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“Green new deal” brasileiro prevê redução de emissão de carbono pela metade

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Estado assume papel ativo ao incentivar e investir em setores e tecnologias limpas

Universalização de serviços de saneamento, expansão do alcance do transporte público e desmatamento zero são algumas das metas do Green New Deal brasileiro

Em estudo publicado nesta sexta (18) na revista “GV Executivo”, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) propõem um plano de recuperação econômica verde para o Brasil, com foco na transição para uma economia de baixo carbono. Chamado de Green New Deal brasileiro, o projeto tem capacidade de diminuir emissões anuais de gases de efeitos estufa do país pela metade e, ao mesmo tempo, gerar empregos mais qualificados com melhor remuneração.

O plano prevê a sinergia entre as agendas econômica, social e ambiental. Nele estão previstas 30 ações, desenhadas e adaptadas à realidade brasileira a partir do levantamento das proposições do Green New Deal em outros países. A proposta prevê sua execução até o ano de 2030, com custo total de cerca de 509 bilhões de reais, ou 6,8% do PIB brasileiro em 2019. Metas como a universalização dos serviços de saneamento, a expansão do alcance do transporte público e o desmatamento zero ganham destaque no projeto.

No Green New Deal, o Estado assume papel ativo como regulador, investidor e protetor social. O setor público, segundo os autores, deve incentivar inovações em setores e tecnologias limpos, contrariando a tendência atual de subsídios à indústria de petróleo e gás e a práticas agrícolas convencionais, que incluem o uso de agrotóxicos. Desta forma, medidas como o fim dos incentivos para atividades que degradam o ambiente e a tributação de lucros e grandes fortunas podem ser fontes potenciais de financiamento para a transição proposta.

A simulação de execução do GND-BR aponta um aumento na capacidade de arrecadação do Estado, o que pode beneficiar a geração de empregos, que podem aumentar em 7%. No setor das contribuições sociais, a arrecadação passaria dos atuais R$ 4,5 bilhões para R$ 53,8 bilhões anuais, valor que compensaria a diminuição da arrecadação tributária em 9,1% provocada pela adesão ao plano. Assim, as consequências do GND-BR seriam vistas não somente no clima global, mas também na qualidade de vida da população.

“A transição para uma economia verde busca ampliar a capacidade produtiva em setores de competitividade autêntica, intensivos em inovação e qualificação profissional, através de iniciativas que geram emprego e renda, ao mesmo tempo que protegem a biodiversidade e serviços ecossistêmicos. Mas isso requer políticas públicas ativas, com um marco regulatório que favoreça o comportamento proativo das empresas em direção à sustentabilidade e inclusão social”, afirma Carlos Eduardo Young, um dos autores do estudo.

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Fonte: Agência Bori

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