Archives 2025

Bancos projetam inflação elevada no ano

Setor espera que o IPCA feche dezembro em torno de 5,5%

“A pesquisa captou que os bancos seguem projetando um bom crescimento da carteira de crédito neste ano, apesar do ambiente de juros elevados e de todas as incertezas no cenário econômico, internacional e local”, avalia Sardenberg

As projeções de inflação para 2025 seguem bastante elevadas também no setor bancário. A maioria dos bancos (71,4%) espera que o IPCA feche o ano em torno de 5,5%, enquanto 19% projetam o indicador próximo (ou acima) de 6%. As projeções estão bem acima do centro da meta de inflação, definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para este ano, que é de 3%, com tolerância para até 4,5%. Assim, cerca de 90% dos entrevistados projetam a inflação acima de 5% no ano. É o que revela a pesquisa de economia bancária e expectativas da Febraban, realizada com 21 bancos, entre os dias 25 e 31 de março. Realizada a cada 45 dias, logo após a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ela mensura a estimativa do setor para o comportamento de diversas variáveis da economia ao longo deste e do próximo ano.

O levantamento também mostra que o crédito deverá crescer 8,6% em 2025, o que representa uma ligeira alta em relação à projeção de fevereiro, que estimava crescimento de 8,5%. O ajuste pode ser explicado pelas constantes revisões positivas feitas nas séries estatísticas pelo Banco Central, além de um cenário caracterizado ainda pelo mercado de trabalho aquecido e novos programas de crédito, como o consignado para os trabalhadores do setor privado. Neste contexto, a revisão foi liderada pela carteira com recursos livres, com expectativa de alta de 8,2% (ante +8,1% na pesquisa anterior), com destaque para o crédito destinado às famílias, que subiu de 8,6% para 9%. Para as empresas, a revisão foi mais contida, passando de alta de 7,1% para 7,2%.

Já em relação à trajetória da taxa de inadimplência, a pesquisa mostra que houve uma leve alta na projeção do indicador para a carteira com recursos livres, que subiu de 4,6%, na pesquisa de fevereiro, para 4,7%, nível superior ao registrado no último mês de janeiro (4,4%), segundo o Banco Central. “A pesquisa captou que os bancos seguem projetando um bom crescimento da carteira de crédito neste ano, apesar do ambiente de juros elevados e de todas as incertezas no cenário econômico, internacional e local. Além disso, é interessante observar que a revisão positiva foi liderada pela carteira com recursos livres destinados às famílias”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de economia, regulação prudencial e riscos da Febraban.

Segundo ele, “parte de tal movimento pode ser atribuído aos bons números ainda observados no mercado de trabalho, que segue aquecido, com baixo desemprego. Mas, também pode ser consequência da reformulação do consignado destinado aos funcionários do setor privado, que tem mostrado uma boa demanda já neste início de operação”. E que provavelmente vai crescer mais quando todos os ajustes estruturais forem concluídos, completa Sardenberg. A pesquisa indica que o movimento de desaceleração do ritmo de crescimento do crédito deve prosseguir no próximo ano, com expansão esperada de 7,8%, porém, acima da captada na pesquisa de fevereiro (+7,7%). Houve revisão para cima da projeção para a expansão da carteira livre, que subiu para 7,3% (ante +7,1%), enquanto para o crédito direcionado, a expectativa recuou para 8,3% (ante +8,6%).

Setor espera que o IPCA feche dezembro em torno de 5,5%

Senior Sistemas oferta 30 cursos online e gratuitos de soft skills

Empresa oferece programas para ampliar oportunidades de aprendizado a candidatos ao mercado de trabalho

O conteúdo teórico é oferecido em formato microlearning e a plataforma é atualizada constantemente com novas modalidades

Fornecedora de tecnologia para 40% das maiores empresas que operam no Brasil, a Senior Sistemas está promovendo 30 cursos 100% online e gratuitos, por meio da plataforma Learning Management Systems (LMS) da Konviva. Os conteúdos são focados no desenvolvimento de soft skills e o público-alvo são candidatos que buscam se destacar no mercado de trabalho, aprendendo sobre autoconhecimento, colaboração, trabalho em equipe, habilidades interpessoais e melhoria contínua.

O programa já recebeu 532 alunos e emitiu 449 certificados, segundo Juliana Maria, head de Talent Acquisition na Senior Sistemas. Os cursos são gratuitos e acessíveis a todos os interessados, desde que inscritos no portal de talentos da Senior. As aulas combinam conceitos sólidos com exemplos práticos, incluindo casos reais que demonstram a aplicação da teoria no dia a dia e no ambiente profissional. O conteúdo teórico é oferecido em formato microlearning e a plataforma é atualizada constantemente com novas modalidades. Os participantes podem se inscrever em quantos cursos desejarem.

A Senior Sistemas é uma empresa multinacional brasileira, sediada em Santa Catarina, que oferece soluções de tecnologia para diferentes setores da economia, como agronegócio, atacado e distribuição, construção, indústria e logística. Com 11 filiais e três mil colaboradores no Brasil e no exterior, a companhia mantém 160 canais de distribuição e teve um crescimento acima de 20% ao ano em receita líquida há cinco anos consecutivos. A Senior é a 209ª maior empresa da região e também a 52ª maior de Santa Catarina, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC Brasil (veja o ranking completo aqui e o anuário digital completo clicando neste link).

Empresa oferece programas para ampliar oportunidades de aprendizado a candidatos ao mercado de trabalho

Ponto de vista

Um país de classe média significa o quê, exatamente?

O conceito de classe, na sociologia, envolve mais do que a renda momentânea, abrangendo também a profissão e a propriedade do imóvel de residência

Em entrevista coletiva dia 31 de janeiro, Lula disse querer “transformar o Brasil num país de classe média“. Exceto por uma referência à Suécia como modelo, o presidente não deu mais detalhes do que seria uma nação assim – e a vaguidão acerca do conceito não é exclusividade sua.

A expressão ‘classe média’ pode assumir várias conotações. Do ponto de vista estritamente econômico, designa o conjunto de cidadãos que se situa na faixa intermediária da distribuição de renda. Se este for o critério, Lula já pode comemorar: mais da metade dos domicílios brasileiros detém este status, segundo levantamento recente.

Ocorre que o conceito de classe, na sociologia, envolve mais do que a renda momentânea, abrangendo também a profissão e a propriedade do imóvel de residência. Ambas oferecem uma perspectiva a respeito de um cidadão e de sua família; quanto maior a educação formal, mais condições de ocupar bons empregos e conservar ou melhorar a posição social. E, se dono do imóvel em que mora, menos ameaçado por uma crise circunstancial.

Há uma terceira forma de encarar essa definição, que é pela autopercepção. E nesse aspecto reside a maior curiosidade. Se depender dos cidadãos, não apenas o Brasil, como talvez todos os países sejam de classe média, uma vez que é com esse grupo que a população se identifica.

Motivos não faltam. Em nações pobres ou de renda intermediária, como o Brasil, pode-se associar o ingresso na classe média à superação da carência material básica. A despeito de as condições de vida continuarem difíceis, deixar para trás preocupações com alimentação e moradia abre novos horizontes ao sujeito. Ser pobre, então, torna-se sinônimo de não ter acesso aos bens; tê-lo à prestação ou economizando meses a fio já o retira do andar mais baixo da classificação social.

Há, além disso, um viés psicológico. Dizer-se pobre pode ser constrangedor ou humilhante; e rico, temerário e privilegiado. Localizar-se no meio cumpre a tarefa de conservar a dignidade e evitar comprometer-se, seja com a culpa pela carência alheia, seja com uma hipotética luta coletiva.

Finalmente, a autodeclaração é sempre comparativa. Domicílios com renda acima de R$ 25 mil mensais são considerados de classe A e estão no topo da pirâmide social brasileira. Seriam ricos, portanto? Em contraste com aqueles que ganham menos, talvez sim. Mas se perguntados sobre como se sentem, tendo de arcar com despesas particulares de saúde, educação, previdência, transporte e segurança, dirão que não. E se cotejados com as classes médias europeias e norte-americana, que desfrutam de todos esses serviços gratuitamente e têm acesso facilitado a tantos outros, a resposta negativa se repete.

Diante dessas condicionantes todas, fico com uma definição que ouvi certa vez: pobres ocupam-se de sobreviver a cada semana; a classe média, a cada mês; e ricos, a cada ano – ou nem se preocupam.

Veja seu horizonte de preocupação e descubra em qual classe você se encaixa.

Um país de classe média significa o quê, exatamente?

Brasil é o maior fornecedor de oito dos principais produtos vendidos aos EUA

Análise da CNI revela como as tarifas vão deixar os produtos mais caros aos parceiros nos Estados Unidos

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras da indústria de transformação, especialmente de produtos de maior intensidade tecnológica

O governo dos Estados Unidos anunciou uma tarifa adicional de 10% sobre os produtos brasileiros que entram no país. Nos dois últimos meses, o governo americano anunciou tarifas específicas para a importação de aço, alumínio, veículos e autopeças. Nesses casos, a taxa de importação adicional permanecerá em 25%. Uma análise elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra os produtos em que o Brasil é o principal fornecedor do mercado norte-americano, na maioria, bens intermediários (insumos industriais) e bens de capital, e como as novas tarifas vão deixar os produtos mais caros aos parceiros nos Estados Unidos.

“As tarifas podem ter um impacto negativo principalmente para a consumidor nos Estados Unidos, porque vendemos bens intermediários e insumos. Esse aumento de custos pode levar a uma pressão inflacionária e ao aumento de preços, fazendo com que o produto americano perca competitividade”, afirma a gerente de comércio e integração internacional da CNI, Constanza Negri. Confira a lista dos oito produtos a seguir.

Outros produtos semimanufaturados, de ferro ou aços: entre os países que mais vendem para os EUA, o Brasil lidera como fornecedor com 59,9% das vendas; adicional de 25% de tarifa

Ferro fundido bruto não ligado: entre os países que mais vendem para os EUA, o Brasil lidera como fornecedor com 58,1% das vendas; adicional de 10% de tarifa

Café não torrado, não descafeinado: entre os países que mais vendem para os EUA, o Brasil lidera como fornecedor com 25,8% das vendas; adicional de 10% de tarifa

Pasta química de madeira de não conífera: entre os países que mais vendem para os EUA, o Brasil lidera como fornecedor com 79,6% das vendas; adicional de 10% de tarifa

Preparações alimentícias e conservas, de bovinos: entre os países que mais vendem para os EUA, o Brasil lidera como fornecedor com 66% das vendas; adicional de 10% de tarifa

Minérios de ferro aglomerados e seus concentrados: entre os países que mais vendem para os EUA, o Brasil lidera como fornecedor com 53,6% das vendas; adicional de 10% de tarifa

Sucos de laranja não congelados, não fermentados: entre os países que mais vendem para os EUA, o Brasil lidera como fornecedor com 75,8% das vendas; adicional de 10% de tarifa

Niveladores: entre os países que mais vendem para os EUA, o Brasil lidera como fornecedor com 83% das vendas; adicional de 10% de tarifa

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras da indústria de transformação, especialmente de produtos de maior intensidade tecnológica, além de liderarem o comércio de serviços e os investimentos bilaterais. Somente em 2024, a indústria de transformação brasileira exportou US$ 31,6 bilhões em produtos para os Estados Unidos. Nesse ano, a cada R$ 1 bilhão exportado para os Estados Unidos, foram criados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,6 bilhões em produção.

Análise da CNI revela como as tarifas vão deixar os produtos mais caros aos parceiros nos Estados Unidos

Stihl Brasil registra faturamento de R$ 3,2 bilhões

Companhia investirá R$ 150 milhões neste ano

Para 2025, a meta da empresa é atingir R$ 4 bilhões de faturamento

A Stihl Brasil registrou um faturamento de R$ 3,2 bilhões em 2024, igualando o número recorde atingido em 2022. O resultado ainda aponta um crescimento em comparação a 2023 e a marca destaca a superação dos colaboradores em meio às enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em maio do ano passado. Para 2025, a meta da empresa é atingir R$ 4 bilhões de faturamento, além de projetar o lançamento de 20 novos produtos no mercado brasileiro com destaque para soluções a bateria. Destas novidades, 18 são exclusivas e duas são substituições de modelos já existentes no portfólio.

“O foco para 2025 será em lançamentos de produtos e na consolidação do e-commerce da marca, lançado no ano passado como uma importante ferramenta para favorecer o selling out dos revendedores. O aumento de lojas físicas, bem como a qualificação da rede, segue sendo prioridade estratégica neste ano, com o objetivo de atender melhor o mercado e estar cada vez mais próximo dos clientes”, antecipa Cláudio Guenther, presidente da Stihl Brasil.

Já a meta de produção, prevista no início do planejamento de 2024, não foi atingida por conta de tudo que o estado passou no primeiro semestre. Em determinado período durante as enchentes, em que mais de 400 funcionários da empresa tiveram suas casas fortemente atingidas pelas águas, a sede da empresa tornou-se abrigo para, aproximadamente, 140 pessoas da comunidade local. Atualmente, são 3 mil colaboradores no quadro de funcionários da marca alemã no Brasil e 2025 já iniciou com a contratação de 150 novos profissionais para atuarem na área de produção da fábrica.

De acordo com Guenther, para este ano, o investimento previsto é de R$ 150 milhões, que serão destinados para projetos com foco em tecnologia, automação e capacitação profissional de colaboradores e de revendedores, com o objetivo de aumentar e melhorar a produtividade da organização, além de elevar a sustentabilidade do negócio. “Uma iniciativa neste sentido é o One STIHL, que atualiza e padroniza globalmente o sistema de tecnologia – responsável por conectar, compilar, automatizar dados e processos internos – unificando as operações em todas as unidades da empresa no mundo. Também seguiremos avançando as ações ESG. Será ampliada a atuação e as iniciativas para atingir as metas de sustentabilidade estabelecidas pelo Grupo STIHL, como a redução de embalagens plásticas e a emissão de CO2, além do compromisso de reduzir em 40% o consumo de combustíveis fósseis, na comparação com 2019, até 2030″, complementa.

Companhia investirá R$ 150 milhões neste ano

Empresário Enoir Zorzanello morre aos 75 anos

Ele construiu uma trajetória marcante no setor do turismo

Enoir foi diretor da extinta agência Terra Turismo, atuou à frente do Hotel Serrano e criou a TecnoHotel

O empresário gramadense Enoir Zorzanello faleceu deste domingo (6), aos 75 anos. Ele estava em casa quando sofreu uma embolia pulmonar, sendo encaminhado ao Hospital Arcanjo São Miguel, em Gramado, mas não resistiu. Na última quarta-feira (2), Enoir havia passado por uma cirurgia no joelho em Porto Alegre e recebido alta hospitalar no dia seguinte. O velório será realizado neste domingo, das 16h às 23h, no Teatro Elisabeth Rosenfeld, junto à Câmara de Vereadores de Gramado. Na segunda-feira, 7 de abril, o espaço reabre às 6h30, com sepultamento marcado para as 14h no Cemitério São Lourenço.

Nascido em Gramado, Enoir era formado em administração de empresas e construiu uma trajetória marcante no setor do turismo. Desde jovem, dedicou-se ao desenvolvimento econômico e cultural da cidade. Foi diretor da extinta agência Terra Turismo, atuou à frente do Hotel Serrano (atualmente Wish Serrano Resort), criou a TecnoHotel e esteve na organização, por mais de uma década, do Festival de Cinema de Gramado, um dos principais eventos do calendário cultural brasileiro.

Também foi idealizador do Gramado Cine Vídeo, evento voltado ao cinema universitário e ao mercado de televisão, que por muitos anos integrou a programação oficial do festival. Além de sua atuação empresarial, Enoir teve participação ativa na vida pública de Gramado. Foi vereador e vice-prefeito na gestão de Pedro Bertolucci, contribuindo com sua visão estratégica para o crescimento da cidade. Viúvo da empresária Silvia Zorzanello, fundadora da Rossi & Zorzanello Eventos e Empreendimentos ao lado de Marta Rossi, Enoir deixa os filhos Eduardo e Vinícius (in memoriam), e os netos Vicente, Maria Eduarda e Clara.

Ele construiu uma trajetória marcante no setor do turismo

Google envolvido em projeto de vigilância com IA na fronteira dos EUA, aponta investigação

Uma investigação do site The Intercept revelou que o Google está envolvido em um projeto do governo dos Estados Unidos para modernizar torres de vigilância na fronteira com o México, utilizando inteligência artificial. O objetivo é transformar o monitoramento tradicional em um sistema automatizado capaz de identificar pessoas e veículos sem a necessidade de supervisão […]Uma investigação do site The Intercept revelou que o Google está envolvido em um projeto do governo dos Estados Unidos para modernizar torres de vigilância na fronteira com o México, utilizando inteligência artificial. O objetivo é transformar o monitoramento tradicional em um sistema automatizado capaz de identificar pessoas e veículos sem a necessidade de supervisão […]

Google vai limitar a bateria do Pixel 9a automaticamente — e você não poderá desativar

O Google está preparando uma novidade para o futuro Pixel 9a que promete dividir opiniões: um novo recurso chamado Battery Health Assistance, ou “Assistente de Saúde da Bateria”, será ativado automaticamente nos aparelhos para preservar a saúde da bateria ao longo dos anos. A medida visa acompanhar o suporte prolongado de atualizações do Android (agora […]O Google está preparando uma novidade para o futuro Pixel 9a que promete dividir opiniões: um novo recurso chamado Battery Health Assistance, ou “Assistente de Saúde da Bateria”, será ativado automaticamente nos aparelhos para preservar a saúde da bateria ao longo dos anos. A medida visa acompanhar o suporte prolongado de atualizações do Android (agora […]

Após retaliação da China, Trump diz que sua política não mudará

Bolsas despencam, OMC prevê queda no comércio e Fed vê inflação maior

Trump também desafiou o presidente do Fed a cortar os juros básicos da economia do país

Enquanto as bolsas em todo o mundo despencam com a intensificação da guerra de tarifas após a retaliação da China, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (4) que sua política “nunca mudará” e provocou que a China estaria em pânico. “Para os muitos investidores que estão chegando aos Estados Unidos e investindo grandes quantidades de dinheiro, minhas políticas nunca mudarão. Este é um ótimo momento para ficar rico, mais rico do que nunca!!!”, escreveu Trump, em uma rede social. Em outra postagem, logo em seguida, o presidente norte-americano disse que a China errou ao retaliar.

“A China jogou errado, eles entraram em pânico. A única coisa que não podem se dar ao luxo de fazer!”, escreveu. Após anunciar tarifas de importação para todos os parceiros comerciais, com taxas de 34% para China, o governo de Pequim adotou uma série de medidas de retaliação, com igual taxação de 34% das importações de produtos estadunidenses. Além disso, a China anunciou a restrição para exportação de minerais raros, chamados terras raras, além da proibição de comércio com 16 empresas dos Estados Unidos. Em uma entrevista publicada na mesma rede social, o presidente dos Estados Unidos reforçou que está no caminho certo. “Tudo indo muito bem. Você verá como isso vai acabar, nosso país terá um boom”, anunciou Trump.

As medidas fizeram as bolsas em todo o mundo despencar. Os três principais índices de ações norte-americanos – o S&P 500 (-4,5%), o Nasdaq (-4,6%) e o Dow Jones (-4,0%) – registravam quedas no início da tarde de hoje. Em nota publicada na quinta-feira (3), antes do anúncio de retaliação do governo chinês, a Organização Mundial do Comércio (OMC) previu que o tarifaço instituído pelos Estados Unidos levaria a uma retração de 1% nos volumes globais de comércio este ano, resultado que é 4 pontos percentuais inferior à previsão anterior, que calculava um crescimento de 3% no comércio internacional. “Medidas comerciais dessa magnitude têm o potencial de criar efeitos significativos de desvio comercial. Apelo aos membros [da OMC] para que administrem as pressões resultantes de forma responsável para evitar que as tensões comerciais proliferem”, afirmou Ngozi Okonjo-Iweala, diretora geral da OMC.

Enquanto isso, o presidente do Banco Central dos EUA (Fed), Jorome Powell, alertou que as tarifas de Trump podem aumentar a inflação e reduzir o crescimento econômico. “Embora a incerteza permaneça elevada, agora está ficando claro que os aumentos de tarifas serão significativamente maiores do que o esperado. O mesmo provavelmente será verdade para os efeitos econômicos, que incluirão maior inflação e crescimento mais lento”, comentou Powell. Por outro lado, o presidente Trump desafiou o presidente do Fed a cortar os juros básicos da economia do país. “Este seria um momento perfeito para o Presidente do Fed, Jerome Powell, cortar as Taxas de Juros. Ele está sempre ‘atrasado’, mas agora ele pode mudar sua imagem, e rapidamente. Corte as taxas de juros, Jerome, e pare de brincar de política!”, escreveu Trump também nesta sexta em uma rede social.

Com ABR

Bolsas despencam, OMC prevê queda no comércio e Fed vê inflação maior

Banco Mercantil amplia presença física no Sul

Paraná e Santa Catarina receberão o maior número de agências

Mercantil prevê a abertura de 23 novas unidades em diversas cidades do país até o próximo mês

Com a inauguração de novos pontos de atendimento, incluindo as primeiras unidades na região Sul, o Banco Mercantil leva em frente seu plano de expansão. A iniciativa faz parte de um projeto iniciado no ano passado, que prevê a abertura de 23 novas unidades em diversas cidades do país até o próximo mês. Neste ano, já foram inaugurados pontos físicos em São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Florianópolis (SC). No Sul, os estados do Paraná e Santa Catarina foram os principais beneficiados.

No Paraná, as cidades de Londrina, Apucarana, Umuarama, Ponta Grossa, São José dos Pinhais, Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava e Toledo contarão com um ponto físico do Banco Mercantil. Já em Santa Catarina, Itajaí, Criciúma, São José, Tubarão, Chapecó, Jaraguá do Sul e Blumenau também serão contempladas. Além disso, no Rio Grande do Sul, a cidade de Pelotas receberá a primeira unidade do banco no estado.

O Mercantil tem se destacado na ampliação de sua atuação em regiões onde ainda não possui presença física, priorizando localidades que não estão vinculadas a leilões de benefícios, como o INSS. O objetivo é oferecer um atendimento especializado para aposentados e pensionistas, com serviços financeiros diferenciados e adaptados às necessidades desse público. Atualmente, a instituição conta com mais de 300 pontos de atendimento distribuídos em cerca de 250 cidades do país. Com a expansão anunciada, o Banco Mercantil passará a ter presença física em 24 estados.

Paraná e Santa Catarina receberão o maior número de agências

Pinhão Hub de Curitiba completa um ano de promoção de negócios e inovação

Em um ano, o Pinhão Hub somou 34 empresas residentes que, juntas, faturam R$ 15 bilhões

Inaugurado em março de 2024, o Pinhão Hub ocupa o prédio central do complexo Engenho da Inovação, instalado em 2017 na construção que já abrigou um moinho

Teve bolo, brinde, música e casa cheia. O primeiro aniversário do Pinhão Hub, no Rebouças, foi comemorado na quinta-feira (3), com a participação de quem faz evoluir o Vale do Pinhão, o ecossistema de inovação de Curitiba. O prefeito Eduardo Pimentel, ao lado do vice-prefeito e secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Paulo Martins, e do presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, Dario Paixão, abriu a comemoração. “Obrigado a todos os CEOs que investem aqui, por acreditarem em Curitiba e na Região Metropolitana e nos ajudarem a manter a cidade acelerando. Queremos, cada vez mais, trazer investimentos para Curitiba. É assim que queremos a nossa cidade: pulsando e vivendo. Utilizem esse espaço aqui cada vez mais, é de vocês”, afirmou Pimentel. A festa foi a céu aberto, no terceiro andar da edificação, que já se consolidou como coração do ecossistema, por reunir as principais iniciativas de empreendedorismo e inovação de Curitiba, tornando-se um dos principais hubs do setor no país. No evento, Eduardo Pimentel e Paulo Martins assinaram o Novo Pacto do Vale do Pinhão, formalizando a adesão da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação (SMDEI) à governança do ecossistema.

Inaugurado em março de 2024, o Pinhão Hub ocupa o prédio central do complexo Engenho da Inovação, instalado em 2017 na construção que já abrigou um moinho. A criação do Engenho foi o pontapé inicial no processo de revitalização pela qual o bairro Rebouças está passando, atraindo novos empreendimentos imobiliários e outras instalações voltadas à inovação e novas ideias na cidade. Em um ano, o Pinhão Hub somou 34 empresas residentes que, juntas, faturam R$ 15 bilhões. Nesse período, recebeu 110 eventos de networking, conexão, capacitação empreendedora e profissional, materializando projeto da prefeitura, da Agência Curitiba e da SMDEI de manter um endereço permanente para as conexões do segmento na capital.

O presidente da Agência Curitiba, Dario Paixão, destacou que o Pinhão Hub não é um coworking. Em seus 1,2 mil metros quadrados, em três andares, o local oferta mais do que 158 posições de trabalho às empresas: é o espaço propício para novos negócios, a integração das grandes e pequenas empresas, principalmente daquelas que inovem. “O Pinhão Hub é um sonho que se transformou em realidade. Há um ano, o prefeito Eduardo Pimentel disse que a inauguração foi uma semente para a revitalização do Rebouças, que foi o setor mais importante industrial de Curitiba. Hoje celebramos este primeiro ano de sucesso”, destacou Paixão. Atualmente, o Pinhão Hub também é a sede da Agência Curitiba, responsável por gerenciar e realizar ações e programas ligados à inovação, empreendedorismo e tecnologia da Prefeitura.

Espaço Electrolux
A comemoração também marcou a inauguração do Espaço Electrolux Group, no terceiro andar do prédio, dando vida nova ao auditório, por meio da contrapartida via naming rights, além de ter equipado as copas do térreo e 1ª andar com eletroeletrônicos. “Somos uma empresa que começou inovando e temos plena consciência da importância da inovação. Parabéns à prefeitura e a todos que idealizaram o projeto. É uma ideia fantástica, principalmente em um lugar como este, recuperando o antigo, dando valor à tradição da cidade”, congratulou o CEO do Electrolux Group, Electrolux Group América Latina, Leandro Jasiocha.

Em um ano, o Pinhão Hub somou 34 empresas residentes que, juntas, faturam R$ 15 bilhões

China retalia EUA com tarifas de 34% e restrição a minerais raros

Medida deve entrar em vigor a partir da próxima quinta-feira

China pediu ainda que os Estados Unidos cancelem imediatamente suas medidas tarifárias unilaterais e resolvam as diferenças comerciais por meio de consultas de maneira igualitária

A China anunciou nesta sexta-feira (4) que vai impor tarifas de 34% sobre os produtos dos Estados Unidos a partir da próxima quinta-feira (10), mesmo patamar das taxas impostos nesta semana pelo presidente Donald Trump contra as importações chinesas. Além disso, o governo chinês anunciou restrições para exportação de minerais raros, conhecidos como terras raras, e proibiu a exportação de itens de “dupla utilização”, civil e militar, para 16 empresas estadunidenses, medidas vistas também como retaliação ao tarifaço de Trump. O anúncio chinês ocorre dois dias após os Estados impor tarifas de 34% sobre todas as importações chineses, agravando a guerra comercial iniciada pelo país norte-americano. Em razão da retaliação chinesa, o dólar tem subido na manhã desta sexta, enquanto a B3 sofre um forte revés. O cenário é o mesmo em várias bolsas ao redor do mundo.

Após anunciar a taxação de 34%, a Comissão Tarifária do Conselho de Estado da China pede ainda que os Estados Unidos cancelem imediatamente suas medidas tarifárias unilaterais e resolvam as diferenças comerciais por meio de consultas de maneira igualitária, respeitosa e mutuamente benéfica. O governo chinês argumenta que a prática norte-americana não está de acordo com as regras do comércio internacional e prejudica os interesses da China. “É uma prática típica de intimidação unilateral que não apenas prejudica os próprios interesses dos EUA, mas também coloca em risco o desenvolvimento econômico global e a estabilidade da cadeia de produção e fornecimento”, acrescentou.

Ainda nesta sexta, o Ministério do Comércio da China anunciou restrições para certos itens relacionados a minerais raros, conhecidos como terras raras, de valor estratégico para indústrias de alta tecnologia. “As medidas, que entram em vigor imediatamente, visam proteger melhor a segurança e os interesses nacionais e cumprir a não proliferação e outras obrigações internacionais”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio, segundo agência de notícias chinesa Xinhua. A terceira medida anunciada proibiu exportações para 16 entidades dos Estados Unidos de materiais que possam ser usados nos setores civis e militares “para salvaguardar a segurança e os interesses nacionais”.

As medidas são uma dura resposta de Pequim à Washington capazes de prejudicar a base política e eleitoral de sustentação de Trump, na avaliação do especialista em China e o professor de Economia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Elias Jabbour. “É uma paulada. Até então, a China vinha respondendo de forma pontual. Esse novo tarifaço tem capacidade muito grande de mexer com os interesses das empresas americanas que operam na China. Quase todas elas operam na China e dependem do mercado chinês para ter lucro”, afirma. Jabbour acrescenta que o tarifaço deve provocar pressão inflacionária, “algo que o Trump não tem muita capacidade de controlar no curto prazo”. O economista lembrou ainda que os estadunidenses dependem dos minerais de terras raras, que são usados para fazer chips e outros equipamentos de alta tecnologia. “A China exporta muitas terras raras para os Estados Unidos. Então, tem esse impacto. Por isso que o Trump quer a Ucrânia, a Groelândia”, aponta Jabbour.

Com ABR

Medida deve entrar em vigor a partir da próxima quinta-feira

Grupo Argenta lança nova marca para fortalecer presença no Centro-Oeste e no Sudeste

Estratégia é expandir as fronteiras de atuação para além da região Sul

A partir destes negócios, o ecossistema amplia sua presença territorial no mercado de distribuição de combustíveis, expandindo para outros estados, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso, bem como, reforçando sua atuação em São Paulo

O Grupo Argenta, com sede em Flores da Cunha (RS), anuncia a chegada da Nexta, sua 11ª empresa. A Nexta já nasce tendo sob sua gestão diferentes operações, entre elas a distribuição de combustíveis adquirida da empresa francesa TotalEnergies — que conta com uma rede de cerca de 240 postos, filiais de TRR (Transportador – Revendedor – Retalhista) e bases de armazenamento. A aquisição dos ativos de distribuição de combustíveis da TotalEnergies no Brasil é um movimento recente, realizado pela Argenta no segundo semestre de 2024, em uma operação aprovada pela superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em novembro último. A Argenta contou com a Bateleur como assessor financeiro exclusivo para estruturar a transação.

A partir destes negócios, o ecossistema amplia sua presença territorial no mercado de distribuição de combustíveis, expandindo para outros estados, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso, bem como, reforçando sua atuação em São Paulo. Desta forma, o grupo consolida sua expansão, em um plano de crescimento iniciado em 2018 e que vem sendo executado nos últimos anos. A nova empresa tem seu escritório sediado no Vila Olímpia Corporate, em São Paulo (SP), espaço que abriga as áreas de marketing, comercial, finanças, planejamento, supply, logística e engenharia. A organização também tem operação em Araxá (MG) que contará com a atividade de profissionais focados, principalmente, na operação.

“A abertura da Nexta é a consolidação do sonho de expandir as fronteiras de atuação para além dos estados da região Sul, movimento que iniciou quando a Sim Distribuidora licenciou postos da marca Petronas e abriu lojas de conveniência Yes. Com quase 40 anos de existência, a Argenta está preparada para este importante passo que é desbravar novos mercados. Nosso conhecimento de décadas no ramo de combustíveis nos dão a certeza de que este é o momento de escrevermos um novo capítulo da nossa história, assumindo posição de destaque entre as maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil”, afirma Neco Argenta, presidente do conglomerado.

Com este movimento, a Argenta, através da nova marca, prevê agregar a distribuição de mais de 1 bilhão de litros de combustíveis ao ano em seu ecossistema. Também atenderá uma rede de mais de 400 postos em sua nova área de atuação ainda neste ano. A Argenta é a 35ª maior empresa da região e também a 14ª maior do Rio Grande do Sul, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC Brasil (veja o ranking completo aqui e o anuário digital completo clicando neste link).

Estratégia é expandir as fronteiras de atuação para além da região Sul

Novo Hamburgo lança Aliança para Inovação

Iniciativa tem como inspiração modelos de sucesso, como o Tratado de Inovação Catarinense

Município pretende se tornar referência nacional em tecnologia e inovação até 2028

Novo Hamburgo avança rumo ao futuro com o lançamento, na tarde desta quinta-feira (3), da Aliança para Inovação, um pacto que reúne empresas, universidades, centros de pesquisa e o setor público para fortalecer o ecossistema de inovação, tecnologia e empreendedorismo da cidade. A cerimônia ocorreu no Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) de Novo Hamburgo e contou com a presença de autoridades, empresários e representantes do setor acadêmico. A iniciativa, promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo (SMDEIT), tem como inspiração modelos de sucesso, como o Tratado de Inovação Catarinense, e busca impulsionar a economia local, gerar empregos qualificados e atrair investimentos para a cidade. Entre seus principais objetivos estão a desburocratização de processos, a adoção de novas tecnologias e a qualificação profissional, além da criação de um ambiente virtual integrado que conectará empreendedores e investidores.

A Aliança para Inovação Novo Hamburgo já começa com um marco importante: a ativação do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) e o lançamento do programa CIT 360, desenvolvido pelo Sebrae RS. Esse programa trará uma série de eventos e atividades ao longo de 2025, consolidando a cidade como um polo de inovação e empreendedorismo. A Aliança para Inovação já conta com a participação de importantes organizações locais, como Unimed Vale dos Sinos, Universidade Feevale, Fundação Liberato, Cigam, Sicredi Pioneira, Sebrae e ACI, entre outras. A primeira ação da Aliança foi a ativação do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT), com o lançamento do programa CIT 360, liderado pelo Sebrae RS. O programa conta com eventos ao longo do ano, incluindo workshops, rodadas de negócios, hackathons, pitch days para startups e debates sobre inteligência artificial e Indústria 4.0. A agenda culminará em um summit, um evento de grande porte, consolidando a cidade como referência em inovação e tecnologia.

O Centro de Inovação e Tecnologia de Novo Hamburgo
Inaugurado em outubro de 2024, o CIT visa impulsionar a inovação e o desenvolvimento tecnológico na região. É um ambiente voltado para fomentar a inovação, conectar empresas, startups, instituições e estudantes, além de impulsionar novos negócios. O espaço conta com infraestrutura moderna, incluindo coworking, auditório, FabLab e áreas compartilhadas, permitindo a experimentação e o desenvolvimento de soluções inovadoras. O espaço é gerido pela Fenac em parceria com a prefeitura de Novo Hamburgo e diversas instituições, como Sebrae e IENH. Entre as empresas fundadoras estão Killing S/A, Unimed VS, Cigam e Sicredi Pioneira. Além disso, a SX Negócios atua como mantenedora, e sete instituições participam de programas de inovação: IENH, Feevale, FTEC, Liberato, ACI-NH, CDL-NH e Abrameq. Um dos diferenciais do espaço é o conceito de “Sandbox”, que permite testes de novas tecnologias em um ambiente regulatório experimental.

Iniciativa tem como inspiração modelos de sucesso, como o Tratado de Inovação Catarinense

Entenda a guerra de tarifas de Trump e consequências para Brasil

Tarifaço quer recuperar espaço perdido da indústria norte-americana para Ásia

Custo de produção nos Estados Unidos é cinco a seis vezes maior que na Ásia

A medida do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifas a todos os parceiros comerciais, na quarta-feira (2), representa uma tentativa da maior potência do planeta de retomar a posição que a indústria do país já teve, além de tentar combater os déficits comerciais de bens que somam cerca de US$ 1 trilhão ao ano. Essa avaliação é feita por diversos analistas, entre eles, o economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala. O também professor em economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), contudo, avalia que as tarifas não podem sozinhas reverter a perda de competitividade da economia estadunidense, em especial, para a Ásia.

“A Ásia foi muito eficiente em desenhar políticas para desenvolver a indústria dela nos últimos 20 a 30 anos. Os governos do Vietnã, da Malásia, da Tailândia, da Indonésia, da China, até mesmo da Índia, têm conseguido desenhar políticas de inovação e industriais com subsídios ao desenvolvimento tecnológico”, evidencia. Ele argumenta que o tarifaço representa “um choque brutal” na economia mundial, o maior desde os anos 1930. Além disso, diz que não se tratam de tarifas recíprocas, como prometia o governo Trump, e que haverá impacto para economia brasileira, em especial, para alguns setores e empresas, como a Embraer. Em média, as tarifas aplicadas por Trump foram de 10% para países da América Latina, de 20% para Europa e de 30% para Ásia, mostrando que o problema maior está no continente asiático.

“Hoje, a Ásia deve ter quase 25% do mercado mundial de carro, para não falar da China com a BYD, que está quase matando a Tesla nos mercados mundiais”, avalia Gala. Em 2023, a produção industrial dos Estados Unidos como parcela da produção industrial global foi de 17,4%, bem abaixo dos 28,4% de 2001, segundo dados da Casa Branca. “Grandes e persistentes déficits comerciais anuais de bens dos Estados Unidos levaram ao esvaziamento de nossa base de manufatura; inibiu nossa capacidade de fabricação doméstica”, justificou Trump. Gala entende que as tarifas não podem reverter o custo de produção nos Estados Unidos. “O problema é que o custo de produção nos Estados Unidos hoje é cinco a seis vezes maior do que na Ásia. Enquanto a média salarial nos Estados Unidos é de US$ 5 mil, na Ásia é de US$ 1 mil”, compara.

“As medidas geram incerteza no mercado mundial, derrubam bolsas em todo o mundo e devem paralisar as decisões empresariais. Uma multinacional que produz no Vietnã, na China, em Taiwan, ou na Europa, vai pensar duas vezes agora no que fazer”, avalia Gala. “É o maior choque tarifário desde os anos 1930, é um choque tarifário brutal e o mercado está reagindo com muita preocupação. Vai ter uma desestruturação dramática do comércio, investimentos e tecido produtivo”, emenda.Para ele, as tarifas devem pressionar a inflação interna norte-americana. “Todos os produtos asiáticos ficam 30% mais caros. Equipamentos, máquinas, tratores, computadores, chips, tudo isso”, alerta.

Tarifas recíprocas?
Um dos principais argumentos da Casa Branca para o tarifaço desta semana é que os parceiros comerciais têm adotado tarifas aos produtos estadunidenses superiores aos que os Estados Unidos aplicam nas suas importações e cita o caso do Brasil. “Grandes e persistentes déficits comerciais anuais de bens dos Estados Unidos são causados em parte substancial pela falta de reciprocidade em nossas relações comerciais bilaterais, que dificultam a venda de produtos por fabricantes norte-americanos em mercados estrangeiros. O Brasil (18%) e a Indonésia (30%) impõem uma tarifa mais alta sobre o etanol do que os Estados Unidos (2,5%)”, afirmou Trump na ordem executiva publicada na quarta-feira.

Na avaliação do economista Paulo Gala, as medidas não respeitaram qualquer princípio de reciprocidade. “Não foi tarifa recíproca. É a ideia de que, se um país tarifa os Estados Unidos em 30%, os EUA vão lá e tarifam 30% de volta. Isso é tarifa recíproca. Mas não foi isso que foi feito”, afirmou. Para Gala, o governo Trump apenas pegou os grandes déficits comerciais que os EUA têm e colocaram uma tarifa em cima. “Foi uma resposta meio tosca. Na verdade, é uma tarifação de países e produtos que causam déficit nos Estados Unidos”, completa.

O Brasil ficou com a tarifa mais baixa entre as divulgadas, com uma taxação de 10% sobre todas exportações para os Estados Unidos. O governo promete tentar reverter a situação e mesmo recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) que, devido a paralisia promovida pelos Estados Unidos, teve sua atuação limitada nos últimos anos. O efeito geral que a guerra de tarifas vai causar, com provável retaliação por todo o mundo, deve trazer problemas adicionais para o comércio internacional no Brasil, não diretamente relacionado com a taxação sobre as importações brasileiras.

“O Brasil ficou com a tarifa ‘mais barata’ de 10%. Claro que isso é um benefício, mas o Brasil vai sofrer por conta desse terremoto global que está acontecendo. Um medo de crise derrubando juros e dólar e uma recessão, obviamente, que afetariam o Brasil também”, reflete o economista-chefe do Banco Master. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os Estados Unidos são o principal destino das exportações da indústria brasileira, especialmente de produtos de maior intensidade tecnológica, além de liderarem o comércio de serviços e os investimentos bilaterais.

Gala avalia que a fabricante de aviões Embraer deve ser uma das companhias mais atingidas.”Talvez a Embraer seja a empresa mais impactada. A nossa dependência em relação aos Estados Unidos não é muito alta. Para além dos efeitos diretos em algumas empresas brasileiras, não deve ter um efeito tão dramático”, sintetiza. Especialistas têm destacado ainda que a crise aberta pela guerra de tarifas abre oportunidades que podem ser aproveitadas pelas exportações brasileiras. “Se souber aproveitar esse momento, o Brasil pode expandir suas exportações, especialmente porque a taxação sobre produtos americanos pode levar importadores a buscar alternativas”, nota Volnei Eyng, CEO da gestora de ativos Multiplike.

Com ABR

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