Archives 2025

PCE Engenharia vê demanda por rebocadores marítimos crescer no Sul

A construção de novos portos na região vai impulsionar procura pelos equipamentos

Novas embarcações devem ser construídas a partir do aumento na infraestrutura portuária brasileira

A construção de novos portos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, bem como a ampliação dos existentes, deve aumentar a demanda por rebocadores e empurradores. Essa tem sido a percepção da PCE Engenharia, de Panambi (RS). Embora não haja dados precisos sobre o número exato de unidades adicionais necessárias, a companhia projeta um crescimento no mercado de apoio portuário nos dois estados. Os estaleiros já percebem um aquecimento de projetos e uma boa taxa de ocupação para embarcações de serviço, indicando perspectivas positivas para o segmento. “Já nos primeiros meses deste ano tivemos um incremento na carteira de pedidos em torno de 75% em relação a 2024”, conta Everton Rorato, diretor comercial da empresa especializada na fabricação e montagem de quadros de comandos para embarcações. Segundo ele, o segmento que representou cerca de 10% do faturamento total da PCE Engenharia.

A PCE atua como fornecedora de painéis elétricos e de automação para o setor naval desde 2007. Segundo Rorato, no Brasil, o segmento de rebocadores e empurradores vem adotando tecnologias modernas, apesar de ainda em um ritmo mais lento em comparação com europeus, chineses e norte-americanos, nas áreas de automação, eficiência energética e redução de emissões. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a frota de cabotagem brasileira, no ano passado, somava 250 a 300 rebocadores utilizados para manobras de atracação e desatracação de navios e aproximadamente 200 barcaças empurradores, totalizando algo em torno de 500 embarcações desse tipo. A idade média da frota de apoio portuário no Brasil caiu de 21 para 18 anos entre 2010 e 2013. Considerando que a vida útil de um rebocador é de aproximadamente 25 anos, cerca de 25% da frota brasileira pode vir a ser substituída nos próximos anos.

A construção de novos portos na região vai impulsionar procura pelos equipamentos

Tem PPR no céu?

Morre o CEO da Igreja Católica

Para não melindrar o maior mercado católico do mundo, Francisco saiu-se com uma boutade simpática: “o Papa é argentino, mas Deus é brasileiro”

Henry Mintzberg acha uma bobagem pagar bônus a CEOs pelo desempenho das empresas. Segundo o professor e pesquisador, o trabalho de um dirigente empresarial deveria ser avaliado por sua contribuição para o longo-prazo da companhia, bem mais difícil de mensurar do que trimestres e anos fiscais terminados no azul ou no vermelho.

Se medir o impacto de um executivo anos ou décadas depois que deixa o cargo é difícil, que dirá fazê-lo com aquele que comanda uma instituição cujo horizonte de tempo são séculos. Pois é com este desafio que comentaristas têm se debatido desde a morte do Papa Francisco, na última segunda-feira (22).

Iniciativas tomadas no papado de Jorge Mario Bergoglio podem só vir a frutificar daqui a gerações, quando caberá aos livros de História, e não a qualquer pessoa viva atualmente, o reconhecimento de seus méritos. De toda sorte, Bergoglio foi, sob vários aspectos, um CEO da Igreja antenado com seu tempo.

Primeiro, no naming, a escolha da maneira como seria chamado durante seu pontificado. Ao optar por Francisco, o santo dos pobres, o argentino cumpriu a ideia de que bons nomes dispensam a propaganda, pois são suficientes para comunicar ideias e ideais. Ponto para ele.

Considerando que, ato contínuo, abriu mão de privilégios papais típicos, como residência suntuosa, crucifixo de ouro e carros luxuosos, além de ter simplificado o próprio funeral, fez da prática coerente com o posicionamento que escolhera para si e para a entidade que comandava. Ponto de novo.

Ao longo dos seus 12 anos de mandato, Francisco deu atenção às questões ambientais, a grupos menos representados na Igreja (mulheres, homossexuais, imigrantes) e tornou mais transparentes o Banco do Vaticano e o enfrentamento de temas sensíveis, como pedofilia. Mais ESG, impossível.

Foi incentivador de um catolicismo “em saída”, que vai ao encontro da população, conhece sua realidade e a convida a participar da vida eclesiástica. Parecido com aqueles presidentes que encostam a barriga no balcão e fazem questão que, de tempos em tempos, seus executivos façam o mesmo, para não perderem o contato com o consumidor. Bem alinhado às práticas de gestão modernas.

Como todo CEO, sabia que seu trabalho era parte inspiracional, parte gerencial e parte político. Daí ter nomeado mais de 100 cardeais entre os 136 que, agora, irão eleger seu sucessor. Supõe-se que alinhados à sua maneira de pensar e dispostos a entronizar um substituto de mesmo mindset, o que indica visão de longo-prazo e foco na perenização da instituição.

Por fim, como todo CEO de multinacional, sabia ser diplomático. Para não melindrar o maior mercado católico do mundo, saiu-se com uma boutade simpática: “o Papa é argentino, mas Deus é brasileiro”.

Orgulhoso, o presidente do conselho deve tê-lo recebido de braços abertos no céu.

Morre o CEO da Igreja Católica

PIB deve subir 2,3% em 2025, menor avanço em cinco anos

CNI projeta, no entanto, que cenário não impedirá o crescimento da demanda

Crescimento mais lento do mercado de trabalho é um dos principais fatores para desaceleração da economia

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diminuiu de 2,4% para 2,3% a projeção de crescimento do PIB em 2025, mostra o Informe Conjuntural do primeiro trimestre, divulgado nesta quinta-feira (24). Esse seria o menor crescimento da economia brasileira nos últimos cinco anos e representaria queda de 1,1 ponto percentual em relação ao resultado do PIB de 2024. O diretor de economia da CNI, Mário Sérgio Telles, explica o que motivou a revisão para baixo do crescimento do PIB. “Reduzimos um pouco a projeção de crescimento do país para esse ano, porque a desaceleração da economia está sendo mais forte do que a CNI esperava e porque o Banco Central dá sinais de que vai elevar ainda mais a taxa Selic”, afirma.

Diante da alta da inflação, que chegou a 5,5% no acumulado em 12 meses até março e, principalmente, da piora das expectativas para esse indicador, o Banco Central (BC) decidiu prolongar o ciclo de aperto monetário, aumentando a taxa de juros para 14,25% ao ano. A CNI acredita que o BC elevará a Selic em meio ponto percentual na próxima reunião e manterá os juros em 14,75% até o fim do ano. Isso deve fazer com que a taxa de juros real encerre 2025 em 9,8% ao ano ante os 7% ao ano registrados em 2024. Nesse cenário, a CNI projeta crescimento real de 6,5% das concessões totais de crédito, abaixo do aumento de 10,6% observado no ano passado. Além do crédito, outros dois fatores importantes para o crescimento da economia em 2024 serão mais moderados este ano: o estímulo fiscal e o mercado de trabalho.

Segundo a CNI, as despesas do governo devem registrar crescimento real de 2%, ante 3,7% em 2024. O menor estímulo fiscal se deve à redução de gastos aprovada no fim do ano passado. Além disso, o governo ainda não teve gastos extraordinários, como aqueles que fez para o enfrentamento às enchentes no Rio Grande do Sul, nem despesas adicionais, como o pagamento extraordinário de precatórios no fim de 2023, que inflaram os gastos públicos no ano seguinte. Apesar de se mostrar aquecido no início de 2025, o mercado de trabalho se expande em ritmo inferior frente ao ano passado. A confederação projeta que isso leve a uma lenta desaceleração da massa de rendimento do trabalho, mas ressalta que, mesmo com a população empregada crescendo menos, a baixa taxa de desemprego vai permitir que o rendimento médio dos trabalhadores suba acima da inflação.

A diminuição do total das concessões de crédito e o crescimento mais lento dos gastos públicos e do mercado de trabalho, no entanto, não vão impedir o crescimento da demanda. A CNI projeta que o consumo das famílias vai subir 2,2% em 2025. Embora positiva, a taxa é menos que a metade da registrada no ano passado. Ainda que programas como o Nova Indústria Brasil (NIB), o Minha Casa, Minha Vida, e a depreciação acelerada sustentem o investimento, o crédito caro tende a enfraquecer novos aportes. A previsão é de alta de 2,8% do investimento em 2025, uma perda de ritmo relevante na comparação com 2024, quando subiram 7,3%.

CNI projeta, no entanto, que cenário não impedirá o crescimento da demanda

Cotribá mira nutrição animal para ampliar receita

Segmento representa hoje 6% da receita da cooperativa de Ibirubá

A Cotribá destinou R$ 180 milhões para a sua nova indústria de nutrição animal, dos quais R$ 130 milhões já foram aplicados na primeira fase

A alta demanda do segmento de nutrição animal com uma produção nacional em torno de 90 milhões de toneladas de rações por ano está impulsionando investimentos na área. Mais antiga cooperativa agropecuária em funcionamento no Brasil, a Cotribá destinou R$ 180 milhões para a sua nova indústria de nutrição animal, dos quais R$ 130 milhões já foram aplicados na primeira fase. Com capacidade para 200 mil toneladas anuais e operando a pleno desde fevereiro, a planta destina-se à produção de rações para gado de leite e de corte, além de suínos, aves e suplementos minerais. Com a conclusão dessa etapa, a Cotribá já estima um faturamento de R$ 270 milhões neste ano e se prepara para a segunda fase do empreendimento, que receberá mais R$ 50 milhões e será voltada ao pet food. A produção da nova linha será de 100 mil toneladas por ano a partir do final de 2025 e início de 2026. Com isso, a projeção da cooperativa é alcançar uma receita bruta de R$ 670 milhões com a nova indústria dentro de uma década.

A Cotribá está no mercado de nutrição animal desde 1979, produzindo 100 mil toneladas por ano nas fábricas de Ibirubá (RS), sede da cooperativa, e Tapera, que agora foram desativadas. O aumento da demanda por parte dos associados e dos produtores, principalmente de bovinos de leite e de corte, que representam mais de 95% da procura, motivou a implantação da nova indústria para ampliar a oferta. A comercialização de rações já se estende até Santa Catarina, principalmente à região Oeste onde a pecuária de leite é relevante. Outras cidades também estão no radar e a meta é aumentar o market share de rações para bovino de leite que, no Rio Grande do Sul, está em torno de 7%.

O novo empreendimento ocupa um terreno de 50 mil metros quadrados, dos quais 15,5 mil metros quadrados são dedicados à infraestrutura. O complexo industrial é totalmente automatizado e conta com sistemas robotizados no ensaque e expedição. A Cotribá também comercializa rações para clientes em suas lojas de agropecuária e já estuda a possibilidade de oferecer a produção para terceiros. Atualmente, o segmento de nutrição animal representa em torno de 6% do faturamento da cooperativa que, em 2024 foi de R$ 3,4 bilhões. O ingresso no segmento de pet food é uma estratégia para agregar valor, pois é um dos que mais cresce no país. Também é uma forma de evitar a dependência do consumo do setor agropecuário.

No ano passado, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o faturamento foi de R$ 42 bilhões. O Brasil é o terceiro maior país do mundo em população pet e faturamento, atrás somente de Estados Unidos e China. Por isso, a segunda fase da nova fábrica será dedicada à introdução de uma linha de produção de rações extrusadas para o mercado pet e também para peixes, camarões e outros. “Estamos avaliando bem esse mercado antes de definir a estratégia de lançamento de produtos”, afirma o gerente da área de varejo, Marcelo Felipe Debortoli. Quando estiver em operação, a capacidade de total da indústria passará para 300 mil toneladas por ano.

Segmento representa hoje 6% da receita da cooperativa de Ibirubá

AMANHÃ revela as marcas mais lembradas pelos gaúchos no dia 28

A pesquisa Top of Mind RS – As Marcas do Rio Grande, realizada desde 1991, é pioneira no país

O Top of Mind RS capta o primeiro nome de marcas de serviços, produtos, comunicação e personalidades de forma espontânea

O Grupo AMANHÃ revelará na próxima segunda-feira (28) as marcas mais lembradas do Rio Grande do Sul. A cerimônia de premiação do Top of Mind RS – As Marcas do Rio Grande terá como palco o teatro da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). A transmissão online, que será feita pelo canal do YouTube do Grupo AMANHÃ, iniciará às 19h30 (clique aqui para ativar o sininho antes do início da cerimônia). O evento reunirá líderes empresariais do Rio Grande do Sul, profissionais da área de marketing e comunicação, além de convidados especiais. A programação do evento também contará com a realização de um coquetel após a premiação, propiciando um período de networking entre as marcas consagradas pelos gaúchos. O caderno especial trazendo todos os resultados e análises será disponibilizado para o público e também poderá ser acessado no formato virtual.

Pesquisa
O Top of Mind RS – As Marcas do Rio Grande, primeira pesquisa de share of mind do Brasil publicada em 1991, nunca abriu mão de rigorosos modelos metodológicos. A pesquisa reproduz em campo as classes sociais, as faixas etárias, a localização e o número de entrevistados. A distribuição das entrevistas obedece um critério de recolher a opinião dos moradores das sete mesorregiões do estado, de modo que represente um retrato fiel da população gaúcha. Os dados são do IBGE.

O Top capta o primeiro nome de marcas de serviços, produtos, comunicação e personalidades de forma espontânea, através de um questionário online estruturado contendo apenas questões abertas, cujas respostas são captadas através da internet, com base aleatória, extraída do painel de respondestes da Engaje Pesquisas totalizando 1.200 entrevistados. A base é estratificada de forma proporcional ao tamanho da população gaúcha, baseada em pessoas de ambos os sexos, com idades entre 16 a 75 anos, de todas as classes sociais (A/B, C e D/E). O Top of Mind RS tem um grau de confiança de 95% para uma margem de erro de até 4%, para mais ou para menos. A realização das entrevistas foi entre os dias 6 e 22 de janeiro de 2025.

A pesquisa Top of Mind RS – As Marcas do Rio Grande, realizada desde 1991, é pioneira no país

Be8 inicia segunda fase da obra de nova usina de etanol

Companhia investe R$ 1,1 bilhão em planta que deverá suprir até 23% da demanda estadual do biocombustível

A previsão é de que as operações tenham início no segundo semestre de 2026

A segunda fase das obras da nova usina de etanol da Be8 iniciou na terça-feira (15). A planta, que utilizará trigo e outros cereais como matéria-prima, receberá investimento de R$ 1,1 bilhão e será a maior do gênero no Rio Grande do Sul. Com área de 80 hectares, a usina terá capacidade de produção anual de 220 milhões de litros de etanol e contará também com a primeira planta industrial de glúten vital do Brasil, com capacidade para atender ao mercado nacional e ao Mercosul. A previsão é de que as operações tenham início no segundo semestre de 2026. No pico das obras, serão gerados até 2 mil postos de trabalho. Após a conclusão, o empreendimento deverá empregar 175 trabalhadores de forma direta e outros 1,5 mil de forma indireta.

A unidade contará ainda com cogeração de energia a partir de biomassa, reaproveitamento de efluentes no processo produtivo e oferta de energia excedente à rede de Passo Fundo. A implantação da usina conta com o apoio do programa estadual Pró-Etanol, criado em 2021 para estimular a produção do biocombustível a partir de culturas de inverno. A Be8 foi uma das empresas beneficiadas, firmando protocolo de intenções com o governo em 2022. O programa permite, entre outras vantagens, a concessão de crédito presumido de ICMS aos produtores. A valorização da produção agrícola local também está entre os impactos esperados. Com o uso de trigo, triticale, milho e outros cereais, a nova usina deve ampliar em mais de 250 mil hectares a área de cultivo de inverno para biocombustíveis, sem afetar a oferta de alimentos. A expectativa é que a unidade seja capaz de suprir até 23% da demanda de etanol do Rio Grande do Sul a partir de 2027.

Para o presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella, o projeto simboliza a realização de um sonho. “O ano foi muito positivo para a Be8, com avanços expressivos em diversas áreas. Mesmo em um cenário desafiador, apuramos os melhores resultados financeiros da nossa história, com mais de 900 milhões de litros de biodiesel produzidos. Investimos fortemente em capital humano e projetos estratégicos que agora ganham forma com essa nova planta”, afirmou. Além da relevância econômica, o investimento impulsionará também o desenvolvimento educacional da região. A empresa firmou parceria com a Universidade de Passo Fundo (UPF) para criação de um curso técnico em biocombustíveis, voltado à formação de mão de obra especializada para o setor.

Neste mês, a companhia se tornou a primeira da América do Sul a obter certificação da California Air Resources Board (Carb) para exportar biodiesel à base de gordura animal para o exigente mercado da Califórnia (EUA). Em outra frente de inovação, a Be8 lançou o Be8 Bevant, novo biocombustível que pode substituir integralmente o óleo diesel em motores convencionais, com previsão de início da produção ainda em 2025. O projeto representa um investimento de R$ 80 milhões e capacidade para até 150 milhões de litros por ano. A empresa também avança em parcerias estratégicas com instituições de pesquisa. Em conjunto com a Embrapa Trigo, desenvolve novas cultivares de triticale voltadas à produção de etanol, com foco em maior produtividade e resistência a estresses climáticos. No campo financeiro, realizou em 2024 sua primeira emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), levantando R$ 200 milhões para aquisição de matérias-primas.

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