Guerra provoca debate sobre posição do Brasil em cadeias estratégicas de suprimentos

Guerra provoca debate sobre posição do Brasil em cadeias estratégicas de suprimentos

Especialistas destacam que conflito no leste europeu amplia debate sobre segurança alimentar, energética, ambiental e cibernética

Entre os setores que sofreram o impacto da guerra no Brasil destacam-se o setor agrícola, pela escassez de fertilizantes

O impacto da guerra no abastecimento de commodities e produtos industrializados expôs vulnerabilidades do Brasil em um mercado globalizado. Esse cenário evidencia a necessidade de uma maior discussão e investimento no país em segurança nacional, segundo especialistas que participaram da reunião do Conselho Temático da Indústria de Defesa e Segurança (Condefesa). Essa foi a 13ª reunião do grupo que faz parte da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Condefesa é presidido por Glauco José Côrte, que também ocupa o cargo de vice-presidente executivo da instituição e foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). A reunião, realizada em formato online, foi coordenada por Côrte e mediada pelo diretor-adjunto do Senai, Sérgio Moreira.

“Damos ênfase ao conceito de defesa e deixamos de discutir segurança. A pandemia e agora a guerra impõem isso. Temos de discutir segurança alimentar, energética e do meio ambiente por conta da Amazônia”, afirmou Rubens Barbosa, que ocupou o cargo de embaixador do Brasil em Londres e em Washington e atualmente é presidente e fundador do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior. Segurança cibernética é também uma área que demandará maior atenção do país, segundo o ex-embaixador. “O Brasil precisa de um impulso maior, estamos entre os cinco países mais afetados por hackers. Temos de fazer o que o Biden (presidente dos Estados Unidos) fez: chamou as grandes empresas para compor um grupo de trabalho”, destacou Barbosa.

Entre os setores que sofreram o impacto da guerra no Brasil destacam-se o setor agrícola, pela escassez de fertilizantes, com uma dependência de 20% aproximadamente de Rússia e Belarus, e do trigo, cuja importação responde por aproximadamente 60%. Outra área importante de vulnerabilidade apontada no debate é a fabricação de semicondutores. A pandemia de covid-19 também demonstrou a dependência brasileira no setor de saúde na produção de máscaras, respiradores e luvas, por exemplo.

Apesar dos desafios impostos pela guerra, o consultor do Centro de Defesa, Segurança e Espaço no Senai Cimatec, Milton José Deiró, abordou as oportunidades que podem surgir a partir do cenário de conflito, como o elevado número de refugiados ucranianos com formação para atuar na base industrial. “Podemos absorver os profissionais mais qualificados, principalmente da área espacial e de maquinário pesado”, declarou.

Especialistas destacam que conflito no leste europeu amplia debate sobre segurança alimentar, energética, ambiental e cibernética

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