Archives Maio 2023

Desemprego tem a menor taxa para abril desde 2015

Índice vem apresentando estabilidade em torno de 8% nos últimos trimestres

A população fora da força de trabalho, ou seja, aqueles que não estão trabalhando e nem procurando emprego, aumentou, chegando a 67,2 milhões de pessoas

A taxa de desemprego do trimestre finalizado em abril deste ano (8,5%) é a menor para o período desde 2015, quando o indicador havia ficado em 8,1%. Na comparação com o ano passado, por exemplo, houve uma queda de 2 pontos percentuais, já que a taxa do trimestre encerrado em abril de 2022 foi de 10,5%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse também é o segundo ano consecutivo em que a taxa de desemprego não cresce em relação ao trimestre encerrado em janeiro, como costuma acontecer nesse período. Em 2022, a taxa caiu 0,7%. Neste ano, manteve-se estável.

Segundo a pesquisadora do IBGE Alessandra Brito, tampouco houve aumento da população desempregada, que se manteve estável, em 9,1 milhões de pessoas. “O que está explicando essa taxa [de desemprego] ter ficado estável [na comparação trimestral] é porque a procura [por trabalho] não aumentou estatisticamente como era esperado pela questão sazonal”, conta. Ela destaca ainda que a população subutilizada, aquela que está desocupada ou que poderia trabalhar mais do que trabalha, ficou em 21 milhões de pessoas, isto é, 2,5% menor que no trimestre anterior (encerrado em janeiro) e 19,6% inferior ao mesmo período do ano passado (trimestre findo em abril de 2022).

A população fora da força de trabalho, ou seja, aqueles que não estão trabalhando e nem procurando emprego, aumentou, chegando a 67,2 milhões de pessoas. Houve altas de 1,3% ante o trimestre anterior e de 3,5% no ano. “Quando a gente vai olhar para a população fora da força, poderia pensar que as pessoas desistiram de procurar porque o mercado está ruim, mas não é o que parece. A população desalentada teve redução e a força de trabalho potencial também reduziu”, afirma a pesquisadora. A população desalentada é formada por aqueles que gostariam de trabalhar e estavam disponíveis, mas não buscaram trabalho por vários motivos. Esse contingente chegou a 3,8 milhões de pessoas, 4,8% a menos do que no trimestre anterior e 15,3% a menos do que no ano passado.

Já a força de trabalho potencial reúne aquelas pessoas que procuraram trabalho, mas não estavam disponíveis e aquelas que gostariam de trabalhar, mas não chegaram a buscar emprego. O tamanho desse grupo caiu 6,2% na comparação trimestral e 16,7% na comparação anual. “Não parecem ser questões do mercado de trabalho esse aumento fora da força. Não parece ser por desânimo em relação ao mercado de trabalho”, conta Alessandra. “Podem ser outros fatores, que são vários. Pode ser outra fonte de renda, opções da pessoa, uma opção de mais estudo, mais qualificação. E a gente não consegue responder com os dados nessas divulgações [pesquisas] mais conjunturais”, disse. Segundo a pesquisadora, ao longo de 2022, a taxa de desemprego mostrou uma melhora em relação ao início da pandemia de Covid-19 (anos de 2020 e 2021) e, nos últimos trimestres, vem apresentando estabilidade em torno de 8%.

Com Agência Brasil

Índice vem apresentando estabilidade em torno de 8% nos últimos trimestres

De volta para o passado

O desafio da Natura: reanimar uma das marcas pioneiras em ESG

Pioneira na preocupação com origem da matéria-prima, consciência ambiental e não testagem em animais, a The Body Shop tornou-se uma referência de empresa simultaneamente ética e lucrativa, antecipando em 40 anos muitos dos conceitos de ESG que hoje vemos por aí

Em reunião com acionistas na primeira semana de abril, Fabio Barbosa, CEO da Natura & Co., afirmou o seguinte sobre The Body Shop, uma das empresas do grupo: “É preciso revitalizar a marca. [Q]uando a marca é boa, não faz sentido oferecer promoções como ‘compre 3 e leve 4′. Esse tipo de ação até pode acontecer em alguns momentos, mas não o tempo todo, como vem ocorrendo” (Folha de S. Paulo, 04/04/23). Eu apenas trocaria o adjetivo “boa” por “forte” e daria a frase como irretocável – e as preocupações de Barbosa como bastante pertinentes. Gosto de usar uma classificação que mostra três degraus que uma marca pode ocupar. No primeiro, ela é apenas um nome que identifica determinados produtos e tem certo awareness entre os consumidores. No seguinte, constitui uma marca, propriamente, capaz de acrescentar percepção de qualidade ao que oferece, cobrar preços mais altos e amealhar uma clientela fiel. E, no terceiro, caracteriza-se como uma marca forte, aos quais se associam atributos intangíveis.

A The Body Shop, historicamente, vem ocupando o terceiro degrau dessa classificação. Pioneira na preocupação com origem da matéria-prima, consciência ambiental e não testagem em animais, tornou-se uma referência de empresa simultaneamente ética e lucrativa, antecipando em 40 anos muitos dos conceitos de ESG que hoje vemos por aí. Qualquer semelhança com a história da própria Natura não é mera coincidência; a aquisição da companhia inglesa pela brasileira foi um match raro no Tinder dos negócios. Por que, então, a The Body Shop perdeu-se justamente sob gestão de seu par perfeito? Parte da resposta aparentemente remonta a 2017, quando os primeiros rumores de aquisição surgiram. Ainda sem lojas próprias e só vendendo por meio de consultoras, um analista questionava a capacidade da Natura de reanimar uma marca que já dava sinais de não viver os seus melhores dias: “A Natura ainda nem sabe administrar lojas… Vai administrar uma rede de lojas que perde dinheiro?” (matéria completa aqui).

Há um segundo fator, contudo, que me parece mais importante. Natura e The Body Shop são empresas de capital aberto. Prestam contas, portanto, a acionistas famintos por lucros imediatos, nem sempre compatíveis com o projeto de longo prazo exigido para construção de uma marca forte. No afã de agradá-los, as promoções são um atalho tentador e perigoso, segundo dois autores: “[a]o focar a atenção dos consumidores em dicas extrínsecas da marca, como preço, em vez de dicas intrínsecas, como qualidade, as promoções fazem com que as marcas pareçam menos diferenciadas. Os consumidores, com o tempo, tornam-se mais sensíveis aos preços, e o produto gradualmente se torna comoditizado”. É o que The Body Store está enfrentando. A saída? “Sir John Hegarty, um dos maiores publicitários da história, diz que toda vez que uma marca está perdida, deve voltar ao começo”, escreveu Nizan Guanaes esses tempos (Valor, 06/12/22). Na ausência da fundadora da companhia, Anita Roddick, morta em 2007, não consigo imaginar alguém melhor para promover essa volta às origens do que a Natura.

O desafio da Natura: reanimar uma das marcas pioneiras em ESG

Avaliação Nacional de Vinhos anuncia mudanças

Regulamento passa a abarcar inscrição de amostras de todas as regiões produtoras do Brasil

Entre as alterações mais significativas está o acréscimo de uma para duas amostras na categoria de vinho tinto jovem, inserindo um grupo específico para Pinot Noir

Desde que foi lançada, em 1993, a Avaliação Nacional de Vinhos (ANV) cruzou safras, acompanhando a evolução do vinho brasileiro. Para isso, alterações no regulamento da maior degustação de vinhos de uma safra do mundo sempre foram necessárias. Nesta quarta-feira (31) a Associação Brasileira de Enologia (ABE) anunciou modificações para a 31ª edição da ANV. As alterações mais significativas são a redução de três para duas amostras na categoria vinho base para espumante; o acréscimo de uma para duas na de vinho tinto jovem, inserindo um grupo específico para Pinot Noir; e a ampliação da possibilidade de inscrição de vinho de colheita de inverno [de julho de 2022 a junho de 2023] em todas as categorias.

Sobre a redução de amostras para vinho base para espumante e o acréscimo na categoria vinho tinto jovem, a ABE explica que tem ocorrido, ao longo dos anos, uma leve redução e estabilidade de amostras de base para espumantes e, concomitantemente, um significativo incremento de amostras inscritas de vinho tinto jovem. Também ficou estabelecido que haverá uma prerrogativa para que a Pinot Noir represente uma das duas amostras em vinho tinto jovem. Desde o ano passado a organização da ANV permitiu que vinhos elaborados no ano anterior participassem. Naquela primeira experiência, somente vinhos tintos vinificados em regiões diferentes da região Sul do Brasil poderiam ser inscritos, desde que vinificados no segundo semestre do ano anterior. A partir de agora essa possibilidade valerá para todas as categorias, já que a atual safra ocorrerá até junho. Desse modo, todas as regiões produtoras do Brasil poderão estar representadas.

“A Avaliação Nacional de Vinhos é o espelho do setor vitivinícola brasileiro. Nela, é possível perceber as mutações do setor. Assim foi quando inserimos o vinho base para espumante e o vinho rosé e assim seguiremos sempre respeitando o mercado”, destaca o presidente da ABE, o enólogo Ricardo Morari. Segundo ele, o surgimento de novas regiões produtoras no país tornou a ANV ainda mais abrangente. “Este é o nosso objetivo: avaliar a produção nacional em todos os seus terroirs”, justifica.

Regulamento passa a abarcar inscrição de amostras de todas as regiões produtoras do Brasil

A pá de cal sobre a justificativa da dispensa sem justa causa pelas empresas

Aplicar a Convenção da OIT no país poderia representar um risco grande à economia

“Tendo o Brasil uma população numerosa que, consequentemente, demanda emprego e que grande parte desta trabalha na informalidade, ao se estabelecer a dificuldade da dispensa sem justa causa, certamente poderia haver uma estagnação na criação de novos postos de trabalho”, argumenta o advogado Hainzenreder Júnior neste artigo exclusivo

Em 26 de maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) pôs fim à interminável discussão sobre a necessidade de as empresas justificarem a dispensa sem justa causa dos empregados. O tema decorre da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que disciplina que “não se dará término à relação de trabalho de um trabalhador a menos que exista para isso uma causa justificada relacionada com: sua capacidade, seu comportamento ou baseada nas necessidades de funcionamento da empresa”. Apesar de não se tratar de assunto novo, já que referida norma é de 1982, a discussão se referia à validade da denúncia desta Convenção, pelo Brasil, em 20 de novembro de 1996, logo após a ratificação. Em outras palavras, o STF discutia se era válido o decreto editado há 25 anos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que excluiu o país de cumprir as normas deste tratado. A questão é polêmica, havendo quem sustente ser a Convenção 158 algo fundamental a ser perseguido, como também aqueles que preconizam ser um verdadeiro retrocesso na sociedade globalizada.

Não se discute que, em um país democrático, a divergência de entendimentos fortalece o debate. Não obstante, a situação se torna preocupante quando, buscando a defesa de uma tese, deixa-se de lado a realidade e propagam-se ideias sem analisar as suas consequências, como, no caso, a defesa de o Brasil adotar esta Convenção, sob o fundamento de que elevaria a qualidade de vida dos empregados, proporcionando-lhes a segurança da manutenção do emprego. Certamente, todos queremos um país melhor, com pleno emprego e dignificação do trabalho. No entanto, é preciso esclarecer que aplicar esta norma no país poderia representar um risco grande aos próprios trabalhadores e à economia. A realidade das relações de trabalho não é mais a mesma da época em que a OIT adotou a aludida Convenção. O direito do trabalho teve de se adequar à modernidade, marcada por uma sociedade da revolução tecnológica, que requer um trabalho cada vez mais intelectual e especializado.

Ademais, convém referir que, ao não seguir a Convenção, o Brasil não está dissonante da comunidade internacional, uma vez que, dos 187 países que integram a OIT, apenas 34 ratificaram este tratado, sendo que desses, a maior parte se trata de países subdesenvolvidos. Acrescente-se a isso o fato de que no Mercosul, por exemplo, os países vizinhos, como Argentina, Paraguai e Uruguai, não ratificaram a Convenção, o mesmo ocorrendo com outras nações, como os países que crescem cada vez mais no mercado internacional, a exemplo de Rússia, índia e China. Assim, eventual aplicação da Convenção no país poderia engessar a economia brasileira, prejudicando investimentos internacionais. Tendo o Brasil uma população numerosa que, consequentemente, demanda emprego e que grande parte desta trabalha na informalidade, ao se estabelecer a dificuldade da dispensa sem justa causa, certamente poderia haver uma estagnação na criação de novos postos de trabalho, prejudicando o jovem que busca o emprego, sem contar no provável aumento da informalidade. Como se não bastasse isso, o Brasil já possui um sistema de garantias contra a dispensa sem justa causa, prevendo indenização de 40%, levantamento do FGTS, aviso prévio e seguro desemprego.

Logo, o melhor seria que o Estado investisse forte em educação e auxiliasse na formação de uma cultura de colaboração entre empregado e empregador, de maneira que ambos pudessem colher o fruto do progresso. Contudo, a falaciosa ideia de que a relação de emprego representa a eterna disputa capital versus trabalho, como se empresários e trabalhadores fossem tese e antítese, em que um lado somente ganha quando se retira vantagens do outro, pode representar uma solução mais cômoda para afastar a verdadeira análise do problema.

*Advogado, sócio do RMMG Advogados e professor da PUCRS

Aplicar a Convenção da OIT no país poderia representar um risco grande à economia

Mais de 5 milhões de jovens entre 14 e 24 anos estão desempregados

Do total, 52% são mulheres e 66% são pretos e pardos

Entre os jovens ainda há muitos que não completaram o nível médio

Um diagnóstico inédito sobre dados específicos da empregabilidade de jovens no Brasil, feito pela Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, revela que, dos 207 milhões de habitantes do Brasil, 17% são jovens de 14 a 24 anos, e desses, 5,2 milhões estão desempregados, o que corresponde a 55% das pessoas nessa situação no país, que, no total, chegam a 9,4 milhões. Entre os jovens desocupados, 52% são mulheres e 66% são pretos e pardos. Aqueles que nem trabalham nem estudam, os chamados nem-nem, somam 7,1 milhões, sendo que 60% são mulheres, a maioria com filhos pequenos, e 68% são pretos e pardos.

Segundo a pesquisa Empregabilidade Jovem Brasil, apresentada na sexta-feira (26), em um encontro no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em São Paulo, no primeiro trimestre de 2023, 23% das jovens mulheres ocupadas e 37% dos jovens homens ocupados não tinham concluído o ensino médio e 38% das desocupadas e 46% dos desocupados não concluíram o ensino médio. Apenas 9% das jovens ocupadas e 5% dos jovens ocupados têm ensino superior. Quando consideradas as ocupações, a pesquisa revela que 86% tinham ocupações pouco desafiadoras e 14% dos jovens ocupados (2,2 milhões) tinham ocupações que envolviam atividades técnicas, da cultura ou da informática e comunicações. O ponto em comum foi a informalidade, com 51% das mulheres e 56% dos pretos e pardos na informalidade.

Os dados mostram, ainda, que as 15 ocupações mais frequentes envolvem 1,3 milhão de jovens que trabalham como vendedores por telefone, vendedores, operários da construção, condutores de motocicletas, cuidadores de animais e ajudantes de cozinha, entre outros. Outras 15 profissões com variação superior a 60% entre 2020 e 2022 englobam 300 mil jovens, que atuam em atividades técnicas, da cultura ou da informática e comunicações, entre outras. Segundo o levantamento, em 2022, os aprendizes de 14 a 24 anos somavam cerca de 500 mil; 57% estavam na faixa etária de 14 a 17 anos completos e 42% tinham entre 18 e 24 anos e 86% desses aprendizes atuavam nas 15 ocupações mais frequentes.

Segundo a subsecretária de estatísticas e estudos do trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner, há no Brasil 35 milhões de jovens de 14 a 24 anos, mas o que se observa é que, principalmente entre ocupados e desempregados, aqueles que entraram para o mundo do trabalho, ainda há muitas pessoas que não completaram o nível médio. “E essa credencial é a mínima para conseguir postos de trabalho de melhor qualidade ou para conseguir se inserir em cursos que tragam mais densidade de conhecimento e mais habilidades para obter um posto de trabalho melhor. Essa pesquisa mostrou que só 14% das ocupações em que os jovens estão são ocupações com essas características, que também ajudam o jovem a transitar para ocupações melhores e ter uma perspectiva de futuro”, afirmou Paula.

Com Agência Brasil

Do total, 52% são mulheres e 66% são pretos e pardos

Indústria de confecção lidera crescimento até março em SC

Desaceleração da inflação e o consumo das famílias estão entre os fatores que aumentaram a produção no estado

Setor de confecção é o segundo que mais gera empregos formais (foto: Plínio Bordin)

De janeiro a março de 2023, a produção industrial catarinense cresceu 2,2% em relação ao quarto trimestre de 2022. O bom resultado está associado à recuperação, parcial ou total, de vários setores, como é o caso da indústria de confecção, que cresceu 16% no período analisado, segundo dados do Observatório Fiesc. Na indústria, o setor de confecção é o segundo que mais gera empregos formais, atrás apenas da fabricação de alimentos. Em 2021, a indústria de vestuário representou 4,2% de todos os postos formais de trabalho do estado e 12,1% dos empregos industriais. Na visão da Fiesc, o crescimento da indústria de confecção está atrelado à desaceleração dos preços no setor, que foi muito prejudicado por problemas de oferta nos últimos anos. Além disso, o consumo das famílias tem sustentado a atividade econômica no início de 2023.

A confecção movimenta uma ampla rede de indústrias no estado, com destaque para as pequenas unidades produtivas que prestam serviços para outras empresas de vestuário, tanto da indústria, quanto do comércio. O desempenho dessas empresas tem contribuído para os bons resultados do mercado de trabalho catarinense. Somente até março, as microindústrias de confecção geraram 3.398 novos empregos formais em solo catarinense, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. A produção industrial também foi incentivada pelo crescimento na atividade econômica dos setores de equipamentos elétricos (9,3%) e de produtos químicos (3,4%). “A expansão desses setores foi estimulada pelas vendas externas, principalmente para os países da América do Norte, Mercosul e Europa, com o aumento das exportações de transformadores e painéis para comando elétrico, gelatina, óleos para uso industrial, entre outros”, ressalta Camila Morais, economista do Observatório Fiesc.

Desaceleração da inflação e o consumo das famílias estão entre os fatores que aumentaram a produção no estado

IVA Dual parece ter mais aceitação

Relatório da reforma tributária deve ser votado na Câmara antes do recesso

Há quem defenda o IVA Único, que substituiria cinco impostos federais, estaduais e municipais, enquanto o IVA Dual resulta em um tributo federal e um de competência estadual e municipal

A ideia de uma reforma que unifique alguns tributos com o Imposto sobre o Valor Agregado, proposta chamada de IVA Dual, tem sido mais bem aceita nas discussões da reforma tributária, segundo o coordenador do grupo de trabalho que elabora a proposta na Câmara dos Deputados, Reginaldo Lopes. O parlamentar participou do evento promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) em Brasília, na terça-feira (30), em Brasília. Há quem defenda o IVA Único, que substituiria cinco impostos federais, estaduais e municipais, enquanto o IVA Dual resulta em um tributo federal e um de competência estadual e municipal.

“Muitos governadores defendem o IVA Dual e muitos prefeitos defendem o IVA Dual. Quem defende o IVA Único não rejeita o IVA Dual, então é provável que passe o IVA Dual mesmo”, conclui Lopes. No evento, o deputado confirmou que a reforma vai mudar o local da cobrança do tributo para onde o consumidor vive. A medida foi defendida pelos prefeitos no evento. Lopes disse ainda que não haverá perda de arrecadação com a reforma, preocupação apontada por governadores na semana passada. “Há uma câmara de compensação nos próximos quarenta anos, então o nível de arrecadação será corrigido por uma câmara de equalização de receitas. Então ninguém perde, todos ganham. Agora, tem estados que ganham mais e tem estados que ganham menos”, elucidou. Ele reafirmou que o relatório do grupo de trabalho vai ser entregue no dia 6 de junho e deve ser votado antes do recesso.

Com Agência Brasil

Relatório da reforma tributária deve ser votado na Câmara antes do recesso

Cidades do Sul são destaque em ranking mundial de startups

Além de Curitiba na segunda colocação no Brasil, a lista traz Porto Alegre na quinta posição, seguida por Florianópolis

Curitiba é mencionada como berço de unicórnios no Sul do Brasil

Curitiba manteve a posição de segunda melhor cidade do Brasil para startups, conforme o Startup Ecosystem Index Report 2023, divulgado nesta terça-feira (30) em evento online global a partir de Israel. O relatório mundial, feito pelo instituto israelense SartupBlink, analisa o número de startups, a qualidade delas e o ambiente de negócios. São Paulo ocupa o primeiro lugar no país, mas as cidades do Sul são destaque. Além de Curitiba na segunda colocação, o ranking tem Porto Alegre na quinta posição, Florianópolis (sexto lugar), Joinville (9ª), Caxias do Sul (11ª), Blumenau (15ª) e Maringá (18ª).

Curitiba, Joinville, Florianópolis, Porto Alegre e Caxias do Sul firmaram no ano passado um acordo de cooperação criando o TechRoad, programa de atração de investimentos em tecnologia e inovação para as cidades do Sul. “É o terceiro ano seguido que o Sul é o destaque no país, com o maior número de cidades entre as 15 melhores do Brasil para startups. O relatório comprova que o Sul é uma potência em inovação, tecnologia e nova economia”, resume Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação. “Temos um cenário muito promissor para startups e queremos alavancar ainda mais a região, com nossos ecossistemas trabalhando em parcerias como o TechRoad”, reforça Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, secretário de Inovação de Porto Alegre.

A StartupBlink é um centro de pesquisa referência internacional que faz o mapeamento em 1 mil cidades em 100 países, avaliando os ecossistemas de inovação para startups em todo o mundo em quesitos como ambiente de inovação, de negócios e qualidade das empresas de tecnologia. No ranking mundial, liderado por São Francisco, na Califórnia, São Paulo ocupa a 17ª posição. Curitiba é mencionada como berço de unicórnios no Sul do Brasil, as startups avaliadas em US$ 1 bilhão. Os três unicórnios brasileiros fora de São Paulo estão em Curitiba. O Ebanx é líder em serviços de processamento de pagamentos de compras; o MadeiraMadeira é a maior plataforma de produtos para casa da América Latina; e o Olist oferece serviços de e-commerce para colocar pequenos vendedores em grandes vitrines online.

O Startup Ecosystem Index Report faz o ranking dos melhores ecossistemas para startups a partir de algoritmos que analisam dezenas de milhares de dados em startups, aceleradoras e espaços de coworking listados no mapa do ecossistema de inicialização global StartupBlink, bem como dados recebidos dos parceiros globais, como Crunchbase, Semrush, Meetup, Coworker e FindAble. O StartupBlink aproveita os dados coletados de mais de 50 mil membros em toda a comunidade Global StartupBlink. A Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação é parceira institucional da StartupBlink e colabora com o levantamento. “Neste ano mais de uma centena de governos trabalharam conosco na preparação do relatório. Eles compreendem o cenário e entendem que um bom ecossistema de startups é um motor futuro do crescimento econômico e que devem ter um papel ativo no apoio ao crescimento de suas startups”, afirma Eli David, CEO da StartupBlink.

Além de Curitiba na segunda colocação no Brasil, a lista traz Porto Alegre na quinta posição, seguida por Florianópolis

Refap inaugura sistema de tratamento de gases

A planta é uma das mais importantes obras do refino e representa significativo investimento ambiental

A refinaria foi submetida, recentemente, à maior operação de manutenção da história da Petrobras, o que exigiu investimento total de R$ 450 milhões

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, e o diretor executivo de processos industriais e produtos da Petrobras, William França da Silva, visitaram nesta sexta-feira (26) a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), situada no município de Canoas, no Rio Grande do Sul. Além de agenda técnica com as equipes da unidade, Prates inaugurou uma das maiores obras da área de refino da companhia. Trata-se do sistema de tratamento para os gases de combustão da unidade de craqueamento catalítico da refinaria, que representa significativos ganhos ambientais. É feito por equipamento chamado precipitador eletrostático, que captura material particulado presente no gás pela aplicação de um forte campo elétrico. Posteriormente, o material captado é coletado e transportado.

O preciptador eletrostático exigiu investimentos de R$ 88 milhões. Com esse processo, a concentração de particulados no gás emitido reduzirá significativamente. “Isso aprimora mais ainda a nossa capacidade de manter os parâmetros de emissão atmosférica da companhia. A conclusão da obra se dará no início de junho e os procedimentos operacionais de partida ocorrem até o fim do mês”, explica Gerson Cesar Souza, gerente geral da Refap. Prates destacou que a visita à Refap faz parte de uma agenda que ele adotou desde que assumiu a presidência da Petrobras, em janeiro. “Minha intenção é visitar todas as unidades da companhia no mais breve tempo. Nossa gestão valoriza muito a proximidade com nossa força de trabalho. Estou muito satisfeito em poder estar aqui na Refap junto aos nossos petroleiros do Rio Grande do Sul”, afirmou. A Refap irá complementar 55 anos em setembro. A refinaria foi submetida, recentemente, à maior operação de manutenção da história da Petrobras, o que exigiu investimento total de R$ 450 milhões.

A planta é uma das mais importantes obras do refino e representa significativo investimento ambiental

Lançamentos imobiliários têm queda de 44% no primeiro trimestre

Falta confiança do empresário do setor, nota CBIC

Caso movimento continue nos próximos trimestres, poderá faltar imóveis à venda no Brasil

Unidades residenciais lançadas no primeiro trimestre deste ano sofreram retração de 44,4% comparadas ao trimestre anterior. Apesar da queda significativa, o setor não está com falta de demanda, nem de estoque, de acordo com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins. Segundo ele, o mercado imobiliário está saudável e equilibrado. Na visão dele, falta confiança do empresário do setor. O primeiro trimestre demonstrou uma desaceleração do mercado imobiliário, que registrou queda nos lançamentos, vendas, oferta final, e no programa Minha Casa, Minha Vida. De acordo com a CBIC, a insegurança dos incorporadores em investimentos privados é consequência de fatores como a alta taxa de juros; a escassez e o encarecimento de recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para o financiamento; da necessidade de revisão dos tetos para contratação com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da adequação da curva de subsídios.

A contração dos lançamentos reflete diretamente no número de contratações futuras, segundo a entidade. “Precisamos ter atenção a partir dessa queda porque o movimento seguinte pode ser o menor número de vendas e, consequentemente, uma menor geração de empregos”, alerta Martins. O número de lançamentos registrados no quarto trimestre de 2022 foi de 87.315 novas unidades, enquanto o primeiro trimestre de 2023 somou 48.554, apontando queda de 44,4%. O presidente da comissão de indústria imobiliária, Celso Petrucci, destacou que não havia uma queda assim há sete anos. “Quando consolidamos os números ficamos assustados com a redução dos lançamentos. Nós não lançávamos esse número tão baixo de unidades desde o segundo trimestre de 2016, então essa redução de 44,4% nos chamou muita atenção”, destacou Petrucci.

Para Petrucci, essa retração mostra uma insegurança dos incorporadores em colocar novos produtos no mercado. “Não temos problema de demanda. O problema maior que a gente vê hoje no mercado é de confiança na economia e no custo alto de juros”, explicou. Caso esse movimento de queda continue nos próximos trimestres, isso irá gerar uma preocupação no mercado imobiliário. Para ele, poderá faltar unidade para ser vendida no país e, consequentemente, o aumento de preço.

Falta confiança do empresário do setor, nota CBIC

Indústria começa o segundo trimestre em queda no Rio Grande do Sul

Fiergs aponta para baixa perspectiva de investimentos nos próximos meses

Empresários gaúchos projetam redução da demanda e mais demissões nos próximos seis meses

A indústria gaúcha começa o segundo trimestre em queda, revela a Sondagem Industrial do RS, pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). De acordo com os empresários consultados no levantamento, o setor voltou a mostrar desaquecimento em abril, com reduções além do normal no período tanto na produção como no emprego, e deterioração nas expectativas. “Desta forma, os empresários gaúchos, cautelosos, se mostram menos dispostos a fazer investimentos nos próximos seis meses. A intenção de investir é menor”, afirma o presidente da entidade, Gilberto Petry. O índice de produção nas indústrias registrou 39,1 pontos no mês passado, 6,8 menor que a média histórica do mês, o que indica um ritmo de queda bem mais intenso que o esperado para o período. Nos últimos oito meses, ocorreu apenas uma expansão, em março, três estabilizações e quatro quedas. O índice varia de zero a cem pontos e valores abaixo de 50 representam retração ante o mês anterior.

Em número de empregados, o índice chegou a 46,2 pontos, ante 49,6 de março, indicando novo recuo no emprego, mais intenso do que o do mês anterior e do que o previsto para abril, cuja média é de 47,8 pontos. A marca divisória de 50 pontos, que indica crescimento na comparação com o mês anterior, não é ultrapassada desde setembro de 2022. Nesse período, foram registradas cinco quedas e duas estabilizações. A utilização da capacidade instalada (UCI) perdeu dois pontos percentuais e caiu de 71%, em março, para 69%, em abril, mas se manteve na média histórica do mês. Já o índice de UCI em relação à usual, que considera o padrão do mês na percepção do empresário, fechou em 39,2 pontos, frente a 45,1 de março. A diferença, em abril, entre a UCI observada e a usual foi maior não somente em relação a março, mas a mais alta desde junho de 2020, em um claro sinal de desaquecimento.

Mesmo com a queda forte da produção, os estoques de produtos finais permaneceram, em abril, em alta e acima, ainda que mais próximos, do planejado pela indústria. De fato, o índice de evolução atingiu 52,5 pontos, revelando, com resultado superior a 50, avanço dos estoques na comparação com março. Já o índice em relação ao planejado recuou de 53,3 para 51,6 pontos em abril, mais perto da marca de 50 pontos, que indica estoques ajustados. Com este quadro pouco favorável à atividade industrial, as perspectivas dos empresários foram afetadas, segundo a pesquisa realizada entre 2 e 10 de maio com 191 empresas. Eles projetam redução da demanda e mais demissões nos próximos seis meses. Os empresários gaúchos também se mostram menos propensos a realizar investimentos nos próximos seis meses. O índice de intenção caiu 1,9 ponto na comparação com abril e ficou em 51 pontos, muito perto da média histórica. Quanto maior e mais próximo de cem, mais alta é a propensão de investir, mas o resultado mostra que apenas pouco mais da metade das empresas, 53,4%, expressam essa intenção.

Fiergs aponta para baixa perspectiva de investimentos nos próximos meses

Porto de São Francisco do Sul amplia capacidade de armazenagem de grãos

O Tesc investiu R$ 250 milhões nos silos e em obras complementares

Cada um dos três silos tem capacidade para armazenar 30 mil toneladas de grãos, totalizando 90 mil toneladas

O Porto de São Francisco do Sul conta com três novos silos para armazenagem de grãos. As enormes estruturas de concreto foram construídas pelo Terminal Portuário Santa Catarina (Tesc) que, desde 1996, arrenda uma área dentro do porto público. A inauguração contou com a presença de 300 pessoas, entre autoridades, empresários do agronegócio e representantes do setor portuário de todo o país. Cada um dos três silos tem capacidade para armazenar 30 mil toneladas de grãos, totalizando 90 mil toneladas. As estruturas verticais alcançam 31 metros de altura e 38 metros de largura. O presidente do Tesc, Paulo Capriolli, salientou que, a partir de agora, a expectativa é movimentar 2 milhões de toneladas de grãos por ano.

O Tesc investiu R$ 250 milhões nos silos e em obras complementares, como uma galeria de 400 metros para o transporte de grãos até os navios. Essa estrutura de correias transportadoras tem cinco metros de largura e fica a 22 metros de altura, sendo totalmente vedada. As obras incluem quatro novos gates de entrada e saída de caminhões, que se somam aos quatro já existentes. Os novos equipamentos são completamente automatizados, contando com controle de acesso biométrico e leitura de placas de veículos. Nos gates foram instaladas modernas balanças, com capacidade para caminhões maiores, de 30 metros, podendo pesar até 100 toneladas. Também há dois tombadores de caminhões, com plataformas de 30 metros. O shiploader, equipamento que lança os grãos dentro dos navios, tem 43 metros de comprimento e capacidade para transportar 2 mil toneladas por hora.

O Tesc investiu R$ 250 milhões nos silos e em obras complementares