Archives Junho 2022

Comprometimento da renda com dívidas aumenta

Endividamento, no entanto, desacelerou em maio

Proporção de endividados recuou nas duas faixas de renda pesquisadas pela primeira vez desde novembro de 2020

O percentual de famílias brasileiras endividadas reduziu em maio, enquanto o de inadimplentes apresentou ligeiro avanço. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 77,4% das famílias relataram ter dívidas a vencer no mês, representando um recuo de 0,3 ponto percentual em relação a abril. A proporção de endividados, no entanto, avançou 9,8 pontos percentuais na comparação com maio de 2021. Já a parcela da população que declarou ter contas ou dívidas em atraso apresentou aumento de 0,1 ponto percentual na passagem mensal, chegando a 28,7%.

Em maio, o comprometimento médio da renda familiar com dívidas chegou a 30,4%, o maior percentual desde agosto do ano passado. Do total de endividados, 22,2% precisaram de mais de 50% da renda para pagar dívidas com bancos e financeiras, proporção mais elevada desde dezembro de 2017. De acordo com a análise da CNC, a dificuldade em honrar as dívidas é influenciada, entre outros fatores, pela inflação, ao consumidor, persistente acima dos 12% anuais.

Por outro lado, após sucessivas altas desde abril de 2021, a proporção de endividados desacelerou nas duas faixas de renda, com destaque para o grupo com ganhos até dez salários mínimos, que recuou 0,3 ponto percentual e chegou a 78,3%. Com a dinâmica explicada pela melhora do mercado de trabalho e os programas de transferência de renda, como saques extras do FGTS, antecipações do 13º salário e o Auxílio Brasil, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, destaca a importância desse tipo de ação. “São medidas essenciais para apoiar as famílias no pagamento de dívidas e despesas e que permitem ainda a manutenção do consumo e a consequente movimentação da economia”, avalia.

Gastos com serviços aumentam endividamento no cartão na faixa de maior renda
O tipo de dívida mais comum, por cartão de crédito, apresentou queda mensal de 0,3 ponto percentual, chegando a 88,5% do total de famílias endividadas. No entanto, em um ano, a proporção de endividados na modalidade avançou 7,6 pontos percentuais, taxa acima da média trimestral. A economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, explica que esse resultado foi motivado por mais gastos no cartão entre os consumidores com ganhos acima dos dez salários mínimos, já que o endividamento na modalidade aumentou 12 pontos percentuais alcançando históricos 92,9% de famílias nesse grupo. “A flexibilização da pandemia e a vacinação contra a Covid-19 têm possibilitado a retomada do consumo de serviços, como viagens, lazer e entretenimento, habitualmente pagos com cartão de crédito pelos consumidores na faixa de maior renda”, observa.

Endividamento, no entanto, desacelerou em maio

Produção de automóveis cresce 10,7% em maio

Pela primeira vez no ano produção superou a barreira de 200 mil unidades

Com produção em alta e mais dias úteis, maio também registrou bons resultados nas vendas ao mercado interno, com crescimento pelo quarto mês consecutivo

Aos poucos a produção de veículos vai se recuperando das restrições impostas pela crise global dos semicondutores. Mesmo com paradas pontuais em algumas fábricas, o volume total produzido em maio pela primeira vez no ano superou a marca de 200 mil unidades, feito que não ocorria desde dezembro passado. Foram 205,9 mil unidades produzidas no mês, crescimento de 10,7% sobre abril. Também pela primeira vez em 2022 houve crescimento sobre o mesmo mês do ano anterior, de 6,8% – coincidentemente, foi em maio do ano passado que a falta de componentes eletrônicos começou a gerar os primeiros impactos relevantes no setor automotivo brasileiro.

Com produção em alta e mais dias úteis, maio também registrou bons resultados nas vendas ao mercado interno, com crescimento pelo quarto mês consecutivo, de acordo com o balanço da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Os 187,1 mil veículos licenciados representaram uma elevação de 27% sobre abril, quase empatando com o resultado de maio de 2021 (aqui houve ligeira redução de 0,9%). A média diária de 8,5 mil unidades foi a maior do ano, crescendo 10% em relação a abril.

As exportações de 46,1 mil unidades em maio significaram alta de 2,8% sobre o mês anterior e de 24,6% sobre maio de 2021. No acumulado do ano, já se exportou 19,4% a mais em unidades que em 2021, e 27% a mais em valores, graças ao bom desempenho dos produtos brasileiros em mercados como Colômbia e Chile, entre outros países da América Latina.

“Chama a atenção a consistência do crescimento de mercado, um degrau a cada mês desde o início do ano, para vendas e produção. Exportações já largaram o ano em alta, e se mantêm assim. Como a tendência histórica do nosso setor é de um segundo semestre mais robusto que o primeiro, estamos muito otimistas quanto à manutenção desse bom ritmo de recuperação”, afirmou Márcio de Lima Leite, presidente da entidade, em nota.

Pela primeira vez no ano produção superou a barreira de 200 mil unidades

Complexo médico de R$ 120 milhões começa a operar em Curitiba

Eco Medical Center vai reunir cerca de 600 profissionais de saúde e projeção para atender 7 mil pacientes por dia

O modelo de negócio do Eco já tem expansão prevista para outras cidades do Paraná e também para os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul

O Eco Medical Center começa a operar nesta semana em Curitiba, reunindo mais de 30 especialidades médicas, além de oferecer serviços como exames e cirurgias de baixa e média complexidade. Com um corpo clínico multidisciplinar e serviços interligados, o Eco contempla especialidades como ortopedia, oncologia, pediatria, cirurgia plástica, além de um andar dedicado totalmente à saúde da mulher.

O modelo é inspirado no conceito norte-americano MOB (Medical Office Building) com objetivo principal de facilitar a jornada de médicos e pacientes. “Nossa expectativa é reunir cerca de 600 profissionais altamente qualificados, entre médicos e equipe de apoio da área da saúde”, diz o CEO do Eco Medical Center, Patrick Gil. Anexo ao Hospital IPO, no bairro Água Verde, o Eco Medical Center tem 20 mil metros quadrados de área construída, com projeção para atender 7 mil pacientes por dia. São 13 pavimentos, divididos em clínicas e consultórios, além de 350 vagas de estacionamento. O Eco conta ainda com um mall com 15 operações, como restaurante, cafeteria, serviços e conveniências.

Com um investimento total de R$ 120 milhões, o Eco terá gestão centralizada e 100% do edifício é voltado para a locação de espaços da área da saúde. Além dos serviços que já estão incluídos no condomínio, os profissionais também terão facilidades no modelo pay per use, como lavanderia, contabilidade, seguro, marketing, entre outros. Por meio do aplicativo Conectadoc Cuidado Digital já é possível agendar consultas, exames e teleconsultas com os profissionais do Eco Medical Center.

“Todos os dados dos pacientes ficam armazenados no aplicativo sem nenhum custo. Assim, o médico poderá acompanhar o mapa da saúde do seu paciente de forma integrada e inteligente, fazendo uma medicina preventiva de ponta”, explica o CEO da Conectadoc, o médico Rodrigo Kopp Rezende. O modelo de negócio do Eco é inovador e já tem expansão prevista para outras cidades do Paraná e também para os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Eco Medical Center vai reunir cerca de 600 profissionais de saúde e projeção para atender 7 mil pacientes por dia

Governo propõe ressarcir estados em troca de ICMS zero

Medida valeria para impostos estaduais sobre diesel e gás de cozinha

Os governos estaduais contariam com uma compensação financeira equivalente à receita que deixaria de ser arrecadada com o ICMS sobre os combustíveis

O governo anunciou uma proposta para reduzir os impostos estaduais sobre os combustíveis em troca do ressarcimento da perda de receita com recursos federais. A ideia é aprovar uma proposta de emenda constitucional (PEC) que autorize os estados a zerarem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incidem sobre o óleo diesel e o gás de cozinha (GLP). Ao fazerem isso, os governos estaduais contariam com uma compensação financeira equivalente à receita que deixaria de ser arrecadada.

“Nós zeramos o PIS/Cofins [imposto federal] desde o ano passado e desde que os senhores governadores entendam que possam também zerar o ICMS, nós, o governo federal, os ressarciremos aos senhores governadores o que deixarão de arrecadar”, disse Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto. Durante o anúncio, ele estava acompanhado dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além de alguns dos seus principais ministros, como Paulo Guedes (Economia), Adolfo Sachsida (Minas e Energia) e Ciro Nogueira (Casa Civil). Antes da declaração à imprensa, eles estavam reunidos na sede do governo federal para debater as medidas.

Para ser viabilizada, a proposta do governo precisa assegurar a aprovação do projeto que limita a aplicação de alíquota do ICMS sobre bens e serviços relacionados a combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. O projeto de lei complementar (PLP), que passou pela Câmara e agora está em análise no Senado, fixa a alíquota desse imposto em, no máximo 17% sobre esses setores, e também prevê mecanismos de compensação aos estados.

Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, a situação atual exige a colaboração entre a União, os estados e os municípios. “Todos têm de colaborar. Estados e municípios estão numa situação que nunca estiveram antes. Todos no equilíbrio, em azul, pagando os fornecedores. Estão com as contas em dia, estão dando até aumento de salários. Estamos renovando o compromisso com a proteção da população brasileira, com a cooperação entre os entes federativos”, explicou, durante o pronunciamento.

Pela ideia do governo, a PEC serviria para compensar os estados com um eventual zeramento do ICMS do que ficar abaixo do teto de 17%, caso o Senado aprove o projeto de lei em tramitação na Casa. “A ideia é que uma parte venha por esse teto de 17%, ou seja a colaboração dos estados e dos municípios. E o governo federal, por outro lado, transferindo recursos para qualquer redução de impostos que vá além disso”, explicou o ministro. Ainda de acordo com Guedes, a medida teria validade até o dia 31 de dezembro deste ano. Ele não informou qual será o impacto orçamentário do ressarcimento aos estados. “Temos receitas extraordinárias que ainda não foram lançadas no Orçamento, esta transferência aos entes estará limitada a essas receitas”, informou.

O presidente do Senado afirmou que as propostas do governo são bem-vindas e que o assunto será amplamente discutido na Casa, inclusive levando em conta os pleitos dos estados. Sobre o avanço do projeto de lei complementar que limita a alíquota do ICMS, ele disse esperar uma definição breve. “Esperamos, muito brevemente, ter uma definição em relação à esse relatório do senador Fernando Bezerra Coelho, mas, de fato, uma oportunidade ao diálogo, ao consenso e, o que é mais importante, favorecer o consumidor final em relação ao problema gravíssimo que temos hoje, que é o preço excessivo do combustível na bomba”, disse Rodrigo Pacheco.

Gasolina e etanol
Bolsonaro também afirmou que o governo federal vai zerar os tributos federais (PIS/Cofins e Cide) sobre a gasolina e o etanol, para tentar reduzir o valor na bomba. Esses impostos estão zerados sobre o diesel e o gás de cozinha. “Em havendo o entendimento por parte dos senhores senadores, em se aprovando o projeto de lei complementar, em se promulgando de forma bastante rápida uma emenda à Constituição, isso se faria valer imediatamente na ponta da linha essa diminuição da carga tributária para enfrentarmos esse problema fora do Brasil, que tem reflexos para todos nós aqui dentro”, enfatizou.

Com Agência Brasil

Medida valeria para impostos estaduais sobre diesel e gás de cozinha

Sul tem saldo de 190 mil postos de trabalho até abril

Rio Grande do Sul obteve o melhor saldo da região no mês

O Brasil fechou abril com a criação de 196.966 empregos formais

O Sul obteve um saldo de 190.975 postos de trabalho no acumulado até abril, de acordo com os dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados nesta segunda-feira (6). Enquanto o Rio Grande do Sul obteve o melhor saldo em abril (8.939), Santa Catarina lidera no trimestre (veja as tabelas ao final desta reportagem).

O Brasil fechou março com a criação de 136.189 empregos formais. O número é menor do que os 153.431 empregos novos gerados em março do ano passado. O saldo de março último foi resultado de 1.953.071 contratações menos 1.816.882 de demissões. O estoque de empregos formais, que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos no país, encerrou março 41,2 milhões de empregados, variação de positiva de 0,33% em relação ao mês anterior. No acumulado do ano de 2022, foi registrado saldo de 615.173 empregos, decorrente de 5.820.897 admissões e de 5.205.724 desligamentos.

O emprego celetista no Brasil apresentou crescimento em abril, registrando saldo de 196.966 postos de trabalho. Esse resultado decorreu de 1.854.557 admissões e de 1.657.591 desligamentos. O estoque, que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos, contabilizou 41.448.948 vínculos, o que representa uma variação positiva de 0,4% em relação ao estoque do mês anterior. No acumulado do ano, foi registrado saldo de 770.593 empregos, decorrente de 7.715.322 admissões e de 6.944.729 desligamentos.

Em abril, os dados registraram saldo positivo no nível de emprego quatro dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas: serviços (+117.007 postos), distribuído principalmente nas atividades de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+39.610); comércio (+29.261); indústria (+26.37), concentrado na indústria de transformação (+22.520); construção (+25.341); e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-1.021 postos).

Os dados do Caged vêm de onde?
O Caged deve ser preenchido por empregadores com informações sobre admissões e desligamentos de funcionários da empresa. O formulário deve ser enviado por meio de um sistema próprio na internet. Há penalização para as empresas que dispensarem ou contratarem empregados e não derem essa informação ao Ministério do Trabalho.

Com base nos cadastros, é possível saber quantas vagas foram abertas e fechadas no país durante um mês e calcular o número de aberturas de vagas líquido (contratações menos desligamentos). É possível saber a abertura e fechamento de vagas por região e setor.

Os dados só abrangem os contratos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), diferentemente da Pnad, que abarca também o setor informal e autônomos. Sua série histórica começa em 1992, embora tenha sofrido mudanças metodológicas que impossibilitam a comparação com números anteriores ao ano de 2020.

Uma portaria de outubro de 2019, por exemplo, mudou o sistema de preenchimento de dados, que é feito hoje pelo pelo eSocial, e passou a reunir mais informações na mesma base de dados. O novo Caged tornou obrigatório informar a admissão e demissão de empregados temporários. Antes, essa comunicação era facultativa.

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Rio Grande do Sul obteve o melhor saldo da região no mês

Mercado financeiro prevê inflação em 9% neste ano

A estimativa está no Boletim Focus do Banco Central

As projeções para este ano estão acima da meta de inflação que é de 3,5%

O mercado financeiro prevê inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em torno de 9%, neste ano. A estimativa está no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC). A mediana (desconsidera os extremos das projeções) da previsão dos últimos 30 dias prevê inflação em 8,89%. Se for considerado um período mais recente, de cinco dias, a mediana fica em 9%.

As projeções para este ano estão acima da meta de inflação que é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, o limite inferior é 2% e o superior, 5%. Para 2023, o centro da meta é 3,25%, com intervalo de 1,75% a 4,75%. O Boletim Focus reúne a projeção de cerca de 100 instituições do mercado para os principais indicadores econômicos do país. Esta é a primeira divulgação do boletim, após cinco semanas de suspensão, em razão da greve dos servidores do BC, que seguem em paralisação. A edição de hoje do boletim tem informações parciais das projeções do mercado financeiro feitas até a última sexta-feira (3).

De acordo com o boletim, a taxa básica de juros, a Selic, deve fechar o ano em 13,25% ao ano (mediana de 30 dias e de cinco dias). Atualmente, a Selic está em 12,75% ao ano. No boletim parcial, divulgado nesta segunda-feira, o mercado projeta um crescimento, em 2022, de 1,2% do PIB. Essa é a previsão mediana de 30 dias. O Focus também trouxe a expectativa do mercado em relação ao câmbio. Para 2022, o dólar deve ficar em R$ 5,05.

Com Agência Brasil

A estimativa está no Boletim Focus do Banco Central

Jost Brasil inaugura nova operação em Campinas

Companhia investiu cerca de R$ 11 milhões na nova unidade industrial

Planta servirá para ampliação do portfólio de produtos

A Jost Brasil inaugurou nesta quarta-feira (1) uma nova unidade fabril na cidade de Campinas (SP). Com mais de 3,5 mil metros quadrados de área, o parque industrial recebeu cerca de R$ 11 milhões em investimentos para expansão da capacidade da empresa e o desenvolvimento de novos produtos. Com este movimento, a companhia busca ampliar o portfólio de atuação, investindo em componentes para ônibus, além de peças para caminhões e implementos, segmentos em que a companhia tem atuação de liderança consolidada.

“A nossa presença em Campinas representa um marco importante na evolução da empresa, contribuindo para o nosso crescimento sustentável. A unidades tem localização estratégica, próxima de clientes e fornecedores, para qualificar ainda mais o nosso atendimento e para o desenvolvimento de novas soluções”, destaca Alessandro Barbosa, diretor da Jost Brasil, em nota.

Instalada em um condomínio industrial da cidade paulista, a unidade contou com o suporte da RTS Industry, unidade de robotização e automação das Empresas Randon, para o desenvolvimento de modernos processos de soldagem e montagem de componentes. Além disso, a Jost Brasil trabalha de forma conjunta com o Centro Tecnológico Randon (CTR) e com a equipe de engenharia global da Jost Werke para o desenvolvimento de novos produtos, que irão reforçar o portfólio da companhia.

Companhia investiu cerca de R$ 11 milhões na nova unidade industrial

One Imóveis de Luxo cresce 35% ao ano durante a pandemia

Companhia prevê novos lançamentos em Porto Alegre e na Serra Gaúcha no segundo semestre

“É um novo perfil de consumidor, que busca melhor estilo de vida e qualidade de investimento”, avalia Cristiano Cruz, fundador e CEO da One Imóveis de Luxo

A pandemia, em determinados mercados, causou grande retenção. Porém no cenário imobiliário de luxo e superluxo, o crescimento foi exponencial e passou ileso pela crise. É o caso da One Imóveis de Luxo, que adotou estratégias diferenciadas que renderam crescimento de 35% ao ano, desde 2020. Com ticket médio no valor dos imóveis vendidos em R$ 2,5 milhões, a empresa comemora recorde de vendas durante o período da pandemia. A companhia expandiu também seu quadro funcional. Em 2022, a empresa aumentou em 30% o número de funcionários, chegando a 90 pessoas na operação.

Segundo a Brain, agência de inteligência estratégica focada em imóveis de luxo, o mercado imobiliário super luxo registrou 14% de aumento no volume de lançamentos em janeiro e fevereiro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Na avaliação do fundador e CEO da One Imóveis de Luxo, Cristiano Cruz, este novo cenário e padrão imobiliário é consequência de as pessoas terem passado mais tempo em casa entre 2020 e 2022. “É um novo perfil de consumidor, que busca melhor estilo de vida e qualidade de investimento. Como neste caso o valor do imóvel não influencia no poder de compra, a busca destes clientes é pelo conforto e sofisticação”, conta.

Se até agora o crescimento está impressionante, os últimos seis meses do ano também prometem para a One Imóveis de Luxo. Com investimentos e lançamentos de luxo e super luxo em Porto Alegre e na Serra Gaúcha que serão divulgados em breve, a expectativa é de uma expansão ainda maior.

Em março de 2020, ao iniciar a reforma da sua nova sede, o cenário sanitário mundial piorou e afetou diretamente negócios. Porém, mesmo com a incerteza do que aconteceria, a One manteve seu planejamento e, em outubro de 2020, inaugurou sua Flagship Store, na Avenida Carlos Gomes. Para se adaptar rapidamente à realidade do distanciamento social, Cristiano apostou em estratégias como visitas virtuais e vídeos 360 graus. “A maior parte dos clientes passou muito tempo em suas residências, e por isso oferecemos essa possibilidade da visita virtual através de plataformas online, com acompanhamento da visita presencial do corretor de imóveis no local para elucidar as possíveis dúvidas”, conta.

O resultado destas estratégias, além dos demais produtos oferecidos pela grife imobiliária, como a CrediOne – assessoria com agentes financeiros –, o Clube One – concierge de luxo –, e a One Corporate – com foco em imóveis corporativos –, renderam o crescimento diferenciado da empresa no Rio Grande do Sul.

Companhia prevê novos lançamentos em Porto Alegre e na Serra Gaúcha no segundo semestre

Sebrae lança campanha nacional de renegociação de dívidas

Estimativa é beneficiar cerca de 14 mil empresas

A campanha vem em um momento em que a inadimplência das empresas da base do Sebrae junto ao Fampe ainda não cresceu frente ao mercado

O Serviço Brasileiro de de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lançou uma campanha para apoiar os pequenos negócios que tenham empréstimos com parcelas em atraso. Podem aderir também aquelas que estiverem com garantia do Fundo de Aval do Sebrae (Fampe). A proposta é oferecer melhores condições aos micro e pequenos negócios para renegociar dívidas e voltar à normalidade dos fluxos de pagamento.

A campanha inclui um ciclo de palestras online no canal do Sebrae no Youtube, de 6 a 10 de junho. Ao longo de todo o mês, o Sebrae oferecerá orientação financeira às empresas que queiram readequar seu fluxo de caixa às nova condições do empréstimo. Segundo o Sebrae, a estimativa é beneficiar cerca de 14 mil empresas entre microempreendedores individuais (MEI), microempresas e empresas de pequeno porte.

A campanha nacional de renegociação de dívidas conta com o apoio de instituições parceiras como Banco do Brasil, Caixa, Serasa, Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul, Agência Estadual de Fomento do Rio de Janeiro, Agência de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Agência de Desenvolvimento do Estado de Goiás, Sociedade de Crédito Direto – ACCrédito e Banco Original.

Segundo o gerente de capitalização e serviços financeiros do Sebrae, Caetano Minchilo, a campanha vem em um momento em que a inadimplência das empresas da base do Sebrae junto ao Fampe ainda não cresceu frente ao mercado e, por isso, a ideia é manter os números nesses patamares. “O que queremos é manter a adimplência, conseguir dar para esses pequenos negócios que têm uma parcela grande do seu faturamento comprometida com parcelas de crédito uma oportunidade de alocação dessas dívidas para que esse impacto frente ao seu faturamento mensal seja menor”, afirmou.

Com Agência Brasil 

Estimativa é beneficiar cerca de 14 mil empresas

Emplacamento de veículos sobe 25,1% em maio

Automóveis e comerciais leves têm alta de 27,1%

A melhora da entrega de veículos pelos fabricantes é um dos motivos para a alta dos emplacamentos

O emplacamento de carros no país teve alta de 25,1% em maio, na comparação com abril, aponta levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Também houve alta de 6% em relação a maio de 2021. Com o resultado, a retração acumulada de janeiro a maio cai para 4,1%, comparando os primeiros cinco meses de 2022 com o ano passado. De janeiro a abril, tinha sido registrada queda de 7,1%.

Entre os motivos que explicam o maior volume de unidades licenciadas, a Fenabrave aponta o fato de que maio teve três úteis a mais que o mês anterior e a melhora da entrega de veículos pelos fabricantes, tendo em vista a falta de algumas peças. O destaque do mês foi o volume de emplacamentos de automóveis e comerciais leves, com alta de 27,1%. Em relação a abril, houve queda de 2,2% e, no acumulado anual, de 18%.

“Não há um movimento forte de retomada, nem de oferta, nem de demanda, mas acredito que estamos chegando a certa estabilidade, o que já é desejável, considerando um ano bastante incerto como o que estamos vivendo”, analisou, em nota, o presidente da Fenabrave, Andreta Jr.

Sobre o emplacamento de veículos híbridos e elétricos, o levantamento mostra a consolidação de uma curva evolutiva nos últimos meses. Foram comercializados, de janeiro a maio, 16.393 automóveis e comerciais leves eletrificados. No mesmo período do ano passado, foram 10.393 unidades, com aumento de 57,7% no volume. Em termos de participação no mercado, no entanto, o segmento representa 2,4% do total comercializado.

Com Agência Brasil

Automóveis e comerciais leves têm alta de 27,1%

Quase 50% precisaram ajustar orçamento para não perder plano de saúde

Pesquisa é da Associação Nacional das Administradoras de Benefícios

Segundo o levantamento, entre os que não têm plano de saúde, 83% consideraram que ele é necessário

Pesquisa da Associação Nacional das Administradoras de Benefícios (Anab) mostra que 47% dos entrevistados tiveram que ajustar o orçamento em 2021 para não perder o plano de saúde. O levantamento, que ouviu mais de 1 mil pessoas em todo o país, revela ainda que 83% das pessoas têm medo de perder o plano. A pesquisa foi feita no último mês de abril com 1.012 pessoas, de 16 anos ou mais, responsáveis pelas principais decisões do domicílio. As entrevistas foram realizadas por telefone.

“O medo de perder o acesso [ao plano de saúde] pode ser motivado pelo aumento das taxas de desemprego ao longo da pandemia de Covid-19”, destacou o presidente da Anab e idealizador do estudo, Alessandro Acayaba de Toledo. De acordo com ele, a portabilidade é uma das saídas para quem precisa reduzir o custo com o plano de saúde, mas sem perdê-lo. “É direito do beneficiário. O interesse pela portabilidade aumentou 12,5% de acordo com a ANS [Agência Nacional de Saúde]. Em alguns casos, foi possível reduzir em 40% os custos com a saúde”, ressaltou Toledo.

Segundo o levantamento, entre os que não têm plano de saúde, 83% consideraram que ele é necessário. Dos entrevistados que são usuários exclusivos do Sistema Único de Saúde (SUS), 68% precisaram de algum tipo de atendimento médico em 2021, mas relataram dificuldade no acesso. Para 88% das pessoas ouvidas, a necessidade de assistência médica permaneceu a mesma ou aumentou durante a pandemia. A pesquisa mostrou ainda que um em cada quatro pessoas disse que precisou buscar mais ajuda médica após o início da pandemia de Covid-19.

Com Agência Brasil

Pesquisa é da Associação Nacional das Administradoras de Benefícios

Should I Stay or Should I Go?

Um olho no negócio, outro no mundo

O fundador da Prawer notou que havia uma forte produção de chocolate artesanal em Bariloche

Fico sabendo que a Chocolates Prawer, de Gramado (RS), começou a nascer quando seu fundador, em viagem de passeio a Bariloche, enxergou semelhanças entre as duas cidades turísticas. Com uma diferença: na argentina, havia uma forte produção de chocolate artesanal sem equivalente por aqui – e tratou de aproveitar a oportunidade de iniciá-la no município gaúcho (Zero Hora, 16/04/22).

Foi em um evento internacional de mídia, nos Estados Unidos, que Nelson Sirotsky percebeu não haver futuro para a Rádio Gaúcha fora da segmentação em notícias e esporte. E propôs ao pai, Maurício, a mudança de programação que a alçaria à liderança do AM qualificado no estado, conforme conta em sua autobiografia (“O oitavo dia”, 2018).

Um pioneiro da internacionalização da indústria brasileira, com parcerias nos Estados Unidos e no Japão, Paulo Vellinho, ex-presidente da Springer, é taxativo quanto ao valor de um rolê de negócios: “uma viagem de trabalho bem aproveitada se paga mil vezes” (“O realizador de um sonho chamado Springer”, 2018, p. 171).

O que os três exemplos têm em comum? Se o leitor acha que é a relevância das viagens para os negócios, acertou. Mas se for mais a fundo e responder sobre a importância de olhar para fora do cercadinho de uma empresa ou de um mercado, não só acerta como ainda ganha uma estrelinha.

Uma obviedade?

Nem tanto. Pegue-se o caso da Inbev, a maior fabricante mundial de cervejas. Obsessiva com corte de custos e ganhos de produtividade, a companhia de origem brasileira não percebeu a movimentação dos consumidores em direção às bebidas artesanais. Quando se deu conta, restou ao seu maior acionista, Jorge Paulo Lemann, confessar-se “um dinossauro assustado” e correr atrás do prejuízo, adquirindo rivais.

Por quê? Bem, empresas são como pessoas. Contêm em seu código genético dois conjuntos de instruções que, a despeito de conflitantes, são essenciais à sobrevivência: aquelas que as impelem a cuidar do próprio jardim, ocupando-se da rotina conhecida e repetitiva, e aquelas que as levam a correr o mundo em busca de novidades. Empresas que ignoram o primeiro conjunto caem na falha da inconsistência e da imprevisibilidade; as que escorregam na segunda arriscam-se a estagnar, deixar de evoluir.

Como dificilmente um mesmo executivo é afeito às duas posturas, o ideal é que nas direções combinem-se perfis mais voltados “para dentro” com outros, mais preocupados com o que acontece fora. De tempos em tempos, de acordo com o momento da trajetória da organização e do mercado, ou conforme o próprio cenário econômico, a proeminência de uns e de outros vai se alternando.

Porque, como escreveu recentemente o jornalista Zeca Camargo, emérito viajante, “o que buscamos como turista é sempre uma experiência que não temos em casa” – o que não é motivo, claro, para descuidar-se dela.

Um olho no negócio, outro no mundo

Livrarias Curitiba abre nova frente de negócios com clube de assinatura

Maior rede de livrarias do Sul mira o público infantil para formação de leitores

A Hora do Conto em Casa oferece duas modalidades de participação e preço único

O Grupo Livrarias Curitiba está lançando uma nova frente de negócios, cujo primeiro produto é o clube de assinatura Hora do Conto em Casa, direcionado para crianças de 4 a 7 anos. O objetivo da maior rede de livrarias do sul do Brasil é formar o leitor do futuro, aproximando os pequenos do universo lúdico que os livros oferecem, estimulando brincadeiras e o aprendizado com os pais. Todos os meses os assinantes vão receber em suas casas uma caixa com um livro infantil, um item de papelaria ou brinquedo educativo e uma folha de atividades exclusiva com o tema da obra para desenhar e pintar. Para os adultos haverá um guia com orientações de como incentivar a leitura, sugestões de temas que podem ser explorados com o livro e dicas para se divertir com as crianças.

A Hora do Conto em Casa oferece duas modalidades de participação e preço único. Tanto o box avulso sem período de adesão, quanto o plano anual de 12 meses – mas que pode ser cancelado a qualquer momento e sem multas – saem por R$ 79,90 cada, acrescido de frete. A segunda opção traz a comodidade do recebimento mensal.

O canal do YouTube do Grupo Livrarias Curitiba também vai apresentar mensalmente uma contação de histórias do livro que vem no box. A atividade é um suporte às famílias e traz dicas para enriquecer o momento da leitura e gerar uma experiência inesquecível entre pais e filhos. “Nosso clube de assinatura é uma extensão das contações de histórias que realizamos nas lojas há mais de 20 anos. A mesma alegria destes eventos – que continuam em 2022, sob os cuidados da pandemia – estará dentro dos lares em todo Brasil”, explica a diretora de varejo do Grupo Livrarias Curitiba, Rute Pedri.

O Grupo Livrarias Curitiba nasceu na capital paranaense em 1963 e atualmente tem 26 lojas nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. A empresa é a maior rede de livrarias do Sul do Brasil. A companhia engloba uma editora infantil, área de vendas por atacado e uma distribuidora de livros, artigos de papelaria, presentes e brinquedos com mais de 100 mil produtos cada. O grupo também administra a marca Livrarias Catarinense em algumas cidades de Santa Catarina.

Maior rede de livrarias do Sul mira o público infantil para formação de leitores

Ásia em 2022: caro, trabalhoso, estressante e arriscado

Enquanto a vida volta ao “normal” na China, continua forte o receio de ser necessário novo fechamento

A variável “possibilidade de ser pego de surpresa com a decretação de fechamento da cidade onde se estiver” terá que ser incluída nos planejamentos de missões, viagens de negócios e outras atividades

Shanghai voltou ao “novo normal” dia 1º de junho, com liberação quase total, após angustiantes e sofridos 65 dias, nos quais seus 25 milhões de habitantes ficaram impedidos de sair de casa, e não puderam entrar na cidade os milhares de visitantes que diariamente chegam de todo o país e do mundo inteiro, “por ar, terra e mar” e pelo rio Yangtzé. Definitivamente, mais que todas as outras grandes cidades fechadas desde o final de dezembro de 2021, o lockdown radical em Shanghai é prova mais que suficiente que a política “Covid Zero” é levada a sério na China.

Agora, muito está sendo pensado, dito e escrito no mundo inteiro sobre a política chinesa de enfrentamento da pandemia – o fechamento total de cidades maiores do que Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo é muito impactante. Mas é inegável que o “lockdown” faz toda a diferença na redução da contaminação e das mortes em pandemias respiratórias como a do Covid. Graças à sua postura radical, a China tem a menor quantidade de mortes do mundo (COVID-19 Map – Johns Hopkins Coronavirus Resource Center (jhu.edu)), considerando-se a sua população, e também uma das menores proporções (1,1 morte) por 100 mil habitantes (Mortality Analyses – Johns Hopkins Coronavirus Resource Center (jhu.edu), muito distante, por exemplo, das do Peru (647), Brasil (313), Estados Unidos (306) e México (254).

A Índia, com a mesma população da China, já passa de meio milhão de mortos (números oficiais; ou 4,7 milhões, segundo estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (14.9 million excess deaths associated with the COVID-19 pandemic in 2020 and 2021 (who.int)), divulgado no início de maio. Segundo esse estudo, teriam morrido 7,7 milhões de pessoas na Ásia, das quais 3,3 milhões a 6,5 milhões na Índia, média de 4,7 milhões, números obviamente contestados pelo governo indiano. Os números elevam as quantidades oficiais muitas vezes, como nos casos do Paquistão (oito vezes), Indonésia (sete) e Bangladesh (cinco).

Enquanto a vida volta ao “normal” na China, continua forte o receio de ser necessário novo fechamento, tal o trauma desse início de 2022. Assusta pensar que essa prática tenha vindo para ficar, já que cientistas sempre se referem a “quando”, ao analisar a perspectiva de novas epidemias e pandemias, por não terem dúvida que outras virão. Não será nada fácil esse “novo normal”, em se tratando de Ásia, com suas megacidades de milhões de habitantes, fluxos diários de dezenas de milhões de pessoas entre os países e de centenas de milhões dentro dos países.

Objetivamente, para quem se relaciona com a China e/ou com outros países asiáticos, tudo isso significa que será mais caro, trabalhoso, estressante e arriscado viajar, trabalhar ou estudar lá. A variável “possibilidade de ser pego de surpresa com a decretação de fechamento da cidade onde se estiver” terá que ser incluída nos planejamentos de missões, viagens de negócios e outras atividades. Feiras e outros eventos terão risco de adiamento maior que antes. Exemplos: a 23ª CIIF esse ano será de 1 a 5/12 e a 5ª CIIE, de 5 a 10/11. E há feiras que foram adiadas “sine die”, pois seus sites só mostram as edições anteriores.

Enquanto a vida volta ao “normal” na China, continua forte o receio de ser necessário novo fechamento

Projeto de reforma tributária “enxuta” volta à pauta no Senado

Texto reintroduz a taxação de dividendos

Os defensores da retomada da taxação de dividendos argumentam que, embora o ônus do tributo não seja compensado pela redução na tributação do IRPJ e da CSLL, a possibilidade de reter lucros ou remanejá-los sem tributação para outras empresas do mesmo grupo pode propiciar menores obrigações de recolhimento ao fisco

O Ministério da Economia está articulando com a base aliada do governo uma forma de viabilizar a aprovação, ainda em 2022, do projeto de lei que reintroduz no país a tributação de lucros e dividendos distribuídos a acionistas. A isenção, em vigor desde 1996, passou a ser alvo de discussões nos últimos anos, a partir de entendimentos no sentido de que beneficiaria pessoas de alta renda em detrimento da classe média e dos mais pobres. Outros argumentos sustentam que a medida seria necessária para a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e para alinhamento da tributação nacional às fórmulas utilizadas em outros países, uma vez que a isenção sobre dividendos só existe em poucos países, além do Brasil.

O texto do Projeto de Lei nº 2337/21, aprovado na Câmara dos Deputados em setembro, prevê a cobrança de uma alíquota de 15% sobre os dividendos reduz as alíquotas vigentes do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), de 25% para 18% e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 9% para 8%, o que teria o intuito de suavizar o aumento da carga tributária gerada pela mudança.

Depois de meses parado no Senado, o Projeto de Lei deverá voltar a ser discutido e sofrer mudança na relatoria, que passaria das mãos do senador Ângelo Coronel para Fernando Bezerra. Ao invés de 15%, conforme já aprovado pelos deputados, seria aplicada uma alíquota de 10% sobre os dividendos. Assim, os impactos para as empresas e governos seriam mais moderados, de forma a possibilitar um monitoramento por alguns anos, antes de qualquer outro avanço relacionado a eventuais pretensões de deslocamento da tributação da pessoa jurídica para a física.

No texto aprovado pela Câmara, é mantida a isenção de tributação de dividendos para empresas do Simples ou do lucro presumido com faturamento inferior a R$ 4,8 milhões anuais. Essa excepcionalidade, porém, é criticada por muitos, sob o argumento de que, além de fomentar a chamada “pejotização”, poderia induzir à fragmentação das empresas a fim de manter o faturamento pós-divisão abaixo dos R$ 4,8 milhões e, assim, alcançar a isenção para seus sócios.

Os defensores da retomada da taxação de dividendos argumentam que, embora o ônus do tributo não seja compensado pela redução na tributação do IRPJ e da CSLL, a possibilidade de reter lucros ou remanejá-los sem tributação para outras empresas do mesmo grupo pode propiciar menores obrigações de recolhimento ao fisco. Porém, como estados e municípios recebem repasses constitucionais decorrentes da arrecadação do imposto de renda, a potencial perda de receitas decorrente da mudança fez com que prefeitos e governadores firmassem posição contrária à aprovação da “nova” ou “enxuta” versão da reforma tributária pelo Senado, casa legislativa na qual a proposta tramita atualmente.

Além disso, e por óbvio, a reinserção da tributação sobre dividendos gera inquietude em diversos setores, que entendem que o momento econômico e político, às vésperas de uma eleição presidencial, não seria oportuno para esse tipo de discussão. Essa é uma mudança importante que requer um amplo debate na sociedade e que não deve se pautar por interesses político-eleitorais.

*Mestre e Doutora em Direito Tributário e Advogada na Magadan e Maltz Advogados

Texto reintroduz a taxação de dividendos