Archives Outubro 2024

Codesul discute planejamento integrado

O objetivo é promover o desenvolvimento dos quatro estados que respondem por cerca de 18% do PIB nacional

Técnicos da Unisinos apresentaram os indicadores estratégicos, metas e propostas para a região

Representantes dos quatro estados que integram o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) reuniram-se nesta quinta-feira (31) no Palácio Iguaçu, em Curitiba, para a apresentação da quarta etapa do planejamento estratégico “Visão Regional 2040”. O objetivo é promover o desenvolvimento integrado entre Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, que respondem por cerca de 18% do PIB nacional. Técnicos da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), contratada pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para desenvolvimento do projeto, apresentaram os indicadores estratégicos, metas e propostas para a região do Codesul. Por meio de um diagnóstico, foram identificadas as principais demandas, possibilidades e gargalos que podem ser desenvolvidos em conjunto para promoção do desenvolvimento integrado.

Segundo o vice-governador Darci Piana, por terem economias muito parecidas, é essencial o desenvolvimento de um plano conjunto entre os estados. “Os problemas são comuns. Questões de infraestrutura, de escoamento de produção, de competitividade, são todos assuntos que são muito similares para os estados. Então nada mais inteligente que a gente poder organizar, e pensar juntos o futuro da região, que terá desafios importantes para os próximos anos”, ressaltou. O secretário do planejamento do Paraná, Guto Silva, destacou que o plano de desenvolvimento integrado garantirá que as ações sejam perenes. “Nosso objetivo é amadurecermos instrumentos de longo prazo, para que isso possibilite que os futuros governantes dos estados possam ter uma bússola para seguir nesses próximos anos. É um processo de muita construção, de escuta, e agora estamos agrupando tudo isso numa lógica de planejamento”, afirmou.

Ao todo, são 28 objetivos estratégicos, com 65 indicadores e metas, além de 166 propostas de ação para colocar em prática o que está sendo desenhado dentro do plano de desenvolvimento. Elas estão reunidas dentro de nove eixos, que tem como temas agronegócio, infraestrutura, enfrentamento às mudanças climáticas, combate à pobreza e desigualdades, energias renováveis, qualificação de serviços públicos e educação voltada às atividades portadoras de futuro. Na última reunião de governadores do Codesul, em agosto deste ano, foi assinado um termo de cooperação entre as defesas civis dos estados para estabelecer mecanismos de apoio mútuo, visando a troca de informações hidrometeorológicas, a cooperação técnica e operacional nas atividades de prevenção, mitigação, preparação, resposta, recuperação e reconstrução em situações de desastres.

Durante a manhã, representantes das secretarias de planejamento de cada estado discutiram as ações propostas e possíveis melhorias em metas e indicadores, validando o estudo da Unisinos e apontando possíveis alterações e melhorias. Já na parte da tarde, os esforços se concentraram em como instrumentalizar as ações para colocá-las em prática e monitorá-las. “São os quatro estados pensando juntos num futuro melhor para toda a região. O estado não como um mero passageiro da história, mas pautando e direcionando as ações de todo um território em prol do desenvolvimento que certamente virá de uma forma mais consistente com o planejamento a longo prazo”, acrescentou o coordenador da comissão do planejamento do Codesul, Thaner Castro Nogueira. “Acredito que isso vai levar nossos estados a realmente alcançarem todas essas metas que estão desenhadas”, complementou.

Próximos passos
Após o fechamento dos indicadores estratégicos, das metas e propostas, será realizada a entrega final do material aos governadores. Na sequência, será promovido um seminário de imersão para que secretários de Planejamento e equipes possam preparar as propostas de implementação do projeto em cada um dos estados. Uma plataforma de Business Intelligence (BI) será disponibilizada, já com as validações das secretarias, permitindo a padronização das informações e a realização de análises críticas dos eixos de trabalho, diagnóstico do produto entregue, comparação entre eixos temáticos, até a produção da proposta de implantação do Projeto Visão Regional 2040. Fundado em 1961, o Codesul reuniu, inicialmente, os estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em 1992, o Mato Grosso do Sul passou a fazer parte do Conselho, que tem como principal objetivo buscar o desenvolvimento regional, reduzindo desequilíbrios e atuação em questões comuns aos estados-membros. O principal feito do Conselho foi a criação do BRDE.

O objetivo é promover o desenvolvimento dos quatro estados que respondem por cerca de 18% do PIB nacional

ALTMA projeta quadruplicar de tamanho até 2030

Ex-piloto de corridas, Gabriel Falavina trocou as pistas pela incorporação imobiliária

“Em um mercado conhecido por ser cíclico, adotamos uma postura arrojada, que contrasta com o conservadorismo histórico do setor da construção civil”, revela Falavina

Prestes a completar oito anos, a incorporadora curitibana ALTMA alcançou um VGV (Valor Geral de Vendas) sob gestão de R$ 250 milhões, com empreendimentos que trouxeram a Curitiba (PR) as principais tendências do mercado imobiliário internacional. Responsável pelo primeiro edifício residencial carbono zero do país, pela entrada da startup Housi de moradias por assinatura no Paraná e pelo primeiro empreendimento com o modelo Student Housing do estado, a empresa projeta uma nova “leva” de lançamentos para 2027, com VGV de R$ 450 milhões. E o plano de expansão da jovem incorporadora é alcançar R$1 bilhão em 2030.

À frente da ALTMA, o engenheiro civil Gabriel Falavina Dias, de 34 anos, colocou na incorporadora o ritmo e a ousadia aprendidos na carreira como piloto. Aos 16 anos de idade, já com títulos de Campeão Brasileiro, Paulista e da Copa Brasil de Kart, ele se tornou uma das principais promessas brasileiras para a Fórmula 1.

“O automobilismo foi uma paixão que eu herdei do meu pai [Walter Dias] e que, por muitos anos, foi a minha vida. Comecei no kart aos cinco anos e, na transição da F3 para a F2, decidi abandonar as pistas em função da forte pressão emocional que eu sentia, com o constante receio de frustrar expectativas. Depois de um acidente, que antecipou o meu retorno da Europa ao Brasil para tratamento da coluna, percebi que queria ter uma vida diferente. Na época, não havia suporte psicológico para atletas de ponta e competidores, algo tão essencial quanto o talento e o treinamento”, lembra.

Elie Horn, um exemplo

As lições aprendidas no automobilismo – de lidar com pressão e competitividade, além de desenvolver a capacidade de tomar decisões rápidas e acertadas – foram definitivas para a carreira de empreendedor da construção civil. Também tiveram papel decisivo para o sucesso de Falavina os ensinamentos de um dos mais importantes nomes da construção civil: Elie Horn, fundador e ex-presidente da Cyrela. Após deixar o automobilismo, em 2011, Falavina iniciou o curso de engenharia civil na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ainda na faculdade, começou a trabalhar com a família de um colega, que construía empreendimentos para o programa Minha Casa Minha Vida.

Em busca de experiência, Falavina conheceu a figura que se tornou a principal inspiração para a ALTMA. “Eu estava, coincidentemente, assistindo a uma corrida de F1 na televisão, quando entrou um anúncio do processo seletivo da Cyrela. Eram mais de 4.500 candidatos para dez vagas, mas eu arrisquei e passei”, conta. A ALTMA foi fundada em 2016, por Falavina e o ex-sócio José Vilela, que sustentou a etapa inicial do negócio. O primeiro empreendimento da marca foi o Reserva Wiés, um condomínio horizontal no bairro Campo Comprido, em Curitiba, com um VGV de R$12 milhões. Com o sucesso das vendas, o empresário decidiu partir para um projeto ousado: o VIBE, primeiro contrato da startup Housi, pioneira no modelo de moradias por assinatura no país, no Paraná.

Recentemente, a incorporadora conseguiu superar a própria marca, com a venda dos 187 apartamentos do B41 no lançamento. O empreendimento será o primeiro do modelo Student Housing no estado. Exclusivo para moradia estudantil, o B41 será construído, em parceria com a HIEX, em frente ao principal campus da PUCPR, no bairro Prado Velho. O projeto de vanguarda inclui a parceria com a universidade, para a realização de atividades acadêmicas com estudantes de diversos cursos, aulas de campo nas diferentes etapas da obra e de disciplina e Programa Institucional de Bolsas de Empreendedorismo e Pesquisa (PIBEP) apadrinhados pelas incorporadoras. Na etapa anterior ao lançamento, as incorporadoras construíram uma praça de uso compartilhado para a vizinhança no terreno do empreendimento, com infraestrutura para atividades esportivas e de lazer. Além dessa “gentileza urbana”, a comunidade da Vila Torres, uma das regiões de maior vulnerabilidade social de Curitiba, foi acolhida pela ALTMA, com a doação de recursos para a construção da sede da associação do bairro.

No segundo semestre de 2024, a ALTMA e HIEX farão a entrega de outro empreendimento inovador: o Árten, primeiro edifício carbono zero do Brasil. O residencial incorporou diversas soluções para redução de gases do efeito estufa durante e após a construção. E o saldo de emissões da obra, calculado em 2.640 toneladas de CO2, já está sendo compensado, por meio da manutenção dos estoques de carbono de uma área de Mata Atlântica, em reserva ecológica da ONG SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental), no litoral do Paraná. Junto da HIEX, a incorporadora tem, em construção, o MYTÁ, que terá uma floresta urbana plantada dentro do terreno do empreendimento. Com elementos da natureza em todo o projeto e soluções avançadas de sustentabilidade, o edifício busca alcançar uma pontuação de sustentabilidade pioneira com o selo GBC Condomínio categoria Platina. “Em um mercado conhecido por ser cíclico, adotamos uma postura arrojada, que contrasta com o conservadorismo histórico do setor da construção civil. Temos como foco o que chamamos produtos anticrise, mais resilientes nos momentos mais duros do mercado”, resume Falavina.

Ex-piloto de corridas, Gabriel Falavina trocou as pistas pela incorporação imobiliária

Economia gaúcha ganha impulso após enchentes

Comércio é o principal destaque positivo

Passado o auge da crise, a economia gaúcha mostra sinais de recuperação, impulsionada principalmente pelo aumento do consumo

O evento meteorológico extremo que atingiu o Rio Grande do Sul entre o final de abril e o início de maio trouxe consequências para a economia. A queda de 0,3% do PIB no segundo trimestre de 2024, em relação ao trimestre anterior, evidenciou o impacto das inundações, principalmente na indústria. A retração, entretanto, foi inferior à esperada, graças ao alto desempenho da agropecuária, puxado pela colheita de soja, cuja maior parcela havia sido colhida antes do desastre. Apesar dos impactos das enchentes sobre a produção, as quantidades de grãos colhidos em 2024 na agricultura deverão ser superiores às do ano passado.

Passado o auge da crise, a economia gaúcha mostra sinais de recuperação, impulsionada principalmente pelo aumento do consumo. A arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cresceu 16,2% nos meses de julho, agosto e setembro, em comparação com o mesmo período de 2023. O comércio foi estimulado pelo aumento do consumo a partir das transferências de recursos públicos às famílias e pela necessidade de recomposição de bens de primeira necessidade perdidos ou danificados pelas enchentes, como móveis, eletrodomésticos e veículos automotores. A análise está no Boletim de Conjuntura de outubro, produzido pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). Com autoria dos pesquisadores Martinho Lazzari e Tomás Amaral Torezani, o documento foi divulgado nesta quinta-feira (31).

A atividade mais impactada pelos efeitos das enchentes, em maio, foi a indústria de transformação, que apresentou queda de 26,5% em relação a abril. Em junho, porém, os números de produção praticamente se igualaram à produção anterior às enchentes. Um dos fatores para a recuperação foi o aumento da utilização da capacidade instalada. O indicador, medido pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), revela que a indústria precisou usar a capacidade de produção de forma mais intensa, impulsionada pela injeção de recursos públicos destinados à reconstrução do Rio Grande do Sul, além da demanda nacional.

Lazzari disse que a análise dos dados mensais permite a observação do processo de retomada da economia gaúcha, após o momento mais agudo dos impactos das enchentes sobre a produção. “Embora ainda de forma heterogênea, as atividades produtivas têm apresentado uma evolução positiva nos últimos meses, principalmente o comércio, que se beneficiou do aumento do consumo ocasionado pelas transferências de recursos públicos às famílias atingidas”, explicou. Com a volta das operações no aeroporto Salgado Filho, o comércio, junto com o setor de serviços, deve receber novo impulso.

Comércio é o principal destaque positivo

Inovação, um motor do crescimento econômico

Diego Ramos, presidente da Acate, conta neste artigo exclusivo como a tecnologia está criando as empresas mais valiosas de Santa Catarina

“Santa Catarina se destaca por ter criado um ambiente onde inovação e tecnologia são o motor do crescimento econômico, e esse sucesso tem sido notado por investidores de todo o mundo”, destaca Ramos

A inovação tecnológica tem sido o principal impulsionador do crescimento e da valorização das marcas ao redor do mundo. Gigantes de tecnologia já conhecidas há décadas como Apple, Microsoft e Google seguem entre as marcas mais valiosas, como mostra o ranking Best Global Brands 2024, da Interbrand. Simultaneamente, empresas como a NVIDIA vivem um salto de crescimento exponencial que as colocam entre as mais importantes da economia internacional, acompanhando a necessidade mundial por mais tecnologia, inovação e hardwares que possibilitem os avanços. Isso reflete uma mudança significativa no mercado, onde a capacidade de inovação e escalabilidade passou a definir o valor das empresas. A transformação digital não é mais apenas uma tendência, mas um fator decisivo para o sucesso a longo prazo.

No Brasil, as marcas mais valiosas ainda estão em setores tradicionais da economia como agronegócio, energia e construção. No entanto, mesmo os setores ditos tradicionais sentem a necessidade de ampliar o investimento em tecnologia e inovação para se adaptarem às novas demandas de mercado e manterem sua relevância. Não à toa, projetos de inovação aberta crescem com o objetivo de conectar corporates com a inovação nascida em startups — como o que acontece em Santa Catarina com o LinkLab, mantido pela Acate e que já soma mais de 450 projetos concluídos.

Santa Catarina, aliás, é reconhecidamente um polo de inovação e tecnologia no Brasil. Terra da Capital Nacional das Startups e com dois municípios — Florianópolis e Blumenau — no topo do ranking de venture capital para startups na América Latina. O ecossistema de tecnologia criado no estado tem se mostrado maduro e atraído cada vez mais investidores nacionais e estrangeiros que alavancam não apenas negócios em estágios iniciais, mas também empresas consolidadas que, com grandes aportes, colocam-se entre as marcas mais valiosas da economia catarinense ao lado de indústrias tradicionais.

Dois exemplos recentes são extremamente relevantes: uma das mais tradicionais empresas de tecnologia de Santa Catarina, a Softplan, acabou de concluir a captação de R$ 250 milhões em debêntures. Com mais de 30 anos de atuação, a empresa tem crescido mais de 20% por ano e se aproxima da receita anual de R$1 bilhão criando um ecossistema de soluções SaaS B2B. Nascida como uma startup em Joinville, a fintech Asaas recentemente captou o impressionante valor de R$ 820 milhões em uma rodada envolvendo BOND, gestora dos Estados Unidos, e a japonesa Softbank, aproximando a empresa de ser o próximo unicórnio do mundo da tecnologia. 

Além desses casos, podemos lembrar das empresas catarinenses já listadas na bolsa, como Intelbras, Unifique e Neogrid, outras que estão no caminho para abrir capital, como a Senior e a própria Softplan. Há ainda a lista de grandes aquisições, como a da Neoway, comprada pela B3, e da RD Station, pela TOTVS — operações de quase R$ 2 bilhões. Sinais de que o setor de tecnologia não está apenas crescendo, mas também se consolidando no mercado financeiro e criando empresas capazes de gerar valor e competir em cenário global. Esse cenário mostra que não estamos falando de casos isolados de negócios de sucesso, mas sim de um ecossistema colaborativo, inovador e que ajuda a fomentar empresas e empreendedores com ideias criativas e inovadoras. A combinação entre a capacidade de atrair capital, a presença de talentos e o apoio institucional tem sido crucial para que essas empresas prosperem. Santa Catarina se destaca por ter criado um ambiente onde inovação e tecnologia são o motor do crescimento econômico, e esse sucesso tem sido notado por investidores de todo o mundo.

Temos um desafio de seguir valorizando os negócios nascidos no estado e trabalhando em prol da formação de mais profissionais que tenham a oportunidade de crescer nas suas carreiras em empresas daqui, competitivas com o mercado internacional, com a capacidade de impulsionar a economia catarinense e brasileira por meio da criatividade e inovação.

*Presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate)

Diego Ramos, presidente da Acate, conta neste artigo exclusivo como a tecnologia está criando as empresas mais valiosas de Santa Catarina

As incertezas sobre os juros e a política fiscal

Comprometimento com a sustentabilidade das contas é fundamental

“Precisamos de ações que controlem, preferencialmente, as despesas obrigatórias, para que tenhamos uma taxa de juros compatível com um crescimento sustentável da nossa economia”, alerta CEO da Bradesco Asset, CEO da Bradesco Asset, neste artigo exclusivo

O cenário econômico global começa a entrar em um momento mais promissor para investimentos de risco em geral, dado o início de corte de juros por parte do Fed (Banco Central dos Estados Unidos), com uma redução de 50 pontos e, potencialmente, continuando com cortes de 25 pontos para as próximas duas reuniões deste ano. O Fed justificou sua decisão apontando que, embora a economia continue em expansão, o mercado de trabalho está mais enfraquecido, apesar dos últimos dados. Além disso, acredita que a inflação, mesmo que ainda esteja acima da meta, deve convergir para o objetivo de 2%.

Com o início dos cortes americanos, bancos centrais dos países emergentes voltam a discutir reduções de juros, bem como bancos centrais dos países desenvolvidos, como o europeu, canadense e o inglês. Em termos de riscos, a maior incerteza vem das eleições americanas, que mostram um empate técnico entre os candidatos, mas nenhum deles apresentando soluções para as contas públicas, que vem registrando altos e crescentes déficits. Esse fator pode limitar a queda de juros, “estacionando” por volta dos 3% ao ano.

No mesmo dia que marcou o início da queda de juros nos Estados Unidos, o Banco Central do Brasil iniciou um ciclo de aumento. O mercado já esperava algum ajuste para cima, e o BC elevou a Selic em 0,25%, levando a taxa para 10,75% ao ano, com expectativa de um ciclo total de 150 pontos base, o que levaria a Selic a 12%. A inflação, que vinha convergindo para a meta puxada pela inflação de bens, mudou sua trajetória e traz novos desafios para o BC. Entre os principais fatores de risco para a inflação no Brasil, o Banco Central destacou o crescimento econômico ainda acelerado, o mercado de trabalho pressionado e a desvalorização cambial.

Outro ponto relevante no comunicado foi a necessidade de uma política fiscal crível, capaz de estabilizar a dívida pública e contribuir para a reancoragem das expectativas inflacionárias e a redução dos prêmios de risco dos ativos. A parte fiscal vem sendo um dos principais desafios do governo. Com o aumento dos gastos da União e a necessidade de discutir uma revisão das despesas obrigatórias, bem como novas fontes de receitas, é fundamental para que a dívida esteja sob controle.

Dada a atual dinâmica das contas públicas, as incertezas sobre a sustentabilidade do novo modelo fiscal, aprovado ano passado, têm influenciado diretamente nos prêmios de risco observados nas curvas de juros do país, bem como na taxa de câmbio e no perfil da dívida brasileira. Para reverter essa piora de expectativas, é essencial que as principais lideranças políticas sinalizem de forma clara o comprometimento com a sustentabilidade das contas. Precisamos de ações que controlem, preferencialmente, as despesas obrigatórias, para que tenhamos uma taxa de juros compatível com um crescimento sustentável da nossa economia, estimulando investimentos e a geração de emprego e renda.

*Economista, CEO da Bradesco Asset e ex-secretário do Tesouro Nacional. É painelista do 26º Seminário Econômico Família Prev.

Comprometimento com a sustentabilidade das contas é fundamental

BNDES aprova R$ 37,6 milhões para expandir a produção de biometano no PR

Projeto da Geo bio gas&carbon em Tamboara tem valor total de R$ 41 milhões

Inaugurada em 2012, a unidade de Tamboara foi a primeira planta de produção comercial de biogás em larga escala no Brasil a processar resíduos da produção sucroenergética

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento no valor total de R$ 37,6 milhões para a Geo bio gas&carbon ampliar a produção de biometano e de biogás na unidade de Tamboara, no Paraná. Ao todo, o projeto tem valor de R$ 41 milhões. O financiamento aprovado conta com R$ 33,6 milhões do Fundo Clima e R$ 3,9 milhões do Finem Padrão B (destinado à aquisição de máquinas e equipamentos importados novos, sem similar nacional). O objetivo é ampliar a capacidade de produção de biometano de 70 Nm³/h para até 1.500 Nm³/h. E de biogás, de 1.750 Nm³/h para até 3.500 Nm³/h.

Inaugurada em 2012, a unidade de Tamboara foi a primeira planta de produção comercial de biogás em larga escala no Brasil a processar resíduos da produção sucroenergética: torta de filtro, vinhaça e palha. A quase totalidade do biogás produzido era utilizada, historicamente, para a geração de energia elétrica. Após a conclusão do projeto, o biogás deverá ser utilizado, em sua maior parte, para a produção de biometano. É quando o biogás passa por um processo de upgrade, que consiste na remoção de outros gases (principalmente CO2) de forma a aumentar a concentração do metano (CH4) na molécula, atingindo o padrão de biometano definido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Um diferencial da unidade é a produção constante de biometano ao longo do ano, independente de safra e entressafra. A planta utiliza uma tecnologia de biodigestão anaeróbica capaz de processar torta de filtro e outros resíduos sólidos, possíveis de serem estocados sem perda de matéria orgânica, fornecendo gás de forma constante. Alessandro Gardemann, CEO da Geo, destacou o apoio do BNDES à Tamboara desde o seu início, em 2010, por meio de uma linha de financiamento à inovação, e os impactos desse novo empréstimo na trajetória da empresa. “O apoio do BNDES foi determinante para essa usina ser implementada, assim como está sendo este novo financiamento, que permite à Geo dar um grande passo na ampliação de sua carteira de projetos para produção de biometano. E, principalmente, contribui na transição energética e na implementação das metas de descarbonização determinadas pela Lei do Combustível do Futuro. O aumento da oferta de biometano também vai permitir interiorizar a oferta de gás, de origem renovável, no país”, afirma.

Fornecedora de plataforma de tecnologia, a Geo concentra-se no desenvolvimento da produção de hidrocarbonetos verdes. A companhia desenvolveu um processo proprietário único e inovador para produção de biogás a partir do reaproveitamento de resíduos sólidos e líquidos do agronegócio. Hoje, com quatro plantas operando nos estados do Paraná e São Paulo, a Geo já investiu mais de R$ 450 milhões na criação e instalação de projetos para produção de biogás. A unidade de Tamboara produz biogás ao longo de todo o ano. A partir dessa produção, que atinge cerca de 16 milhões de Nm3/ano, podem ser gerados aproximadamente 21.000 MWh/ano de energia elétrica, 53 mil toneladas de biofertilizantes sólidos e 1 milhão de m3 de biofertilizantes lquidos. O biogás e a energia elétrica são vendidos no mercado. Os biofertilizantes são doados como forma de contrapartida para a Cooperativa Agrícola Regional de Produtores de Cana Ltda (Coopcana), parceira da qual a Geo utiliza dejetos (vinhaça e torta de filtro) para a produção de biogás.

Projeto da Geo bio gas&carbon em Tamboara tem valor total de R$ 41 milhões

Schulz anuncia novo CEO

Sandro Trentin tem formação acadêmica em Engenharia Mecânica e Tecnologia em Automação Industrial pela Universidade de Caxias do Sul (UCS)

Segundo a empresa, a contratação já fazia parte do planejamento estratégico da companhia

A Schulz, de Joinville (SC), acaba de anunciar um novo CEO no comando. Sandro Trentin, de 51 anos, tem formação acadêmica em Engenharia Mecânica e Tecnologia em Automação Industrial pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), especialização em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral (FDC) e extensão pelo programa Authentic Leader Development pela Harvard Business School. Segundo a empresa, a contratação já fazia parte do planejamento estratégico da companhia, “considerando premissas de alcançarmos novos patamares de crescimento, desenvolvimento e de resultados.” 

Sandro Trentin tem formação acadêmica em Engenharia Mecânica e Tecnologia em Automação Industrial pela Universidade de Caxias do Sul (UCS)

Desocupação cai para 6,4% no trimestre encerrado em setembro

Essa foi a segunda menor taxa de desocupação da série histórica da PNAD Contínua do IBGE

Indústria e comércio abriram mais de 700 mil postos de trabalho no trimestre

A taxa de desocupação caiu para 6,4% no trimestre de julho a setembro de 2024, recuando 0,5 ponto percentual frente ao trimestre de abril a junho de 2024 (6,9%). Essa foi a segunda menor taxa de desocupação da série histórica da PNAD Contínua do IBGE, iniciada em 2012, superando apenas a taxa do trimestre encerrado em dezembro de 2013 (6,3%). O número de pessoas que não estavam trabalhando e procuravam por uma ocupação, isto é, a população desocupada, caiu para 7 milhões.

O número de trabalhadores do país subiu para 103 milhões, novo recorde da PNAD Contínua. Essa população ocupada cresceu 1,2% no trimestre, ou mais 1,2 milhão de trabalhadores. Na comparação anual, a alta foi de 3,2%, o equivalente a mais 3,2 milhões de pessoas ocupadas. A indústria e o comércio foram os grupamentos de atividade que puxaram o aumento da ocupação no trimestre, com altas, respectivamente, de 3,2% e de 1,5% em seus contingentes. Juntos, esses dois grupamentos absorveram 709 mil trabalhadores, na comparação trimestral. Além disso, a população ocupada no comércio foi recorde, chegando a 19,6 milhões de pessoas. Os outros grupamentos mantiveram estabilidade na comparação trimestral.

“O terceiro trimestre aponta para retenção ou crescimento de ocupados na maioria dos grupamentos de atividades. Em particular, a indústria registrou aumento do emprego com carteira assinada. Já no comércio, embora a carteira assinada também tenha sido incrementada, o crescimento predominante foi por meio do emprego sem carteira”, explica Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas Domiciliares do IBGE. Na comparação anual, sete grupamentos (indústria, construção, comércio, transporte, informação e comunicação, administração e outros serviços) aumentaram seu número de ocupados, enquanto dois (alojamento e alimentação e serviços domésticos) mantiveram estabilidade. Somente a agropecuária mostrou queda (-4,7%) na sua população ocupada.

Essa foi a segunda menor taxa de desocupação da série histórica da PNAD Contínua do IBGE

RS lança plano para atingir PIB anual de 3% até 2030

Essa média foi de 1,6% entre 2002 e 2021

No âmbito do capital humano, o Piratini [sede do governo gaúcho] pretende ampliar escolas em tempo integral, elevar a permanência no ensino básico e aumentar a qualidade da educação professional

O governo do Rio Grande do Sul anunciou nesta quarta-feira (30) seu plano de desenvolvimento econômico, inclusive e sustentável. Um dos pilares do programa é atingir taxa de crescimento anual do PIB de até 3% em seis anos – entre 2002 e 2021, essa média foi de 1,6%. Outra providência será atrair talentos para o estado. Nas últimas duas décadas, por exemplo, o Rio Grande do Sul teve um fluxo de emigração de 700 mil pessoas. Nesse mesmo intervalo de tempo, Santa Catarina atraiu mais de 2 milhões de pessoas. A partir das análises e projeções realizadas, foram identificados 12 setores nos quais o Rio Grande do Sul é competitivo e há demanda crescente. Em cada um dos grupos, foram destacados produtos e serviços mais complexos e inovadores que reúnem grande chance de avanços. Com o objetivo de atrair investimentos para o estado foi criada a agência de desenvolvimento Invest RS que será presidida por Rafael Priklandnicki, ex-diretor do Tecnopuc. A equipe da agência será formada por profissionais selecionados no mercado. Todo o projeto foi desenvolvido com base na metodologia da consultoria McKinsey, cujos estudos iniciaram antes das enchentes (veja o detalhamento de todo o plano no material ao final desta reportagem).

Além de fazer com que o estado receba em cerca de 17 anos aproximadamente 850 mil novos habitantes, também será preciso fazer com que a produtividade do trabalhador seja maior. Com esse objetivo, foram desenhadas 41 iniciativas para implementação. No âmbito do capital humano, o governo gaúcho pretende ampliar escolas em tempo integral, elevar a permanência no ensino básico e aumentar a qualidade da educação professional. No ambiente de negócios uma das diretrizes será facilitar a realização de novos investimentos. Atualmente o Rio Grande do Sul está em 22º lugar no ranking nacional de facilidade de fazer negócios. “Quando a gente conversa com empresários, o tom de crítica é bastante forte por causa da regulação de licenciamento [ambiental], por exemplo, e toda a burocracia associada. A minha percepção é que a gente melhorou em algumas coisas já, mais ainda tem um caminho longo pra fazer aqui, de tornar o ambiente mais amigável para receber investimentos”, relatou Sérgio Canova Júnior, consultor da McKinsey que apresentou o plano detalhado para a imprensa na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. Para a construção do Plano, houve a participação de cerca de 500 pessoas, incluindo lideranças do governo, do setor privado e da academia. Foram realizadas diferentes etapas, incluindo sessões de ideação, workshops, entrevistas individuais e agendas em secretarias. Um desses encontros foi a reunião de trabalho no Palácio Piratini, em 10 de abril, com empresários e presidentes de entidades de classe.

“A partir do plano de desenvolvimento, o Rio Grande do Sul passa a ter uma política de Estado, guiada por evidências científicas, para acelerar o desenvolvimento econômico e social. O nosso governo promoveu reformas estruturantes, recuperou a capacidade de investimento e agora está criando um plano que será um legado para o futuro do Rio Grande do Sul”, disse o governador. “Nosso objetivo é muito claro: queremos que o Rio Grande do Sul seja o melhor Estado para se viver no Brasil. Temos um potencial enorme em diversas áreas e, com os desdobramentos do plano, estamos muito confiantes de que daremos um salto em direção a um futuro à altura do que merece a nossa população nos próximos anos”, destacou.

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Essa média foi de 1,6% entre 2002 e 2021

Caged registra criação de 247 mil postos de trabalho em setembro

Número representa alta de 21% em relação ao mesmo mês de 2023

O nível de emprego aumentou na construção civil, com a abertura de 17.024 postos

A criação de emprego formal subiu em setembro. Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, 247.818 postos de trabalho com carteira assinada foram abertos no último mês. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões. A criação de empregos subiu 21,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em setembro de 2023, tinham sido criados 204.670 postos de trabalho, nos dados com ajuste, que consideram declarações entregues em atraso pelos empregadores. Em relação aos meses de setembro, o volume foi o maior desde 2022.

Até setembro, foram abertas 1.981.557 vagas. Esse resultado é 24% mais alto que no mesmo período do ano passado. A comparação considera os dados com ajustes, quando o Ministério do Trabalho registra declarações entregues fora do prazo pelos empregadores e retifica os dados de meses anteriores. O resultado acumulado é o maior desde 2022, quando tinham sido criados 2.181.100 postos de trabalho de janeiro a setembro. A mudança da metodologia do Caged não torna possível a comparação com anos anteriores a 2020.

Na divisão por ramos de atividade, quatro dos cinco setores pesquisados criaram empregos formais em setembro. A estatística foi liderada pelos serviços, com a abertura de 128.354 postos, seguidos pela indústria (de transformação, de extração e de outros tipos), com 59.827 postos a mais. Em terceiro lugar, vem o comércio, com a criação de 44.622 postos de trabalho. O nível de emprego aumentou na construção civil, com a abertura de 17.024 postos. Com a pressão pelo fim da safra de vários produtos, a agropecuária foi o único setor com saldo negativo, eliminando 2.004 vagas no mês passado.

Com ABR

Número representa alta de 21% em relação ao mesmo mês de 2023

Cantu e GP Pneus assinam acordo de fusão

Operações combinadas detêm 12% do setor de reposição de pneus, formando o maior player do mercado latino-americano

A união das companhias representa um faturamento superior a R$ 5 bilhões

A Cantu, líder no mercado de reposições de pneus, formalizou em 22 de outubro um acordo de fusão com a GP Pneus em transação total de R$ 1 bilhão. A união das companhias representa um faturamento superior a R$ 5 bilhões. A combinação das operações detém 12% do setor de reposição pneus e vai posicionar essa proposta de integração entre Cantu e GP Pneus no primeiro lugar do mercado, segundo levantamento de marketshare conduzido pela companhia catarinense. A operação ainda aguarda a conclusão dos trâmites regulatórios e societários, incluindo a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A fusão faz parte do plano estratégico de expansão da companhia. A Cantu, que hoje opera com seis centros de distribuição e 56 filiais no Brasil, passará a contar com mais 117 lojas da GP Pneus para atender o varejo e mais de 40 filiais de atendimento ao atacado. Sua malha logística será reforçada com dois centros de distribuição, que se somam aos atuais da Cantu localizados em Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Pernambuco. “A união com a GP Pneus permitirá que a empresa amplie suas ofertas de serviços, diversificando seu portfólio para incluir uma variedade de soluções automotivas, desde manutenção de veículos até serviços especializados como geometria e balanceamento”, avalia Beto Cantu, CEO da empresa. A aquisição é a quarta, e também a maior, da história da Cantu, que Beto fundou em 2007, quando tinha 24 anos.

A ampliação das marcas comercializadas também está entre os destaques do negócio. Ao portifólio da Cantu, que possui as marcas próprias Speedmax, Itaro e Gripmaster, a GP Pneus vai agregar a distribuição no Brasil para o atacado dos pneus da marca argentina Fate – e pontos de vendas no varejo das tradicionais marcas Pirelli, Bridgestone e Continental. A GP Pneus, com uma história que remonta a 1996, contribui com seu extenso conhecimento e infraestrutura no mercado de reposição de pneus. Os sócios-fundadores da companhia nascida no Rio Grande do Sul chegam à Cantu com uma expertise de décadas no setor de reposição de pneus e terão papel central em toda a cadeia de operações do grupo, do planejamento estratégico à execução, reforçando o investimento da companhia na jornada omnichannel.

“Vamos manter a GP como uma empresa independente, mantendo seus portfólios, clientes e estratégias intactas. As grandes sinergias estão nas capacidades de escala em automação, logística e finanças, além da combinação das estratégias físicas e digitais pra nossa companhia. Vai ser como dizemos na Cantu, e agora também na GP: ‘um navio de oportunidades para os colaboradores de ambas as empresas’. Os três objetivos principais são crescimento, crescimento e crescimento.”, conclui Beto. 

Operações combinadas detêm 12% do setor de reposição de pneus, formando o maior player do mercado latino-americano

Saúde financeira do brasileiro melhora em 2024

Consumidores sentiram menos pressão sobre o orçamento no último ano

Brasileiro está voltando a ter controle sobre os seus gastos após quatro anos de altos e baixos intensos provocados pela pandemia de Covid-19

A saúde financeira dos brasileiros melhorou no último ano. A quarta rodada da pesquisa que mede o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB) elaborado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em cooperação técnica com o Banco Central (BC), mostrou que houve melhora na saúde financeira no país em 2024, com aumento da média geral para 56,7, só atrás de 2020, quando o índice atingiu 57,2 pontos. A pesquisa de campo – a mais ampla já realizada no país sobre o tema – foi realizada entre 15 de maio e 29 de julho e considerou uma amostra de 5 mil entrevistados com idade superior a 18 anos.

O I-SFB mede a saúde financeira das pessoas usando uma escala de 0 a 100 pontos e, de acordo com a pontuação, classifica a pessoa em uma das sete faixas (ou níveis) de saúde financeira que o compõem. Nesta rodada do I-SFB, os resultados apontaram que houve ingresso de pessoas nas faixas “Ótima”, “Muito Boa”, “Boa” e “Ok”, que vivenciam maior bem-estar financeiro, e diminuição nas faixas baixa, muito baixa e ruim, de maior estresse financeiro, indicando melhora no índice geral que mede a saúde financeira. Menos pessoas também disseram vivenciar algum nível de aperto financeiro e dificuldade para pagar contas. Outra informação capturada pelos dados é que os brasileiros sentiram menos pressão sobre o orçamento no último ano: menos pessoas afirmam que os gastos foram maiores que a renda (32,8%). Para 58,6% dos respondentes sobra algum dinheiro com alguma frequência (veja tabela a seguir).

“A nova rodada da pesquisa aponta para uma melhora na saúde financeira do brasileiro, que está voltando a ter controle sobre os seus gastos após quatro anos de altos e baixos intensos, provocados pela pandemia de Covid-19”, afirma Amaury Oliva, diretor executivo de cidadania financeira, autorregulação e relações com o consumidor da Febraban. “O aperto diminuiu, há menos dificuldade para pagar as contas e sobra no fim do mês: o atual cenário traz uma perspectiva otimista sobre as finanças dos brasileiros”, completa o diretor.

O retrato da saúde financeira do brasileiro em 2024 aponta para alguns desafios que ainda precisam ser superados. De acordo com a pesquisa, apenas 32,4% dos entrevistados acreditam que dariam conta de uma grande despesa inesperada, o mesmo porcentual de 2023. Somente 34,5% dos entrevistados dizem que a maneira como cuidam do dinheiro lhes permite aproveitar melhor a vida e 67,2% não têm segurança sobre o seu futuro financeiro. 

Consumidores sentiram menos pressão sobre o orçamento no último ano

SC terá R$ 136 milhões para obras de mobilidade em 11 municípios

Protocolo envolve projeto do túnel imerso no Rio Itajaí-Açu, entre Itajaí e Navegantes

Com investimentos públicos e privados, o Promobis tem o objetivo de aplicar soluções inovadoras para transformar a matriz de deslocamentos na região

O governo de Santa Catarina assume papel relevante no megaprojeto urbano que irá transformar a mobilidade da região dos 11 municípios da Foz do Rio Itajaí (Amfri), o Promobis. O governador Jorginho Mello assinou nesta terça-feira (29) o protocolo de intenções que garante uma contrapartida no total de US$ 24 milhões (R$ 136 milhões na cotação atual) para o projeto do túnel imerso no Rio Itajaí-Açu, entre Itajaí e Navegantes, e outros destaques do projeto de mobilidade integrada. Os recursos deverão custear ações, desapropriações e obras de infraestrutura necessárias à implementação do túnel, que será construído e operado no modelo de parceria público-privada (PPP), além dos demais componentes que compõem o projeto, como o BRT e a implementação de corredores de mobilidade.

Com investimentos públicos e privados, o Promobis tem o objetivo de aplicar soluções inovadoras para transformar a matriz de deslocamentos na região. Os municípios beneficiados com o projeto de mobilidade integrada e sustentável na região da Foz do Rio Itajaí são Balneário Camboriú, Balneário Piçarras, Bombinhas, Camboriú, Ilhota, Itajaí, Itapema, Luis Alves, Navegantes, Penha e Porto Belo. Além do túnel, o projeto contempla outros dois elementos para a mudança de patamar da mobilidade na região, que também terão a garantia de recursos do Estado. São elas o sistema de transporte coletivo regional 100% elétrico (BRT); e a implementação de corredores de mobilidade e obras de resiliência climática em Balneário Camboriú.

Megaprojeto urbano de US$ 342 milhões
Em 2019, o consórcio CIM-AMFRI iniciou uma parceria com o Banco Mundial para desenvolver os estudos de pré-viabilidade econômica do Promobis. Os projetos e a execução do túnel, do transporte coletivo regional, das obras de mobilidade e da capacitação institucional e treinamentos têm investimento total estimado em US$ 342 milhões, com recursos públicos e privados. A previsão é de geração de 11 mil empregos diretos e indiretos na região. “A segurança e a modernização dos modais de transporte são engrenagens fundamentais para o desenvolvimento econômico, logístico e a qualificação da mobilidade urbana em nossas cidades. O projeto de construção do túnel imerso e as demais ações do Promobis são exemplos concretos de obras estruturantes e que têm o potencial de transformar o futuro de Santa Catarina”, disse o secretário Cleverson Siewert, da Fazenda.

O gerente do Promobis no Banco Mundial, Carlos Bellas, definiu a complexidade da sinergia alcançada entre o governo catarinense e o CIM-AMFRI para que as obras se realizem efetivamente. “Vocês têm de estar muito orgulhosos porque, esta organização metropolitana dos prefeitos com apoio do Estado é algo que já se tentou fazer há 30 anos, em São Paulo, no Rio de Janeiro. Mas nunca havia dado certo. E aqui, aconteceu. Este é um modelo de consórcio não só para o Brasil, mas para se exportar. Daqui em diante, o Promobis precisará ser a espinha dorsal do planejamento da mobilidade para cada município da região”, destacou.

Protocolo envolve projeto do túnel imerso no Rio Itajaí-Açu, entre Itajaí e Navegantes

CNI aponta queda de confiança em 18 setores

Otimismo diminuiu nas empresas de médio e grande porte

Esse é o primeiro levantamento da confiança do empresário depois da elevação da taxa Selic

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu em 18 dos 29 setores da indústria, em outubro. Nos 11 segmentos restantes, a avaliação dos industriais subiu. É o que mostra o levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta terça-feira (29). “Esse é o primeiro levantamento da confiança do empresário depois da elevação da taxa Selic, que ocorreu em setembro. A queda disseminada da confiança entre os setores, em outubro, pode refletir essa mudança”, avalia Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI.

Em três dos 18 setores industriais nos quais o ICEI diminuiu, o resultado foi suficiente para que eles regredissem de confiança para falta de confiança. São eles: produtos de minerais não-metálicos; biocombustíveis; e móveis. Com isso, o número de setores otimistas caiu de 26, em setembro, para 23 em outubro. Por outro lado, o setor de serviços especializados para a construção migrou de falta de confiança para confiança, graças à melhor avaliação de seus empresários registrada em outubro. Agora, cinco setores industriais demonstram pessimismo.

No recorte geográfico da pesquisa, a confiança só não recuou na região Norte. Na região Nordeste, diminuiu 1 ponto; no Sul, 0,8; no Centro-Oeste, 0,6; e no Sudeste, 0,5 ponto. Apesar disso, o ICEI de todas as regiões permanece acima da linha divisória de 50 pontos. Nas pequenas indústrias, o ICEI ficou estável (- 0,1 ponto). Já nas médias empresas, o indicador de confiança dos industriais diminuiu 0,7 ponto na passagem de setembro para outubro, enquanto nas grandes, caiu 0,8 ponto.

Otimismo diminuiu nas empresas de médio e grande porte

O galeto conquista todo o Brasil

Jandir Dalberto, empresário e sócio do Di Paolo, relata neste artigo exclusivo o desafio de expandir e escalar marcas enquanto se mantém a qualidade e agrega valor

A alimentação é uma das experiências humanas mais completas que existe. Comer alguma coisa não é apenas mastigar e engolir. Tudo aquilo que ingerimos traz consigo escolhas pessoais, processos culturais, histórias, tradições e relações sociais, às vezes de origens que nem imaginamos. Por isso a gastronomia é uma atividade tão fascinante e enriquecedora — e, ao mesmo tempo, desafiadora.

Praticamente minha vida inteira foi construída dessa forma. Comecei servindo e, hoje, lidero a expansão de uma das redes mais tradicionais da região Sul pelo centro do Brasil. E essa jornada passou por várias dessas culturas que moldam a gastronomia e a forma como nos relacionamos com ela. Nos anos 1980, eu ainda não pensava tanto nisso. Trabalhava na madeireira do meu pai, no interior do Paraná, até que, aos 21 anos, decidi encarar o mundo e buscar minha realização pessoal. Cheguei em São Paulo e recebi a oportunidade de ser garçom no Fogo de Chão.

O lugar já era essa mostra viva da cultura da gastronomia: pegou a tradição do churrasco gaúcho e a espalhou pelo país e pelo mundo. Estava em plena expansão naquele momento. E eu abracei aquela oportunidade para me dedicar, aprender e crescer junto com a rede. Em um ano e meio de trabalho, tornei-me gerente de loja. Depois, virei gerente regional de seis unidades. Após dez anos, eu já tinha dez restaurantes sob minha responsabilidade, como diretor de operações no Brasil. Um crescimento enorme em apenas uma década. Mas não parou por aí. Em 2009, fui promovido a presidente de operações, onde fiquei até 2016. Fiz parte da internacionalização da rede pelos Estados Unidos, onde chegamos a listá-la na Nasdaq. Um passo gigante para aquele jovem que começou como garçom lá em 1987.

Mas a vida dá asas para a gente voar. Que nem um passarinho, que um dia resolve se aventurar e bater suas asas em outros céus e campos — ou então voltar para o ninho. Foi o que fiz em 2016. Depois de tanto tempo viajando, trabalhando, longe da família, decidi que queria ficar mais perto dos meus e experimentar outros horizontes. Fiz uma tentativa pela construção civil, mas aquilo não preenchia minha inquietude. As quase três décadas de gastronomia mostraram o que fazia sentido para mim. O problema era: como retomar? Ao sair, havia assinado um compromisso de não empreender por cinco anos com carne vermelha. E foi num desses voos que surgiu a resposta.

A colonização italiana foi muito forte no Centro-Sul do Brasil e moldou várias das nossas culturas e tradições — incluindo a gastronomia. No entanto, ela teve impactos diferentes em cada região. E apesar de tão presente em São Paulo, o que se servia à mesa aqui não era o mesmo do Rio Grande do Sul.

Na Serra Gaúcha, por exemplo, os colonos italianos trouxeram consigo a tradição das passarinhadas: eram grandes banquetes que tinham como prato principal os pássaros de médio e grande porte capturados nas matas. As festas celebravam a fartura da colheita e os frutos do trabalho. O desenvolvimento da criação de animais foi mudando essa tradição — e os pássaros foram sendo substituídos por pequenos frangos que passaram a receber o “apelido complementar” de al primo canto (ao primeiro canto). A ave, que era um pequeno galo, passou a ser chamada de galeto.

Nascia, aí, o galeto al primo canto. Uma tradição típica dos imigrantes italianos da Serra Gaúcha, que ganhou notoriedade a ponto de render negócios especializados: as galeterias, que têm o galeto como carro-chefe, servidos com outras delícias da culinária da Itália, e que logo se espalharam pelo Rio Grande do Sul. Em São Paulo, alguns estabelecimentos chegaram a oferecer essa iguaria em diferentes momentos. No entanto, a relação dos paulistas com o frango sempre foi da ave assada inteira — uma das redes de alimentação mais tradicionais do estado chama-se, literalmente, Frango Assado. E os próprios imigrantes cultivaram outros hábitos na região, como as massas e a pizza – algumas das melhores pizzarias do mundo, inclusive, ficam na metrópole paulista.

Embora já conhecesse o galeto, o conceito do galeto al primo canto e a sequência típica da culinária de imigração italiana só me foram apresentados em uma viagem a Porto Alegre. Naquela ocasião, visitei o Di Paolo do Boulevard Laçador, onde almocei e imediatamente me encantei por aqueles pratos.

A história do Di Paolo e do Paulo Geremia, seu fundador e líder, também me eram familiares, embora nunca tivéssemos uma proximidade. O que não imaginava era a quantidade de similaridades que encontraria: ambos crescemos e aprendemos tudo o que sabíamos num restaurante. Ambos começamos como garçons e nos tornamos empreendedores no setor gastronômico. Ambos eram e são apaixonados pelo que fazíamos – e fazemos. E com desejo de ir além.

Aproximamo-nos e logo estabelecemos uma sintonia que, depois, se tornaria sociedade. Propus ao Paulo a expansão do Di Paolo em São Paulo — o que era seu desejo também, mas faltava alguém para liderar esse trabalho. Em pouco tempo, o acordo estava selado e começava um novo capítulo na minha jornada — e que se tornou um dos maiores e mais incríveis desafios. Nosso propósito não era apenas vender galeto na maior metrópole da América Latina. Era oferecer um conceito por completo. Uma experiência que aproximasse o público do que era desfrutar da culinária típica dos imigrantes italianos da Serra Gaúcha, com a mesma artesanalidade e qualidade que os colonos colocavam em cada prato de comida no princípio do século 20.

Um prato que foi aprimorado pelo Di Paolo, seguindo a receita original da família Peccini, que criou a primeira galeteria do país, em Caxias do Sul, mas com novos temperos e modos de preparo. Isso levou a uma receita única, que se complementa com toda a sequência de maneira singular. 

Nossa primeira loja, em São Paulo, foi na Avenida dos Bandeirantes, um ponto de alto fluxo e de enorme visibilidade para a marca

Mas se no Rio Grande do Sul não precisamos de mais delongas para explicar o galeto e sua sequência, em São Paulo a história era diferente. Alguns veriam o galeto como um frango barato e simples que se vende em padaria. Também não era a mesma coisa que você encontraria na Mooca ou em outros bairros de forte identidade italiana. Era preciso apresentar a experiência completa do galeto al primo canto, como da Serra Gaúcha, que agora poderia ser degustada em qualquer lugar — e com aquele mesmo gosto e qualidade. Toda a implementação foi acompanhada por um intercâmbio que permanece até hoje entre nossas unidades de outros estados com as do Rio Grande do Sul: churrasqueiros, garçons e nutricionistas do Rio Grande do Sul treinam o time. O galeto vem do mesmo fornecedor no estado, enquanto as massas, molhos e acompanhamentos são feitos em São Paulo, mas sob um rígido padrão de qualidade.

Nossa primeira loja, em 2017, foi na Avenida dos Bandeirantes, um ponto estratégico de alto fluxo que se conecta ao Aeroporto de Congonhas e às marginais, trazendo uma enorme visibilidade para a marca. O maior desafio, naquele momento, foi apresentar o conceito a um público que ainda não o conhecia. Com algumas adaptações no menu, como inserção de outras carnes, sobremesas e pratos, logo o êxito começou a se estabelecer — e o paulistano encontrou, perto de si, um pedaço da Serra Gaúcha e da sua cultura. Dois anos depois, chegamos ao bairro de Pinheiros, onde começamos a consolidar nossa expansão. Mas logo após a inauguração da terceira, no shopping Lar Center, veio a pandemia. A crise sanitária nos obrigou a segurar investimentos, mas acelerou nossa inovação: com a implementação rápida do delivery, garantimos a prestação dos serviços, levando para dentro da casa dos paulistas a qualidade do que fazemos.

Após o período mais agudo, demos início a um rebranding da marca, conectando-a definitivamente à sua identidade histórica e cultural da culinária da imigração italiana. Renovamos do layout das lojas às pratarias das mesas, estabelecendo um ambiente agradável, aconchegante e sem deixar nada a desejar diante das grandes marcas mundiais. Hoje, o galeto al primo canto, além de marca registrada da imigração italiana na Serra Gaúcha, é um sucesso também no centro do país. Já são seis unidades em São Paulo, sendo três endereços na capital paulista e mais três no interior (em São José dos Campos, Sorocaba e Campinas). Temos a expectativa de inaugurar outras dez casas em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, num investimento de mais de R$ 25 milhões pelos próximos anos.

Mais do que um negócio, é uma experiência completa. Uma viagem aos tempos dos colonos, às suas culturas e tradições, por meio dos sentidos. Cada sequência é uma oportunidade de conhecer um pouco do que os próprios imigrantes consumiam – e que moldaram a forma como uma região inteira passou a vivenciar em termos de alimentação. A passarinhada que virou galeto — e que deu asas a um empreendimento nascido das mãos de um visionário como Paulo Geremia, com quem tive a alegria de me encontrar, associar e hoje, também, ser parte deste sonho, que deu novo sentido à minha vida pessoal e profissional.

Pelo alimento, perenizamos essa tradição histórica, geramos experiências únicas e contribuímos para o desenvolvimento de milhares de famílias pelo Brasil. Por isso tudo, a gastronomia é tão fascinante.

Esse conteúdo integra a edição 347 da revista AMANHÃ, publicação do Grupo AMANHÃ. Clique aqui para acessar a publicação online, mediante pequeno cadastro.

Jandir Dalberto, empresário e sócio do Di Paolo, relata neste artigo exclusivo o desafio de expandir e escalar marcas enquanto se mantém a qualidade e agrega valor