Archives Junho 2023

Indústria gaúcha avança 2,2% em abril

IBGE mostra que SC teve alta de 1,1% e PR recuou 2,2% no mesmo período

A indústria do Rio Grande do Sul teve influência dos setores de derivados de petróleo e do fumo

O recuo 0,6% na produção industrial nacional em abril ante março foi acompanhado em dez dos 15 locais investigados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional. Os resultados, divulgados pelo IBGE, mostram que as maiores quedas na indústria foram no Amazonas (-14,2%) e em Pernambuco (-5,5%). Por outro lado, o Rio Grande do Sul (2,2%) teve o avanço mais elevado. Na comparação entre abril de 2023 e abril de 2022, a indústria nacional, que recuou 2,7%, foi acompanhada por 12 dos 18 locais pesquisados. “Esse espalhamento regional da retração da indústria é reflexo de uma atmosfera ainda de incertezas no setor”, explica Bernardo Almeida, analista da PIM Regional. “A conjuntura que o país atravessa, uma inflação ainda elevada, um desemprego ainda em um patamar considerado alto, com contratações ainda aquém do necessário impacta diretamente o poder de compra das famílias, e por consequência, a cadeia produtiva da indústria” complementa.

Local com maior queda, o Amazonas também teve a maior influência no resultado nacional. A queda em abril interrompe quatro meses consecutivos de crescimento na produção, quando acumulou ganhos de 22,3%. “Essa retração é explicada pelo desempenho aquém do setor de equipamentos informática e de eletrônicos, bastante influentes no estado” elenca Almeida. Outras atividades também impactaram o resultado da indústria amazonense, como de bebidas e de outros equipamentos de transportes. Embora tenha apresentado a segunda maior queda do mês, Pernambuco foi apenas o quinto estado em influência. O resultado negativo de abril vem após três meses de taxa positiva, que resultaram em um ganho acumulado de 33,5%. “Houve pressão dos setores de veículos e o de alimentos”, diz o analista. A indústria de Minas Gerais recuou 3% no mês, e foi a segunda em influência negativa. A queda na passagem de março para abril elimina parte dos ganhos do mês anterior. O desempenho da produção mineira foi afetado pelo setor de produtos químicos e pelo de veículos.

Ceará (-3,7%), Região Nordeste (-2,4%), Paraná (-2,2%), Rio de Janeiro (-1,8%), Goiás (-1,5%) e Espírito Santo (-1,2%) foram outros locais que apresentaram quedas mais intensas do que a média nacional. Principal parque industrial do país, São Paulo teve retração de 0,2% puxada pelas atividades de veículos, de máquinas e equipamentos e de produtos químicos. Com esse resultado, a indústria paulista se mantém 24,9% abaixo do patamar mais alto da série (março de 2011) e 3,2% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020). Pelo lado das altas, o Rio Grande do Sul teve principal crescimento (2,2%), sendo a única influência nacional positiva. O estado gaúcho marcou a segunda taxa positiva consecutiva, acumulando alta de 8,1% em março e abril. A indústria do estado teve influência dos setores de derivados de petróleo e, secundariamente, de produtos do fumo. Com isso, a produção industrial gaúcha está 1,9% abaixo do patamar pré-pandemia e 14,8% abaixo do patamar mais alto da série (outubro de 2013). Santa Catarina (1,1%), Bahia (1,1%), Pará (0,3%) e Mato Grosso (0,1%) apresentaram as demais altas de abril.

IBGE mostra que SC teve alta de 1,1% e PR recuou 2,2% no mesmo período

Mercado reduz previsão da inflação para 5,42%

Projeção de expansão da economia em 2023 sobe para 1,84%

Em maio, influenciado por reajustes no setor de saúde e cuidados pessoais, o IPCA ficou em 0,23%

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, caiu de 5,69% para 5,42% este ano. A estimativa está no Boletim Focus, pesquisa divulgada semanalmente, em Brasília, pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. A estimativa para este ano está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3,25% para 2023, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,75% e o superior 4,75%. Segundo o BC, no último Relatório de Inflação a chance de a inflação oficial superar o teto da meta em 2023 é de 83%.

Em maio, influenciado por reajustes no setor de saúde e cuidados pessoais, o IPCA ficou em 0,23%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é menor que a taxa de abril: 0,61%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 3,94%, seguindo a tendência de queda apresentada desde junho de 2022, quando o índice estava em 11,89%. Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa está nesse nível desde agosto do ano passado e é a maior desde janeiro de 2017, quando também estava nesse patamar.

Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre em 12,5% ao ano. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica. A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano passou de 1,68% para 1,84%. A previsão para a cotação do dólar está em R$ 5,10 para o fim deste ano.

Com Agência Brasil

Projeção de expansão da economia em 2023 sobe para 1,84%

Estimativa do PIB de SC aponta crescimento de 5%

O cenário provável para o restante do ano é de desaceleração

O avanço do comércio também foi relevante para o desempenho geral da economia

O governo de Santa Catarina informou a estimativa do resultado do PIB que aponta um desempenho acima do previsto para o país.Nos últimos 12 meses encerrados em março, em relação ao mesmo período anterior, a economia catarinense voltou a acelerar, e cresceu 5%. Nesse mesmo período e mesma comparação, o avanço da economia brasileira é de 3,3%, também em março. Os bons dados da estimativa são em grande medida influenciados pelo crescimento dos serviços, que tiveram alta de 10,4% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo trimestre de 2022, quase o dobro da média brasileira, de 5,8%.

A análise da estimativa do PIB é feita pelo economista Paulo Zoldan, agente de pesquisa da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan). Para ele, o cenário provável para o restante de 2023 é de desaceleração do PIB estadual, mas mesmo assim em patamares acima da média nacional. “Além de crescer sob uma base relativamente alta de comparação, a economia estadual não contará com a perspectiva de estímulos importantes do mercado interno, já que a economia brasileira tende a desacelerar. Além disso, as expectativas apontam para uma desaceleração da economia mundial como um todo neste ano, com as principais economias ainda impactadas por juros elevados e por problemas políticos e econômicos”, explica.

Além do crescimento dos serviços, o avanço do comércio também foi relevante para o desempenho geral da economia. O varejo ampliado cresceu 7% na mesma comparação anterior, mais que o dobro da média brasileira, de 3,3%. A agropecuária também teve um desempenho importante. De forma geral, a agricultura catarinense vem apresentando um excelente resultado em 2023. Sem problemas climáticos relevantes, a produtividade avançou. 

O cenário provável para o restante do ano é de desaceleração

Cliente satisfeito é sinônimo de sucesso para o negócio

A partir desses feedbacks, a empresa pode aprimorar continuamente seus produtos e serviços

Quando um cliente está satisfeito, ele não apenas retorna, como também compartilha sua experiência positiva com outras pessoas

Sabemos que a satisfação do cliente é fundamental para o sucesso de qualquer negócio. Concluímos isso por sabermos que o consumidor final é o grande teste que uma marca pode enfrentar. Afinal, quando agradamos o nosso principal comprador, estamos acertando o alvo necessário para fazer com que o nosso produto ou serviço continue existindo. A satisfação do cliente é um indicador importante da qualidade do produto ou serviço oferecido pela empresa. Clientes satisfeitos demonstram que suas necessidades e expectativas foram atendidas ou até mesmo superadas. Isso mostra que a empresa está comprometida em fornecer valor aos seus clientes e em garantir a melhor experiência possível. A partir desses feedbacks, a empresa pode identificar áreas de melhoria e aprimorar continuamente seus produtos e serviços.

E, mais do que isso, agradar um cliente vai além de saber que alguém se interessa pelo seu negócio. Quando um cliente está satisfeito, ele não apenas retorna, como também compartilha sua experiência positiva com outras pessoas, promovendo a reputação da empresa e atraindo novos clientes. Afinal, em um mundo cada vez mais conectado, uma má experiência do cliente pode se espalhar rapidamente. Por outro lado, uma experiência positiva do cliente é capaz de gerar elogios, comentários positivos e recomendações que fortalecem a imagem da empresa e a diferenciam da concorrência.

A partir desses feedbacks, a empresa pode aprimorar continuamente seus produtos e serviços

STF decide a favor da União em julgamento tributário de R$ 115 bilhões

Bancos devem pagar PIS/Cofins sobre receitas financeiras

Com o desfecho, devem ser retomadas 65 ações judiciais que estavam paralisadas à espera da tese de repercussão geral sobre o assunto

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 9 votos a 1, que os bancos devem pagar PIS/Cofins sobre receitas financeiras, como os juros, por exemplo. Com isso, o governo evita uma perda de receitas da ordem de R$ 115 bilhões, segundo estimativa da Receita Federal. O caso foi julgado em plenário virtual, modalidade em que os ministros têm um período para registrar seus votos de forma eletrônica, sem deliberação presencial. A sessão de julgamento dos recursos sobre o assunto terminou às 23h59 de segunda-feira (12). Os processos sobre o tema tinham como parte o banco Santander e a Sita, uma corretora de câmbio e outros investimentos. Contudo, o Supremo deu ao caso o status de repercussão geral, o que significa que o entendimento final deve ser aplicado a todas as instituições financeiras do país, entre bancos, corretoras e seguradoras, entre outras.

Desde 2014, a legislação passou a deixar claro que a cobrança de PIS/Cofins sobre o faturamento dessas instituições também recai sobre as receitas financeiras, como juros e valorização cambial, por exemplo. Os bancos, entretanto, questionavam a incidência dessas contribuições federais entre os anos de 2009 e 2014, alegando que a lei sobre o assunto não era clara sobre o que constitui, de fato, o faturamento dessas empresas. Ao final, prevaleceu o voto divergente do ministro Dias Toffoli, que foi seguido por Edson Fachin, Carmén Lúcia, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Nunes Marques, Rosa Weber e André Mendonça. Apenas o relator, o ministro aposentado Ricardo Lewandowski, que remeteu seu voto ainda em dezembro, votou a favor dos bancos.

Pela corrente vencedora, ficou estabelecida a tese segundo a qual as “receitas brutas operacionais decorrentes da atividade empresarial típica das instituições financeiras integram a base de cálculo PIS/Cofins cobrado em face daquelas ante a Lei 9.718/1998, mesmo em sua redação original, ressalvadas as exclusões e deduções legalmente prescritas”. O montante de R$ 115 bilhões calculado pela Receita Federal diz respeito às contribuições dos últimos cinco anos, que agora o governo fica autorizado a cobrar das instituições financeiras. Valores anteriores a isso já tiveram sua cobrança prescrita.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apresentou, no processo, a estimativa de R$ 12 bilhões em impacto sobre o caixa das instituições financeiras. O valor tem como base disputas judiciais já em curso, envolvendo 12 bancos: Bank of America, BNP Paribas, Bradesco, BTG Pactual, Daycoval, GMAC, Itaú-Unibanco, Mercantil do Brasil e Santander. Alguns bancos podem se livrar da cobrança, por terem aderido a programas de recuperação fiscal, segundo a Febraban. Estão entre eles o Banco do Brasil, o Citibank e a Caixa Econômica Federal. Com o desfecho da controvérsia, que chegou ao Supremo ainda em 2010, devem ser retomadas 65 ações judiciais que estavam paralisadas à espera da tese de repercussão geral sobre o assunto.

Com Agência Brasil

Bancos devem pagar PIS/Cofins sobre receitas financeiras

FGM Dental Group inaugura nova fábrica de implantes em Joinville

Os investimentos são da ordem de R$ 30 milhões

Nova unidade da fabricante de produtos odontológicos é seis vezes maior do que a anterior

A catarinense FGM Dental Group, fábrica de produtos odontológicos e líder em clareamento dental no Brasil, vive um momento de franca expansão. Foi inaugurada na terça (6) a nova fábrica de implantes, localizada dentro do Perini Business Park, em Joinville, com o tamanho seis vezes maior do que a fábrica anterior, aumentando consideravelmente a capacidade produtiva para atender a demanda crescente e outros novos mercados já mapeados, no Brasil e no exterior. Os investimentos são da ordem de R$ 30 milhões. “A FGM está confiante no potencial do mercado brasileiro e do exterior para os próximos anos. A nova fábrica FGM Implants permitirá levar os produtos e a tecnologia para um público ainda maior ao redor do mundo. É muito gratificante testemunhar esses ótimos resultados, que foram construídos ao longo das últimas décadas, com muito trabalho de todo o time da empresa”, comemora a CEO da FGM Bianca Mittelstädt.

Fundada há 27 anos, a empresa é referência em reabilitação oral e estética com marca própria e conta com um portfólio superior a 400 produtos nas linhas de biomateriais, clareadores, estética, implantes e próteses. Um dos destaques é o Sistema de Implantes Arcsys, desenvolvido em 2016. “Nos últimos três anos, a linha Arcsys cresceu 60%, mesmo em um cenário de pandemia”, destaca Lilian Andrade, diretora comercial da unidade de negócios. Além da ampliação da fábrica em Joinville, a FGM Implants deu início em 2023 a uma rede de lojas próprias, inaugurando a primeira unidade em São Paulo, no início do ano, e outra em Porto Alegre, agora em maio. A empresa segue ampliando sua presença também no mercado internacional. Hoje, 30% da produção é exportada e os materiais da marca são comercializados em mais de 100 países.

Os investimentos são da ordem de R$ 30 milhões

Claudio Gastal assume presidência do Badesul

Gestão será focada em inovação, sustentabilidade e atração de investimentos

No evento, Claudio Gastal, Eduardo Leite e secretário Ernani Polo destacaram papel do Badesul no desenvolvimento do Rio Grande do Sul

O novo diretor-presidente do Badesul Desenvolvimento S/A – Agência de Fomento/RS, Claudio Gastal, foi empossado na segunda-feira (12). A solenidade, realizada no Instituto Caldeira, em Porto Alegre, contou com a presença do governador Eduardo Leite. Na gestão anterior, Gastal foi titular da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). Ao assumir o comando do Badesul, o novo presidente sucederá Jeanette Lontra, que dirigiu a agência entre 2018 e 2022.

O governador comentou a escolha de Gastal para o cargo e a confiança depositada em seu trabalho. “Estamos colocando no Badesul quem esteve no núcleo da gestão nos últimos anos a fim de reforçar esse papel da agência de fomento, para que possamos fazer do Rio Grande do Sul um Estado que se destaca, cada vez mais, pelas boas notícias no desenvolvimento, na geração de empregos e no empreendedorismo”, ressaltou. Durante a posse, Gastal afirmou que o Badesul buscará ter um protagonismo maior na política de desenvolvimento estadual, enfocando temas como inovação, sustentabilidade e atração de investimentos. “Para isso, precisamos de um plano de longo prazo que privilegie a inovação e a sustentabilidade. O Badesul deseja ampliar a sua área de atuação e estar mais próximo do centro do governo. A instituição quer ser protagonista, fomentar a economia gaúcha, atrair investimentos, promover o Estado e incentivar a inovação”, enfatizou.

Gastal é analista de sistemas e mestre em Sistemas de Informação e atua há mais de 20 anos nas áreas de gestão, gestão pública e competitividade. Entre 2011 e 2016, foi secretário executivo da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade da Presidência da República e esteve à frente do Movimento Brasil Competitivo (MBC) de 2002 a 2009 e de 2016 a 2018. O Badesul é uma sociedade anônima de economia mista, cujo controle acionário pertence ao Estado do Rio Grande do Sul. A agência é vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec).

Gestão será focada em inovação, sustentabilidade e atração de investimentos

Inflação deve ser negativa em junho e voltar a subir

Presidente do BC diz que juros futuros abrem espaço para queda

Segundo Campos Neto, o desempenho da economia no primeiro trimestre abriu espaço para revisões para cima da estimativa de crescimento em 2023

A inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá ficar negativa em junho e subir no segundo semestre, disse na segunda-feira (12) o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. Em evento promovido pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), ele disse que o índice deverá terminar o ano com melhora em relação às previsões iniciais. “Vai ter meses [com o IPCA] entre 0,4% e 0,5% no fim do ano, o que vai fazer com que a inflação no ano fique mais ou menos entre 4,5% e 5%, mais perto de 4,5%. Isso é uma melhora em relação ao que esperávamos, mas uma melhora lenta”, declarou.

Na edição mais recente do Relatório de Inflação, divulgada em março, a autoridade monetária previa que o IPCA encerraria o ano em 5,8%. A edição desta segunda-feira do Boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo BC, aponta expectativa de 5,42% para o IPCA neste ano. Segundo Campos Neto, a queda no preço das commodities (bens primários com cotação internacional) tem contribuído para segurar a inflação. Ele, no entanto, advertiu que a média dos núcleos de inflação (que exclui os preços com maior volatilidade) está caindo de forma mais lenta e continua mais alta que os índices finais. “A gente ainda está com média de núcleos de 6,7%. A inflação no Brasil está bem menor que nos países avançados pela primeira vez na história. Isso significa que a gente tem um trabalho que foi feito que teve eficácia e que tem alguns itens na inflação mais voláteis que contribuíram positivamente”, afirmou o presidente do BC.

Durante o evento, Campos Neto recebeu diversos pedidos da presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Luiza Trajano, para começar a reduzir a Taxa Selic (juros básicos da economia). Segundo o presidente do BC, o comportamento do mercado financeiro, onde as taxas futuras caíram bastante nos últimos dias, favorece um afrouxamento da política monetária, mas não agora. “A curva de juros futura teve queda de quase 3% dependendo do prazo que você olha. Isso significa que o mercado está dando credibilidade ao que está sendo feito, o que abre espaço para atuação de política monetária na frente”, argumentou.

Para ele, existem boas surpresas na atividade econômica e na inflação em 2023, apesar de a agropecuária ter puxado o crescimento econômico no primeiro trimestre. “Uma parte relevante do PIB do primeiro trimestre veio da agricultura, mas os serviços vieram forte também. O comércio e indústria começaram a mostrar melhora”, recordou. Segundo Campos Neto, o desempenho da economia no primeiro trimestre abriu espaço para revisões para cima da estimativa de crescimento em 2023. “Com o número do primeiro trimestre vai ficar difícil a revisão parar por aí. Muito provavelmente, vamos ter revisões mais para perto ou acima de 2% [de crescimento] por efeito-base do primeiro trimestre”, afirmou.

Com Agência Brasil

Presidente do BC diz que juros futuros abrem espaço para queda