Archives Junho 2023

Klabin inicia a operação da segunda máquina de papel do Projeto Puma II

Com aporte de R$ 12,9 bilhões, investimento é o maior feito por uma empresa privada no Paraná

O novo equipamento eleva a capacidade de produção anual da companhia para 4,7 milhões de toneladas de papel e celulose

A Klabin colocou em operação a Máquina de Papel 28 (MP28), em Ortigueira (PR). Com tecnologia avançada, o equipamento foi projetado para desenvolver cartões com mais resistência e qualidade, direcionados, principalmente, para os segmentos de alimentos e bebidas, como embalagens longa vida, cerveja em lata e garrafa, industrializados (cereal, chocolate, pizza, entre outros) e para o crescente setor de food service (copos e bandejas). A nova máquina possui 300 metros de extensão e tem capacidade para produzir 460 mil toneladas anuais, com flexibilidade para White Top Liner e Kraftliner. A Máquina 28 permitirá também que a Klabin desenvolva o papel-cartão branco, reforçando o seu modelo de negócio integrado e diversificado, e consolidando a empresa como uma das maiores produtoras de papel-cartão do mundo.

Com aporte de R$ 12,9 bilhões, o Projeto Puma II é o maior investimento nos 124 anos de história da Klabin e o maior feito por uma empresa privada no Paraná. A primeira etapa do projeto foi marcada pelo startup da Máquina de Papel 27 (MP27), em 2021, que produz o Eukaliner, papel Kraftliner feito 100% com fibras de eucalipto, que permite redução da gramatura com aumento da resistência e melhor qualidade de impressão nas embalagens de papelão ondulado, além de otimizar área florestal necessária para a sua produção, ou seja, menos recurso para a fabricação do mesmo volume de papel. “O investimento da Klabin no Projeto Puma II foi essencial para nos prepararmos para o crescimento que almejamos no segmento de papéis para embalagens. Acreditamos no papel-cartão como uma das rotas de geração de valor a partir de um mix de produtos diversificado, que promove mais flexibilidade para os nossos negócios”, ressalta Flávio Deganutti, diretor do negócio de papéis da Klabin.

“O início da operação da MP28 é o principal marco da segunda etapa do Projeto Puma II e representa um expressivo momento para a nossa história. Avançamos ainda mais em inovação e tecnologia, com um projeto estado da arte, que será referência mundial em sustentabilidade, com menor uso específico de água, energia e químicos, além de elevado grau de automação, em linha com a Indústria 4.0”, afirma Francisco Razzolini, diretor de tecnologia industrial, inovação, sustentabilidade e projetos da Klabin. Regionalmente, as duas fases das obras do Projeto Puma II geraram mais de 44 mil empregos diretos e indiretos. Além de estimular as empresas parceiras a contratarem trabalhadores locais, a Klabin também valorizou a mão de obra investindo em formação técnica nos municípios da região dos Campos Gerais, no Paraná. A Klabin é a oitava maior empresa da região e também a quarta maior do Paraná, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC. Leia o anuário completo clicando aqui, mediante pequeno cadastro.

Com aporte de R$ 12,9 bilhões, investimento é o maior feito por uma empresa privada no Paraná

Londrina inicia teste inédito no país com ônibus movido 100% a biometano

Ação é fruto da parceria entre prefeitura, Compagas e Scania para comprovar a redução de poluentes

O veículo a gás em demonstração é o mesmo que já circulou pelas ruas de Curitiba e Região Metropolitana

Londrina, na região norte do Paraná, entra para a história da mobilidade sustentável com a primeira demonstração completa numa operação real com um ônibus movido 100% a biometano no transporte urbano de passageiros. A inédita ação nacional faz parte do projeto conduzido pela Companhia Paranaense de Gás (Compagas) em conjunto com a fabricante Scania, em parceria com a prefeitura da cidade, com o objetivo de certificar os indicadores de eficiência, em especial, a redução nas emissões de poluentes na utilização do veículo. Nos próximos 30 dias, o veículo estará numa demonstração urbana pela primeira vez abastecido 100% a biometano, que é um combustível renovável e limpo, e contribui diretamente para as metas de sustentabilidade.

O ônibus a gás será testado em linhas operadas pela Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), com o acompanhamento da Companhia Municipal do Trânsito e Urbanização (CMTU), pelo período de 30 dias a partir de segunda (12). A ação em Londrina é a terceira realizada pelo projeto conduzido pela Compagas e Scania, em 2023. As primeiras demonstrações foram feitas na Região Metropolitana de Curitiba, com o governo estadual, e na capital, com a prefeitura de Curitiba, e, demonstraram a viabilidade da utilização do veículo movido a GNV em linhas complexas e extensas, garantindo autonomia e menor emissão de poluentes.

O CEO da Compagas, Rafael Lamastra Jr., explica que o gás natural e o biometano são fontes de desenvolvimento para o Paraná e são energias capazes de contribuir com as metas de sustentabilidades das grandes cidades. “O gás é a energia do presente, com tecnologia pronta para ser utilizada aqui e agora e contribuir para o meio ambiente. A nova ação é muito importante para a Compagas para reunir novas informações sobre o veículo e o combustível, além do perfil de Londrina, cidade que está no plano de expansão da companhia, visando uma economia para o sistema de transporte coletivo, a redução de emissões de poluentes e uma atividade cada mais sustentável”, destacou.

O veículo a gás em demonstração é o mesmo que já circulou pelas ruas de Curitiba e Região Metropolitana. Em Londrina, ele será abastecido com o biometano, um gás 100% renovável, obtido a partir da produção do biogás, que por sua vez é gerado da decomposição de matéria orgânica de origem vegetal ou animal. Quando submetido a um processo de purificação, o biogás dá origem ao biometano e este é comparável em condições técnicas ao gás natural, já que após o refino, atinge alta concentração de metano em sua composição. O biometano é produzido a partir de subprodutos do setor sucroenergético, e revendido pela Gastech que comercializa o GNV em Londrina. “O Paraná tem um potencial gigantesco de produção de biometano (cerca de 2 milhões de metros cúbicos por dia) e com esse teste também mostramos, na prática, que é possível viabilizar a utilização local da energia gerada pela agroindústria, aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto, e também nas frotas do transporte coletivo, gerando economia, emprego e renda aos nossos municípios”, completou Lamastra.

O modelo fabricado pela Scania é o padron K 280, com 14 metros de comprimento e capacidade para 86 passageiros. O ônibus é equipado com elevador para acessibilidade e espaço interno para cadeirantes. O modelo K 280 4×2 tem propulsor de 280 cavalos de potência. Seu motor é Ciclo Otto (o mesmo conceito dos automóveis) e movido 100% a gás e biometano, ou mistura de ambos. Para o ônibus em teste, foram instalados oito cilindros de gás na lateral dianteira com uma autonomia de 300 quilômetros. A segurança é total em caso de acidentes ou explosão. Os cilindros e válvulas são certificados pelo Inmetro (em conformidade com a lei). São três válvulas (vazão, pressão e temperatura) que liberam o gás em caso de anomalia em um destes três quesitos. Os cilindros são extremamente robustos (o material é de ogivas de mísseis). Em caso de incêndio ou batida o gás é liberado para a atmosfera e se dissolve sem perigo de explosão ao contrário de um veículo similar abastecido a diesel que é mais perigoso, pois o líquido fica no chão ou pode se espalhar ao longo da carroceria.

Ação é fruto da parceria entre prefeitura, Compagas e Scania para comprovar a redução de poluentes

S&P eleva perspectiva de nota da dívida do Brasil para positiva

É a primeira vez desde 2019 que agência de risco indica melhora

Em nota, a S&P informou que a melhora da perspectiva reflete uma possibilidade maior de que o país cresça mais com a estabilidade nas políticas monetária e fiscal

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) elevou de estável para positiva a perspectiva para a nota de crédito do Brasil. A decisão foi divulgada no fim da tarde desta quarta-feira (14). A perspectiva positiva significa que a agência pode elevar a nota do país nos próximos dois anos. Atualmente, a S&P concede nota BB- para o Brasil, três níveis abaixo do grau de investimento, garantia de que o país não corre risco de dar calote na dívida pública. Em nota, a S&P informou que a melhora da perspectiva reflete uma possibilidade maior de que o país cresça mais com a estabilidade nas políticas monetária e fiscal. Apesar de déficits ainda elevados, a agência afirmou que o crescimento contínuo do PIB e o novo arcabouço fiscal proposto pelo governo possam fazer a dívida pública subir menos que o inicialmente esperado.

Segundo o comunicado, a melhora da perspectiva representa um primeiro passo para melhorar a nota da dívida pública brasileira. De acordo com a S&P, o rating (classificação de risco) poderá ser elevado em dois anos caso as instituições implementem uma política econômica “pragmática”, que consiga abrir espaço para mais crescimento. Além do novo arcabouço, a agência citou a aprovação de reformas adicionais, como a tributária. A última vez em que a S&P tinha elevado a perspectiva da nota do Brasil tinha sido em 2019. Com a pandemia de Covid-19, a perspectiva voltou a ficar estável em 2020, mas o rating da dívida brasileira não mudou. Desde janeiro de 2018, a S&P Global enquadra o Brasil três níveis abaixo do grau de investimento, mesma nota concedida pela Fitch, outra das principais agências de classificação de risco. A Moody’s classifica o país dois níveis abaixo do grau de investimento.

Com Agência Brasil

É a primeira vez desde 2019 que agência de risco indica melhora

Ih, cadê?! O dono sumiu!

E as empresas que não têm controladores?

Por mais fortes que tenham sido as marcas da gestão Galló, a Renner passará por mudanças, ainda que tenda a conservar muito da filosofia de seu conhecido ex-CEO

Semana passada comentei sobre a adoção do unbossing, sistema em que não existem chefes e as decisões são colegiadas. Hoje, abordo uma outra configuração empresarial incomum, ao menos no Brasil: a inexistência de dono. Inexistência de dono? Sim, há companhias que têm o capital excessivamente pulverizado, pertencendo a uma miríade de acionistas, sem que qualquer um deles detenha poder suficiente para determinar o rumo da organização. É o caso da Renner, com sede em Porto Alegre (RS). Um conselheiro da varejista de moda, Osvaldo Schirmer, certa vez comentou o desafio que essa característica representa para a cultura organizacional da companhia: “Normalmente, em uma empresa, a cultura é dada pelo dono. Como criar uma cultura organizacional em uma empresa sem dono, como a Renner?”, questionou.

O professor James Heskett, da Harvard Business School, ajuda a responder. Segundo ele, culturas constroem-se de maneira orgânica, espontânea. E se, de fato, em organizações novas a cultura tende a refletir os valores do fundador, em organizações antigas elas podem ser mudadas, a depender do comportamento dos líderes. Como a Renner teve um CEO longevo, José Galló, que marcou a recuperação da companhia e sua transformação em um grande player nacional, é praticamente impossível que suas digitais não sejam visíveis até hoje na empresa, já sob o comando de outro presidente. Culturas, no entanto, não são estáticas. Por mais fortes que tenham sido as marcas da gestão Galló, a Renner passará por mudanças, ainda que tenda a conservar muito da filosofia de seu conhecido ex-CEO.

E é importante que a varejista mantenha uma cultura forte e orientada para o cliente, como a que foi legada por Galló. Pois, segundo Henry Mintzberg, abrir capital e pulverizá-lo ao limite, como no caso da Renner, é temerário, uma vez que acionistas “não estão nem aí para seus produtos, só querem mais e mais dinheiro”. E qual o risco envolvido nisso? “Quando ela [a empresa] não consegue oferecer ao mercado mais dinheiro, o que resta é entrar num jogo perigoso: enganar os consumidores, aumentar os preços, demitir funcionários leais. Não dá para administrar uma companhia tendo como único norte oferecer mais ao mercado” (Exame, 12/04/2017).

Voltando a Heskett: culturas eficazes impactam positivamente aspectos não monetários de uma organização, como fidelidade de clientes e rotatividade de colaboradores. Ou seja, há indicadores objetivos para saber se uma companhia de capital aberto está fragilizando sua cultura ao se submeter a uma pressão deletéria dos acionistas. E acompanhá-los com atenção não deixa de ser uma forma de, numa empresa sem controladores, substituir o famoso “olho do dono”.

E as empresas que não têm controladores?