Archives 2024

BRDE disponibiliza suspensão por até um ano do pagamento de empréstimos

A prorrogação será analisada de maneira individualizada

Banco também busca novas linhas de crédito para auxiliar empresas afetadas pela catástrofe climática no Rio Grande do Sul

Com o objetivo de atenuar os prejuízos e auxiliar na retomada das empresas atingidas pelo maior desastre climático da história do Rio Grande do Sul, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) está disponibilizando a suspensão por até um ano do pagamento de empréstimos para clientes cujas atividades foram prejudicadas pelas cheias. Ao mesmo tempo que possibilita o congelamento temporário das dívidas com a repactuação de contratos, conhecido como standstill, o banco vem trabalhando para ampliar a oferta de recursos para todas as empresas do estado, especialmente para capital de giro e reconstrução das instalações. Neste sentido, o BRDE está em tratativas com os demais parceiros de funding, tanto instituições nacionais e internacionais, com a finalidade de elevar o limite de crédito. A diretoria do BRDE informa, ainda, que a prorrogação dos prazos de pagamento será analisada de maneira individualizada e, para tanto, a instituição está disponibilizando um único canal de contato a partir do e-mail gearc.rs@brde.com.br.

A prorrogação será analisada de maneira individualizada

Randoncorp fecha primeiro trimestre com receita de R$ 2,5 bilhões

Companhia dedica esforços nos cenários associados à situação de calamidade vivida no RS

Após um período de suspensão temporária em parte dessas operações, a empresa está mobilizada no apoio necessário aos funcionários vítimas das chuvas

A Randoncorp encerrou o primeiro trimestre de 2024 com receita líquida consolidada de R$ 2,5 bilhões (veja os demais indicadores na tabela ao final desta reportagem). Entre os destaques dos negócios da companhia, a retomada na produção de caminhões reverteu cenário negativo do ano passado e impulsionou as operações da vertical Autopeças. Para este ano, as principais associações do setor apontam crescimento importante nos volumes no comparativo com 2023. A vertical Controle de Movimentos, que reúne as operações da Frasle Mobility, registrou resultados estáveis na comparação anual, e acompanha o bom momento do mercado de reposição automotiva. “Nestes três primeiros meses do ano, observamos um ambiente de negócios positivo, com a retomada no segmento de caminhões e continuidade do bom nível de demanda de peças de reposição e de semirreboques. No entanto, nesse período realizamos movimentos importantes em governança e reorganização fabril, que reduziram os dias trabalhados, afetando nossa performance no trimestre, mas que são fundamentais para o futuro da companhia”, avalia o CFO da Randoncorp, Paulo Prignolato.

Neste momento, a companhia dedica esforços nos cenários associados à situação de calamidade vivida no Rio Grande do Sul, estado-sede da Randoncorp, e que concentra a maioria das operações industriais e administrativas do grupo. Após um período de suspensão temporária em parte dessas operações, a empresa está mobilizada no apoio necessário aos funcionários vítimas das chuvas e às comunidades impactadas por esta tragédia. Em uma rede de solidariedade promovida junto ao Instituto Elisabetha Randon, que envolve também comunidade, funcionários, parceiros, fornecedores e clientes, a Randoncorp está contribuindo com doações para as vítimas.

Informações para participação na corrente solidária:
Chave Pix: ier@randon.com.br
Destinatário: Instituto Elisabetha Randon
CNPJ: 05.768.706/0001-11
Agência: 0606/Conta corrente: 06.110990.0-6
Banco: Banrisul (041)

Companhia dedica esforços nos cenários associados à situação de calamidade vivida no RS

Governo suspende parcelas da dívida do RS por três anos

Medida ainda vai passar pelo Congresso

O RS participa de um regime de recuperação fiscal com a União e enfrenta efeitos devastadores das enchentes que atingem a região há cerca de duas semanas

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta segunda-feira (13) a decisão de suspender o pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União pelo período de 36 meses. Além disso, os juros que corrigem a dívida anualmente, em torno de 4%, serão perdoados pelo mesmo período. O estoque da dívida do estado com a União está em cerca de R$ 100 bilhões atualmente e, com a suspensão das parcelas, o estado disporá de R$ 11 bilhões a serem utilizados em ações de reconstrução. O Rio Grande do Sul é um dos estados que participa de um regime de recuperação fiscal com a União, assinado em 2022, e enfrenta efeitos devastadores das enchentes que atingem a região há cerca de duas semanas.

O anúncio da suspensão da dívida foi feito durante uma reunião com as presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador gaúcho, Eduardo Leite, que participou de forma remota, dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, do vice-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, além de outros ministros do governo federal, como Rui Costa (Casa Civil) e Paulo Pimenta (Comunicação Social).

Segundo Haddad, a suspensão da dívida e renúncia dos juros está prevista em uma proposta de lei complementar que será enviada ao Congresso Nacional, que precisa aprovar o texto. O projeto de lei prevê que os recursos que o Rio Grande do Sul deveria pagar à União sejam depositados em um “fundo contábil” com aplicação exclusiva em ações de reconstrução da infraestrutura do estado.

Com Agência Brasil

Medida ainda vai passar pelo Congresso

Plano de recuperação de Porto Alegre terá consultoria que atuou nos EUA após furacão Katrina

Os primeiros 60 dias da Alvarez & Marsal serão sem custo para a prefeitura

O plano de recuperação da capital gaúcha também contará com a união de competências das empresas parceiras CPFL Energia, Equatorial, Corsan Aegea e Fraport

A prefeitura de Porto Alegre contará com um serviço de consultoria especializada na recuperação de grandes cidades após eventos climáticos extremos. A parceria, formalizada nesta segunda-feira (13), engloba a gestão de recursos financeiros, regularização das operações, estruturação do plano e a gestão do comitê de crise, por meio da empresa Alvarez & Marsal. A partir de estudos técnicos desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) e com participação de diversos órgãos municipais, serão empreendidas medidas similares às já feitas após a destruição do estado de Louisiana, Estados Unidos, pelo furacão Katrina, em 2006. Na ocasião, a consultoria Alvarez & Marsal, agora operante na capital gaúcha, atuou na identificação de oportunidades de melhorias e eficiência nos programas de assistência social. “A empresa já operou no rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho e conhece os desafios que estamos enfrentando na Capital, já que aqui temos o maior desastre natural do último século no país”, explica o secretário da Smamus, Germano Bremm.

A empresa responsável, Alvarez & Marsal, atuará em conjunto com a administração municipal para a elaboração e gestão de um plano assertivo que promova respostas rápidas e estratégicas em momentos de crise. Os primeiros 60 dias da consultoria serão sem custo para a prefeitura. A partir da estruturação realizada nos cinco eixos, será possível identificar medidas a longo prazo para Porto Alegre: estruturação do plano e gestão do comitê de crise, ações emergenciais e logística de recursos, gestão de recursos financeiros, regularização das operações e alavancas fiscais e tributárias. O plano também contará com a união de competências das empresas parceiras CPFL Energia, Equatorial, Corsan Aegea e Fraport.

Os primeiros 60 dias da Alvarez & Marsal serão sem custo para a prefeitura

Sobe para 94,3% o percentual da atividade econômica gaúcha afetada pelas chuvas

Atualização da Fiergs inclui novos municípios, que já são 447 atingidos no Rio Grande do Sul

Os locais mais atingidos incluem os principais polos industriais do Rio Grande do Sul, impactando segmentos significativos para a economia

Aumentou para 447 o número de municípios (cerca de 90% do total) afetados pelas enchentes, segundo atualização do governo estadual. Isso representa, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), 94,3% de toda a atividade econômica estadual. “Os locais mais atingidos incluem os principais polos industriais do Rio Grande do Sul, impactando segmentos significativos para a economia”, afirma o presidente em exercício da Fiergs, Arildo Bennech Oliveira. A Federação atualizou nesta segunda-feira o estudo preliminar, divulgado na semana passada, que incluía 336 municípios, sobre os problemas econômicos decorrentes da catástrofe climática no Rio Grande do Sul. Segundo a entidade, das dez regiões econômicas, as com o maior número de municípios atingidos até 13 de maio são Planalto (94), Missões (87), Vale do Taquari (51) e Central (46). Em relação à atividade econômica, as quatro regiões com maiores municípios com Valor Adicionado Bruto (VAB) potencialmente afetado são: Metropolitana (R$ 108 bilhões), Vale do Sinos (R$ 65 bilhões), Serra (R$ 47 bilhões) e Planalto (R$ 46 bilhões). Em relação ao VAB da indústria, as regiões com maior atividade industrial potencialmente atingida são: Vale do Sinos (R$ 25 bilhões), Metropolitana (R$ 17 bilhões), Vale do Taquari (R$ 16 bilhões) e Serra (R$ 15 bilhões).

Em relação aos estabelecimentos industriais, as regiões com a maior quantidade de Indústrias no Rio Grande do Sul em municípios afetados são Vale dos Sinos (9,1 mil), Metropolitana (8 mil) e Serra (6,6 mil). Já as regiões que mais empregam na indústria do Rio Grande do Sul em municípios atingidos são Vale dos Sinos (184 mil), Metropolitana (128 mil) e Serra (121 mil). Quanto às exportações apenas da Indústria de Transformação em cidades potencialmente afetadas, se destacam as regiões Sul, com R$ 3,7 bilhões; Metropolitana, US$ 3,2 bilhões; Central, US$ 3,1 bilhões, e Planalto, US$ 2,7 bilhões. Por fim, as regiões com maior impacto potencial sobre a arrecadação de ICMS em estabelecimentos industriais são Vale dos Sinos, com um total de R$ 5,3 bilhões, Serra, R$ 3,5 bilhões, e Metropolitana, R$ 3,1 bilhões. Entre os locais mais atingidos, na Serra o destaque vai para a produção nos segmentos metalmecânico (veículos, máquinas, produtos de metal) e móveis, enquanto na Região Metropolitana de Porto Alegre estão os metalmecânico (veículos, autopeças, máquinas), derivados de petróleo e alimentos. Já no Vale do Sinos tem grande relevância a produção de calçados; e no Vale do Rio Pardo, destacam-se os segmentos de alimentos (carnes, massas) e tabaco. Por fim, o Vale do Taquari é forte nos segmentos de alimentos (carnes), calçados e químicos.

Atualização da Fiergs inclui novos municípios, que já são 447 atingidos no Rio Grande do Sul

Voos da malha emergencial do RS já chegam ao interior

Ministério e governo do estado acertam novas medidas

O Aeroporto Salgado Filho permanece fechado porque a pista de pouso e o terminal ficaram totalmente alagados

Novos voos extras da malha aérea emergencial para o interior do Rio Grande do Sul começaram a operar nesta segunda-feira (13). O aeroporto de Porto Alegre está fechado em consequência das fortes chuvas que atingem o estado desde 29 de abril e provocaram 147 mortes e estragos em centenas de municípios. Os voos regionais retomados têm como destino Santa Maria, Uruguaiana e Caxias. No sábado (11), três companhias aéreas brasileiras (Gol, Latam e Azul) já operaram voos para os municípios gaúchos de Passo Fundo, Santo Ângelo e Caxias do Sul.

De acordo com o boletim da Defesa Civil do estado que atualiza os serviços de infraestrutura, divulgado nesta segunda-feira (13), os aeroportos administrados pelo governo do estado que operam normalmente são os de Canela, Capão da Canoa, Carazinho, Erechim, Passo Fundo, Rio Grande, Santo Ângelo e Torres. Os aeroportos municipais em funcionamento são os de Santa Cruz do Sul e de Caxias do Sul. A operação deste último, porém, varia conforme as condições climáticas e, por isso, a situação tem sido constantemente atualizada. Já os terminais concedidos à iniciativa privada, administrados pela CCR Aeroportos, que estão em operação são os de Bagé, Pelotas e Uruguaiana. O Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, permanece fechado por tempo indeterminado por questões de segurança porque a pista de pouso, o terminal de passageiros e as salas de embarque ficaram totalmente alagados.

Trechos previstos
Estes são os primeiros voos extras da malha aérea emergencial de 116 voos criada para atender a população que deseja deixar o estado ou acessar as cidades gaúchas. A ampliação da oferta de voos foi anunciada na última quinta-feira (9) pelo Ministério de Portos e Aeroportos, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas e companhias aéreas. Em nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, informou que se reunirá com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para discutir a questão da malha aérea do estado e novas medidas emergenciais. “Estamos vendo os primeiros voos extras chegando ao interior do Rio Grande do Sul, garantindo, com isso, o direito de ir e vir da população neste momento delicado”, diz em nota. Pelo plano emergencial, na primeira fase do total de 116 voos semanais, são 88 estão previstos em sete municípios no Rio Grande do Sul e 28, em três cidades catarinenses.

Com Agência Brasil

Ministério e governo do estado acertam novas medidas

Calçadistas lançam campanha para reconstruir a cadeia do setor no RS

Movimento Próximos Passos RS quer priorizar os empregos em aproximadamente 3 mil empresas

Com cerca de 120 mil trabalhadores diretos, a cadeia produtiva tem papel social e econômico fundamental

As entidades representativas da cadeia produtiva do calçado Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) e Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), em união com empresas do setor, lançaram a campanha Movimento Próximos Passos RS. O objetivo é reconstruir o ecossistema calçadista gaúcho, priorizando seu bem mais valioso: as pessoas. Em manifesto conjunto, “o movimento destaca que a cadeia calçadista no Rio Grande do Sul não é apenas um setor econômico; é o sustento de milhares de famílias, a base de seus sonhos e de seu futuro”. Com aproximadamente 3 mil empresas e cerca de 120 mil trabalhadores diretos, a cadeia produtiva tem papel social e econômico fundamental para o estado. “Nos últimos dias estamos sendo testemunhas de uma tragédia sem precedentes no Rio Grande do Sul. Uma catástrofe climática que está deixando milhares de empresas e milhões de famílias devastadas. Perdemos não somente bens materiais, mas lares, documentos, recordações, amigos e familiares. Mas, em meio ao caos e tristeza, surgiu uma força inigualável: a solidariedade do povo gaúcho e de todo Brasil, manifestada em atos voluntários e doações generosas para reconstruir vidas e renovar a esperança”, continua o manifesto.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o Movimento Próximos Passos RS é uma resposta à urgência de reconstrução da cadeia produtiva, que tem nas pessoas seu principal ativo. “Somos um setor intensivo em mão de obra. São milhares de pessoas que vivem da atividade. A reconstrução, primeiro da vida dessas pessoas, é o nosso principal objetivo com a campanha. É a partir da dignidade e das condições de moradia das famílias que dependem da cadeia calçadista que teremos um setor inteiro restabelecido”, argumenta. Para Silvana Dilly, superintendente da Assintecal, a união das entidades e empresas que fazem parte do ecossistema do calçado será fundamental para a recuperação da atividade. “Um período de grave crise, com uma catástrofe climática como nunca vista no Rio Grande do Sul, exige medidas urgentes de auxílio. A resposta da união entre entidades e empresas não somente do Estado, mas de todo o Brasil, é igualmente histórica e irá ajudar milhares de pessoas envolvidas na produção do calçado”, diz.

Como funciona
O Movimento Próximos Passos RS é um movimento coletivo, que além das entidades, já conta com a adesão de importantes empresários gaúchos e de fora dele. Fazem parte da campanha, embaixadores como Alexandre Birman (Arezzo&Co); Pedro Bartelle (Vulcabras); Sergio Bocayuva (Usaflex); Ana Carolina Grings (Piccadilly); Astor Ranft (Pegada); Daniel Gewehr (Via Marte); Andrea Kohlrausch (Bibi); Marcelo Lehnen (Dakota); Vilson Hermes (Grupo Dass); Roberto Argenta (Calçados Beira Rio); Marco Schmitt (Box Print); Milton Killing (Killing Tintas e Adesivos); Eduardo Seleme (Viposa); ⁠⁠Jair Krummenauer (Cortume Krumenauer) e Emerson Fuga (Curtume Luiz Fuga). As doações recolhidas via pix ou depósito (nacional) e via depósito internacional estão sendo alocadas em um fundo para posterior destinação a entidades de auxílio mapeadas nas cidades atingidas: Associação de Amigos da Oktoberfest (Amifest de Igrejinha), Campo Bom Solidário, Distrito LD2 da Associação Internacional de Lions Clubes (Roca Sales, Muçum, Encantado, Arroio do Meio, Estrela, Lajeado e Taquari), Lions Clube de Parobé, Lions Clube de Três Coroas e Rotary Clube Oeste de Novo Hamburgo.

Como ajudar
Via depósito nacional

Banco do Brasil
Agência: 0314-X
Conta corrente: 39761-X
Via Pix: financeiro@abicalcados.com.br

Via depósito internacional*

Banco do Brasil (001)
IBAN: BR9600000000003140000397610C1
SWIFT: BRASBRRJCTA
*As doações no exterior devem incluir o motivo do envio “Ajuda Enchentes RS May 2024”.

Movimento Próximos Passos RS quer priorizar os empregos em aproximadamente 3 mil empresas

Reconstrução do RS passará pela recuperação de 1,1 milhão de hectares de vegetação nativa

A nova realidade criada pela tragédia exige igualmente novas respostas da gestão pública, incluindo um olhar prioritário para a questão ambiental

Quando as águas baixarem, o Rio Grande do Sul vai se defrontar com outro desafio de enormes proporções: reconstruir suas cidades com estruturas e espaços mais resilientes

Quando as águas baixarem, o Rio Grande do Sul vai se defrontar com outro desafio de enormes proporções: reconstruir suas cidades com estruturas e espaços mais resilientes aos episódios de clima extremo. Isso exige a recuperação das áreas desmatadas, ação fundamental para prover serviços ecossistêmicos para a região – a exemplo, entre outros, do aumento da capacidade de infiltração da água no solo. Em 2023, o estudo “Os bons frutos da recuperação de florestas: do investimento aos benefícios”, do Instituto Escolhas, calculou que o estado gaúcho teria 1,1 milhão de hectares em áreas de preservação permanente e reserva legal que precisam ser recuperadas urgentemente.

“Investir em recuperação de florestas, neste momento, é prioritário. Na verdade, sempre foi e estamos vendo isso do pior jeito possível. Por isso mesmo, os planos de reconstrução do Rio Grande do Sul precisam incorporar a recuperação da vegetação nativa, que é uma infraestrutura natural para prevenir a repetição de tragédias como essa”, afirma Sergio Leitão, diretor-executivo do Escolhas. O estudo ainda estimou, em 2023, que 80 mil empregos seriam gerados apenas para a recomposição de áreas de reserva legal no bioma Pampa, cuja presença no Brasil se dá apenas no Rio Grande do Sul. “Hoje, mais do que na época em que lançamos o estudo, é importante pensar em frentes de trabalho de recuperação ambiental capazes de incorporar mão de obra de forma imediata”, pondera Leitão.

A nova realidade criada pela tragédia exige igualmente novas respostas da gestão pública, incluindo um olhar prioritário para a questão ambiental

Número de desastres por chuvas quadruplicou em três décadas no RS

É o que indicam dados do Atlas Digital de Desastres no Brasil sobre incidentes ocorridos no estado em 32 anos

Os prejuízos relacionados a desastres provocados pelas chuvas no Rio Grande do Sul em 20 anos chegam, em valores corrigidos pelo IGP-DI em 2022, a cerca de R$ 22,5 bilhões

O número de desastres provocados por mau tempo aumentou 365% no Rio Grande do Sul em três décadas. É o que indicam dados do Atlas Digital de Desastres no Brasil sobre incidentes ocorridos no estado em 32 anos. Dos 4.007 desastres contabilizados, 1.943 ocorreram entre 2013 e 2022, contra apenas 417 entre 1991 e 2000 — primeira década da série histórica registrada no projeto, fruto da colaboração entre o Banco Mundial e a Universidade de Santa Catarina (UFSC). A base de dados revela outra informação alarmante: os incidentes registrados nos últimos dez anos correspondem ainda a 48,4% do total de desastres no período monitorado.

O aumento violento da intensidade e frequência dos eventos extremos impulsionou as perdas. Os prejuízos relacionados a desastres provocados pelas chuvas no Rio Grande do Sul em 20 anos chegam, em valores corrigidos pelo IGP-DI em 2022, a cerca de R$ 22,5 bilhões. Para chegar às cifras e percentuais apresentados nesta reportagem, foram examinadas pela Lupa apenas as tipologias de desastres desencadeados por chuvas e fenômenos correlatos, excluindo-se incêndios, períodos de estiagem, doenças infecciosas virais e ondas de frio ou calor. Entretanto, é importante ressaltar que alguns dos desastres relatados, como o rompimento de barragens, podem ter eventualmente outra origem. Dos prejuízos estimados pelo Atlas no RS, cerca de R$ 19,9 bilhões se referem a perdas relacionadas ao setor privado em 20 anos. O restante, pouco mais de R$ 2,6 bilhões, refere-se a danos no setor público.

Quando se observa apenas o valor perdido em infraestrutura, independente do setor, por outro lado, a cifra é de R$ 4,1 bilhões. Os impactos também podem ser observados por área. Os prejuízos na habitação foram estimados em R$ 2,2 bilhões. Por sua vez, as perdas na saúde (cerca de R$ 85 milhões) e na educação (aproximadamente R$ 121 milhões) foram relativamente menores. Os dados do Atlas ainda apontam que 88,4% dos prejuízos totais estão relacionados à economia do estado, chegando a R$ 19,9 bilhões. As maiores perdas foram na agricultura, de aproximadamente R$ 16,7 bilhões. Em segundo lugar, ficou a pecuária (R$ 1,7 bilhão), seguida por serviços (R$ 816 milhões) e indústria (R$ 612 milhões).

O impacto nas áreas rurais pode ser constatado quando se analisa o ranking das cidades mais afetadas economicamente. A maioria delas tem forte tradição agrícola. As dez cidades gaúchas com mais perdas relacionadas ao mau tempo totalizam cerca de R$ 5 bilhões em prejuízos em duas décadas. Juntas, elas correspondem a 22% do total do estado entre 2003 e 2022. No topo da lista, está Dom Pedrito, na Fronteira Oeste, com danos estimados em R$ 922,4 milhões nesse período. Outros municípios próximos se destacam na lista: Itaqui (R$ 706 milhões), Vacaria (R$ 616 milhões), São Gabriel (R$ 589,2 milhões), Uruguaiana (R$ 547,2 milhões), São Borja (R$ 394,1 milhões), Rosário do Sul (R$ 370,6 milhões), São Lourenço do Sul (R$ 301,2 milhões), Alegrete (R$ 283,3 milhões) e Santana do Livramento (R$ 278,1 milhões).

A base de dados atualizada até 2021 pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil da UFSC e atualmente mantida pelo Departamento de Articulação e Gestão da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, indica que cidades da área central do estado (dos Vales dos Rios Taquari e Rio Pardo, duramente atingidas agora) e da Fronteira Oeste (próxima de Argentina e Uruguai) são as mais frequentemente afetadas por chuvas que causam grandes estragos desde 1991. A principal fonte oficial de informações históricas sobre desastres no país, idealizada para embasar políticas públicas, pesquisas e iniciativas relacionadas à gestão de riscos, revela que Santa Cruz do Sul registra o maior número de desastres. Foram 62 incidentes provocados por enxurradas em três décadas. Dois municípios aparecem empatados em segundo lugar, Cachoeira do Sul e São Jerônimo, com 31 registros cada. Outros dez anotaram ao menos 20 desastres no mesmo período: Sobradinho (28), Soledade (27), Rio Pardo (24), Estrela (23), Fontoura Xavier (22), Santa Maria (22), Canguçu (21), Eldorado do Sul (20), Montenegro (20) e Venâncio Aires (20). Já a região metropolitana de Porto Alegre, devastada agora pelas enchentes, não aparece entre os locais mais frequentemente atingidos por desastres climáticos nas últimas décadas.

Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil da UFSC, Atlas Digital de Desastres no Brasil, Universidade de Santa Catarina

É o que indicam dados do Atlas Digital de Desastres no Brasil sobre incidentes ocorridos no estado em 32 anos

Vinhos brasileiros raros serão leiloados em prol das vítimas do RS

A ação é realizada pela ABS-RS em parceria com Cristiano Escola Leilões

Lotes com rótulos doados de adegas particulares e vinícolas brasileiras recebem lances online até quarta-feira

Os apreciadores de vinho que queiram contribuir no auxílio às vítimas das chuvas e enchentes do Rio Grande do Sul poderão participar de um leilão beneficente que ofertará vinhos brasileiros icônicos e raros mantidos, até esse momento, como tesouros particulares. Essa é a proposta da ação coordenada pela seção gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) e por Cristiano Escola Leilões que, a partir do final de semana, disponibilizou lotes de rótulos singulares em um pregão online com os valores arrecadados revertidos à causa humanitária. A primeira etapa da ação terá abertura das propostas concluídas às 19h30 da próxima quarta-feira (15). A segunda etapa ocorrerá no dia 8 de junho. A diretoria da ABS-RS acionou colecionadores, enófilos e vinicultores brasileiros que garimparam suas adegas e colocaram algumas de suas preciosidades à serviço da solidariedade. Até quarta-feira, o primeiro grupo dessas joias está disponível para receber lances no site www.cristianoescolaleiloes.com.br, diretamente por meio deste link.

“Ficamos surpresos, pois as pessoas e as vinícolas doaram vinhos de alto valor, seja no sentido financeiro como emocional. Muitos estão colocando à disposição itens de suas adegas particulares em prol de uma causa maior. Não são apenas vinhos raros, são valiosos, são importantes. E isso é muito bonito”, relata Júlio César Kunz, diretor de relações institucionais da ABS-RS e vice-presidente da ABS Brasil. Todo o valor obtido nos arremates será repassado diretamente a duas instituições que atuam na linha de frente de suporte aos afetados pela situação enfrentada pelo povo gaúcho: o Rotary Rio Grande do Sul, que engloba cinco distritos de atuação da instituição no estado, e a iniciativa Unidos por Bento, que reúne mais de vinte entidades de Bento Gonçalves e que terá os valores arrecadados duplicados pelo banco Sicredi.

Nessa primeira etapa serão disponibilizadas 43 garrafas generosamente encaminhadas por seus proprietários para a ação (confira algumas delas ao final desta reportagem). Há itens históricos e raríssimos, como uma garrafa da safra 1965, considerada como um dos pontos altos dos lotes oferecidos. Há ainda kits para degustação vertical (unidades do mesmo rótulo, porém de safras diferentes) de castas emblemáticas, combinações de vinhos representativos de uma determinada região, assim como exemplares dos primeiros produtos elaborados por vinícolas importantes e outros de safras consideradas de excelência. Essas preciosidades estão distribuídas em 21 lotes, disponíveis para lances online a partir de R$ 200. A expectativa da ABS-RS para essa primeira fase do leilão é levantar aproximadamente R$ 20 mil. “Teremos vinhos que não estão à venda. Alguns tivemos dificuldade em valorar porque são únicos. Estamos colocando os lances iniciais abaixo do que seria o projetado pelo mercado. Mas acreditamos que a disputa por eles será acirrada tanto pela raridade dos itens em si quanto pela causa que representam”, ressalta Caroline Dani, presidente da ABS-RS.

Para participar é necessário fazer um breve cadastro no site www.cristianoescolaleiloes.com.br. As propostas serão fechadas na quarta-feira, às 19h30, e a divulgação dos lances vencedores com seus respectivos arrematantes poderá ser acompanhada ao vivo pelo canal do Youtube da ABS-RS. O arrematante fará a transferência do valor diretamente a uma das duas instituições elencadas. Após a comprovação do depósito, será feito o envio do lote arrematado. O custo do frete é de responsabilidade do vencedor do pregão. “O leilão materializa o que a ABS-RS tem como propósito, que é representar uma categoria de profissionais que valoriza a cultura do vinho, mas sobretudo a cultura colocada à serviço da comunidade e, nesse momento, em prol da solidariedade”, complementa Kunz.

Leilão online beneficente de vinhos brasileiros ícones e raros
Primeira etapa – lances até o dia 15 de maio, às 19h30
Segunda etapa – lances do dia 16 de maio a 8 de junho, às 11h
Onde: no site www.cristianoescolaleiloes.com.br ou diretamente aqui
Como participar: é necessário fazer o cadastro na plataforma, selecionar o lote de interesse e fazer o lance a partir do valor mínimo indicado. O autor da proposta vencedora fará a transferência do valor diretamente a uma das duas instituições elencadas na ação. Após o envio de comprovação do depósito, será feito o envio do lote arrematado. O custo do frete é de responsabilidade do vencedor do pregão.
Confira os vinhos, as histórias e características de cada um deles no site www.cristianoescolaleiloes.com.br
Entidades beneficiadas
Rotary Rio Grande do Sul: instituição que engloba as cinco regiões atendidas no Rio Grande do Sul. PIX: rotaryrs@gmail.com
Unidos por Bento: iniciativa que engloba mais de 20 entidades de Bento Gonçalves e que terá os valores arrecadados duplicados pelo banco Sicredi. PIX: financeiro@cicbg.com.br

Algumas das preciosidades que fazem parte da primeira etapa do leilão beneficente

Aurora Millésime Cabernet Sauvignon Safras 1992 e 2017
Doadores: Vinícius Costa e Vinícola Aurora
Característica: Esse vinho foi concebido para ser elaborado apenas nas grandes safras, e em 30 anos, foi elaborado apenas 11 vezes. O ano de 1991 está entre as grandes safras da história da viticultura brasileira, assim como a de 2017, considerada de excelência. Nesse lote há a oportunidade singular de comparar esse vinho com 33 anos e com 6 anos. Algo único, que com certeza trará uma experiência inesquecível.
Lance inicial: R$ 1,5 mil

Almaúnica Merlot D.O.V.V. 2009
Doador: Vinícola Almaúnica
Característica: Duas garrafas do primeiríssimo lote elaborado pela vinícola Almaúnica, do Vale dos Vinhedos. São Merlots da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos (D.O.V.V) safra 2009. A partir deste vinho, a Almaúnica construiu uma linda história de sucesso, conquistando reconhecimento e apreciadores em todo o país.
Lance inicial: R$ 250

Don Giovanni Cabernet Franc 1994
Doador: Vinícola Don Giovanni
Características: O vinho mais antigo da Don Giovanni que desbrava uma das variedades mais importantes da história da vitivinicultura brasileira. Esta safra permite desfrutar do potencial de envelhecimento desta uva e de sua perfeita adaptação ao terroir de Pinto Bandeira.
Lance inicial: R$ 500

Granja União Grand Rouge 1965
Doadores: Gustavo e Alessandra Bremm/Base Digital
Características: Uma verdadeira cápsula do tempo, este exemplar foi cuidadosamente guardado por Domingos Baldissarelli desde o fechamento da histórica Vinícola Rio-grandense. Guardado com zelo e preservado por mais quatro décadas na família, o vinho permanece lacrado, retendo a essência e o espírito de uma era passada. Esta garrafa não é apenas uma bebida, mas um legado de paixão e tradição vinícola.
Lance inicial: R$ 300

Kit Grandes vinhos Brasileiros
Doador: Boccati
Características: Composto pelos rótulos Casa Valduga Raízes Blend, Dunamis Cabernet Franc Gran Reserva, Bueno Parelelo 31 Gran Reserva, Lote 43 Cabernet/Merlot, Pizzato Concentus Gran Reserva e Don Guerino Traços Blend. O kit reúne grandes vinhos gaúchos de diferentes regiões, buscando a melhor expressão do terroir em cada um. Com o nome de Terroir Gaúcho e safras históricas, é uma oportunidade única de conhecer melhor as regiões produtoras do Rio Grande do Sul.
Lance inicial: R$ 1,5 mil

Miolo Lote 43 Safra 2004 (6 litros)
Doador: Sommelier Elisandro Castro/Champanharia Garibaldi
Características: O Lote 43 homenageia o italiano Giuseppe Miolo, patriarca da família, que chegou ao Sul do Brasil em 1897, na região onde hoje está localizado o Vale dos Vinhedos. Elaborado com uvas Merlot e Cabernet Sauvignon num corte harmônico criado pelo enólogo Adriano Miolo. A safra 2004 é anterior à demarcação da Denominação de Origem, mas traz em si a máxima expressão desse terroir.
Lance inicial: R$ 5 mil

A ação é realizada pela ABS-RS em parceria com Cristiano Escola Leilões

SLC Agrícola registra lucro líquido de R$ 228,9 milhões entre janeiro e março

Um dos fatores que impactaram os resultados do período foi o resultado bruto da soja, afetado pela queda de área plantada, produtividade e preços

Empresa também ampliou o potencial de área plantada na Fazenda Pioneira no primeiro trimestre

A SLC Agrícola divulgou que a receita líquida da companhia encerrou o primeiro trimestre do ano com, aproximadamente, R$ 2 bilhões, uma redução de 11,8% comparado ao mesmo período do ano passado. O lucro foi de R$ 228,9 milhões, cifra menor se comparada ao primeiro trimestre de 2023. Um dos fatores que impactaram os resultados do período foi o resultado bruto da soja, afetado pela queda de área plantada, produtividade e preços. “O cenário climático adverso em todo o país acarretou uma série de desafios na produção de culturas, especialmente a soja, prejudicada pela seca no estado do Mato Grosso. Já o algodão ganhou destaque no trimestre, com aumento de 51,7% no volume faturado e incremento de 15,4% no preço unitário. Também fechamos o período com o avanço na compra do pacote de insumos para a safra 2024/25. O que reforça nosso comprometimento em manter margens sustentáveis através de um planejamento integrado, aproveitando as oportunidades oferecidas pelo mercado”, enumera o diretor presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, por meio de nota.

No período, a companhia concluiu a compra de boa parte dos fertilizantes para a safra 2024/25, cujo plantio começará em setembro de 2024. Além disso, recentemente, a SLC Agrícola divulgou a ampliação de sua joint venture com a Agro Penido (Fazenda Pioneira), com a adição de 18.700 hectares físicos, com potencial de plantio de 30.734 hectares (com a segunda safra). Com a expansão da joint venture, o prazo das duas áreas combinadas será estendido até a safra 2043/2044. Com a adição desses 30,7 mil hectares, o potencial de área plantada nessa fazenda será de 64.286 hectares.

Desempenho de commodities
Os primeiros três meses do ano foram marcados pelo encerramento da semeadura das culturas de segunda safra de milho e de algodão, e pelo encerramento da colheita de soja. No que se refere à conclusão do plantio, tais culturas já apresentaram bom potencial cultivo. O Resultado Bruto do algodão em pluma foi 106,2% superior ao primeiro trimestre de 2023, em razão do incremento do preço e a queda do custo, ambos unitários. Com o recorde da produtividade atingido na safra 2022/23, houve queda do custo unitário. Já o resultado bruto do caroço de algodão caiu 75,1% no período, impactado especialmente pela queda dos preços faturados. A soja também foi afetada, com um resultado bruto unitário menor, 59,3% inferior na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Essa queda se dá em virtude do declínio dos preços unitários faturados, adicionado ao aumento do custo unitário. O milho também teve seu resultado bruto unitário reduzido em 59,2%, o que foi parcialmente compensado pela redução no custo unitário, devido à melhor produtividade obtida na safra 2022/23, frente à safra anterior.

Um dos fatores que impactaram os resultados do período foi o resultado bruto da soja, afetado pela queda de área plantada, produtividade e preços

Empresas gaúchas ganham um mês para pagar parcelas do Simples

Entrega de declarações foi prorrogada para fim de julho

Enchentes já deixaram mais de 100 mortos e afetaram mais de 400 cidades do Rio Grande do Sul

As micro e pequenas empresas com sede no Rio Grande do Sul ganharam mais um mês para pagarem as parcelas do Simples Nacional. As parcelas com vencimento em maio foram prorrogadas para o último dia útil de junho. As que vencem em junho foram estendidas para o último dia útil de julho. Além disso, a entrega de três declarações de micro e pequenas empresas cuja matriz fica no Rio Grande do Sul e de microempreendedores individuais (MEI) foi prorrogada para 31 de julho. As medidas foram publicadas na sexta-feira (10) em edição extraordinária do Diário Oficial da União.

O adiamento atinge a Declaração Anual Simplificada para o MEI (DAS-Simei), referente ao ano-calendário 2023, a Declaração Anual de Faturamento (DASN-Simei) e a Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (Defis) do ano-calendário 2024. O prazo de entrega acabaria em 31 de maio. Na última segunda-feira (6), o governo prorrogou o pagamento de tributos do Simples Nacional para as micro e pequenas empresas com sede no estado e os MEI que residem nos municípios gaúchos em estado de calamidade pública. Os impostos referentes a fatos geradores de abril, que deveriam ser pagos at 20 de maio, passarão para 20 de junho. Os impostos sobre os fatos geradores de maio, que venceriam em 20 de junho, passarão para 22 de julho. No entanto, os parcelamentos dos pequenos negócios que estavam com tributos em atraso ainda não tinham sido prorrogados.

Com Agência Brasil 

Entrega de declarações foi prorrogada para fim de julho

Fiergs pede medidas trabalhistas flexíveis por conta da grave situação do RS

Flexibilização das normas diante do atual momento é crucial

A Fiergs reforçou a necessidade das negociações coletivas emergenciais em meio à situação crítica enfrentada pelo estado

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) reforçou a necessidade das negociações coletivas emergenciais em meio à situação crítica enfrentada pelo estado. Mas alerta para a postura de alguns sindicatos profissionais, que optam por priorizar interesses específicos em detrimento do bem comum. “Essa atitude resulta em negociações coletivas estagnadas, sem o devido reconhecimento da gravidade da situação enfrentada pela nossa comunidade gaúcha. Em circunstâncias tão adversas, é crucial a flexibilização das normas trabalhistas para atender às necessidades imediatas”, destaca o presidente em exercício da Fiergs, Arildo Bennech Oliveira, por meio de nota.

“Caso sejam frustradas as negociações coletivas emergenciais, a Fiergs entende ser possível adotar as medidas previstas pelo artigo 2º da Lei nº 14.437/2022, de forma escalonada e adaptada às circunstâncias específicas de cada empresa. Isso inclui a implementação de banco de horas, antecipação de férias (individuais ou coletivas), adoção do trabalho remoto (home office), compensação de horário e antecipação de feriados. Além disso, destaca a urgência na implementação do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que inclui o Benefício Emergencial (BEm), permitindo a redução proporcional de jornada de trabalho e salário, bem como a suspensão temporária do contrato de trabalho”, afirma a entidade. Em reunião virtual com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, foi prometida a regulamentação do artigo segundo da lei. Para a Fiergs, essa medida é fundamental para proporcionar segurança jurídica na implementação de alternativas trabalhistas flexíveis. “Contudo, diante da situação de calamidade que assola nosso estado, não podemos nos permitir a inércia enquanto aguardamos”, reforça o presidente em exercício. A Fiergs aguarda com expectativa a publicação do ato normativo pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que regulamentará a lei, proporcionando a segurança jurídica necessária para a adoção dessas medidas trabalhistas alternativas. “Mantemos a confiança de que o discernimento e a solidariedade coletiva nos guiarão através deste período desafiador”, encerra Oliveira.

Flexibilização das normas diante do atual momento é crucial

Todos somos um

Para o mal e para o bem

Milhares de vidas foram salvas pelo trabalho conjunto de pessoas comuns, estimuladas umas pelos exemplos das outras e pela crença de que, imergindo no coletivo, teriam as forças que, isoladas, lhes faltariam

O psicanalista Contardo Calligaris (1948-2021) costumava declarar profunda antipatia pelo comportamento dos grupos, fossem eles partidos políticos, torcidas organizadas ou qualquer ajuntamento de pessoas. Neles, segundo o italiano, o indivíduo renunciava à sua própria consciência para seguir o coletivo, autorizando-se violências e boçalidades que, sozinho, jamais cogitaria. Calligaris tinha em mente o nazismo alemão e o fascismo italiano, as pancadarias em estádios de futebol e crueldades episódicas, como o incêndio de um indgena sem-teto em 1997), como exemplos dessas verdadeiras patologias grupais. Difícil não concordar com ele, a partir dos casos que enumerava, mas difícil também não pensar o oposto: se é o grupo que legitima e viabiliza nossos piores sentimentos e ações, é ele, também, que nos impulsiona em direção aos melhores. Somente assim se explica a mobilização em prol dos desabrigados das chuvas que assolam o Rio Grande do Sul desde os últimos dias de abril.

No princípio, a colaboração restrita aos conhecidos – parentes, amigos, vizinhos – encontrava respaldo no instinto de sobrevivência e proteção aos seus. Com o passar dos dias e a extensão dos desastres, ela ampliou-se para categorias mais abstratas e, portanto, difíceis de justificar pela mera programação biológica de preservar genes e afetos: gaúchos, brasileiros, humanos, seres vivos. A mobilização espalhou-se pelo Brasil, chegou ao exterior e não deixou para trás nem animais domésticos. Muito desse envolvimento é gerado pelo efeito mídia, a ampla cobertura que a imprensa nacional e internacional tem feito da catástrofe. Tende, sim, a arrefecer à medida que o sentido de urgência sucumbir ao cansaço, físico e mental, de quem ajuda ou simplesmente acompanha pela TV. Comoções vêm e passam, e não é de duvidar que daqui a alguns meses deem lugar a disputas políticas e aproveitadores. O que não anulará o fato objetivo de que milhares de vidas foram salvas pelo trabalho conjunto de pessoas comuns, estimuladas umas pelos exemplos das outras e pela crença de que, imergindo no coletivo, teriam as forças que, isoladas, lhes faltariam.

O sociólogo alemão Albrecht Sonntag afirma que “grandes nações, para existirem, têm necessidade de se confortar sobre si mesmas de tempos em tempos por pulsões emocionais fortes. Temos a necessidade de dizer a ns mesmos que somos uma comunidade, que tem problemas, mas também vínculos” (Estadão, 28/06/14). Ele se referia a eventos esportivos como Copa do Mundo e Olimpíada, mas é possível transferir essa análise para os grandes desastres naturais, como os que testemunhamos agora. Inclusive na denominação que Sonntag atribui ao fenômeno: metáfora da família.

Taí uma boa imagem para descrever a sensação dessas duas últimas semanas no Rio Grande do Sul.

Para o mal e para o bem

Engie registra lucro líquido 10,1% menor no primeiro trimestre

A queda foi resultante da venda da Pampa Sul e da alienação parcial da participação na TAG

Investimentos no período somaram R$ 3,7 bilhões, dedicados à aquisição de empreendimentos de geração renovável e construção de novos projetos

A Engie registrou lucro líquido ajustado de R$ 793 milhões, 10,1% abaixo do reportado no comparativo com o mesmo período de 2023. A queda foi resultante da venda da Usina Termelétrica Pampa Sul, em maio de 2023, e da alienação parcial da participação na Transportadora Associada de Gás — TAG, em janeiro desse ano. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,8 bilhão, redução de 12,1% em relação ao mesmo período de 2023. A ausência dos contratos do ambiente regulado vinculados à UTE Pampa Sul, com preço acima da média no portfólio, bem como a consequente redução da quantidade de energia vendida, impactaram também a receita operacional líquida, que neste primeiro trimestre foi de R$ 2,6 bilhões, queda de 10,4% frente ao mesmo período do ano anterior.

Para manter a solidez dos resultados, além de investir em novos empreendimentos de energia renovável, a companhia também concretizou um marco de crescimento com a aquisição de ativos com energia já contratada. “A empresa vem recompondo o seu portfólio ao longo dos últimos anos com foco em geração renovável e infraestrutura de transmissão. Demos mais um passo neste sentido ao concluirmos, em 6 de março, a aquisição dos conjuntos fotovoltaicos Juazeiro, São Pedro, Sol do Futuro, Sertão Solar e Lar do Sol, altamente contratados no longo prazo a preços superiores à média do portfólio da companhia”, destaca Eduardo Sattamini, diretor-presidente da Engie. Com a evolução da abertura do mercado livre de energia entre janeiro e março, empresa sediada em Florianópolis também continuou a fortalecer sua presença junto a empresas de diferentes portes em todas as regiões do país. No comparativo com o mesmo período do ano anterior, a quantidade de consumidores livres aumentou 46,9%, capturando novos entrantes.

Durante o primeiro trimestre, foram registrados importantes avanços na implantação de ativos na Região Nordeste do Brasil, que totalizam 2 GW de energia renovável. O conjunto eólico Santo Agostinho (434 MW) chegou à marca de 99,6% no progresso geral da obra. A conclusão da implantação deve acontecer ainda no segundo trimestre. Graças aos avanços em Santo Agostinho, a Companhia chega a 9.008,2 MW de capacidade instalada, operando um parque gerador de 10.718,0 MW, composto por 99 usinas, sendo 11 hidrelétricas e 88 complementares. Somados os valores pagos em aquisições de participações societárias, em construções de novos projetos e, ainda, em manutenção, revitalização e modernização do parque gerador, os investimentos da companhia no período foram de R$ 3,7 bilhões.

A queda foi resultante da venda da Pampa Sul e da alienação parcial da participação na TAG