Archives Setembro 2024

Coalizão de indústrias afirma que “práticas predatórias” ameaçam investimentos

Na avaliação do grupo, a indústria brasileira está sob ataque

Importações vindas de países com “práticas predatórias” de comércio ameaçam investimentos para as empresas nacionais de, aproximadamente, R$ 826 bilhões até 2027

A Coalizão Indústria, uma associação de 14 entidades empresariais, alertou que importações vindas de países com “práticas predatórias” de comércio ameaçam investimentos para as empresas nacionais de, aproximadamente, R$ 826 bilhões até 2027. Já a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), uma das integrantes do grupo, prevê um déficit de US$ 135 bilhões no saldo da balança comercial brasileira em 2024. Em nota, o agrupamento das entidades, responsável por 43% do PIB industrial com empresas dos setores de construção civil, transformação e comércio exterior, aponta que “as transformações geopolíticas no pós-pandemia e a necessidade de escoar gigantesco excesso de capacidade instalada de produção acentuaram fluxos de produtos vindos desses países, agravando o ataque aos mercados internos”.

Na avaliação da coalização, a indústria brasileira está “sob ataque”. O dirigente Marco Polo de Mello Lopes, coordenador da Coalização, exemplificou com o caso da China. “Em função do que estamos chamando de invasão chinesa, que são importações predatórias provenientes da China, vivenciamos uma política de estado que tem como objetivo escoar o gigantesco excesso de capacidade ociosa da produção que existe naquele país. E para esse objetivo, todas as condições são buscadas, como redução de preços, exportações com margens negativas, trazendo todo este estrago que nós estamos vivenciando aqui. De novo, a indústria está sob ataque”, reiterou.

Para Mello Lopes, o governo deve tomar medidas estratégicas dentro das regras de comércio exterior para enfrentar o “ataque”, como fizeram outros países. Ele ressaltou que os investimentos sob risco de suspensão são imprescindíveis para o crescimento do país de forma “sustentada e sustentável no longo prazo”, não sendo “passíveis de reposição por outros segmentos econômicos, setor público ou outros países exportadores”. A Coalização Indústria foi criada em 2018, apresenta-se como apartidária e representante de 13 setores da indústria. São áreas da economia do país que respondem por 57% das exportações de manufaturados, gerando 37 milhões de empregos diretos e indiretos e respondem pelo pagamento anual de R$ 264 bilhões em tributos.

Com ABR

Na avaliação do grupo, a indústria brasileira está sob ataque

População ocupada bate novo recorde

Taxa de desocupação recua para 6,6%

Número de trabalhadores no comércio bate novo recorde, chegando a 19,5 milhões

A taxa de desocupação caiu para 6,6% no trimestre de junho a agosto de 2024, recuando 0,5 ponto percentual frente ao trimestre de março a maio de 2024 (7,1%) e caindo 1,2 ponto percentual ante o mesmo trimestre móvel de 2023 (7,8%). Essa foi a menor taxa para um trimestre encerrado em agosto na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE, iniciada em 2012. A população desocupada caiu para 7,3 milhões, o menor número de pessoas procurando trabalho desde o trimestre encerrado em janeiro de 2015. Esse contingente mostrou reduções significativas nas duas comparações: no trimestre, a população desocupada diminuiu 6,5%, o que significa menos 502 mil pessoas buscando trabalho. Frente ao mesmo trimestre móvel de 2023, a redução foi mais intensa (-13,4%): menos 1,1 milhão de pessoas em busca de uma ocupação.

O número total de trabalhadores do Brasil bateu novo recorde, chegando a 102,5 milhões. Na comparação trimestral, a população ocupada do país cresceu 1,2%, ganhando mais 1,2 milhão de trabalhadores. Frente ao mesmo trimestre móvel do ano passado, esse contingente cresceu 2,9%, o equivalente a mais 2,9 milhões de pessoas. Para a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, “a baixa desocupação reflete a expansão da demanda por trabalhadores em diversas atividades econômicas, levando a taxa de desocupação para valores próximos ao de 2013, quando esse indicador estava em seu menor patamar”.

Os empregados do setor privado chegaram a 52,9 milhões, maior contingente da série. Num trimestre, a ocupação do setor cresceu 1,7%, o que equivale a mais 882 mil postos de trabalho. Na comparação anual, a alta foi de 4,9%, ou 2,5 milhões de trabalhadores a mais no setor. Mais uma vez, o setor privado teve recordes no número de empregados com carteira de trabalho assinada (38,6 milhões) e no contingente dos sem carteira de trabalho (13,2 milhões). No trimestre, o comércio impulsionou a ocupação, com alta de 1,9% no trimestre, ou mais 368 mil novos trabalhadores para a população ocupada do país. O setor está com seu maior contingente na série histórica da PNAD Contínua: 19,5 milhões de trabalhadores. Os demais grupamentos de atividade não tiveram variações significativas na comparação trimestral.

Os empregados do setor público chegaram ao recorde de 12,8 milhões, com altas de 1,8% (mais 221 mil pessoas) no trimestre e de 4,3% (mais 523 mil pessoas) no ano. Essa alta vem sendo puxada pelo grupo dos servidores sem carteira assinada, que cresceu 4,5% no trimestre e 6,6% no ano, enquanto o grupo dos militares e servidores estatutários, que precisam ser aprovados em concursos públicos, ficou estável nas duas comparações. “Embora não seja o seu maior contingente, o grupo dos empregados sem carteira assinada no setor público é o que mais tem contribuído para a expansão do total de empregados deste segmento Esses trabalhadores nem são estatutários nem são considerados trabalhadores com carteira, nos moldes da CLT. Eles têm um predomínio maior na educação fundamental, que é provida pelas prefeituras nas escolas municipais. São contratos temporários, muitas vezes regidos por lei específica”, explica Adriana.

Taxa de desocupação recua para 6,6%

Soluções para o país inteiro

Chamadas públicas da Agência Nacional de Energia Elétrica fazem com que a CGT Eletrosul encontre inventos que podem ser utilizadas em todo o Brasil

Com investimento de R$ 6,6 milhões, a iniciativa prevê a implantação de um gasoduto com 11 quilômetros para o biogás canalizado em Itapiranga

Frequentemente a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abre chamadas públicas para buscar soluções envolvendo o setor. Desse modo, todos os interessados podem enviar suas propostas. Foi assim que a CGT Eletrobras venceu um dos editais para inserir energia a partir de biogás oriundo de resíduos e efluentes líquidos na matriz brasileira. A chamada, lançada em julho de 2012, está dando forma final ao projeto de biogás em Itapiranga, cidade localizada no Oeste de Santa Catarina, conhecida pela vocação agropecuária. Com investimento de R$ 6,6 milhões, a iniciativa prevê a implantação de um gasoduto com 11 quilômetros para o biogás canalizado, uma mini central termoelétrica e uma subestação para conexão à rede de distribuição primária da concessionária local, além de 11 biodigestores. A iniciativa atende aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, priorizados pela companhia catarinense.

O processo de biodigestão gera uma série de subprodutos com alto potencial comercial, como gás carbônico, biochar [termo de origem inglesa, que designa o carvão vegetal empregado para correção de solo] e biofertilizante. Além disso, estima-se que a energia elétrica produzida reduzirá os custos dos produtores rurais. Após conclusão das obras e comissionamento, a pesquisa prevê monitoramento da operação da infraestrutura construída durante um ano, a fim de identificar padrões tecnológicos e modelos de negócios mais aplicáveis ao contexto brasileiro. A unidade deverá receber a licença ambiental para operação ainda neste segundo semestre, entrando em operação até o início de 2025. No ano seguinte, está prevista a realização da cessão não onerosa da infraestrutura aos produtores rurais locais.

“Como o Brasil é um país com foco no agronegócio, acredita-se que, utilizando apenas um percentual das propriedades produtoras, já podemos aumentar consideravelmente a oferta de energia elétrica e gases”, projeta Bruno Lisboa, engenheiro de Pesquisa & Desenvolvimento da CGT Eletrosul. Para ele, o projeto trouxe muitos aprendizados. “Com esse projeto, foi possível vislumbrar o potencial de geração de biogás no Brasil, mas principalmente criar marcos para poder implementar condomínios energéticos, interligando produtores com uma geração centralizada”, resume ele, que também é especialista em energias renováveis e engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Lisboa conta ainda que o projeto de biogás terá um estudo complementar, após a entrada em operação da usina, para avaliar a eficiência e vantagens econômicas em se gerar energia a partir do biogás, refinar o biogás para obter biometano ou ainda transformar o gás em hidrogênio. Isso deverá ser feito em conjunto com universidades, por exemplo. A CGT Eletrosul tem convênios com diversas faculdades e centros de pesquisa, como a própria UFSC, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Anualmente, a empresa tem investido 1% da sua receita operacional líquida, totalizando uma média de R$ 20 milhões nos últimos cinco anos. Nos dois últimos anos, porém, esse valor foi maior: R$ 25 milhões.

A companhia também incentiva a inovação. No final do ano passado, a Eletrobras lançou o Polo Sul do Innovation Grid, plataforma de conexão da empresa com os maiores ecossistemas de inovação do Brasil. O primeiro polo foi implantado em Florianópolis (SC), onde está localizada a sede da subsidiária Eletrobras CGT Eletrosul. Outros três polos serão ainda instalados em diferentes regiões da área de atuação da empresa. O Innovation Grid convida startups, empreendedores, estudantes, universidades e centros de pesquisa para que se conectem à Eletrobras. O edifício-sede da Eletrobras CGT Eletrosul foi transformado em hub do Innovation Grid para receber as instalações de startups parceiras da iniciativa. O Polo Sul do Innovation Grid surge como um facilitador para conectar startups e atores do ecossistema catarinense aos especialistas dos centros de excelência, de pesquisa, desenvolvimento e inovação e de todas as áreas de negócio da Eletrobras. Especialidades e demandas de Inteligência Artificial (IA), ciência de dados, indústria IoT, robotização e automação e tecnologias deeptech aplicadas ao setor elétrico estarão ao alcance das startups selecionadas, acelerando entregas de valor criadas em conjunto. Um levantamento da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) e da Accenture aponta Santa Catarina como o estado com a maior concentração de startups do país, considerando o número de habitantes.

A plataforma Innovation Grid conta com três módulos que fortalecem a interação da maior empresa de energia elétrica da América Latina com startups, empresas de base tecnológica, institutos de pesquisa, universidade e hubs de inovação. O PowerUp é o módulo que busca solucionar desafios internos através de soluções maduras disponíveis no ecossistema de inovação. Já o Spark estimula que estudantes de graduação e pós-graduação de instituições de ensino proponham e desenvolvam novas soluções. O Tech Partnerships, por sua vez, estabelece parcerias técnico-científicas para o desenvolvimento de tecnologias de alto impacto.

Esse conteúdo integra a edição 347 da revista AMANHÃ, publicação do Grupo AMANHÃ. Clique aqui para acessar a publicação online, mediante pequeno cadastro.

Chamadas públicas da Agência Nacional de Energia Elétrica fazem com que a CGT Eletrosul encontre inventos que podem ser utilizadas em todo o Brasil

Banco Central eleva de 2,3% para 3,2% a projeção do PIB no ano

Consumo das famílias e investimentos produtivos puxam a elevação

Segundo o relatório do BC, o crescimento do PIB no segundo trimestre surpreendeu positivamente

O Banco Central (BC) elevou de 2,3% para 3,2% a projeção de crescimento do PIB neste ano. A informação é do relatório de inflação trimestral do BC divulgado nesta quinta-feira (26). O consumo das famílias e dos investimentos produtivos foram os principais responsáveis pela mudança no principal indicador da economia. O BC destaca que as altas no consumo das famílias, nos investimentos e nos setores mais cíclicos da economia já vinham sendo registrados nos trimestres anteriores deste ano.

Segundo o relatório, o crescimento do PIB no segundo trimestre de 2024 surpreendeu positivamente. “A atividade econômica brasileira segue mostrando dinamismo, levando a uma nova rodada de revisão para cima das projeções de crescimento no ano”. O crescimento “robusto” da economia no segundo trimestre de 2024 contribuiu para o índice positivo, de acordo com a autoridade monetária. “A alta do PIB de 3,3% ante o segundo trimestre de 2023 superou amplamente as expectativas vigentes à época do Relatório anterior, quando a mediana das previsões no relatório Focus era 1,6%”, explica o BC. A pasta da Fazenda também elevou a projeção para o mesmo nível tendo por base a surpresa positiva do PIB entre abril e junho.

Inflação
A expectativa de inflação para este ano registrou alta, segundo o relatório do BC. Passou 3,96%, no último relatório, para 4,31%, abaixo dos 4,37% esperados pelo Focus. O aumento se deve, segundo o BC, ao impacto da crise climática que encareceu produtos agrícolas e bens industriais. As dificuldades impostas à produção pela seca em várias regiões do país devem manter a pressão inflacionária. Segundo o relatório, a seca “pode atrasar o plantio da safra de verão, comprometendo o cultivo da safra de inverno no período ideal”. Além disso, o clima de seca e calor contribuem para o aumento das tarifas de energia, impactando na inflação, de acordo com o BC. “As chuvas abaixo do padrão e as temperaturas mais elevadas também ameaçam as tarifas de energia com aumentos”, argumenta o BC.

Com ABR

Consumo das famílias e investimentos produtivos puxam a elevação

Hiato do produto, núcleo de inflação, taxa neutra…

Entenda os termos usados com frequência nas comunicações do Banco Central

As atas e comunicados do Copom são repletas de termos técnicos e difíceis de entender

Quem quer entender as decisões sobre a Selic tomadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), pode se deparar com uma barreira: a linguagem. As atas e comunicados são repletas de termos técnicos e difíceis de entender. “Sou crítico da forma como a ata é feita. Ela deveria ter linguagem acessível para a população, para que as pessoas entendam”, avalia o professor Arnóbio Durães, da FIA Business School. Para que você entenda, o Portal AMANHÃ, em parceria com a B3, reuniu alguns dos termos que mais causam dúvidas. Confira.

Horizonte relevante
Para entender o que é horizonte relevante, é preciso saber que o nível atual de taxa de juros demora a ter seu total efeito na economia, na prática. Ou seja, se o Copom eleva a Selic, o impacto dessa alta só será sentido mais à frente. “Portanto, horizonte relevante é esse período futuro em que as decisões terão efeito significativo na economia e na inflação”, afirma Durães.

Desancoragem das expectativas
Um dos elementos que o Copom observa para projetar a inflação à frente é como estão as expectativas de qual será a inflação no futuro. Esse “termômetro” é sentido, em especial, pelo boletim Focus, que coleta as projeções do mercado sobre a inflação futura. Quando alguém afirma que as expectativas estão desancoradas, significa que as expectativas para a inflação no horizonte relevante estão acima da meta estabelecida. Um dos problemas dessa desancoragem é que quando as expectativas apontam para uma aceleração da inflação à frente, esse movimento pode se refletir em uma aceleração da inflação hoje, num círculo vicioso. “No cenário atual do Brasil, temos uma desancoragem das expectativas da inflação, que estão subindo e se afastando da meta determinada, o que impacta as decisões de reajuste de preços e pode resultar no aumento da inflação corrente”, explica Maria Giulia, analista de research da Rico.

Convergência das expectativas
Quando o Banco Central fala sobre a convergência das expectativas, se refere a uma aproximação da expectativa de inflação com a meta de inflação. Se as expectativas estão convergindo para a meta, isso significa que o cenário está se encaminhando para a ancoragem das expectativas, um dos objetivos do BC para entregar a inflação mais próxima da meta.

Hiato do produto
“Esse conceito se refere à diferença entre o PIB real – aquilo que é efetivamente produzido pela economia – e o produto potencial, que é o nível máximo de produção que a economia pode sustentar sem gerar pressões inflacionárias”, ensina Durães. Se o hiato é positivo, significa que a economia “está operando acima de sua capacidade máxima, representando uma economia aquecida e indicando pressão inflacionária adiante”, explica Giulia. Por isso que o BC fica de olho nessa medida. “Por outro lado, quando o hiato do produto é negativo, quer dizer que nem todo o potencial da economia está sendo utilizado, por exemplo, em um cenário em que há um alto desemprego e a demanda por produtos é baixa”. Também vale dizer que, enquanto o PIB é uma variável que pode ser medida (e é calculada trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB potencial não é uma variável observável, mas é fruto de uma estimativa.

IPCA cheio/índice cheio
É comum ler esse termo em análises sobre a inflação ou, mais especificamente, do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a medida oficial de inflação do Brasil. Quando alguém cita “IPCA cheio”, está se referindo ao número total do IPCA, ou seja, o resultado geral do indicador. É o número que aparece quando as manchetes dizem: IPCA em setembro é de 0,13%. Fala-se em “IPCA cheio” porque o próprio índice é composto por algumas divisões em grupos, como alimentação e bebidas, habitação, transportes, vestuário, educação e comunicação. Há também a possibilidade de fazer outros recortes no índice geral, como estimar a inflação de serviços, por exemplo.

Inflação subjacente/núcleo de inflação
A inflação subjacente, ou núcleo de inflação, é uma medida que busca excluir do índice cheio os preços de produtos que são muito voláteis por alterações sazonais ou eventos climáticos, como alimentos in natura. Isso é feito para entender a tendência dos preços que são mais afetados pela política monetária. “Dessa forma, ao olhar para o núcleo de inflação, o Banco Central consegue ter uma visão mais clara sobre as alterações dos preços mais relacionadas ao ciclo econômico, tendo clareza quanto às tendências de inflação da economia, possibilitando tomar melhores decisões de política monetária em busca do equilíbrio dos preços e da inflação”, detalha Giulia. Ela lembra, entretanto, que o Banco Central não utiliza o núcleo de inflação para apuração da meta, e sim a inflação cheia.

Curva de juros futura
A Selic, que é determinada pelo Copom, é uma taxa de juros de curto prazo. Para determinar as taxas cobradas em empréstimos mais longos, no entanto, as instituições financeiras olham para a expectativa do mercado com relação à taxa de juros no futuro. Essas expectativas formam um gráfico – chamado de curva de juros, ou curva DI – e representa a taxa média em que os agentes estão dispostos a emprestar seu dinheiro em diferentes prazos. Assim, quando o Copom altera a Selic, ele está mexendo no “ponto de partida” dessa curva de juros. As expectativas nos prazos mais longos, então, são ajustadas de acordo com essa mudança. Além da Selic atual, a estrutura da curva de juros depende de fatores como expectativas de inflação, expectativas quanto às próximas decisões do Copom, fatores macroeconômicos, e a confiança do mercado nos membros do próprio Copom. Por essa razão, é muito importante acompanhar a curva de juros, pois ela permite que os investidores tenham uma noção do rendimento que eles podem esperar em determinadas aplicações no futuro.

Cenário de referência
O cenário de referência é aquele utilizado por economistas para fazer projeções futuras, considerando as situações que pensam ser mais prováveis de acontecer. Para hipóteses de um cenário mais otimista ou pessimista, utiliza-se o termo “cenário alternativo”.

Assimetria altista/baixista no balanço de riscos
Quando o Copom vai tomar sua decisão sobre qual será a taxa de juros, seus membros fazem um balanço de riscos. Ou seja, elencam quais são os riscos que podem fazer a inflação subir ou cair no horizonte relevante. Quando os comunicados falam em assimetria, isso quer dizer que um desses dois lados (de alta ou de baixa da inflação) está “pesando mais”. “Por exemplo, quando temos um cenário de inflação com assimetria altista, isso quer dizer que as chances de a inflação ficar mais pressionada são maiores do que ela se manter no patamar atual. No cenário oposto, a assimetria baixista indica que há mais riscos de baixa para a inflação”, ensina Giulia.

Política monetária contracionista/expansionista e taxa neutra
“Política monetária é o nome dado ao conjunto de ações determinadas e implementadas pelo Banco Central para gerenciar a ‘quantidade de dinheiro’ em circulação na economia e o custo do dinheiro (taxa de juros)”, explica a analista da Rico. No Brasil, o principal instrumento de política monetária que o Banco Central utiliza é a taxa Selic. Quando alguém declara que a política monetária está expansionista, quer dizer que o nível de juros está baixo, com o objetivo de estimular a economia. Por outro lado, quando a política monetária é contracionista, seu objetivo é desaquecer a economia e reduzir o ritmo de alta de preços. Além disso, há a possibilidade de uma política monetária neutra, “quando se busca manter a estabilidade dos preços, sem aquecer ou desaquecer a economia”, diz Giulia. A taxa de juros neutra pode ser estimada de acordo com algumas características de cada economia. Assim como o PIB potencial, no entanto, é uma medida estimada.

Com Redação da B3

Entenda os termos usados com frequência nas comunicações do Banco Central

Porto Alegre divulga relatório final do plano de ação climática

Objetivo é garantir que a cidade esteja preparada para possíveis eventos extremos

Inundações, tempestades, deslizamentos, ondas de calor, secas e vetores de arboviroses foram apontados como as seis principais ameaças para a capital gaúcha

A prefeitura de Porto Alegre divulgou nesta quinta-feira (26) o relatório final do plano de ação climática, um documento que reúne 30 ações de mitigação e adaptação para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e fortalecer a resiliência. O principal objetivo é garantir que a cidade diminua os níveis de poluição e esteja preparada para possíveis eventos extremos. Inundações, tempestades, deslizamentos, ondas de calor, secas e vetores de arboviroses foram apontados como as seis principais ameaças para a capital pela análise de risco e vulnerabilidade climática. A partir daí, foram desenvolvidas 30 medidas concretas com metas de mitigação e de adaptação social, econômica, ambiental e territorial da cidade aos efeitos das mudanças climáticas. Entre elas estão a implementação de sistemas de alerta para riscos, a elaboração de um plano de contingência para ondas de calor, o incentivo à transição energética do transporte, melhoria do reuso da água, da coleta e separação de resíduos, incentivo à arborização adaptada às novas condições climáticas e educação ambiental.

Treze ações já estão em andamento, por meio do escritório de reconstrução e adaptação climática. Uma delas, a contratação de serviços para monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico de Porto Alegre, e emissão de alertas e boletins informativos teve a abertura da licitação publicada no Diário Oficial. Também já estão em andamento a elaboração do plano de preparação e mitigação de desastres climáticos e atualização do plano de contingência, a instalação de dez sensores e dez réguas para alerta de riscos, a contratação do monitoramento da qualidade do ar, a ampliação da arborização e áreas de sombreamento, principalmente nas áreas mais vulneráveis aos efeitos de onda de calor, o cultivo de espécies da flora nativa resilientes à mudança do clima nos viveiros municipais, entre outros. As 13 iniciativas somam R$ 25 milhões em investimento.

Cooperação técnica
O plano de ação climática é fruto de uma cooperação técnica entre a Prefeitura de Porto Alegre e o Banco Mundial, firmada durante a Conferência Mundial pelo Clima (COP27). Essa parceria viabilizou a contratação de uma consultoria técnica formada pela WayCarbon, em consórcio com o Iclei América do Sul, Ludovino Lopes Advogados e Ecofinance Negócios. Agora o relatório final será transformado num projeto de lei a ser apreciado pela Câmara de Vereadores.

Uma área de 300 metros quadrados na sede da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) foi reformada e adequada para funcionar como espaço de monitoramento climático e gestão de contingências. O objetivo principal é proporcionar um local adequado, de forma a evitar que as rotinas administrativas do município sejam interrompidas em casos de desastres naturais. O centro de monitoramento possibilitará a realização de debates e reuniões estratégicas para elaboração de políticas públicas da cidade, incluindo as principais pautas do escritório de reconstrução e adaptação climática, que coordena ações de reconstrução da infraestrutura, adaptação às mudanças climáticas e mitigação dos impactos sociais, ambientais e econômicos das enchentes.

Objetivo é garantir que a cidade esteja preparada para possíveis eventos extremos

Financiamentos do BRDE geram mais de 53 mil empregos em um ano

Estudo aponta impactos socioambientais das operações do banco nos estados onde atua

O estudo foi desenvolvido a partir do volume de liberações de recursos realizado em 2022, quando o BRDE chegou a R$ 3,9 bilhões em novos financiamentos

Para medir a geração de novos empregos e a contribuição no comportamento da economia a partir dos seus financiamentos, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) recorreu a um cálculo inédito sobre os impactos socioeconômicos das operações realizadas nos estados onde atua. O estudo apontou que os investimentos apoiados pelo BRDE foram capazes de gerar 53.884 novos postos de trabalho ao longo de um ano e contribuíram, no mesmo período, em R$ 591,46 milhões na arrecadação de ICMS, principal tributo estadual e que é compartilhado com todos os municípios.

O estudo foi desenvolvido a partir do volume de liberações de recursos realizado em 2022, quando o BRDE chegou a R$ 3,9 bilhões em novos financiamentos. Realizado pela equipe técnica da diretoria de planejamento do banco, em parceria com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o levantamento utilizou a matriz insumo-produto brasileira e estabeleceu parâmetros para os impactos diretos, indiretos e induzidos (efeito-renda) nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, que são acionistas do banco, e do Mato Grosso do Sul, bem como dos reflexos na economia no restante do país.

Para o diretor-presidente do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior, os resultados demonstram que os investimentos financiados trazem efetivo impacto ao desenvolvimento econômico de todo o Sul do país. “Essa correlação do volume de operações com empregos e a geração de riqueza indicam que nossas operações têm um papel estratégico. Mas se considerarmos que agora o banco já se aproxima dos R$ 6 bilhões de novas contratações por ano, significa que os impactos são ainda mais importantes”, frisou. Ele salienta, também, que o cálculo dos impactos econômicos das operações ganha em relevância na medida que mais de 80% das contratações do BRDE estão alinhadas aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Ou seja, impactamos na economia e na sustentabilidade”, acrescentou o presidente. O levantamento concluiu que a massa de remuneração a partir dos financiamentos realizados em 2022 ficou em R$ 1,5 bilhão.

Impacto regional
Através da metodologia utilizada, o trabalho aponta que há uma relação quase direta dos financiamentos com o Valor Adicionado, que no mesmo ano chegou a R$ 3,76 bilhões. O número indica a riqueza gerada e tem peso relevante no cálculo do PIB de cada estado. “Com a crescente diversificação das suas fontes de recursos, o BRDE vem intensificando sua presença em projetos estruturantes para a nossa economia, desde a cadeia do agro, passando pela inovação e investimentos para a transição energética. Neste sentido, o estudo sobre os impactos socioeconômicos oferece subsídios importantes na hora de aprovar uma operação e indica que estamos no caminho certo”, avalia o diretor de Planejamento do banco, Leonardo Busatto. O estudo aponta que, considerando apenas os impactos nos quatros estados que integram o Codesul (sem os impactos externos ao grupo de estados), o número de empregos diretos e indiretos chega a 46.304 postos, com impacto de R$ 3,1 bilhões no PIB e R$ 503,6 milhões na arrecadação de ICMS.

Estudo aponta impactos socioambientais das operações do banco nos estados onde atua

Hidrelétricas têm potencial de aumentar capacidade no Brasil

Projeção da Abrage inclui ampliação e modernização de usinas atuais, além de novos empreendimentos

Brasil tem projetos em estudo para construção de 42 novas hidrelétricas

O Brasil tem potencial para aumentar sua capacidade de geração de energia a partir de hidrelétricas em 86,4 GW (gigawatts). Trata-se de um ganho de 79% ante a potência instalada de 109 GW que o país possui atualmente. A projeção foi feita pela Associação Brasileira de Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage). Esse cenário inclui a ampliação e modernização das centrais hidrelétricas atuais, além da viabilização ambiental de novas construções que estão em estudo e da adoção do modelo de usinas reversíveis no país. Só com o aprimoramento das geradoras existentes, seria possível uma adição de 18,4 GW de capacidade. 

O estudo da entidade leva em conta a adoção de usinas reversíveis no país, seja em hidrelétricas existentes ou novas. Elas funcionam como baterias naturais, com maior capacidade de armazenamento de água. Pelo modelo, há dois reservatórios, um superior e outro inferior, conectados e geralmente menores que uma usina tradicional no Brasil. As projeções também consideram apenas as usinas hidrelétricas, ou seja, aquelas de grande porte. De acordo com a diretora-presidente da Abrage, Marisete Dadald Pereira, o uso desse potencial ajudaria a dar confiabilidade ao sistema elétrico no futuro em episódios de seca como o atual.

No caso dos 7,4 GW que podem ser adicionados com investimentos em 14 usinas, Marisete explica que são projetos que podem competir no próximo leilão de reserva de capacidade na forma de potência. O certame, que deve ocorrer até o início de 2025, contrata a potência de usinas que ficam como backup do sistema, sendo acionadas nas horas de maior pico de demanda. O leilão terá, pela primeira vez, a contratação de hidrelétricas. Em 2021, o leilão só contratou térmicas. Segundo Marisete, as usinas hídricas são confiáveis para essa entrega de potência mesmo durante a seca, uma vez que ainda são as que mais seguram o fornecimento nos horários de pico – juntamente com as termelétricas.

As hidrelétricas, que são usinas de energia renovável, vêm perdendo espaço na matriz elétrica brasileira para outras fontes renováveis, sobretudo a eólica e a solar. No entanto, essas novas tecnologias são intermitentes, instáveis e só geram em alguns horários, de acordo com a Abrange. As hidrelétricas, por outro lado, têm geração firme, sobretudo aquelas com grandes reservatórios, que ficam menos suscetíveis a grandes períodos de estiagem. Para o CEO da Enercons, engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, a carga no sistema elétrico que essa nova unidade industrial vai acrescentar não poderá ser sustentada por geração solar, altamente influenciada por dias nublados, chuvosos e pelo inexorável horário depois das 16 horas, quando o sol vai se pondo.”Só fontes hidrelétricas ou termelétricas podem suprir cargas como essa, pois são permanentes. Resta saber se o Ministério de Minas e Energia vai preferir gerar energia elétrica com água nacional, ou com derivados de petróleo importados, caríssimos e poluentes” comentou o executivo da empresa especializada em energia renovável sediada em Curitiba.

Para o futuro, a Abrage vê espaço para os projetos de repotenciação também participarem dos leilões de potência. Já para as usinas reversíveis, a entidade defende que o leilão de armazenamento, que vem sendo estudado pelo governo, inclua as hidrelétricas reversíveis além das baterias químicas acopladas a fontes intermitentes. A Abrage representa 23 empresas geradoras que respondem por 90% da capacidade hidrelétrica do Brasil. Dentre elas, estão Itaipu Binacional, Eletrobras e Norte Energia.

Projeção da Abrage inclui ampliação e modernização de usinas atuais, além de novos empreendimentos

Setembro marca o retorno da confiança à indústria gaúcha

Segunda alta seguida coloca o índice no maior patamar desde outubro de 2022

A volta da confiança foi influenciada pela recuperação da atividade industrial após as enchentes de maio

O Índice de Confiança do Empresário Industrial gaúcho (ICEI-RS) cresceu 3 pontos em setembro passando para 52 pontos e superando a marca de 50 pela primeira vez desde abril deste ano. O resultado, apresentado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), demostra que a indústria voltou a ter confiança. “A volta da confiança dos empresários gaúchos foi influenciada pela recuperação rápida e surpreendente da atividade industrial no Rio Grande do Sul após as enchentes de maio e pelo aquecimento da economia. Porém, a confiança ainda é muito baixa. Além dos efeitos perenes da calamidade climática, agravados pela demora na chegada dos recursos e pela insuficiência das medidas tomadas, ainda há pessimismo com relação ao futuro da economia brasileira devido à continuidade das incertezas decorrentes das questões fiscais do país e à perspectiva de aumento das taxas de juros”, destaca Claudio Bier, presidente da entidade.

Esta foi a segunda alta seguida, terceira nos ltimos quatro meses, o que coloca a confiança do setor industrial gaúcho no maior patamar desde outubro de 2022. Porém, o valor ainda está próximo da marca divisória e abaixo da média histórica (53,6 pontos) o que denota um nível de confiança baixo. O índice varia de zero a 100, sendo 50 pontos a linha divisória entre a falta e a presença de confiança. Para os próximos seis meses, os empresários gaúchos estão mais otimistas em setembro. O índice de expectativas cresceu, pelo segundo mês consecutivo, para 54,1 pontos, 2,5 a mais do que agosto.

Segunda alta seguida coloca o índice no maior patamar desde outubro de 2022

Acciona, consórcio da Aegea e Iguá arrematam PPPs da Sanepar

Os três lotes devem reunir R$ 2,9 bilhões em investimentos no Paraná

Este é o segundo processo de PPP conduzido pela Sanepar com o objetivo de cumprir a meta estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento

Mais três lotes de Parcerias Público-Privadas (PPP) para prestação de serviços de esgotamento sanitário à Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) foram arrematados nesta sexta-feira (20), na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. Saneamento Consultoria, Acciona e Iguá Saneamento foram as empresas vencedoras do leilão que durou cerca de 1h40 e que foi acompanhado pelo Portal AMANHÃ. Os três contratos preveem R$ 2,9 bilhões em investimentos em 112 municípios do Paraná. O Lote 1, que inclui 36 cidades da microrregião Centro-Leste, foi arrematado pela Saneamento Consultoria, que ofereceu o valor de R$ 5,17 por metro cúbico de esgoto medido. O Lote 2, que engloba 48 municípios da microrregião Oeste, foi vencido pela Acciona, com valor de R$ 4,72 por metro cúbico de esgoto medido. Já o Lote 3, que reúne 28 cidades também da microrregião Oeste, foi arrematado pela Iguá Saneamento, que apresentou proposta de R$ 4,75 por metro cúbico de esgoto medido (veja mais detalhes ao final desta reportagem).

Presente no leilão, o governador Carlos Massa Ratinho Junior destacou que o processo de parcerias vai ajudar o Paraná a ser o primeiro estado do Brasil a alcançar a universalização do saneamento básico. “Estamos determinados a alcançar esta meta até 2027, meia década antes do estipulado pelo Marco Legal do Saneamento. Com isso, reforçamos nosso compromisso de levar qualidade de vida para toda a população do Paraná”, afirmou o governador. Além de uma série de obras, as empresas também vão realizar serviços de manutenção e operação de um valor total de mais de R$ 3,1 bilhões. Os contratos de coleta e tratamento de esgoto nos 112 municípios terão duração de 24 anos por meio de uma modalidade de concessão administrativa, conforme previsto no edital elaborado pela Sanepar. “Estamos muito felizes por este resultado. Estamos trazendo bons parceiros para promover a modernização no serviço de saneamento no Paraná. Com um total de R$ 11 bilhões em investimentos somados no ciclo atual de cinco anos, vamos chegar de forma acelerada à universalização do saneamento, sem perder a qualidade dos serviços”, afirmou o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley.

Este é o segundo processo de PPP conduzido pela Sanepar com o objetivo de cumprir a meta estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento de atender 90% da população com serviços de coleta e tratamento de esgoto até 2033. Em julho do de 2023, a Saneamento Consultoria arrematou um lote de 16 municípios na Região Centro-Litoral. Neste contrato, o investimento total previsto é de R$ 1,2 bilhão, com operação de mais R$ 1,1 bilhão. “Este é um trabalho que teve início há cinco anos, quando o governador Ratinho Junior determinou que a Sanepar encontrasse soluções para resolver a questão do esgotamento sanitário no Paraná. Hoje estamos no caminho certo para alcançar o maior número de pessoas, com o melhor serviço possível”, afirmou o secretário de administração e previdência, Claudio Stábile, que participou de parte do processo da modelagem das PPPs.

Lotes
A proposta pelo Lote 1 teve 24,7% de desconto em relação ao valor que foi a leilão. Neste contrato, serão atendidos 36 municípios das regiões Centro-Sul, Sul, Centro, Vale do Ivaí e Norte do Paraná. Serão 221 mil pessoas atendidas até 2033, com previsão de 59 mil novas ligações, ampliação do sistema de esgoto em 13 municípios e implantação em outros 23. Ao todo, a previsão e investimentos é de R$ 935 milhões, além de R$ 758 milhões em operações. “É um motivo de satisfação estar em mais uma parceria com a Sanepar, beneficiando a população do Paraná com um serviço essencial como este”, afirmou o vice-presidente da Aegea Saneamento, que faz parte da Saneamento Consultoria, Rogério Tavares.

No Lote 2, a proposta vencedora apresentou um valor com 28,5% de desconto em relação à tarifa de referência. Serão atendidas 323 mil pessoas em 48 municípios do Norte, Noroeste, Centro e Centro-Oeste do Paraná. Estão previstos R$ 1,3 bilhão em investimentos e R$ 1,4 bilhão em operações, com um incremento de 100 mil ligações. Serão implantados sistemas de esgoto em 31 cidades e ampliados em outros 17 municípios. O CEO da Acciona, André De Angelo, enalteceu a iniciativa da Sanepar. “A busca pela universalização do saneamento é fundamental para a saúde das pessoas e para o meio ambiente”, afirmou.

O Lote 3 teve uma proposta com 26,2% de desconto em relação ao valor levado à leilão. A parceria vai atender 28 cidades das regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul do Paraná. A previsão é que 328 mil pessoas sejam atendidas até 2033, com incremento de 63 mil ligações, implantação de sistema de esgoto em 22 cidades e ampliação em outras seis. Ao todo, o investimento neste lote será de R$ 684 milhões, somados a uma operação de R$ 904 milhões. “Estaremos nessa parceria ao longo destes próximos 24 anos entregando para a população a universalização da coleta de esgoto e dando mais um passo fundamental no desenvolvimento do Estado do Paraná”, disse o CEO da Iguá Saneamento, Roberto Barbuti.

No lote leiloado em julho de 2023, também vencido pela Aegea e demais parceiras, o desconto obtido foi de 30,6% para o atendimento a 16 municípios do Litoral e da Região Metropolitana de Curitiba. Neste contrato, o investimento total previsto é de R$ 1,2 bilhão, com operação de mais R$ 1,1 bilhão. Estão previstas 66 mil novas ligações, com implementação de sistema de esgoto em quatro cidades e ampliação em outras 12. Ao todo, mais de 640 mil pessoas serão atendidas pelos serviços na região.

Modelagem das PPPs
As PPPs não alteram o relacionamento dos municípios e das pessoas com a Sanepar, que segue sendo feito pela companhia. Na prática, as empresas vencedoras das concorrências passam a trabalham em parceria da Sanepar, executando as obras e fazendo as manutenções dos sistemas. Com os contratos, a companhia tem mais condições de ampliar o atendimento e os serviços com mais agilidade. Os contratos preveem que cerca de 900 mil pessoas sejam atendidas pelas três parcerias, com a implantação de sistemas de esgoto em 76 municípios e ampliação dos serviços em outras 36 cidades, totalizando 222 mil novas ligações de esgoto. Do total a ser investido, a maior parcela, de 48,4%, será na execução de rede coletora de esgoto, além de 24,7% na construção das estações de tratamento de esgoto. As parcerias serão avaliadas por nove indicadores: refluxo de esgoto, prazo de execução de serviços, extravasamento de esgoto, reclamação dos usuários, reclamação de pavimentação, regularidade ambiental, conformidade do padrão esgoto, atendimento com serviço de esgoto e vistorias realizadas.

Os três lotes devem reunir R$ 2,9 bilhões em investimentos no Paraná

Inovação no cuidado

Comprometida com a constante evolução, a Unimed Porto Alegre investe na cocriação de soluções inovadoras para melhorar a experiência dos clientes

A história de pioneirismo da Unimed Porto Alegre na inovação da saúde é longa. Em 1998, a cooperativa foi responsável por implementar a identificação de consultas médicas por código de barras, popularmente conhecido na época por “selinho”. Anos depois, em 2012, foi novamente disruptiva ao disponibilizar aos médicos cooperados a possibilidade de solicitar exames online – uma prova de sua flexibilidade e constante adaptação às necessidades dos pacientes. Já em 2015, inaugurou o mais moderno centro de processamento de exames laboratoriais do Sul do país, com tecnologia de ponta embarcada, distribuição e processo automatizado de amostras, oferecendo ainda mais agilidade na entrega de resultados. Também utiliza a tecnologia de óculos de realidade virtual para coleta de exames e vacinas em crianças.

Independentemente do nível da inovação, o fio condutor de cada avanço da cooperativa manteve-se o mesmo ao longo dos anos: a missão de construir uma trajetória comprometida com a constante evolução e a cocriação de soluções inovadoras para melhorar a experiência dos clientes, desenvolver os negócios e aumentar a eficiência operacional. “Somos uma referência aspiracional no setor de saúde, e a inovação está intrínseca nesse posicionamento”, avalia Gerson Luis da Silva, gerente executivo de relações institucionais da Unimed Porto Alegre.

Inspirada por isso, em 2017 a empresa passou a atuar com inovação aberta, desenvolvendo um hackathon para pensar “a saúde do amanhã”, que resultou em 211 ideias para o futuro da cooperativa. Essa iniciativa reflete a estratégia da Unimed de desafiar as lideranças e colaboradores a participarem do processo de inovação, sempre na busca da excelência, tanto para os médicos cooperados quanto para os clientes. A empresa promove diversas ações para impulsionar o chamado Índice de Velocidade de Inovação (IVR). “Para nós, a inovação está a serviço da estratégia, o que se reflete em nossos principais projetos”, resume Diana Jardim, gerente de inovação da Unimed Porto Alegre.

Um deles é a Entrega de Valor ao Cliente, que traz uma mudança no modelo assistencial em que o cuidado com a saúde está em primeiro lugar. Um exemplo de projeto de inovação nesta vertical é o desenvolvimento pela área de Business Analytics de algoritmos preditivos que identificam beneficiários com propensão a desenvolver determinadas patologias, o que permite apoiá-los em um tratamento precoce e maiores chances de cura. Outro projeto interessante é o dos chatbots de comunicação com os clientes, que utiliza IA.

Também são destaques a interoperabilidade de sistemas e dados em saúde, que a Unimed Porto Alegre está construindo em parceria com outros três hospitais; a adoção da biometria facial para validação de atendimentos; e a leitura de documentos de contas hospitalares através da tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres (OCR), embarcada de inteligência artificial e automatizada com robôs.

Mesmo com tantos avanços já feitos, o universo de oportunidades a serem exploradas pela Unimed Porto Alegre ainda é vasto. “Inovar e se manter relevante neste complexo segmento da saúde são premissas estratégicas cultivadas diariamente por nós, sempre com o cuidar da saúde das pessoas como propósito”, reforça Leandro Firme, CEO da Unimed Porto Alegre.

“É impossível ignorar o uso de IA, machine learning e automação de documentos, por exemplo. Vamos entregar uma jornada cada vez mais phigital, em que a interação com nossos beneficiários é tanto física quanto digital”, antecipa Firme. Assim, a estratégia de inovação da Unimed Porto Alegre segue refletindo o compromisso contínuo com a excelência, sempre focada em entregar valor e cuidado aos clientes e médicos cooperados.

Comprometida com a constante evolução, a Unimed Porto Alegre investe na cocriação de soluções inovadoras para melhorar a experiência dos clientes

Residencial irá fomentar região reconhecida como geoparque mundial da Unesco

Almai será implementado na região central do Rio Grande do Sul

Empreendimento tem previsão de 1,2 mil empregos e VGV de mais R$ 100 milhões

Um projeto residencial contemporâneo e em harmonia com a paisagem local. Esta é a proposta do novo empreendimento que será construído na Quarta Colônia, no centro do Rio Grande do Sul. Com Valor Geral de Vendas (VGV) de mais de R$ 100 milhões e previsão de geração de 1,2 mil empregos diretos e indiretos, o Almai deve reforçar o desenvolvimento turístico e econômico da região, reconhecida pela Unesco como um geoparque mundial. A novidade é liderada pela empresa santa-mariense Vōrtica by GR — Desenvolvedora Imobiliária com quase 15 anos de mercado. O empreendimento será instalado no distrito de Recanto Maestro — situado entre os municípios de Restinga Seca e São João do Polêsine —, que desponta como polo educacional, cultural e turístico.

Para o partner da Vōrtica, Giancarlo Castagna, o empreendimento se alia ao crescimento sustentável da região, que é trabalhada em três frentes: educação, geoconservação e turismo. Castagna conta que a rea foi adquirida há quase dez anos. “Acompanhamos esse processo de certificação da região como patrimônio de relevância internacional. Nosso projeto foi elaborado em consonância com essas iniciativas de desenvolvimento socioeconômico, de forma a fortalecer ainda mais a localidade, em total alinhamento e equilíbrio com os propósitos, a economia e a cultura da comunidade local”, destaca.

O projeto apresenta uma estrutura moderna, tendo como essência oferecer um verdadeiro refúgio em meio à natureza — mesmo estando a apenas 30 minutos de Santa Maria. O complexo abrange duas torres com um total de 178 unidades entre studios, apartamentos e townhouses de alto padrão, além de uma ampla área de lazer com mais de 2 mil metros quadrados. Espaços como academia, spa, piscina, playground, quadra de beach tennis, rooftops, parrillas externas, mercado autônomo e praça de fogo, estão entre os diferenciais. A execução do projeto foi aprovada pela prefeitura de Restinga Seca. O pré-lançamento da torre 1 do empreendimento foi realizado em Santa Maria nesta semana, com a previsão de entrega para o início de 2027.

Almai será implementado na região central do Rio Grande do Sul

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Um projeto residencial contemporâneo e em harmonia com a paisagem local. Esta é a proposta do novo empreendimento que será construído na Quarta Colônia, no centro do Rio Grande do Sul. Com Valor Geral de Vendas (VGV) de mais de R$ 100 milhões e previsão de geração de 1,2 mil empregos diretos e indiretos, o Almai deve reforçar o desenvolvimento turístico e econômico da região, reconhecida pela Unesco como um geoparque mundial. A novidade é liderada pela empresa santa-mariense Vōrtica by GR — Desenvolvedora Imobiliária com quase 15 anos de mercado. O empreendimento será instalado no distrito de Recanto Maestro — situado entre os municípios de Restinga Seca e São João do Polêsine —, que desponta como polo educacional, cultural e turístico.

Para o partner da Vōrtica, Giancarlo Castagna, o empreendimento se alia ao crescimento sustentável da região, que é trabalhada em três frentes: educação, geoconservação e turismo. Castagna conta que a rea foi adquirida há quase dez anos. “Acompanhamos esse processo de certificação da região como patrimônio de relevância internacional. Nosso projeto foi elaborado em consonância com essas iniciativas de desenvolvimento socioeconômico, de forma a fortalecer ainda mais a localidade, em total alinhamento e equilíbrio com os propósitos, a economia e a cultura da comunidade local”, destaca.

O projeto apresenta uma estrutura moderna, tendo como essência oferecer um verdadeiro refúgio em meio à natureza — mesmo estando a apenas 30 minutos de Santa Maria. O complexo abrange duas torres com um total de 178 unidades entre studios, apartamentos e townhouses de alto padrão, além de uma ampla área de lazer com mais de 2 mil metros quadrados. Espaços como academia, spa, piscina, playground, quadra de beach tennis, rooftops, parrillas externas, mercado autônomo e praça de fogo, estão entre os diferenciais. A execução do projeto foi aprovada pela prefeitura de Restinga Seca. O pré-lançamento da torre 1 do empreendimento foi realizado em Santa Maria nesta semana, com a previsão de entrega para o início de 2027.

Almai será implementado na região central do Rio Grande do Sul

Receita permite atualização de valor de imóvel na declaração do IR

Possibilidade foi autorizada por lei de reoneração gradual da folha

Nova lei permite a atualização do valor na declaração, recolhendo o tributo sobre o ganho de valor antecipadamente, com alíquotas reduzidas

Desde terça-feira (24) até 16 de dezembro, os contribuintes poderão atualizar o valor do imóvel na declaração do Imposto de Renda em troca do pagamento imediato do tributo com alíquotas reduzidas. A Receita Federal publicou uma instrução normativa que regulamenta a possibilidade, autorizada em lei que estabeleceu a reoneração gradual da folha de pagamento até 2027. Até agora, a legislação não permitia a atualização do valor de compra dos imóveis na declaração do Imposto de Renda, exceto nos casos de reforma e ampliação devidamente comprovados. A nova lei permite a atualização do valor na declaração, recolhendo o tributo sobre o ganho de valor antecipadamente, com alíquotas reduzidas.

A medida beneficia tanto pessoas físicas como empresas, mas só é vantajosa para quem pretende vender o imóvel no médio e no longo prazo. Para a pessoa física, será aplicada uma alíquota de 4% de Imposto de Renda sobre a diferença do valor de compra do imóvel e o valor atualizado. As empresas pagarão 6% de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e 4% de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Atualmente, as pessoas físicas pagam de 15% a 22,5% de Imposto de Renda sobre o ganho de capital [valorização do bem ao longo do tempo] no momento da venda do imóvel. As pessoas jurídicas geralmente pagam 15% de IRPJ e 9% de CSLL, totalizando 24%, mas a soma dos dois tributos pode atingir 34%, dependendo do regime de tributação da empresa.

As alíquotas cobradas na venda do imóvel não mudaram. No entanto, a Receita permitirá que quem atualizou o valor do imóvel na declaração deduza, da base de cálculo, a diferença entre o montante atualizado e o montante antes da atualização. Isso resulta em pagamento de menos tributos para quem aproveitou o benefício. Quem vender o imóvel até três anos após a atualização não poderá deduzir nada. A partir do quarto ano, a parcela a ser descontada aumenta oito pontos percentuais ao ano sobre o valor da diferença – entre o valor atualizado e antes da atualização – até atingir 100% depois de 15 anos. Somente a partir do 16º ano, a dedução será total. Na prática, o benefício será proveitoso apenas para quem trocar de imóvel a partir do nono ou do décimo ano após a atualização.

Com ABR

Possibilidade foi autorizada por lei de reoneração gradual da folha

Receita permite atualização de valor de imóvel na declaração do IR

Possibilidade foi autorizada por lei de reoneração gradual da folha

Nova lei permite a atualização do valor na declaração, recolhendo o tributo sobre o ganho de valor antecipadamente, com alíquotas reduzidas

Desde terça-feira (24) até 16 de dezembro, os contribuintes poderão atualizar o valor do imóvel na declaração do Imposto de Renda em troca do pagamento imediato do tributo com alíquotas reduzidas. A Receita Federal publicou uma instrução normativa que regulamenta a possibilidade, autorizada em lei que estabeleceu a reoneração gradual da folha de pagamento até 2027. Até agora, a legislação não permitia a atualização do valor de compra dos imóveis na declaração do Imposto de Renda, exceto nos casos de reforma e ampliação devidamente comprovados. A nova lei permite a atualização do valor na declaração, recolhendo o tributo sobre o ganho de valor antecipadamente, com alíquotas reduzidas.

A medida beneficia tanto pessoas físicas como empresas, mas só é vantajosa para quem pretende vender o imóvel no médio e no longo prazo. Para a pessoa física, será aplicada uma alíquota de 4% de Imposto de Renda sobre a diferença do valor de compra do imóvel e o valor atualizado. As empresas pagarão 6% de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e 4% de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Atualmente, as pessoas físicas pagam de 15% a 22,5% de Imposto de Renda sobre o ganho de capital [valorização do bem ao longo do tempo] no momento da venda do imóvel. As pessoas jurídicas geralmente pagam 15% de IRPJ e 9% de CSLL, totalizando 24%, mas a soma dos dois tributos pode atingir 34%, dependendo do regime de tributação da empresa.

As alíquotas cobradas na venda do imóvel não mudaram. No entanto, a Receita permitirá que quem atualizou o valor do imóvel na declaração deduza, da base de cálculo, a diferença entre o montante atualizado e o montante antes da atualização. Isso resulta em pagamento de menos tributos para quem aproveitou o benefício. Quem vender o imóvel até três anos após a atualização não poderá deduzir nada. A partir do quarto ano, a parcela a ser descontada aumenta oito pontos percentuais ao ano sobre o valor da diferença – entre o valor atualizado e antes da atualização – até atingir 100% depois de 15 anos. Somente a partir do 16º ano, a dedução será total. Na prática, o benefício será proveitoso apenas para quem trocar de imóvel a partir do nono ou do décimo ano após a atualização.

Com ABR

Possibilidade foi autorizada por lei de reoneração gradual da folha