Archives 2022

SC pode ser protagonista em mobilidade elétrica no Brasil

O estado tem o Programa SC+Elétrica e um conjunto de iniciativas que pode torná-lo desenvolvedor, produtor e exportador dessa tecnologia

Mario Aguiar, da Fiesc, e Adriano Barros, da GM, em frente ao Bolt

Santa Catarina pode ser protagonista em mobilidade elétrica no Brasil. O estado lançou recentemente o Programa SC+Elétrica e um conjunto de iniciativas que pode torná-lo desenvolvedor, produtor e exportador dessa tecnologia. “Se tem alguém que pode liderar isso na América Latina é o Brasil e dentro do Brasil é Santa Catarina”, disse o presidente da Câmara de Smart Cities da Federação das Indústrias (FIESC), Jean Vogel, que abordou o tema em reunião de diretoria da entidade, na sexta-feira (21), junto com o diretor da GM, Adriano Barros, e com Daniel Godinho, da Weg. A GM expõe na FIESC o Bolt, carro 100% elétrico da montadora, com autonomia que supera os 400 quilômetros.

“O setor de eletrificação no Brasil precisa se desenvolver. É tendência no mundo e está em evolução. Temos que participar e ser um estado protagonista”, afirmou o presidente da federação, Mario Cezar de Aguiar, destacando que a Fiesc tem uma série de ações na área, inclusive um instituto, em Jaraguá do Sul, focado em mobilidade elétrica. Barros, diretor de relações públicas e governamentais da montadora, disse que a GM anunciou um investimento em eletrificação de US$ 35 bilhões no mundo até 2025. “Não quero que a gente seja mero importador dessa tecnologia. Acredito que podemos ser, de fato, desenvolvedor, produtor e exportador”, disse, ressaltando que o veículo elétrico ainda é caro, mas há pesquisas que mostram perspectiva de queda de 57% no custo das baterias até 2030. “Quando tivermos essa queda, o preço do veículo vai cair. Hoje, a bateria corresponde a cerca de 60% do custo do carro”, explicou, observando que esse é o momento de ingressar nesse mercado para aproveitar as oportunidades.

Quando se fala em carro elétrico, uma das principais dúvidas é o descarte das baterias. O diretor de relações institucionais e marketing da Weg, Daniel Godinho, explicou que a segunda vida da bateria já está equacionada. “Ela será utilizada em sistemas de armazenamento de energia de fontes intermitentes, como a eólica e a solar. “Como não é toda hora que tem sol ou vento, é necessário ter esse sistema de armazenamento com bateria para garantir a segurança na transmissão dessa energia. Então essa é uma solução que está crescendo muito no Brasil e no mundo”, informou.

Godinho disse ainda que a companhia entende que a mobilidade elétrica é, de fato, uma grande oportunidade tecnológica e de mercado para o Brasil. “Não podemos deixar de apoiar uma nova rota tecnológica e por que não ser um dos protagonistas nessa frente?”, indagou, observando que a empresa anunciou, recentemente, investimento de R$ 660 milhões para a ampliação de capacidade fabril em Santa Catarina, inclusive com a construção de uma fábrica para a produção de motores para a mobilidade elétrica. Na reunião, também foram apresentadas as linhas gerais de quatro projetos-pilotos que estão previstos para serem executados em Florianópolis, Balneário Camboriú, Joinville e Jaraguá do Sul para estimular a mobilidade elétrica.

O estado tem o Programa SC+Elétrica e um conjunto de iniciativas que pode torná-lo desenvolvedor, produtor e exportador dessa tecnologia

Lanterna na proa?

Estar preparado não é o mesmo que traçar planos

É preciso “construir colchões de segurança, como economias extras, planos de contingência”, além de “manter a disciplina em tempos bons”

Acadêmicos costumam dizer que diferentes obras “dialogam” quando tratam de assuntos semelhantes ou complementares, conduzindo a uma conclusão, ou, mesmo, abrindo novas vias de interpretação. Cavoucando meus arquivos, encontrei duas matérias antigas da Exame que, de alguma forma, conversam entre si – e cujos insights venceram o teste do tempo.

A primeira, de dezembro de 2011, fala de empresas que traçavam cenários para a década que se iniciava. “Como será seu negócio em 2020?”, perguntava a reportagem, para em seguida exemplificar: na fabricante de aviões Embraer, até o ano anterior “os planos de longo prazo contemplavam um horizonte de cinco anos”. Naquele momento, no entanto, havia um grupo de executivos “(…) responsável por definir a estratégia para os próximos 15 anos”.

Futurologia pura? Não exatamente, apressava-se em esclarecer a publicação: “[o] máximo que qualquer companhia pode fazer é desenhar cenários possíveis”, uma vez que “[o] ideal é definir ao mesmo tempo um plano para os próximos dois ou três anos, com medidas de curto prazo, e outro identificando tendências como novos negócios”. E, claro, submeter o material a revisões periódicas (Exame, 28/12/2011, p. 137-8).

Um ano depois, ao comemorar seus 45 anos (05/12/2012), a revista abria espaço para Jim Collins, guru dos negócios que, em entrevista, esclarecia:

“Existe uma grande diferença entre montar um plano e se preparar. Nas empresas que se dão melhor em meio ao caos, existe uma visão muito clara de que não dá para prever (…) e não dá para fazer planos detalhados. (…) Montar um plano quer dizer que você sabe exatamente o que vai acontecer e precisa determinar minuciosamente o que fazer a respeito. Preparar-se significa que você não sabe o que está por vir, mas estará pronto para o que vier” (p. 113 e 114).

O que significaria “estar preparado” para aquilo que, por definição, não se sabe o que é? Jim Collins soa meio óbvio, mas nem por isso infrutífero. É preciso “construir colchões de segurança, como economias extras, planos de contingência”, além de “manter a disciplina em tempos bons”, resistindo “à tentação de avançar demais quando o mercado está bom”. Afinal, “os melhores líderes” são “conservadores do ponto de vista financeiro. Pegos pelas crises, tinham reservas financeiras para resistir” (p.114).

Da publicação dessas matérias para cá, o Brasil mergulhou em crises políticas e econômicas, impichou uma presidente, realizou a maior operação anticorrupção de sua história e elegeu um candidato improvável ao seu cargo máximo, enquanto a China presenteava o mundo com uma pandemia e a Rússia, com uma guerra. Cenários que provavelmente sequer foram tangenciados por qualquer guru ou executivo da época, mas que impactaram todos os negócios a seu tempo. E só confirmaram as assertivas de ambos os textos, ao sugerir que prever é inútil, traçar planos contém limitações por natureza e o único antídoto é estar preparado – mesmo que isso signifique, ainda nas palavras de Collins, cultivar uma desconfortável “paranoia produtiva”.

Estar preparado não é o mesmo que traçar planos

Microsoft pode lançar loja de jogos do Xbox para Android

De acordo com o The Verge, a Microsoft teria planos de lançar uma loja de jogos do Xbox para os smartphones.

Em uma comunicação a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA), a marca revelou planos para construir uma loja Xbox para dispositivos móveis, não apenas em consoles e PCs.

A loja traria o conteúdo adquirido da Activision Blizzard como o Call of Duty Mobile, Candy Crush e outros grandes títulos da produtora de jogos.

Como a Apple restringe a possibilidade de novas lojas no iPhone, o Android é quem receberia o maior ênfase e foco da gigante dos softwares.

Por enquanto, não há qualquer previsão para a loja do Xbox para ser lançada.

De acordo com o The Verge, a Microsoft teria planos de lançar uma loja de jogos do Xbox…

Motorola revela conceito de dispositivo com tela rolável

A Motorola, de propriedade da Lenovo, mostrou esta semana alguns conceitos impressionantes de dispositivos de tela rolável que podem se tornar produtos comerciais.

No vídeo que você pode assistir abaixo, a fabricante mostra um telefone compacto de 4 polegadas com um painel OLED que se expande para um tamanho de 6,5 polegadas. Com outro toque, o telefone volta ao tamanho normal.

Durante a rolagem da tela, o Android parece se adaptar automaticamente ajustando os ícones ou vídeo que está sendo reproduzido no player do YouTube.

A Lenovo também exibiu um laptop rolável que começa com uma tela de paisagem e depois rola para uma forma quadrada.

Atualmente, não há planos para vender smartphones e laptops com telas roláveis.

A Motorola, de propriedade da Lenovo, mostrou esta semana alguns conceitos impressionantes de dispositivos de tela rolável que…

YouTube desiste de cobrar pela resolução 4k

O YouTube revelou esta semana que parou com o experimento exigia uma assinatura do YouTube Premium para reproduzir vídeos com resolução 4K.

No início do mês, usuários do Twitter e Reddit encontraram requisitos de assinatura Premium ao tentar assistir a vídeos em resoluções superiores a 1440p.

we’ve fully turned off this experiment. viewers should now be able to access 4K quality resolutions without Premium membership. we’re here if you have other q’s

— TeamYouTube (@TeamYouTube) October 17, 2022

“Desativamos totalmente esse experimento. Os espectadores agora poderão acessar resoluções de qualidade 4K sem a assinatura Premium”, publicou o YouTube no Twitter.

A motivação do Google para cancelar o experimento não foi divulgada, mas dada a reação negativa entre os usuários, pode ser o motivo.

O YouTube revelou esta semana que parou com o experimento exigia uma assinatura do YouTube Premium para reproduzir…

Confira como foi o lançamento do livro 100 marcas do Rio Grande – Vol. 2

Mais de 300 lideranças compareceram ao evento do Instituto AMANHÃ realizado na quinta, 20, no Centro de Eventos da FIERGS

A história e os valores de marcas consagradas como ícones da identidade e da cultura empresarial gaúcha são destaques no livro 100 Marcas do Rio Grande – A história da identidade empresarial dos gaúchos – Volume 2. O projeto do Instituto AMANHÃ foi lançado na quinta-feira (20), na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre. Na ocasião, os exemplares foram disponibilizados em primeira mão, e autografados pelas lideranças das companhias retratadas na obra de 482 páginas. 

Veja todas as fotos do evento e baixe o pdf. com a edição digital do livro neste link. 

Os vídeos, entrevistas e vídeo final do evento serão compartilhados no YouTube e redes sociais do Grupo AMANHÃ.

Departamentos de comunicação das empresas que participaram, imprensa e assessorias podem entrar em contato com o Grupo AMANHÃ para solicitar o drive com o material. Mais informações: contato@amanha.com.br

Mais de 300 lideranças compareceram ao evento do Instituto AMANHÃ realizado na quinta, 20, no Centro de Eventos da FIERGS

Randon Implementos investe em novo centro logístico

Estrutura conta com processos automatizados e controle centralizado das operações, que aumentam a eficiência

O centro logístico se soma a uma série de investimentos realizados nos últimos anos pela Randon Implementos para ampliação da capacidade produtiva de suas sete plantas industriais no Brasil e na Argentina

A Randon Implementos, uma das Empresas Randon, inaugurou na segunda-feira (17) o seu novo centro logístico. A companhia não revela o valor investido no empreendimento por estar em um período de silêncio que antecede as divulgações de resultados trimestrais. A área de 9 mil metros quadrados localizada junto à sede da companhia, no bairro Interlagos, em Caxias do Sul (RS), foi desenvolvida com foco em novos processos e iniciativas sustentáveis. Energia limpa, processos automatizados, tecnologia e controle centralizado das operações estão entre os diferenciais deste investimento, que proporcionam o aumento da eficiência e da produtividade da empresa.

A estrutura conta com usina própria para geração de energia solar, um novo pórtico elétrico para movimentação de peças, máquinas para operação interna com bateria de lítio, e estruturas como paredes arborizadas e canteiros nas laterais, que auxiliam na execução de uma operação limpa. Em parceria com a unidade RTS Industry, a Randon Implementos investiu em novos processos automatizados, como o veículo autônomo rebocador de componentes para transporte interno entre as áreas de produção da fábrica e o centro logístico, além de uma nova disposição e verticalização de estoques, otimizando áreas e espaços de trabalho e depósito. Estão previstos, ainda, investimentos em máquinas semiautônomas para movimentação e armazenagem de materiais. O espaço conta também com um novo centro de controle digitalizado, para o acompanhamento dos indicadores logísticos e de produção de todas as unidades da Randon Implementos.

Todas essas novidades tornam mais eficiente, seguro e sustentável o processo de logística interna de insumos e peças utilizados para a fabricação dos produtos da companhia, como semirreboques e vagões. “Esse investimento reforça ainda mais o nosso compromisso de entregar soluções de qualidade aos nossos clientes, com práticas inovadoras, que respeitem as pessoas e o meio ambiente, aliando eficiência e tecnologia”, destaca o diretor-superintendente da vertical de negócios Montadora das Empresas Randon, Sandro Trentin, em nota.

Alguns números ajudam a dimensionar o significado do novo centro logístico para as operações da Randon Implementos. Por dia, são mais de 16 mil códigos de componentes movimentados, desde pequenas peças e kits de materiais até equipamentos necessários no processo fabril, por um time de mais de 500 colaboradores. Diariamente, mais de 100 caminhões acessam a área para a entrega e distribuição dos insumos e peças utilizados na fabricação dos produtos da companhia. O centro logístico se soma a uma série de investimentos realizados nos últimos anos pela Randon Implementos para ampliação da capacidade produtiva de suas sete plantas industriais no Brasil e na Argentina, que permitem uma produção média diária de até 150 unidades de semirreboques.

Estrutura conta com processos automatizados e controle centralizado das operações, que aumentam a eficiência

Conquista de Indicação Geográfica abre novos mercados para vinho de Bituruna

Quatro vinícolas que formam a Apruvibi podem se apresentar ao mundo ostentando o selo

A história do vinho em Bituruna, município no Sul do Paraná, começou em meados de 1940, com a chegada de imigrantes do Rio Grande do Sul na ainda Colônia Santa Bárbara

O vinho de Bituruna, fabricado com as uvas casca dura, conquistou a mais nova Indicação Geográfica (IG), na modalidade Procedência, do Paraná. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu o registro, reconhecendo ter esse produto características únicas que o diferenciam de outros vinhos. Quatro vinícolas que formam a Associação dos Produtores de Uva e Vinho de Bituruna (Apruvibi) podem se apresentar ao mundo ostentando o selo. São elas as vinícolas Bertoletti, Sanber, Di Sandi e Dell Monte.

A história do vinho em Bituruna, município no Sul do estado, começou em meados de 1940, com a chegada de imigrantes do Rio Grande do Sul na ainda Colônia Santa Bárbara. Os avós de Claudinei Bertoletti, proprietários de uma das vinícolas beneficiadas, estavam entre eles. “Os nonos trouxeram algumas mudas do Rio Grande e naturalmente houve uma mutação, que originou essa uva casca dura”, conta. Esse cruzamento foi acompanhado pela melhoria genética e pela industrialização a partir de práticas artesanais.

Segundo ele, que também preside a Associação dos Vitivinicultores do Paraná (Vinopar), a casca dura tem a baga mais arredondada, mais amarelada e o aroma é mais intenso e com acidez muito menor. No princípio, a fruta era usada para licores e como adição em cachaças. Até que o vinho resultante dela se sobressaiu e conquistou paladares apurados. “É uma uva diferente, transmite ao seu vinho um paladar, um equilíbrio de acidez único, e foi por isso que a gente pleiteou para ser uma IG e ter o reconhecimento”, afirmou. “Já era uma IG de fato, agora somos uma IG de direito.”

A produção do vinho segue um caderno de regras técnicas. Por ser uma uva com pouco mosto, há necessidade de três quilos para se produzir um litro de vinho. Mais que a bordô, que é dois por um, e bem superior à necessidade da niágara, que produz um litro com 1,4 quilo. Por isso, a produção das quatro vinícolas contempladas com a IG chega, em média, a 60 mil garrafas por ano. “Estamos tentando ampliar os vinhedos, mas do preparo do solo, plantio das uvas até chegar à taça de vinho é uma caminhada de quatro a cinco anos”, explica.

Quatro vinícolas que formam a Apruvibi podem se apresentar ao mundo ostentando o selo

Neco Argenta é escolhido como executivo de finanças do ano pelo IBEF-RS

Presidente da SIM Rede de Postos receberá o Troféu no dia 4 de novembro

Nascido na Serra Gaúcha, Neco é um apaixonado e profundo conhecedor das dificuldades e oportunidades do setor varejista de combustíveis e conveniências

Os associados do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF-RS) escolheram Neco Argenta, presidente da SIM Rede de Postos, como executivo de finanças do ano. Ele receberá o Troféu Equilibrista em um evento no dia 4 de novembro.

Argenta é presidente e fundador da SIM Rede de Postos, empresa com 37 anos de atuação. Está à frente de 4 mil funcionários, sendo a maior rede varejista de postos e conveniências do país com 155 unidades distribuídas nos três estados do sul do país. Recentemente, a SIM adquiriu a Querodiesel, Distribuidora Charrua e chegou a São Paulo com a SIM Lubrificantes. Nascido na Serra Gaúcha, terra de importantes empreendedores, Neco Argenta é um apaixonado e profundo conhecedor das dificuldades e oportunidades do setor varejista de combustíveis e conveniências. Já integrou o conselho de Revendedores da Petrobras, atuando em importantes projetos para fortalecimento de um mercado tão complexo e desafiador.

Serão também homenageados com diplomas de méritos os Destaques IBEF-RS de 2022: Ana Paula Grings, diretora financeira do grupo Piccadilly Company; Leonita dos Santos Boufet, diretora administrativa financeira da Docile Alimentos, e Rogério Martins, diretor financeiro e operações da Neugebauer.

O Troféu Equilibrista e os diplomas de méritos são reconhecidos pela comunidade de negócios como o “Oscar” do setor por homenagear executivos de finanças que se destacaram em meio a suas realizações, ao longo de suas carreiras e em atividades exercidas no ano. A homenagem avalia a postura de liderança, a forma como foram contornadas situações adversas, a conquista de objetivos traçados por meio de modernas técnicas de administração e a colaboração da empresa no setor que atua.

“O prêmio Equilibrista destaca o trabalho de profissionais que primeiro são impactados por mudanças vivenciadas na sociedade e cujo esforço e busca por melhores resultados para suas empresas contribui diretamente para o desenvolvimento local”, destaca o Presidente do IBEF-RS, Giancarlo Chiapinotto.

Presidente da SIM Rede de Postos receberá o Troféu no dia 4 de novembro

Carteira de crédito de cooperativas cresce 35,9% em 2021

As cooperativas de crédito mantiveram-se como o segmento do sistema financeiro que mais cresce

Segundo o BC, o segmento tem presença marcante no interior do país e em negócios de pequeno porte, o que explica em parte o crescimento acima da média

As cooperativas de crédito mantiveram-se como o segmento do Sistema Financeiro Nacional (SFN) que mais cresce. Segundo números divulgados pelo Banco Central (BC), a carteira de crédito ativa (total de empréstimos ativos) do sistema cooperativo aumentou 35,9% em 2021, enquanto a carteira de crédito do SFN cresceu 15%. Os dados fazem parte do relatório Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), publicado anualmente pelo Banco Central. O levantamento foi divulgado em comemoração ao Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito, celebrado na quinta-feira (20).

De acordo com o relatório, a concessão de crédito pelas cooperativas financeiras cresceu, apesar da persistência da pandemia da Covid-19 em 2021. Segundo o BC, o segmento tem presença marcante no interior do país e em negócios de pequeno porte, o que explica em parte o crescimento acima da média do SFN. “Em mais um ano marcado pela pandemia de Covid-19, o cooperativismo de crédito continuou a crescer. Ele se destaca em relação aos demais segmentos do Sistema Financeiro Nacional, demonstrando a importância para o desenvolvimento da atividade econômica, principalmente no interior do país, onde o setor possui atuação marcante”, destacou o BC em nota.

Após uma retração no início da pandemia, a expansão das cooperativas de crédito começou a acelerar no segundo semestre de 2020, encerrando aquele ano com crescimento de 35% em relação ao ano anterior. Em agosto de 2021, o volume de carteira de crédito ativa chegou a registrar alta de 42% em 12 meses, antes de desacelerar nos meses finais do ano passado. No estudo, o órgão destaca que o crédito rural a famílias e o crédito para capital de giro impulsionaram a carteira das cooperativas de crédito no ano passado. Em expansão desde 2017, a carteira de crédito para pessoas físicas cresceu 36,6% em 2021. Desse total, o crédito rural e agroindustrial, que responde por 43,7% do crédito às pessoas físicas, foi o que mais puxou a expansão, passando de R$ 57,8 bilhões em dezembro de 2020 para R$ 82,2 bilhões em dezembro de 2021.

Pontos de atendimento
As cooperativas de crédito continuam a ampliar a presença física. Em 2021, o número de unidades de atendimento subiu 9,9%, chegando a mais da metade dos municípios brasileiros. O total de cooperados aumentou 13,5% e encerrou o ano passado em 13,6 milhões de pessoas físicas e jurídicas. Os ativos totais das cooperativas de crédito, que inclui não apenas a carteira de crédito, mas os outros bens, totalizou R$ 459 bilhões em dezembro de 2021, alta de 23,5% no ano. O estoque de captações de recursos subiu 23,7%, em ritmo superior ao dos outros ramos do Sistema Financeiro Nacional.

Em relação aos riscos financeiros das cooperativas de crédito, o BC informou que os ativos problemáticos (como empréstimos com inadimplência) continuou a trajetória de queda iniciada em 2020. Segundo o órgão, o nível de provisões (reservas financeiras para cobrir possíveis prejuízos) está acima de 90% das perdas esperadas na carteira de crédito. O setor, apontou o relatório, continua a operar acima dos limites de segurança exigidos pela regulamentação. O aumento da alavancagem financeira (empréstimos que multiplicam o volume de dinheiro em circulação) tem sido compensado pelo maior controle dos gastos com provisão e com as despesas operacionais, melhorando os ganhos do setor. “Além disso, a capitalização agregada das cooperativas de crédito singulares continuou confortável em relação aos limites regulamentares”, ressaltou o relatório do BC.

Com Agência Brasil

As cooperativas de crédito mantiveram-se como o segmento do sistema financeiro que mais cresce

Cepal eleva para 2,6% previsão de crescimento para o Brasil este ano

Para 2023, órgão estima expansão de 1% para economia brasileira

Conforme as estimativas da Cepal, o crescimento da economia brasileira ficará abaixo da média regional no próximo ano

A economia brasileira deverá crescer mais que o inicialmente previsto este ano, mas desacelerará a partir do próximo ano, divulgou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Neste ano, o PIB crescerá 2,6%, contra estimativa anterior de 1,6%. Em 2023, o Brasil deverá crescer 1%, no mesmo ritmo da Argentina. Uma das cinco comissões econômicas regionais das Nações Unidas, a Cepal revisou as projeções para 2022 para as economias da latino-americanas e caribenhas, apresentadas em agosto, e divulgou as estimativas para 2023. A economia da região se expandirá 3,2% este ano, contra previsão anterior de 2,7%. Para 2023, o crescimento ficará em apenas 1,4%. Conforme as estimativas da Cepal, o crescimento da economia brasileira ficará abaixo da média regional no próximo ano. Na América do Sul, o Brasil só deverá registrar desempenho melhor que o Chile, cuja economia deverá se expandir 0,9% em 2023.

Fatores
De acordo com a Cepal, dois fatores contribuirão para a desaceleração econômica da América Latina e do Caribe no próximo ano. O primeiro é a guerra entre Rússia e Ucrânia, que afeta negativamente o crescimento global e acentua as pressões sobre a inflação, a volatilidade no mercado internacional e os custos financeiros. O segundo ponto nevrálgico responsável por prejudicar a economia da região são os aumentos de juros por parte dos bancos centrais de economias avançadas, que prejudica o fluxo de capitais aos países emergentes. Segundo a Cepal, o aperto monetário em países desenvolvidos provoca a desvalorização das moedas latino-americanas e caribenhas e encarece os financiamentos aos países da região. “Embora se espere que esse processo [de aumento de juros] termine em 2023, na medida em que as expectativas de inflação se ancorem em vários países, os efeitos dessa política restritiva sobre o consumo privado e o investimento estarão presentes”, destacou a Cepal em comunicado.

Efeitos distintos
Algumas regiões do continente serão afetadas de formas distintas. A América do Sul deverá sentir os efeitos da desaceleração da economia chinesa, principal parceiro comercial da maioria dos países da região, e pela queda da renda provocada pela inflação. A América Central e o México sentirão os efeitos do baixo dinamismo dos Estados Unidos, que afetaria as exportações. A queda ou estagnação das remessas de emigrantes que vivem em território norte-americano prejudicará o consumo privado, mas uma eventual queda no preço das commodities (bens primários com cotação internacional) beneficiaria países que são grandes importadores de alimentos e de energia. Em relação ao Caribe, a Cepal aponta que a inflação afetou não apenas a renda e o consumo. Segundo o órgão, a alta dos custos de produção prejudicou o turismo e diminuiu a competitividade das exportações.

Com Agência Brasil

Para 2023, órgão estima expansão de 1% para economia brasileira

Procura por crédito cai 12,2% em setembro

Juros elevados inibem busca por empréstimos

De março de 2021 a agosto deste ano, a taxa Selic – juros básicos da economia – subiu de 2% para 13,75% ao ano

Os juros altos estão inibindo a busca do consumidor por empréstimos. Segundo relatório divulgado pela Serasa Experian, a procura por operações de crédito recuou 12,2% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Essa foi a quarta queda mensal consecutiva. Segundo a Serasa, os consumidores com renda pessoal mensal de R$ 500 a R$ 1 mil são os que menos têm buscado crédito. Todas as regiões registraram queda, mas a retração foi mais marcante no Sudeste (-13,9%), no Sul (-12,2%) e no Nordeste (-12%).

De março de 2021 a agosto deste ano, a taxa Selic – juros básicos da economia – subiu de 2% para 13,75% ao ano. Para a Serasa, o encarecimento do crédito desestimula a demanda por crédito e impacta a maioria das linhas. A empresa aconselha ao consumidor reavaliar o orçamento doméstico e poupar dinheiro agora para enfrentar o fim deste ano e o início do próximo, períodos em que tradicionalmente os gastos sobem.

A pesquisa é feita com base numa amostra significativa de números de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), consultados todos os meses na base de dados da Serasa Experian. O levantamento mede as relações de crédito dos consumidores com instituições financeiras e com empresas não financeiras.

Com Agência Brasil

Juros elevados inibem busca por empréstimos

Por que a Netflix está sofrendo uma debandada de assinantes

Diretor de expansão da Brivia vê sinais de saturação e comoditização no mercado da gigante do Streaming

Se a Netflix foi cética ou não no que diz respeito à concorrência, não há como saber

Após uma explosão de mais de 37 milhões em aquisição de novos assinantes no primeiro ano da pandemia, a Netflix enfrenta agora os primeiros sinais de uma possível saturação e comoditização do mercado com a perda de 64% dos usuários neste ano. Porém, os fatores para a queda vão além. Segundo Ferran G. Vilaró, CEO da companhia de análise de vídeo NPAW, a perda de assinantes “parece ser devido ao aumento da concorrência de outros serviços de streaming, circunstâncias econômicas globais adversas e o fato de a empresa já ter um nível muito alto de assinantes”.

Sem dúvidas, a explanação de Vilaró faz todo o sentido. Porém, o que mais existe entre linhas que podemos analisar nesse contexto? A seguir, veremos cinco pontos-chave que impactaram — e continuarão impactando — a gigante do streaming.

1. O conteúdo pode superar o produto
No novo mercado, a plataforma de streaming de ótima usabilidade da Netflix é apenas uma das partes influentes na percepção de valor das pessoas. Claro, seu mecanismo de pesquisa, downloads inteligentes e algoritmo são os melhores do mercado. Hoje, porém, o fator principal da competição mudou para o conteúdo. Eis uma ótima lição para product leaders. A otimização ilimitada de todas as interfaces nem sempre é o que vai garantir a sustentação do negócio no longo prazo.

2. O entretenimento é baseado em hits
Há uma grande diferença entre produtos que resolvem um problema e produtos voltados para o entretenimento. Para produtos com foco em entretenimento, os hits são importantes. O acervo desatualizado da Netflix de programas de nicho com classificação de 40 a 70 no Metacritic não funcionará mais. Recentemente, a Disney+ ultrapassou a Netflix em assinantes devido ao sucesso de bilheteria de Star Wars, Marvel e Pixar. Além disso, quando pensamos em marcas como Disney e Apple, por exemplo, elas são mais fortes e possuem um apelo emocional maior para as pessoas do que a Netflix.

3. A concorrência muda o mercado
Na primeira fase da guerra do streaming, a Netflix estava derrubando o domínio da TV a cabo. Poderia pagar as principais detentoras de conteúdo (como HBO e Disney) pelos direitos de seus programas e filmes. Isso mudou com a entrada desses players no mundo do streaming. Na guerra atual entre as plataformas, cada player mantém seu conteúdo exclusivo. Você não vê La Casa de Papel no HBO Max, Obiwan no Netflix ou Game of Thrones no Disney+. Isso mudou a dinâmica do mercado em que a Netflix atua.

4. As big techs são sempre uma ameaça
Elas chegaram com suas novas produções exclusivas. Indiscutivelmente, algumas das melhores e mais recentes séries são das big techs: Apple com Ted Lasso e Amazon com The Boys. Esses players também são uma ameaça nos mercados em que a Netflix deseja ingressar, como jogos e publicidade. As big techs acabaram de alterar as regras do jogo no que diz respeito a anúncios online. As mudanças de privacidade da Apple impactaram diretamente as maiores plataformas de anúncios como Meta e Snapchat. Enquanto isso, a Amazon criou sua própria plataforma de publicidade digital, que já acumulou mais de US$ 30 bilhões em apenas alguns anos, ultrapassando o YouTube.

5. Alavancas de crescimento
Quando um canal de aquisição de mídia paga começa a funcionar, é extremamente importante para a tração inicial dos negócios. Porém, pode se tornar viciantemente perigoso no longo prazo. Ficamos tentados a seguir aquele velho jargão: “em time que está ganhando não se mexe”. No caso da Netflix, isso a tornou mais voltada à mídia do que à tecnologia. As empresas direct-to-consumer (DTC) sofreram da mesma forma. A dor delas era o marketing de performance. As companhias com operações de vendas caras também tiveram perdas. Para que negócios de base tecnológica continuem gerando múltiplos de crescimento, eles precisam gerar alavancagem operacional à medida que crescem.

Se a Netflix foi cética ou não no que diz respeito à concorrência, não há como saber. Empresas com produtos disruptivos e hipercrescimento normalmente aplicam o que há de mais atual em nível de negócios. Porém, mesmo assim, a excelência, às vezes, não basta para dominar um mercado. É como diria Mike Tyson: “todos têm um plano até tomar o primeiro soco na boca”.

*Diretor de expansão da Brivia

Diretor de expansão da Brivia vê sinais de saturação e comoditização no mercado da gigante do Streaming

Produção industrial cai após quatro altas

Emprego sobe em ritmo menor em setembro

O alto preço da matéria-prima tem perdido importância entre os principais problemas enfrentados pela indústria no terceiro trimestre

A produção industrial caiu de 54,5 pontos em agosto para 49 pontos em setembro de 2022, depois de quatro altas consecutivas, de acordo com a Sondagem Industrial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa mostra ainda que o emprego na indústria avançou pelo quinto mês consecutivo. O índice de evolução do número de empregados ficou em 51,4 pontos, acima da linha divisória de 50 pontos, que separa aumento de queda do emprego industrial. Foram consultadas 1.739 empresas, sendo 696 pequenas, 601 médias e 442 grandes, entre 1º e 11 de outubro de 2022.

No quesito conjuntural, alguns indicadores mostraram desaceleração, no entanto, seguem em patamar elevado, a exemplo, da intenção de investimento que recuou de 1,6 ponto para 57,4 pontos, mas após a forte alta registrada no mês anterior, o índice permaneceu em patamar elevado frente a média histórica de 51,4 pontos. Além disso, a indústria se mostrou menos otimista no mês de outubro em relação aos próximos seis meses, com queda das expectativas de demanda pelos produtos, de exportação, de compra de insumos e de contratação de empregados. Ainda assim, as expectativas permanecem no território positivo para os próximos meses.

Indústria avalia que normalização das cadeias de suprimentos está mais próxima
A falta ou o alto custo da matéria-prima se mantém há mais de dois anos como o maior problema enfrentado pelo setor industrial brasileiro. No terceiro trimestre de 2022, entretanto, o problema foi bem menos sinalizado pelos empresários, atingindo 38,1% das empresas, 14,7 pontos percentuais abaixo do segundo trimestre, quando atingia 52,8% das empresas.

A economista da CNI Larissa Nocko lembra que, desde o início da pandemia no primeiro trimestre de 2020, a falta ou o alto preço da matéria-prima tem sido o principal entrave à produção. “Apesar da desaceleração da produção em setembro e das expectativas menos otimistas, a normalização da cadeia e suprimentos é um elemento central para a retomada do ritmo de produção industrial”, explica. A elevada carga tributária se mantém na segunda colocação entre os principais problemas do setor industrial, atingindo 32,8% das empresas no terceiro trimestre de 2022. As taxas de juros elevadas e a demanda interna insuficiente, que atingem 24,9% e 24,7% das empresas, respectivamente.

Ritmo de alta de preços dos insumos desacelera
O preço médio das matérias-primas desacelerou no terceiro trimestre de 2022 em relação ao segundo semestre e alcançou o menor patamar desde o período pré-pandemia. O indicador de evolução do preço de matérias-primas ficou em 56,2 pontos entre julho e setembro deste ano, uma queda de pouco mais de dez pontos em relação a abril e junho, quando registrou 66,9 pontos. O dado varia de 0 a 100 pontos, com uma linha de corte de 50 pontos. Números acima desta linha apontam crescimento e abaixo queda. Esse dado reforça a percepção da indústria de normalização, ainda que parcial, da cadeia de suprimentos e, por consequência, da maior satisfação com a situação financeira das empresas.

Os indicadores que medem a satisfação com o lucro operacional, a satisfação com as condições financeiras das empresas e a facilidade de acesso ao crédito avançaram, respectivamente, 1,9 ponto, 1,9 ponto e 2,6 pontos. O indicador de situação financeira mostra um cenário mais favorável no terceiro trimestre de 2022 na comparação com o segundo. Apesar da melhora, os empresários ainda avaliam que o acesso ao crédito é difícil e que o lucro operacional se situa em patamares insatisfatórios.

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Emprego sobe em ritmo menor em setembro

Intenção de consumo cresce em outubro com alívio da inflação sobre a renda

O aumento reflete a combinação da deflação com a ampliação do emprego formal

Mais sensíveis às variações da inflação, as famílias com renda de até 10 salários mínimos apontaram o maior aumento da intenção de consumir, tanto no mês quanto no ano

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 2,1% no mês de outubro, o nono crescimento consecutivo na série com ajuste sazonal. Com isso, a ICF, apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), alcançou 87 pontos. Apesar de ainda permanecer abaixo dos 100 pontos, na zona de insatisfação, o índice está em trajetória ascendente e cresceu 18,9% em relação a outubro de 2021, a maior taxa da história do indicador. Nesse sentido, se destacou a percepção sobre o nível de consumo atual que atingiu aumento de 4,1%, maior alta entre todos os indicadores da ICF. “O resultado positivo é produto da combinação da deflação com crescimento do emprego formal, das transferências de renda e da facilitação da contratação de crédito”, pontua o presidente da CNC, José Roberto Tadros, em nota.

Mais sensíveis às variações da inflação, as famílias com renda de até 10 salários mínimos apontaram o maior aumento da intenção de consumir, tanto no mês quanto no ano. Ainda assim, o indicador para esse grupo permanece no quadrante negativo, com 83,5 pontos e 12,6 pontos abaixo do nível anterior à pandemia. A intenção de consumo avançou menos para as famílias que ganham mais de 10 salários mínimos, mas o índice em 104 pontos revela maior satisfação desse grupo do que entre os consumidores de menor renda.

Deflação em alimentos e transportes
No total de consumidores entrevistados pela CNC, 31,8% avaliaram a renda atual como melhor do que no ano passado, maior percentual desde abril de 2020, quando o índice chegou a 35,8%. Entre as famílias de rendas média e baixa, a satisfação com a renda atual avançou 2,4%, acima das famílias consideradas mais ricas, que foi de 1,2%. A economista da CNC responsável pela ICF, Izis Ferreira, explica que a melhora da avaliação da renda é resultado do recuo recente na inflação, que pesa mais sobre as famílias com vencimentos menores. A inflação desagregada por faixa de renda, segundo recortes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostrou em setembro o terceiro mês seguido de redução (-0,29%) para os consumidores nos grupos de rendas média e baixa, com maiores quedas em alimentos e bebidas (-0,11%) e transportes (-0,41%). “Apesar dessas reduções, a maior contribuição para a alta do IPCA no ano foi do grupo de alimentos e bebidas, um dos itens mais representativos nos orçamentos das famílias de renda baixa”, analisa Izis Ferreira. Conforme ela, esses consumidores ainda se mantêm cautelosos, com idas mais frequentes aos supermercados e ampliação da busca por ofertas.

A perspectiva de consumir nos próximos meses avançou 2,5% em outubro, mas subiu 3,5% entre as famílias consideradas mais ricas, enquanto para o conjunto de menor renda o aumento foi de 2,2%. Embora o indicador tenha crescido para os dois grupos, ambos ainda estão na zona de insatisfação. “A inflação, mesmo em queda, ainda dificulta o consumo, e o maior nível de endividamento das famílias também reduz a capacidade futura de compras, especialmente das famílias de rendas média e baixa”, aponta Izis. Os consumidores também avaliaram que o acesso ao crédito está mais fácil – o indicador avançou 1,9% no mês, nas duas faixas de renda. No entanto, em um ano, o índice cresceu em intensidade maior entre o grupo com rendas média e baixa, alta de 10,6%. Isso, segundo a economista, decorre porque, mesmo com o crédito mais caro em razão da alta dos juros, essas famílias têm contratado mais empréstimos como forma de sustentar o consumo, tanto que o endividamento tem crescido mais nesse grupo.

O aumento reflete a combinação da deflação com a ampliação do emprego formal