Archives Outubro 2024

Perplexos

Em dois boxeurs, um pouquinho do Brasil e dos Estados Unidos

Sobre os perigos dos danos cerebrais da sua atividade, Maguila dizia não temer a loucura, pois “não deve ser pior do que passar fome” (Foto: Divulgação)

“Eu vou lutar, eu vou lutar/Eu sou Maguila, não sou Tyson”.

Os versos de “Perplexo”, do Paralamas do Sucesso, podem não fazer muito sentido aos mais jovens, mas em 1989, quando a canção foi gravada, resumiam bastante bem o momento brasileiro – e a razão da analogia com seu principal pugilista da época. Enquanto se surpreendia com as recorrentes pancadas econômicas (“fim da censura/do dinheiro/muda nome/corta zero”) e burocráticas (“entra na fila/de outra fila/pra pagar”) impingidas ao país, Herbert Vianna reconhecia que ao cidadão médio só restava ser resiliente, tal qual um boxeador encurralado no corner. Fácil era a vida do norte-americano que derrubava adversários por nocaute nos primeiros rounds.

Adilson “Maguila” Rodrigues morreu semana passada, de tanto soco que tomou – e não se trata de uma figura de linguagem. Sofrendo há anos de uma demência decorrente dos repetidos golpes na cabeça, a chamada “síndrome do pugilista”, vivia um ocaso equivalente à obscuridade dos tempos de pedreiro. No imaginário popular, permaneceu somente a faceta folclórica do sergipano de oratória arrevesada e frases pitorescas, e não a do desportista de bons predicados e relativo sucesso. Uma curiosa semelhança com o próprio país, que, a despeito de alguns avanços, ensaia desde aqueles tempos voos jamais completados rumo à civilização, restando apenas como desalento e galhofa.

O que a música paralâmica não previa era que os Estados Unidos se veriam refletidos também na trajetória errática de seu então supercampeão de pesos pesados. Já no ano seguinte ao lançamento do hit, Mike Tyson perderia o título mundial para um lutador desconhecido e, daí em diante, rolaria ladeira abaixo: foi condenado à cadeia por uma inconvincente acusação de violência sexual, devolvido aos ringues numa disputa farsesca e eternizado nos anais da infâmia por morder a orelha de um oponente. Um paralelo quase perfeito com a América de fins do século 20 e início do 21, envolta em escândalos sexuais, eleições suspeitas, derrotas para adversários caricatos (os terroristas do nine-eleven) e arrivismo bélico descarado (com a invasão do Iraque). Para cada tropeço de Tyson houve um equivalente nacional em matéria de puritanismo, vigarice ou incompetência.

Só que, à diferença de Maguila, que caiu para não se reerguer, Tyson sobrevive como lenda e subcelebridade, ostentando um eterno cinturão simbólico. Parecido, aliás, com o que exibe os Estados Unidos, ainda a maior superpotência do mundo, a despeito das máculas sucessivas e prestes à repetição: menos de quatro anos depois do seis de janeiro, Donald Trump ameaça eleger-se novamente. Hoje, são os norte-americanos, a exemplo de um animalesco Tyson enfiando os dentes no lóbulo esquerdo de Evander Holyfield, quem mais causam perplexidade no mundo. Mas ninguém há de subestimá-los, nem deixar de lhes levar a sério.

Ao contrário do Brasil, cada vez mais parecido com a simploriedade de Maguila quando no auge. Sobre os perigos dos danos cerebrais da sua atividade, dizia não temer a loucura, pois “não deve ser pior do que passar fome”. E tirado dos canteiros de obra para os tablados de boxe, resumia assim o que a vida lhe impusera: “Ou a gente sobe no ringue para bater nos outros ou volta para a vidinha de João de Barro”.

Ao brasileiro comum, ainda hoje, cabe lutar ou lutar.

Em dois boxeurs, um pouquinho do Brasil e dos Estados Unidos

Bancos farão novo mutirão nacional

Consumidores poderão renegociar suas dívidas em novembro

Podem ser negociadas dívidas no cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado e demais modalidades, contraídas de bancos e instituições financeiras, que estejam em atraso

Começa em 1º de novembro o tradicional mutirão nacional de negociação de dívidas e orientação financeira, uma iniciativa conjunta da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Banco Central do Brasil, Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e Procons de todo o país e tem por objetivo ajudar o consumidor a negociar suas dívidas bancárias e reequilibrar suas finanças. Durante a ação, os bancos participantes oferecem parcelamento, descontos no valor da dívida ou ainda taxas de juros reduzidas para refinanciamento, conforme sua política de crédito. Podem ser negociadas dívidas no cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado e demais modalidades de crédito contraídas de bancos e instituições financeiras, que estejam em atraso e não possuam bens dados em garantia, nem dívidas prescritas.

Na página do mutirão na internet, criada especialmente para a ação, é possível consultar a relação de bancos participantes. Já as dívidas podem ser consultadas no Registrato, sistema do Banco Central por meio do qual é possível acessar, entre outros, o Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR), que contém a relação de dívidas perante as instituições financeiras. As negociações podem ser feitas diretamente com a instituição credora em seus canais oficiais, ou pelo portal ConsumidorGovBr, lembrando que é preciso ter sua conta Prata ou Ouro.

“Os bancos estão empenhados em ofertar condições especiais para a negociação de dívidas em atraso e contribuir para a recuperação financeira do consumidor. A mobilização nacional propicia ao consumidor planejar o quanto tem de dívidas em atraso e o quanto sobra de dinheiro para negociar com a instituição credora. Além disso, a página do mutirão oferece conteúdo gratuito sobre educação financeira, para ajudar o consumidor a equilibrar organizar suas finanças e melhorar sua saúde financeira. É uma importante iniciativa nacional, que reflete o compromisso dos bancos com o consumidor e a prevenção ao superendividamento”, afirma Amaury Oliva, diretor de cidadania financeira e relações com o consumidor da Febraban. O mutirão nacional de negociação de dívidas e orientação financeira vai até o dia 30 de novembro e é uma das iniciativas do acordo de cooperação técnica assinado entre a Febraban e o Banco Central (BC) para desenvolver ações coordenadas de educação financeira e evitar o endividamento de risco. Confira, a seguir, como participar do mutirão.

Consumidores poderão renegociar suas dívidas em novembro

Curitiba vence prêmio nacional de gestão de dados

A capital paranaense lidera no país na categoria Cidade Inteligente da premiação Score Award

O troféu foi recebido pelo diretor técnico da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, Paulo Krauss

Curitiba venceu o prêmio nacional Score Award, que reconhece cidades que usam tecnologias avançadas e dados para criar ambiente urbanos mais sustentáveis, eficientes e habitáveis. O prêmio foi entregue no Seminário Score Summit, em São Paulo (SP), maior evento do Brasil sobre uso de dados. Curitiba ficou em primeiro lugar no país na categoria Cidade Inteligente. As outras categorias do Score Award são: Inovação de Mercado, Inovação Acadêmica e Personalidade. O troféu foi recebido pelo diretor técnico da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, Paulo Krauss.

A gestão de dados na prefeitura de Curitiba se destaca pela integração de diversos aplicativos que facilitam a vida dos cidadãos. Entre os principais, está o Curitiba APP, que oferece mais de 700 serviços integrados para os cidadãos. Entre eles está a Central 156, aplicativo é essencial para a comunicação entre os moradores e a administração pública, responsável por mais de 13 milhões de chamados abertos anualmente. O Aplicativo Saúde Já, lançado em 2017, tem 2 milhões de pessoas cadastradas e levou os serviços do SUS Curitibano para a palma da mão do cidadão, e realiza atendimentos nas Unidades de Saúde, carrega a carteira vacinal atualizada e realiza consultas com enfermeiros e médicos por teleconsulta.

Curitiba é pioneira na digitalização dos serviços, com a criação de bases de dados como o prontuário eletrônico dos pacientes da Saúde, nos anos 1990. No urbanismo, a criação de bancos de dados digitais sobre os imóveis e terrenos da cidade, que começou a ser feita na mesma década, possibilitou ao Instituto de Planejamento e Pesquisa de Curitiba (Ippuc) avance rapidamente na alimentação de um banco ainda maior, o Hipervisor Urbano, lançado em fevereiro deste ano, e, com dados atualizados de diversas áreas, é uma de monitoramento e planejamento urbanos que reúne dados em tempo real sobre a cidade. “É notável o trabalho da prefeitura no desenvolvimento de políticas públicas, ações e programas de planejamento urbano inteligente com uso de dados voltados ao crescimento socioeconômico e à sustentabilidade ambiental”, disse Melissa Penteado, CEO da proScore, organizadora do Score Summit.

A capital paranaense lidera no país na categoria Cidade Inteligente da premiação Score Award

BRDE tem projeto selecionado na conferência da ONU sobre biodiversidade

Fundo Verde é destacado como iniciativa positiva para conservação sustentável da biodiversidade

A CDB COP16 está ocorrendo em Cali, na Colômbia, e conta com a participação de uma missão do banco

Lançado há menos de dois anos pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) com o objetivo de estruturar e potencializar suas ações em termos de promoção de impacto social, ambiental e climático positivo na região Sul do Brasil, o programa Fundo Verde e Equidade está entre as iniciativas mundiais destacadas durante a Conferências das Nações Unidas sobre a Biodiversidade (CBD COP16). O Fundo Verde foi selecionado entre iniciativas de 14 países como projeto colaborativo de incentivos positivos para a conservação da biodiversidade. A CDB COP16 está ocorrendo em Cali, na Colômbia, e conta com a participação de uma missão do banco.

Apenas sete programas brasileiros foram incluídos na lista destacada como ações capazes de reduzir “práticas prejudiciais ao meio ambiente e aumentar a implementação de práticas com um impacto benéfico na natureza”, menciona o relatório da Conferência. Ainda no ano passado, o BRDE tornou-se o primeiro banco membro da Coalizão LIFE para Negócios e Biodiversidade. O diretor de planejamento do BRDE, Leonardo Busatto, participou ao longo da semana passada da Conferência da Biodiversidade e avaliou a distinção do Fundo Verde como resultado de uma política estratégica que a instituição vem adotando. “Somos a maior instituição de fomento do Sul do país e nossa responsabilidade ambiental precisa ser compatível com essa nossa presença no desenvolvimento de toda região. Na COP16 podemos reafirmar esses compromissos, em especial nos encontros bilaterais com os bancos internacionais”, frisou Busatto.

A missão do BRDE contou também com as participações da gerente de planejamento do banco no estado do Paraná, Lisiane Maldaner Astarita; do coordenador de responsabilidade socioambiental, Fernando Laurent, e da gerente de operações da agência de Porto Alegre, Fernanda Costa Maia. Houve a participação da comitiva em diferentes painéis da COP16, que prossegue até a próxima sexta-feira (1). Com mais de 80% de suas operações de crédito aderentes aos Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o BRDE é primeiro Banco Verde, transformando seus negócios com parceiros alinhados ao compromisso global de descarbonização, investimentos verdes, mudanças climáticas, equidade e inclusão econômica e cidadã.

Iniciativas
Entre as metas do Fundo Verde, o BRDE estabeleceu três prioridades: mitigar o impacto ambiental gerado pelas atividades operacionais do banco; promover projetos socioambientais e climáticos com apoio financeiro e apoiar projetos socioambientais e climáticos por meio de operações de crédito. Uma das primeiras iniciativas com a participação do Fundo Verde está focada na seleção de ideias soluções inovadoras voltadas à adaptação climática, ao turismo de natureza e ao fortalecimento de comunidades tradicionais dos 18 municípios paranaenses da Grande Reserva Mata Atlântica, maior remanescente contínuo do bioma no país. As iniciativas foram selecionadas na última edição da Chamada da Teia de Soluções, iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com o BRDE e Fundação Araucária (FA). Até R$ 2,9 milhões serão destinados, sendo até R$ 1,2 milhão da Fundação Grupo Boticário, até R$ 1,2 milhão do BRDE e até R$ 500 mil da Fundação Araucária. Todos os projetos terão entre 12 e 24 meses para execução.

No âmbito do Rio Grande do Sul, um dos eixos do Fundo Verde está presente no projeto Alianza Mais, que tem por objetivo oferecer assistência técnica, incentivos e financiamento de projetos que aliem maior produtividade para a agropecuária associado à conservação da biodiversidade do bioma Pampa. O projeto é uma parceria entre a Alianza del Pastizal e o BRDE e prevê investimentos de 7 milhões de euros (algo próximo de R$ 40 milhões) ao longo de cinco anos em favor de produtores, incluindo mulheres e jovens rurais, comprometidos na conservação dos campos nativos do Pampa e, desta maneira, contribuir com os desafios das mudanças climáticas. Do total de investimentos previsto para o projeto Alianza Mais, 2 milhões de euros (ao redor de R$ 10 milhões) têm origem em aporte do Fundo Francês para o Meio Ambiente Mundial (FFEM), viabilizando os incentivos aos financiamentos e outras inciativas que o projeto passou a executar desde outubro do ano passado.

Fundo Verde é destacado como iniciativa positiva para conservação sustentável da biodiversidade

Daiane Albuquerque assume presidência do Simpósio Brasil Sul de Avicultura

Pela primeira vez, uma comissão científica de um Simpósio Brasil Sul será liderada por uma mulher

“Receber o convite da diretoria para liderar a comissão científica é um grande desafio, especialmente por lidarmos com Simpósios de alto nível, sublinhou a nova presidente, que também é nutricionista de frangos de corte e matrizes na Aurora Coop

Pela primeira vez, uma comissão científica de um Simpósio Brasil Sul será liderada por uma mulher. A nutricionista de frangos de corte e matrizes na Aurora Coop, Daiane Carla Kottwitz Albuquerque, assume a frente do Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). Ela é formada em Zootecnia pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e mestre em Produção Vegetal pela Universidade de Passo Fundo (UPF). É especialista em Nutrição de Aves e Suínos pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) e doutoranda em Zootecnia pela Udesc.

O anúncio foi feito na última semana durante reunião híbrida entre a diretoria do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) e membros da comissão científica. À frente da comissão desde 2019, Guilherme Lando Bernardo destacou que o papel do presidente é apenas uma peça de um trabalho coletivo, realizado por muitas mãos, tanto na comissão científica quanto em outros setores. “Acredito que estamos concluindo um belo ciclo. Esses anos foram extremamente gratificantes, e trabalhar com pessoas tão dedicadas e comprometidas foi uma experiência incrível. Tenho plena confiança de que a transição será tranquila e que o trabalho continuará com a mesma qualidade”, afirmou Guilherme, ao expressar seu apoio e confiança na sucessora.

Na oportunidade, também foram apresentados os novos membros da comissão científica do SBSA. Os pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves Clarissa Silveira Luiz Vaz e Gerson Neudi Scheuermann passam a integrar a comissão por meio da parceria entre o Nucleovet e a Embrapa, alinhada em 2024. Associada ao Nucleovet há 10 anos, Daiane Albuquerque aceitou a oportunidade de iniciar essa nova caminhada e assegurou seu compromisso em trabalhar para elevar ainda mais a qualidade do evento já reconhecido internacionalmente. “Receber o convite da diretoria para liderar a comissão científica é um grande desafio, especialmente por lidarmos com Simpósios de alto nível. Quando o padrão já é elevado, a missão se torna ainda mais complexa: manter e melhorar a qualidade. No entanto, acredito no trabalho em equipe, e sei que essa tarefa é feita por muitas mãos dedicadas. Estamos todos comprometidos em garantir que a próxima edição do Simpósio Brasil Sul de Avicultura seja memorável”, sublinhou a nova presidente.

Pela primeira vez, uma comissão científica de um Simpósio Brasil Sul será liderada por uma mulher

Grupo Muffato abre mega atacarejo em Cambé

Segunda loja do Max Atacadista na cidade é um polo de compras e serviços

O investimento, não informado pela empresa, é resultado do sucesso do formato na cidade

O Grupo Muffato inaugurou, na terça-feira (22), a segunda unidade do Max Atacadista em Cambé, Região Metropolitana de Londrina. O investimento, não informado pela empresa, é resultado do sucesso do formato na cidade. O Max Sawade tem uma estrutura de 4 mil metros quadrados de área de vendas, 22 caixas convencionais, além de quatro self checkouts, favorecendo também quem faz compras menores. A unidade gera 250 empregos diretos, além dos indiretos. É uma estrutura com vagas em estacionamento coberto, alameda de serviços com lojas e restaurantes, além de ficar ao lado do auto posto Muffato.

“Investimos em uma loja com layout arrojado, que oferece qualidade e preços baixos a comerciantes e transformadores, mas também às famílias, melhorando o poder de compra das pessoas”, destaca Everton Muffato, diretor do conglomerado de supermercados. O Grupo Muffato está entre as maiores redes varejistas do país. Opera com as bandeiras Super Muffato (varejo) e Max Atacadista (atacarejo), além de outros serviços e negócios. A rede atua em 50 cidades do Paraná e São Paulo e emprega aproximadamente 23 mil colaboradores diretos.

Segunda loja do Max Atacadista na cidade é um polo de compras e serviços

Lages e região passam a ter distribuição de gás natural

Projeto Serra Catarinense demandou aporte de R$ 350 milhões

Foram construídos mais de 220 quilômetros de gasoduto que conectam várias cidades da região serrana, de Indaial a Lages

O governador Jorginho Mello inaugurou na quarta-feira (16) o Projeto Serra Catarinense, um dos maiores planos de distribuição de gás natural do Brasil. Foram construídos mais de 220 quilômetros de gasoduto que conectam várias cidades da região serrana, de Indaial a Lages. O evento, na Associação Empresarial de Lages (Acil), contou com a presença do presidente da SCGÁS, Otmar Müller, além de autoridades locais. O projeto teve início em dezembro de 2010 e totaliza mais de R$ 350 milhões de investimento. A construção exigiu soluções de engenharia avançadas e tecnologias poucas vezes usadas no país. Lages até então, era atendida pela rede local e isolada que é abastecida com o modal Gás Natural Comprimido (GNC).

“Foi um trabalho longo, foram 14 anos de obra e uma circunstância bastante incomum, bastante difícil com a subida do Vale do Itajaí, um ambiente rochoso, rios a serem atravessados. Então foi uma obra muito expressiva e é a maior obra de interiorização de gás natural no Brasil. Por isso realmente requereu o engajamento muito grande das equipes, tanto dos colaboradores, funcionários da SCGÁS como das empresas contratadas”, comemorou o presidente da SCGÁS, Otmar Muller.

O objetivo do projeto é impulsionar o desenvolvimento econômico e social da região, fornecendo gás natural para indústrias, postos de combustíveis, comércios e residências. Além de atender a indústrias e postos de combustíveis, também apresenta um potencial de consumo de 30 mil metros cúbicos por dia. A expansão urbana em Lages já conta com diversos clientes, incluindo hotéis e restaurantes, além de planos para novos projetos residenciais na região. “Isso é uma equiparação da competitividade com outras regiões do estado, é um importante instrumento para a efetivação de negócios, para o ambiente de negócios da serra Catarinense. Já estamos combinados com o presidente da SCGÁS para ele vir na Acil nas próximas semanas e vamos fazer a reunião de todos os empresários consumidores de energia térmica”, disse o presidente da Associação Empresarial de Lages, Antônio Wiggers.

Projeto Serra Catarinense demandou aporte de R$ 350 milhões

Aneel reduz para amarela bandeira tarifária de energia em novembro

Melhora no volume de chuvas motivou revisão de tarifa extra

Segundo a Aneel, um dos fatores que determinaram a redução da bandeira tarifária para amarela foi a melhoria nas condições de geração de energia no país

Após dois meses no nível vermelho, a bandeira tarifária para novembro será amarela, com cobrança extra de R$ 1,885 na conta de luz para cada 100 quilowatts-hora (kWh) de energia elétrica consumidos. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reduziu a bandeira tarifária. Em outubro, a bandeira estava no nível vermelho patamar 2, a mais cara de todas, com a cobrança de R$ 7,877 por 100 kWh. Desde agosto de 2021 que a tarifa mais alta não era acionada.

Segundo a Aneel, um dos fatores que determinaram a redução da bandeira tarifária para amarela foi a melhoria nas condições de geração de energia no país. A agência reguladora, no entanto, informou que a previsão de chuvas e de vazões nas regiões das hidrelétricas continua abaixo da média, o que justifica o acionamento da bandeira tarifária para cobrir os custos da geração termelétrica para atender às necessidades dos consumidores. Uma sequência de bandeiras verdes, sem a cobrança de tarifas extras, foi iniciada em abril de 2022. A série foi interrompida em julho deste ano, com a bandeira amarela, seguida da bandeira verde em agosto, e da vermelha patamar 1, em setembro. Com as ondas de calor e as fortes secas no início do segundo semestre, a Aneel acionou a bandeira vermelha patamar 2 em outubro.

Bandeiras tarifárias
Criadas em 2015 pela Aneel, as bandeiras tarifárias refletem os custos variáveis da geração de energia elétrica. Divididas em níveis, as bandeiras indicam quanto está custando para o Sistema Interligado Nacional (SIN) gerar a energia usada nas casas, em estabelecimentos comerciais e nas indústrias. Quando a conta de luz é calculada pela bandeira verde, não há nenhum acréscimo. Quando são aplicadas as bandeiras vermelha ou amarela, a conta sofre acréscimos de R$ 1,885 (bandeira amarela), R$ 4,463 (bandeira vermelha patamar 1) e R$ 7,877 (bandeira vermelha patamar 2) a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. De setembro de 2021 a 15 de abril de 2022, vigorou uma bandeira de escassez hídrica de R$ 14,20 extras a cada 100 kWh.

O SIN é dividido em quatro subsistemas: Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte. Praticamente todo o país é coberto pelo SIN, à exceção de algumas partes de estados da Região Norte e de Mato Grosso, além de todo o estado de Roraima. Atualmente, há 212 localidades isoladas do SIN, nas quais o consumo é baixo e representa menos de 1% da carga total do país. A demanda por energia nessas regiões é suprida, principalmente, por térmicas a óleo diesel. Segundo a Aneel, as bandeiras permitem ao consumidor um papel mais ativo na definição de sua conta de energia. “Ao saber, por exemplo, que a bandeira está vermelha, o consumidor pode adaptar seu consumo para ajudar a reduzir o valor da conta”, avalia a agência.

Com ABR

Melhora no volume de chuvas motivou revisão de tarifa extra

IBEF-RS confere o Prêmio Equilibrista para Rafael Dalla Coletta, CFO da SLC Máquinas

Homenagem reconhece executivos financeiros que apresentam constantes e excepcionais resultados

Dalla Coletta tem formação em ciências contábeis pela PUCRS, além de MBA em finanças e controladoria e em gestão empresarial pela FGV e no Programa Avançado de Desenvolvimento de Executivos pela Fundação Dom Cabral e Insead

O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Rio Grande do Sul (IBEF-RS) divulgou os vencedores e destaques da 34ª edição do Prêmio Equilibrista. As homenagens serão entregues no próximo dia 8 de novembro, às 12h, em cerimônia na Casa Vetro, em Porto Alegre. Considerado o “Oscar” da área das finanças, o Equilibrista é o reconhecimento dos executivos financeiros que apresentam constantes e excepcionais resultados, superando desafios no decorrer de suas carreiras. O grande vencedor do Prêmio Equilibrista 2024 é Rafael Dalla Coletta, CFO da SLC Máquinas. Além do troféu, ele também será agraciado com uma bolsa para um MBA Presencial na Decision FGV, em Porto Alegre. Já os três eleitos como destaques deste ano são: Antonio Marcos Rocha Praxedes, CFO do Grupo Argenta; Daniel Martins, Diretor Administrativo Financeiro e RI da Lojas Renner; e Diana Werner, presidente da Isla Sementes.

Dalla Coletta tem formação em ciências contábeis pela PUCRS, além de MBA em finanças e controladoria e em gestão empresarial pela FGV e no Programa Avançado de Desenvolvimento de Executivos pela Fundação Dom Cabral e Insead (França). É executivo do Grupo SLC há 14 anos e ocupa, desde 2019, o cargo de CFO da SLC Máquinas (revendedor da John Deere). Possui 36 anos de experiência profissional, atuando em posições de liderança nos segmentos de agronegócio, instituições financeiras e auditorias externas.

Entre os três destaques do Prêmio Equilibrista, está Antonio Marcos Rocha Praxedes. CFO do Grupo Argenta, conta com mais de 25 anos de atuação em empresas nacionais e multinacionais e especialista em governança e gestão de resultados. Graduado em administração, tem MBA em finanças corporativas pela UPF/RS. Acumula experiência em cargos de liderança em empresas como Piracanjuba, Heineken, Neslté Brazil, entre outras. Outro destaque é Daniel Martins, diretor administrativo financeiro e RI da Lojas Renner. Com mais de 25 anos de experiência em finanças, impulsionou o desempenho e a transformação de valor em diferentes processos de negócios no Brasil, Espanha e Suíça. A terceira executiva a receber o destaque na edição 2024 do Prêmio Equilibrista é Diana Werner, presidente da Isla Sementes. Engenheira de produção formada pela UFRGS com pós-graduação em finanças pela FGV, lidera a empresa desde 2004, usando o conhecimento da marca aliado à comunicação e o trabalho multicanais para ajudar os brasileiros a plantarem em casa e se alimentarem melhor.

Homenagem reconhece executivos financeiros que apresentam constantes e excepcionais resultados

Ágora Tech Park e Join.Valle terão Fabiano Dell Agnolo como diretor executivo

Mudança de gestão fortalece ecossistema de inovação e empreendedorismo de Joinville

Profissional envolvido com programas e ações de incentivo ao empreendedorismo inovador, Fabiano atua no Join.Valle desde sua criação em 2016

O ecossistema de inovação e empreendedorismo de Joinville vem ganhando destaque no cenário estadual e nacional, prova disso são os resultados em rankings que colocam a cidade na segunda posição de Santa Catarina em volume de novos negócios inovadores; terceiro melhor município brasileiro para fazer negócios; e top 10 do Brasil em ecossistemas de inovação emergentes. Uma mudança de gestão, que envolve o Ágora Tech Park e o Join.Valle, fortalece ainda mais este movimento.

A partir de novembro, o executivo Fabiano Dell Agnolo passa a atuar também na diretoria do Ágora Tech Park, parque tecnológico localizado no maior empreendimento empresarial multissetorial da América do Sul, com sede em Joinville. Ele continuará atuando como diretor executivo do Join.Valle, instituição que promove a inovação e o empreendedorismo em Joinville e região. Fabiano sucede Ricardo Fantinelli, diretor executivo do Ágora nos últimos três anos, período de grande expansão do parque tecnológico. Profissional envolvido com programas e ações de incentivo ao empreendedorismo inovador, Fabiano atua no Join.Valle desde sua criação em 2016. “A relação do Join.Valle e do Ágora sempre foi muita estreita. São dois importantes atores com propósitos complementares e papéis bem definidos, que vão continuar atuando no sentido de somar esforços para fortalecer o ecossistema de inovação e empreendedorismo de Joinville”, ressalta Fabiano.

O Ágora Tech Park é um ambiente de inovação que vive um crescimento acelerado. Em agosto deste ano, inaugurou seu quarto prédio, o Ágora UNI, voltado a conectar universidades, grandes empresas e setor público em um verdadeiro laboratório aberto para geração de negócios e oportunidades. O local soma cerca de 1,5 mil empregos gerados e um faturamento anual em torno de R$ 800 milhões, o que representa 2,3% do PIB da cidade de Joinville. Este resultado é 58% superior à média dos parques tecnológicos do país. A partir da inauguração do Ágora UNI o grande desafio atual é o projeto Ágora Connect, que reúne oito corporates (Whirlpool, Ciser, Krona, Avell, Unimed, Pollux, Walbert e a Pró-Rim) e sete instituições de ensino e pesquisa (Udesc, UFSC, Univille, Católica, UniSENAI, IPT e Senac) numa espécie de laboratório aberto de inovação. O programa segue uma metodologia desenvolvida pelo Ágora voltada para o desenvolvimento de talentos e a criação de soluções inovadoras.

O Join.Valle é uma instituição que promove a inovação e o empreendedorismo e fortalece o ecossistema de Joinville e região. Tem como propósito ser um agente transformador, que oportuniza conexões, fomenta negócios e impulsiona o desenvolvimento econômico de alto valor. Desta forma, contribui para que a cidade seja cada vez mais um dos melhores lugares para se viver e empreender. Nos últimos anos, o Join.Valle tem se dedicado a estimular iniciativas que potencializam a inovação e promovem a cultura inovadora na sociedade e nas organizações. A associação conta com um time executivo e um relevante time de mentores voluntários, responsáveis por tornar realidade as estratégias e objetivos por meio de programas e projetos.

Mudança de gestão fortalece ecossistema de inovação e empreendedorismo de Joinville

Retorno ao trabalho presencial desafia retenção de talentos

Uma das estratégias das lideranças para incentivar a volta é a oferta de aumentos salariais, promoções ou novas responsabilidades

Pesquisa da KPMG revela que 83% dos CEOs esperam a volta total ao escritório nos próximos três anos

A 10ª edição da pesquisa KPMG CEO Outlook revelou que 83% dos CEOs esperam um retorno total ao escritório nos próximos três anos, expectativa que desafia o cenário atual do mercado de trabalho, especialmente no setor de tecnologia, onde a flexibilidade e o trabalho remoto são altamente valorizados. Uma das estratégias das lideranças para incentivar a volta é a oferta de aumentos salariais, promoções ou novas responsabilidades. De acordo com a pesquisa da KPMG, 87% dos CEOs planejam recompensar os funcionários que retornarem ao escritório. Gustavo Salles, CEO da SalesHunter — startup especializada no recrutamento de vendedores SaaS e B2B — alerta que essa estratégia pode ser insuficiente para reter os profissionais habituados ao trabalho remoto. “Se a empresa não for transparente sobre suas expectativas, pode gerar insatisfação e levar talentos a buscarem outras oportunidades que ofereçam a flexibilidade que valorizam”, afirma.

Para Salles, a preferência das lideranças pelo modelo presencial não deve ser vista como uma regra rígida, mas sim como uma estratégia que pode variar conforme o perfil das equipes e os objetivos da empresa. “Muitos CEOs e clientes estão percebendo uma queda de produtividade em equipes compostas por profissionais mais jovens e menos experientes, para quem o contato diário com os colegas e mentores faz uma diferença enorme na curva de aprendizado”, explica. O especialista destaca que o ambiente presencial facilita a troca de conhecimento, a integração das equipes e o desenvolvimento profissional. “Para talentos em início de carreira, a presença física no escritório proporciona um aprendizado mais rápido e mais conexão com a cultura da empresa”, acrescenta.

Apesar da grande expectativa pelo retorno total, Salles crê que o modelo híbrido é a melhor solução para muitas empresas, pois equilibra a necessidade de flexibilidade dos colaboradores com as demandas de produtividade e colaboração. “A flexibilidade é, para muitos profissionais, o benefício mais importante. Empresas que insistirem no trabalho 100% presencial podem perder talentos para aquelas que oferecem um modelo mais equilibrado”, avalia. Além das questões de flexibilidade, a pesquisa também destacou a preocupação dos CEOs com a escassez de profissionais qualificados e a aposentadoria iminente de talentos experientes.

Para ele, a solução está na capacitação contínua e no desenvolvimento de novos profissionais. “Investir em programas de formação desde o início é essencial para preparar talentos para o mercado e evitar a dependência excessiva de profissionais sêniores, que muitas vezes são atraídos por oportunidades internacionais”, ressalta. Com 92% dos CEOs projetando um aumento de contratações nos próximos anos, Salles observa uma tendência de busca por qualidade e especialização, em vez de apenas volume. “As empresas estão se tornando mais criteriosas, focando na contratação de profissionais que possam agregar valor e ajudar a construir uma equipe sólida para o futuro”, conclui.

Uma das estratégias das lideranças para incentivar a volta é a oferta de aumentos salariais, promoções ou novas responsabilidades

Oito cidades do Sul escolhem seus novos prefeitos

Eduardo Pimentel venceu em Curitiba e Sebastião Melo em Porto Alegre

Mais de 4,2 milhões de eleitores estavam aptos a votar nas oito cidades da região neste segundo turno

Neste domingo (27) mais de 4,2 milhões de eleitores estavam aptos a votar nas oito cidades da região neste segundo turno. Porém, compareceram às urnas 2.898.501 habitantes resultando em uma abstenção de 31,3%. Em Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD) disputou com Cristina Graeml e ganhou o pleito. Pimentel, 40 anos, disputa a eleição com apoio da coligação Curitiba Amor e Inovação, formada pelos partidos PSD, Podemos, Republicanos, PL, MDB, Novo, Avante e PRTB. Pimentel já foi vice-prefeito de Curitiba em 2016 e 2020, na chapa de Rafael Greca. Também já ocupou o cargo de secretário municipal de Obras Públicas. Londrina e Ponta Grossa também escolheram seus novos mandatários. Ponta Grossa será governada por Elizabeth Schmidt (União). Londrina elegeu Tiago Amaral (PSD).

O segundo turno em Porto Alegre foi disputado entre Sebastião Melo (MDB) e Maria do Rosário (PT). Melo foi reeleito para governar a capital gaúcha. Ele já foi vice-prefeito da capital gaúcha de 2013 a 2016, durante a gestão de José Fortunati. Em 2018, foi eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul. Canoas, Caxias do Sul, Pelotas e Santa Maria foram outros municípios do Rio Grande do Sul que foram às urnas neste domingo. Em Caxias do Sul venceu Adiló Didomenico (PSDB). Canoas será governada por Airton Souza (PL). Rodrigo Decimo (PSDB) foi eleito em Santa Maria. Pelotas terá como mandatário Fernando Marroni (PT) pelos próximos quatro anos.

Acompanhe, a seguir, o número de votos conquistados pelos candidatos nos oito municípios do Sul neste segundo turno.

Eduardo Pimentel venceu em Curitiba e Sebastião Melo em Porto Alegre

Será preciso reinventar o modelo de trabalho atual

Essa foi uma das conclusões do painel de abertura que antecedeu a cerimônia de premiação das 100 maiores empresas do Paraná

Polydoro, Márcia, Hammerschmidt e Mello: o papel da liderança é fazer boas perguntas

O uso cada vez mais frequente da Inteligência Artificial (IA) e a necessidade da remodelação do sistema de trabalho atual foram os temas norteadores do painel de abertura que antecedeu a cerimônia de premiação das 100 maiores empresas paranaenses na segunda-feira (21). O debate reuniu lideranças das chamadas gerações X, Y e Z que compartilharam suas percepções, experiências e visões de como enfrentar os enormes desafios de empresas, países e planeta na construção de um futuro sustentável. “Diálogos Geracionais: juntos construímos um futuro sustentável” contou com as presenças de Márcia Baena, diretora de gente e gestão empresarial da Copel; Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial na frente comercial e de relações institucionais; e Mateus Mello, líder de desenvolvimento e sócio da startup Mindtech. A conversa foi mediada por Jorge Polydoro, publisher do Grupo AMANHÃ. A sede da Federação das Indústrias (Fiep), em Curitiba, recebeu os convidados na oportunidade onde AMANHÃ e PwC Brasil também divulgaram o ranking completo de 500 MAIORES DO SUL (clique aqui para checar todos os dados). O evento segue disponível no canal AMANHATV no YouTube (você poderá rever toda a cerimônia clicando neste link).

Para Mateus, o representante da geração Z no debate, a IA tem sido um enorme desafio na relação com os jovens no mercado de trabalho. “Sou da área de desenvolvimento e sei que a Inteligência Artificial pode ser uma grande aliada, mas para as novas gerações essa ferramenta pode ser um grande obstáculo, pois elas têm se mostrado dependentes dessa ferramenta”, revelou. Ele contou que, por isso, tem notado que os Zs são deficientes em procurar soluções por conta própria, característica que deve ser trabalhada pelos gestores de recursos humanos – ainda mais que a partir do próximo ano cerca de 40% da força de trabalho deve ser oriunda dos jovens nascidos entre 1997 e 2003, de acordo com uma pesquisa recente. Hammerschmidt comentou sobre a importância de as diferentes gerações conviverem e interagirem entre si. “Em nosso grupo de empresas temos jovens com essa forte ligação com a tecnologia, mas do outro lado contamos com uma geração que traz conhecimento técnico, prático e muitos anos de mercado. As empresas terão de aprender a conduzir essas gerações diferentes e tê-las em seus quadros”, sugeriu como representante dos Ys. Ele fez questão de sublinhar a importância dos professionais experientes para os jovens. “Meu pai tem 70 anos e sempre procuro perguntar algumas coisas, pois ele já vivenciou muita coisa errando e acertando. Por qual razão não procurar alguém mais experiente para não perder tempo e, principalmente, dinheiro?”, questionou. Na visão dele, a comunicação entre as diversas gerações deve ser permanente.

“Respeito a separação didática para comparar gerações, mas confesso que pessoalmente não gosto, pois ela vem acompanhada de rótulos – e se tem algo que atrapalha a construção do futuro é rotular as pessoas. Há inovadores em todas as gerações, tem gente que não tem criatividade em todas as gerações, há quem goste e não goste de trabalhar em todas as gerações”, opinou Márcia, destacando que a personalidade deve estar acima de tudo. “É preciso deixar com que as pessoas sejam o que são, falar o que pensam, serem autênticas. Acredito no poder da autenticidade como algo que transforma ambientes”, resumiu. Ela também contou que gosta do G da governança da agenda ESG, a qual prefere, por isso, usar a sigla ASG, em português. “Nesta sala só tem liderança. Essa sala tem poder e influência. Essa sala consegue transformar um pouquinho a realidade, não por caridade, mas por necessidade. Minha geração possivelmente não verá a transição [energética] acontecer. Precisamos correr, pois não temos mais tempo”, implorou. Dirigindo-se à plateia, Márcia propôs que o público fizesse o exercício do pescoço para que pudessem entender o conceito de diversidade. “Gire seu pescoço para a direita e olhe quantas pessoas parecidas têm. Agora vire para esquerda e faça o mesmo. Existem pessoas diferentes. A gente se agrega por similaridade, mas é preciso que quebremos essa bolha. Precisamos intencionalmente procurar pessoas diferentes para trocarmos ideias, pois o mundo nos apresenta muitos problemas complexos que exigem perspectivas diferentes das nossas”, aconselhou.

Uma questão vinda do público suscitou outro debate entre as gerações no encontro do Paraná. Um executivo perguntou como atrair para o mercado de trabalho pessoas que têm optado por ocupações autônomas, ao exemplo dos motoristas de aplicativo. Para Márcia, o único caminho será reinventar o modelo de trabalho que temos hoje, pois ele não é mais atrativo. “Não convencemos os jovens apenas afirmando que determinada coisa tem de ser assim, pois eles querem saber as razões e dizer o que pensam. O papel da liderança é fazer boas perguntas. Elas terão de envolver pessoas que pensam diferente na operação [dos negócios]. Hoje convivemos com um valor chamado flexibilidade”, disse. Mello confidenciou que seu comportamento é justamente esse. “Eu gosto de entender o processo e percebo que as novas gerações precisam entender os porquês. Eles querem ser valorizados e ouvidos”, afirmou. Hammerschmidt contou as iniciativas que o Grupo Potencial tem feito para reter talentos. “Nosso novo parque industrial gera mais de 300 empregos diretos. Fizemos uma parceria com o Senai para profissionalizar essa mesma mão de obra para que seja contratada quando a unidade industrial iniciar sua produção em 2026. Oferecer um plano de carreira pode ser um diferencial para essa nova geração permanecer no emprego. Outro diferencial é procurar dar benefícios que gerem valor para essas pessoas”, recomendou. 

Essa foi uma das conclusões do painel de abertura que antecedeu a cerimônia de premiação das 100 maiores empresas do Paraná

Planeta pode aquecer 3,1ºC a 3,6ºC com emissões de gases

Estudo foi publicado pela ONU

Há uma ligação direta entre o aumento das emissões e os desastres climáticos cada vez mais frequentes e intensos

Manter o aquecimento global em 1,5 grau Celsius (ºC) ainda é possível, mas para isso, os países precisam reduzir em 42% as atuais emissões de gases do efeito estufa, até 2030, e 57%, até 2035. A conclusão é do Relatório sobre Lacuna de Emissões 2024, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). “A continuação do esforço de mitigação com as atuais políticas leva o aquecimento global a um máximo de 3,1°C ao longo do século, com 66% de probabilidade, e ainda resta 10% de probabilidade de que o aquecimento possa exceder 3,6°C”, destaca o relatório.

O estudo revela ainda que os compromissos assumidos pelos signatários do Acordo Paris, em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para 2030, não estão sendo cumpridos. E também seriam insuficientes para alcançar a meta de manter a temperatura do planeta em 1,5 ºC acima do período pr-industrial. De acordo com o documento, o estrito cumprimento das NDCs até 2030 ainda resultaria em uma elevação de temperatura de 2,6 ºC. Esse cenário ocorreria com o cumprimento tanto das metas incondicionais, ou seja, que devem ser cumpridas obrigatoriamente, quanto das metas que foram condicionadas à disponibilidade de financiamento internacional. A implementação apenas das NDCs incondicionais levaria o mundo a temperaturas 2,8 ºC mais elevadas. Já as atuais políticas conduziriam o planeta a 3,1°C de aquecimento.

Para o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, é necessário agir agora, começando durante a próxima rodada de negociações que ocorrerá entre os dias 11 e 22 de novembro, na 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29). “Estamos sem tempo. Fechar a lacuna de emissões significa fechar a lacuna de ambição, a lacuna de implementação e a lacuna financeira”, reforçou. O prazo máximo para a atualização das NDCs é fevereiro de 2025, antes da 30ª COP, que ocorrerá em Belém do Pará, no Brasil. Nas novas metas, o ano de 2019 passa a ser a referência para os compromissos de emissões de gases do efeito estufa pelos países.

Em um cenário com essa nova referência e para limitar o aquecimento global em menos de 2ºC, o relatório indica que as emissões precisariam cair 28% até 2030 e 37% até 2035. Os pesquisadores destacam ainda que as consequências no atraso das ações para viabilizar essa limitação já implicam em consequências que distanciam o planeta desse cenário, como o recorde de 57,1 gigatoneladas de CO₂ equivalente em emissões, atingido em 2023. “Há uma ligação direta entre o aumento das emissões e os desastres climáticos cada vez mais frequentes e intensos. Em todo o mundo, as pessoas estão pagando um preço terrível. Emissões recordes significam temperaturas marinhas recordes que potencializam furacões monstruosos; o calor recorde está transformando as florestas em barris de pólvora e as cidades em saunas; chuvas recordes estão resultando em inundações bíblicas”, alerta Guterres.

Além de apontar os cortes necessários nas emissões, o relatório indica ainda possíveis caminhos, como o potencial de redução de 27% nas emissões em 2030 e 38% em 2035, com o incremento de tecnologias solar e eólica na geração de energia. Melhorar a gestão de florestas, com redução do desmatamento e aumento do reflorestamento tem potencial de reduzir as atuais emissões em 19% em 2030 e 20% em 2035, afirmam os pesquisadores. Também foram calculados os investimentos necessários para financiar o caminho global até as emissões líquidas zero em 2050. De acordo com o relatório, seriam necessários US$ 0,9 trilhão a US$ 2,1 trilhões por ano, de 2021 a 2050, “o que é substancial, mas administrável no contexto mais amplo da atual economia global e mercados financeiros de quase US$ 110 trilhões mercados financeiros”, evidencia o relatório.

Com ABR

Estudo foi publicado pela ONU

Um investimento do tamanho do Rio Grande

Projeto Natureza CMPC vai empregar R$ 24 bilhões em parque industrial em Barra do Ribeiro e outras iniciativas, o maior aporte de uma companhia chilena fora do país

O estímulo à silvicultura produtiva e a ampliação das áreas de plantio de eucalipto, por meio do fomento a produtores rurais, são outros eixos que compõem o projeto

Presente há quase uma década em solo gaúcho, a CMPC escolheu o Rio Grande do Sul para receber seu investimento mais vistoso fora do Chile. O Projeto Natureza CMPC contempla, entre outras iniciativas, a construção de um parque industrial em Barra do Ribeiro. A cidade já sedia a fazenda Barba Negra, onde está localizado o viveiro de mudas da companhia e um centro de pesquisas de aprimoramento genético de eucalipto. Com aporte de R$ 24 bilhões, a nova unidade terá capacidade anual de 2,5 milhões de toneladas de celulose branqueada – matéria-prima para a fabricação de diferentes tipos de papéis, embalagens e produtos higiênicos, além de estar presente em itens como alimentos, medicamentos e cosméticos. O projeto será executado com as melhores tecnologias de ponta disponíveis no mercado.

O estímulo à silvicultura produtiva e a ampliação das áreas de plantio de eucalipto, por meio do fomento a produtores rurais, são outros eixos que compõem o projeto. A CMPC também se compromete a realizar uma série de melhorias na infraestrutura rodoviária e portuária. Ainda, a criação do Parque Ecológico Barba Negra tem como pano de fundo valorizar a reserva natural através da visitação e realização de roteiros turísticos. O objetivo principal é fazer com que o parque se torne uma referência em preservação, biodiversidade, estudos ambientais e promoção do contato da população com importantes espécimes da flora e a fauna nativas do Rio Grande do Sul.

Como contrapartida, o Estado realizará diversas obras de melhorias na infraestrutura do Rio Grande do Sul, como a duplicação de 376 quilômetros da BR-290, entre Eldorado do Sul e Rosário do Sul, e a finalização da duplicação do trecho sul da BR-116. Caberá à CMPC instalar um novo terminal de uso privado no porto de Rio Grande, realizar obras de dragagem e de ampliação da capacidade de armazenagem e operação da empresa nos portos de Rio Grande e Pelotas. Com isso, será elevado o uso da hidrovia no estado, no qual, hoje, a CMPC já responde por 44% do volume total transportado por esse modal.

O Natureza CMPC ganhou ainda mais importância depois das enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul. Com uma preocupação social, os empreendimentos vão dar oportunidades para muitos gaúchos e gaúchas. “Esse projeto vai transformar a realidade de Barra do Ribeiro e trazer impactos para toda a sociedade gaúcha. Durante a fase de obras, vai promover a geração de 12 mil postos de empregos. Para preencher esses postos, a CMPC vai desenvolver um programa de qualificação de mão de obra local, pois queremos valorizar os profissionais daqui. Além disso, será priorizada a contratação de fornecedores gaúchos. É gratificante saber que pudemos apoiar a população em um momento tão difícil e que seguiremos juntos”, afirma Antonio Lacerda, diretor-geral de celulose da CMPC no Brasil.

Projeto Natureza CMPC vai empregar R$ 24 bilhões em parque industrial em Barra do Ribeiro e outras iniciativas, o maior aporte de uma companhia chilena fora do país