Archives 2022

Arrecadação federal chega a R$ 172,3 bilhões em agosto

O valor é o maior desde 2000

No acumulado do ano, a arrecadação alcançou R$ 1,4 trilhão, representando um acréscimo pela inflação de 10,1%

A União arrecadou R$ 172,3 bilhões em agosto, de acordo com dados divulgados pela Receita Federal. Na comparação com agosto do ano passado, houve um crescimento de 8,2%, descontada a inflação, em valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O valor é o maior desde 2000, tanto para o mês de agosto quanto para o período acumulado. No acumulado do ano, a arrecadação alcançou R$ 1,4 trilhão, representando um acréscimo pela inflação de 10,1%.

Quanto às receitas administradas pela Receita Federal, o valor arrecadado, em agosto, foi de R$ 165,1 bilhões, representando um acréscimo real de 7%, enquanto no período acumulado de janeiro a agosto, a arrecadação alcançou R$ 1,3 trilhão, crescimento real de 8,2%. A alta pode ser explicada, principalmente, pelo crescimento dos recolhimentos do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), que incide sobre o lucro das empresas. Segundo a Receita, eles são importantes indicadores da atividade econômica, sobretudo o setor produtivo.

O IRPJ e a CSLL totalizaram uma arrecadação de R$ 35,5 bilhões, com crescimento real de 27,1% em relação ao mesmo mês de 2021. Esse resultado é explicado pelo acréscimo real de 37,6% na arrecadação da estimativa mensal, principalmente pelo desempenho do setor financeiro com alta de 46,98% e das demais empresas de 36,3%. A Receita observa ainda que houve pagamentos atípicos nessas letras de, aproximadamente, R$ 5 bilhões, por empresas ligadas ao setor de commodities, associadas à mineração e extração e refino de combustíveis. De acordo com o órgão, grande parte desse aumento pode estar associado a fatores externos, como a variação do dólar e o preço do óleo bruto no mercado internacional, e a produção interna, demandada também pela recuperação da atividade econômica.

A Receita Federal apresentou ainda os principais indicadores macroeconômicos que ajudam a explicar o desempenho da arrecadação, tanto no mês quanto no acumulado do ano. Entre eles está a venda de serviços, com crescimento de 6,3% em julho e a massa salarial, que mantém crescimento significativo de 17,5% no mês. O valor em dólar das importações também cresceu 29,6% em relação a julho do ano passado.

Com Agência Brasil

O valor é o maior desde 2000

Copom diz que “não hesitará” em elevar juros caso inflação persista

Na semana passada, comitê do BC interrompeu ciclo de aumentos da Selic

Para o BC, a inflação ao consumidor segue elevada, apesar da queda recente e dos efeitos do corte de impostos em itens como combustíveis e energia elétrica

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) informou que “não hesitará” em retomar o ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, caso o processo de desinflação não transcorra como esperado. Em reunião na semana passada, diante da queda da inflação dos últimos meses, o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano. Para o colegiado, é preciso cautela e é necessário avaliar, ao longo do tempo, os impactos acumulados “do intenso e tempestivo ciclo de política monetária já empreendido”. A taxa continua no maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano. Essa foi a primeira pausa nas elevações após 12 altas consecutivas, em um ciclo que começou em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis.

“Devido a defasagens longas e variáveis da política monetária, ainda não se observa grande parte do efeito contracionista esperado, bem como seu impacto sobre a inflação corrente. Esses impactos devem ficar mais claros nos indicadores de atividade ao longo do segundo semestre”, diz a ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira (27). Para o BC, a inflação ao consumidor segue elevada, apesar da queda recente e dos efeitos do corte de impostos em itens como combustíveis e energia elétrica. De acordo com o documento, o comitê vai manter a vigilância e avaliar se a estratégia de manutenção da Selic por um período “suficientemente prolongado” será capaz de consolidar o processo de desinflação.

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, a decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz a ata. “O conjunto de indicadores divulgados desde a última reunião do Copom continua sinalizando crescimento na margem, ainda que mais moderado, e o mercado de trabalho seguiu em expansão, ainda que sem reversão completa da queda real dos salários observada nos últimos trimestres”, completa.

Inflação
A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para alcançar a meta de inflação. A elevação da Selic, que serve de referência para as demais taxas de juros no país, ajuda a controlar a inflação, porque a taxa causa reflexos nos preços, já que juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, contendo a demanda aquecida. Em agosto, a inflação teve recuo de 0,36%, após queda de 0,68% em julho. Com o resultado, o IPCA acumula alta de 4,39% no ano e 8,73% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A previsão para 2022 está acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,5% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2% e o superior 5%. Para 2023 e 2024, as metas fixadas são de 3,25% e 3%, respectivamente, com os mesmos intervalos de tolerância.

Para decidir sobre a manutenção da Selic, o comitê estabeleceu um cenário básico para a inflação, com as projeções em 5,8% para 2022, 4,6% para 2023 e 2,8% para 2024. As projeções para a inflação de preços administrados são de -4% para 2022, 9,3% para 2023 e 3,7% para 2024. O Copom adotou uma hipótese de bandeira tarifária “verde” em dezembro de 2022 e “amarela” em dezembro de 2023 e de 2024, além de taxa de câmbio partindo de US$ 5,20 e preço do petróleo seguindo a curva de alta pelos próximos seis meses e aumentando 2% ao ano posteriormente.

Riscos
Para o BC, o cenário básico para a inflação envolve fatores de risco em ambas as direções. Entre os riscos de alta está uma maior persistência das pressões inflacionárias globais, com uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica global. Além disso, há a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país. “O aumento de gastos de forma permanente e a incerteza sobre sua trajetória a partir do próximo ano podem elevar os prêmios de risco do país e as expectativas de inflação”, detalha a ata.

Entre os riscos de baixa, o BC destaca uma queda adicional dos preços das commodities internacionais em moeda local, uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada e a manutenção dos cortes de impostos projetados para serem revertidos em 2023. “O comitê reitera que há vários canais pelos quais a política fiscal pode afetar a inflação, incluindo seu efeito sobre a atividade, preços de ativos, grau de incerteza na economia e expectativas de inflação”, explicou o BC.

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Com Agência Brasil

Na semana passada, comitê do BC interrompeu ciclo de aumentos da Selic

Otimismo do comerciante recua pela segunda vez com desaceleração das vendas

Índice aumentou 5,2% em um ano, mas ainda está 2,7 pontos abaixo do nível pré-pandemia

O recuo da inflação e o Auxílio Brasil mais robusto não foram suficientes para evitar uma queda generalizada das vendas no varejo

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) marcou 125,5 pontos em setembro, redução de 2,6% no mês, com ajuste sazonal. Em um ano, porém, a confiança aumentou 5,2%, principalmente como efeito da retomada da circulação dos consumidores. Embora o otimismo dos comerciantes tenha evoluído positivamente este ano, o índice ainda está 2,7 pontos abaixo do nível antes da pandemia. Os dados fazem parte da pesquisa realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Assim como em agosto, a avaliação das condições atuais da economia brasileira apresentou a maior redução no mês, de 7,1%, influenciada pela piora na percepção sobre o desempenho do comércio (diminuição de 8,1%). Esses resultados estão em linha com o volume de vendas no varejo em julho, que apresentou queda de 0,7%, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a terceira taxa negativa consecutiva. “Com redução em todos os segmentos, exceto combustíveis e lubrificantes, a inflação mais baixa e o Auxílio Brasil mais robusto não foram suficientes para evitar uma queda generalizada das vendas no varejo”, avalia o presidente da CNC, José Roberto Tadros. A percepção do empresário sobre a situação de sua própria empresa caiu 6%, mas apresenta alta de 12,6% na variação anual.

Melhora da perspectiva para a economia no curto prazo
As expectativas dos comerciantes para os próximos meses tiveram ligeira redução, de 0,2%, em setembro. Por outro lado, melhorou a perspectiva para o desempenho da economia no curto prazo, com alta de 0,4%. “O incremento na atividade econômica deste ano vem sendo revisado para cima, como resultado da inflação mais contida, da geração líquida de vagas no mercado de trabalho e do reforço nas transferências de renda”, avalia o presidente da CNC. Ele pondera, no entanto, que os juros e o endividamento elevados podem atuar como limitadores da capacidade de consumo das famílias nos próximos meses. “Mesmo com o índice que mede a expectativa dos empresários do varejo apresentando queda desde julho, a comparação para meses de setembro mostra que o comerciante está atualmente mais otimista com o futuro no curto prazo do que em anos anteriores”, explica a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira. Ela lembra que, na última década, apenas em setembro de 2019 as perspectivas para o curto prazo superaram o nível atual.

Empresas de médio e grande porte querem investir em estoques
O ímpeto do varejo para a renovação dos estoques avançou 1,2% entre agosto e setembro, após dois meses de queda. Em um ano, a intenção de investir nos estoques cresceu 4,4%, com a diminuição da proporção de comerciantes que consideram os estoques acima do adequado (neste mês, 24,4% dos varejistas acreditavam ter mais mercadorias do que deveriam, enquanto essa proporção era de 25,1% há 12 meses). “Embora o volume de vendas no varejo esteja decrescendo nos meses recentes apurados pelo IBGE, o varejista tem ajustado a rotatividade dos estoques e aprimorado a gestão das prateleiras”, conclui Izis. Desde junho, a intenção de investir em estoques do comércio vem crescendo mais entre as empresas de médio e grande porte ou aquelas com mais de 50 funcionários.

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Índice aumentou 5,2% em um ano, mas ainda está 2,7 pontos abaixo do nível pré-pandemia

Conheça alternativas para empresas saírem da crise

Portabilidade e renegociação de dívidas são apenas duas delas

É preciso ter um panorama claro da situação da empresa e, assim, escolher o caminho mais adequado àquela realidade

Atualmente, 6,2 milhões de empresas estão inadimplentes no Brasil, segundo dados da Serasa Experian. Com a escalada da inflação, a ampliação da taxa de juros e a retomada ainda lenta da economia, aumenta também a dificuldade de pagar as dívidas. Além do passivo crescer continuamente, a inadimplência compromete investimentos e pode levar ao fechamento de unidades e de todo o negócio, além do aumento do desemprego. Por isso, é importante buscar saídas antes de o empresário perder o controle.

Especialista em direito empresarial e gestão de crises, o advogado João Medeiros Fernandes Júnior, da MSC Advogados, aponta que ainda há um desconhecimento sobre as diversas ferramentas disponíveis para enfrentar esse quadro. “Tivemos uma série de novos dispositivos criados justamente para que o empreendedor possa superar esse cenário de dificuldade e, assim, retomar o crescimento de forma sustentável”, explica. O advogado ressalta que, antes de mais nada, é preciso ter um panorama claro da situação da empresa e, assim, escolher o caminho mais adequado àquela realidade. “Quando se fala em dívida, logo se pensa em recuperação judicial, que é uma grande ferramenta, mas existem alternativas que podem ser utilizadas para superar a crise sem o envolvimento do Judiciário”, afirma. Medeiros detalha algumas das medidas que as companhias podem tomar para lidar com as crises. Confira.

1) Renegociação com instituições financeiras
O empreendedor pode buscar seu banco para renegociar as condições de empréstimos e outras operações contratadas, como as taxas de juros e prazos para pagamento. Além disso, é possível avaliar a portabilidade da dívida com outras instituições que tenham opções mais vantajosas.

2) Programas de recuperação fiscal
Conhecidos como Refis, são lançados periodicamente pela União, estados e municípios para a regularização de dívidas com a Receita Federal, Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, secretarias da Fazenda e outros órgãos. Oferece descontos expressivos, redução de multas e outras vantagens para a negociação.

3) Acordo de transação
Serviço que permite regularizar a situação fiscal com a União em condições mais vantajosas. Possui uma série de modalidades, como a renegociação da dívida ativa do FGTS, Simples Nacional e Funrural. Uma portaria da Receita Federal permitirá também, a partir de 1º de setembro, a renegociação de R$ 1,4 trilhão em dívidas tributárias que não estão sob contestação judicial. Será possível obter até 70% de desconto para empresas de todos os tamanhos.

4) Mediação e Conciliação Empresarial
São métodos alternativos de resolução de conflitos empresariais que agora estão regulamentados na Lei 11.101/05. No Rio Grande do Sul, o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) conta com profissionais capacitados e altos índices de eficiência na composição de litígios entre devedores e credores. Além disso, é possível a suspensão das dívidas por um prazo de até 60 dias, desde que atendidos os requisitos previstos na legislação. Isso proporciona, por um lado, um fôlego ao empresário e, por outro, uma melhor interlocução entre as partes na busca de um consenso.

5) Recuperação extrajudicial
Medida em que as empresas podem negociar diretamente com os credores as suas dívidas e propor um plano de pagamento, sem a obrigatoriedade da intervenção do Judiciário, que só será provocado se não houver consenso. A alternativa foi aprimorada pela lei 14.122/2020, possibilitando a inclusão de débitos trabalhistas. Além disso, as companhias também podem obter a suspensão temporária dos processos enquanto a negociação é realizada.

6) Recuperação judicial
Modalidade bastante conhecida, em que a empresa ingressa com pedido de reestruturação na Justiça, obtém a suspensão das ações e execuções por 180 dias e apresenta um plano de pagamento das dívidas. Este deverá ser aprovado pelos credores reunidos em assembleia e, depois, passar pela homologação judicial. Com a nova legislação de 2020, produtores rurais também podem se beneficiar dessa medida.

Portabilidade e renegociação de dívidas são apenas duas delas

Sephora abre sua primeira loja em Balneário Camboriú

Essa é a quarta loja da rede no Sul, já presente em Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS)

Neste ano, a Sephora completa 10 anos no Brasil

Em seu plano de expandir estrategicamente pelo Brasil, a Sephora abre hoje (23) as portas de sua primeira loja em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, no Balneário Shopping. A inauguração vem após um experimento com uma pop up store da marca no mesmo shopping em 2018, que funcionou como um termômetro para que voltassem de maneira sólida para a região. Outro impulsionador da escolha foi a forte presença de compradores do estado nas plataformas de compras digitais da Sephora. 

Esta é a nossa primeira expansão de 2022 e estamos muito confiantes pelo o que ainda iremos realizar neste ano, no qual a Sephora comemora 10 anos no Brasil”, explica Andrea Orcioli, CEO da marca. Essa é a quarta loja da rede na Região Sul, que já está presente com duas unidades em Curitiba, no Paraná, e uma em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. 

A nova loja, localizada no piso L2 do Balneário Shopping, segue os padrões internacionais da rede em seu projeto. Os clientes catarinenses poderão encontrar marcas exclusivas como Nars, Sephora Collection, Fenty Beauty, Anastasia Beverly Hills, Sol de Janeiro, Drunk Elephant, Jo Malone, KVD Beauty, Kylie Cosmetics e Kylie Skin e a recém-chegada Rare Beauty, marca de maquiagem de Selena Gomez.

Essa é a quarta loja da rede no Sul, já presente em Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS)

Gaúcha Vipal Máquinas expande na Argentina e no Brasil

Além da Argentina, a Vipal já exportou suas máquinas para o Uruguai, Chile, Nova Zelândia, Espanha, Estados Unidos e El Salvador

Desenvolvidos com tecnologia 100% própria, os equipamentos da empresa são produzidos desde 2016 em Nova Prata (RS)

A Futur-Gom, empresa localizada em General Ramirez, na província de Entre Ríos, na Argentina, adquiriu um novo equipamento da Vipal Máquinas, braço da gaúcha Vipal Borrachas que desenvolve e produz maquinários para processo de reforma de pneus. A aquisição da argentina foi uma raspadora, que irá agilizar o processo de preparação dos pneus para a reforma. A empresa já contava com uma extrusora de ligação da Vipal, que, segundo o sócio-gerente Fernando Muller, “melhorou os processos de 30% a 40%”. 

Quem também apostou recentemente nas máquinas da Vipal foi a brasileira NSA Pneutec, de Santana do Parnaíba (SP), que adquiriu três novos equipamentos de uma só vez. A reformadora conta agora com quatro máquinas do portfólio da Vipal, visando a atender à crescente demanda de mercado. 

Essas aquisições fazem parte de uma movimentação percebida nas reformadoras da Vipal Rede Autorizada, grupo de empresas ligados à Vipal Borrachas, cerca de 250 na América Latina. As reformadoras, tanto na Argentina quanto no Brasil, estão investindo na automação e padronização dos seus processos. Além da Argentina, a Vipal já exportou suas máquinas para o Uruguai, Chile, Nova Zelândia, Espanha, Estados Unidos e El Salvador. Desenvolvidos com tecnologia 100% própria, os equipamentos da empresa são produzidos desde 2016 em Nova Prata (RS).

Além da Argentina, a Vipal já exportou suas máquinas para o Uruguai, Chile, Nova Zelândia, Espanha, Estados Unidos e El Salvador

IPCA-15 de setembro apresenta deflação por causa dos combustíveis

A previa da inflação desacelerou para 7,96% nos últimos doze meses

Prévia da inflação de setembro mostra combustíveis com queda de quase 10% (Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias)

A prévia da inflação de setembro ficou em -0,37%, registrando a segunda queda seguida após -0,73% em agosto. O preço dos combustíveis teve a maior influência, com destaque para o recuo na gasolina, em particular. O IPCA-E, que se constitui no IPCA-15 acumulado trimestralmente, foi de -0,97%. Já no acumulado do ano, o IPCA-15 tem alta de 4,63% enquanto nos últimos 12 meses, a taxa desacelerou para 7,96%, abaixo dos 9,6% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2021, o índice foi de 1,14%.

Apesar da deflação, apenas três grupos de produtos e serviços dos nove pesquisados tiveram queda em setembro, aponta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) divulgado hoje (27) pelo IBGE. Influenciado pelo item “combustíveis”, o grupo dos transportes registrou recuo de 2,35% nos preços e deu a maior contribuição em pontos percentuais do índice. Etanol (-10,1%), gasolina (-9,78%), óleo diesel (-5,4%) e gás veicular (-0,3%) tiveram queda nos preços no período, com a gasolina contribuindo com o impacto negativo mais intenso entre os 367 itens pesquisados no IPCA-15 de setembro. Esse resultado decorre da redução no preço do produto vendido para as distribuidoras, em 16 de agosto (R$ 0,18 por litro) e em 2 de setembro (R$ 0,25 por litro). Por outro lado, no grupo houve aumento de preços em passagens aéreas (8,2%), que voltaram a subir após a queda de 12,22% em agosto, em seguro voluntário de veículo (1,74%), emplacamento e licença (1,71%) e conserto de automóvel (0,62%).

Já o grupo de alimentação e bebidas (-0,47%) teve o índice puxado para baixo pela alimentação no domicílio (-0,86%). Entre os subitens, destacam-se os recuos do óleo de soja (-6,5%), do tomate (-8,04%) e principalmente do leite longa vida (-12,01%). Apesar dessa queda em setembro, o preço do leite acumula alta de 58,1% no ano no IPCA-15. Por outro lado, os subitens que tiveram alta no grupo foram cebola (11,39%), frango em pedaços (1,64%) e frutas (1,33%). Já a alimentação fora do domicílio desacelerou e passou de 0,8% em agosto para 0,59% em setembro.

Os demais seis grupos apresentaram alta no IPCA-15 de setembro. Destaque para vestuário (1,66%), com alta nos preços das roupas femininas (1,83%), masculinas (1,78%) e infantis (1,52%), que voltaram a subir de forma mais intensa. Além disso, os calçados e acessórios (1,58%) também tiveram alta superior a 1%, enquanto as joias e bijuterias (0,98%) cresceram após queda de 0,36% em agosto. O grupo de saúde e cuidados pessoais (0,94%) foi influenciado pelos itens de higiene pessoal (1,28%), planos de saúde (1,13%) e produtos farmacêuticos (0,81%).

Vindo de queda de 0,37% em agosto, o grupo de habitação (0,47%) viu os preços aumentarem puxado pelos itens gás de botijão (0,81%) e aluguel residencial (0,72%), além da energia elétrica (0,41%), tendo em vista que, em Belém (10,52%), a tarifa por kWh foi reajustada em 14,74% em 7 de agosto. O valor do gás encanado (0,3%) também foi elevado, em função dos reajustes verificados em duas áreas: no Rio de Janeiro (0,13%), com reajuste de 0,2% desde 1º de agosto; e em Curitiba (1,95%), onde foi aplicado um aumento de 2,26% nas tarifas residenciais em 9 de agosto.

Sobre o IPCA-15
O IPCA-15 difere do IPCA, a inflação oficial do país, somente no período de coleta e na abrangência geográfica. Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 13 de agosto a 14 de setembro de 2022 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 14 de julho a 12 de agosto de 2022 (base). O IPCA-15 refere-se a famílias com rendimentos de 1 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

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A previa da inflação desacelerou para 7,96% nos últimos doze meses

Contas externas têm saldo negativo de US$ 4,1 bilhões em julho

Investimentos diretos no país somaram US$ 7,7 bilhões

As exportações de bens totalizaram US$ 30,2 bilhões em julho, aumento de 17,4% em relação a igual mês de 2021

As contas externas tiveram saldo negativo de US$ 4,1 bilhões em julho, informou o Banco Central (BC). No mesmo mês de 2021, o déficit havia sido de US$ 1,1 bilhão nas transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda com outros países. A diferença na comparação interanual se deve ao resultado do superávit comercial que reduziu US$ 2,1 bilhões, enquanto os déficits em serviços e renda primária (lucros e dividendos) aumentaram US$ 790 milhões e de US$ 179 milhões, respectivamente. No acumulado do ano, o déficit é de US$ 18,4 bilhões, contra saldo negativo de US$ 9,7 bilhões de janeiro a julho de 2021.

Balança comercial e serviços
As exportações de bens totalizaram US$ 30,2 bilhões em julho, aumento de 17,4% em relação a igual mês de 2021. As importações somaram US$ 26 bilhões, incremento de 33,8% na comparação com julho do ano passado. Com esses resultados, a balança comercial fechou com superávit de US$ 4,1 bilhões no mês de julho, ante saldo positivo de US$ 6,2 bilhões em julho de 2021.

Em julho de 2022, o déficit em renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) chegou a US$ 6,5 bilhões, relativamente estável antes os US$ 6,356 bilhões no mesmo mês de 2021. Normalmente, essa conta é deficitária, já que há mais investimentos de estrangeiros no Brasil, que remetem os lucros para fora do país, do que de brasileiros no exterior.

Investimentos
Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 7,7 bilhões no mês de julho, ante US$ 6,6 bilhões em julho de 2021, disseminado em diversos setores da economia. Houve ingressos líquidos em participação no capital, US$ 5,5 bilhões, como compra de novas empresas e reinvestimentos de lucros. Enquanto isso, as operações intercompanhia (como os empréstimos da matriz no exterior para a filial no Brasil) tiveram superávit de US$ 2,1 bilhões. Nos 12 meses encerrados em julho de 2021, o IDP totalizou US$ 65,6 bilhões, correspondendo a 3,7% do PIB. Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, porque os recursos são aplicados no setor produtivo e costumam ser investimentos de longo prazo.

Com Agência Brasil

Investimentos diretos no país somaram US$ 7,7 bilhões

BRDE tem aval da União para captar R$ 2 bilhões junto a bancos internacionais

Aprovação da Secretaria Nacional do Tesouro reforça política do banco para diversificar suas fontes de recursos

A maior parte dos recursos estará voltada a projetos de geração de energia com fontes renováveis, maior eficiência energética (iluminação pública), inovação, redução das desigualdades e o agro sustentável

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) está dando um importante passo na sua política de diversificação das fontes de recursos adotada nos últimos anos. A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) acaba de aprovar operações através de organismos internacionais que somam R$ 2 bilhões pela cotação atual das moedas estrangeiras. O aval do órgão do Ministério da Economia é para captações junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na ordem de US$ 150 milhões, Banco Mundial (134,6 milhões de euros) e outros 89,6 milhões de euros do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB).

“O momento é de alta demanda por crédito diante da retomada na economia no pós-pandemia em vários setores produtivos. Além de sinalizar para a credibilidade do BRDE em escala global, as parcerias junto a estes organismos internacionais irão reforçar ainda mais nossa atuação voltada a projetos comprometidos com as pautas de sustentabilidade e inovação”, destacou o diretor de Planejamento e de Operações do banco, Otomar Vivian. Ele salienta igualmente que as linhas de crédito em moeda estrangeira estão se mostrando bastante competitivas diante do contexto de alta na taxa Selic. “Como o BRDE preferencialmente apoia projetos de longo prazo, percebe-se maior interesse por operações com esse perfil”, descreveu.

Como as instituições internacionais estão alinhadas com as metas globais da Agenda 2030, em especial na questão de transição enérgica, a maior parte dos recursos estará voltada a projetos de geração de energia com fontes renováveis, maior eficiência energética (iluminação pública), inovação, redução das desigualdades e o agro sustentável. De cada quatro operações de crédito do BRDE nos estados onde opera, três têm vínculo direto com ao menos um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. “Na medida que o BRDE amplia seu funding com os bancos internacionais, esse compromisso com um futuro sustentável e com maior equidade se acentua”, aponta Vivian.

Dos R$ 4,1 bilhões das operações realizadas em 2021 (recorde histórico), os recursos internacionais já responderam por 15,7% (R$ 649 milhões), oriundos da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), do Banco Europeu de Investimentos (BEI) e do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). Ainda no mês de julho deste ano, o BRDE recebeu revisão para melhor na classificação de risco em escala internacional de longo prazo.

Para a agência Fitch Ratings, o banco passou para nível estável na análise das operações com moeda estrangeira (BB -, com perspectiva estável, mesmo ranting ao soberano). No seu relatório, a Fitch mencionou que, além da menor percepção de risco da União e dos estados controladores do BRDE, o próprio banco demonstra fundamentos econômicos e financeiros positivos.

Aprovação da Secretaria Nacional do Tesouro reforça política do banco para diversificar suas fontes de recursos

Uma janela de oportunidades

A reação de potências ocidentais para rivalizar com o projeto chinês de nova rota da seda poderá beneficiar os países em desenvolvimento com fortes investimentos em infraestrutura

Sim, o Brasil e todos os demais países latino-americanos, africanos e asiáticos, de baixa e média renda, precisam muito de trilhões de dólares de investimentos em infraestrutura. E, pelo visto, a China e os “países ricos” têm necessidade de investir muito dinheiro na maioria dessas nações, em primeiro lugar para conseguir que o seu próprio futuro seja melhor

Apenas 11 anos depois de terminar o New Deal (1933-37), o grande investimento público em infraestrutura para reerguer a economia norte-americana após a crise de 1929, o governo dos Estados Unidos se viu obrigado a realizar bilionários investimentos na Europa e Japão (Plano Marshall, 1948-51), para reerguer as economias dos países devastados pela II Guerra Mundial. Um total de US$ 132 bilhões teria sido aplicado nesse período, segundo estimativas atualizadas (2020), ou US$ 1,3 trilhão, de acordo com o critério de correspondência da porcentagem de investimento do Orçamento do governo dos Estados Unidos (EUA) da época e o de 2020. Essa montanha de dinheiro beneficiou principalmente o Japão e a Alemanha, proporcionando-lhes o “empurrão” necessário para tornarem-se potências industriais, e, em duas décadas, a segunda e a terceira maiores economias do mundo.

Em 2009, foi a vez da China investir mais de US$ 500 bilhões em infraestrutura no interior do país, para escapar da contaminação da crise econômica, desencadeada pelo colapso do sistema financeiro norte-americano em 2008, que atingiu o mundo inteiro. Graças aos investimentos das empresas estatais e do governo central, a China conseguiu manter sua economia crescendo, o que possibilitou a outros países recuperarem-se mais rapidamente da crise, dado o volume de compras do segundo maior importador mundial e a continuidade de investimentos de suas empresas, principalmente na África e América Latina.

Quatro anos depois, a China tornou-se “a” investidora global em infraestrutura, com o maior conjunto simultâneo de obras de logística, através de aportes internos e na Ásia Central e África: a “Iniciativa Cinturão e Rota” (BRI), que teria recebido, até 2020, um total de US$ 140 bilhões. Esse investimento chinês é disputado na própria Ásia, e em todos os países da África e América Latina, porque permite diminuir o imenso déficit existente, principalmente no setor de transportes, com o aumento do modal ferroviário – algo vital para o desenvolvimento do Brasil e de vários países africanos, por exemplo. Para viabilizar recursos para a construção de ferrovias e outras grandes obras necessárias à conectividade mundial pretendida com a BRI, a China liderou a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como “Banco dos BRICs”, em 2014 (atualmente presidido pelo brasileiro Marcos Troyjo), do qual o Brasil faz parte, e em 2015 do Banco de Investimento em Infraestrutura da Ásia, que anuncia ser sua missão “financiar o amanhã”.

Continuando a construir o tempo todo, a China mantém em alta a sua demanda tradicional por cimento e aço – cerca de metade do consumo mundial –, e dinamiza a economia local das dezenas de países nos quais realiza obras – em geral, portos e ferrovias. A lógica chinesa parece ser a de reduzir custos de transportes de todos os países fornecedores de commodities (atuais e futuros), possibilitando-lhes assim também reduzirem os custos de internalização de mercadorias importadas, o que permitirá à China e a todos os seus parceiros comerciais diminuição de preços das mercadorias, fator decisivo para manter baixas as taxas de inflação e preservar o poder de compra das populações desses países.

Decididos a fazer frente à ofensiva mundial chinesa em investimentos em infraestrutura, EUA e União Europeia anunciaram em 1º de dezembro de 2021 o Global Gateway, visando ofertar até 300 bilhões de euros para investir em projetos públicos e privados na África, Ásia e América Latina; e no dia 26 de junho de 2022, lançaram o Build Back Better World (B3W), plano de investimentos em infraestrutura para países de baixa e média renda, declaradamente concorrente da “Nova Rota da Seda” (BRI) construída e operada pela China, ofertando digitalização, energia renovável e preservação ambiental aos países “da América Latina e do Caribe à África até o Indo-Pacífico”.

A indústria brasileira só será competitiva internacionalmente se usar ferrovias

Segundo o informe oficial do governo norte-americano, o B3W é iniciativa sua e dos demais países integrantes do G7 “para ajudar a reduzir a necessidade de infraestrutura de US$ 40 trilhões no mundo em desenvolvimento até 2035” (…), “em quatro áreas de foco – clima, segurança sanitária e saúde, tecnologia digital e equidade e igualdade de gênero”, via mobilização de capital do setor privado e de instituições financeiras de desenvolvimento, como a Development Finance Corporation, Usaid, EXIM, Millennium Challenge Corporation e Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA, por exemplo. Ainda é muito cedo para se avaliar os impactos possíveis resultantes da implementação do B3W, que teria sido elaborado a partir do Blue Dot Network (BDN), ambicioso plano estadounidense visando construir rede global de financiamento de construção de estradas, pontes, aeroportos, portos e usinas de energia, lançado em novembro de 2019.

Dada a necessidade de aprovação da liberação dos recursos do B3W pelas muitas instituições envolvidas, o mais provável é que os recursos só comecem a ser efetivamente liberados no segundo semestre de 2023. Até lá, o que há disponível são os recursos investidos pela China, que por sua vez enfrenta situação econômica difícil, resultante da combinação dos efeitos da pandemia no país e no mundo: queda do crescimento do PIB, dificuldades no transporte marítimo, crise no setor imobiliário, necessidade de absorver 11 milhões de universitários recém-formados no mercado de trabalho e aumento considerável da disposição – pública – dos EUA, Alemanha, França e Reino Unido em enfrentarem o maior exportador e investidor do mundo.

Evidentemente, a decisão dos “países ricos” de enfrentamento em campo aberto com a China, via investimento em infraestrutura tecnológica e de transporte nos países de baixa e média renda, é motivada essencialmente por razões de mercado. Todos os estudos da OCDE e dos EUA são muito claros em relação à liderança mundial chinesa nos próximos 20 anos, na economia, comércio exterior, indústria, tecnologia, inovação…

Realmente, ou os “países ricos” investem pesado agora, para aumentar a infraestrutura de países cujos mercados consumidores ainda podem ser disputados com as empresas chinesas, ou dentro de poucos anos essa “janela de oportunidades” deixará de existir, e serão relegados a segundo plano na disputa comercial mundial, perdendo a capacidade de reagir à ocupação de espaço. Traduzindo, trata-se de questão de sobrevivência deles, a médio e longo prazos.

O outro lado da moeda dessa possível trilionária oferta de recursos é o dos países que precisam de infraestrutura e não têm recursos para investir, principalmente da África e América Latina – e para os quais dispor desses financiamentos fará muita diferença nos próximos anos, para o bem e para o mal. Isso porque todos esses países – inclusive o Brasil – exporta muito mais produtos primários e importa muito mais produtos industrializados, para a China, EUA e países europeus. Ainda que o discurso desses planos hoje seja o de investir para o desenvolvimento dos países de renda baixa e média, permitindo acreditar que se quer de fato o progresso global via redução da pobreza, o retrospecto da relação no século 20 dos países europeus e EUA com países africanos, asiáticos e latino-americanos é o de continuidade da exploração de recursos naturais. Critérios objetivos terão de ser levados em conta na elaboração dos projetos e negociação dos empréstimos, visando garantir a industrialização 4.0 de todos os países beneficiários, para que tenham realmente um futuro melhor.

Sofrendo acentuada desindustrialização há 30 anos, perdendo mercados tradicionais para empresas chinesas, desperdiçando competitividade nas rodovias – mais de 60% da matriz de transportes – e em franca desvantagem no acesso e custo do capital, o Brasil é o caso mais emblemático de todos, pelas dimensões da sua relação comercial com a China (US$ 130 bilhões em 2021), pelo fato desse país ser o maior parceiro comercial e porque a maior parte das suas exportações são quatro produtos primários.

Sim, o Brasil e todos os demais países latino-americanos, africanos e asiáticos, de baixa e média renda, precisam muito de trilhões de dólares de investimentos em infraestrutura. E, pelo visto, a China e os “países ricos” têm necessidade de investir muito dinheiro na maioria dessas nações, em primeiro lugar para conseguir que o seu próprio futuro seja melhor. A chance dessa equação ser equilibrada depende essencialmente de qual país ou instituição de países beneficiários em potencial dos empréstimos liderará as negociações com os EUA, China e União Europeia. Experientes, os investidores certamente vão preferir dividir para continuar reinando, porque não lhes interessa simplesmente emprestar, mas, como sempre, vincular esses recursos emprestados à compra de equipamentos e contratação de serviços. Pensar estrategicamente a relação com a China, EUA e União Europeia exige olhar para 2050, que nem está tão longe assim. Provavelmente é o que alguns dos nossos vizinhos estão fazendo, e certamente também alguns países africanos e asiáticos. Até porque muitos deles vão aumentar exponencialmente a população até lá, enquanto alguns outros deverão encolher a quantidade de habitantes – inclusive o Brasil. Como sonhar não custa, em momentos assim sempre é bom pensar para o Brasil em triplicar a malha ferroviária, expandir a aviação regional e melhorar muito o transporte fluvial e os portos e transporte marítimo. Ter trem de carga e passageiros ligando Porto Alegre a São Paulo e ao Nordeste, e o Centro-Oeste ao Pacífico. Reindustrializar o país, agora “4.0”, é obrigatório para se construir um futuro melhor, e a indústria brasileira só será competitiva internacionalmente se sair dos caminhões para os trilhos e os portos.

Esse conteúdo integra a edição 341 da revista AMANHÃ, publicação do Grupo AMANHÃ. Clique aqui para acessar a publicação online, mediante pequeno cadastro.

A reação de potências ocidentais para rivalizar com o projeto chinês de nova rota da seda poderá beneficiar os países em desenvolvimento com fortes investimentos em infraestrutura

BC estabelece limite de cobrança de taxas nas máquinas de cartão

Resolução passa a vigorar em 1° de abril de 2023

A nova regulação estabelece o limite máximo de 0,5% a ser aplicado em qualquer transação de cartões de débito e 0,7% aplicado em qualquer transação de cartões pré-pagos

O Banco Central estabeleceu limites para a cobrança da tarifa de intercâmbio (TIC) e para o prazo de liquidação de operações de cartões pré-pagos e de cartões de débito. A TIC é a remuneração paga ao emissor do cartão, a cada transação, pelo credenciador do estabelecimento comercial, que é quem aluga as maquininhas de cartão para os comerciantes. A nova regulação estabelece o limite máximo de 0,5% a ser aplicado em qualquer transação de cartões de débito e 0,7% aplicado em qualquer transação de cartões pré-pagos. Também deverá ser obedecido o mesmo prazo para disponibilização dos recursos aos estabelecimentos comerciais, independentemente de o cartão ser de débito ou pré-pago.

A resolução foi adotada pelo BC após consulta pública e passa a vigorar a partir de 1º de abril de 2023. Segundo o órgão, esta tarifa representa um custo que o credenciador repassa ao estabelecimento comercial que, por sua vez, repassa ao consumidor. “As medidas visam a aumentar a eficiência do ecossistema de pagamentos, estimular o uso de instrumentos de pagamentos mais baratos, possibilitando a redução dos custos de aceitação desses cartões aos estabelecimentos comerciais, além de possibilitar reduções de custo de produtos aos consumidores finais, de forma a proporcionar benefícios para toda a sociedade”, explicou em nota.

Segundo a autarquia, a medida também aumenta a transparência para os participantes do mercado quanto aos custos envolvidos na transação e facilita a supervisão da aplicação da regra. O BC esclareceu que, em relação à regulamentação anterior, a nova norma simplificou a forma de aplicação do limite para a TIC dos cartões de débito. Antes, havia uma definição cumulativa de média ponderada de 0,5% e valor máximo por transação de 0,8%, agora passará a ser apenas de um percentual máximo por operação. A medida ainda eliminou as exceções previstas para transações não presenciais e com uso de cartões corporativos.

No caso dos cartões pré-pagos, ao estabelecer o limite máximo de TIC, o Banco Central reconhece a “sua importância para a inclusão financeira da população de menor renda e para a digitalização da atividade de pagamentos, com a consequente redução da utilização dinheiro para realizar pagamentos”. Para o BC, a uniformização do prazo de liquidação das transações, seja com cartões de débito ou pré-pagos, também possibilita melhores condições para a gestão de fluxo de caixa dos estabelecimentos comercias, além de reduzir eventuais custos de antecipação de recebíveis.

Com Agência Brasil

Resolução passa a vigorar em 1° de abril de 2023

Confiança dos consumidores avança 5,4 pontos em setembro

Alta foi influenciada pela melhora dos indicadores sobre o momento

Resultado pode estar relacionado com a queda nas expectativas de inflação dos consumidores para os próximos 12 meses

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) avançou 5,4 pontos em setembro, para 89 pontos, o maior nível desde janeiro de 2020, com 90,4 pontos. Em médias móveis trimestrais, o índice subiu 3,3 pontos, para 84 pontos. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Segundo a coordenadora das Sondagens do Ibre/FGV, Viviane Seda Bittencourt, a confiança dos consumidores sobe pelo quarto mês consecutivo influenciada pelas perspectivas mais otimistas em relação aos próximos meses. De acordo com ela, tal resultado parece estar relacionado com a queda nas expectativas de inflação dos consumidores para os próximos 12 meses e um aumento do otimismo em relação ao mercado de trabalho.

“Há um aumento na intenção de consumo, exceto para os consumidores de renda mais baixa, o que reflete ainda dificuldades dessa classe. Além disso, a proximidade das eleições tem um efeito potencializador dessas expectativas. É necessário ter cautela nesses resultados, considerando uma política monetária ainda restritiva e a possibilidade de desaceleração da atividade econômica, que reduziria a velocidade de recuperação do mercado de trabalho”, explicou a pesquisadora, em nota.

Conforme o Ibre/FGV, a alta em setembro foi influenciada pela melhora dos indicadores sobre o momento e próximos meses. O Índice de Expectativas (IE) avançou 7,6 pontos, para 100,2 pontos, maior desde dezembro de 2019, com 100,3 pontos, período pré-pandemia da covid-19. O Índice de Situação Atual (ISA) subiu 1,6 ponto, para 73,3 pontos, maior resultado desde março de 2020, embora ainda baixo em termos históricos.

Em relação aos indicadores que medem a satisfação dos consumidores no momento, há uma percepção de melhora da situação econômica com aumento de 2,5 pontos no indicador para 82,3 pontos, maior nível desde fevereiro de 2020 (85,5 pontos). A avaliação sobre a situação financeira da família se alterou pouco, 0,8 ponto para 64,9 pontos, nível ainda baixo em termos históricos. Nas expectativas, o item que mais contribuiu para a alta no mês foi o que mede o otimismo das famílias em relação à situação financeira nos próximos seis meses, cujo indicador subiu 10,4 pontos para 100,8 pontos, maior nível desde janeiro de 2020 (81,7 pontos).

O indicador que mede a situação econômica também avançou pelo quarto mês consecutivo. Em setembro subiu 6,1 pontos para 115,4 pontos, maior desde julho de 2021 (116,3 pontos). A intenção de compra de bens duráveis se eleva pelo segundo mês consecutivo, dessa vez 5,4 pontos, acumulando alta de 16,7 pontos nos dois últimos meses levando o índice para 84,4 pontos, melhor resultado desde fevereiro de 2019 (86,6 pontos).

Com Agência Brasil

Alta foi influenciada pela melhora dos indicadores sobre o momento

BC Token alcança 5 mil usuários e supera expectativa de pré-venda

Valor acessível em lotes promocionais é um dos fatores que fizeram a BC Token vender 22 vezes mais que o esperado em um mês

Ao todo, já foram vendidos 70% dos ativos disponibilizados neste primeiro lote que será oferecido até outubro, quando a moeda entra em vigor

O BC Token, moeda digital que fez de Balneário Camboriú a primeira cidade tokenizada da América Latina, já alcançou a marca de 5 mil usuários no seu primeiro mês de pré-vendas ao valor promocional de U$ 0,05 e U$ 0,07 cada. Ao todo, já foram vendidos 70% dos ativos disponibilizados neste primeiro lote, que será oferecido até outubro, quando a moeda entra em vigor. O resultado superou em 22 vezes as expectativas dos idealizadores.

A moeda virtual de Balneário Camboriú também tem se destacado por ser uma opção de entrada para novos investidores deste mercado. “Muita gente, se pudesse voltar no tempo, teria investido em Bitcoin, por exemplo, depois que acompanhou a sua supervalorização, então hoje as pessoas estão buscando esclarecimento sobre este modelo de investimento para entender melhor o negócio das criptomoedas e suas vantagens, aumentando o número de adeptos”, diz João Rodrigues, um dos fundadores e desenvolvedor da BC Token e da plataforma BC Digital.

Segundo dados do Coinmarketcap, principal monitor global de cripto investidores, o Brasil está entre os cinco países do mundo com maior número de investidores em moedas digitais. Em maio de 2022, quando foi lançada a pesquisa, já eram mais de 10 milhões de brasileiros, algo em torno de 5% da população, o que deixa o país atrás apenas de Índia, EUA, Rússia e Nigéria – número que já supera o mercado de ações, que conta com cerca de 4 milhões de investidores na B3.

Os desenvolvedores do BC Token acreditam que a procura pela criptomoeda inédita no Brasil se dá em especial pelo valor acessível neste momento de venda promocional, já que investir pouco neste ramo é uma tendência nacional. Ainda segundo a Coinmarketcap, em termos financeiros, o país representa uma pequena participação, cerca de 2% do mercado mundial, que foi de R$ 5,4 trilhões em 2021. “Quando alguém pensa em entrar neste mercado que ainda é tão desconhecido, o risco é levado em consideração, por isso, investimentos baixos são mais atrativos, mas pensamos além e, aliado ao preço, buscamos oferecer benefícios como uma conexão comercial com o metaverso, que, num curto espaço de tempo, já vai ser realidade na cidade de Balneário Camboriú onde compra e venda de imóveis, por exemplo, poderão ser feitas via BC Token e onde todo o processo, desde a visita do imóvel, poderá ser virtual”, João exemplifica.

Para os idealizadores, a BC Token visa possibilitar a entrada de participantes no processo inovador da blockchain, que são dados financeiros públicos e seguros. “Projetamos para o BC Token um sistema de negócio em constante crescimento, por meio de uma tecnologia acessível, para promover um sistema de business com escalabilidade, autonomia e segurança”, explica João. “É um negócio disruptivo com atuação socioeconômica em conjunto com a gestão das atividades financeiras da cidade de Balneário Camboriú. Estamos adiantados em relação ao nosso roadmap, o que já coloca o cadastramento de parceiros e estabelecimentos nos próximos 15 dias, dentro da própria ferramenta da BC Wallet.” 

Valor acessível em lotes promocionais é um dos fatores que fizeram a BC Token vender 22 vezes mais que o esperado em um mês

Mercado financeiro reduz estimativa da inflação para 5,88%

É a 13ª redução consecutiva da projeção

A expectativa para a cotação do dólar manteve-se em R$ 5,20 para o final deste ano

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, caiu de 6% para 5,88% neste ano. É a 13ª redução consecutiva da projeção. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (26), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), com a expectativa de instituições para os principais indicadores econômicos.

A previsão para 2022 está acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,5% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2% e o superior 5%. Em agosto, a inflação teve recuo de 0,36%, após queda de 0,68% em julho. Com o resultado, o IPCA acumula alta de 4,39% no ano e 8,73% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa está no maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano. Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre o ano nesse patamar.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Além da taxa Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Com a recente queda na inflação, o Banco Central decidiu interromper o ciclo de alta dos juros, após um ano e meio de reajustes seguidos. O Copom se reuniu na semana passada e manteve a taxa nos atuais 13,75%. Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

As instituições financeiras consultadas pelo BC elevaram a projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano de 2,65% para 2,67%. A expectativa para a cotação do dólar manteve-se em R$ 5,20 para o final deste ano.

Com Agência Brasil

É a 13ª redução consecutiva da projeção

Luiz Gustavo da Silva Buske conquista o título de Melhor Sommelier do RS

O anúncio ocorreu durante a Wine South America. Concurso contou pela primeira com presença de um público numeroso formado pelos visitantes da feira

Buske, de 31 anos, iniciou a carreira como garçom. Atualmente gerencia o Braziolli Restaurante, de Canela, e também o Olivas GastrroBar, de Gramado

Luiz Gustavo da Silva Buske conquistou o título de Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul. O anúncio foi feito após prova prática realizada ao lado dos também sommeliers Emmanuel Vinicius Franco de Abreu e Nasser Augustus Najar. O concurso, que está em sua segunda edição, foi promovido pela seccional gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS). Pela primeira vez o evento contou com a presença de um público numeroso formado pelos visitantes da feira e também foi transmitido ao vivo pelo canal do YouTube da ABS-RS.

Buske, de 31 anos, iniciou a carreira como garçom. Atualmente gerencia o Braziolli Restaurante, de Canela, e também o Olivas GastrroBar, de Gramado. “Fui criado no salão fazendo um serviço mais formal, o que ajudou bastante no Concurso, ainda que a pressão seja enorme”, destaca. “Nos dois estabelecimentos trabalhamos muito fortemente com o vinho. Meu dia a dia é gerir os estabelecimentos, cuidar do treinamento das equipes e gosto de acompanhar muito meus clientes também”, conta. Por ter conquistado o concurso, Buske será o terceiro profissional do Rio Grande do Sul a obter o Pin verde-e-amarelo. Antes dele, apenas o sommelier Vinícius de Miranda Santiago, também diretor da ABS-RS, juntamente com Deisi da Costa, a melhor sommelière do estado em 2021, tinham essa honraria. O vencedor, por ter vencido a disputa, também terá a oportunidade de participar de uma das turmas dos cursos avançados da ABS-RS, Master Países e Regiões ou Master Profissionais de Excelência, que iniciam no próximo ano.

Elencaram a banca avaliadora os jurados Adeliano Cargnin (chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho), André Gasperin (presidente da Associação Brasileira de Enologia), Angélica Brandalise (gestora de projetos da cadeia de vitivinicultura do Sebrae RS), Babiana Mugnol (sommelière e jornalista do Grupo RBS), Daniel Panizzi (presidente da União Brasileira de Vitivinicultura), Deisi da Costa (a melhor sommelière do Rio Grande do Sul em 2021), Flávia Milanez Milaneze (CEO na Milanez & Milaneze S/A, promotora da Wine South America), Gilberto Pedrucci (diretor executivo do Sindivinho) e Marcos Antônio Ferronatto (presidente do SEGH Região Uva e Vinho). O júri foi presidido por Vinícius Santiago, diretor de degustação da ABS-RS. Ainda integraram o grupo Andreia Gentilini Milan, Caroline Dani, Júlio César Kunz, Marcos Graciani, Maurício Roloff e Patrícia Binz, diretores da seccional gaúcha da entidade. Os 15 especialistas avaliaram diversos pontos entre os candidatos, como a identificação de determinadas bebidas servidas às cegas e erros em uma carta. Os três finalistas também apresentaram o serviço formal do vinho.

“Na prova teórica já nos surpreendemos com o nível dos candidatos, que tiveram médias muito boas numa prova extremamente rigorosa. Os três finalistas tiveram notas acima dos outros, se destacando desde a parte teórica por seus conhecimentos. Na prática, observamos o alto nível do serviço do vinho, que mostra que a sommellerie do Rio Grande do Sul tem um belo potencial”, evidencia o presidente da ABS-RS, Júlio César Kunz, que acompanhou todo o processo, desde as inscrições até as provas teórica e prática dos candidatos.

Para participar do concurso, o profissional precisava ter, ao menos, um ano de experiência como sommelier atuando no estado. Antes do teste prático, os selecionados realizaram um exame teórico, em outubro. No total, 12 sommeliers participaram da disputa, sendo 10 homens e duas mulheres. Onze deles atuam de cidades turísticas da Serra Gaúcha (Bento Gonçalves, Canela, Caxias do Sul, Garibaldi e Gramado) e um candidato residente em Pelotas, na Metade Sul do estado.

O anúncio ocorreu durante a Wine South America. Concurso contou pela primeira com presença de um público numeroso formado pelos visitantes da feira