Archives Abril 2025

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Codesul firma parceria com Banco Mundial para enfrentamento de eventos climáticos extremos

Está prevista ainda a criação de uma governança conjunta das defesas civis dos quatro estados

Durante a reunião, os governadores também apresentaram o plano estratégico Visão Regional 2040, com diretrizes para desenvolvimento sustentável da região

O governador Jorginho Mello reafirmou o protagonismo de Santa Catarina no cenário regional ao liderar, nesta quarta-feira (23) a primeira reunião do ano do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), realizada em Brasília. O encontro reuniu os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, além do vice-governador do Paraná, Darci Piana. Um dos principais avanços do encontro foi a assinatura de um memorando de entendimento entre o Codesul e o Banco Mundial, que viabiliza uma consultoria técnica no valor de US$ 1 milhão para apoiar a implantação de um sistema integrado de defesa civil entre os quatro estados.

O objetivo é criar uma estrutura regional de resposta rápida a desastres naturais, com ações coordenadas em situações como enchentes, deslizamentos e tempestades – eventos cada vez mais recorrentes no Sul do país. Essa estrutura ficará sediada em Santa Catarina. “Santa Catarina tem enfrentado eventos climáticos severos. Essa parceria com o Banco Mundial é um passo firme rumo à modernização da nossa Defesa Civil e à proteção das nossas comunidades”, destacou Mello. Durante a reunião, ele propôs a criação de uma central operacional compartilhada, com atuação articulada entre os estados. Para acelerar o projeto, anunciou que Santa Catarina está pronta para bancar, com recursos próprios, a contratação imediata da consultoria necessária para estruturar o modelo da central. “Não podemos perder tempo. Santa Catarina dá o primeiro passo e, depois, os demais estados definem como farão o ressarcimento. O importante agora é tirar o projeto do papel e fazer acontecer”, reforçou.

“A tragédia climática que enfrentamos no Rio Grande do Sul e os riscos que também ameaçam nossos vizinhos reforçam a urgência de prepararmos nossas estruturas. O projeto que estamos construindo com o Banco Mundial é um marco: queremos garantir respostas mais rápidas, integradas e eficazes frente a eventos extremos que não respeitam fronteiras”, afirmou Leite. O projeto, coordenado por Leite no âmbito do Codesul, prevê a criação de um sistema unificado de dados hidrometeorológicos e protocolos interestaduais de atuação. Também está prevista a possibilidade de uma linha de crédito específica do Banco Mundial para ações emergenciais em desastres climáticos. “Somos estados com muitas similaridades, com potencialidades e desafios muito parecidos. Por isso é muito importante definir planos de ação conjuntos que possam nos ajudar a encontrar soluções integradas cada vez mais eficazes”, declarou Piana. “Iniciativas como esta mostram a importância do trabalho integrado, que fortalecem as ações de cada um dos estados. Com isso, já notamos avanços nas nossas ações policiais e nas medidas de adaptação às mudanças climáticas, por exemplo”, afirmou o secretário do Codesul pelo Paraná, Orlando Pessuti.

Outras demandas
Além da pauta climática, Mello cobrou investimentos urgentes em infraestrutura logística, defendeu a adesão ao Tratado Internacional Rodoviário (TIR) e apontou perdas significativas nas transferências federais, reiterando a necessidade de revisão do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O governador catarinense também voltou a defender a criação de um Fundo Constitucional de Financiamento exclusivo para as regiões Sul e Sudeste, como forma de garantir mais equilíbrio no pacto federativo e justiça na distribuição de recursos. Outro ponto da pauta foi o fortalecimento da malha ferroviária da região Sul. Um estudo contratado pelo governo gaúcho e apresentado no encontro revelou que 759 quilômetros de linhas férreas no estado estão inoperantes atualmente, principalmente após as enchentes. Foram debatidas alternativas de revitalização e a necessidade de revisão da atual concessão federal à empresa Rumo. A reunião também abordou perdas dos estados do Codesul com a suspensão da nova regra de distribuição dos royalties do petróleo e a necessidade de regulamentação do Fundo de Catástrofes previsto na Lei Complementar 137/2010.

Visão Regional 2040
Durante a reunião, os governadores também apresentaram o plano estratégico Visão Regional 2040, com diretrizes para desenvolvimento sustentável da região. O documento foi construído com apoio técnico da Unisinos e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Entre os destaques estão ações coordenadas nas áreas de meio ambiente, educação, logística e segurança pública. “O Visão Regional 2040 é um projeto de Estado, que ultrapassa governos e ciclos políticos. O desafio não é apenas planejar, mas executar com responsabilidade e compromisso. Essa é uma tarefa de todos os integrantes do Codesul, e também uma responsabilidade do BRDE como agente de fomento ao desenvolvimento”, declarou o diretor de planejamento do BRDE, Leonardo Busatto, que agradeceu aos parceiros envolvidos na construção do estudo. “O Paraná tem muitos programas de sucesso para compartilhar com os demais estados da região, que podem ajudar no desenvolvimento regional. A ideia deste plano é justamente replicar as melhores práticas de maneira integrada nas mais diversas áreas”, afirmou o secretário estadual de planejamento do Paraná, Ulisses Maia.

Durante o encontro, o diretor-presidente do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior, apresentou os principais resultados alcançados pela instituição em 2024, reforçando o papel estratégico do banco no fomento ao desenvolvimento sustentável da região Sul e também do Mato Grosso do Sul. Na apresentação aos chefes dos Executivos estaduais, Ranolfo destacou que o BRDE superou R$ 21,5 bilhões em sua carteira de crédito ativa, um crescimento de mais de 20% em relação ao ano anterior. O volume contratado em 2024 ultrapassou os R$ 5,9 bilhões, mantendo o banco como um dos principais agentes financeiros de fomento do país. O presidente do Codesul e governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, parabenizou o banco pelo desempenho. “Quando assistimos aos resultados do BRDE, o sentimento é de orgulho, pelo instrumento importante que os estados do Sul possuem, e um instrumento cada vez mais relevante para o Mato Grosso do Sul. Enxergamos no BRDE um modelo de compromisso com a sociedade”, destacou.

Atualmente, os quatro estados integrantes do Codesul reúnem 34 milhões de pessoas, o que representa 16% de toda a população do Brasil. Em termos econômicos, a participação de Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul é ainda mais significativa, com uma fatia de 18,3% do PIB nacional e 19,9% das exportações da balança comercial brasileira.

Está prevista ainda a criação de uma governança conjunta das defesas civis dos quatro estados

Estoque de capital do país cresceu 1,5% no ano passado

Levantamento do Ipea indica que esta foi a maior taxa de crescimento desde 2014

Todos os componentes do investimento líquido registraram crescimento, com destaque para o setor de máquinas e equipamentos, que voltou a apresentar valor positivo no acumulado em doze meses após três anos

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou o Indicador Ipea de Investimento Líquido e Estoque de Capital. O levantamento aponta que a taxa de crescimento interanual do estoque de capital líquido foi de 1,5% 2024, com dados de dezembro, sendo o maior valor observado desde 2014. Em 2023, o aumento havia sido de 0,6%. Estoque de capital refere-se ao conjunto de bens duráveis que são utilizados para produzir bens e serviços. Apesar do resultado positivo relacionado ao estoque de capital no ano passado, o ritmo de crescimento foi inferior ao observado nas fases de maior dinamismo da década de 2000, quando a taxa chegou a 3,6% no pico em 2011.

A depreciação do estoque de capital, indicador que mede a desvalorização dos bens de capital ao passar do tempo, apresentava leve tendência de crescimento a partir de 2017, mas, a partir de meados de 2023, passou a diminuir. Com isso, a depreciação acumulada em doze meses no final de 2024 indicou diminuição de 5,1% em relação a dezembro de 2023. O mesmo estudo revela que, no acumulado de doze meses, o crescimento real de investimentos brutos no país foi de 6,9%. Esse indicador representa os gastos com obras, máquinas, equipamentos e outros bens de capital. O resultado indica o crescimento da capacidade produtiva nacional no período avaliado. Esse ciclo de crescimento da formação bruta de capital fixo (FBCF) já superou as taxas de variação observadas em três dos últimos cinco ciclos de crescimento. Ficou abaixo apenas das taxas observadas após as crises de 2008-2009 e de 2020.

Em consequência da evolução do investimento bruto e da depreciação, o investimento líquido (FBCF excluído o valor da depreciação) apresentou crescimento substancial no período (aumento de 150%). Todos os componentes do investimento líquido registraram crescimento, com destaque para o setor de máquinas e equipamentos, que voltou a apresentar valor positivo no acumulado em doze meses após três anos. A recuperação do investimento líquido total entre 2020 e 2023, no acumulado em doze meses, baseou-se principalmente na evolução do componente de construção, ao passo que o aumento observado em 2024 contou com contribuição relevante de todas as categorias, mas especialmente do setor de máquinas e equipamentos. Esse setor passou de níveis de investimento líquido negativo da ordem de quase R$ 120 bilhões (a preços de 2024) no fim de 2023 para um valor positivo de cerca de R$ 17 bilhões no fim do ano passado.

Levantamento do Ipea indica que esta foi a maior taxa de crescimento desde 2014

Chile passará a importar carne suína do Paraná

País reconheceu estado como livre de febre aftosa sem vacinação

Em 2024, o Paraná foi o terceiro maior exportador de carne suína entre as unidades federativas livre de aftosa

O Chile reconheceu o Paraná como zona livre de febre aftosa sem vacinação, o que significa a autorização para importar carne suína de produtores paranaenses. O anúncio oficial deve ser feito entre esta terça-feira (22) e quarta-feira (23), no âmbito da visita da comitiva do presidente chileno Gabriel Boric ao Brasil. A decisão foi antecipada pelo ministro da Agricultura chileno, Esteban Valenzuela. “Reconhecemos que o Paraná está livre de febre aftosa e, portanto, poderemos receber carnes deste estado muito importante do Sul do Brasil”, anunciou Valenzuela, nas redes sociais.

De acordo com o ministro chileno, a iniciativa é parte dos esforços para reforçar as relações comerciais entre os dois países, fortalecendo o comércio de produtos agropecuários. Ele informou ainda que as autoridades chilenas seguem negociando a compra de carne com representantes de outras unidades federativas brasileiras que atendam às exigências fitossanitárias impostas pelo Serviço Agrícola e Pecuário (SAG) do Chile.

O reconhecimento chileno é uma demanda antiga dos frigoríficos paranaenses, conforme o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, Luis Rua. “Este é um pleito muito antigo do estado [Paraná] […] e, logo, logo, as empresas paranaenses deverão estar exportando carne suína para o Chile”, comentou Rua, classificando como “muito importante” o anúncio. Em 2024, o estado foi o terceiro maior exportador de carne suína entre as unidades federativas livre de aftosa.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa), no ano passado, as exportações de carne suína (considerando produtos in natura e processados) totalizaram 1,3 milhão de toneladas. O resultado, 10% superior ao de 2023, estabeleceu um novo recorde para o setor, que obteve cerca de US$ 3 bilhões com as vendas externas. Do volume total de carne suína exportada, o Paraná respondeu com 185,5 mil toneladas, ficando atrás apenas de Santa Catarina (730,7 mil toneladas) e Rio Grande do Sul (289,9 mil toneladas).

Com ABR 

País reconheceu estado como livre de febre aftosa sem vacinação

Cresce preocupação da indústria com demanda interna insuficiente

Carga tributária e taxas de juros altas completam o ranking dos principais problemas enfrentados pelos empresários

A queda da procura por bens industriais é consequência de fatores como a alta taxa de juros e a diminuição dos gastos públicos

A demanda interna insuficiente foi o problema que mais aumentou para os industriais no primeiro trimestre de 2025, mostra a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (23). No quatro trimestre de 2024, o entrave ocupava a quinta posição no ranking dos principais problemas enfrentados pelo setor. Agora, divide a segunda colocação da lista com as taxas de juros elevadas. A alta carga tributária segue como a principal preocupação dos empresários.

Segundo o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a queda da procura por bens industriais é consequência de fatores como a alta taxa de juros e a diminuição dos gastos públicos. Ele explica que o problema pode impactar a tomada de decisão dos industriais. “A alta demanda é o que sustenta a atividade industrial, porque ela requer mais produção, emprego e investimentos. Quando o empresário percebe uma menor demanda, ele fica mais receoso em fazer esses movimentos”, avalia Azevedo.

Antes mencionada por 30,6% dos empresários, a elevada carga tributária foi citada por 33,3% dos industriais como um dos três principais problemas enfrentados. A preocupação com a Selic saltou de 25% para 27,1% do total de empresas, enquanto o problema da demanda interna insuficiente cresceu 4,8 pontos percentuais, de 22,3% para 27,1% do total de empresas. A falta ou o alto custo de trabalhadores qualificados e de matéria-prima fecham a lista dos cinco principais obstáculos citados pelos empresários.

Condições financeiras da indústria pioram
Na passagem do quatro trimestre do ano passado para o primeiro trimestre deste ano, o índice de satisfação com a situação financeira caiu 2,1 pontos, de 50,9 para 48,8 pontos. O resultado indica que a percepção dos empresários sobre as condições financeiras das empresas passou de positiva para negativa. Já o indicador de satisfação dos industriais com o lucro operacional dos próprios negócios caiu de 45,8 pontos para 43,8 pontos, tornando-se ainda mais negativo.

Os empresários também relataram maior dificuldade de acesso ao crédito no primeiro trimestre deste ano. O índice que mede essa variável caiu 1,6 ponto em relação ao quatro trimestre de 2024, passando de 42 pontos para 40,4 pontos. Já o índice de preço médio das matérias-primas recuou 1,8 ponto, para 62,4 pontos. A CNI ressalta, no entanto, que o indicador segue significativamente acima da linha divisória dos 50 pontos, o que mostra que o preço segue crescendo de maneira forte e disseminada, encarecendo a produção industrial.

Carga tributária e taxas de juros altas completam o ranking dos principais problemas enfrentados pelos empresários

Tarifas entre EUA e China podem ampliar exportações brasileiras

Secretário do Ministério da Agricultura e Pecuária vê oportunidades

Cerca de 30% de toda a carne de aves que a China importa vem dos Estados Unidos, que também respondem por algo entre 16% e 18% da carne suína e 8% da carne bovina que os chineses consomem anualmente

A crescente tensão comercial entre as duas maiores economias mundiais ─ Estados Unidos e China ─ pode criar oportunidades para o Brasil expandir suas exportações, principalmente de produtos agropecuários. A opinião é do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua. “Não só soja, como qualquer outro produto agregado”, comentou o secretário durante a entrevista coletiva que concedeu, e na qual fez um balanço das ações ministeriais para promover as exportações agropecuárias nacionais.

Questionado sobre as eventuais oportunidades da guerra tarifária deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Rua lembrou que cerca de 30% de toda a carne de aves que a China importa vem dos Estados Unidos, que também respondem por algo entre 16% e 18% da carne suína e 8% da carne bovina que os chineses consomem anualmente. “Óbvio que, com os EUA saindo deste mercado [chinês], o Brasil se coloca à disposição. Lógico, existem outros players [concorrentes] mas, talvez, nem todos tenham a escala que o Brasil possui para poder apoiar [a China]”, comentou Rua, alegando que o resultado final, para os exportadores, “dependerá do apetite chinês” pelos produtos brasileiros.

“Nos dias atuais, com tudo o que estamos vendo, poucas geografias do mundo têm a condição de entregar o que o Brasil entrega com os mesmos atributos. Porque o Brasil consegue ter um produto com qualidade, competitividade, sustentabilidade e sanidade, já que é livre de todas as doenças de notificação obrigatória para qualquer produto de origem animal e tem uma situação fitossanitária muito privilegiada”, acrescentou o secretário. Rua ainda assegurou que, apesar de China e Estados Unidos ameaçarem impor sanções às nações que negociarem unilateralmente com o oponente comercial, o Brasil seguirá “falando com todos os países”.

“Temos dito que, nesta disputa entre duas grandes superpotências, cabe-nos o papel de sermos um promotor da geopolítica da paz. E é isso que faremos. Seja [negociando] com os Estados Unidos, com a China ou com qualquer outro país. O Brasil fala com todos os países e continuará falando. Não alteramos nossa estratégia”, concluiu o secretário, afirmando ainda ser cedo para mensurar o impacto das tarifas adicionais que os Estados Unidos impuseram aos produtos brasileiros.

Com ABR

Secretário do Ministério da Agricultura e Pecuária vê oportunidades