Archives Novembro 2024

Curitiba está entre as quatro cidades mais valorizadas no mercado imobiliário de luxo

Capital atrai investidores por inovação, qualidade de vida e grandes áreas verdes

A chegada a Curitiba da Embraed acompanha o momento de crescimento do mercado imobiliário local

Curitiba está entre as quatro cidades em que o valor médio de venda do metro quadrado de imóveis de luxo superou R$ 20 mil, indicando uma demanda robusta por imóveis de alto padrão. O setor de imóveis de luxo representou, em média, 28% do Valor Geral de Vendas (VGV) nas 10 maiores cidades do país, segundo levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). Em VGV a capital paranaense sobe para a terceira posição, perdendo apenas para Belo Horizonte e Brasília. As regiões que mais atraem investidores de luxo são aquelas com vista para os parques e áreas verdes da cidade.

Esses dados motivam o investimento no setor da construção civil. A chegada a Curitiba da Embraed acompanha o momento de crescimento do mercado imobiliário local, cujas vendas de imóveis foram a maior dos últimos três anos no acumulado do primeiro semestre de 2024, segundo dados do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), integrante do Sistema (Secovi-PR). O índice tem como base o montante arrecadado com as guias de ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) no período, que apresentou crescimento de 17,1% e somou cerca de R$ 282,5 milhões, no comparativo com 2023. Os anos recentes também foram de avanços significativos para a Embraed, que triplicou seu faturamento para mais de R$ 600 milhões e lançou R$ 4 bilhões em VGV nos últimos três anos. O ticket médio dos imóveis da marca também cresceu, passando de R$ 2,5 milhões para R$ 5,6 milhões desde 2019.

O primeiro lançamento da Embraed em Curitiba já tem endereço e previsão de data de entrega. Batizado Gioia (foto), o residencial de luxo será construído no Ecoville, já está em obras e será concluído em março de 2029, mês de aniversário da cidade. A torre única de 140 metros contempla 37 apartamentos, sendo um por andar, ofertados em quatro plantas distintas. Todas as unidades têm um ponto para recarga de veículos elétricos e quatro vagas de garagem, com exceção da cobertura duplex, com cinco vagas.

Capital atrai investidores por inovação, qualidade de vida e grandes áreas verdes

Jarvis? Google pode ter revelado nova IA que navega na internet

google jarvisUma novidade intrigante veio à tona nesta semana: o Google parece ter revelado acidentalmente uma nova ferramenta de IA, apelidada de “Jarvis”, projetada para navegar na internet de forma autônoma. A extensão apareceu brevemente na Chrome Web Store, oferecendo uma prévia do protótipo antes de ser rapidamente removida. Embora o “Jarvis” não estivesse funcional por […]Uma novidade intrigante veio à tona nesta semana: o Google parece ter revelado acidentalmente uma nova ferramenta de IA, apelidada de “Jarvis”, projetada para navegar na internet de forma autônoma. A extensão apareceu brevemente na Chrome Web Store, oferecendo uma prévia do protótipo antes de ser rapidamente removida. Embora o “Jarvis” não estivesse funcional por […]

Bug no Waze altera interface para idiomas estrangeiros

wazeUsuários do Waze enfrentaram dificuldades com o aplicativo de navegação, que alterava a interface repentinamente para idiomas estrangeiros, como hebraico, espanhol, árabe e russo. O erro, observado diretamente por este autor enquanto conduzia um veículo, impactou a experiência de navegação em tempo real, exibindo menus confusos e impossíveis de alterar. Waze está em árabe nesse […]Usuários do Waze enfrentaram dificuldades com o aplicativo de navegação, que alterava a interface repentinamente para idiomas estrangeiros, como hebraico, espanhol, árabe e russo. O erro, observado diretamente por este autor enquanto conduzia um veículo, impactou a experiência de navegação em tempo real, exibindo menus confusos e impossíveis de alterar. Waze está em árabe nesse […]

Trump pode suavizar políticas antitruste e impedir divisão do Google

trump googleDe acordo com a Reuters, o novo presidente eleito, Donald Trump, está prestes a alterar o curso de algumas das políticas antitruste estabelecidas pela administração Biden, incluindo a possibilidade de interromper a tentativa de divisão da Alphabet, controladora do Google, em razão de seu domínio no mercado de buscas online. Especialistas indicam que Trump deve […]De acordo com a Reuters, o novo presidente eleito, Donald Trump, está prestes a alterar o curso de algumas das políticas antitruste estabelecidas pela administração Biden, incluindo a possibilidade de interromper a tentativa de divisão da Alphabet, controladora do Google, em razão de seu domínio no mercado de buscas online. Especialistas indicam que Trump deve […]

Queda de tráfego no Google fecha o site Giant Freakin Robot

gfr logoO popular portal de entretenimento Giant Freakin Robot anunciou o encerramento de suas atividades após uma queda acentuada em seu tráfego online. O site, que já atraía até 20 milhões de visualizações mensais, hoje lida com apenas algumas milhares de visitas, impactando gravemente sua receita. Josh Tyler, proprietário da plataforma, revelou em um comunicado que […]O popular portal de entretenimento Giant Freakin Robot anunciou o encerramento de suas atividades após uma queda acentuada em seu tráfego online. O site, que já atraía até 20 milhões de visualizações mensais, hoje lida com apenas algumas milhares de visitas, impactando gravemente sua receita. Josh Tyler, proprietário da plataforma, revelou em um comunicado que […]

Brasil: Google corrige cotação do Dólar após exibir valor acima de R$ 6

google dolarNesta quarta-feira (6 de novembro de 2024), o Google exibiu uma cotação incorreta do dólar, indicando um valor acima de R$ 6 – bem distante da realidade do mercado financeiro. Durante a manhã, o dólar comercial chegou a R$ 5,86 em seu pico, mas a plataforma do Google mostrava R$ 6,19, gerando confusão e preocupação […]Nesta quarta-feira (6 de novembro de 2024), o Google exibiu uma cotação incorreta do dólar, indicando um valor acima de R$ 6 – bem distante da realidade do mercado financeiro. Durante a manhã, o dólar comercial chegou a R$ 5,86 em seu pico, mas a plataforma do Google mostrava R$ 6,19, gerando confusão e preocupação […]

Copom eleva juros básicos para 11,25% ao ano

É a segunda alta consecutiva da Selic

Banco Central voltou a reiterar a necessidade do governo fazer o ajuste fiscal

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (6), por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro. A última alta da Selic ocorreu na reunião passada, em 18 de setembro. “O ambiente externo permanece desafiador, em função, principalmente, da conjuntura econômica incerta nos Estados Unidos, o que suscita maiores dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed”, destaca o Copom logo no início do texto. O BC reitera que outros bancos centrais permanecem determinados em promover a convergncia das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. “O Comitê avalia que o cenário externo, também marcado por menor sincronia nos ciclos de política monetária entre os países, segue exigindo cautela por parte de países emergentes”, revelam os membros do colegiado.

“Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho segue apresentando dinamismo. A inflação cheia e as medidas subjacentes se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes”, afirma o comunicado. Novamente o ajuste fiscal foi colocado em destaque. “O Comitê tem acompanhado com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o cenário fiscal tem afetado, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes, especialmente o prêmio de risco e a taxa de câmbio. O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida, com a apresentação e execução de medidas estruturais para o orçamento fiscal, contribuirá para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária”, reitera o BC.

O cenário segue marcado por resiliência na atividade, pressões no mercado de trabalho, hiato do produto positivo, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas, o que demanda uma política monetária mais contracionista (entenda aqui alguns dos termos usados pelo Banco Central em seus comunicados sobre as decisões envolvendo a taxa básica de juros). “O ritmo de ajustes futuros na taxa de juros e a magnitude total do ciclo de aperto monetário serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerão da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos”, finaliza o Copom.

É a segunda alta consecutiva da Selic

Indústria incorpora modelos de negócios sustentáveis

Fiergs debate iniciativas para um setor industrial verde e resiliente

O Diálogos MEI contou com dois painéis

As ações estratégicas para impulsionar a transição das companhias para modelos de negócios mais sustentáveis e resilientes dentro de um contexto de transformação mundial estiveram em debate no Diálogos da MEI – Mobilização Empresarial pela Inovação. Com o tema Construção de uma Indústria Verde e Resiliente, o evento ocorreu nesta quarta-feira (6), na Fiergs, em uma promoção conjunta com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). “É um fórum empresarial com o desafio imenso de trazer conhecimento e valor agregado para dentro de nossas empresas”, afirmou o diretor do Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Ciergs) e coordenador do Conselho de Inovação e Tecnologia da federação (Citec), Marcus Coester.

O superintendente de projetos de inovação da CNI, Carlos Bork, destacou que a organização do evento, em sua retomada no formato presencial, fez questão de realizá-lo no Rio Grande do Sul após as enchentes. Como uma forma de apoio, mas também para dialogar e aprender, e quais as ações realizadas pelos gaúchos podem surgir nos debates como soluções e pautas significativas que ao menos minimizem catástrofes climáticas que ocorrem no mundo. “O principal detalhe é que estamos em um momento que temos que tomar decisão analisando aspectos culturais, tecnológicos, ambientais e sociais de tal forma que consigamos impactar e afetar positivamente as próximas gerações. Essa é nossa principal missão: o que deixar para as próximas gerações”, ressaltou, lembrando que muitos setores econômicos, entre eles a indústria, já preparam a descarbonização de seus processos.

O coordenador da MEI e vice-presidente sênior da Siemens Energy para a América Latina e vice-presidente da Siemens Energy Brasil, André Clark, afirmou que a discussão sobre mudanças climáticas e seus efeitos já deixou de ser apenas um tema ambiental para virar um tema político. Em sua apresentação sobre oportunidades da transição energética no Brasil, que ele considera uma potência na área, Clark chamou a atenção para as diferentes alternativas que se apresentam ao país, ainda mais diante de um momento em que a economia mundial se transforma. Ele ainda apresentou a MEI, um movimento de lideranças empresariais coordenado pela CNI criado em 2008 com o objetivo de disseminar a agenda de inovação entre as empresas brasileiras e de buscar a maior efetividade das políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação. A MEI conta com mais de 500 empresas integradas. Algumas iniciativas nacionais importantes tiveram o apoio da MEI, como a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação e a rede de Institutos Senai de Tecnologia e Inovação.

O Diálogos MEI desta quarta-feira contou com dois painéis. O primeiro, Inovação sustentável como vetor de competitividade, teve a participação do diretor de operações da Marcopolo, Luciano Resner, o diretor de pesquisa e desenvolvimento da Tupy, André Ferrarese, e o executivo de inovação de emissões zero da Embraer, Vinicius Di Nucci Pereira. A mediação foi do diretor de tecnologia e inovação e reitor do Senai-Cimatec, Leone Andrade. Todos relataram como o tema inovação sustentável foi incorporado em suas empresas. Resner citou entre as inciativas da Marcopolo, 12 ônibus elétricos que circulam na frota de Porto Alegre, microônibus abastecidos com bioetano e ônibus adquiridos pela Universidade de São Paulo (USP) movidos a hidrogênio verde. No segundo painel, a presidente da Rede Gaúcha de Ambientes de Inovação (Reginp), Daniela Eckert, o gestor executivo do Tecnosinos e de tecnologia e Inovação da Unisinos, Silvio Bitencourt da Silva, o superintendente da Finep, Newton Hamatsu, e o gerente de inovação e estratégia industrial do BNDES, Fabrício Brollo Dunham, trataram sobre Como o ecossistema de inovação pode apoiar a jornada das empresas rumo à economia verde. A mediação foi do coordenador do Citec, Marcus Coester.

Fiergs debate iniciativas para um setor industrial verde e resiliente

Produção de automóveis manteve patamar elevado em outubro

Melhor venda em uma década e recuperação nas exportações impulsionam setor no Brasil

Produção atingiu 249,2 mil unidades no último mês, crescimento de 8,3% sobre setembro

Outubro foi marcado por um número de vendas que não ocorria desde dezembro de 2014. Os 264,9 mil veículos emplacados superaram o volume de dezembro de 2019, até então o mais elevado em quase uma década. Foi um mês de forte demanda no mercado interno, superando em 12,1% setembro e em 21,6% outubro do ano passado. A média diária de 11,5 mil unidades vendidas foi a maior deste ano. No mundo, o Brasil foi o quinto país que mais emplacou veículos em outubro, superando até a Alemanha. Já a produção atingiu 249,2 mil unidades no último mês, crescimento de 8,3% sobre setembro e de 24,7% sobre o mesmo mês de 2023. “Embora esse tenha sido o segundo melhor mês do ano em produção, ainda estamos abaixo dos emplacamentos, em função do elevado volume de importações. No acumulado, as vendas cresceram 15%, enquanto a produção subiu 8,9%”, comparou Márcio de Lima Leite, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Os 47 mil modelos importados vendidos em outubro representaram um recorde nos últimos 10 anos, sendo que os chineses representaram a metade de todas as importações de fora do Mercosul. No total do ano, temos 369,1 mil emplacamentos de modelos estrangeiros, 36% a mais do que nos 10 primeiros meses de 2023. As exportações estão longe de se igualar ao fluxo de importações, mas ao menos vêm reagindo nos últimos quatro meses. Em outubro foram 43,5 mil unidades exportadas, alta de 39,2% sobre o mesmo mês do ano passado. O acumulado de 2024 chegou a 327,8 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, volume 7,4% inferior ao do ano passado. Outra boa nova em outubro foi a elevação de 7 mil empregos diretos nos últimos 12 meses, com potencial de geração de outras 70 mil vagas na cadeia automotiva.

Durante a coletiva concedida pela Anfavea nesta quarta-feira (6), também foram destacados os números recordes da Fenatran, uma das maiores exposições de veículos comerciais e tecnologias de transporte do mundo, que está ocorrendo nesta semana, no São Paulo Expo. São mais de 600 empresas ocupando integralmente os pavilhões de exposição, e um público estimado em 40% a mais do que na edição de 2022 – podendo superar 80 mil visitantes até o encerramento na sexta-feira (8). Também se estima uma alta de 15% nos negócios realizados na feira.

Melhor venda em uma década e recuperação nas exportações impulsionam setor no Brasil

Sobre árvores e palavras ocas

As contradições que o desafio ambiental comporta

Toda dificuldade em assumir responsabilidades diante da emergência climática consiste na incapacidade de convergir interesses particulares para um único benefício comum

Se as enchentes gaúchas de maio serviram de alerta a toda a Terra sobre o impacto real das mudanças climáticas, a comoção provocada pelo corte de uma árvore centenária no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, logo no início do mês seguinte, sintetizou muitas das contradições que o desafio ambiental comporta. Recordando: em meados de junho, uma construtora pôs abaixo um grande guapuruvu na rua Eça de Queiroz para dar lugar a um empreendimento residencial, gerando revolta na vizinhança — que, imediatamente, acorreu às redes sociais para protestar.

De nada adiantou explicar que o vegetal era inapropriado para o espaço urbano e que, frágil e oco, perigava cair no lote ao lado; o futuro condomínio, batizado de Verdant (“verdejante”, em francês), é que deveria fazer jus ao nome e ser construído em torno da árvore, afirmavam os internautas. Ademais, acusavam, como uma cidade recém-assolada por uma inundação abria mão de um ativo natural tão valioso para capturar carbono da atmosfera e absorver águas da chuva? A obrigatoriedade de a incorporadora plantar 14 mudas de árvores a título de compensação ecológica pouco importava, uma vez que elas demorariam a se tornar adultas e, ofensa-mor, poderiam ser semeadas em qualquer outro ponto da capital gaúcha, prestando seus serviços ambientais em plagas distantes deste centro do mundo chamado Petrópolis.

Há um misto de razões para a indignação. A mais aparente é a biofilia, sentimento humano de vínculo com as coisas vivas que é afrontado diante da morte de um animal ou vegetal. Trata-se de uma sensibilidade inata que se aprimorou com o tempo; até meados do século 18, a maior parte das plantas e dos bichos existia exclusivamente a serviço do homem, e qualquer preocupação com seu bem-estar soava descabida. A biofilia fortaleceu-se nos últimos 50 anos, com a consciência ambiental, e intensificou-se à medida que a ameaça representada pelo aumento da temperatura média da Terra tornou-se pauta recorrente. Basta lembrar que, em 1970, a revista Manchete, referindo-se a uma das muitas obras do governo federal na região amazônica, dizia ser necessário “rasgar o inferno verde” para construí-la. Quantas suscetibilidades não seriam feridas com uma frase assim, hoje em dia?

Mas o outro motivo para a insurgência digital (e para os escrachos sob a forma de cartazes nos tapumes do canteiro de obras) é o que melhor condensa o impasse ambiental. Os indignados habitantes de Petrópolis tomaram as dores do vegetal porque lhes incomoda ver mudar o bairro em que moram, onde casas residenciais gradualmente vão dando lugar a edifícios que não apenas adensam a região, como também lhes fazem sombra e prejudicam a circulação do ar. Esquecendo convenientemente que a maior parte deles vive em prédios — do alto dos quais, inclusive, fotografaram a derrubada da árvore — construídos em terrenos onde antes havia casas, que por sua vez substituíram… árvores (quiçá seculares). Não muito diferente da campanha contra os supostos “espigões” do Moinhos de Vento, anos atrás, abraçada por moradores de condomínios verticais insatisfeitos com a impossibilidade de congelar o bairro como lhes aprazia — ou seja, no estilo “ninguém mais entra”.

E por que tamanha representatividade do guapuruvugate? Porque toda dificuldade em assumir responsabilidades diante da emergência climática consiste na incapacidade de convergir infinitos interesses particulares, geralmente imediatos e concretos, para um único benefício comum, futuro e incerto. E me refiro, aqui, a interesses particulares que começam no indivíduo — que consome produtos agropecuários e industrializados diariamente, precisa do carro para deslocamentos e do avião para viajar a trabalho ou lazer, todos pródigos em emissão de gases estufa — e chegam aos estados-nação, cujas economias dependem justamente dessas atividades poluentes e enfrentam uns aos outros na arena do comércio internacional. Com um agravante: se sabidamente a influência de uma pessoa para mudar o quadro climático é nenhuma, a dos países, separadamente, também não é lá muito maior. À exceção de Estados Unidos e China, quaisquer outras nações têm efeito marginal sobre os rumos da temperatura do planeta.

Some-se a isso a dimensão cronológica. O estágio corrente do aquecimento global deve-se a 300 anos de industrialização conduzida pelos países ricos, que elevaram seus níveis de vida e, agora, compartilham as externalidades negativas com todo o restante. É razoável pedir às nações em desenvolvimento — inclusive à China — que mergulhem de cabeça numa descarbonização cara e demorada a fim de ajudar a salvar um mundo economicamente integrado, no qual o sacrifício de um pode virar a vantagem competitiva do outro — sendo que este outro, não poucas vezes, é aquele que saiu primeiro na corrida do progresso material e levou o planeta ao estado atual? Não haveria aí um autointeresse do primeiro mundo travestido de bom-mocismo ambiental, mais ou menos como o dos guapuruvers de Petrópolis, adeptos do “antiguidade é posto”? No mesmo mês de junho, o presidente Lula manifestou-se favoravelmente à exploração de petróleo nas bacias da margem equatorial do país. Reconheceu que se tratava de uma contradição com o projeto de transição energética, mas que não poderia abdicar de uma riqueza potencial de grande monta, sabedor de que nada adianta o comprometimento brasileiro sem contrapartidas do Hemisfério Norte e da Ásia. Por um lado, lamento a decisão; por outro, não o crítico.

O legado negativo da era industrial e da cultura de consumo, além da mudança permanente nas condições naturais da Terra, foi produzir uma sociedade de mentalidade adolescente e publicitária, crédula de que aquilo que chama de bem-estar e conveniência é isento de sofrimento ou escolhas difíceis. Que finge não saber que a comida farta e barata se deve à monocultura; a mobilidade e o conforto térmico, à poluição; a existência de cidades, à derrubada da vegetação nativa; e as roupas e traquitanas eletrônicas acessíveis, a trabalhadores mal pagos do terceiro mundo. E que, claro, adora um histrionismo online, palco perfeito para a sinalização de virtude e do proselitismo woke.

Nos estudos de comunicação, chama-se de “significantes vazios” aquelas palavras ou expressões que, ao longo do tempo, acabam incorporando conotações múltiplas, difusas e não raro contraditórias, fruto de sua apropriação por diferentes atores sociais. Tais quais o guapuruvu portoalegrense, são vocábulos lindos, mas frágeis e ocos, porque na aparência sugerem muitas coisas, geralmente louváveis e desejáveis, enquanto seu conteúdo revela pouco ou quase nada. “Sustentabilidade” e “combate às mudanças climáticas” são casos típicos: sagrados para uns, relativos para outros e atribuíveis a terceiros por todos. Aos desabrigados pelas cheias do Rio Grande do Sul, meus votos de pronta recuperação. Aos chorosos guapuruvers de Petrópolis, também.

Esse conteúdo integra a edição 347 da revista AMANHÃ, publicação do Grupo AMANHÃ. Clique aqui para acessar a publicação online, mediante pequeno cadastro.

As contradições que o desafio ambiental comporta

Receita da Marcopolo avança 43% no terceiro trimestre

Produção avança 37,8% com crescimento em todos os mercados

A Marcopolo segue líder no mercado brasileiro de carrocerias, alcançando participação de mercado de 47,6%

A Marcopolo registrou receita líquida de R$ 2,3 bilhões no terceiro trimestre, um crescimento de 43,3% ante o mesmo período do ano passado. A receita corresponde a 4.186 unidades, das quais 75% foram vendidas no Brasil, 9,2% foram exportadas do Brasil e 15,8% faturadas no exterior. Entre julho e setembro, houve incremento de 37,8% da produção em relação ao mesmo trimestre do ano passado: do total de 4.133 unidades, 3.476 foram produzidas no Brasil, um salto de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior, e 657 unidades no exterior, 9% acima da produção do terceiro trimestre de 2023.

“A companhia intensificou seu ritmo de produção, aproximando-se dos volumes planejados. O crescimento reflete o ganho de maturidade e maior experiência do quadro de pessoal na busca por maiores níveis de eficiência”, ressalta José Antonio Valiati, diretor de relações com investidores da Marcopolo. No terceiro trimestre o lucro líquido foi de R$ 335,7 milhões, com margem de 14,5%. De acordo com a companhia, o desempenho é reflexo da melhoria do cenário de mercado, com ampliação dos volumes vendidos internamente, do melhor desempenho das operações internacionais e da evolução das exportações a partir do Brasil, com crescimento de entregas no segmento rodoviário e avanço das vendas dos modelos G8.

A Marcopolo segue líder no mercado brasileiro de carrocerias, alcançando participação de mercado de 47,6%. O destaque ficou com o acréscimo de 4,6 pontos percentuais de participação de mercado no segmento rodoviário. O segmento de ônibus rodoviários se manteve na dianteira dos negócios com boas perspectivas para o final do ano. “Fatores como o alto custo de passagens aéreas e do transporte individual favorecem a opção pelo ônibus e tem mantido a demanda crescente”, pontua Valiati. A Marcopolo mantém o foco na modernização de suas fábricas e lançamento de novos produtos. No último trimestre, a companhia investiu um total de R$ 91 milhões sendo R$ 33,6 milhões nas plantas localizadas em Caxias do Sul (RS), R$ 46,1 milhões destinados para a planta de São Mateus (ES) e R$ 5,7 milhões para a Apolo (divisão de plásticos).

Os resultados da companhia no exterior se mantêm crescentes e consistentes, segundo o diretor de relações com investidores. A Marcopolo México (Polomex) teve boa performance e iniciou as entregas do modelo urbano Attivi que será utilizado no transporte coletivo de Monterrey. A Marcopolo Austrália (Volgren) mantém perspectivas positivas, com resultados recordes e expansão de margens. A Marcopolo África do Sul (MASA) segue com resultados positivos e o lançamento do modelo G8 deverá alavancar negócios no segmento rodoviário no país. A Marcopolo Argentina (Metalsur) começa a materializar trajetória de recuperação de volumes e resultados, com novo crescimento de unidades produzidas e entregues na comparação com o segundo trimestre. A Marcopolo é a 34ª maior empresa da região e também a 13ª maior do Rio Grande do Sul, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC Brasil (veja o ranking completo aqui).

Produção avança 37,8% com crescimento em todos os mercados

Compra da startup Augen pela Biosolvit pode chegar a R$ 48 milhões

Investimento final pode variar de acordo com a evolução do negócio no decorrer de três anos

A Augen tem sede em Rio Grande e trabalha com foco em empresas de saneamento

A startup Augen, especializada em soluções inovadoras para saneamento, foi comprada pela empresa de ciência e tecnologia aplicada à sustentabilidade Biosolvit por um montante que pode oscilar de R$ 36 milhões até o valor máximo de R$ 48 milhões. O investimento final pode variar de acordo com a evolução do negócio no decorrer de três anos. 

Fundada em 2018 e sediada no Parque Tecnológico da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), a Augen tem sede em Rio Grande e trabalha com foco em empresas de saneamento, tanto públicas quanto privadas. A startup passou a crescer rapidamente após receber um aporte de R$ 4 milhões, gerido pela KPTL e pela Cedro Capital. 

A Augen chamou a atenção do mercado ao desenvolver uma tecnologia que reduz significativamente os custos de tratamento de água e esgoto. O aporte veio do fundo GovTech, que apoia financeiramente startups que desenvolvem soluções tecnológicas para a gestão pública e do qual o Badesul é investidor. 

Investimento final pode variar de acordo com a evolução do negócio no decorrer de três anos

Trump volta à presidência dos EUA

Ele superou os 270 delegados eleitorais ao vencer em Wisconsin

O resultado representa a volta do empresário à Casa Branca depois de quatro anos

O candidato republicano Donald Trump superou a marca de 270 delegados eleitorais após vencer no Estado de Wisconsin. O resultado representa a volta do empresário à Casa Branca depois de quatro anos. Até o fechamento desta reportagem, Kamala Harris não havia se pronunciado sobre a apuração do pleito. Os republicanos devem ampliar a bancada na Câmara dos Deputados e também ter a maioria do Senado. Trump fez sua campanha baseada no combate à inflação e culpando o atual governo norte-americano pelas travessias ilegais na fronteira com o México.

Trajetória
Trump nasceu e cresceu no Queens, um dos cinco distritos da cidade de Nova Iorque, e recebeu um diploma de bacharel em economia da Wharton School da Universidade da Pensilvânia em 1968. Em 1971, recebeu de seu pai, Fred Trump, o controle da empresa de imóveis e construção Elizabeth Trump & Son, renomeando-a para The Trump Organization. Durante sua carreira, construiu empreendimentos com sua marca em todo o mundo. Trump também foi dono do concurso de beleza Miss USA entre 1996 e 2015, fez breves aparições em filmes e séries de televisão e apresentou e coproduziu o reality show The Apprentice (O Aprendiz).

Ele superou os 270 delegados eleitorais ao vencer em Wisconsin

Marcopolo cria divisão focada no mercado de motorhomes

Segmento tem grande potencial de crescimento no Brasil e América Latina

Modelo inédito será apresentado durante a Expo Motorhome 2024

Dando continuidade à estratégia de diversificar sua atuação em modelos ligados ao transporte de pessoas, a Marcopolo acaba de anunciar a criação da Marcopolo Motorhome, divisão focada no mercado de motorhomes. O objetivo é explorar a expertise da companhia em soluções de mobilidade, segmento com grande potencial de crescimento no Brasil e América Latina. “A Marcopolo Motorhome surge a partir do conceito de diversificação relacionada, onde a companhia explora linhas complementares de receita em seu core business, oferecendo um significativo diferencial competitivo, seja em termos de estrutura, capacidade tecnológica e acesso a diferentes e novos mercados”, explica João Paulo Ledur, diretor de estratégia e transformação digital da Marcopolo.

De acordo com Alexandre Cruz, Head da Marcopolo NEXT e executivo à frente da Marcopolo Motorhome, a formação desta divisão é resultado direto do programa de intraempreendedorismo da Marcopolo NEXT. “Identificamos duas grandes oportunidades do mercado que a Marcopolo está posicionada estrategicamente para suprir. A primeira é que, por falta da oferta de veículos desenvolvidos e produzidos especificamente como motorhome, o mercado brasileiro tem majoritariamente recorrido à transformação de ônibus, normalmente usados, mesmo sendo desejo do consumidor um modelo concebido de fábrica para este fim”, destaca o executivo.

A segunda, de acordo com Cruz, é a ampla rede de assistência técnica presente no Brasil e na América Latina. “Pela nossa história de mais de 75 anos, com rede própria em todo o continente, podemos prestar um atendimento com a confiabilidade, velocidade e segurança que esses clientes desejam e esperam em suas viagens”. Segundo Cruz, a Marcopolo Motorhome está desenvolvendo um modelo inédito que será apresentado durante a Expo Motorhome 2024, maior feira da América Latina dedicada a empresas e apaixonados por campismo e caravanismo, que será realizada entre os dias 13 e 17 de novembro, no Expotrade Convention Center da cidade de Pinhais, região metropolitana de Curitiba (PR).

A expectativa é que a atuação direta da Marcopolo impulsione o mercado de motorhomes no país, que tem grande potencial de crescimento e expansão. No Brasil, são comercializados cerca de quatro mil veículos por ano, sendo que na Europa a produção chega a 140 mil unidades por ano e, nos Estados Unidos, a quase 50 mil. Segundo estudo técnico realizado pela organização da Expo Motorhome, estima-se que o mercado de campismo e caravanismo no Brasil movimentou mais de R$ 1,5 bilhão em 2023, com aumento de 30% em relação ao ano anterior.

Segmento tem grande potencial de crescimento no Brasil e América Latina

Novas regras do Pix trarão mais segurança nas transações

Bancos deverão utilizar solução de gerenciamento de risco de fraude

O objetivo da medida é reduzir a probabilidade de fraudadores usarem dispositivos diferentes daqueles utilizados pelo cliente para gerenciar chaves e iniciar transações Pix

A partir desta sexta-feira, 1º de novembro, o Pix ganhará novas regras para dar mais segurança em suas transações, com novidades para o cadastramento de novos dispositivos usados por clientes em suas transações. Toda a comunicação direta com o cliente sobre as novas medidas será feita dentro do dispositivo de acesso (aparelho celular ou computador) usado para iniciar as transferências Pix, alerta a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). As novas regras determinam que, a partir de novembro, se o cliente trocar de celular ou computador, ele terá um limite de R$ 200 por operação, ou R$ 1 mil por dia. Para elevar esses limites será necessário cadastrar o novo aparelho em suas instituições financeiras. Caberá ao banco enviar uma mensagem diretamente ao cliente por meio de seu aplicativo, indicando os dados necessários e onde deve ser feito esse cadastro.

Nada mudará para os clientes que estão com suas contas ativas e com seu dispositivo já cadastrado em suas instituições. O objetivo da medida é reduzir a probabilidade de fraudadores usarem dispositivos diferentes daqueles utilizados pelo cliente para gerenciar chaves e iniciar transações Pix. Se o cliente caiu em um golpe de engenharia social, por exemplo, e passou seus dados inadvertidamente para o bandido, como informações de conta e senha, este tentará acessar seu banco de um outro dispositivo. A instituição irá detectar que se trata de um novo local, ainda não cadastrado e que o cliente não utiliza normalmente em suas operações. A transação, nesses casos, será limitada automaticamente.

Como a instituição financeira é quem irá informar a necessidade de cadastro em seu aplicativo, a Febraban alerta que o cliente deve ficar atento a mensagens que chegam por meios diferentes. “Portanto, não clique em links, e-mails e em mensagens de WhatsApp ou SMS que solicitem que você passe seus dados pessoais e bancários. Se você receber alguma mensagem fora dos canais oficiais de seu banco, a ignore, porque provavelmente é um golpe”, afirma Walter Faria, diretor-adjunto de serviços da Febraban. “Se tiver qualquer dúvida, entre você mesmo em contato com os canais oficiais de sua instituição financeira”, complementa.

Adicionalmente, todos os aplicativos bancários têm a função de limites para Pix, que permitem aos clientes solicitar aumento ou redução dos limites do Pix, de acordo com as suas necessidades. Os limites podem ser determinados, por exemplo, para transferências diurnas ou noturnas, para contatos salvos do cliente, para pessoas jurídicas ou para pessoas que não estão cadastradas. O cliente, portanto, poderá estabelecer o quanto poderá destinar diariamente para cada um desses grupos. Esse aumento de limite passará a valer entre 24 e 48 horas após a solicitação pelo cliente.

A Febraban avalia que as novas medidas são positivas e fruto do debate constante com a autoridade monetária para aprimoramentos das regulações dos meios de pagamento. Com as novas regras, todas as cerca de 900 instituições financeiras deverão utilizar solução de gerenciamento de risco de fraude que contemple as informações de segurança armazenadas no Banco Central (BC) e que seja capaz de identificar transações Pix atípicas ou não compatíveis com o perfil do cliente; e disponibilizar em canal eletrônico de acesso amplo aos clientes, informações sobre os cuidados que os clientes devem ter para evitar fraudes. Os participantes também deverão verificar, pelo menos uma vez a cada seis meses, se seus clientes têm marcações de fraude na base de dados do BC.

Bancos deverão utilizar solução de gerenciamento de risco de fraude