de litros por dia a disponibilidade de água destinada para venda, prioritariamente para a região metropolitana de Porto Alegre e região sul do estado. “Neste momento crítico, precisamos utilizar todos os recursos disponíveis para atender a população. Seguiremos com os esforços de doação, agora adicionado ao aumento de envase para venda. Estamos atentos aos desdobramentos das enchentes que seguem até Pelotas. Precisamos estar cada vez mais preparados”, ressalta Aline Eggers Bagatini, diretora-presidente da Fruki Bebidas.

Com uma das fábricas mais modernas e tecnológicas da América Latina, a planta de Paverama aumentou em 50% a capacidade produtiva da Fruki e está fora do epicentro das enchentes, o que facilita o escoamento dos produtos para o sul gaúcho. Entretanto, ainda há previsão de demora nas entregas com as precárias condições logísticas, tais como estradas e pontes afetadas e disponibilidade de caminhões para transporte. A fábrica de Lajeado seguirá dedicada ao envase de Água da Pedra, 24 horas por dia, sete dias por semana. Já Paverama tem capacidade de envasar de 20 mil a 52 mil garrafas PET por hora da água Flua, proveniente de Paverama. “Por enquanto, a nova fábrica não possui linha para envase de PET 5L. Encontramos a alternativa da embalagem PET 3L, legado da produção de refrigerantes Fruki, para darmos mais uma opção aos nossos clientes e consumidores neste momento”, explica Aline. A Fruki continuará atendendo à população gaúcha frente às enchentes conforme as condições internas e externas permitirem.

A Fruki Bebidas permanece realizando doações de água para abastecer caminhões pipa, também em parcerias através da Defesa Civil e da Corsan, em ambas as fábricas. Já foram mais de 15 milhões de litros de água. A cada dia que passa, são doados em média outros 1 milhão de litros. As doações para a região do Vale do Taquari, Porto Alegre e região metropolitana e região Sul do RS são destinadas exclusivamente para a hidratação da população vítima das enchentes.

Unidade permitirá uma capacidade adicional de água para capital, região metropolitana e o sul do estado

Google: Sites atingidos por atualização podem apresentar recuperação na próxima atualização

Há um vislumbre de esperança para os proprietários de sites que foram impactados negativamente pela atualização de conteúdo útil do Google em setembro de 2023. John Mueller, representante de pesquisa do Google, revelou recentemente que a equipe está explorando ativamente maneiras de melhorar as classificações de pesquisa de sites que comprovadamente melhoraram a utilidade de […]Há um vislumbre de esperança para os proprietários de sites que foram impactados negativamente pela atualização de conteúdo útil do Google em setembro de 2023. John Mueller, representante de pesquisa do Google, revelou recentemente que a equipe está explorando ativamente maneiras de melhorar as classificações de pesquisa de sites que comprovadamente melhoraram a utilidade de […]

Desastre no RS paralisa algumas montadoras

A paralisação ocorre devido ao impacto na produção causado pelos alagamentos no Sul

A Volkswagen colocou em férias coletivas de dez dias funcionários das fábricas de São Paulo

A Volkswagen colocou nesta segunda-feira (20) em férias coletivas de dez dias funcionários das fábricas da Anchieta, de São Bernardo do Campo (SP), Taubaté (SP) e São Carlos (SP). Segundo a empresa, a paralisação ocorre devido ao impacto na produção causado pelos alagamentos no Rio Grande do Sul. “Alguns fornecedores de peças da Volkswagen do Brasil, com fábricas instaladas no estado, estão impossibilitados de produzir nesse momento”, informa a montadora em comunicado. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, a medida inclui quatro mil trabalhadores ligados à produção. A Volks conta com 49 fornecedores no Rio Grande do Sul. “O sindicato entende o momento e lamenta a situação no estado do Rio Grande do Sul. Vamos monitorar, já que nosso acordo coletivo de garantia de emprego prevê formas de flexibilidade para superar momentos de dificuldades na produção, assim como este. Se necessário for, poderá ser discutida a implementação de alguma dessas medidas”, disse o diretor executivo do sindicato, Luiz Carlos da Silva Dias.

Ele afirmou, também, que os trabalhadores estão engajados em campanhas para ajudar as vítimas das enchentes e [a entidade] acompanha diariamente a evolução da situação. “Nossa categoria já se mostrou bastante solidária neste e em outros momentos. É importante que o pessoal continue doando para enviarmos uma nova remessa de donativos [ao Sul do país]”, afirmou. Além da Volkswagen, a Mercedes, que tem 39 fornecedores no Rio Grande do Sul, fez uma parada de dois dias (9 e 10 de maio). Já a Scania, com 20 fornecedores no Rio Grande do Sul, não parou.

Com ABR

A paralisação ocorre devido ao impacto na produção causado pelos alagamentos no Sul

RS requererá linha de crédito do BNDES para reconstrução

Banco administra o Fundo Clima, mantido com recursos da União, para financiar a transição climática no país

Os bancos de desenvolvimento também terão que enfrentar com outras realidades dos eventos climáticos extremos como lidar com os efeitos dos refugiados climáticos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terá de criar linhas de crédito especiais para perdas e danos provocados pelas mudanças climáticas, segundo afirmou o diretor de Planejamento e estruturação de projetos, Nelson Barbosa. Durante evento global sobre financiamento climático, que reuniu representantes de bancos de desenvolvimento e representantes de governos do G20, ele defendeu linha de crédito para reconstrução do Rio Grande do Sul.

“Nesse momento, a gente enfrenta um novo desafio devido aos eventos climáticos do Rio Grande do Sul, que irão requerer uma linha de crédito especial para reconstrução. Já temos linhas para mitigação e para adaptação, agora temos de pensar também em linhas para cuidar de perdas e danos”, destacou o diretor do banco. Ele afirmou que, com a nova realidade, os bancos de desenvolvimento também terão que enfrentar com outras realidades dos eventos climáticos extremos como lidar com os efeitos dos refugiados climáticos. “O volume dos recursos envolvidos e o prazo necessário tornam inevitáveis uma participação mais direta do governo”, disse Barbosa.

Ele ainda lembrou que o BNDES já administra o Fundo Clima, mantido com recursos da União, para financiar a transição climática no país, com juros subsidiados. Hoje o fundo conta com US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões). De acordo com a secretária de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, o montante necessário para lidar com as mudanças climáticas já vem sendo discutido há anos. “Sabemos que teremos de ir de bilhões para trilhões. O diagnóstico é muito claro, temos de avançar nas melhores formas de lidar com o compartilhamento de riscos e na conexão de diferentes instituições, locais ou globais, nacionais ou subnacionais, e reunir recursos públicos e privados para atingir a escala que necessitamos”, projeta.

Com ABR 

Banco administra o Fundo Clima, mantido com recursos da União, para financiar a transição climática no país

Aeroporto Salgado Filho não deve operar antes de setembro

A Fraport pedirá mais três meses de interdição das operações aéreas no terminal

O aeroporto foi fechado em 3 de maio, após as chuvas intensas que caíram na região

A Fraport, concessionária que administra o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, deverá pedir mais três meses de interdição das operações aéreas no terminal. Com isso, o aeroporto só reabriria em setembro. A razão é o alagamento do terminal e da pista. O aeroporto foi fechado em 3 de maio, após as chuvas intensas que caíram na região. A concessionária, no entanto, afirma que as operações seguem suspensas por tempo indeterminado, ainda sendo válido o Notam [sistema de mensagem que divulga alterações e restrições de aeroportos no país] com data de 30 de maio.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também determinou a suspensão da comercialização de passagens aéreas para voos de origem e destino ao Salgado Filho. Em nota enviada ao Portal AMANHÃ, a Anac confirma a informação. “A fim de resguardar os interesses dos usuários do transporte aéreo, a Anac determinou a suspensão imediata da comercialização de passagens aéreas para voos com origem e destino no aeroporto de Porto Alegre. A proibição da comercialização de passagens, que vigorará até nova avaliação pela Agência, abrange todos os canais de comercialização, inclusive sistemas que disponibilizem vendas por terceiros, como agências de viagem e outros intermediários que possam comercializar os bilhetes”, destaca a agência em seu comunicado.

Aeroportos regionais são opção para voos comerciais
Com o fechamento do Salgado Filho, os aeroportos regionais começaram a receber novos voos comerciais. O objetivo é diminuir o impacto do fechamento do terminal localizado na capital. Entre os terminais que receberão novos voos estão Passo Fundo (16 novos voos semanais), Santo Ângelo (dois), Pelotas (cinco), Uruguaiana (três novas rotas), Caxias do Sul (25 voos semanais) e Santa Maria (dois). Desde o começo das enxurradas que vêm atingindo o Rio Grande do Sul, o segundo maior terminal do interior, o Aeroporto Lauro Kurtz, de Passo Fundo, está servindo de base para reabastecimento de aeronaves que estão atuando nas ações de resgate. O terminal transformou-se em uma importante ligação aérea do estado com São Paulo, por exemplo. Os demais aeroportos administrados pela Secretaria de Logística e Transportes (Torres, Capão da Canoa, Canela, Erechim, Carazinho e Rio Grande) estão operando normalmente. O de Rio Grande, que estava fechado para obras, foi reaberto em 10 de maio.

A Fraport pedirá mais três meses de interdição das operações aéreas no terminal

Chuvas em Santa Catarina obrigam 925 pessoas a abandonar casas

Pelo menos 24 cidades foram afetadas pelo mau tempo

Cidade mais atingida, Rio do Sul, no Vale do Itajaí, registrava 483 desabrigados até domingo

As fortes chuvas que atingiram Santa Catarina a partir da última sexta-feira (17) causaram transtornos em ao menos 24 cidades do estado. Até o fim da tarde de domingo (19), os municípios já contabilizavam 117 pessoas desalojadas e 654 desabrigadas, totalizando 771 deslocados pelas inundações e deslizamentos, número que sobe automaticamente para 925 afetados se somados os 154 desalojados pelas chuvas em São João do Sul entre os dias 11 e 13 de maio. Cidade mais atingida, Rio do Sul, no Vale do Itajaí, registrava 483 desabrigados até domingo. No município, o nível do Rio Itajaí Açu atingiu 8,97 metros de profundidade, chegando a transbordar e causar enchentes em alguns bairros. No município também houve pontos de alagamento. Segundo a defesa civil de Rio do Sul, o volume de chuvas que atingiu a cidade no último sábado é o maior registrado desde julho de 2016, quando foi inaugurado o sensor que mede os níveis do rio e de precipitação pluviométrica. Os estragos motivaram a prefeitura a decretar situação de emergência municipal.

“O volume que caiu foi muito acima do que se previa anteriormente, que variava entre 80 e 120 milímetros entre sexta-feira e sábado. Foram 152,2 milímetros de chuva, superando o então recorde que foi em 4 de maio de 2022, com 99,8 milímetros”, informou a defesa civil, em nota em que calcula que, nos últimos dias, o acumulado das chuvas chegou a 167 milímetros. Além de Rio do Sul, outras sete cidades catarinenses que enfrentam as consequências das chuvas decretaram situação de emergência. São elas Araranguá, Balneário Gaivota, Jacinto Machado, Maracajá, Passo de Torres, São João do Sul e Sombrio. Ao longo do domingo, a chuva foi gradualmente diminuindo nas principais áreas atingidas, mas uma massa de ar frio manteve as temperaturas baixas em boa parte de Santa Catarina. Segundo a Defesa Civil estadual, as condições devem continuar se estabilizando a partir desta segunda-feira (20), com uma moderada alta na temperatura a partir da tarde. Contudo, há risco moderado para ocorrências associadas à agitação marítima, com possíveis rajadas de vento de até 50 quilômetros por hora atingindo o litoral sul e a Grande Florianópolis, deixando o mar agitado.

Com ABR 

Pelo menos 24 cidades foram afetadas pelo mau tempo

RS construirá cidades temporárias para acolher vítimas das enchentes

Áreas serão montadas nos quatro municípios com mais desabrigados

As cidades temporárias serão instaladas na capital gaúcha, em Canoas (foto), São Leopoldo e Guaíba, municípios que concentram cerca de 70% dos desabrigados do estado

O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, apresentou nesta sexta-feira (17) uma proposta de criação de cidades temporárias nos municípios da região metropolitana de Porto Alegre. Elas serão instaladas na capital gaúcha, em Canoas, São Leopoldo e Guaíba, municípios que concentram cerca de 70% dos desabrigados do estado. O último balanço divulgado pela Defesa Civil estadual indica que aproximadamente 80 mil pessoas estão em abrigos. Souza será o coordenador das ações emergenciais. “São locais para que, durante algum tempo, as pessoas possam estar albergadas com mais conforto e dignidade. A estrutura contará com administração, almoxarifado, postos de saúde, brinquedoteca, espaço para animais de estimação, chuveiros, banheiros, triagem de quem entra e sai, além de assistência social,” explicou o vice-governador.

As áreas de instalação das cidades temporárias em cada município estão sendo avaliadas em conjunto com as prefeituras. Pela proposta inicial, serão montadas no Complexo Cultural do Porto Seco, em Porto Alegre; no Centro Olímpico em Canoas; e no Centro de Eventos em São Leopoldo. Ainda não foi definido o espaço a ser utilizado em Guaíba, de acordo com o governo do estado. As estruturas terão capacidade para acomodar de 900 a 1 mil pessoas. A montagem terá duração de 15 a 20 dias, com previsão de início cinco dias após a assinatura do contrato com o fornecedor. O governo do estado também planeja oferecer aluguel social e criar abrigos temporários com o apoio de instituições internacionais com experiência em desastres, além de áreas com casas definitivas.

Com ABR 

Áreas serão montadas nos quatro municípios com mais desabrigados

RS precisa fazer estudos de riscos antes de projetos de novas obras

Reconstrução deve levar em conta eventos extremos

Para especialistas, é preciso ter uma avaliação preliminar de perigo de destruição, justamente para verificar a capacidade de suportar eventos extremos

A reconstrução do Rio Grande do Sul, que sofre sérios danos em consequência das fortes chuvas que atingem o estado desde o fim de abril, terá de ser feita com base nas projeções para o futuro climático. Construções antigas que desabaram ou foram arrastadas pela quantidade e intensidade das águas, como diversas pontes e estradas, não atendiam ao nível de resiliência necessários, na atualidade, diante das mudanças climáticas que provocam os eventos extremos. Especialistas argumentam que, agora, as obras de reconstrução precisam levar em consideração a tendência de eventos extremos, cada vez mais frequentes. Aí se inclui os estudos de engenharia para definir o planejamento urbano das cidades.

Para o professor de recursos hídricos da Coppe/UFRJ Paulo Canedo, as soluções que serão dadas para tornar as cidades mais resistentes vão depender de local para local. “Por exemplo, tem pontes que foram levadas e devem ser reconstruídas. Determinadas pontes já estavam mal alocadas, já estavam baixas ou com alicerces em zona de risco. Não se trata de refazê-las tais quais estavam há pouco dias. Elas têm de ser refeitas pensando que eu população, eu governo, fiz errado há 20 anos atrás, e agora não vou refazer com o mesmo erro. Vou corrigir. Outra coisa, é que muitas vezes a pressa em fazer desenvolvimento econômico e social leva a medidas que não tornam resiliente a região para o problema de inundação. Com muita facilidade o ser humano invade terras que pertencem às águas para o seu uso”, explica.

“Se sabemos que erramos, está na hora de agora em diante começar a corrigir e tomar novas atitudes, portanto, respeitar as áreas não apropriadas para intensificar moradias ou estradas. As construções devem ser evitadas para não repetirmos o mesmo erro”, reforça Canedo. Na visão do especialista, a tragédia de agora mostrou as diferenças entre as chuvas que caem desde abril com as de 1941, quando o estado sofreu outra inundação intensa. “A chuva [agora] foi extraordinariamente grande. Se comparar com a década de 1940, o progresso no Rio Grande do Sul era muito menor, a quantidade de habitantes era muito menor, portanto, a impermeabilização do solo era muito menor. O que significa dizer que uma mesma chuva caindo hoje já daria danos de inundação muito maiores. Na etapa de reconstrução se deve ter em mente a ocupação do solo e a capacidade de sua impermeabilização para impedir danos causados pelas enxurradas”, recomenda.

O engenheiro civil especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Leandro Torres di Gregório defende a importância de se fazer estudos antes da formulação de projetos de construção. Para ele, é preciso ter uma avaliação preliminar de perigo de destruição, justamente para verificar a capacidade de suportar eventos extremos. Segundo Gregório, como nesse caso a inundação é a principal ameaça, se faz um estudo que mostra como ficam em diferentes cenários de chuva, os reflexos em termos de inundações. “Esse é um primeiro ponto. O estudo do perigo visa entender como a ameaça se distribui no território e qual a magnitude. No caso de inundação, qual a altura da lâmina d’água ou coisas assim. Na medida que se tem o estudo, se começa a montar diferentes cenários de obras que possam amenizar as inundações. Depois do estudo do perigo, se começa a montar obras de engenharia ainda em fase de planejamento e se simula como seria com o novo cenário de inundações para ver quais as áreas que deixaram se ser inundadas, ou as que tiveram inundação reduzida. Assim vai se compondo uma série de medidas com a finalidade de mitigar o efeito das inundações”, explicou.

O especialista destacou que nenhuma solução de engenharia atende todo e qualquer caso, e sempre existe o que se chama de risco residual. “Sempre existem cenários para os quais aquela obra não é suficiente e, nesse caso, tem de completar com medidas de desocupação emergencial, monitoramento e alerta”, destaca. Conforme o professor da Escola Politécnica da UFRJ, esse é o exemplo da obra dos diques no Guaíba que não resistiram às enchentes, além das bombas que estavam instaladas em locais que foram alagados e por isso não funcionaram para a redução do nível das águas. De acordo com o professor, no caso dos diques um fator que contribuiu para o não funcionamento previsto foi a falta de manutenção. “No fim das contas não é só um problema de ter a obra de engenharia, tem de ter também a manutenção adequada, porque em uma obra como esta daí se a manutenção falhar, aquele componente não desempenha o papel que deveria ter”, avalia. Outra medida apontada por ele é a remoção de moradores de áreas onde as inundações são recorrentes. “Há situações em que a realocação permanente pode ser necessária. Isso acontece, normalmente, em circunstâncias de frequência muito alta de inundações, onde a pessoa mora em um lugar que a qualquer momento pode ter um problema”, exemplifica.

Cidade esponja
Os projetos de “cidade esponja” têm se espalhado pelo mundo como forma de construir áreas com capacidade de absorver a água em casos de inundação. A ação dos reservatórios retarda a vazão da água e evita sobrecarregar os alagamentos nas ruas. Em Nova York e em cidades da Holanda já existem projetos desse tipo, que funcionam com base nas bacias hidrográficas da região. “Ele [reservatório] segura a água do lote e joga no sistema público no momento posterior em que ela cai. É um reservatório de detenção que visa desencontrar os momentos de pico de vazão. É uma solução que ajuda na medida em que a água que cai ali na cidade não vai imediatamente para as galerias. Tem um retardo. Pode ser em piscinões ou em áreas muito maiores que podem funcionar como parques”, esclarece Gregório.

Segundo ele, esse tipo de projeto pode dar bom resultado no Rio Grande do Sul. “Quando a gente fala de inundação, não é um problema apenas de uma cidade. É uma abordagem da bacia inteira. Devem existir os comitês de bacia hidrográfica que têm essa missão de acompanhar e sugerir soluções em uma escala de bacia hidrográfica. Tem de pensar no todo”, ressalta. “O conceito de “cidade esponja” não tem de ser aplicado em uma cidade só, mas a todas que compõem a bacia. Nesse caso, é o governo do estado que é o agente integrador. Quando um recurso hídrico cruza mais de um município a governança é do estado. Se cruza mais de um estado, já tem atuação do governo federal. O papel do estado é muito importante para reunir os atores necessários e fazer o planejamento integrado da bacia para um não prejudicar o outro na hora de executar as obras”, sugere.

Com ABR 

Reconstrução deve levar em conta eventos extremos

Somos o que podemos ter

As perdas materiais, nas enxurradas gaúchas, também são de vidas

As “coisas” reúnem nossa identidade – passado, presente e futuro –, lugares a qual pertencemos e pessoas com as quais nos relacionamos

Em meio a uma das transmissões ao vivo das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul na primeira metade de maio, o jornalista Luciano Potter, da Rádio Gaúcha, fez um comentário preciso. Ao ver a imagem de carros tombados nas margens de uma estrada do interior, ele lembrou que, a todo tempo, falava-se que a prioridade era salvar vidas, em detrimento de casas, veículos, estabelecimentos e objetos. “Mas quanta vida existe em cada uma dessas coisas?!” lembrou ele. Com toda razão. As “coisas” reúnem nossa identidade – passado, presente e futuro –, lugares a qual pertencemos e pessoas com as quais nos relacionamos. Refletem nossos esforços, preferências, origens, heranças e lembranças, e, uma vez perdidas, levam consigo todos esses atributos. Mesmo que seu proprietário sobreviva, uma parte dele morre com elas.

Daí que a reação à campanha publicitária do novo iPad tenha despertado tanta antipatia. Nela, uma prensa destri uma montanha de objetos analógicos, como instrumentos musicais, máquinas fotográficas, livros e latas de tinta, para indicar que, de agora, em diante, são dispensáveis: todas as suas funções estão reunidas no gadget da Apple (assista aqui). A peça parece ter mexido com os brios saudosistas de muita gente que vem questionando o excesso de utilização de eletrônicos e supervalorizando o que não esteja conectado à internet ou dependa de eletrônica sofisticada para funcionar. Além de, a meu ver, não representar exatamente aquilo a que a Apple se propunha: todos os objetos deveriam entrar no iPad, incorporando-se a ele, e não ser prensados até se fundirem no aparelho.

E de guardar uma certa arrogância, também. Em meio à catástrofe gaúcha, energia elétrica e sinal de internet tornaram-se escassos. Já a necessidade de se manter informado sobre previsão do tempo, existência de abrigos e iniciativas de voluntários não cessou, evidentemente. A solução? Rádios de pilha, arrecadados e distribuídos entre os refugiados climáticos por uma universidade de Santa Cruz do Sul como inquestionável “item de segurança”. E, possivelmente, a maior companhia que muitos terão nos próximos meses, enquanto reconstroem suas coisas – isto é, suas vidas.

As perdas materiais, nas enxurradas gaúchas, também são de vidas