Archives Junho 2022

Podcast: Conheça a Yours Bank, banco digital para crianças

Letícia Polyodoro entrevista Felipe Diesel, CEO da fintech vencedora da Competição de Startups do South Summit Brasil

A colunista de AMANHÃ, Letícia Polyodoro, entrevista Felipe Diesel, CEO da Yours Bank, fintech de Santa Rosa (RS) focada em educação financeira. A start up foi a grande vencedora da Competição de Startups do South Summit Brasil, realizado em maio na cidade de Porto Alegre. Conheça o trabalho deles. https://yoursbank.com.br/

Letícia Polyodoro entrevista Felipe Diesel, CEO da fintech vencedora da Competição de Startups do South Summit Brasil

Havan abre primeira megaloja em Manaus em junho

Rede catarinense passa a estar presente em 22 estados

A Havan é a 26ª maior empresa da região e também a oitava maior de Santa Catarina, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL

No mês de junho, a Havan completa 36 anos de história. O aniversário será marcado pela inauguração da primeira megaloja no estado do Amazonas, em Manaus, no dia 25. Com isso, a rede passa a estar presente em 22 estados e a contar com 172 megalojas. A nova Havan estará em anexo ao Shopping Manaus Via Norte. Serão geradas 150 novas vagas de emprego diretos e cerca de 650 indiretos. Muito em breve, a Havan deverá inaugurar mais uma megaloja na cidade, que também contará a Estátua da Liberdade, ícone da varejista.

O dono da Havan, Luciano Hang, enfatiza que está muito feliz em comemorar o aniversário da empresa chegando em novo estado. “Quando a Havan chega em uma região, ela transforma aquela cidade. Levamos empregos e oportunidade para muitas pessoas. Essa loja em Manaus estava sendo muito aguardada pelo povo manauara. Comemorar essa data tão importante com mais essa conquista me deixa muito feliz e grato”, destaca.

A Havan é a 26ª maior empresa da região e também a oitava maior de Santa Catarina, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC. Leia o anuário completo clicando aqui, mediante pequeno cadastro.

Rede catarinense passa a estar presente em 22 estados

Presidente do BC cita previsões de que PIB pode crescer de 1% a 2%

Em audiência, Campos Neto fala sobre juros, desemprego e inflação

“O mundo começa a subir os juros, e o Brasil foi bem na frente. Subiu os juros bem, foi um dos primeiros países a dizer publicamente que entendia que o problema da inflação seria mais persistente”, afirmou Campos Neto

Em audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, citou previsões de instituições financeiras que projetam crescimento do PIB de 1,5% a 2%. A previsão atual é de aumento em torno de 1%. Na audiência, o presidente do BC apresentou as perspectivas da autoridade monetária para juros e inflação no país. “A gente tem visto revisões para cima no PIB brasileiro. O Brasil é um dos poucos países que tiveram revisão do PIB para cima. Já ouvimos muita gente falar em crescimento de 1,5% e 2%”, disse Campos Neto, que citou como indicativo da recuperação a reação nos setores de serviços, e de comércio e em parte da indústria.

Aos deputados, Campos Neto voltou a dizer que a pandemia resultou em aumento na demanda por bens, tendência que se manteve mesmo após a retomada das atividades no país. Somado a uma maior demanda por energia, com manutenção de um baixo investimento no setor, isso ajudou na manutenção da inflação global, afirmou. Como forma de enfrentar a persistência da inflação, os diferentes bancos centrais começaram a subir a taxa de juros, lembrou o presidente do BC. Ele lamentou a alta na taxa de juros e disse que o ciclo de aumento da Selic está perto do fim.

“O mundo começa a subir os juros, e o Brasil foi bem na frente. Subiu os juros bem, foi um dos primeiros países a dizer publicamente que entendia que o problema da inflação seria mais persistente”, afirmou Campos Neto. “Muitos países ainda estão com juros reais negativos. Por isso, o mercado ainda espera que os países desenvolvidos subam muito os juros nos próximos meses”, acrescentou.

Desemprego
Ao comentar os dados sobre a taxa de desemprego de 10,5% no trimestre, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Campos Neto manifestou surpresa e disse esperar que, até o fim do ano, o percentual fique abaixo de dois dígitos. “Foi uma surpresa bastante positiva. Em termos de taxa de desocupação, quando a gente olha o trimestre, deu 10,5%. A gente está começando a falar que o desemprego este ano vai ser abaixo de dois dígitos. Lembrando que antes da pandemia, estava em 12%, então a gente já está em um nível bem melhor do que antes da pandemia”, afirmou.

Apesar de ter registrado queda no desemprego, o IBGE também apontou perda na capacidade de renda do trabalhador. Segundo o instituto, o rendimento médio real do trabalhador foi de R$ 2.569, com redução de 7,9% em relação ao mesmo trimestre de 2021, quando o apurado foi de R$ 2.790. O presidente do BC disse que, com a convergência entre o aumento no número de empregos e a diminuição de renda, o resultado fica estável. “A gente tem gerado mais emprego com renda menor e continua com a massa salarial mais ou menos estável”, ponderou.

Com Agência Brasil

Em audiência, Campos Neto fala sobre juros, desemprego e inflação

Shoppings apostam em experiências presenciais para o Dia dos Namorados

Em Curitiba, centros de compras também seduzem os casais com carros, vinhos e chocolates

O Shopping Estação e a Serra Verde Express fecharam parceria para oferecer um passeio de trem ao pôr do sol, pela Serra do Mar, que será vendido pela metade do preço via assistente de compras do shopping

É grande a aposta econômica no primeiro Dia dos Namorados sem as severas restrições de convívio social impostas pela pandemia da Covid-19. A intenção de compras aparece em uma pesquisa da MindMiners segundo a qual 72% dos entrevistados pretendem comemorar o Dia dos Namorados em 2022. O percentual está acima do registrado no ano passado, de 58%. Grandes catalisadores da atenção do consumidor, os shopping centers investiram em campanhas com prêmios e sorteios, e alguns deles, em Curitiba, estão apostando em comemorações presenciais, para tirar os enamorados de casa.

O Shopping Estação e a Serra Verde Express fecharam parceria para oferecer um passeio de trem ao pôr do sol, pela Serra do Mar, que será vendido pela metade do preço via assistente de compras do shopping. A viagem pode ser feita do dia 3 ao dia 12 de junho. O passeio sai de Curitiba e os passageiros vão de van ou ônibus pela charmosa Estrada da Graciosa até Morretes. Ao chegar na cidade, é possível passear pela cidade, cujo casario está em conservado, e aproveitar a gastronomia típica local. A volta aproveita o cair da tarde para que os viajantes possam apreciar a paisagem da Serra do Mar paranaense e descobrir os encantos da maior área contínua de Mata Atlântica do Brasil é única. A viagem termina com o pôr do sol no Planalto de Curitiba.

Outra parceria reúne o Shopping Mueller e a Pinó, que promove um dos festivais gastronômicos mais tradicionais da cidade. Como resultado, nasceu o Festival Mueller Bom Gourmet, que mobiliza 21 restaurantes e cafés do shopping durante o mês de junho. O charme da promoção fica por conta dos 10 iglus de madeira construídos no rooftop do shopping, de onde os visitantes podem apreciar a vista da cidade, abrigados do frio e da chuva, enquanto degustam os pratos do festival. A instagramável passarela do Shopping Mueller mais uma vez entra no clima, decorada como uma autêntica estação de metrô londrino. Dentro do shopping, a simulação de uma clássica cabine telefônica londrina integra o cenário, juntamente com um painel com imagem da ponte em frente à London Eye, a roda gigante de Londres. Quem optar por comprar o presente de Dia dos Namorados no Shopping Mueller, também pode concorrer ao sorteio de duas viagens para Londres, para 2 pessoas cada uma delas. Cada R$ 500 em compras dá direito a um cupom para concorrer.

Carros, vinhos, tecnologia e chocolates
O ParkShoppingBarigüi planejou uma promoção em que a cada R$ 300 em compras os clientes ganham um número da sorte para concorrer a um Toyota Corolla Altis Hybrid. Além disso, com R$ 600 em compras o cliente ganha uma caixa com três vinhos da Lovin’Wine, marca gaúcha de vinhos premium em lata. Para garantir a caixa da Lovin’, composta por três latas de vinho branco, tinto e rosé frisante, basta realizar compras nas lojas e quiosques participantes e cadastrar suas notas fiscais no super app Multi. O cadastro será realizado exclusivamente via aplicativo. Cada cliente tem direito a uma caixa por CPF e a promoção é válida enquanto durarem os estoques.

Um carro também é a aposta do Shopping Palladium Curitiba, que vai sortear um Tiggo 5X PRO. Na promoção compre e concorra, cada R$ 200 em compras vale um cupom para concorrer ao carro zero quilômetro. Já na campanha compre e ganhe, a cada R$ 500 em notas fiscais o cliente ganha de presente um ‘Kit Popcorn Love’ exclusivo, contendo uma almofada, dois copos (disponível em três cores distintas) e um balde de pipocas.

Em seu primeiro Dia dos Namorados, o novíssimo Park Shopping Boulevard vai sortear R$ 30 mil em prêmios. Cada R$ 50 em compras nas lojas participantes dá direito a um cupom para participar dos sorteios de quatro vales-compra de R$ 5 mil cada, dois vales-viagem da operadora de turismo CVC, no valor de R$4 mil cada, e sete vouchers de seis meses de matrícula na academia PH.d Sports, com direito a acompanhante. Os vales-compra são exclusivos para utilização nas lojas participantes da promoção e os pacotes turísticos têm uma sugestão de roteiro previamente montado, com quatro noites de hospedagem em Gramado, na Serra Gaúcha, em hotel selecionado pela operadora de turismo, com direito a acompanhante.

O ritmo é de Amor meu Grande Amor no Shopping Jardim das Américas. O tema começou no Dia das Mães e abraça o Dia dos Namorados, valendo cupons a cada R$ 200,00 em compras. Com eles, os clientes concorrem a sorteios de prêmios em dinheiro, que variam de R$ 2 mil a R$ 5 mil. Já no Shopping Curitiba, uma campanha de compre e ganhe para o Dia dos Namorados vale um doce de leite Havanna a cada R$ 500 em compras.

O Ventura Shopping promove a campanha Dia dos Namorados 2022 inspirada no conceito ‘Ofertas de amigo para você economizar no presente do seu amor’. Até o dia 12, lojas do empreendimento oferecerão aos clientes grande variedade de opções de presentes a preços acessíveis e com vantajosos descontos. Para deixar a comemoração mais romântica, o Ventura está preparando atrações exclusivas com música ao vivo e espaço instagramável para os casais apaixonados registrarem seus momentos.

No Jockey Plaza Shopping a campanha está de olho nos casais que também são amantes de tecnologia. A cada R$300 em compras, os clientes ganham um cupom para concorrer a kits de smartphone de última geração + smart watch + fones sem fio. Os apaixonados poderão decidir se são team Apple ou Samsung, depositando o cupom na urna de cada marca. Serão sorteados oito kits com três eletrônicos em cada, sendo quatro kits de cada marca.

Em Curitiba, centros de compras também seduzem os casais com carros, vinhos e chocolates

Alta de matérias-primas atinge indústrias de modo inesperado

O resultado coincide com o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia em março

Em cinco setores, o aumento generalizado dos preços nacionais surpreendeu mais de 80% das empresas

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta quarta-feira (1) revela que a alta dos preços de insumos e de matérias-primas atingiu o setor industrial de modo inesperado em março. Segundo o levantamento, o aumento dos custos de insumos e matérias-primas nacionais superou as expectativas de 71% das empresas, na indústria extrativa e de transformação, e de 73% no caso específico da indústria da construção civil.

Segundo a CNI, 58% das empresas na indústria extrativa e de transformação e 68% na construção relataram aumento de preços de insumos importados acima do esperado. Para a confederação, o resultado coincide com o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que agravou a desestruturação das cadeias de suprimento. Como consequência, além dos atrasos e interrupções no fornecimento de insumos, também houve elevação de preços.

“Em cinco setores, o aumento generalizado dos preços nacionais surpreendeu mais de 80% das empresas. São eles: produtos de borracha, biocombustíveis, metalurgia e veículos automotores e produtos de limpeza. A alta de custos nos insumos importados superou as expectativas de 100% das empresas de biocombustíveis, de 94% das indústrias de produtos de borracha, de 75% do setor de impressão e 73% da indústria química”, informou a CNI.

De acordo com a pesquisa, o cenário de atrasos nas cadeias de suprimentos gerou uma reconfiguração na produção das indústrias brasileiras, especialmente nas que dependem de insumos importados, com reflexos em 40% da indústria geral (extrativa e de transformação) e 54% da indústria da construção. Essas indústrias tiveram de mudar a estratégia de aquisição de insumos e matérias-primas e buscar fornecedores no Brasil.

Entre as empresas que já compram no Brasil, 43% da indústria geral (extrativa e de transformação) e 50% da indústria da construção afirmam que buscam outros fornecedores no país. A parcela de empresas nacionais que busca fornecedores alternativos fora do país é de 18% na indústria extrativa e de transformação e de 3% na construção civil.

O levantamento mostra que a proporção de empresas na indústria extrativa e de transformação que preveem normalização da oferta de insumos e matérias-primas, ainda em 2022, é de 39%. O percentual de empresas da indústria geral e da construção que esperam normalização apenas em 2023 é de 25%, de 36% para produtos nacionais e 31% e 45% para importados.

Com Agência Brasil

O resultado coincide com o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia em março

O fim da instituição “de ensino”

Painel realizado no Grupo +A Educação projeta uma realidade de mudanças profundas para professores, escolas e universidades

O número de brasileiros que ingressou em cursos de graduação a distância superou, pela primeira vez, o total de estudantes matriculados na modalidade presencial

Era o Dia da Educação, 28 de abril, e a +A Educação, que já foi Artmed, decidiu montar em sua nova sede, em Porto Alegre, uma grande mesa oval para ouvir especialistas, ali mesmo ou via teleconferência, e colocá-los a interagir com jornalistas brasileiros. O que se descreve a partir de agora pode ser resumido em algo como “duas horas de virar a cabeça”, especialmente para educadores e instituições que, aberta ou discretamente, ainda rejeitam modernidades que não fizeram parte do ambiente em que construíram sua jornada de excelência.

Os fatos, contudo, se impõem. O número de brasileiros que ingressou em cursos de graduação a distância superou, pela primeira vez, o total de estudantes matriculados na modalidade presencial. “Acadêmicos, docentes, alunos, perceberam a importância da educação híbrida”, atesta o CEO da +A Educação, Celso Kiperman. Mas ele próprio reconhece que este processo que combina o melhor dos mundos – a interação de aulas presenciais e a flexibilidade do online – poderia ter avançado bem mais rápido, e há muito tempo. “Nós, que atuamos há mais de dez anos com educação mediada por tecnologia, percebíamos que a comunidade acadêmica via esta modalidade como uma educação de segunda categoria, mas a pandemia fez com que este ´patinho feio´ fosse o grande salvador das atividades educacionais e a partir de agora notamos um uso muito mais efetivo, e até criativo, das tecnologias”, compara Celso.

Adriane Kiperman, diretora editorial da +A, concorda com o irmão na crença de que, agora, a coisa vai e o ensino híbrido tende a deslanchar. Mas ao abrir o seminário em que atuou como mediadora, ela deixou um pé atrás. “A educação estava pedindo por inovação e a pandemia apenas empurrou a porta e virou a chave da educação meio a fórceps para que todas as tecnologias que há muito tempo estavam disponíveis aportassem subitamente na sala de aula”, disse Adriane, sem esconder uma preocupação com retrocessos. “Agora, com o fim da pandemia e a volta do ensino presencial, temos um temor de que se volte atrás, porque a educação tende a ser muito tradicional e a evitar mudanças”, admite. “Mas o que defendemos é que se dê o passo adiante na transformação digital que é preciso ser feita na educação, e o caminho para isso é o ensino híbrido.”

A transformação digital foi experimentada na própria casa dos Kiperman, que em 2023 vai comemorar 50 anos de uma trajetória contada no livro “Todas as Páginas de Henrique Leão Kiperman”. Henrique varava o interior do Paraná e do Rio Grande do Sul com o porta-malas de seu carro empanturrado de livros médicos. Em 1973, abriu uma pequena livraria no centro de Porto Alegre. Nos anos 1990, tornou-se editor e deu início a um processo de integração gradativa de Celso, e depois Adriane, na editora, ampliando progressivamente o leque de conteúdos de medicina e saúde mental, primeiras especialidades, para educação, administração, e outros segmentos que compõem o espectro de publicações CTP – científicas, técnicas e profissionais. A Artmed Sul já havia se tornado a maior editora fora de Rio e São Paulo quando, em 2003, ingressou no mercado de educação continuada a distância com um sistema de tecnologia, conteúdo e serviços que hoje tem 50 mil assinantes ativos e já formou mais de meio milhão de profissionais da saúde. Em 2010, já com o nome de Grupo A, os Kiperman deram nova guinada ingressando no mercado de Edtechs como distribuidores no Brasil das soluções da norte-americana Blackboard para clientes do porte de Insper e Ibmec. O salto seguinte veio em 2015 com a criação de uma plataforma de conteúdo, a Sagah, que apostou em conceitos e ferramentas como “metodologias ativas”, “sala de aula invertida” e “ensino híbrido”.

Nova cartada foi urdida em 2018, quando Celso vislumbrou um mercado significativo formado por instituições de ensino superior tradicionais, de grande reputação acadêmica, mas com dificuldades para empreender a transformação digital de suas atividades. Ofereceu a elas um pacote que incluía de tecnologia ao treinamento de professores, passando pela captação de alunos e vendas. Foi o início do projeto + Campus. Toda esta reinvenção da companhia atraiu um sócio de peso, o Grupo Itaú, que em 2018 comprou, através de sua gestora Kinea, 40% do negócio hoje repaginado como + A Educação.

“Se me pedissem para dizer o que somos, hoje, diria que somos uma plataforma de conteúdo, tecnologia e serviços que viabiliza a transformação digital de universidades, hospitais, instituições científicas e até de autores”, define Celso. A propósito, ele calcula que, dos lançamentos pioneiros capitaneados pelo pai até as obras multiautorais do serviço de educação continuada oferecido nos dias atuais, a +A já tenha publicado mais de 100 mil autores. “Acho que o conhecimento e a confiança de tantos autores são o nosso mais sólido pilar para seguir em frente.”

E o que vem pela frente foi, precisamente, a questão lançada pela casa no Dia da Educação, com um seminário sobre barreiras e oportunidades para a afirmação de um modelo de educação híbrida no Brasil. Fez parte do programa a apresentação de uma “Edtech Room” para mostrar “novas experiências imersivas” em educação. “Imagine estudantes de medicina participando de uma cirurgia ou futuros engenheiros atuando em canteiros de obras sem sair da sala de aula ou até mesmo de casa”, instigava a nota distribuída pela empresa aos jornalistas. “Isso já é possível com o uso de laboratórios virtuais, objetos de aprendizagem em 3D, vídeos 360 graus, realidade aumentada e recursos que compõem um metaverso para facilitar o processo de aprendizagem.”

A seguir, uma síntese de algumas das percepções que os painelistas apresentaram sobre os rumos da educação.

Lilian Bacich, diretora da Tríade Educacional, autora de Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na Educação
“A gente ainda está em uma fase de alinhamento conceitual sobre ensino híbrido. Para entender o potencial das tecnologias digitais daqui pra frente, vamos considerar, primeiro, a dificuldade de acesso. Sabemos que a tecnologia digital ainda não é para todo mundo, está bem distante de ser. Segundo, muitas instituições, no início da pandemia, começaram a fazer uso da tecnologia digital mas sem uma visão de metodologia ativa, que é o que a gente defende como aposta para um engajamento e para construção de conhecimento. Só levar tecnologia digital para a instituição não é o que irá fazer a diferença. Só fará diferença se [a tecnologia] tiver uma utilização que leve o aluno a construir conhecimento.”

“Vemos que a utilização da tecnologia digital disparou outros gargalos, e um deles é o da avaliação. O pessoal do ensino superior, e também da educação básica, que centrou o uso da tecnologia digital na mera transmissão de aulas, começou a ouvir dos professores questões do tipo “Ah, o meu aluno não abre a câmera. Ah, o meu aluno não participa. Não sei se ele está aprendendo porque eu não o vejo.” Como se olhar para o aluno fosse um instrumento avaliativo, e vê-lo sorrir pudesse indicar que ele está aprendendo. Não é isso. Então, um primeiro gargalo é este: professores e educadores de todos os segmentos e níveis têm dificuldade em coletar evidências de avaliação. E a gente tem várias publicações que trazem esta questão de como é que eu coleto evidências de avaliação.”

“Portanto, eu penso que, daqui para a frente, os desafios serão, além dos técnicos – de ter o recurso, ter conectividade –, saber como é que eu organizo diferentes espaços de aprendizagem. E não vai ser voltando para um algo [modelo exclusivamente presencial) que a gente já sabia que não daria certo. Será preciso olhar para a frente e pensar como é que esses elementos realmente impactam na aprendizagem, porque, como bem disse a Adriane, tecnologia é meio. A inovação na educação deve ser muito mais metodológica do que tecnológica.”

“O resultado brasileiro no PISA deixa claro que a gente desenvolve pouquíssimo a criatividade dos nossos alunos, que muitas vezes não conseguem lidar com certas situações por uma dificuldade de comunicação. E esta é uma das lacunas do modelo atual. Deveríamos trabalhar muito fortemente o desenvolvimento de competências socioemocionais, que são e serão cada vez mais importantes… Mas não vai ser numa aula expositiva que isso vai acontecer. O uso da tecnologia digital é muito importante nesse sentido. Mas o aluno não pode entrar em contato com a tecnologia para ser apenas um consumidor de recursos digitais. Precisamos proporcionar que ele seja cada vez mais um produtor. Ser um “prosumer”, que é o termo para expressar uma relação do aluno com os recursos digitais que é de consumir e de produzir.”

“O ensino híbrido envolve diferentes espaços de aprendizagem e diferentes formas de aprender. Não é só o digital, claro. A presença humana, esse olho-no-olho, a possibilidade de você estar com outras pessoas, isso o digital nunca vai substituir. E o docente precisa entender que o digital não vai substituir o seu trabalho, vai vir somar. Mesma coisa em relação à avaliação do aluno. A plataforma adaptativa vai dar ao professor um monte de dados. Ótimo, agiliza o trabalho do docente. Mas é fundamental a interpretação do humano, que pega esses dados olha para eles, pensa o que vai fazer com eles.”

Vidal Martins, vice-reitor da PUCPR
“O desafio é promover uma mudança cultural na educação. As tecnologias estão aí faz tempo. A própria PUC Paraná, no final dos anos 1990, desenvolveu um ambiente virtual de aprendizagem. Século passado, portanto… Hoje, sabemos que há mais de 180 diferentes tecnologias que estão mapeadas e podem ser utilizadas em diferentes atividades para alcançar diferentes resultados de aprendizagem.”

“Em 2014, começamos na PUC Paraná a trabalhar metodologia para impactar na aprendizagem. A gente até brinca com o fato de que somos chamados de IES, instituições de ensino superior, quando nós deveríamos ser chamados, mesmo, é de instituições de aprendizagem superior, IAS. Porque o foco tem de estar no estudante e na aprendizagem e não no ensino, na transferência de informação. O foco tem de estar na capacidade do estudante de transformar e de construir ensino.”

“Então, além de nos direcionarmos para essa ideia de aprendizagem, passamos a trabalhar por competências, definindo claramente os resultados de aprendizagem que se desejava obter. Que experiências de aprendizagem eu tenho de promover para que o resultado venha? Como é que eu avalio a aprendizagem propriamente dita? E, depois de toda essa sequência, onde entra a tecnologia? Porque tecnologia é meio. Eu devo partir de uma competência que eu quero desenvolver.”

“Para desenvolver tudo isso, criamos um centro de ensino e aprendizagem, um centro de suporte aos professores. O Creare é formado por vários professores que interagem com o que existe de inovador em ensino e aprendizagem no mundo. Estes professores participam de grupos de estudos e eventos relacionados e transferem estas informações para a nossa universidade por meio de núcleos de excelência pedagógica. O que são estes núcleos? São professores nas escolas. E deste modo os avanços no processo de ensino e aprendizagem chegam na ponta, nas escolas. Forma-se uma rede de apoio. Integrantes do Creare e do núcleo de excelência pedagógica meio que adotavam, digamos assim, os professores que estavam em uma fase inicial no desenvolvimento de algumas competências.”

“Desde 2014 a gente faz o desenvolvimento destas novas competências dos professores por meio de formação continuada. Claro que a gente não tem como levar 1.500 professores para fora do país para participar de um evento, mas temos como trazer um evento de nível internacional para dentro da instituição. E a nossa universidade faz isso com frequência, trazendo pessoas muito boas de dentro e de fora do Brasil para fazer esses grandes eventos de nível internacional que nos dão os grandes estímulos de mudança.”

Gustavo Hoffmann, pesquisador em Inovação Acadêmica na Universidade de Harvard
“Muito se tem falado que, passada a pandemia, a educação pode voltar a ser o que era antes. O grande problema é que, antes da pandemia, as coisas não estavam nada bem. No Brasil, a gente faz educação baseada em feeling, “eu acho que…”. Eu gosto muito de educação baseada em evidências e indicadores. Vamos medir o que a gente faz, vamos entender onde e como o aluno aprende mais, fica mais satisfeito, mais engajado. E há alguns números que indicam porque nosso modelo educacional, presencial, expositivo, está falido. Vou trazer alguns números não do setor educacional, mas do mundo do trabalho.”

“Um estudo de 2017 feito pelo Institute for the Future com a Dell estima que 85% dos trabalhos que existirão em 2030 ainda não existem. Ou seja, nós estamos formando alunos para fazerem não sabemos exatamente o quê. Você pode dizer ´Poxa, eu sei o que estou fazendo, estou formando um médico, um engenheiro…´ No entanto, a McKinsei acredita que 60% das profissões que hoje existem já são tecnicamente automatizáveis. Com Inteligência Artificial, Aprendizagem de Máquinas, você já consegue fazer 60% do que as profissões tradicionais fazem. O Lanfo, laboratório da Universidade de Brasília, projeta que 54% dos empregos que hoje existem serão tecnicamente automatizáveis em 2026. E que 79% do que hoje faz um engenheiro, um advogado, um médico, será substituído por inteligência artificial em 2026. Ou seja, as competências que nos trouxeram até aqui não vão nos levar adiante.”

“Em 2019, eu tive uma experiência fantástica na NUS, National University of Singapore, que hoje está em primeiro lugar no ranking da Ásia. Os gestores da NUS colocaram de uma forma muito clara que, hoje, 37% da receita da universidade já vem da vertical que eles chamam de Lifelong Learning [aprendizagem ao longo da vida]. Eles acreditam que cada egresso da NUS vai exercer seis carreiras diferentes ao longo da vida. Não são seis empregos diferentes, não. São seis carreiras. A pessoa vai mudar de profissão seis vezes. Logo, estamos formando profissionais para fazerem não sabemos exatamente o quê.”

“Participei de uma reunião do Banco Mundial, em 2019, em Nova Délhi, na Índia, discutindo o futuro das competências do mundo do trabalho para os próximos anos. E cada vez mais competências comportamentais e socioemocionais vão ser importantes, porque estas dificilmente serão substituídas por inteligência artificial, por aprendizagem de máquina. E as competências técnicas, as hard skills, cada vez mais vão se tornar obsoletas. Então, trabalhar em currículos e metodologias que desenvolvam competências socioemocionais é fundamental para o indivíduo mudar de profissão, mudar de carreira, exercer profissões que, inclusive, ainda não existem.”

“Como juntar tecnologia e metodologias para essa mudança tão necessária? E porque nosso modelo expositivo e de sala de aula tradicional está falido? Existem dois motivos para revisitar o modelo atual. O primeiro é que, hoje, tanto na educação básica como no ensino superior, de 80% a 90% do que acontece dentro de sala de aula é exposição de conteúdo. Como Vidal colocou, é informação, transmissão de conhecimento. A gente sabe muito bem que isso não funciona, pois 15 dias depois de uma aula expositiva os alunos tendem a se lembrar de aproximadamente 20% a 25% do que aquele professor falou. Ou seja, do ponto de vista de aprendizagem, se em duas semanas o aluno esquece de 80% do que viu, imagina um semestre depois, um ano depois….”

“E o segundo motivo, para mim mais relevante ainda, é que cada aluno tem um ritmo individual de aprendizagem. Quando a gente pega 50, 60 alunos e coloca numa mesma sala de aula, e expõe conteúdo no mesmo ritmo para todo mundo, a gente acaba não respeitando essas individualidades inerentes ao processo. Então o acesso a conteúdo, que hoje acontece predominantemente em sala de aula, poderia e deveria acontecer em qualquer hora e em qualquer lugar. Se eu pego esse conteúdo, estruturo, coloco num ambiente virtual de aprendizagem ou numa plataforma adaptativa, eu permito que cada aluno, no seu próprio ritmo, quantas vezes quiser ou precisar, tenha acesso a esse conteúdo. Isso permite que nos momentos presenciais, ou síncronos, dentro de sala de aula ou em ambiente tecnológico que permita interação, esses momentos sejam utilizados para menos exposição e mais aplicação desses conteúdos através de metodologias ativas de aprendizagem.”

“Ou seja, a tecnologia vem para que a sala de aula esteja disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada um e permitindo que momentos presenciais sejam utilizados para mais aplicação. A sala de aula invertida é um excelente modelo para usar a tecnologia e as metodologias em prol de uma educação que, de fato, faça mais sentido, mas existem várias outras formas de usar a tecnologia com esse objetivo de melhorar o engajamento, a aprendizagem e a percepção dos alunos. Acho que a gente já tem tecnologias, já tem metodologias… O que nos falta é iniciativa para fazer uma educação melhor. Voltar ao que era antes da pandemia? Para mim é um grande retrocesso. Não dá. A gente tem uma baita oportunidade de transformar. A gente quebrou cultura, a gente quebrou uma grande resistência que havia de uma forma geral em relação ao uso de tecnologia…. A gente tem o cenário ideal para que essa evolução aconteça. Não vamos deixar voltar ao que era antes. Porque não estava bom. Ao contrário.”

Painel realizado no Grupo +A Educação projeta uma realidade de mudanças profundas para professores, escolas e universidades