Rússia e internet: o que está acontecendo do lado virtual?

Serviços de redes sociais como Facebook e Twitter já foram banidos do país

Uma cidade fantasma. Segundo o jornalista Chris Stokel-Walker, essa é exatamente a definição adequada para a internet na Rússia

Um dos tópicos mais falados de 2022 é, infelizmente, a guerra entre Rússia e Ucrânia. Uma das principais consequências da invasão Russa é o conjunto de sanções impostas pelos países do ocidente que se manifestaram contra o conflito. Dentre as sanções, a exclusão do país do sistema swift de pagamentos internacionais foi uma das mais brutais, porém, houve conversas para excluir completamente a Rússia da internet, o que poderia causar danos bem mais severos à população. Por enquanto, a ideia foi descartada. Manter a Rússia na rede global de internet, porém, não significa que as coisas estejam normais no país, uma vez que empresas privadas têm a possibilidade de negar seus serviços para determinadas regiões.

Uma cidade fantasma. Segundo o jornalista Chris Stokel-Walker, essa é exatamente a definição adequada para a internet na Rússia. Isso se deve ao fato de que, enquanto a decisão internacional foi por manter a Rússia conectada à internet, o próprio governo russo tem limitado o alcance da internet local, criminalizando “Fake News” e evitando que informações que não sejam “convenientes” de se propaguem.

Serviços de redes sociais como Facebook e Twitter já foram banidos do país e plataformas de entretenimento como Netflix, o Game Minecraft e serviços como Apple Play e Google Play estão todos inativos em solo russo. Esse cerco digital, criado pelas sanções de plataformas privadas e censura do próprio governo, tornam a Rússia um dos poucos casos de um país digitalmente fechado, algo visto apenas em países como China, Coréia do Norte ou Irã.

Se um lado as sanções internacionais e o governo russo têm limitado o que o usuário pode fazer na internet, o medo de repressão evita que muita gente faça o pouco que ainda é possível. Os russos não podem se manifestar contra a invasão da Ucrânia sob o risco de serem presos, como já foi o caso de mais de 13 mil pessoas. O temor se espalha para os meios digitais e diversos influencers que estavam relatando sobre a guerra estão apreensivos com a possibilidade de serem presos.

A repressão, é claro, não conseguiu impedir que os mais determinados encontrassem maneiras de burlar o sistema. A demanda por VPNs teve um crescente de mais de 1000% desde o início das hostilidades e aplicativos como Telegram e Clubhouse se tornaram recursos valiosos de comunicação entre cidadãos russos e parentes no exterior.

As grandes redes como o Faceb…digo, Meta e Twitter tentam proteger os usuários russos tornando seus perfis privados e disponibilizando opções de anonimato criptografado para que o governo não consiga identificar essas pessoas. Os ideais democráticos de uma internet livre deixaram de ser senso comum na Rússia e a população é quem está pagando por isso.

Serviços de redes sociais como Facebook e Twitter já foram banidos do país

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