Archives 2022

A história de 120 anos de Gerdau

Empresa nasceu do sonho de uma família empreendedora e hoje é uma das maiores produtoras de aço do mundo

A Fábrica de Pregos Pontas de Paris deu origem à trajetória centenária da Gerdau

Um prédio de aparência sóbria e robusta em uma esquina do Caminho Novo (atual Rua Voluntários da Pátria), à época a principal via de acesso de Porto Alegre às colônias habitadas por imigrantes europeus no Rio Grande do Sul. No começo do século 20, o edifício da Cia. Fábrica de Pregos Pontas de Paris deu origem à trajetória de 120 anos da Gerdau, pequena indústria familiar que se transformou em gigante da cadeia do aço internacional.

A Pontas de Paris foi adquirida, em janeiro de 1901, pelo imigrante alemão João Gerdau, que chegara ao Brasil em 1869, aos 20 anos de idade, vindo de Hamburgo. A princípio, abriu um armazém de secos e molhados na colônia de Santo Ângelo (hoje município de Agudo), onde vendia desde sal, açúcar e azeite até velas, tecidos, cordas e ferraduras. Depois, também investiu na compra e venda de lotes de terra. Desde 1893 em Porto Alegre, com a mulher Alvine e os filhos Hugo, Walter e Bertha, João – com visão de futuro e espírito inovador – identificou na compra da fábrica a oportunidade de abrir novos horizontes para os negócios familiares, em meio à incipiente industrialização do país.

Criada em 1891 para abastecer indústrias de bens de consumo (de fogões a ferramentas), a Ponta de Paris havia sido posta à venda em 29 de dezembro de 1900. Após sacramentar a compra, João Gerdau registrou a nova firma na Junta Comercial de Porto Alegre no dia 16 de janeiro de 1901. Mas preferiu deixar a empresa sob os cuidados do filho mais velho, Hugo, então com 25 anos de idade. Até falecer, em 1917, João se dedicou aos projetos imobiliários no interior, além de investir na extração de madeiras nobres e em exploração mineral, ainda que, mesmo à distância, não deixasse de colaborar com a gestão dos empreendimentos da família na capital gaúcha. Hugo administrou a companhia por quase quatro décadas, período em que abriu filiais no interior do estado e conquistou novos mercados – embarcados em navios da Companhia Nacional de Navegação Costeira (popularmente conhecida como “Ita”), os pregos Gerdau chegavam ao Centro, Norte e Nordeste do Brasil.

Em 1946, o alemão Curt Johannpeter, genro de Hugo (falecido em 1939), assumiu a direção da empresa, usando a experiência de financista (tinha atuado como inspetor do Deutsche Bank de Berlim na América do Sul) para aprimorar a gestão e expandir os negócios. Uma das medidas adotadas foi a transformação da companhia em sociedade anônima, com registro na Bolsa de Fundos Públicos de Porto Alegre, em 1947. Mas o passo decisivo para abrir um novo ciclo empresarial foi a aquisição da Siderúrgica Riograndense, no ano seguinte, dando início à produção do aço Gerdau.

Empresa nasceu do sonho de uma família empreendedora e hoje é uma das maiores produtoras de aço do mundo

Copel conclui três subestações no Paraná

As novas unidades ficam em Mandirituba, Salto do Itararé e em Sapopema

A Copel prevê investir R$ 1,6 bilhão na ampliação e modernização da rede elétrica do Paraná neste ano

Em um ano de investimento recorde em distribuição de energia, a Copel acaba de entregar mais três subestações. Elas vão aumentar a confiabilidade do sistema, reduzindo desligamentos e oscilações de energia. As novas unidades ficam em Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba, em Salto do Itararé, no Norte Pioneiro, e em Sapopema, na região Norte do Paraná. São quase R$ 16 milhões de investimento para atender diretamente 13,6 mil domicílios.

De acordo com o superintendente de Smart Grid da Copel, Julio Omori, a construção de subestações de pequeno porte é, juntamente com os investimentos em automação, uma estratégia importante para garantir que os pequenos municípios tenham uma qualidade de serviços equivalente à dos grandes centros. As três subestações concluídas recentemente operam em 34,5 mil volts e possuem 7 megavolt-ampère de potência instalada cada uma medida usada para expressar a quantidade de energia disponível para distribuição e atendimento a casas, comércios, indústrias e propriedades rurais.

Semelhante a estas unidades, ainda este ano deve entrar em operação a subestação de Lapa, também na Região Metropolitana de Curitiba, com investimento de cerca de R$ 5 milhões para atendimento a 1,5 mil imóveis, e a de Serranópolis, no Oeste, que irá atender 2,3 mil domicílios, com investimento de R$ 4,5 milhões. Ibema deve receber uma subestação de grande porte ainda neste ano, assim como Pato Branco. São obras que chegam perto de R$ 40 milhões para o abastecimento de mais de 11 mil unidades consumidoras em cada cidade.

Em Maringá, na região Noroeste, a Copel também concluirá este ano uma subestação de maior porte, na tensão de 138 mil volts, com investimentos de R$ 37 milhões. Localizada na Vila Esperança, a subestação Ingá faz parte de um conjunto de obras em andamento no município. A unidade adiciona 82 MVA (megavolt-ampère) ao sistema de distribuição, e irá absorver o atendimento a 27 mil imóveis. A Copel prevê investir R$ 1,6 bilhão na ampliação e modernização da rede elétrica do Paraná neste ano.

As novas unidades ficam em Mandirituba, Salto do Itararé e em Sapopema

Gol passa a operar em Jaguaruna e Correia Pinto com voos regulares a São Paulo

Serão três voos semanais, às terças-feiras, às quintas e aos sábados

Aeroporto Regional do Planalto Serrano e o Aeroporto Regional Sul dividem, atualmente, a segunda colocação como as pistas de maior suporte e resistência de Santa Catarina

Está previsto para setembro o início da operação da Gol Linhas Aéreas nos aeroportos Regional da Serra Catarinense (Correia Pinto) e Regional Sul (Jaguaruna). Serão três voos semanais, às terças-feiras, às quintas e aos sábados, com itinerário Guarulhos – Correia Pinto – Jaguaruna – Guarulhos.

A Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade destaca que o Aeroporto Regional do Planalto Serrano e o Aeroporto Regional Sul dividem, atualmente, a segunda colocação como as pistas de maior suporte e resistência de Santa Catarina, o que possibilita a operação de aeronaves de grande porte.

“São aeroportos excelentes do ponto de vista técnico e têm potencial de serem ainda melhores”, prevê Thiago Vieira, secretário de Estado da Infraestrutura e Mobilidade em nota.

Serão três voos semanais, às terças-feiras, às quintas e aos sábados

Coloque sua empresa na vitrine das 500 MAIORES DO SUL

Companhias também terão a opção de inserir os dados e o balanço em uma plataforma digital

O ranking de AMANHÃ e PwC Brasil é o maior do gênero no Brasil

O Grupo AMANHÃ e a PwC Brasil seguem trabalhando na edição 2022 do ranking 500 MAIORES DO SUL. As companhias que quiserem participar podem enviar seus balanços até o dia 24 de junho para serem analisados. As demonstrações contábeis devem ser relativas ao ano de 2021 e precisam conter também os dados comparativos de 2020. Os documentos devem ser remetidos para o e-mail grandeselideres@amanha.com.br.

A partir deste ano o Grupo AMANHÃ e a PwC Brasil apresentam uma novidade. As companhias também terão a opção de inserir os dados e o balanço em uma plataforma digital única. Na ferramenta as empresas também terão de anexar as demonstrações financeiras completas do exercício de 2021. Clique aqui para ler o regulamento e aqui para preencher os dados.

Maior e mais completo ranking empresarial da região Sul, é realizado há mais de três décadas pelo Grupo AMANHÃ e PwC Brasil – referência global em auditoria, assessoria tributária e empresarial. Revela indicadores de mil empresas – as 500 maiores e as 500 emergentes, com sede no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Os números e reportagens aprofundadas sobre a situação econômica das organizações são publicados em uma ampla edição impressa da Revista AMANHÃ. O projeto ainda realiza cerimônias de premiação – em que as maiores companhias de cada estado são homenageadas em eventos que reúnem a elite empresarial do Sul.

Companhias também terão a opção de inserir os dados e o balanço em uma plataforma digital

Rendimentos de brasileiros caíram 8,7% no primeiro trimestre

Mulheres tiveram queda maior que os homens nos rendimentos efetivos

O recorte regional indica que a renda efetiva mostrou maiores quedas nas regiões Sudeste e Sul

Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que os rendimentos habituais reais médios dos brasileiros caíram 8,7% no primeiro trimestre em comparação com o primeiro trimestre de 2021, chegando a um valor de R$ 2.548. Segundo o Ipea, essa queda impactou mais os domicílios de renda mais alta, o que fez com que, nos três primeiros meses de 2022 houvesse uma redução de desigualdade em relação ao mesmo período de 2021. Os dados do estudo mostram que os domicílios de renda mais alta foram os que tiveram uma queda da renda habitual de 3,9%, enquanto a faixa de renda baixa teve uma queda de 1,1%.

De acordo com o Ipea, a maior redução dos rendimentos entre aqueles com renda mais alta deve-se por causa da queda da renda dos trabalhadores do setor público. Os empregados com carteira no setor privado, sem carteira no setor privado e, sobretudo, do setor público encontraram dificuldade em negociar reposições salariais ao longo de 2021, apesar da recuperação do crescimento da atividade econômica observada no ano. No primeiro trimestre de 2022 a renda domiciliar do trabalho da faixa de renda alta era 28 vezes maior que a da faixa de renda muito baixa, valor menor que no primeiro trimestre de 2021 (que era 28,8).

Em 2022 houve ainda um aumento da proporção de domicílios com renda do trabalho. Isso, segundo o Ipea, é uma das consequências da pandemia. No primeiro trimestre de 2020, 22,3%, o equivalente a pouco mais de um a cada cinco domicílios no país, não possuía renda proveniente do trabalho. Essa porcentagem aumentou para 28,5% no mesmo período de 2021 e, em 2022, chegou a 23,3%.

O recorte regional indica que a renda efetiva mostrou maiores quedas nas regiões Sudeste (-8,2%) e Sul (-6,1%). Em relação ao gênero, as mulheres tiveram queda maior que os homens nos rendimentos efetivos e habituais. Segundo o Ipea, essas quedas foram de 6,7% para as mulheres contra 5,5% para os homens na renda efetiva no primeiro trimestre de 2022 e de 8,7% para as mulheres contra 8,3% para os homens na renda habitual.

O estudo revela ainda que, apesar da queda na renda no primeiro trimestre de 2022 em relação ao mesmo trimestre de 2021 se deve, em parte, ao retorno de trabalhadores menos qualificados ao mercado de trabalho, tanto a renda efetiva quanto a habitual ainda estão abaixo dos níveis anteriores à pandemia, havendo queda da renda em comparação com os primeiros trimestres de 2019 e 2020. O Ipea considera a renda efetiva como o que os trabalhadores receberam de fato pelo trabalho e a habitual como o que costumam receber.

Com Agência Brasil

Mulheres tiveram queda maior que os homens nos rendimentos efetivos

Ivaiporã, no Paraná, lança polo de inovação para agrotechs

Incubadora quer atrair empresas e investidores que criem um ambiente de alta tecnologia em toda a região

O projeto de Ivaiporã conta com apoio do governo sul-coreano

O município de Ivaiporã, no Vale do Ivaí, lançou nesta semana o projeto Polo Agrotech – Incubadora Tecnológica, com vistas a desenvolver soluções inovadoras para o agronegócio e atrair empresas e investidores que criem um ambiente de alta tecnologia em toda a região. A iniciativa tem apoio do governo estadual, por meio da Superintendência Geral de Inovação (SGI) e do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

Na mesma solenidade, foi assinado, entre outros documentos, um Termo de Cooperação Técnica entre o Tecpar, a Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc) e a Agência Nacional de Comércio Exterior e Investimento da Coreia do Sul (Kotra). O Polo Agrotech será instalado em um terreno de 3.531 metros quadrados no Parque Industrial 1, localizado na Gleba Pindaúva. A construção da incubadora tecnológica terá investimento superior a R$ 2 milhões.

O superintendente de Inovação do Paraná, André Telles, destacou o poder da inovação e a determinação do governo de que ela seja implementada em todos os setores tanto para criação de algo novo quanto na melhoria do que já existe. “Aqui em Ivaiporã será desenvolvida uma indústria sem chaminé, com soluções de startups, de inteligência artificial, com uso de dados, modernização no campo e internet das coisas”, disse. Participante da parceria, o presidente da Abinc, Paulo Spaccaquerche, reforçou a necessidade de criar soluções inovadoras com conectividade no campo, estimulando o ecossistema e propiciando atrativos para a permanência dos jovens no campo. “Ivaiporã vai necessitar de muito mais coisas, além dessa pequena parceria que é grande diante de tudo que temos de fazer aqui”, disse.

Apoio coreano
O projeto de Ivaiporã conta com apoio do governo sul-coreano. “A Coreia do Sul é um país para se imitar. Há 50 anos era mais pobre que o Brasil, investiu em educação e construiu essa nação forte, referência em tecnologia”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. “Se quisermos impulsionar cada vez mais a capacidade competitiva do Brasil no mundo com a produção de alimentos e fibras precisamos investir e criar um movimento como este para encontrar soluções modernas para nossos problemas”, declarou. Presente na solenidade, o cônsul da Economia da Coreia do Sul no Brasil, Byeongwook Woo, manifestou o apoio do governo do país da Ásia Oriental ao projeto. “Como funcionário governamental, espero que negócios sejam desenvolvidos logo depois (da instalação)”, destacou.

A amizade entre os dois países foi ressaltada por Sangbum Bae, diretor-geral da Agência Nacional de Comércio Exterior e Investimento da Coreia do Sul (Kotra), que participará da cooperação técnica para o projeto. Segundo ele, o Brasil é forte na produção agrícola, enquanto a Coreia do Sul se destaca em ciência e tecnologia. “Há uma grande chance de unir e aprender sobre os pontos fortes de cada país”, disse. Ele lembrou que Brasil e Coreia do Sul têm fuso horário com 12 horas de diferença, mas acentuou que se engana quem acha que isso significa estar muito longe. “Hoje estamos aqui para discutir negócios e melhorar as operações, mas para ter cooperação o mais importante é a paixão. Os coreanos e os brasileiros têm paixão e há amizade entre os povos”, sublinhou.

Incubadora quer atrair empresas e investidores que criem um ambiente de alta tecnologia em toda a região

Índice de confiança do empresário industrial sobe 1,3 ponto em junho

A alta coloca a confiança do setor industrial no maior patamar desde outubro de 2021

Ainda há desconfiança sobre a economia no curto prazo, nota CNI

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) avançou 1,3 ponto em junho de 2022, de 56,5 pontos para 57,8 pontos. O resultado demonstra avanço da confiança em relação ao mês anterior e coloca a confiança do setor industrial no maior patamar desde outubro de 2021. O indicador, calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mensalmente, antecede o desempenho industrial e sinaliza a tendência da produção industrial. Foram consultadas 1.573 indústrias entre 1º e 7 de junho.

Todos os componentes do índice subiram. O Índice de condições atuais avançou 2,1 pontos, de 49,4 pontos para 51,5 pontos. Ao ultrapassar 50 pontos, o índice demonstra transição de uma percepção negativa para uma percepção positiva do setor industrial em relação às condições atuais na comparação com os últimos seis meses. E o índice de expectativas elevou um ponto, para 61 pontos. Ao se afastar para mais acima da linha divisória de 50 pontos, o índice indica maior otimismo da indústria para os próximos seis meses.

“Medimos a percepção do empresário também em relação à economia e em relação à própria empresa. Ainda há desconfiança sobre a economia no curto prazo. Mesmo que o índice tenha subido, ele ficou abaixo dos 50 pontos nesse quesito especificamente. A avaliação das condições correntes da empresa se tornou mais positiva. Também mostram confiança na economia nos próximos seis meses”, explica Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI.

A alta coloca a confiança do setor industrial no maior patamar desde outubro de 2021

Tecnologia e interesse público

Sun desenvolve o conceito de “responsabilidade corporativa”, propondo a sua inserção no direito internacional e doméstico

O aumento e a concentração de poderes de grandes empresas impõem uma reflexão sobre a necessidade de se repensar a assimetria existente entre as diferentes esferas da sociedade no acesso à tecnologia

O evento de lançamento do livro “Technology and the Public Interest” (Cambridge University Press, 2022), de Haochen Sun, organizado pela OIPRC, levantou questões sobre a intersecção entre a tecnologia e o interesse público. Sun, que é professor da Faculdade de Direito da Universidade de Hong Kong, chama atenção para o fato de que a tecnologia deve ser utilizada no interesse público, ideia que surge discretamente da declaração dos direitos humanos, de 1948, e que, em suas palavras, “permanece obscura, adormecida e inefetiva”.

O aumento e a concentração de poderes de grandes empresas impõem uma reflexão sobre a necessidade de se repensar a assimetria existente entre as diferentes esferas da sociedade no acesso à tecnologia. Sun desenvolve no livro o conceito de “responsabilidade corporativa”, propondo a sua inserção no direito internacional e doméstico, como direito fundamental à tecnologia. Compromisso que exigiria das empresas de tecnologia maior reciprocidade em relação à coletividade e na mitigação das injustiças sociais que muitas vezes decorrem do próprio uso tecnológico.

O evento que contou com a participação de professores da King’s College London, University College London (UCL), Roger Brownsword, Sir Robin Jacob, e ciceroneado, por Dev Gangjee, da Universidade de Oxford, não ficou livre do debate, e trouxe posições divergentes, como a que apontou para a rápida resposta da indústria farmacêutica durante a pandemia. O livro oferece uma reflexão imprescindível em um mundo em que a tecnologia é crescente, e a desigualdade e a injustiça social seguem desafiando a humanidade.

Sun desenvolve o conceito de “responsabilidade corporativa”, propondo a sua inserção no direito internacional e doméstico

Rendimento dos brasileiros é o menor desde 2012

Fim do auxílio emergencial contribuiu para escalada de desigualdade

A pesquisa do IBGE revela que, em média, os brasileiros estão recebendo menos e também que menos brasileiros possuem algum rendimento

No segundo ano de pandemia, em 2021, o rendimento médio dos brasileiros caiu para o menor patamar registrado desde 2012. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal real domiciliar per capita em 2021 foi de R$ 1.353. Em 2012, primeiro ano da série histórica da pesquisa, esse rendimento era o equivalente a R$ 1.417. Em 2020, no primeiro ano de pandemia, era de R$ 1.454.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Rendimento de todas as fontes 2021, divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE. Esses valores referem-se a uma média de quanto recebe cada um dos brasileiros, por mês. Os valores de anos anteriores são atualizados pela inflação do período para que possam ser comparados. Esses rendimentos tratam-se de médias, o que significa que há grupos que ganham mais, grupos que ganham menos e ainda aqueles que não possuem rendimento. A pesquisa mostra que, em média, os brasileiros estão recebendo menos e também que menos brasileiros possuem algum rendimento. O percentual de pessoas com rendimento na população do país caiu de 61% em 2020 para 59,8% em 2021, o mesmo percentual de 2012 e também o mais baixo da série histórica.

O IBGE considera no levantamento os rendimentos provenientes de trabalhos; de aposentadoria e pensão; de aluguel e arrendamento; de pensão alimentícia, doação e mesada de não morador; além de outros rendimentos. Considerados apenas os brasileiros que possuem rendimento, a média mensal registrada em 2021 foi R$ 2.265, segundo o IBGE, a menor da série histórica. As menores médias desde 2012 entre as pessoas com rendimento também foram registradas em aposentadoria e pensão, com média de R$1.959 e em outros rendimentos (R$ 512).

Rendimentos de trabalhos
Entre 2020 e 2021, a participação do trabalho na composição do rendimento médio aumentou de 72,8% para 75,3%. Mas, apesar do aumento da população ocupada, a massa do rendimento mensal real de todos os trabalhos caiu 3,1%, indo de R$ 223,6 bilhões para R$ 216,7 bilhões, no período. “A pandemia afetou muito o mercado de trabalho em 2020 por causa do isolamento social que teve de ser feito para frear a pandemia. Então, o mercado de trabalho perdeu muita ocupação. O mercado de trabalho está retomando, mas o ritmo ainda está menor do que o de 2019”, diz a analista da pesquisa Alessandra Scalioni Brito. Alessandra aponta ainda a inflação como um dos fatores que impactaram os rendimentos dos brasileiros, tanto provenientes do trabalho quanto de outras fontes, como aposentadorias, pensão alimentícia, entre outras. Em 2021, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, foi de 10,06%, a maior taxa acumulada no ano desde 2015.

Auxílio Emergencial
Enquanto a participação do trabalho aumentou, a fatia de outros rendimentos encolheu. A pesquisa de 2021 revela que o percentual de domicílios com alguém recebendo recursos de programas sociais, como o auxílio emergencial, caiu de 23,7% para 15,4%. “Foi um benefício apenas emergencial. Agora que a gente está tirando ele, a gente está vendo que ele cumpriu o papel ali de não deixar a renda cair tanto em 2020, mas em 2021 essa queda veio e a desigualdade voltou para o padrão que estava. As rendas estão menores e tivemos a questão inflacionária. Então, estamos em situação pior em 2021 em termos de renda”, contextualiza Alessandra.

De acordo com a pesquisa, a queda do rendimento mensal domiciliar per capita foi mais intensa entre as classes com menor rendimento. Em 2021, o rendimento médio do 1% da população que ganha mais era 38,4 vezes maior que o rendimento médio dos 50% que ganham menos. O rendimento médio mensal daqueles com maior renda era de R$ 15.940; já entre os que ganham menos, era de R$ 415. No início da pandemia do novo coronavírus, em 2020, essa razão reduziu para 34,8 vezes, atingindo o menor valor desde 2015. Isso ocorreu, segundo o IBGE, sobretudo por conta de outros rendimentos, como o auxílio emergencial.

Desigualdade
A pesquisa aponta também as desigualdades de rendimento entre as regiões do Brasil. Em todas elas houve queda no rendimento médio mensal real domiciliar per capita entre 2020 e 2021. Enquanto na região Sudeste essa renda passou de R$ 1.742 para R$ 1.645 e na região Sul, de R$ 1.738 para R$ 1.656; na região Norte passou de R$ 966 para R$ 871 e na região Nordeste, de R$ 963 para R$ 843. Na região Centro-Oeste a variação foi de R$ 1.626 para R$ 1.534.

“O mercado de trabalho é mais informalizado nas regiões Norte e no Nordeste, então, a renda do trabalho ali tende a ter uma distribuição mais desigual. As regiões Norte e Nordeste tendem a receber mais benefícios de programas sociais e como houve essa mudança no auxílio emergencial, elas foram mais afetadas entre 2020 e 2021. Por isso tiveram esse aumento de desigualdade maior que em outras regiões”, diz Alessandra. Segundo a pesquisa, a desigualdade, medida pelo Índice de Gini, considerando toda a população, aumentou entre 2020 e 2021, passando de 0,524 para 0,544. Considerada apenas a população ocupada, esse indicador ficou praticamente estável, variando de 0,500 para 0,499.

O Índice de Gini é um instrumento para medir o grau de concentração de renda, apontando a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. O índice varia de zero a um, sendo que zero representa a situação de igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda. Já o um representa o extremo da desigualdade, ou seja, uma só pessoa detém toda a riqueza.

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Com Agência Brasil

Fim do auxílio emergencial contribuiu para escalada de desigualdade

Vendas no comércio crescem 0,9% em abril

É a quarta alta consecutiva do índice

Tecidos, vestuários e calçados contribuíram para a alta de 0,9% das vendas no varejo

O volume de vendas do comércio varejista no país cresceu 0,9% em abril, na comparação com março, apresentando o quarto mês consecutivo de alta. Contra igual período do ano passado, o avanço foi de 4,5%. Nos primeiros quatro meses do ano, o setor acumulou aumento de 2,3%, e, nos últimos 12 meses, de 0,8%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE.

No comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o volume de vendas apresentou aumento de 0,7% frente a março.” Os quatro meses do ano foram positivos, mas vêm em trajetória decrescente: de 2,4% em janeiro para 0,9% em abril. O crescimento é consistente, porém desigual. Como um todo, o comércio varejista está 4% acima do patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020. Mas entre as atividades está desigual”, avalia Cristiano Santos, gerente da pesquisa.

Entre as atividades acima do patamar pré-pandemia, Santos destaca artigos farmacêuticos (17,7%), material de construção (9,1%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (7,3%). Abaixo do patamar pré-pandemia estão equipamentos e material de escritório (-11,7%), móveis e eletrodomésticos (-10,7%), tecidos, vestuários e calçados (-8,6%). Na comparação com março, metade das oito atividades tiveram avanço no volume de vendas. No campo positivo, móveis e eletrodomésticos (2,3%), tecidos, vestuário e calçados (1,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,4%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,1%).

no campo negativo ficaram combustíveis e lubrificantes (-0,1%), hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,1%), livros, jornais, revistas e papelaria (-5,6%) e equipamentos e material para escritório informática e comunicação (-6,7). Para o varejo ampliado, tanto a atividade de veículos, motos, partes e peças (-0,2%) quanto de material de construção (-2%) tiveram resultados negativos. “O resultado pendeu para o positivo influenciado pelo crescimento de tecidos, vestuários e calçados e móveis e eletrodomésticos. Hiper e super tiveram queda, mas as atividades que cresceram têm peso alto também”, explica Santos.

Vendas no comércio crescem 4,5% em relação a abril de 2021
Na comparação interanual, o comércio cresceu 4,5% com resultados positivos em cinco das oito atividades pesquisadas. Tecidos, vestuário e calçados (33,9%), combustíveis e lubrificantes (9,7%), hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (4,0%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (3,5%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,5%).

Por outro lado, três atividades registraram queda na comparação interanual: móveis e eletrodomésticos (-8,7%), livros, jornais, revistas e papelaria (-0,9%) e equipamentos e material para escritório informática e comunicação (-0,5%). Considerando o comércio varejista ampliado, veículos e motos, partes e peças registrou queda de 2,1% e material de construção caiu 10,1%. “No comércio varejista ampliado, a atividade de veículos e motos, partes e peças, teve queda de 2,1% frente a abril de 2021, primeira após cinco meses consecutivos de crescimento. Material de construção caiu 10,1% frente a abril de 2021, contra aumento de 1,2% no mês anterior”, complementa Santos.

Mais sobre a Pesquisa Mensal de Comércio
A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) produz indicadores que permitem acompanhar o comportamento conjuntural do comércio varejista no País, investigando a receita bruta de revenda nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas ocupadas, e cuja atividade principal é o comércio varejista. Iniciada em 1995, a PMC traz resultados mensais da variação do volume e receita nominal de vendas para o comércio varejista e comércio varejista ampliado (automóveis e materiais de construção) para o Brasil e Unidades da Federação.

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É a quarta alta consecutiva do índice

Anatel autoriza bloqueio de chamadas feitas por robôs

Prestadoras e usuários poderão ser bloqueados

As operadoras e os usuários que não seguirem as determinações poderão ser multados em até R$ 50 milhões

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) expediu medida cautelar para evitar o telemarketing abusivo, aquelas ligações realizadas por robôs, conhecidas por robocalls. O emprego de solução tecnológica para o disparo massivo de chamadas com duração de até três segundos é considerado, pela Anatel, como uso inadequado de serviços de telecomunicações.

De acordo com a medida, os usuários têm 15 dias, contados da publicação da decisão, para adotar providências para a adequação de atividades e, assim, cessar a sobrecarga de chamadas aos consumidores sem efetiva comunicação. Passado esse prazo, as operadoras serão obrigadas a bloquear as chamadas dos usuários que continuem gerando excesso de ligações. O bloqueio durará 15 dias ou até que o usuário firme compromisso formal com a Anatel de se abster da prática indevida e apresente as providências adotadas.

O bloqueio de chamadas originadas, no entanto, não deve prejudicar a manutenção de outros serviços de telecomunicações contratados pelo usuário. As operadoras deverão enviar à Anatel, quinzenalmente, um relatório sobre os usuários que sofreram o bloqueio e os respectivos recursos de numeração utilizados, o volume de tráfego e as datas de bloqueio de chamadas.

A Anatel determinou por meio da cautelar que, no prazo de 30 dias, as prestadoras de telefonia realizem o bloqueio de chamadas que utilizem números não atribuídos pela agência – numeração de linhas telefônicas irregulares – sejam elas originadas na própria rede ou provenientes de outras prestadoras. As operadoras e os usuários que não seguirem as determinações poderão ser multados em até R$ 50 milhões. A medida cautelar da Anatel tem vigência de três meses.

Outra medida para combater o telemarketing abusivo é a identificação das chamadas pelo prefixo 0303. O objetivo é dar a liberdade ao consumidor para que, ao receber uma ligação de telemarketing, possa identificar o chamador e, assim, exercer o seu direito de atender ou não aquela ligação. Até 8 de junho todas as empresas do setor deverão utilizar o código.

Com Agência Brasil

Prestadoras e usuários poderão ser bloqueados

RS elimina substituição tributária para oito grupos de mercadorias

Medida implementada pela receita estadual valerá a partir de julho

Artigos de papelaria, materiais elétricos e máquinas e aparelhos mecânicos estão entre os produtos abarcados pela medida

Atendendo à demanda dos setores econômicos e baseada em estudos econômico-tributários, a Receita do Rio Grande do Sul está excluindo da Substituição Tributária (ST) as operações envolvendo oito grupos de mercadorias. A medida consta no Decreto Nº 56.541, publicado no Diário Oficial de 9 de junho de 2022, e é válida a partir de 1º de julho de 2022.

Os setores e grupos de produtos abrangidos são os pneumáticos de bicicletas, aparelhos celulares, produtos eletrônicos, artefatos de uso doméstico, ferramentas, artigos de papelaria, materiais elétricos e máquinas e aparelhos mecânicos. A arrecadação do ICMS ST dos oito setores que serão impactados pela medida representa aproximadamente 3,2% da arrecadação total do ICMS no Rio Grande do Sul.

O que é e como funciona a Substituição Tributária (ST)
A sistemática da ST foi instituída no Rio Grande do Sul, e em outros estados brasileiros, por apresentar a vantagem de concentrar a arrecadação do ICMS em apenas uma etapa do processo produtivo de determinados bens. Além disso, simplifica o processo também para os contribuintes nas etapas posteriores ao recolhimento do imposto, pois dispensa a realização das tarefas necessárias para a determinação do ICMS que devem.

No entanto, as recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o fim da “definitividade” do ICMS recolhido sob a sistemática, impeliu o Estado a monitorar a arrecadação em todos os elos das cadeias de distribuição. Por sua vez, os contribuintes que recebem os produtos já tributados passaram a fazer pagamentos adicionais (quando a base de cálculo da retenção foi inferior ao preço final efetivamente praticado) ou a solicitar ressarcimentos mensais do ICMS (quando a base de cálculo da retenção foi superior ao preço final efetivamente praticado), com o objetivo de “ajustar” o imposto inicialmente estimado ao calculado com base nos valores reais das operações.

Diante da alteração, portanto, as principais virtudes atribuídas à Substituição Tributária, especialmente a simplificação para os contribuintes, foram substituídas por uma sistemática mais complexa que a exigida no sistema tradicional de “débito x crédito”. Por isso, a receita estadual iniciou o processo de revisão criteriosa para avaliar em quais casos o mecanismo ainda é válido para o Rio Grande do Sul e para os contribuintes, bem como, para quais produtos é mais conveniente retornar ao sistema tradicional.

Medida implementada pela receita estadual valerá a partir de julho

STJ decide que planos não são obrigados a cobrir exames fora da lista da ANS

Cabe recurso contra a decisão

A lista de tratamentos obrigatórios da ANS foi criada em 1998 para estabelecer um mínimo de cobertura que não poderia ser negada pelos planos de saúde

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu) que as operadoras de planos de saúde não são obrigadas a cobrir procedimentos médicos que não estão previstos na lista da Agência Nacional de Saúde (ANS). Cabe recurso contra a decisão. A Segunda Seção do STJ entendeu que o rol de procedimentos definidos pela agência é taxativo, ou seja, os usuários não têm direito a exames e tratamentos que estão fora da lista. Por 6 votos a 3, prevaleceu o entendimento do relator, ministro Luís Felipe Salomão, cujo voto foi proferido em sessões anteriores.

Ao definir que o rol é taxativo, o ministro entendeu que haveria um desequilíbrio nos contratos de plano de saúde se alguns usuários obtivessem na Justiça direito a coberturas que outros não têm. Isso afetaria o equilíbrio econômico do sistema de saúde complementar e aumentaria os custos para todos os usuários, segundo o ministro.

A lista de procedimentos e tratamentos obrigatórios da ANS foi criada em 1998 para estabelecer um mínimo de cobertura que não poderia ser negada pelos planos de saúde. O rol vem sendo atualizado desde então para incorporar novas tecnologias e avanços. Desde então, é comum que usuários de plano de saúde busquem na Justiça o direito de as operadoras pagarem por procedimentos ou tratamentos que ainda não estejam previstos no rol da ANS.

Com Agência Brasil

Cabe recurso contra a decisão

Inflação fica em 0,47% em maio

No ano, o indicador acumula alta de 4,78%

No caso dos produtos farmacêuticos, foi autorizado em abril um reajuste de até 10,89% no preço dos medicamentos

A inflação ficou em 0,47% em maio, após ter alcançado 1,06% em abril. No ano, o indicador acumula alta de 4,78% e, nos últimos 12 meses, de 11,73%, abaixo dos 12,13% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2021, a variação havia sido de 0,83%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE.

Em maio, a maior variação veio do grupo vestuário, com alta de 2,11%. Já o maior impacto veio dos transportes (1,34%), que desaceleraram em relação ao mês anterior (1,91%). No caso dos transportes, a alta foi puxada pelas passagens aéreas (18,33%), que já haviam subido em abril (9,48%), juntamente com os produtos farmacêuticos, que subiram 2,51% e fazem parte do grupo saúde e cuidados pessoais (1,01%).

“Vale fazer uma ressalva de que a coleta das passagens aéreas é feita dois meses antes. Neste caso, os preços das passagens aéreas foram coletados em março para viagens que seriam realizadas em maio. A alta deve-se a dois fatores: elevação dos custos devido ao aumento nos preços dos combustíveis; e pressão de demanda, com o aumento do consumo, após um período de demanda reprimida por serviços, especialmente aqueles prestados às famílias. Isso impacta, também, alimentação fora do domicílio e itens de cuidados pessoais”, explica o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

No caso dos produtos farmacêuticos, foi autorizado em abril um reajuste de até 10,89% no preço dos medicamentos. Esse reajuste pode ter sido aplicado pelos varejistas de forma gradual, tendo reflexo no índice tanto em abril quanto em maio, embora a variação tenha sido menor neste último mês. “Mas como o segmento tem peso, acaba impactando bastante”, justifica o gerente do IPCA.

Outro destaque em maio foi a desaceleração do segmento de alimentos e bebidas, que registrou 0,48%, frente à alta de 2,06% em abril. Kislanov explica que produtos que vinham subindo bastante tiveram quedas expressivas em maio, a exemplo do tomate (-23,72%), da cenoura (-24,07%) e da batata-inglesa (-3,94%). Ele observa que existe um componente sazonal porque, normalmente, o início do ano é marcado por preços mais altos dos alimentos devido a questões climáticas.

“Agora começamos o período de outono-inverno que é mais seco e permite aumentar a oferta de alimentos e reduzir os preços. Outro fator é que os preços de alguns alimentos, como a cenoura (116,37% em 12 meses), subiram muito, o que faz com que a base de comparação seja muito alta. Já o preço do leite continua subindo, devido ao período de entressafra, com pastagens mais secas, e à inflação de custos com a elevação dos preços de commodities como milho e soja, usadas na ração animal”, esclarece Kislanov.

Os combustíveis também tiveram desaceleração, após altas expressivas nos preços das refinarias em março, que foram repassadas para o consumidor final em março e em abril. A desaceleração nos preços dos combustíveis (1%) em relação ao mês anterior (3,2%), ocorreu devido especialmente à gasolina, que passou de 2,48% em abril para 0,92% em maio. “Houve, inclusive, queda no preço do etanol (-0,43%), após uma alta de 8,44% em abril. Apesar da desaceleração dos combustíveis em geral, o óleo diesel teve uma alta de mais de 3%. Só que o produto tem um peso pequeno no IPCA, impactando mais transportes pesados como caminhões e ônibus”, destaca Kislanov.

O único grupo a apresentar queda foi o de habitação (-1,7%). A queda deve-se à redução nas contas de energia, pelo segundo mês seguido, em função de mudança de bandeira tarifária. Em 16 de abril, cessou a cobrança extra de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos, relativa à bandeira Escassez Hídrica, passando a vigorar a bandeira verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz.

No ano, o indicador acumula alta de 4,78%

Indústria catarinense avança 3,3% em abril

Rio Grande do Sul tem alta de 0,5% e o setor paranaense retraiu 4,3%

Resultado de Santa Catarina foi influenciado em grande parte pela indústria do vestuário

A produção industrial avançou em oito dos 15 locais investigados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM Regional) em abril, quando o índice nacional cresceu 0,1%. Os destaques do mês foram Rio de Janeiro (5,9%), Santa Catarina (3,3%) e Bahia (3%), com as maiores expansões na produção. Pernambuco (2%), Pará (1,9%), Região Nordeste (1,5%) e Rio Grande do Sul (0,5%) também registraram avanços mais intensos que a média nacional, com o estado do Amazonas (0,1%) completando o conjunto de locais com índices positivos em abril de 2022. O Paraná, por sua vez, apresentou retração de 4,3%. Os dados foram divulgados pelo IBGE.

“Esse crescimento tímido em abril se deve a fatores como a inflação elevada, a baixa massa de rendimento, que reduz o consumo das famílias, o encarecimento das matérias-primas e o desabastecimento de insumos. Tudo isso recai diretamente sobre a cadeia produtiva, diminuindo o ritmo da produção industrial”, explica o analista da pesquisa, Bernardo Almeida. A principal influência positiva veio do Rio de Janeiro, com crescimento de 5,9%, a segunda taxa positiva consecutiva para a indústria fluminense. O setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis foi o grande responsável por esse avanço, tendo contribuído secundariamente o setor de metalurgia. “Foi a taxa mais intensa para o Rio desde julho de 2020, quando a indústria fluminense atingiu 8,0% de crescimento”, lembra Almeida.

Em segundo lugar, aparece Santa Catarina, com alta de 3,3%, influenciada em grande parte pela indústria do vestuário. Com esse resultado, o estado eliminou parte da sua queda do mês anterior, que foi de 3,5%. Já a queda de 2,8% de São Paulo foi a principal influência negativa no índice nacional. O estado concentra aproximadamente 34% da produção industrial nacional. “O baixo desempenho do setor de veículos automotores e o de máquinas e equipamentos tiveram o maior peso nesse resultado”, comenta o técnico.

No mês de abril, cinco dos 15 locais pesquisados obtiveram índices acima do patamar pré-pandemia de Covid-19, registrada em fevereiro de 2020. Foram eles: Minas Gerais e Rio de Janeiro (ambos com 5,8%), Mato Grosso (5%), Rio Grande do Sul (3%) e Santa Catarina (2,9%).

Produção de 7 estados recua frente a abril de 2021
Na comparação com abril de 2021, o setor industrial mostrou recuo de 0,5% em abril de 2022, com taxas negativas em sete dos 15 locais pesquisados. Vale citar que abril de 2022 (19 dias) teve um dia útil a menos do que igual mês do ano anterior (20). Nesse mês, Espírito Santo (-7,3%), Paraná (-6,6%) e Santa Catarina (-5,6%) assinalaram as reduções mais intensas.

No acumulado de 12 meses, a indústria nacional teve redução de 0,3%, com sete dos 15 locais pesquisados registrando taxas negativas em abril de 2022. Amazonas (de 6,5% para 1,5%), Paraná (de 5,8% para 2,1%), Santa Catarina (de 3,5% para 0,1%), Rio Grande do Sul (de 5,2% para 2%), Ceará (de -0,9% para -3,7%), Espírito Santo (de 6,4% para 3,8%), São Paulo (de 1,6% para -0,7%) e Minas Gerais (de 7% para 4,8%) mostraram as principais perdas entre março e abril de 2022, enquanto Bahia (de -8,8% para -6,9%) e Mato Grosso (de 7,1% para 8,4%) assinalaram os maiores ganhos entre os dois períodos.

No acumulado no ano, houve redução na produção em 11 dos 15 locais pesquisados, com destaque para Pará (-10,2%), Ceará (-9%) e Santa Catarina (-8,1%). Pernambuco (-4,3%), São Paulo (-4%) e Paraná (-3,6%) registraram taxas negativas mais acentuadas do que a média nacional (-3,4%), enquanto Região Nordeste (-2,1%), Minas Gerais (-2,1%), Rio de Grande do Sul (-1,5%), Espírito Santo (-0,9%) e Goiás (-0,7%) completaram o conjunto de locais com recuo na produção no índice acumulado no ano.

Mais sobre a PIM Regional
A PIM Regional produz, desde a década de 1970, indicadores de curto prazo relativos ao comportamento do produto real das indústrias extrativa e de transformação. Traz, mensalmente, índices para 14 unidades da federação cuja participação é de, no mínimo, 1% no total do valor da transformação industrial nacional e, também para o Nordeste como um todo: Amazonas, Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e Região Nordeste.

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