Archives Junho 2023

Investimentos da indústria gaúcha devem cair em 2023

Setor espera um cenário com melhores condições para efetivar aportes

A intenção as companhias do Rio Grande do Sul investirem este ano recua para 54%

O desempenho positivo da indústria gaúcha e a confiança dos empresários mantida em patamares elevados na maior parte do ano passado trouxeram consequências positivas para o setor no ano. É o que aponta a pesquisa Investimentos na Indústria do RS 2022/2023, elaborada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). A proporção de empresas que investiram cresceu pelo segundo ano consecutivo, para 75%, 2,5 pontos percentuais acima de 2021 e 11,2 maiores do que 2020. O levantamento, porém, sinaliza um quadro desfavorável para os investimentos em 2023, pois apenas 54% têm esta intenção, uma queda de 21 pontos, que, se confirmado, deve registrar a maior contração e o menor patamar da série histórica iniciada em 2010, além de 8,2 pontos percentuais a menos do que o recorde negativo, de 62,2%, em 2016. “Com a confiança em baixa e muita incerteza econômica, a indústria gaúcha deverá ser cautelosa e esperar um cenário com melhores condições para efetivar os investimentos”, afirma o presidente da Fiergs, Gilberto Petry.

A pesquisa revelou que os 75% de 2022 foi o resultado percentual mais alto desde 2014, quando atingiu 77,3%. Confirmou, também pelo segundo ano, o percentual de empresas que indicavam intenção de investir no início de 2022 (74,7%). Apesar disso, reforça Petry, somente 48,6% investiram como tinham planejado, o restante executou apenas parcialmente (41%), adiou ou cancelou os investimentos previstos. Na avaliação dos empresários gaúchos, as incertezas da economia brasileira e o aumento dos custos dos insumos foram os maiores obstáculos aos investimentos em 2022, itens que receberam, respectivamente, 88,2% e 81,2% das respostas. Também foram entraves relevantes, as incertezas do contexto setorial ou do ramo de atuação, 77,3% das empresas, a expectativa de demanda insuficiente, 66,4%, e as dificuldades com a mão de obra, 62,5%.

Os investimentos previstos para 2023 têm como principal objetivo a melhoria do processo produtivo atual, com 46,2% das empresas dispostas a investir. O segundo é a manutenção da capacidade, por 22% daquelas que responderam a pesquisa. Os principais tipos de investimentos previstos são os mesmos dos realizados em 2022, com a compra de máquinas e equipamentos novos sendo novamente o principal, previsto por 76,9% das empresas. A manutenção ou atualização de máquinas ou equipamentos, com 58,2%, é o segundo mais apontado. A pesquisa foi realizada de 2 a 13 de janeiro deste ano, com 180 empresas no Rio Grande do Sul, sendo 43 pequenas, 55 médias e 82 grandes.

Setor espera um cenário com melhores condições para efetivar aportes

Volume de serviços recua 1,6%

Com isso, o acumulado no ano ficou em 4,8%

Retração nas atividades de transporte influenciam o setor de serviços nacional

O setor de serviços recuou 1,6% em abril de 2023 na comparação com março, após acumular ganho de 2,1% entre fevereiro e março. Já frente a abril de 2022, o setor avançou 2,7%, 26ª taxa positiva consecutiva. Com isso, o acumulado no ano ficou em 4,8% e o acumulado nos últimos 12 meses passou de 7,3% em março para 6,8% em abril, menor resultado desde agosto de 2021 (5,1%). Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), cujo resultado foi divulgado nesta quinta-feira (15) pelo IBGE. A retração foi acompanhada por quatro das cinco atividades investigadas. Assim como em março, o setor de transporte se destacou como a principal influência, porém, em abril, puxou o índice para o campo negativo. O grupamento caiu 4,4%, devolvendo parte do ganho acumulado (7,5%) entre fevereiro e março.

“Vários segmentos de serviços dentro desse setor acabaram por gerar um impacto negativo: gestão de portos e terminais, transporte rodoviário de cargas, rodoviário coletivo de passageiros e transporte dutoviário. Esses segmentos tiveram importância no âmbito do volume de serviços como todo, ultrapassando a fronteira do próprio setor”, analisa Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa. Os demais recuos vieram dos serviços de informação e comunicação (-1%), dos profissionais, administrativos e complementares (-0,6%); e dos outros serviços (-1,1%). “Em serviços de informação e comunicação, as principais influências vieram de serviços audiovisuais (-4,2%) e de tecnologia da informação (-1,2%). Nos profissionais, administrativos e complementares, destacam-se os serviços de engenharia, de apoio às atividades empresariais e de organização, promoção e gestão de feiras, congressos e convenções. Já os outros serviços foram pressionados pelos segmentos de serviços financeiros auxiliares e de corretoras de títulos e valores mobiliários”, detalha Lobo.

A única atividade em expansão do mês foram os serviços prestados às famílias (1,2%), que recuperaram parte da perda acumulada entre fevereiro e março (-2,2%). “O ganho nesse mês vem tanto de alojamento e alimentação (3,7%) como de outros serviços prestados às famílias (3,5%). Dentro desse segmento, a parte de atividades teatrais, musicais e de espetáculos em geral teve maior influência”, observa o gerente.

Com isso, o acumulado no ano ficou em 4,8%

Crédito caro trava avanço do varejo

Confederação Nacional do Comércio estima crescimento das vendas em 1,8% no ano

Mesmo em cenário de desaceleração da inflação, vendas ficaram praticamente estáveis em abril

A tendência de desaceleração da inflação e os sinais positivos provenientes do mercado de trabalho levaram a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a prever um crescimento de 1,8% das vendas do varejo em 2023. Em abril, o volume de faturamento do comércio se manteve praticamente estável – um avanço de 0,1% perante março deste ano –, conforme demonstrou a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com a perspectiva de menor aperto monetário para o próximo trimestre, a redução dos juros deverá ocorrer de forma lenta e gradual – provavelmente apenas a partir da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de setembro, o que não deve permitir uma aceleração significativa do comércio ao longo de 2023.

Desde o início deste mês, a mediana das expectativas de inflação nos 12 meses subsequentes já se encontra abaixo do limite superior do regime de metas de inflação, que é de 4,75% ao ano. “A convergência das expectativas inflacionárias ao ponto central da meta abre espaço para a flexibilização do atual aperto monetário que, sob a ótica do varejo, poderá se refletir em uma dinamização das vendas, impulsionadas pelo barateamento do crédito, esperado nos próximos meses”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros. Segundo ele, o cenário pouco propício ao ganho de tração das vendas do comércio conta ainda com o elevado grau de endividamento das famílias. De acordo com dados do Banco Central, desde setembro de 2021, pelo menos 30% da renda média dos consumidores se encontra comprometida com a amortização e os serviços de dívidas.

O economista da CNC Fabio Bentes aponta que, mesmo de maneira comedida, há uma gradativa recuperação das perdas do varejo ocasionadas pela pandemia de Covid-19. Tendo como parâmetro o mês de fevereiro de 2020, as vendas cresceram 4,4% em abril deste ano, o que revela uma tendência suave de regeneração. Nos últimos três anos, os ramos mais especializados no atendimento de demandas essenciais têm se destacado nas vendas, como farmácias e perfumarias, que tiveram ampliação de 22,6%, seguidas de combustíveis e lubrificantes, com alta de 10,9%, e hiper e supermercados, que tiveram crescimento de 3,6%. “Por outro lado, atividades com menor foco em itens de consumo essencial e mais dependentes das condições de crédito ainda não conseguiram reaver o dinamismo anterior à crise sanitária”, avalia Fabio Bentes. Entre janeiro e abril deste ano, as vendas do varejo cresceram 1,9%, graças ao desempenho dos dois principais segmentos do setor: combustíveis e lubrificantes, com aumento de 17%, e hiper e supermercados, que tiveram ampliação de 2,7%. “Em ambos os casos, as reações derivaram da desaceleração dos preços e da menor dependência que esses segmentos historicamente revelam em relação ao comportamento dos juros”, conclui o economista da CNC.

Confederação Nacional do Comércio estima crescimento das vendas em 1,8% no ano