Archives 2024

Modernização do Hospital Mãe de Deus terá R$ 70 milhões

Financiamento integra linha para reconstrução do Programa BNDES Emergencial para o RS

Este é o segundo financiamento aprovado pelo BNDES ao Hospital Mãe de Deus

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 70 milhões para a reconstrução e a modernização do Hospital Mãe de Deus, um dos principais de Porto Alegre (RS). A unidade, de média e alta complexidade, foi afetada pela enchente de maio de 2024 e ficou com atividades paralisadas por 45 dias. As chuvas intensas obrigaram a transferência de todos os pacientes e causaram danos principalmente no subsolo e no andar térreo. A inundação atingiu áreas essenciais para o funcionamento do hospital, como a subestação elétrica principal, a rede de gases medicinais e as redes hidráulica, de esgoto e de osmose. O volume de água ainda comprometeu o funcionamento de toda a rede elétrica. Por conta dos estragos, o setor materno-infantil, referência em atendimento humanizado diferenciado, é o único que ainda não foi retomado.

A partir do financiamento do banco, os investimentos previstos, além de reconstrução, contemplam a modernização da estrutura para a mitigação de riscos futuros de adversidades climáticas. Serão realizadas adequações civis, com reparos e alterações nas instalações, bem como a relocalização permanente de áreas essenciais para o funcionamento do hospital para outras de menor risco de alagamento. Os recursos também vão proporcionar a recuperação de um prédio de apoio, utilizado pelos setores de medicina do trabalho e de recursos humanos.

Este é o segundo financiamento aprovado pelo BNDES ao Hospital Mãe de Deus. Em setembro, foi concedido crédito emergencial no valor de R$ 80 milhões, para despesas de capital de giro, dentro do programa BNDES Emergencial para o Rio Grande do Sul, que contempla ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e retomada das atividades econômicas. Em funcionamento desde 1979, o Hospital Mãe de Deus conta com 312 leitos e é a principal unidade da Associação Educadora São Carlos, entidade de caráter beneficente e filantrópico, que atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de outros dois hospitais não afetados pelas enchentes, e convênios médicos e pacientes particulares.

Financiamento integra linha para reconstrução do Programa BNDES Emergencial para o RS

Campos Neto exalta passagem de comando no Banco Central

“Transição está sendo suave”, revela presidente

Presente na entrevista de hoje, o novo presidente disse que Campos Neto foi “generoso” durante o processo de transição

A opinião do futuro presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, teve um peso maior nas decisões recentes do Comitê de Política Monetária (Copom) de aumentar a Taxa Selic. A revelação foi feita pelo atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, nesta quinta-feira (19), em Brasília, durante entrevista para falar sobre o relatório de inflação do quarto trimestre. O Copom aumentou a Selic, na semana passada, em um ponto percentual, passando para 12,25% ao ano. Segundo Campos Neto, a decisão de aumentar o peso da opinião de Galípolo e dos novos diretores da instituição foi uma forma de garantir uma “transição suave” no comando da instituição. “Essa foi a tônica das duas últimas reuniões. O peso deles foi sendo cada vez maior que o meu”, detalhou Campos Neto. “O que eu quero dizer é que o peso deles foi sendo cada vez maior que o meu, culminando na última reunião. Entendíamos que isso facilitava a passagem de bastão”, avaliou.

Sexta-feira (20), será, na prática, o último dia de Campos Neto à frente do BC, porque que a instituição entrará em recesso até o próximo ano. A partir de janeiro, Galípolo responderá pelo comando do banco. Presente na entrevista de hoje, o novo presidente disse que Campos Neto foi “generoso” durante o processo de transição. “Na verdade, foi uma transição entre amigos e ele foi muito generoso ao longo desse processo de passagem de bastão, de dar liberdade, de falar: é importante que o Gabriel tenha um peso diferente na fala, nas decisões”, comentou Campos Neto.

Galípolo disse que atuou diretamente na decisão do BC de aumento da Taxa Selic e na sinalização de que vai manter o ritmo de aumento nas duas próximas reuniões. A ata da reunião do Copom, divulgada na terça-feira (17), apontou que o aumento recente na taxa de câmbio e a inflação corrente foram determinantes na decisão. Também pesou a percepção negativa do mercado sobre o pacote, afetando, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes de mercado, especialmente o prêmio de risco, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio. “Todos os diretores deram apoio para que a gente tomasse a frente do processo de decisão do que aconteceria [nessa reunião do Copom], inclusive do guidance (orientação). Essa foi uma decisão tomada já no processo de transição”, explicou Galípolo.

Entenda os termos usados pelo Banco Central em seus comunicados clicando aqui.

Para o novo presidente do BC, o aumento na taxa Selic foi uma sinalização clara dada pela instituição no sentido de que vai se perseguir o centro da metade da inflação. “Temos clareza para onde estamos indo a partir do passo que demos. Eu acho que já foi bastante corajoso a partir da materialização dos riscos fazer essa sinalização [de aumento na Selic] para mais duas reuniões para frente”, sinalizou. Galípolo disse que, com a decisão, o Banco Central deu uma sinalização clara de que vai caminhar para uma taxa de juros no patamar restritivo “pelo tempo que for necessário para atingir a meta [da inflação]”.

Sinalização
“O Banco Central não deixou espaço para tergiversação para atingir a meta”, acentuou. “A política monetária tem de seguir. A decisão do guidance está correlacionada com o fato de que os riscos se materializaram e se ofereceu uma visibilidade maior para a gente e entendemos que fazia sentido para poder anunciar agora e por isso a gente anunciou”, frisou. O novo presidente do BC praticamente descartou a possibilidade de o banco reverter o guidance de aumento na taxa Selic de um ponto percentual nas duas próximas reuniões. “A barra é alta para a gente fazer qualquer tipo de mudança no guidance”, esclareceu.Questionado sobre a reação negativa do mercado ao pacote de corte de gastos do governo, Galípolo disse que não existe uma bala de prata para resolver os problemas das contas públicas. “Entendo que todos vocês sabem que é muito difícil apresentar qualquer tipo de projeto ou programa fiscal, que vai ser uma bala de prata e que vai dar conta de endereçar todos esses problemas que existem dentro desse curto prazo”, opinou.

O futuro presidente do BC disse “sentir”, em conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o reconhecimento de problemas fiscais e que os projetos apresentados nessa direção devem ser uma demonstração de reconhecimento dos problemas e do diagnóstico. “Isso, muitas vezes, vai fazer com que esses projetos não andem numa velocidade que gostaríamos, mas essas são as dores da democracia e eu prefiro essas dores que qualquer tipo de falso atalho” detalhou. “Esse é um trabalho contínuo que deve permanecer e que hoje existe um esforço por parte do governo de tentar fazer a aprovação por parte do Congresso Nacional”, acentuou.

Ativos do mercado
Galípolo afirmou, ainda, que não cabe ao BC fazer nenhum tipo de orientação, comunicação ou sugestão ao governo sobre as medidas que devem ser tomadas para resolver a questão fiscal. Ele defendeu que o BC seja chamado apenas para transmitir a visão que tem do que está sendo feito dos ativos do mercado. “No fim do dia, importa para a política monetária como é que o mercado e os preços reagem em função da interpretação que ele [mercado] tem do que está acontecendo na política fiscal”, opinou. Questionado sobre a relação com Lula, Galípolo disse que falou com o presidente pela manhã, logo após ele ter passado por exames sendo liberado para retornar a Brasília. Opinou que Lula tem clareza sobre a necessidade do controle da inflação. “O presidente tem a clareza de quanto a inflação é ruim para a população, ele viveu isso na pele, ele sabe o que é uma inflação alta. Ele [Lula] disse que tem confiança no Banco Central e [nos] seus diretores que vão fazer um trabalho para colocar a inflação dentro da meta. Foi o que eu escutei hoje”, revelou.

No relatório de inflação divulgado nesta quinta-feira, em Brasília, o BC admitiu oficialmente que a meta de inflação será descumprida este ano. Ou seja, a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficará acima do teto de 4,5%. A inflação acumulada em doze meses, medida pelo IPCA, ficou em 4,87% em novembro. Segundo o BC, o peso maior se deu sobre os preços de alimentos. Segundo o BC, ela se somou às pressões exercidas pelo aquecimento da atividade econômica e pela acentuada depreciação cambial.

Alta do dólar
Galípolo afirmou não ver um ataque especulativo como justificativa para a alta do dólar nos últimos dias. Segundo o diretor, o termo ataque especulativo não resume corretamente o movimento de alta na moeda americana, que chegou a valer R$ 6,30 esta manhã, mas recuou diante dos leilões de venda de US$ 8 bilhões pelo BC. Para ele, não é correto tratar o mercado como uma coisa só, um bloco monolítico, e que sempre haverá posições contrárias com alguém vendendo ou comprando ativos. “Quando o preço de ativo [como o dólar] se mobiliza em uma direção, têm vencedores e perdedores. Ataque especulativo não representa bem como o movimento está acontecendo no mercado hoje”, explicou Galípolo.

Na terça-feira (17), circularam em redes sociais informações falsas envolvendo a política monetária. Na rede X, foi identificada uma série de postagens com falsas declarações de Galípolo sobre o BC. As alegações foram desmentidas pelo banco, mas ganharam repercussão em perfis de analistas econômicos, o que acabou impactando na cotação do dólar. Nesta quinta-feira a Polícia Federal e a Comissão de Valores Mobiliários informaram que vão investigar um possível crime de manipulação contra o mercado de capitais. A investigação vai ocorrer a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).

Ao explicar a alta do dólar, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que a instituição registrou um movimento atípico na alta do dólar e que a variação no valor da moeda está relacionada a disfuncionalidades sistêmicas. “A gente entende que o princípio da separação é fundamental, ou seja, que política monetária é para juros, macroprudencial para estabilidade financeira, e que o câmbio é flutuante. Que o Banco Central deve agir no câmbio quando entende que tem algumas disfuncionalidades no fluxo, por alguma operação pontual, saída extraordinária ou fator de mercado”, esclareceu.

Campos Neto disse que a instituição registrou a saída atípica de dólares no fim do ano, que incluiu o pagamento de taxas de dividendos, remessas de pessoas físicas e operações em plataformas e que, diante da constatação, o BC decidiu agir, vendendo dólares. “Entendemos que começou a ter, através do que a gente vinha levantando com o mercado, uma saída maior, uma saída atípica no fim do ano. A parte de dividendos estava acima da média, e o fluxo financeiro estava bastante negativo”, destacou. Segundo Campos Neto, diante da constatação, o BC trabalhou para identificar o tamanho do fluxo e em fazer uma intervenção fatiada para contrabalancear o movimento de alta.

“A gente fatia esse volume que é razoável para suprir essa liquidez em alguns dias”, explicou. “Hoje fizemos um leilão e a demanda foi muito maior do que esperávamos e decidimos fazer uma outra intervenção e de novo: tendo um volume na cabeça e entendendo que é para fazer fatiado. Não tem nenhum desejo do Banco Central de proteger nenhum nível de cambio”, defendeu. Campos Neto disse que a decisão de fatiar a intervenção foi tomada com cuidado para evitar uma contaminação na taxa de juros. Ainda de acordo com Campos Neto, o BC segue monitorando o fluxo do dólar, mas a tendência é de arrefecimento na alta do dólar, especialmente na próxima semana, devido à diminuição nas transações em razão das festas de final de ano. “O Banco Central tem muita reserva e vai atuar se for necessário e a gente entende que nesse fim de ano tem um fluxo atípico muito grande”, disse.

Com ABR

“Transição está sendo suave”, revela presidente

Projeção de crescimento da economia sobe para 3,5% em 2024

Previsão de inflação aumenta para 4,9%, acima da meta

De acordo com o BC, a atividade econômica e o mercado de trabalho se mantêm aquecidos no país

O Banco Central (BC) elevou a projeção para o crescimento da economia este ano, após a “surpresa positiva” dos dados do terceiro trimestre. A estimativa para a expansão do PIB passou de 3,2% para 3,5%. A projeção consta do Relatório de Inflação, publicação trimestral do BC. “A alteração na projeção de crescimento do PIB em 2024 reflete a surpresa positiva no resultado do terceiro trimestre e os indicadores do quarto trimestre [] disponíveis”, diz o relatório, acrescentando que a revisão das séries históricas foi um fator importante para a atualização da projeção de alguns componentes, mas não exerceu grande influência sobre o agregado.

Com resultado trimestral, superando as projeções, no terceiro trimestre do ano a economia brasileira cresceu 0,9% na comparação com o segundo trimestre de 2024, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta acumulada no ano, de janeiro a setembro, é 3,3%. Em 2023, o PIB do Brasil cresceu 3,2%. Seguindo recomendações de organismos estatísticos internacionais, a cada dez anos, o IBGE faz revisões no cálculo das Contas Nacionais, notadamente do PIB, para que o número reflita as mudanças ocorridas na economia. A revisão feita em 2024, com ano base de 2021, incluiu medições ligadas ao meio ambiente, à economia digital, à extração de recursos naturais, à desigualdade e ao bem-estar.

De acordo com o BC, a atividade econômica e o mercado de trabalho se mantêm aquecidos no país. O consumo das famílias e os investimentos das empresas se destacaram, mais uma vez, assim como os setores mais cíclicos, em particular a indústria de transformação. Enquanto isso, a taxa de desocupação voltou a recuar e atingiu o menor valor da série histórica. “Nesse contexto, as projeções de crescimento para 2024 e para 2025 foram revisadas para cima, mas permanece a perspectiva de desaceleração da atividade, em razão de fatores como o maior grau de aperto esperado para a política monetária e a expectativa de um menor impulso fiscal, entre outros”, detalha o relatório, em referências à alta dos juros e às medidas de corte de gastos promovida pelo governo.

Segundo o BC, sob a ótica da oferta, a alta na estimativa do PIB de 2024 refletiu uma elevação na projeção para o setor de serviços, parcialmente compensada por recuos nas estimativas para a agropecuária e a indústria. Para o setor de serviços, a projeção de crescimento foi revisada de 3,2% para 3,8%, refletindo estabilidade na estimativa para o comércio e aumento nas previsões para os demais segmentos. As surpresas positivas no resultado do terceiro trimestre foram disseminadas entre as atividades. Já a revisão das séries históricas impactou principalmente as projeções para “intermediação financeira e serviços relacionados”, “outros serviços” e “administração, saúde e educação públicas”.

A projeção para a variação anual da agropecuária, que já era negativa em 1,6% no último relatório, foi reduzida para uma retração de 2%. Segundo o BC, a revisão da série da agropecuária, que incorporou dados das pesquisas estruturais para 2023 e prognósticos atualizados para a safra de 2024, foi particularmente importante. A variação do Valor Adicionado Bruto (VAB) da agropecuária no primeiro semestre de 2024, em comparação com o mesmo período do ano passado, foi revisada de um recuo de 2,9% para uma queda de 4,5%, impactando a previsão de crescimento anual.

Em relação aos componentes domésticos da demanda, a estimativa para o aumento do consumo das famílias aumentou de 4,5% para 5,3%, enquanto a da Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) das empresas subiu de 5,5% para 7,3%. “Essas revisões refletem, especialmente, a forte alta que esses componentes tiveram no terceiro trimestre, contrariando a expectativa de desaceleração”, explicou o BC. Em sentido contrário, a previsão para o crescimento do consumo do governo foi reduzida de 2,7% para 1,9%. A projeção para as exportações ficou praticamente estável, passando de 3,2% para 3%, enquanto a estimativa para as importações foi aumentada de 11,3% para 13,7%, “refletindo, principalmente, uma desaceleração menor do que a prevista no terceiro trimestre”.

PIB de 2025
Para 2025, houve um pequeno aumento na projeção de crescimento do PIB, de 2% para 2,1%. Segundo o BC, contribuem positivamente a revisão para cima no crescimento esperado da agropecuária, em linha com as previsões que indicam nova ampliação da safra de grãos. Em sentido oposto, a expectativa de menor crescimento trimestral ao longo de 2025, principalmente devido à hipótese de um aperto monetário mais intenso do que o previsto no relatório anterior, contribui para reduzir a projeção de crescimento. “De todo modo, mantém-se a perspectiva de crescimento em 2025 menor que o de 2024, devido à expectativa de menor impulso fiscal; à inflexão da política monetária em andamento [alta dos juros]; ao reduzido grau de ociosidade dos fatores de produção; e à ausência de forte impulso externo, dada a perspectiva de crescimento mundial em 2025 semelhante ao de 2024″, descreve o relatório.

Inflação
Segundo o BC, a inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve encerrar 2024 em 4,9%, no cenário com taxa básica de juros em 12% ao ano e câmbio em R$ 5,95. No relatório anterior, a projeção era 4,3%. O órgão admite o estouro da meta em 2024 e destaca que a chance de a inflação oficial superar o teto da meta em 2025 subiu de 28% no relatório anterior para 50% agora em dezembro. A estimativa para 2024 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC.

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%. A projeção de inflação é 4,5% em 2025 e 3,6% em 2026. Nessa trajetória, a taxa Selic chega ao final de 2025 e 2026 em 13,5% e 11% ao ano, respectivamente. “Na comparação com o relatório anterior, as projeções de inflação subiram em todo o horizonte apresentado, aumentando assim o distanciamento em relação à meta e tornando a convergência para a meta mais desafiadora”, informa o relatório. “A pressão inflacionária tem envolvido os diferentes segmentos que compõem o IPCA, refletindo a diversidade das fontes inflacionárias”, explica o documento.

Nesse sentido, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC já indicou mais duas altas de 1 ponto percentual na taxa básica de juros da economia, a Selic, que é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação. Hoje, a Selic está em 12,25% ao ano. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. “O aumento da projeção de inflação no horizonte relevante resultou principalmente da atividade econômica mais forte que o esperado, que levou a uma elevação no hiato do produto [capacidade ociosa da economia] estimado, da depreciação cambial e do aumento das expectativas de inflação”, diz o relatório. “As recentes surpresas inflacionárias e a revisão das projeções de curto prazo também contribuíram, no caso via inércia. Esses fatores mais do que compensaram os efeitos da subida da taxa de juros real, que, entretanto, contribuíram para evitar um aumento mais acentuado nas projeções”, acrescentou o BC.

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Com ABR

Previsão de inflação aumenta para 4,9%, acima da meta

Grupo EPR arremata lote 6 do novo pacote de concessões rodoviárias do Paraná

A concessão, que engloba estradas no Oeste e no Sudoeste, prevê investimentos de R$ 20 bilhões

Com o fim da concessão do antigo Anel de Integração em 2021, o governo estadual, em parceria com a ANTT, governo federal e sociedade civil, trabalharam em um modelo inédito no país

O Grupo EPR venceu o leilão do lote 6 do novo pacote de concessões rodoviárias do Paraná, realizado nesta quinta-feira (19), na sede da B3, a Bolsa de Valores do Brasil, em São Paulo, oferecendo um desconto de 0,08% em relação ao valor da tarifa de referência estipulada em edital (R$ 0,1758). A concessão, que engloba estradas das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, prevê investimentos de R$ 20 bilhões em 662 quilômetros de rodovias, garantindo a duplicação de 70% das estradas do trecho. O pacote completa todo o eixo da BR-277, desde a região Oeste, na fronteira com Paraguai e Argentina, até o Porto de Paranaguá. Isso porque os dois primeiros lotes que já foram concedidos pegam os outros trechos da rodovia, na região central, Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e litoral. Além disso, ele coloca o Sudoeste no mapa das concessões paranaenses.

“Este é o trecho com o maior volume de obras de todos os seis lotes do pacote de concessões rodoviárias do Paraná. Isso significa que vamos promover um dos maiores investimentos em infraestrutura da América Latina no Oeste e o Sudoeste paranaense, levando mais segurança viária e produtividade para o Estado”, afirmou o governador Carlos Massa Ratinho Junior. Além das obras, a concessão garante uma redução nas tarifas de pedágio em relação ao contrato anterior. A tarifa arrematada pela vencedora do leilão é cerca de 30% mais baixo do que as antigas tarifas praticadas nos trechos, se ainda estivessem vigentes, que eram de cerca de R$ 0,26 por quilômetro rodado. Na praça de pedágio de São Miguel do Iguaçu, o desconto comparado com a antiga tarifa reajustada a valores atuais chega a 38,3%. Nas praças de Laranjeiras do Sul e de Cascavel, os descontos nas mesmas comparações são de mais de 34%, o que garante um valor mais justo aos motoristas que usam as rodovias da região.

Será o segundo lote operado pelo Grupo EPR no Paraná. Em setembro de 2023, ela arrematou o leilão do lote 2, e opera desde o começo do ano rodovias em Curitiba, Litoral, Campos Gerais e Norte Pioneiro. Agora, a empresa soma as suas operações as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná. De todos os investimentos previstos, R$ 12,6 bilhões serão aplicados em grandes obras (Capex) e R$ 7,4 bilhões em manutenção e operação (Opex) das estradas. O lote engloba as rodovias BR-163, BR-277, PR-158, PR-180, PR-182, PR-280 e PR-483, com investimento de R$ 20 bilhões, sendo R$ 12,6 bilhões em grandes obras (Capex) e R$ 7,4 bilhões em manutenção (Opex). Serão nove praças de pedágio, que ficarão localizadas nos municípios de Lindoeste, Prudentópolis, Candói, Laranjeiras do Sul, Cascavel, Céu Azul, São Miguel do Iguaçu, Ampére e Pato Branco.

As rodovias ainda atravessam as cidades de Guarapuava, Cantagalo, Virmond, Diamante do Sul, Nova Laranjeiras, Guaraniaçu, Ibema, Campo Bonito, Catanduvas, Santa Tereza do Oeste, Céu Azul, Santa Lúcia, Capitão Leônidas Marques, Realeza, Francisco Beltrão, Manfrinópolis, Marmeleiro, Renascença, Vitorino, Matelândia, Medianeira, Santa Terezinha de Itaipu e Foz do Iguaçu. Entre as principais obras que a concessionária vencedora deverá tirar do papel estão 462 quilômetros de duplicações, a maior parte na BR-277, mas também na PR-182, no Sudoeste. A concessão vai de Cascavel até Pato Branco, onde se encontrará com o projeto de revitalização em concreto executado pelo Governo do Estado, de Pato Branco ao Trevo do Horizonte, em General Carneiro.

Outros leilões
Com o fim da concessão do antigo Anel de Integração em 2021, o governo estadual, em parceria com a ANTT, governo federal e sociedade civil, trabalharam em um modelo inédito no país, unindo rodovias federais e estaduais em um mesmo programa, dividido em seis lotes. O leilão do lote 1 aconteceu em agosto de 2023, tendo como vencedor o Grupo Pátria, que deverá investir R$ 7,9 bilhões em obras de melhorias e manutenção em trechos das rodovias BR-277, BR-373, BR-376, BR-476, PR-418, PR-423 e PR-427.

Já o leilão do lote 2 aconteceu um mês depois, em setembro, vencido pelo Grupo EPR, com investimentos previstos de R$ 10,8 bilhões em obras nas rodovias BR-153, BR-277, BR-369, PR-092, PR-151, PR-239, PR-407, PR-408, PR-411, PR-508, PR-804 e PR-855. Na última semana, o leilão do lote 3 foi arrematado pela CCR S/A, que ofereceu um desconto de 26,6% na tarifa de referência. A concessionária deverá investir R$ 16 bilhões em obras e serviços operacionais nas rodovias BR-369, BR-373, BR-376, PR-170, PR-323, PR-445 e PR-090. No total, serão 3,3 mil quilômetros de estradas concedidas à iniciativa privada, sendo 1,1 mil quilômetros destas de rodovias estaduais. Os investimentos devem ultrapassar R$ 60 bilhões durante as três décadas de contrato.

A concessão, que engloba estradas no Oeste e no Sudoeste, prevê investimentos de R$ 20 bilhões

Cida, a livreira, e “A Viagem Imóvel”

Não há um batismo digno do nome sem ela

Nenhum escritor dorme tranquilo ao saber que Cida folheou o seu livro

1 – Quando uma editora publica o seu livro, começa um período infernal na sua vida. Lá se foi a paz, lá se foi o privilégio de frequentar livrarias de olho nas novidades à venda. Com seu livro recém saído, você só terá olhos para ele. É como mãe que vê o filho jogar futebol – dessas que se esgoelam na arquibancada.

2 – Como autor, não há muito o que você possa fazer nesse estágio. A editora vive um estresse natural porque há outros autores que clamam por cuidados. Mas uma hora ela informa – num misto de sadismo com transparência: “Comece a contagem regressiva! Os exemplares de demonstração já estão circulando no mercado.”

3 – Isso significa que em algumas horas – 48 ou 72 – seu livro poderá chegar às distribuidoras e, com sorte, às principais redes de livrarias do país. No calor das trocas por WhatsApp, você toma um gole de whisky e pergunta: “Cida já viu?” Se a resposta for não, é porque o processo está fraco. Não há um batismo digno do nome sem ela.

4 – Mas se a resposta for sim, você está na marca do pênalti. O crivo de Cida é como saber da presença do crítico Michelin no seu restaurante. Se você é jogador, equivale a ser informado de que o técnico da Seleção veio ao estádio só para observá-lo. Nenhum escritor dorme tranquilo ao saber que Cida folheou o seu livro.

5 – Mas vai dormir pior ainda se isso não acontecer. Cida é tida pelas pessoas da literatura como a melhor livreira do país. Na Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, em Pinheiros, São Paulo, ela orienta quem lhe pede recomendação. Jurada de prêmios literários, leitora voraz, ela é um precioso termômetro de sucesso.

6 – Hoje eu recebi da editora a foto que mais esperava e, ao mesmo tempo, que eu mais temia. “Ela gostou? Ela folheou o livro? O que ela disse?” Mais do que nunca, a sorte está lançada. Há um ano, eu percebi que “O Halo Âmbar” seria um sucesso quando Cida o aprovou. Espero que “A Viagem Imóvel” reedite o trajeto.

7 – Quem quiser reservar o seu exemplar com ela, é só ligar no (11) 3814-5811. O melhor de Cida é que ela sempre dá um jeito de atender todo mundo nas gôndolas da entrada. Dizem que pelo olhar do cliente, ela já sabe o que ele está procurando. Se ele não souber, ela lhe adivinhará os desejos recônditos. Hoje começamos bem.

8 – Segundo a editora, você poderá passar o Natal ao lado do seu “A Viagem Imóvel”, que estará disponível na Fradique Coutinho, no shopping Higienópolis e na Alameda Lorena, antes de trilhar o circuito maior da rede. A Cida, obrigado pela foto tão cheia de cor e luz. Este livro é o melhor de mim que posso dar no Natal.

Não há um batismo digno do nome sem ela

Aurora abre maior centro de distribuição de vinhos no país

Cooperativa investiu R$ 14 milhões no empreendimento

Local triplicou a capacidade, armazenando 2 milhões de caixas de produtos vinícolas

A Cooperativa Vinícola Aurora investiu R$ 14 milhões na ampliação do centro de distribuição no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS). Com a remodelação, a capacidade de estocagem triplicou, passando de 583 mil para 2 milhões de caixas de produtos vinícolas, em 18 mil palets, distribuídos em oito andares. A operação reduz em 30% o fluxo de caminhões entre as duas unidades industriais da empresa na zona urbana e permitirá a substituição das empilhadeiras a combustão por veículos elétricos. O armazém vertical instalado pela Aurora ocupa uma área de 14 mil metros quadrados e diminui, em média, cinco cargas diárias de produtos entre o local de elaboração e a estocagem, o que também reduzirá o custo logístico. A iniciativa deverá retrair as perdas por quebra e facilitar o controle de estoque e envio para os pontos de venda.

O diretor industrial da Cooperativa Vinícola Aurora, Roberto Lazzarini, afirma que a reestruturação e ampliação do centro de distribuição estão alinhadas ao novo momento da empresa, e une os ganhos para o negócio com a sustentabilidade. O diretor explica que tanto a redução na movimentação de caminhões, o uso de empilhadeiras e paleteiras elétricas até a melhoria nas condições de trabalho beneficiam a cooperativa e a própria sociedade. “Muito mais importante do que a otimização de custos estão inúmeras vantagens, como diminuição de emissão de gases poluentes, menor risco de acidentes e de transtorno que o tráfego de caminhões ocasiona. É importante dizer que esse movimento está de acordo com a estratégia ESG da vinícola, com as boas práticas industrias e também com os compromissos de qualificar ainda mais as relações de trabalho na empresa”, atesta Lazzarini.

Cooperativa investiu R$ 14 milhões no empreendimento

Senado aprova tributação mínima de 15% sobre lucro de multinacionais

Medida é recomendação da OCDE e começará em 2025

O adicional, aprovado pelo Senado, incidirá sobre o lucro de empresas no Brasil integrantes de grupos multinacionais cuja receita anual consolidada seja superior a R$ 4,8 bilhões

O projeto que cria um adicional da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para empresas multinacionais instaladas no Brasil foi aprovado no Senado na quarta-feira (18) e segue para sanção presidencial. O objetivo da norma (PL 3817/2024) é garantir uma tributação mínima efetiva de 15% dentro do acordo global para evitar erosão tributária (Regras GloBE), estabelecida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Social (OCDE).O adicional, se devido após cálculos específicos, incidirá sobre o lucro de empresas no Brasil integrantes de grupos multinacionais cuja receita anual consolidada seja superior a 750 milhões de euros (cerca de R$ 4,8 bilhões) durante pelo menos dois dos quatro anos fiscais consecutivos anteriores à apuração.

O projeto, do deputado José Guimarães (PT-CE), repete a Medida Provisória 1262/24, que segue em vigor até março de 2025 e ainda não foi apreciada. A exposição de motivos da MP calcula que a norma gere um aumento estimado de receita tributária de R$ 3,4 bilhões em 2026, R$ 7,2 bilhões em 2027 e R$ 7,7 bilhões em 2028. Em seu relatório, o senador Alan Rick (União-AC) definiu o adicional da CSLL como um tributo complementar dentro das Regras GloBE, “que visam estabelecer um piso para guerra fiscal internacional, impedindo que grandes grupos multinacionais estejam sujeitos em cada jurisdição a uma alíquota efetiva inferior a 15%.” Ele salientou que o Brasil precisa se adequar ao cenário global.

“Se o Brasil não adotar o adicional da CSLL, a renda corporativa subtributada (…) gerada no Brasil será arrecadada por outra jurisdição em que o grupo de empresas multinacionais opere e que já tiver introduzido em sua legislação as Regras GloBE. Cerca de 36 países já possuem regras em vigor em 2024 e mais de vinte vão implementá-las a partir de 2025”, justificou Rick, no seu relatório. O relator também avaliou como positivos os mecanismos temporários — prorrogados até o fim deste ano pela MP — de crédito presumido de 9% sobre lucros no exterior e a consolidação de resultados de controladas, que, se não fossem novamente prorrogados, exporiam as multinacionais brasileiras a “desvantagens significativas”.

Com Agência Senado

Medida é recomendação da OCDE e começará em 2025

Iniciativa de casal catarinense transforma resíduos em moda sustentável

Proposta Verde também assume compromisso socioeconômico com a comunidade local

João Dolzan e Ana Pisetta, fundadores da Proposta Verde: um novo propósito a tecidos e madeiras

Fundada pelo casal Ana Pisetta e João Dolzan em 2008, em Rio do Sul (SC), a Proposta Verde nasceu em um contexto de incertezas profissionais. Recém-formados — ele em administração de empresas e ela em pedagogia —, o casal enfrentava a realidade do mercado de trabalho. O salário de professor, considerado insuficiente, e a escassez de oportunidades os levaram a buscar alternativas que os permitisse abrir um negócio ecológico. Desde então, já atuaram com o ecodesign aplicado em mobiliários e luminárias até chegarem no setor da moda em 2017. Hoje, eles têm uma linha de moda sustentável. Em busca de ideias, a inspiração surgiu ao observarem o crescente movimento de reutilização de madeira de demolição. “Queríamos algo com propósito e pensamos: ‘Isso é um negócio ecológico. Por que não fazemos algo assim?'”, lembra Ana.

Enquanto muitos se dedicavam a móveis coloniais com estilo de fazenda, o casal decidiu inovar, criando linhas de móveis com design moderno e sustentável. A jornada no segmento, porém, não durou muito. “Logo que começamos, percebemos que o processo gerava um alto volume de resíduos. A Proposta Verde, com aquela montanha de madeira no pátio, não estava dando certo”, admite Ana. Para resolver essa questão, Dolzan se matriculou em uma pós-graduação em ecodesign, em Curitiba (PR), onde aprendeu a transformar resíduos em novos produtos. Um dos resultados foi uma luminária com LED, que levou o casal a expandir seu portfólio, criando uma coleção de luminárias e um catálogo. Com um produto que poderia ser produzido em escala, eles começaram a se cadastrar em programas de capacitação e passaram a enviar o catálogo para clientes.

Inscreveram-se, inclusive, no programa Exporta SC, do Sebrae, que aconteceu em 2015, e selecionou 50 empresas, de um total de 600, para um processo de capacitação e internacionalização, que incluía uma viagem para os Estados Unidos. Foram dois anos de acompanhamento no total. Contudo, ao tentarem exportar suas luminárias, o casal enfrentou barreiras de certificação que impossibilitaram a venda para o país norte-americano. “No fim, nunca mandamos nada para os Estados Unidos, mas aprendemos muito e mudamos nossa postura no mercado nacional”, assegura. Ana conta que, após a experiência, ela e o marido fizeram o Empretec, do Sebrae, o que foi uma virada de chave. “Na capacitação, decidi que venderia essas luminárias em um ano e assim aconteceu.” As luminárias acabaram sendo vendidas para 55 lojas da Leroy Merlin.

“Tivemos uma experiência de atuação em escala. O produto pode ser ótimo, mas se o consumidor não estiver preparado para consumi-lo, não vai sair da prateleira”, assegura Ana. Naquele momento, a Proposta Verde já estava no processo de migração para a área de moda. Essa mudança de foco levou à colaboração com marcas renomadas. “Lançamos uma primeira coleção de acessórios com a Lojas Renner, em 2018. Em seguida, conseguimos uma parceria com a Osklen, que é pioneira no Brasil em moda sustentável”, recorda Ana. Com a visibilidade, desenvolvemos também uma raquete de frescobol com a empunhadura feita de resíduo de Neoprene.

Quando tudo parecia caminhar bem, a pandemia trouxe novos desafios, revelando a dependência do casal em relação a outras marcas. “Se tivéssemos um e-commerce e nosso próprio público, atuando também no varejo, não teríamos enfrentado tantas dificuldades”, reflete Ana. Durante esse período, o casal buscou aprimorar seus conhecimentos em sustentabilidade, matriculando-se em cursos de design para sustentabilidade na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O professor da UFPR utilizou a Proposta Verde como estudo de caso, e todos os alunos tiveram de estudar a empresa, o que proporcionou novas ideias para o negócio. De lá para cá, a Proposta Verde voltou a produzir suas joias e acessórios, que se destacam pelo uso inovador de materiais que seriam descartados, dando um novo propósito a tecidos e madeiras. Ao integrar esses elementos em suas criações, aliando diferentes técnicas, Ana e João não apenas promovem uma estética singular, mas também consciência ambiental.

Atualmente, a marca está também focando em seu e-commerce, que já está no ar. “Como nossa experiência sempre foi fornecer para empresas, atuar com varejo tem sido um grande desafio e aprendizado. Varejo é outro ritmo, outra linguagem, é um outro tudo”, compara Ana. Enquanto se dedicavam a conhecer e a evoluir no mercado voltado para o consumidor final, eles voltaram também a fornecer para a Osklen. Somente em 2024, duas coleções de joias foram lançadas. “Nosso foco é crescer no varejo, mas estamos abertos também para parcerias com empresas”, revela Ana. Quando voltaram aos estudos, na pandemia, Ana e João compreenderam que a sustentabilidade ia muito além da área ambiental. Englobava também iniciativas sociais e econômicas. “Tínhamos mais ou menos uma ideia embrionária de criar um projeto chamado Musas Coletivo de Moda”, diz Ana. A rede de mulheres profissionais busca proporcionar oportunidades de trabalho e colaboração. “Queremos integrar essas mulheres à nossa rede, criando um espaço onde possam desenvolver suas habilidades e gerar renda”, explica ela.

Outra novidade foi a fundação da Associação Balseiro, em 2020, com o objetivo de promover ações sociais. Uma das primeiras iniciativas foi no Dia Mundial da Criatividade, que reuniu artistas locais para a realização de oficinas gratuitas, além de teatro, dança, desenho e música, o que acabou atraindo 200 pessoas. A data se transformou depois em um mercado criativo, que reúne marcas autorais, artesanatos, comidas e bandas independentes. Segundo Ana, as pessoas vão e montam suas barracas. “Estamos no Alto Vale, que tem 27 pequenos municípios. Ao todo, mais de 150 marcas já passaram pelas nossas feiras – cada evento reúne, em média, 40 marcas. Assim, fortalecemos tanto o pilar social, quanto o econômico com a comunidade local”, afirma. Para expandir ainda mais seu impacto social, a Proposta Verde desenvolveu um projeto educacional voltado para jovens, que busca promover a autoestima e a capacitação de adolescentes. “O mais desafiador foi atrair participantes, mas conseguimos formar uma turma de 15 alunas”, comemora Ana.

Proposta Verde também assume compromisso socioeconômico com a comunidade local

MeuNominho amplia quadro de funcionários

Contratação sazonal atende ao crescimento da demanda gerada pela volta às aulas

“O início do ano é nosso período mais intenso e nos preparamos para atender cada cliente com qualidade e agilidade”, conta a idealizadora da marca, Fabiula Olinkevicz

O e-commerce paranaense MeuNominho, referência em etiquetas escolares personalizadas, aumentou a equipe em 300% para, de dezembro a fevereiro, atender à crescente demanda gerada pela volta às aulas. A expectativa é de que o período resulte num crescimento de 40% nas vendas. O mercado de materiais escolares segue aquecido no Brasil. Em 2024, o setor registrou um aumento de 20% no faturamento, movimentando cerca de R$ 45 bilhões. Segundo a idealizadora da marca, Fabiula Olinkevicz, a preparação é essencial. “O início do ano é nosso período mais intenso e nos preparamos para atender cada cliente com qualidade e agilidade. Nosso objetivo é tornar a experiência de compras prática e satisfatória, especialmente em um momento tão desafiador para as famílias”, conta.

Na alta temporada, a empresa chega a produzir 700 pedidos por dia, sendo a única do segmento que oferece o prazo de produção de até dois dias úteis. A MeuNominho produz etiquetas adesivas, que podem ser usadas em materiais escolares e em objetos que precisam ser levados para a creche. Para identificação de roupas, a empresa conta com etiquetas termocolantes, aplicadas com ferro de passar, de forma simples e rápida, e resistentes às lavagens. O e-commerce também vende produtos específicos, como etiquetas de alerta, etiquetas organizadoras para casa e escritório, como também pulseiras de identificação, que são ótimas aliadas para segurança durante passeios e viagens. Além do segmento de papelaria, setores como logística, comércio eletrônico e alimentação registram picos de operação nessa época. De acordo com o E-Commerce Brasil, as vendas no varejo devem crescer até 8% no último trimestre de 2024. O Índice Antecedente de Vendas, do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IAV-IDV) prevê aumento de 5% nas vendas do varejo em janeiro de 2025.

Contratação sazonal atende ao crescimento da demanda gerada pela volta às aulas

BC aprova convenção com normas para registro de duplicatas

Decisão pode abrir caminho para novos modelos de crédito para micro e pequenos empresários, diz CEO da Agilize

“Esse movimento não é apenas uma adequação tecnológica; ele representa um novo capítulo para as MPEs no Brasil”, avalia Caribé

Um dos principais desafios das micro e pequenas empresas (MPEs) no Brasil é o acesso ao crédito. A decisão do Banco Central (BC) de regulamentar o registro eletrônico de duplicatas é vista como um marco importante por especialistas. Segundo Rafael Caribé, CEO da Agilize Contabilidade, a medida tem potencial para transformar o cenário financeiro para os pequenos negócios. “Estamos falando de uma mudança estrutural. O registro eletrônico das duplicatas não só aumenta a transparência para as instituições financeiras, mas também ajuda as empresas a construir um histórico de crédito mais sólido. Isso é fundamental para os empreendedores que dependem de crédito para crescer, mas que muitas vezes ficam de fora dos processos tradicionais por falta de garantias ou histórico de relacionamento com os bancos”, analisa Caribé.

O que é a duplicata escritural
A duplicata escritural é um título de crédito que representa uma transação entre duas partes – sacador e sacado. Com o novo sistema eletrônico, será possível registrar essas transações de forma centralizada, eliminando o risco de fraudes que ainda impede muitos bancos de aceitarem as duplicatas como garantia. “Sem esse sistema, as duplicatas são vistas como um instrumento arriscado por muitas instituições financeiras. Agora, elas passam a ser um ativo confiável, o que pode destravar bilhões de reais em crédito para pequenos negócios”, destaca o CEO. Além disso, Caribé explica que o impacto não será sentido apenas no acesso ao crédito. Segundo ele, o registro das duplicatas também pode influenciar na negociação de melhores condições de financiamento. “Com as duplicatas registradas, os bancos terão mais segurança, o que pode resultar em juros menores para as empresas. Isso é um divisor de águas, especialmente em um país onde o custo do crédito ainda é uma barreira significativa para os pequenos empreendedores”, justifica.

A implementação do sistema será gradual, começando pelas empresas de maior porte. As registradoras terão 120 dias para entregar os manuais técnicos, e empresas com faturamento acima de R$ 300 milhões anuais serão as primeiras obrigadas a registrar suas duplicatas. Para as pequenas empresas, a obrigatoriedade virá em uma segunda etapa, mas Caribé reforça que elas já podem começar a se preparar. “As empresas menores devem ver isso como uma oportunidade de se antecipar. Registrar duplicatas de forma voluntária desde o início pode ser uma estratégia para mostrar ao mercado e aos bancos que estão organizadas financeiramente, o que, por sua vez, abre portas para acesso a crédito com mais agilidade e melhores condições”, sugere. Com um mercado de duplicatas que movimenta cerca de R$ 11 trilhões anualmente, a expectativa é que a nova regulamentação tenha efeitos significativos na economia brasileira. “Esse movimento não é apenas uma adequação tecnológica; ele representa um novo capítulo para as MPEs no Brasil. A aprovação da convenção é um passo crucial para democratizar o crédito no país”, diz Caribé.

Decisão pode abrir caminho para novos modelos de crédito para micro e pequenos empresários, diz CEO da Agilize

Comunicação, inovação e representatividade para desenvolver a arquitetura paranaense

AsBEA-PR faz balanço da gestão e renova compromissos com o desenvolvimento dos profissionais e da sociedade

Última reunião da gestão atual, com Francisco Almeida e Frederico Carstens, que trocam o bastão da presidência

Muito investimento em representatividade, inovação, comunicação e benefícios econômicos, com resultados expressivos. Esse é o balanço que o arquiteto Frederico Carstens faz da gestão que se encerra agora, após dois anos à frente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) do Paraná. A presidência será ocupada pelo arquiteto Francisco Almeida no período 2024/2026, com o objetivo de intensificar a atenção a projetos que favorecem o desenvolvimento dos arquitetos e de seus escritórios, assim como contribuem para a qualidade de vida dos paranaenses. “Faço um balanço muito positivo das ações realizadas, que consolidaram a AsBEA-PR como um importante agente de transformação no setor de arquitetura e urbanismo no estado. Olhamos para diversos aspectos, desde a modernização da comunicação até a ampliação da representatividade institucional, sempre com o objetivo de desenvolver os associados e contribuir para com a sociedade”, diz Carstens. Ele acrescenta um agradecimento a todos os associados, aos vice-presidentes, diretores, conselheiros e colaboradores, que fizeram parte dessas conquistas.

Um dos principais destaques da gestão foi a modernização da estrutura de comunicação com associados e sociedade. A contratação de uma empresa especializada para o reposicionamento da AsBEA trouxe mais visibilidade à associação e fortaleceu sua presença no cenário público e digital, criando novas oportunidades de diálogo com os profissionais da área e com o público em geral. A representatividade da AsBEA na sociedade organizada foi ampliada com sua participação no G10, o grupo de instituições da indústria da construção, que vem trabalhando em conjunto em torno de grandes debates e projetos de inovação. O grupo está presente em debates relevantes como a discussão e votação de leis que modificam o planejamento urbano de Curitiba. “Em 2024, a AsBEA-PR participou, dentro do G10, de reuniões com candidatos à prefeitura de Curitiba, para conhecer o plano de governo de cada um e apresentar sugestões de impacto para a cidade”, conta Carstens.

O G10 reúne a Associação Comercial do Paraná (ACP), a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Paraná (Ademi-PR), a Câmara de Valores Imobiliários do Estado do Paraná (CVI-PR), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), a Federação do Comércio do Estado do Paraná (Fecomércio/PR), a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), o Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR). A AsBEA-PR também se destacou em sua atuação institucional e governamental, defendendo os interesses de seus associados em nível nacional, com participação ativa nas discussões sobre a reforma tributária. “Participamos ativamente do conselho nacional da AsBEA e da organização de convenções nacionais. Criamos um fórum para a coordenação dessas convenções, incluindo a de 2025 na Bahia, a fim de garantir benefícios iguais para todos os associados, independentemente da sua localidade”, informa Carstens.

No âmbito municipal, a associação reforçou seu relacionamento com órgãos como o Conselho Municipal de Urbanismo, além de propor um decreto que visa incentivar o retrofit de obras abandonadas e tombadas, contribuindo para a revitalização urbana da capital paranaense. Outro ponto relevante foi a atuação da AsBEA nas eleições e debates do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), sempre com o objetivo de defender os interesses das empresas associadas e reforçar a importância da entidade como representante legítima dos profissionais de arquitetura e urbanismo. Uma das linhas de atuação mais ativas da gestão foi implementar parcerias para proporcionar benefícios e vantagens econômicas para os associados. Vários convênios estão disponíveis, todos com links no site da AsBEA-PR. Entre eles, as parcerias com a Associação Comercial do Paraná e com o Instituto de Engenharia do Paraná, que oferece aos associados custos reduzidos em planos de saúde com a Unimed; descontos em universidades; redução na tarifa de energia; certificado digital e sistema de gestão, entre dezenas de outros serviços. “São iniciativas que têm gerado um impacto direto no bem-estar e no desenvolvimento profissional dos membros da AsBEA”, observa o presidente.

Inovação ao alcance de todos
A inovação também foi um dos pilares da gestão, com a negociação para a implantação do aplicativo de Inteligência Artificial “Place” em Curitiba. A ferramenta oferece consultas sobre legislação e análises de viabilidade, proporcionando maior eficiência para os associados na realização de seus projetos. Em relação à capacitação e ao networking, a AsBEA organizou diversos eventos e encontros de formação profissional, com destaque para os temas de BIM (Building Information Modeling) e Inteligência Artificial, grande adesão e reconhecimento em todo o país. Esses eventos se tornaram uma plataforma importante para atualização e troca de experiências entre os profissionais do setor. A gestão também demonstrou um cuidado especial com os escritórios mais jovens, oferecendo apoio por meio de mini consultorias via WhatsApp e incentivando o networking com profissionais mais experientes, criando um ambiente de aprendizado e colaboração para a nova geração de arquitetos e urbanistas. A assinatura de um convênio com o curso de Arquitetura e Urbanismo da FAE foi outra conquista importante, trazendo benefícios tanto para escritórios quanto para estudantes da área.

Do ponto de vista financeiro, a AsBEA manteve transparência nas contas, realizando divulgações periódicas e implementando ajustes nas mensalidades, além de adotar cortes de custos que resultaram em um saldo positivo para a próxima gestão. A associação sugeriu, ainda, um novo planejamento financeiro anual para garantir o equilíbrio entre receitas e despesas nos próximos anos. Além das ações de capacitação e fortalecimento institucional, a AsBEA também atuou em ações sociais. Em parceria com o Sinduscon, a associação estruturou um projeto social focado na construção de moradias e no retrofit de obras paralisadas, contribuindo para a melhoria das condições habitacionais e a recuperação de espaços urbanos. “Seguiremos trabalhando em colaboração com o Francisco Almeida na presidência para dar continuidade ao trabalho desenvolvido, promovendo avanços contínuos no setor de arquitetura e urbanismo, com foco na sustentabilidade, inovação e na melhoria das condições urbanísticas de Curitiba e do Paraná”, diz Frederico Carstens.

AsBEA-PR faz balanço da gestão e renova compromissos com o desenvolvimento dos profissionais e da sociedade

Dólar valorizado e alta dos juros impulsionam dívidas de empresas

Cenário também é responsável pela restrição de crédito restringem crédito

Estudo de Einar Rivero, da consultoria Elos Ayta, mostra que quase 40% da dívida bruta de empresas é em moeda estrangeira, como a moeda norte-americana

O forte salto do dólar do terceiro para o quarto trimestre e a disparada dos juros, com o mercado já antevendo uma Selic de 15% no ano que vem, são uma pedra no sapato das empresas brasileiras em duas frentes: na alta do endividamento em moeda estrangeira, que representa quase 40% da dívida total de 102 companhias abertas, e no crédito mais caro no mercado doméstico. Somados, esses fatores devem fazer de 2025 um ano desafiador para as companhias brasileiras, em especial aquelas muito alavancadas no curto prazo e que não recorrem a mecanismos de proteção cambial.

Em uma conta simples, que não leva em conta o uso de proteção cambial e que considera que todas as dívidas são em moeda norte-americana, a disparada do dólar automaticamente elevaria o endividamento de 102 empresas brasileiras de capital aberto em R$ 39 bilhes entre o final do terceiro trimestre e o início desta semana, segundo levantamento feito por Einar Rivero, da consultoria Elos Ayta. Essa despesa financeira extra, de R$ 39 bilhões, é equivalente a 53,2% do Ebit (lucro antes de juros e tributos) dessas empresas no terceiro trimestre de 2024, que foi de R$ 73,3 bilhões. “Essa projeção sublinha a necessidade de medidas robustas para proteger as empresas contra as oscilações do mercado e garantir a continuidade dos negócios mesmo em condições econômicas desafiadoras”, alerta o consultor.

Fábio Astrauskas, sócio diretor da consultoria de reestruturação Siegen e mestre em administração pela FEA-USP, lembra que a disparada do dólar se soma aos efeitos da alta dos juros neste ano, que fez com que os pedidos de recuperação judicial em 2024 superassem inclusive o ano de 2016, quando o Brasil viveu uma recessão. “E por que isso acontece, apesar da alta do PIB neste ano? É por causa da taxa de juros, que está em níveis parecidos com os de 2016. Isso mostra que as empresas estão muito sensíveis a juros e despesas financeiras, e que faltam condições para que possam pagar o serviço de suas dívidas”, destaca.

Dívida em moeda estrangeira é 38,8% do total
O estudo da Elos Ayta revela ainda que, no final de setembro, essas 102 companhias informaram uma dívida em moeda estrangeira de R$ 353 bilhões – o que representa 38,8% da dívida bruta total das empresas analisadas no levantamento. As dívidas em moeda estrangeira são tão representativas para empresas brasileiras pelo fato de os juros de empréstimos em dólar serem menores do que os brasileiros. “É um dos pontos fortes de se ter capital aberto: poder ter acesso a esse tipo de crédito”, lembra Rivero. “Mas tem o ônus da volatilidade da moeda estrangeira que pode, como aconteceu nesse trimestre, pegar pesado”, completa.

Desse endividamento em outras divisas, 19,5% do total, ou R$ 68,9 bilhões, é de vencimento no curto prazo (em até 12 meses), segundo o levantamento. Ou seja, a dívida estrangeira de curto prazo, que é a mais sujeita a variações do dólar no presente, se elevaria em R$ 7,6 bilhões apenas com o salto da moeda norte-americana. “O cenário atual é uma mistura explosiva para empresas alavancadas, principalmente para quem tomou dinheiro em moeda estrangeira e com vencimento no curto prazo”, diz Astrauskas, da Siegen. Para Rivero, empresas sem cobertura cambial adequada – como realização de hedge ou volumes relevantes de exportações, que naturalmente balanceiam o risco do câmbio – podem ver seus custos aumentarem de forma substancial em um cenário de real muito mais fraco. “A gestão de risco cambial é imprescindível para minimizar efeitos adversos da volatilidade do câmbio nos balanços das empresas”, avalia. Ele recorda que isso é uma parte do problema, já que outras 71 empresas não informaram dados de dívida em moeda estrangeira no terceiro trimestre, apesar de possuírem um endividamento importante em divisas de outros países e, portanto, ficaram de fora do levantamento.

Com Redação da B3

Cenário também é responsável pela restrição de crédito restringem crédito

JBS pretende investir R$ 250 milhões no porto de Itajaí até meados de 2025

Grupo vai ampliar área de operações em mais de 25 mil metros quadrados

A retomada das operações no terminal vai contribuir para minimizar os efeitos negativos que o comércio exterior catarinense vem enfrentando

A JBS Terminais pretende investir R$ 250 milhões no porto de Itajaí até meados de 2025. O objetivo é ampliar a operação do terminal para mais de 100% de sua capacidade antes da paralisação, modernizando equipamentos e incrementando a área de armazenagem. De acordo com Daniel Belisário, diretor comercial da empresa, a JBR terminais já investiu R$ 130 milhões em melhorias e compra de equipamentos, entre eles duas novas gruas móveis para carga e descarga de navios, que devem reforçar a operação em fevereiro. A expectativa é de que, com a chegada dos novos equipamentos, o terminal de Itajaí retome os volumes de operação alcançados antes da paralisação das atividades, que era de 30 mil TEUs por mês.

Os R$ 120 milhões restantes são investidos em uma nova área de 25 mil metros quadrados para expandir a área de armazenagem, o que vai permitir que o porto atinja cerca de 200 mil metros quadrados de área (considerando também a área pública). “Num horizonte de 12 meses vamos consolidar um investimento de R$ 250 milhões, num contrato transitório de 4 anos, que encerra em 2027. Estamos nos preparando para um investimento de bilhões quando formos para a Fase 2, que é a concessão de 35 anos”, explicou. Com a consolidação do investimento na nova área, a JBS espera operar 35 mil contêineres por mês.

De acordo com Belisário, a JBS Terminais prevê grande sinergia também com o Terminal Braskarne, e estuda operar navios de carga geral naquela área e contêineres nas áreas pública e concessionada. “A estimativa é de que a carga refrigerada do Grupo JBS deve representar 5% do negócio. Para esse terminal, com seu tamanho, estamos abertos a outras cargas, de todos os segmentos. Por isso temos uma estratégia de ter um portfólio de linhas bem diversificado”, destacou. Entre as novidades, uma linha semanal para os Estados Unidos operada pela MSC, que inicia no fim de dezembro, e mais duas outras linhas que devem ser divulgadas em breve, sendo uma para a Ásia, com expectativa de movimentação de 2 mil contêineres, e outra para a Europa.

O diretor comercial afirmou ainda que a retomada das operações no terminal vai contribuir para minimizar os efeitos negativos que o comércio exterior catarinense vem enfrentando. “Há uma luz no fim do túnel. A retomada do porto não vai resolver todos os problemas, mas vemos potencial para reduzir os desafios que o comércio exterior e as indústrias catarinenses têm enfrentado”, afirmou. Hoje o porto já consegue atender navios atrasados e fora de janelas de atracação, configurando uma alternativa para embarques e desembarques de mercadorias, já que o alfandegamento do terminal foi concluído. Belisário comemorou ainda a chegada do maior navio já atracado em Itajaí, o MSC Jasmine, com 346 metros de comprimento. Para que navios como esse possam seguir com Itajaí em sua rota, ele destacou a necessidade de a autoridade portuária garantir a dragagem de manutenção do canal de acesso. “Independentemente de quem estiver à frente da missão, precisa cumpri-la. No modelo atual de gestão, a autoridade portuária não está conseguindo atender essa necessidade. Precisamos de modelo que dê competitividade ao complexo portuário”, afirmou. De acordo com ele, a JBS Terminais quer continuar investindo e estabelecer visão de longo prazo para Itajaí.

Grupo vai ampliar área de operações em mais de 25 mil metros quadrados

INPI aponta Santa Catarina como segundo estado mais inovador do país

Paraná assumiu a terceira posição, enquanto o Rio Grande do Sul caiu para o quinto lugar 

Santa Catarina subiu para a vice-liderança, ultrapassando o Rio de Janeiro, que caiu para a quarta posição

No topo do ranking do Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID), os seis estados mais inovadores do Brasil permaneceram os mesmos ao longo da década. São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, nesta ordem, estão no topo do levantamento é do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão federal vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Entre 2014 e 2014, São Paulo manteve-se como líder, enquanto Santa Catarina subiu para a vice-liderança, ultrapassando o Rio de Janeiro, que caiu para a 4ª posição. Rio Grande do Sul e Minas Gerais perderam uma posição cada, consolidando o cenário atual do top 6 da inovação nacional.

Porém, o maior salto da lista foi do Paraná. Em 2014, o estado ocupava a 6ª posição, mas avançou de forma consistente, ultrapassando o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, para assumir a 3ª colocação neste ano (confira o infográfico abaixo). Entre os indicadores do levantamento estão ambientes propícios para inovação, como instituições, capital humano, infraestrutura, economia e negócios, além dos resultados, compostos pelos pilares de economia criativa e tecnologia.

Paraná assumiu a terceira posição, enquanto o Rio Grande do Sul caiu para o quinto lugar 

Grupo RIC anuncia aquisição da rádio Banda B

Plataforma de veículos de comunicação da família Petrelli amplia liderança em alcance multimídia

Maria Martins, Leonardo Petrelli, Mariana e Kaio Martins, durante anúncio da compra da Banda B pelo Grupo RIC

O Grupo RIC informou oficialmente na segunda-feira (16) a aquisição do Grupo Banda B, composto por rádio e portal de notícias em Curitiba, que passam a fazer parte da sua plataforma de comunicação. O grupo tem atualmente 14 veículos de imprensa, entre TVs, rádios e portais, além de revista impressa e canais digitais. O valor do negócio não foi revelado pelas empresas. “Temos um sentimento especial nessa aquisição. O fundador da Banda B, o radialista Luiz Carlos Martins, já falecido, trabalhou conosco por muitos anos e foi um grande líder, muito admirado por seu trabalho na então Rádio Independência”, recorda Leonardo Petrelli, presidente do Grupo RIC.

Petrelli acrescenta que a nova operação vai honrar o legado de Martins, um dos comunicadores de maior prestígio no rádio paranaense, promovendo as melhores condições para que o seu time continue falando para o público com credibilidade, de forma instantânea, comunicando fatos relevantes e prestando serviços. “Meu pai construiu uma história profissional e afetiva com o rádio. Foram mais de 55 anos comunicando, 25 anos liderando a Banda B. Na antiga Rádio Independência, ele permaneceu por 15 anos, antes de iniciar o projeto Banda B”, relembra Mariana Martins, filha de Luiz Carlos Martins e atual responsável pela área artística da emissora

Mariana, que permanecerá na equipe Banda B, diz que a família Martins reconhece nesse reencontro uma grande oportunidade para manter vivo este legado. “A Banda B merecia fazer parte de um grande grupo como o RIC, para ir além. Sob a liderança do Leonardo Petrelli, temos certeza de que ela irá se fortalecer e ganhar ainda mais relevância, como um veículo que se conecta com o dia a dia das pessoas, comprometido com a comunidade”, destaca ela. Com a nova aquisição, o Grupo RIC amplia a liderança como plataforma multimídia do Paraná. “O intuito é manter o legado de Luiz Carlos Martins, fortalecendo ainda mais a marca da Banda B, mantendo o portal e a rádio como veículos independentes, agora presentes no conglomerado sob a liderança de Petrelli”, revela a nota oficial distribuída pelo grupo de comunicação.

Plataforma de veículos de comunicação da família Petrelli amplia liderança em alcance multimídia