Archives 2022

ONU defende pacto de solidariedade climática

António Guterres afirma na COP27 que mundo está em estrada para inferno climático

Pacto amplia esforços para reduzir, na atual década, as emissões mantendo, dessa forma, os países em linha com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5º acima das temperaturas pré-industriais

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu nesta segunda-feira (7) um “pacto de solidariedade climática” entre os países participantes da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP27). Segundo ele, essa é a alternativa que resta para evitar, como consequência, o “suicídio coletivo” do planeta. “Nosso planeta está se aproximando rapidamente do ponto de inflexão que tornará o caos climático irreversível. Estamos em uma estrada para o inferno climático com o pé no acelerador”, disse Guterres no discurso de abertura das atividades. Ele defendeu que, durante os trabalhos da COP27, seja feito um “pacto histórico de solidariedade climática” entre economias desenvolvidas e emergentes. Esse pacto implica, disse, a ampliação de esforços para reduzir, na atual década, as emissões mantendo, dessa forma, os países em linha com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5º acima das temperaturas pré-industriais.

“Trata-se de um pacto no qual os países mais ricos e as instituições financeiras internacionais deverão fornecer assistência financeira e técnica para ajudar as economias emergentes a acelerarem sua própria transição de energia renovável”, afirmou. De acordo com o secretário, o pacto buscará acabar com a dependência de combustíveis fósseis e visar à eliminação do uso de carvão como combustível de usinas até 2040. “É também um pacto para fornecer energia universal, acessível e sustentável a todos e em que economias desenvolvidas e emergentes se unam em torno de uma estratégia comum, combinando capacidades e recursos em benefício da humanidade”.

Citando as duas maiores economias do mundo, Guterres declarou que os Estados Unidos e a China têm a responsabilidade de “juntar forças” para tornar esse pacto uma realidade. “É a nossa única esperança de cumprir as metas climáticas. A humanidade tem uma escolha: cooperar ou perecer. Ou faremos um pacto de solidariedade climática, ou teremos um pacto de suicídio coletivo”, argumentou. “As atividades humanas são as causas dos problemas climáticos. Portanto, a ação humana tem de ser a solução, de forma a restabelecermos ambições e reconstruirmos a confiança, em especial entre o Norte e o Sul”, completou.

Adaptação
Para evitar um “destino terrível”, Guterres disse que todos os países do G20 [grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo] devem acelerar a transição já nesta década. “Os países desenvolvidos devem assumir a liderança, mas as economias emergentes são também fundamentais para isso”. Ele lembrou que, atualmente, há cerca de 3,5 bilhões de pessoas vivendo em países “altamente vulneráveis aos impactos climáticos” e que, durante o encontro de Glasgow, os países desenvolvidos se comprometeram a dobrar seu apoio à adaptação para US$ 40 bilhões por ano até 2025.

“Precisamos de um roteiro sobre como isso será implementado e devemos reconhecer que é apenas um primeiro passo, porque as necessidades de adaptação ultrapassam US$ 300 bilhões por ano até 2030”, afirmou ao defender que metade do financiamento climático deve ser dedicado a medidas de adaptação. “As instituições financeiras internacionais e os bancos multilaterais de desenvolvimento devem mudar o modelo de negócios, fazer sua parte para aumentar o financiamento de medidas de adaptação e atuar como alavanca para mobilizar mais financiamento privado destinado à ação climática”, acrescentou.

O secretário-geral ressaltou que os países que menos contribuíram para a crise climática têm “colhido turbilhões semeados por outros países”. Ele se referiu assim a desastres ambientais potencializados pelas mudanças climáticas, causadas por outros países. “Em muitos casos, esses países são pegos de surpresa, impactados por eventos inesperados ou para os quais não haviam se preparado. É por isso que estou pedindo a cobertura universal dos sistemas de alerta precoce dentro de cinco anos. E é por isso que estou pedindo que todos os governos tributem lucros das empresas de combustíveis fósseis”, disse.

Segundo Guterres, os valores arrecadados por meio dessas tributações devem ser direcionados aos países que sofrem “perdas e danos causados pela crise climática”, à luta contra o aumento dos preços de alimentos e em favor do uso de energias renováveis. “A boa notícia é que sabemos o que fazer e temos as ferramentas financeiras e tecnológicas para realizar o trabalho. É hora de as nações se unirem para a implementação. É hora de solidariedade internacional. Uma solidariedade que respeite todos os direitos humanos e que garanta espaço seguro para os defensores do meio ambiente e para todos que venham a contribuir à nossa resposta climática. Não esqueçamos que a guerra contra a natureza é, em si, uma violação massiva dos direitos humanos”.

Sobre os conflitos que estão ocorrendo no mundo – entre eles a guerra na Ucrânia –, o secretário disse lamentar o derramamento de sangue e a violência praticada. Ele, no entanto, ressaltou que esses conflitos não podem prejudicar as ações e os planejamentos para os problemas que envolvem a questão climática. “Não podemos aceitar que nossa atenção não esteja voltada para as mudanças do clima. É claro que devemos trabalhar juntos para apoiar os esforços de paz e acabar com o tremendo sofrimento, mas a mudança climática está em uma linha de tempo e em uma escala diferente. Essa é a questão definidora de nossa era e o desafio central do nosso século. É inaceitável, ultrajante e autodestrutivo colocá-la fora das prioridades”, afirmou. Para Guterres, muitos dos conflitos atuais estão ligados ao crescente caos climático. “A guerra na Ucrânia expôs os riscos profundos do nosso vício em combustíveis fósseis, mas as crises de hoje não podem ser uma desculpa para retrocessos”, concluiu.

*Com informações da Agência Reuters.

António Guterres afirma na COP27 que mundo está em estrada para inferno climático

Sauvignon Blanc de São Joaquim está entre os vinhos mais representativos da Safra 2022

30ª Avaliação Nacional de Vinhos reuniu 1.634 apreciadores de todo o Brasil e de quatro países no Sul

Unindo o encontro presencial e o online, a maior degustação de vinhos de uma safra do mundo aproximou apreciadores de todos os estados brasileiros, além do DF

De Bento Gonçalves (RS) 

A maior Avaliação Nacional de Vinhos da história foi emocionante. Marcada pela retomada do evento presencial, mantendo a transmissão simultânea pelo Youtube, foram 600 apreciadores e mais de 150 pessoas na organização do evento em Bento Gonçalves, outros 900 enófilos acompanhando de casa e mais 134 formadores de opinião em sete polos físicos espalhados pelo Brasil. Juntos, os 1.634 amigos do vinho brasileiro degustaram ao mesmo tempo as 16 amostras mais representativas da Safra 2022, vindas de terroirs das cidades gaúchas de Alto Feliz, Bento Gonçalves, Canela, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi e Muitos Capões, além da catarinense São Joaquim. Os vinhos selecionados revelam as variedades Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Moscato Giallo, Pinot Gris, Pinot Noir, Sauvignon Blanc, Tannat, Roriz e Teroldego (veja a relação completa ao final deste post).

Unindo o encontro presencial e o online, a maior degustação de vinhos de uma safra do mundo aproximou apreciadores de todos os estados brasileiros, além do DF. Para servir as 1.634 taças, foram necessários 96,6 litros por amostra, totalizando 1.545 litros entre os 16 vinhos. Foram 54 garrafas de 750 ml em Bento Gonçalves e outras 300 garrafas de 187 ml para os kits, por amostra. O serviço do vinho, realizado por 120 alunos de cursos de viticultura e enologia, foi uma atração à parte numa coreografia que já acompanha o evento desde a primeira edição, em 1993.

A cada amostra, um novo comentário. A tarefa coube a um grupo heterogêneo formado por enólogos, chefs, jornalistas, sommeliers e enófilos, entre eles sete mulheres. Os 16 comentaristas se unem à ABE num trabalho de promoção e divulgação do vinho brasileiro, sua evolução e cultura. Por isso, esse painel sempre traz diversidade. “Mesclamos especialistas e leigos por entendermos que o vinho brasileiro deve estar onde o brasileiro está, em todos os lugares”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), enólogo André Gasperin.

O enólogo Gilmar Pedrucci, que presidiu a primeira edição reviveu a experiência, juntamente com os jornalistas Affonso Ritter e Irineu Guarnier Filho, já homenageados com o Troféu Vitis, além de Alejandro Cardozo, Enólogo do Ano 2021. Os enólogos Elba Hormazabal (Chile), Giordano Formenti (Itália), José-Manuel Zabala (Chile) e Estela de Frutos (Uruguai) também marcaram presença, além dos chefs de cozinha Flávia Quaresma e Carlos Bertolazzi, das jornalistas Suzana Barelli e Lilian Lima, também sommelier, assim como Ana Cristina Mokdeci. A comunicadora e educadora e Nathalia Cirio e o professor e enófilo Adão Villaverde completaram o time juntamente com Wallace Gonçalves Neves, eleito o Melhor Sommelier do país pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) em um concurso feito com o apoio da regional gaúcha da entidade (ABS-RS).

Troféu Vitis 2022
Todos os anos, durante a Avaliação, a ABE aproveita o maior momento do vinho brasileiro para homenagear duas pessoas pela sua contribuição ao setor. Nesta edição, o Troféu Vitis Amigo do Vinho Brasileiro 2022 foi para a gestora de Projetos do Sebrae, Angélica Brandalise, que vem atuando na geração de negócios para a cadeia produtiva da uva e do vinho, auxiliando, especialmente, os pequenos produtores. E o Troféu Vitis Enológico 2022 ficou com o enólogo Gilmar Pedrucci, que presidiu as duas primeiras edições da Avaliação, assim como a ABE nos anos de 1993 e 1994.

Leilão de obra pintada com vinho
A obra do artista plástico Ivalino José Postal, pintada a base de vinho, e que integra a campanha da Avaliação deste ano, será leiloada. O lançamento foi dado pelo presidente da ABE, André Gasperin, durante o evento. Avaliada em R$ 6 mil, o quadro tem 65cm x 87cm com moldura e retrata as marcas que a ANV deixou na evolução do vinho brasileiro. O leilão é oficial e online e http://www.lunellileiloes.com.br/leilao-virtual/xa-001-pintura-sobre-tela. Para poder dar lance é necessário preencher o cadastro. A ABE entregará o valor arrecadado para a APAE de Bento Gonçalves.

AS 16 AMOSTRAS MAIS REPRESENTATIVAS DA SAFRA 2022

CATEGORIA VINHO BASE ESPUMANTE

1.Chardonnay – Empresa Brasileira de Vinificações – Caxias do Sul (RS)

2.Chardonnay – Ponto Nero Indústria de Bebidas – Garibaldi (RS)

3.Pinot Noir e Chardonnay – Vinícola Salton – Bento Gonçalves (RS)

CATEGORIA BRANCO FINO SECO NÃO AROMÁTICO

4.Pinot Gris – Cooperativa Vinícola São João – Farroupilha (RS)

5.Chardonnay – Vinícola Perini – Farroupilha (RS)

CATEGORIA BRANCO FINO SECO AROMÁTICO

6.Moscato Giallo – Vinícola Gaio – Flores da Cunha (RS)

7.Sauvignon Blanc – Vivalti Vinícola – São Joaquim (SC)

CATEGORIA ROSÉ FINO SECO

8.Tannat – Casa Venturini Vinhos e Espumantes – Flores da Cunha (RS)

CATEGORIA TINTO FINO SECO JOVEM

9.Roriz – Vinícola Família Lemos de Almeida Vinhas e Vinhos – Muitos Capões (RS)

CATEGORIA TINTO FINO SECO

10.Tannat – Vinícola Mioranza – Flores da Cunha (RS)

11.Merlot – Cooperativa Vinícola Aurora – Bento Gonçalves (RS)

12.Merlot – Vinícola Don Guerino – Alto Feliz (RS)

13.Cabernet Sauvignon – Vinícola Almaúnica – Bento Gonçalves (RS)

14.Cabernet Sauvignon – Casa Valduga Vinhos Finos – Bento Gonçalves (RS)

15.Teroldego – Vinhos Larentis – Bento Gonçalves (RS)

16.Tannat – Vitivinícola Jolimont – Canela (RS)

30ª Avaliação Nacional de Vinhos reuniu 1.634 apreciadores de todo o Brasil e de quatro países no Sul

Inadimplência atinge maior taxa anual desde 2016

Volume de famílias com contas atrasadas mantém tendência de alta

As proporções de endividados no cartão de crédito e no cheque especial aumentaram em um ano, embora sejam as modalidades com as maiores taxas de juros

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apontou queda de 0,1 ponto percentual na proporção de endividados em outubro, após três altas consecutivas. No total, 79,2% das famílias pesquisadas relataram ter dívidas a vencer. Em um ano, no entanto, a proporção de endividados avançou 4,6 pontos percentuais, a menor taxa anual desde julho de 2021. Na inadimplência, a proporção de famílias brasileiras com contas atrasadas cresceu de 30% para 30,3%, quarta alta mensal seguida. Em um ano, o avanço de 4,6 pontos percentuais no indicador foi o maior desde março de 2016.

O endividamento está menor tanto entre as famílias de rendas média e baixa (até 10 salários mínimos) quanto para aquelas na faixa de maiores rendimentos (acima de 10 salários mínimos). A redução, na passagem mensal, foi mais expressiva entre os consumidores de renda elevada. Porém, em um ano, a proporção de endividados cresceu mais. “A geração progressiva de vagas no mercado de trabalho, a queda da inflação nos últimos meses, além das políticas de transferência de renda mais robustas têm aumentado a renda disponível, o que explica a desaceleração da proporção total de endividados”, indica o presidente da CNC, José Roberto Tadros, em nota.

Juros altos dificultam pagamentos em dia
Mesmo com a retomada progressiva do fôlego na economia, os orçamentos domésticos seguem apertados, principalmente entre as famílias de menor renda. “O nível de endividamento alto e os juros elevados pioram as despesas financeiras associadas às dívidas em andamento, ficando mais difícil quitar todos os compromissos financeiros dentro do mês”, pontua Tadros. Segundo ele, esse conjunto de variáveis resultou na quarta alta do volume de consumidores com dívidas atrasadas.

Os dados do Banco Central (Bacen) revelaram que os juros anuais em todas as linhas de crédito às pessoas físicas atingiram 53,7% em média, em setembro, crescimento de 12,5 pontos percentuais. Mas, segundo a economista da CNC responsável pela Peic, Izis Ferreira, a boa notícia é que a proporção de famílias com dívidas atrasadas por mais de 90 dias vem se reduzindo desde abril. Em outubro, esse indicador alcançou 41,9% dos inadimplentes, a menor proporção desde dezembro de 2021. “Os consumidores têm buscado renegociar as dívidas sem pagamento há mais tempo”, avalia Izis Ferreira. A porcentagem de famílias que afirmaram não ter condições de pagar as contas caiu 1 ponto percetual de setembro para outubro, representando 10,6% do total de famílias.

Sul e Sudeste são os mais endividados
Embora o endividamento tenha caído no Brasil, neste início do último trimestre, em 17 das 27 unidades federativas, a proporção de endividados cresceu entre setembro e outubro. Dos cinco estados com os maiores volumes de consumidores endividados, dois estão na região Sul. No Paraná, 95,8% das famílias estão endividadas, enquanto, no Rio Grande do Sul, esse percentual chega a 91,9%. Os três estados seguintes no ranking são do Sudeste: Rio de Janeiro, onde 89,7% possuem dívidas, Espírito Santo, com 88,5%, e Minas Gerais, que atingiu o índice de 87,2%.

Dívidas no cartão de crédito e no cheque especial preponderam
As proporções de endividados no cartão de crédito e no cheque especial aumentaram em um ano, embora sejam as modalidades com as maiores taxas de juros. “Caracterizados pela facilidade no acesso e alta relação com as necessidades de consumo de curto prazo, os dois tipos de dívida foram os mais buscados pelos consumidores que tiveram o poder de compra afetado pela alta da inflação no período”, explica a economista Izis Ferreira.

Já o crédito consignado, um dos tipos de crédito com juros mais baixos (cerca de 25% ao ano, segundo dados do Banco Central), perdeu espaço no endividamento dos brasileiros: 5% do total de consumidores endividados tem dívidas consignadas atualmente, ante 7% em outubro de 2021. Apesar disso, Izis analisa que essa proporção deve crescer em razão da contratação desse tipo de crédito pelos beneficiários do Auxílio Brasil. Entre setembro e outubro, a Peic mostrou que o endividamento no consignado teve a primeira alta em cinco meses, com avanço de 0,1 ponto percentual. “Vale notar ainda que, nos dias 10 e 11 de outubro, o Google Trends apontou recordes nos índices de busca pelo termo ‘consignado Auxílio Brasil’, justamente quando a Caixa Econômica Federal anunciou a oferta dessa linha de crédito específica para beneficiários desse programa de transferência de renda.”

Volume de famílias com contas atrasadas mantém tendência de alta

Indústrias pequenas são menos afetadas por escassez de matéria-prima

CNI aponta melhora na situação financeira de micro e pequenas empresas

O encarecimento e a dificuldade de acesso às matérias-primas não deixaram de atingir a indústria, mas o problema foi menos assinalado no terceiro trimestre e deve recuar ainda mais no fim do ano

A escassez e o encarecimento das matérias-primas estão afetando menos as indústrias de micro e pequeno porte. É o que revela a pesquisa trimestral Panorama da Pequena Indústria, divulgada nesta segunda-feira (7) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o levantamento, de julho a setembro, a falta ou o alto custo da matéria-prima continuou a ser a principal preocupação na indústria de transformação, porém em menor intensidade que no trimestre anterior. Na indústria da construção, os juros elevados tornaram-se o principal entrave. Na indústria extrativa, a carga tributária voltou a ser o maior problema. Para a analista de políticas e indústria da CNI, Paula Verlangeiro, o encarecimento e a dificuldade de acesso às matérias-primas não deixaram de atingir a indústria, mas o problema foi menos assinalado no terceiro trimestre e deve recuar ainda mais no fim do ano.

A pesquisa apontou melhoria na situação financeira das indústrias de micro e pequeno porte. O Índice de Situação Financeira chegou a 43,7 pontos no terceiro trimestre, apresentando o melhor resultado desde 2013. Segundo a CNI, o avanço pode ser explicado pelo aumento dos indicadores de satisfação com o lucro operacional e de facilidade de acesso ao crédito, que continuou crescendo, mesmo com os juros altos. O Índice de Desempenho médio do setor ficou em 49 pontos, acima da média histórica para o trimestre (45,3 pontos) e 1,6 ponto superior ao terceiro trimestre do ano passado.

Confiança
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) para as indústrias de pequeno porte atingiu 58,7 pontos em outubro. O indicador caiu em relação a setembro (61,9 pontos), mas mantém-se acima da média histórica de 53 pontos e indica manutenção da confiança. Pela pesquisa, índices acima de 50 pontos revelam otimismo. A pesquisa é divulgada trimestralmente com base num recorte para as empresas de menor porte dos números da Sondagem Industrial, da Sondagem Indústria da Construção e do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei). Todos os meses, as pesquisas ouvem cerca de 900 empresários de empresas de pequeno porte. Entre os itens considerados na composição dos índices, estão volume de produção, número de empregados, utilização da capacidade instalada, satisfação com o lucro operacional e situação financeira, facilidade de acesso ao crédito, expectativa de evolução da demanda e intenção de investimento e de contratações.

Com Agência Brasil

CNI aponta melhora na situação financeira de micro e pequenas empresas

FloodHub: AI do Google detecta inundações no Brasil

O Google anunciou que vem usando sua tecnologia de inteligência artificial para desenvolver um sistema capaz de detectar inundações e incêndios florestais.

A empresa diz que vai ativar a ferramenta para gerar previsões de inundações para bacias hidrográficas em outros 18 países, incluindo o Brasil.

Outros países monitorados são Colômbia, Sri Lanka, Burkina Faso, Camarões, Chade, República Democrática do Congo, Costa do Marfim, Gana, Guiné, Malawi, Nigéria, Serra Leoa, Angola, Sudão do Sul, Namíbia, Libéria e África do Sul. 

A empresa atualmente oferece avisos de inundação para usuários na Índia e Bangaldesh com alertas em dispositivos Android e telefones que possuem o aplicativo Google Search instalado.

O Google também está disponibilizando uma ferramenta chamada FloodHub disponível em todo o mundo. Ela usa dados de previsão do tempo, oferecendo avisos de inundação com até uma semana de antecedência.

O FloodHub mostra previsões de enchentes em um mapa e mostra quando e onde elas podem ocorrer com pinos codificados por cores e ajuda organizações e governos a mobilizar suas respostas.

“Esta expansão na cobertura geográfica é possível graças aos nossos recentes avanços em modelos de previsão de inundações baseados em IA, e estamos comprometidos em expandir para mais países”, postou Yossi Matias, vice-presidente de engenharia e líder de resposta a crises do Google.

Incêndios florestais

Em relação aos incêndios florestais, o Google tem uma tecnologia que detecta “incêndios florestais usando novos modelos de IA baseados em imagens de satélite e [mostra] sua localização em tempo real na Pesquisa e no Mapas”. 

Por enquanto, as ferramentas de rastreamento estão restritas aos EUA, México, Canadá e áreas da Austrália, e utiliza dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica e dos satélites da NASA para rastreamento de incêndios florestais.

Matias também lembrou outros trabalhos que o Google e a Alphabet estão fazendo para mitigar as mudanças climáticas, como tornar os semáforos mais eficientes e reduzir a poluição dos carros parados e tornar o sistema alimentar global mais sustentável.

O Google anunciou que vem usando sua tecnologia de inteligência artificial para desenvolver um sistema capaz de detectar…

Google compra Alter, startup de avatar com inteligência artificial

O Google adquiriu a Alter, uma startup de avatar de inteligência artificial que permite se expressar usando uma identidade virtual.

Alter desenvolve uma plataforma de de código aberto que consiste em um “sistema de avatar 3D em tempo real e captura de movimento construído do zero para interoperabilidade web3 e metaverso aberto”.

A aquisição, segundo o TechCrunch, custou ao Google mais de US$ 100 milhões, e teria sido concluída há cerca de dois meses, mas nenhuma das empresas a divulgou ao público.

O motivo da aquisição seria mais um esforço de Mountain View para competir melhor com o TikTok, ao adotar um sistema de avatares que poderia agradar mais o público mais jovem.

A Alter era conhecida antes como Facemoji. Seus avatares podem ser incorporados em aplicativos, jogos e sites.

O Google adquiriu a Alter, uma startup de avatar de inteligência artificial que permite se expressar usando uma…

Google lança widgets para a tela de bloqueio do iOS 16

O Google lançou uma variedade de widgets que podem ser usados na tela de bloqueio do iOS 16 para rápido acesso aos seus produtos e serviços.

“Nossos widgets de tela de bloqueio para iOS 16 estão disponíveis oficialmente, para que você possa acessar os recursos de seus aplicativos favoritos do Google com um toque rápido ou até mesmo uma olhada na tela de bloqueio do iPhone”, diz o Google.

Os widgets fornecem acesso rápida a informações como número de novas mensagens no Gmail, enquanto o Maps mostra o tempo estimado de viagem, iniciar navegação com apenas um toque ou restaurantes próximos.

Widgets para o Chrome e o aplicativo do Google, por sua vez, podem ajudar a iniciar pesquisas na web, ativar comandos de voz ou recursos como o Lens para tradução. No caso do YouTube, basta tocar para assistir Shorts ou novos vídeos de canais favoritos.

De acordo com o Google, os widgets só podem ser criados para apps que já estejam instalados no seu dispositivo iOS.

Saiba mais como adicionar um widget à tela de bloqueio do iPhone.

O Google lançou uma variedade de widgets que podem ser usados na tela de bloqueio do iOS 16…

YouTube começa a integrar Showtime, Paramount+ e outros streamings

Seguindo os passos do Prime Video, o YouTube começou a incorporar serviços de streaming em sua plataforma dentre de um novo recurso chamado Primetime Channels

A ideia é centralizar programas de TV, filmes e esportes de empresas de streamings como Showtime , Starz , Paramount+ e AMC+ ao lado de novos vídeos lançado por canais do próprio YouTube.

Disponível inicialmente para os residentes dos EUA, os consumidores podem se inscrever em mais de 30 canais dentro do YouTube.

O Primetime Channels incluem trailers, entrevistas com o elenco e cenas dos bastidores ao lado de episódios e filmes. 

Você poderá pesquisar filmes e programas de canais por meio do painel de pesquisa principal do YouTube. 

Se um filme ou programa estiver disponível em um serviço no qual você se inscreveu, você verá um ícone verde “assistir agora”. Caso contrário, o ícone lerá “pague para assistir”.

Canais disponíveis:

Seguindo os passos do Prime Video, o YouTube começou a incorporar serviços de streaming em sua plataforma dentre…

Google encerra aplicativo do Street View e Photo Path em 2023

O Google anunciou que pretende encerrar o desenvolvimento do aplicativo Street View em 21 de março de 2023.

O porta-voz da empresa, Madison Gouveia, confirmou que o aplicativo será retirado das lojas nas próximas semanas.

O aplicativo Street View, disponível para Android e iOS desde 2015, permitia criar fotos esféricas em 360º com apenas alguns passos usando qualquer câmera de smartphone.

No ano passado, o aplicativo ganhou um recurso Photo Path, permitindo gravar locais remotos ou não registrados por meio de uma foto 2D contínua.

Enquanto o Google continua apostando no Street View usando o Street View Studio para fazer upload de imagens, o Photo Path não receberá mais imagens com o fim do app.

O Google anunciou que pretende encerrar o desenvolvimento do aplicativo Street View em 21 de março de 2023.…

Google vai encerrar suporte do Chrome para Windows 7 e 8.1 no início de 2023

Os usuários do Google Chrome que executam o navegador em dispositivos Windows 7 ou Windows 8.1 em breve ficarão sem atualizações do navegador da Web.

O Google anunciou que seu suporte para ambos os sistemas operacionais terminará no início de 2023.

O Windows 7 está atualmente em seu terceiro ano de suporte estendido da Microsoft. O último ano de suporte terminará em 10 de janeiro de 2023. Da mesma forma, o suporte ao Windows 8.1 terminará no mesmo dia de 2023.

Com o fim do suporte oficial da Microsoft, o Google decidiu abandonar o suporte para ambos os sistemas operacionais no Chrome.

A empresa planeja encerrar oficialmente o suporte quando o Google Chrome versão 110 for lançado em 7 de fevereiro de 2023. Segundo o Google, versões futuras do Chrome não serão mais lançadas para Windows 7 e 8.1.

Resta saber se a empresa planeja bloquear instalações do Chrome ou atualizações manuais em sistemas sem suporte.

Os usuários do Chrome podem continuar usando as versões mais recentes lançadas antes do fim do suporte. Geralmente, não é recomendado fazer isso, pois podem conter bugs e problemas de segurança que o Google resolve no Chrome apenas para sistemas operacionais compatíveis.

Os usuários do Google Chrome que executam o navegador em dispositivos Windows 7 ou Windows 8.1 em breve…

Vídeo do lançamento do livro 100 Marcas do Rio Grande vol. Il

Assista a cobertura completa do evento que reuniu grandes lideranças gaúchas 

Evento de lançamento do livro 100 Marcas do Rio Grande vol. II, aconteceu em outubro no Centro de Eventos da FIERGS-RS. Na ocasião lideranças de todas as empresas registradas no livro comparecerão para assinar a publicação e realizar network, reforçando o slogan de AMANHÃ, que tem como propósito conectar líderes. 

Assista a cobertura completa do evento que reuniu grandes lideranças gaúchas 

Curitiba pode atrair polo de franquias com redução de imposto

O Sul representa hoje o segundo maior mercado de franquias do país

Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul representam 23% do total movimentado pelo setor de franquias no Brasil

O prefeito Rafael Greca recebeu, nesta sexta-feira (4), o diretor internacional da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Natan Baril, que veio agradecer o município pela redução da alíquota de ISS para o setor de franquias. As alterações estão na lei complementar 134/2022, que foi sancionada pelo prefeito Rafael Greca e publicada no dia 24 de outubro, após o projeto ter sido aprovado na Câmara Municipal de Curitiba (CMC). A alíquota de ISS foi reduzida de 5% para 2%. A previsão é que, com a redução da alíquota e o aumento de negócios no setor, ocorra uma elevação de arrecadação da ordem de R$ 1,5 milhão ao ano.

“Diminuímos a alíquota de ISS em Curitiba para que as empresas de franquias não tenham que ir para outros municípios em busca de vantagens tributárias. Queremos que essas empresas venham para Curitiba, movimentem a economia e gerem empregos”, comentou Greca. O prefeito estava acompanhado pelos secretários de planejamento, finanças e orçamento, Cristiano Hotz, e do governo municipal, Luiz Fernando Jamur, e da presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, Cris Alessi.

Para Natal Baril, essa redução vai fazer com que grandes franqueados venham para a cidade. “Existem muitas oportunidades de negócios e a capital do Paraná vai atrair mais empresas”, projeta Baril. A capital tem 66 empresas franqueadas, 33% do total do estado. “O Sul representa hoje o segundo maior mercado de franquias do País, atrás apenas de São Paulo e representando 23% do total movimentado pelo setor”, acrescentou.

Cris Alessi ressaltou a importância da atuação do setor empresarial em parceria com o poder público. “Curitiba, por meio dos seus projetos de inovação, dentro do âmbito do Vale do Pinhão, exerce um papel fundamental em indicar oportunidades e áreas para instalação de empresas, além de prestar assessoria para que esses negócios prosperem”, afirmou.

O Sul representa hoje o segundo maior mercado de franquias do país

Plano de modernização industrial da China levará mais tempo

Será realmente difícil chegar lá em 2025 por causa dos impactos negativos dos três anos de pandemia que afetaram bastante o setor industrial chinês, mas isso não impedirá o país de continuar na direção planejada

Tanta robótica instalada aumentou no ritmo de quase tudo o que o país decide fazer – aos saltos: de 69 mil em 2015 para 156 mil em 2017

Lustrosas bolas de cristal estão em febril atividade no mundo inteiro, em “think tanks”, entidades empresariais, governos, universidades, na maioria das empresas que trabalham com a China, e em toda a mídia especializada, tentando descobrir os cenários possíveis para a China nos próximos anos, e as tendências nos diversos segmentos da economia, a partir das definições do Partido Comunista (PC) chinês, em seu 20º Congresso quinquenal, realizado entre 16 a 20 de outubro.

Decifrar o longo relatório (69 páginas) apresentado pelo presidente Xi Jinping na abertura do evento, dia 16, com as realizações do período que se finda e as propostas para o próximo, é uma árdua missão, até para quem está acostumado a pesquisar significados nas entrelinhas de discursos de dirigentes chineses, e a captar as nuances de acordo com o que se sabe do ambiente político no país – dificultadas sempre por traduções literais do mandarim para o inglês ou o português.

Coincidem as definições estratégicas do PC chinês e o terceiro mandato do presidente Xi Jinping com as eleições no Brasil, e a reiterada disposição do presidente eleito de reindustrializar o país e de melhorar as relações políticas e comerciais com a China. Portanto, cabe agora saber como se darão essas duas mudanças substanciais, já que a China está a léguas de distância do Brasil em questões decisivas, a começar pela malha ferroviária (cinco vezes maior; somente as linhas de alta velocidade já superam a extensão total da brasileira), e culminando no emblemático projeto de modernização industrial “Made in China”, o primeiro degrau significativo do Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação, aprovado em 2015, e em vigor até 2050 (coincidindo com os 100 anos da fundação da República Popular da China). A intenção, anunciada há sete anos, era a de acabarem com o “feito na China, por empresas estrangeiras”, para o novo patamar “fabricado por empresas chinesas”.

Será realmente difícil conseguirem chegar lá em 2025 por causa dos impactos negativos dos três anos de pandemia que afetaram bastante o setor industrial chinês, reduzindo a velocidade dos avanços. Mas não a impediram de continuar na direção planejada, conforme comprova o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), publicado em setembro de 2022: a China mantém sua condição de maior exportadora do mundo da indústria da transformação, com 18,4% de participação, seguida de longe pela Alemanha (8,6%) e Estados Unidos – EUA (8,1%), e muito à frente do Japão (3,9%), Hong Kong (3,6%), Países Baixos (3,4%), Itália (3,2%), Coreia do Sul (3,1%) França (2,9%), Taiwan e México (2,4%), Reino Unido (2,2%), Cingapura, Índia e Suíça (2,1%). A soma da China, Hong Kong e Taiwan resulta em 24,5%; e é de 35,8% o total asiático de participação nas exportações mundiais da indústria.

Com a sétima maior população do mundo e o nono maior PIB, o Brasil aparece nesse ranking em 31º lugar, com 0,8% do bolo mundial. Fraco nas vendas internacionais, menos pior na produção: com 1,3% do total mundial de valor adicionado da indústria da transformação, o Brasil garantiu o 15º lugar em 2021. E a China novamente o 1º lugar, do alto dos seus 30,4% de participação, quase o dobro dos EUA (16,7%), e do Japão (7%), Alemanha (4,7%) e Índia (3,1%) somados.

Outros indicadores confirmam os avanços qualitativos da indústria chinesa, como o ranking 2022 da inovação mundial, no qual a China atingiu o 11º lugar, com 55,3 pontos (em 2012, estava em 34º, com 45,4 pontos). O Brasil, nesse ranking, figurava em 58º, em 2012, com 36,6 pontos; e em 54º, em 2022, com 32,5 pontos. Dado também revelador é o da instalação de robôs – em 2021, foram 243 mil na China (44% a mais que em 2020), metade do total instalado no mundo. Tanta robótica instalada aumentou no ritmo de quase tudo o que o país decide fazer – aos saltos: de 69 mil em 2015 (25º mais automatizado no mundo, com 49 robôs por 10 mil trabalhadores), para 97 mil em 2016, 156 mil em 2017… Dessa forma, em 2020 alcançou o 9º lugar no mundo, com 246 robôs por 10 mil empregados – em números absolutos, o país tinha em 2021 mais de um milhão de robôs em operação.

Investir tanto em automação, precisando gerar 10-12 milhões de novos empregos por ano parece enorme contradição. E não deixa de ser, olhando-se no curto prazo. Mas a médio prazo não é, pela grande redução esperada, da parcela da população chinesa em idade ativa (PIA), resultante do envelhecimento acelerado – a previsão de pessoas idosas (65 anos de idade e mais) na China é de passar dos atuais 220 milhões de habitantes para 350 milhões (25%) em 2030.

Reindustrializar o Brasil é fundamental para gerar empregos de qualidade, absorvendo a mão de obra altamente qualificada que sai todos os anos dos institutos federais e universidades. Conforme isso aconteça, o país entrará em um patamar melhor de desenvolvimento econômico. Foi assim na China nos últimos 30 anos. Quem acompanhou de perto esse período, sabe que a China passou da fase de indústrias de mão de obra intensiva (e barata), para produtos com mais tecnologia, com trabalhadores ganhando muito melhor: de 1990 para 2021, a renda per capita na China (pela paridade do poder de compra, em US$ corrente), passou de US$ 981,40 para US$ 19.338,20. Pelos mesmos critérios, a renda per capita no Brasil saiu de US$ 6.693,60 para US$ 16.056. Apesar do aumento do poder aquisitivo de quem trabalha nas indústrias chinesas, os seus produtos chegam pelo menos 30% mais baratos do que os da Coreia, Japão, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido – e isso somente é possível graças à sua lógica econômica própria, com estrutura de custos menor do que a dos países concorrentes, e à sua formidável malha ferroviária, ligando todas as cidades do país, mais dezenas de portos marítimos eficientes e gigantesca frota. 

Será realmente difícil chegar lá em 2025 por causa dos impactos negativos dos três anos de pandemia que afetaram bastante o setor industrial chinês, mas isso não impedirá o país de continuar na direção planejada

Capacidade de pagamento de famílias e microempresas piorou

Banco Central afirma, no entanto, não haver risco para estabilidade financeira

BC alerta que o cenário ainda é de renda das famílias “cada vez mais comprometida com dívidas mais onerosas, como cartão de crédito e crédito não consignado”

A capacidade de pagamento dos tomadores de crédito piorou, em especial de famílias e microempresas, mesmo diante da recuperação econômica e do aumento do emprego. A avaliação é do Banco Central (BC), em seu Relatório de Estabilidade Financeira referente ao primeiro semestre de 2022. No documento, a entidade alerta que o cenário ainda é de renda das famílias “cada vez mais comprometida com dívidas mais onerosas, como cartão de crédito e crédito não consignado”.

“A materialização de risco aumentou em razão de concessões mais arriscadas em trimestres anteriores. Nas microempresas, os ativos problemáticos aumentaram, a despeito do forte crescimento da carteira [de concessões de crédito]. Em relação às famílias, a materialização de risco cresceu de forma relevante em 2022 no crédito não consignado, no cartão de crédito e no financiamento de veículos”, reforça a publicação.

Segundo o BC, a estimativa da qualidade das contratações para as microempresas ao longo do primeiro semestre ficou em nível inferior à dos períodos anteriores. Para as pessoas físicas, o crédito não consignado continua crescendo mais em operações de maior risco, sem garantia ou com garantia pessoal. No que tange a veículos, ainda predomina o financiamento de usados, com prazos mais longos. “Nesse sentido, cresce a preocupação com o efeito de eventual frustração da atividade econômica sobre a materialização do risco de crédito. Diante de tal quadro, o Comef [Comitê de Estabilidade Financeira] reiteradamente tem avaliado ser importante as instituições financeiras continuarem preservando a qualidade das concessões”, diz.

Mesmo diante desse cenário, as análises do BC indicam que não há risco relevante para a estabilidade financeira e que as perdas estão sendo controladas. “Em linha com o contexto, as provisões [reserva monetária sobre riscos de crédito] aumentaram, e seu nível continua acima das perdas esperadas. A maior constituição de provisões manteve o grau de provisionamento em nível confortável para suportar as perdas esperadas com crédito”, explicou.

Rentabilidade
Apesar das maiores despesas com provisões, a rentabilidade do sistema bancário manteve-se estável no último semestre. O lucro líquido do sistema foi de R$ 138 bilhões no período de doze meses até junho de 2022, 5% superior ao registrado em 2021 e 20% acima do observado nos doze meses até junho de 2021. “Em linha com as altas da Selic [taxa básica de juros], o aumento da margem de tesouraria tem compensado a redução da margem de crédito. Por um lado, a elevação da Selic aumentou o custo de captação, reduzindo a margem de crédito; por outro, elevou a margem com tesouraria. Na parcela dos resultados não dependente dos juros, as rendas de serviço cresceram em ritmo mais lento no primeiro semestre de 2022, mas os bancos têm conseguido manter os custos sob controle mesmo em um contexto de inflação elevada”, diz o relatório.

Segundo o documento, a rentabilidade do sistema deve se manter resiliente, mas o cenário econômico marcado por condições financeiras restritivas e inflação elevada, exige atenção por parte das instituições. O BC reforçou ainda que o sistema bancário permanece com liquidez confortável para manter a estabilidade financeira e o regular funcionamento do sistema, com capacidade para absorver potenciais perdas em cenários estressados e cumprir a regulamentação. “A base de capital é sólida. A capitalização permanece confortavelmente acima dos mínimos regulamentares. A margem de capital regulatório permite expandir a oferta de crédito de forma sustentável”, completou o BC.

O crédito bancário para pessoas físicas manteve o alto ritmo de crescimento, sobretudo no crédito não consignado e no cartão de crédito. Segundo o BC, o crédito às micro, pequenas e médias empresas também seguiu crescendo forte, em especial para financiar capital de giro nas microempresas e investimento nas companhias de médio porte. Já as empresas de maior porte continuaram acessando principalmente o mercado de capitais, mas voltaram a incrementar operações com o sistema bancário. “Tal crescimento está condizente com o ritmo de crescimento do PIB nominal”, diz o BC.

Testes de estresse
Os resultados de diversas análises de risco e dos testes de estresse seguem demonstrando a resiliência da base de capital e do sistema bancário no primeiro semestre do ano. No teste de estresse, o BC simula o quanto uma situação de severa inadimplência e de corrida aos bancos impacta o cumprimento dos limites regulatórios mínimos pelas instituições financeiras e quanto a autoridade monetária precisaria aportar ao sistema financeiro. Entre esses limites está a manutenção de uma reserva em caixa para garantir que os bancos paguem todos os clientes que forem sacar dinheiro em momentos de crise. São testados também os riscos de crédito, juros, câmbio e desvalorização de imóveis.

O BC considerou dois cenários: o primeiro de queda na atividade econômica e no consumo das famílias, aumento do desemprego, queda da inflação e das taxas de juros; e o segundo, de um aumento de incerteza na economia, com deterioração fiscal, alta do câmbio, elevação da taxa de juros e pressão da inflação. “Mesmo em simulações com cenários macroeconômicos mais adversos, não haveria ocorrência de desenquadramentos relevantes. Testes realizados pelas maiores instituições financeiras corroboram a resiliência. As análises de sensibilidade também indicam boa resistência aos fatores de risco, simulados isoladamente”, informa o relatório. “O teste de estresse de liquidez indica quantidade confortável de ativos líquidos em caso de saídas de caixa em condições adversas ou choque nos parâmetros de mercado”, completa.

Riscos climáticos
Neste relatório, o BC avaliou ainda os riscos da carteira de crédito de setores que estão mais expostos a possíveis mudanças regulatórias, tecnológicas ou de comportamento em um processo de transição para uma economia de baixo carbono. Em relação ao risco climático, 8% da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional estão sensíveis ao risco dessa transição. De acordo com o relatório, esse percentual tem variado pouco ao longo do tempo e concentra-se em instituições financeiras de menor porte. Os segmentos Gado de Corte, Transporte de Cargas e Soja respondem por mais de 70% da exposição ao risco de transição.

“Simulação indica que aumentaria a parcela do crédito localizada em municípios com maior risco de estiagem. Atualmente, 16% do estoque de crédito está com tomadores que fazem uso intensivo de água, localizados em municípios com risco de seca médio ou alto. Esse percentual aumenta para 19%, considerando o cenário de secas projetado para 2030 e 2050”, explicou o BC. A região Sudeste, que concentra cerca de metade do PIB brasileiro, estaria mais exposta ao risco de seca, tanto pelo grande volume de crédito quanto pelo número de municípios vulneráveis à seca extrema nos horizontes projetados. Crédito rural para pessoas físicas e crédito ao setor de energia concentram quase metade das exposições consideradas de risco médio e alto.

Com Agência Brasil

Banco Central afirma, no entanto, não haver risco para estabilidade financeira

Venda de veículos acumula alta de 3,3% no ano

Na comparação mensal, houve crescimento de 14,8% em outubro

Houve recuo de 5,5% em outubro ante setembro

A venda de veículos automotores novos acumula alta de 3,3% de janeiro a outubro de 2022 ante o mesmo período do ano passado, aponta balanço da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Na comparação mensal, houve crescimento de 14,8% em outubro em relação ao mesmo mês de 2021. Houve recuo, no entanto, de 5,5% em outubro ante setembro.

O presidente da Fenabrave, Andreta Jr, aponta que a retração pode ser explicada por um menor número de dias úteis em outubro (20). Em setembro foram 21 dias. “Boa parte dos segmentos teve números similares em relação ao mês anterior nas vendas diárias, o que indica que o movimento de recuperação se mantém”, declarou em nota. O volume total de veículos emplacados em outubro foi 316.819. Em setembro, esse número ultrapassou 335 mil unidades. Em outubro de 2021, foram negociados cerca de 275 mil veículos. De janeiro a outubro deste ano, a soma chega a 2.957.600. No mesmo período do ano passado, foram aproximadamente 2,8 milhões de unidades.

Segmentos
No segmento de automóveis e comerciais leves, foram emplacadas 168.474 unidades em outubro. Em setembro, foram pouco mais de 180 mil, uma queda de 6,6%. No acumulado do ano, de janeiro a outubro, esse grupo registra queda de 3,4%. Foram emplacados cerca de 1,5 milhão ante 1,6 milhão no mesmo período do ano passado. A Fenabrave também levantou o número de automóveis e comerciais leves eletrificados. Os emplacamentos desses modelos somaram 4.460 unidades em outubro. No ano, o total é de 38.704 emplacamentos. “Isso representa um resultado 43,6% maior que o acumulado no mesmo período de 2021, quando cerca de 27 mil veículos eletrificados foram emplacados”, destacou o presidente.

O grupo de ônibus e caminhões, por sua vez, teve 12.410 unidades emplacadas. No mês anterior foram mais de 13,5 mil, uma queda de 8,2%. Em relação a outubro de 2021, no entanto, o resultado é melhor, com acréscimo de 1,2% nos emplacamentos.

Com Agência Brasil

Na comparação mensal, houve crescimento de 14,8% em outubro