Archives 2022

Governo Central tem segundo maior déficit para meses de maio

Resultado primário ficou negativo em R$ 39,2 bilhões

A antecipação do décimo terceiro para os aposentados e os gastos com o Auxílio Brasil fizeram as contas públicas registrar o segundo maior resultado negativo para meses de maio

No mês passado, o Governo Central – Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – registrou déficit primário de R$ 39,213 bilhões. Esse é o segundo maior déficit para o mês desde o início da série histórica, em 1997, só perdendo para maio de 2020, no início da pandemia de Covid-19. O resultado veio pior que o esperado pelas instituições financeiras. Segundo a pesquisa Prisma Fiscal, divulgada todos os meses pelo Ministério da Economia, os analistas de mercado esperavam resultado positivo de R$ 23,1 bilhões em maio.

Em relação a maio do ano passado, o déficit primário cresceu 68,1%, descontada a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Graças aos superávits obtidos em janeiro e abril, o Governo Central acumula resultado positivo de R$ 39,2 bilhões nos cinco primeiros meses de 2022, o melhor resultado para o período desde maio de 2012.

O resultado primário representa a diferença entre as receitas e os gastos, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública. Apesar do superávit acumulado no ano, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estipula meta de déficit primário de R$ 170,5 bilhões para este ano. No fim de maio, o relatório bimestral de receitas e despesas reduziu a estimativa de déficit para R$ 65,5 bilhões, mas o valor levado em conta para o cumprimento das metas fiscais é o da LDO.

Arrecadação atípica
O déficit de maio ocorreu porque as despesas cresceram em ritmo maior que as receitas. No mês passado, as receitas líquidas cresceram 8,1% em relação a maio do ano passado em valores nominais. Descontada a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no entanto, houve queda de 3,3%. As despesas totais cresceram 20,6% em valores nominais e 7,9% na mesma comparação, após descontar a inflação. A queda na receita líquida pode ser explicada pela arrecadação federal recorde em abril, que elevou as transferências da União para estados e municípios em maio. Ao desconsiderar os repasses a governos locais, a receita bruta subiu 18% em valores nominais e 5,6% descontada a inflação em maio, na comparação com o mesmo mês de 2021.

Além da transferência a estados e municípios, as contas públicas começaram a sentir os efeitos das desonerações concedidas pelo governo. A arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) caiu R$ 1,8 bilhão em maio (-30,6% descontada a inflação) em relação ao mesmo mês do ano passado. Desde fevereiro, o governo reduziu o IPI para estimular as indústrias. Em contrapartida, a elevação do lucro de empresas de energia e de combustíveis contribuiu para impulsionar a arrecadação do Imposto de Renda em R$ 3,3 bilhões (+7,4% acima da inflação) em maio. Esses fatores até agora compensam a queda de arrecadação em outros setores.

A alta do petróleo no mercado internacional fez as receitas com royalties crescer R$ 1,1 bilhão (+23,3%) acima da inflação no mês passado na comparação com maio de 2021. Atualmente, a cotação do barril internacional está em torno de US$ 115 por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Despesas
Do lado das despesas, o principal fator que contribuiu para o aumento dos gastos em maio foi a antecipação do décimo terceiro de aposentados e pensionistas, que elevou os gastos com a Previdência Social em R$ 20,7 bilhões (+30,3%) acima da inflação no mês passado. No ano passado, a primeira parcela do décimo terceiro tinha sido paga em maio e junho. Neste ano, o pagamento ocorreu em abril e maio. Também aumentaram os gastos com despesas obrigatórias com controle de fluxo, que subiram R$ 6,39 bilhões (+49,6%) acima da inflação em maio na comparação com o mesmo mês de 2021. No acumulado do ano, o aumento chega a R$ 26,4 bilhões (+40,7%) acima do IPCA. A alta foi impulsionada pelo pagamento do benefício mínimo de R$ 400 do Auxílio Brasil.

Em contrapartida, os gastos com o funcionalismo federal caíram 8,2% no acumulado do ano descontada a inflação. A queda reflete o congelamento de salários dos servidores públicos que vigorou entre junho de 2020 e dezembro de 2021 e a falta de reajustes em 2022, apesar de diversas categorias estarem em greve. Em relação aos investimentos (obras públicas e compra de equipamentos), o governo federal investiu R$ 13,7 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, alta de 42,1% em relação ao mesmo período de 2021, descontada a inflação pelo IPCA. A alta ocorre perante uma base fraca de comparação. No ano passado, o Orçamento foi sancionado apenas no fim de abril.

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Com Agência Brasil

Resultado primário ficou negativo em R$ 39,2 bilhões

Desemprego cai para 9,8% no trimestre

É a menor taxa para o período desde 2015

Ocupações na área de educação tiveram aumento no trimestre encerrado em maio

A taxa de desocupação ficou em 9,8% no trimestre encerrado em maio, a menor para esse trimestre desde 2015, quando foi de 8,3%. Em relação ao trimestre anterior, de dezembro de 2021 a fevereiro de 2022, a taxa caiu 1,4 ponto percentual e na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, a queda foi de 4,9 pontos percentuais. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE.

O número de pessoas ocupadas, de 97,5 milhões, é o maior da série histórica, iniciada em 2012, e mostrou alta de 2,4% na comparação com o trimestre anterior e de 10,6% na comparação anual. Isso equivale a um aumento de 2,3 milhões de pessoas no trimestre e de 9,4 milhões de ocupados no ano. Já a população desocupada, estimada em 10,6 milhões de pessoas, recuou 11,5% frente ao trimestre anterior, o que representa 1,4 milhão de pessoas a menos. No ano, a queda foi de 30,2%, ou seja, menos 4,6 milhões de pessoas desocupadas.

“Foi um crescimento expressivo e não isolado da população ocupada. Trata-se de um processo de recuperação das perdas que ocorreram em 2020, com gradativa recuperação ao longo de 2021. No início de 2022, houve uma certa estabilidade da população ocupada, que retoma agora sua expansão em diversas atividades econômicas”, destaca Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE. Ela complementa que os aumentos da ocupação vêm ocorrendo em diversas formas de inserção do trabalhador, tanto entre os informais quanto entre os com carteira de trabalho.

“O contingente de trabalhadores com carteira vêm apresentando uma recuperação bem interessante, já recompondo o nível pré-pandemia. Principalmente no final de 2020 e primeiro semestre de 2021, a recuperação da ocupação estava majoritariamente no trabalho informal. A partir do segundo semestre de 2021, além da informalidade, passou a ocorrer também uma contribuição mais efetiva do emprego com carteira no processo de recuperação da ocupação”, ressalta.

De acordo com a pesquisa, o número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (exclusive trabalhadores domésticos) foi de 35,6 milhões no trimestre encerrado em maio, subindo 2,8% (981 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e 12,1% (mais 3,8 milhões de pessoas) na comparação anual. Já a taxa de informalidade foi de 40,1% da população ocupada (ou 39,1 milhões de trabalhadores informais), contra 40,2% no trimestre anterior e 39,5% no mesmo trimestre de 2021.

Em relação aos grupamentos de atividade, Adriana destaca o crescimento da população ocupada no grupo Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, impulsionado pelo crescimento do segmento de educação. “Com o retorno das aulas presenciais, está havendo um processo de recomposição da estrutura educacional, não apenas com a contratação de professores, mas também de trabalhadores ligados à prestação de serviços e infraestrutura dos estabelecimentos de ensino”, explica.

A pesquisadora explica que a partir do 4º trimestre de 2021, começou a se observar um processo de recuperação da população ocupada em atividades como construção, indústria, agricultura e serviços relacionados à tecnologia da informação e comunicação e serviços financeiros. “Com a melhoria no quadro da pandemia, ou seja, com o avanço da vacinação e o relaxamento das medidas de distanciamento social, os serviços mais presenciais, que tinham sido bastante afetados, começam a ter um processo de recuperação mais vigoroso, principalmente os outros serviços, alojamento e alimentação, serviços domésticos, transporte e alojamento”, explica. Ela ressalta que o crescimento da população ocupada foi bastante disseminado por todas as atividades. “Na comparação trimestral, apenas os grupamentos da agricultura e dos serviços domésticos não tiveram crescimento, ficaram na estabilidade. E na comparação, somente a agricultura não cresceu, ficando estável também”.

Sobre a PNAD Contínua
A PNAD Contínua é o principal instrumento para monitoramento da força de trabalho no país. A amostra da pesquisa por trimestre no Brasil corresponde a 211 mil domicílios pesquisados. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham na pesquisa, em 26 estados e Distrito Federal, integrados à rede de coleta de mais de 500 agências do IBGE. Em função da pandemia de Covid-19, o IBGE implementou a coleta de informações da pesquisa por telefone a partir de 17 de março de 2020. Em julho de 2021, houve a volta da coleta de forma presencial.

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É a menor taxa para o período desde 2015

SAP expande centro de inovação no Sul

Terceira ampliação contou com investimento de R$ 120 milhões

Unidade de São Leopoldo passa a integrar o hub global de inovação da SAP

Após 16 anos de atividade, a SAP Labs Latin America, hub de inovação, pesquisa e desenvolvimento da SAP, teve a sua terceira fase de expansão concluída e inaugurada na segunda-feira (20) em São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre. Localizado dentro do campus da Unisinos, a nova unidade recebeu investimentos de R$120 milhões e abrigará uma força de trabalho de cerca de 850 funcionários brasileiros e de outras 20 nacionalidades, dentro de um total de quase 2 mil pessoas. A expansão também deve gerar mais de 200 empregos indiretos na região.

A SAP Labs é um dos principais centros de tecnologia do Rio Grande do Sul. Com uma população diversa e global, a empresa se destaca por uma alta taxa de contratação de estagiários – em média, 80% dos estudantes que estagiam no Labs são contratados. A SAP Labs também age como um centro de formação e excelência em tecnologia, formando uma nova geração de profissionais preparados para atender a altíssima demanda por profissionais especializados em TI no país.

A expansão também marca a nomeação da SAP Labs Latin America como um hub global de inovação, pesquisa e desenvolvimento dentro da SAP, juntamente com centros dos Estados Unidos, China, Índia e Canadá. Atualmente, na SAP Labs Latin America já são desenvolvidas tecnologias que ajudam as empresas na jornada ESG, controle e gerenciamento de consumo de energia, gestão de resíduos e políticas de responsabilidade de produtores.

“As empresas latino-americanas estão investindo cada vez mais na transformação digital, e prestando atenção especial para a sustentabilidade”, conta Dennison John, presidente da SAP Labs Latin América. “Com essa nova expansão de nossas operações, estamos em posição para liderar este processo e demonstrar ao mundo a criatividade e a capacidade de inovar da região, atuando juntamente com especialistas do mundo todo para criarmos tecnologias ágeis, poderosas e que tem a sustentabilidade como centro”, prevê.

Terceira ampliação contou com investimento de R$ 120 milhões

Cooperação de resultados

A inovação recebeu o maior impulso na Lar a partir do momento em que a cooperativa fez com que os funcionários sugerissem ideias de melhoria em processos e produtos

A cooperativa Lar valoriza a experiência do dia a dia de cada funcionário

Foi a partir de um programa de ideias envolvendo todos os funcionários que a Lar, cooperativa sediada em Medianeira, no oeste do Paraná, fez com que a inovação tomasse impulso. “Costumamos dizer que o funcionário, que está no dia a dia atuando em diferentes áreas, é quem sabe o que precisa ser melhorado em cada processo, e valorizamos muito isso”, destaca Irineo da Costa Rodrigues, diretor-presidente da Lar, a campeã da categoria especial “Cooperativas de Produção”, introduzida pela primeira vez nesta 18ª edição do ranking de AMANHÃ e IXL-Center. “Cada regulagem diferente de um equipamento pode reduzir perdas, e cada funcionário pode trazer a ideia de uma nova forma de fazer determinada atividade de maneira mais segura e confiável”.

Um dos projetos contemplados foi o “AvIoT: Avicultura Conectada, Inteligente e Otimizada”, que através de tecnologia IoT (Internet das Coisas) propõe o monitoramento constante de aviários em fatores de ambiência como umidade, temperatura, gases e qualidade da água. Por trás do “AvIot” estão Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Pesquisa e Desenvolvimento do Brasil (INESC P&D Brasil) e a Trinovati Tecnologia. A expectativa é de que até agosto deste ano o produto seja validado para ser comercializado pela startup e possa ganhar escala suficiente para atender a cadeia avícola de cooperativas e empresas que atuem no ramo.

Em março a Lar também foi contemplada no Edital Sesi Tech de 2019, formalizando parceria com o Instituto Senai de Tecnologia e Inovação no Paraná. Está em desenvolvimento um equipamento para automatizar a construção de pallets na unidade industrial de soja de Céu Azul, poupando os funcionários de lesões por esforço repetitivo e outros problemas de ergonomia. Além de segurança no trabalho, a Lar ganhará em eficiência: a construção de pallets será otimizada, já que a expectativa de produção da máquina é de um pallet por minuto.

A Lar também tem uma relação intensa com startups. “Temos o canal aberto para receber essas empresas que possam trazer soluções que nos atendam”, conta Rodrigues. Estas possibilidades são detectadas em eventos como o Workshop Parceiros da Inovação, por meio dos quais a cooperativa faz uma avaliação dos produtos e serviços de terceiros. Em 2021, a Lar realizou em parceria com o Parque Tecnológico de Itaipu o Agroday, que reuniu mais de 50 startups interessadas em expor suas soluções. À época, a Lar estava patinando na tentativa de fazer ajustes em um software de atualização do mercado de commodities agrícolas e derivativos que havia adquirido. Graças ao programa Parceiros da Inovação, diretores da cooperativa conheceram um software que já estava pronto e apresentava qualidade superior.

Outro avanço colhido destes encontros foi a contratação de uma startup para o monitoramento das condições de armazenagem. A nova solução faz uso de sensores que dão ao gestor a condição de pode atuar de maneira fácil e imediata na massa de grãos, evitando perdas por aumento de temperatura e umidade.

Os produtores associados também são chamados a colaborar com a geração de ideias. A Lar Instituiu um comitê de inovação com o objetivo de capacitar os cooperados, também, difundir a cultura da inovação entre eles. Diferentes encontros foram realizados com grupos específicos de produtores organizados por atividade – como suínos, aves e agricultura, de forma a conhecer suas carências e averiguar como a cooperativa poderia contribuir com soluções. “Essas dores dos nossos associados podem ser eliminadas ou minimizadas com o uso de aplicativos, novos processos internos ou mesmo novos produtos que serão buscados junto aos fornecedores”, explica Rodrigues.

Tecnologia como aliada
Determinada a usar a tecnologia de maneira permanente, recentemente a Lar Cooperativa Industrial instituiu o que chamou de Tech Radar, iniciativa que relaciona prioridades relacionadas com o setor de TI. Hoje a cooperativa possui aplicativos que facilitam a rotina dos técnicos agrícolas e veterinários. Os apps agilizam a coleta de dados e também alimentam, com informações em tempo real, os sistemas da cooperativa. Outro exemplo é o uso dos Robotic Process Automation para reduzir a necessidade de interação humana em processos repetitivos. Uma atividade de consulta de situação dos produtores em relação às licenças ambientais, que demorava dois minutos para cada licença, hoje é feita em dez segundos, O aplicativo Lar em Casa oferece a comodidade do cliente fazer seus pedidos de supermercado via celular e receber a mercadoria em sua residência. Ainda na rede de varejo, os cupons para as premiações por fidelidade estão todos digitalizados. Para os associados, a cooperativa disponibiliza o app Lar Digital, que permite ao produtor fazer todas as consultas de sua movimentação como cooperado. Segundo Rodrigues, em breve o associado poderá também fazer operações financeiras com a venda de produção e liquidação de títulos.

Esse conteúdo integra a edição 340 da revista AMANHÃ, publicação do Grupo AMANHÃ, que trouxe os resultados da 18ª edição do ranking Campeãs da Inovação. Clique aqui para acessar a publicação on-line, mediante pequeno cadastro.

A inovação recebeu o maior impulso na Lar a partir do momento em que a cooperativa fez com que os funcionários sugerissem ideias de melhoria em processos e produtos

Tarifa do gás natural para a indústria catarinense aumenta 41% em julho

A não efetivação do mercado livre impediu que as distribuidoras do Sul do Brasil adquirissem o insumo no Nordeste brasileiro

Anúncio do reajuste ocorreu durante reunião híbrida da Câmara de Assuntos de Energia da Fiesc

A tarifa do gás natural para a indústria de Santa Catarina será elevada em 41% a partir do dia 2 de julho. A informação foi confirmada na terça-feira (28), durante a reunião da Câmara de Assuntos de Energia da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) pelo presidente da SC Gás Willian Lehmkuh, Ricardo Santa Catarina, gerente de planejamento, e Marcos André Tottene, gerente de suprimento de gás. O reajuste médio do insumo para todas as categorias de consumidores será de 40,9%.

“A principal causa desse aumento é a não concretização do mercado livre do gás”, afirma o presidente da Câmara, Otmar Müller. “A lei foi aprovada em 2020 e promulgada há mais de um ano e meio. Só que a medida não foi regulamentada pelas agências reguladoras, especialmente a Agência Nacional de Petróleo [ANP] e o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica]. Sem a regulamentação da lei não, não foi possível implantar o mercado livre do gás, permanecendo o monopólio da Petrobras”, acrescenta Müller.

O presidente da Câmara de Energia da entidade cita também a desvalorização cambial brasileira. “E a pá de cal foi a mudança da base de preço da Petrobras, aumentando em torno de 60% nos novos contratos de gás. A estatal só conseguiu impor isso às distribuidoras do Sul do Brasil em função da ausência da regulação do mercado livre de gás. É um abuso do poder de monopólio, que foi denunciado ao Cade”, acrescenta Müller, lembrando que a não efetivação do mercado livre impediu que as distribuidoras do Sul do Brasil adquirissem o insumo no Nordeste brasileiro.

“Desde agosto do ano passado, quando essa nova configuração de preços começou a ser anunciada, estamos trabalhando para alterar essa imposição da Petrobras. Além da não consolidação do mercado livre, ficamos frustrados pela passividade do Cade quanto ao monopólio abusivo”, salienta o empresário. “Temos de continuar lutando pelo respeito e pela equidade de preços em relação a outros estados”, manifestou, referindo-se à manutenção da base de preços para o estado de São Paulo. “A elevação da tarifa prejudica a competitividade da indústria catarinense. Em alguns setores, como o de vidros, porcelana e revestimentos cerâmicos, a participação do gás natural nos custos de produção se elevará de 30% para 38%. Sem contar os demais fatores inflacionários, esses segmentos terão aumentos de custos de produção da ordem de 14%”, explica.

Conforme a SC Gás, a necessidade de reajuste se originou na contratação de fornecimento do insumo que a concessionária fez com a Petrobrás em vigor a partir de 2022, e que corresponde, em 2022, a 1,3 milhão de metros cúbicos por dia. Este contrato, denominado NGM 25, têm valor correspondente a 17,4% do brent (o valor de referência internacional do preço do Petróleo), equivalente atualmente a cerca de 17,7 dólares por milhão de BTU (sigla para British Thermal Unit, unidades de caloria). Outros 800 mil metros cúbicos diários do insumo são fornecidos por meio do contrato NMG 23, com valores correspondentes a 11,6% do brent, em torno de 11,8 dólares por milhão de BTU (mmbtu). Inicialmente o reajuste seria aplicado a partir de janeiro, mas graças a uma liminar da Justiça obtida pelo governo do estado no início do ano e derrubada em abril pela Petrobras, ele passa a ter efeito a partir de julho.

O contrato NMG 25 prevê alterações de valores e de fornecimento a partir de 2023, quando o preço decairá para 14,4% do brent, ou 14,6 dólares/mmbtu e o fornecimento se reduzirá para 1,2 milhão de m³/dia. Em 2024 e 2025, o preço aplicado será de 11,4% do brent (11,1 dólares/mmbtu), enquanto o fornecimento previsto é de 1,06 milhão de m³/dia (2024) e 890 mil de m³/dia (2025). “Precisamos sobreviver ao segundno semestre de 2022”, afirmou Willian Lehmkuhl, referindo-se ao período mais elevado do valor do insumo no período. Com a redução do valor a partir de janeiro, ele não descarta a possibilidade de redução da tarifa do gás natural no início de 2023. Mas, para isso, precisam ser mantidas as demais variáveis, como o câmbio e o preço internacional do petróleo.

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A não efetivação do mercado livre impediu que as distribuidoras do Sul do Brasil adquirissem o insumo no Nordeste brasileiro

Curitiba é a primeira cidade do mundo a testar luminária inteligente 5G

Equipamento funcionará como um hub de serviços

As conexões são, em média, 100 vezes mais rápidas que o 4G, com transferência de dados sem atrasos

Curitiba começou a testar, na quarta-feira (22), uma inédita luminária pública inteligente com a antena 5G integrada. A capital paranaense é a primeira cidade do mundo a receber a nova tecnologia de redes móveis, de acordo com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que em parceria com a prefeitura de Curitiba, o Ministério das Comunicações e a operadora Ligga Telecom estão avaliando a tecnologia na capital através do programa Conecta 5G. A luminária, que na prática funcionará como um hub de serviços, foi instalada na Avenida Cândido de Abreu esquina com Rua Lysimaco Ferreira da Costa, ao lado da prefeitura.

A luminária pública inteligente com a antena 5G integrada foi instalada ao lado da sede da prefeitura, no Centro Cívico, e permitirá a realização de testes para aplicações da nova tecnologia, trazendo benefícios para a população e empresas, como uma melhor gestão urbana em serviços das áreas como educação, telemedicina e segurança pública, além de impulsionamento da economia local. As conexões são, em média, 100 vezes mais rápidas que o 4G, com transferência de dados sem atrasos (baixa latência).

A tecnologia que começa a ser testada em Curitiba, na prática, transforma as lâmpadas de iluminação pública em antenas de celular que espalham como wi-fi o sinal do 5G. O equipamento ainda tem outras funcionalidades voltadas para cidades inteligentes, como câmeras de videomonitoramento, telegestão, reconhecimento facial, gestão semafórica e sensor de ruído. Nessa fase de testes em Curitiba, a luminária inteligente oferecerá a rede 5G para conexões entre equipamentos urbanos, como semáforos inteligentes, e aplicações empresariais. A população não terá acesso ao sinal 5G, mas poderá usufruir de uma internet de alta qualidade, a partir da rede wi-fi instalada também no equipamento e serviço fornecido pela Ligga Telecom.

“É uma das soluções para a instalação da infraestrutura necessária para a nova rede móvel, que exige elevado número de antenas para que a tecnologia 5G opere nas cidades”, destacou o prefeito Rafael Greca, na cerimônia que marcou o início dos testes, realizada no Palácio 29 de Março. Como a gestão da iluminação pública é municipal, as prefeituras poderão inclusive gerar receitas acessórias, alugando suas antenas, dentro das luminárias, para as operadoras de telefonia móvel. Além disso, com a integração das antenas 5G às luminárias inteligentes, as cidades poderão criar sua própria infraestrutura de redes 5G e ainda oferecer conectividade rápida para a população.

O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Calvet, frisou que Curitiba foi escolhida para iniciar o projeto-piloto do Conecta 5G por ser destaque mundial quando o assunto é governança, inovação e tecnologia em cidades inteligentes. “A parceria com uma cidade tão madura como Curitiba vai realmente fomentar o desenvolvimento de novos serviços para os cidadãos e para as empresas”, completou.

Os testes do projeto-piloto serão realizados em várias faixas da tecnologia 5G, como as de 27.5 e 27.9 GHz (gigahertz) que serão avaliadas em Curitiba, mais próximas da necessidade do setor produtivo, em especial a indústria 4.0. A luminária foi desenvolvida pelas empresas Nokia e Juganu e utiliza a tecnologia de chipset da Qualcomm. O Conecta 5G inicia em Curitiba e também será implantado em 13 outras cidades brasileiras: Maceió (AL), Juiz de Fora (MG), Ceará-Mirim (RN), Petrolina (PE); Araguaína (TO), Jaraguá do Sul (SC), Picos (PI), Sorocaba (SP), Paraipaba (CE), Pato Branco (PR), Foz do Iguaçu (PR), Parauapebas (PA) e Canaã dos Carajás (PA).

O presidente da Ligga Telecom, Wendell Oliveira destacou ainda que com a nova tecnologia o melhor ainda está por vir na vida das pessoas e nas empresas. “É motivo de grande alegria para nós trazer a primeira luminária 5G do mundo na nossa frequência”, salientou Oliveira. A Prefeitura de Curitiba, a Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a Secretaria Municipal de Administração, Gestão de Pessoal e Tecnologia da Informação e a Ligga Telecom ainda estão definindo novos locais, como ruas e outros espaços públicos, onde serão instaladas nos próximos meses novas luminárias inteligentes com a antena 5G.

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Equipamento funcionará como um hub de serviços

Becomex apoia a ampliação e modernização da indústria portuária da região Sul

Empresa desenvolveu e entrega para o segmento metodologia que traz agilidade para a tomada de decisões

Para solucionar casos envolvendo o Reporto, a Becomex possui um time especializado em operações aduaneiras, otimização de processos e gerenciamento de projetos com sólida experiência

Considerando que as indústrias são constantemente provocadas a rever as estratégias de competitividade e investir em projetos inteligentes, a Becomex desenvolveu e entrega para a indústria portuária da região Sul uma metodologia capaz de apoiar as empresas quando o assunto é Reporto, trazendo agilidade para a tomada de decisões com iniciativas que integram toda a cadeia produtiva do setor. O Reporto – Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – foi instituído em 2004 e regulamentado em junho de 2013, utilizado exclusivamente na modernização e ampliação da estrutura portuária. O benefício cobre as aquisições no mercado interno e importações e, na eventualidade de utilização diversa à prevista no regime, são aplicadas penalidades, entre elas 50% de multa sobre o valor do bem.

No início do ano, o governo federal incluiu três terminais portuários no PPI – Programa de Parcerias de Investimentos localizados nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O primeiro é o Terminal PAR03, no Porto de Paranaguá (PR), que compreende uma área de 38 mil metros quadrados, onde são movimentados e armazenados granéis sólidos minerais. Os outros dois empreendimentos se dedicam a granéis sólidos vegetais: o Terminal RIG71, no Porto de Rio Grande (RS), com área de 11,4 mil metros quadrados e o terminal TGSFS, em São Francisco do Sul (SC), com 41,1 mil metros quadrados. Podem ser beneficiários do Reporto o operador portuário, o concessionário de porto autorizado, o arrendatário de instalação portuária de uso público, a pessoa jurídica autorizada a explorar instalação portuária de uso privativo misto ou exclusivo, as empresas de dragagem, os concessionários ou permissionários de recintos alfandegados de zona secundária e o concessionário de transporte ferroviário.
“O regime especial Reporto permite aos seus beneficiários adquirir no mercado interno ou importar, com suspensão de tributos, máquinas, equipamentos, peças de reposição e outros bens para execução de serviços de carga, descarga, armazenagem e movimentação de mercadorias e produtos, lembrando sempre que além dos requisitos de regularidade fiscal e aduaneira também são exigidas condições de controle físico”, explica Rafael Costa, especialista aduaneiro da Becomex.

Também podem ser adquiridos sistemas suplementares de apoio operacional, sistemas de segurança e monitoramento de fluxo de pessoas, veículos e embarcações, treinamento e formação de trabalhadores, além de aparelhos e instrumentos de pesagem, guindastes, pontes rolantes, pórticos de descarga ou de movimentação, empilhadeiras, trilhos e outros elementos de vias férreas, entre outros. “O beneficiário do Reporto suspende o pagamento de IPI, PIS/PASEP e Cofins sempre que fizer uma aquisição no Brasil”, revela o especialista. Para as importações, o Reporto suspende o IPI, o PIS/PASEP e a Cofins vinculados à importação e o IPI nos casos em que as máquinas, equipamentos e outros bens não possuam similar nacional. “É importante esclarecer que a aplicação dos benefícios fiscais para produtos importados fica condicionada à comprovação, pelo beneficiário, da quitação de tributos e contribuições federais e à formalização de termo de responsabilidade em relação ao crédito tributário com pagamento suspenso”, esclarece Costa.

Após o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do respectivo fato gerado, a suspensão do pagamento se converte em isenção ou em alíquota zero, dependendo do tributo. Para solucionar casos envolvendo o Reporto, a Becomex possui um time especializado em operações aduaneiras, otimização de processos e gerenciamento de projetos com sólida experiência. A Becomex assessora as empresas para operar no mercado ao adaptar seus processos e procedimentos à normativa aduaneira para obter licenças e registros dos agentes públicos reguladores, tarefas que dão mais competitividade aos clientes.

Empresa desenvolveu e entrega para o segmento metodologia que traz agilidade para a tomada de decisões

Almeida Junior bate recorde de vendas em abril e maio

Os seis shoppings da companhia apresentaram crescimento de 32,8% sobre o mesmo período do ano passado

Mesmo com o repasse da inflação e do reajuste dos aluguéis, o portfólio dos shopping centers da Almeida Junior demonstrou resiliência

O ano de 2022 segue em ritmo de crescimento para os seis shoppings da Almeida Junior. A companhia bateu recorde de vendas nos meses de abril e maio. A prévia operacional, que acaba de ser divulgada com dados preliminares, aponta alta de 32,8% em relação aos mesmos meses do ano passado e de 37% na comparação com abril e maio de 2019, período pré-pandemia. Balneário Shopping (Balneário Camboriú), Continente Shopping (Grande Florianópolis), Garten Shopping (Joinville), Nações Shopping (Criciúma), Neumarkt Shopping e Norte Shopping, ambos de Blumenau, fazem parte do grupo catarinense.

No acumulado até maio, as vendas dos lojistas dos shopping centers da Almeida Junior alcançaram um crescimento de 37,5% em relação ao mesmo período de 2021 e de 24,8% em relação aos níveis pré-pandemia de 2019. O bom ritmo continua em junho. Na primeira quinzena do mês, considerando apenas as vendas dos lojistas que já reportaram os resultados do período, foi registrado um ganho de 21,3% na comparação com 2021 e de 35,1% em relação a 2019.

“O bom resultado foi verificado em todos os seis shoppings do grupo Almeida Junior. Temos um sentimento extremamente positivo em relação à continuidade desse crescimento das vendas para os próximos trimestres, as quais são impulsionadas pela contínua qualificação do mix de lojas, pela retomada da realização de eventos nos shoppings e pelo aumento da atratividade aos consumidores qualificados”, afirma o CEO da companhia, Jaimes Almeida Junior.

Mesmo com o repasse da inflação e do reajuste dos aluguéis, o portfólio dos shopping centers da Almeida Junior demonstrou resiliência e possui um custo de ocupação competitivo para os lojistas, encerrando os meses de abril e maio em 9,6%. “Este indicador é diretamente impulsionado pela constante busca por processos eficientes de gestão”, acrescenta Jaimes.

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Estados e DF acionam STF contra lei que limita cobrança de ICMS

A ação aberta pelos governadores pede liminar

Alguns governadores destacaram que os combustíveis foram responsáveis por 86% das arrecadações estaduais e distrital no ano passado

Os governadores de 11 estados e do Distrito Federal decidiram acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a lei, sancionada nesta terça-feira (28) que limita a tarifa do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre alguns produtos essenciais.

A Lei Complementar 194/2022 estabeleceu os combustíveis – incluindo diesel, gasolina e gás natural –, a energia elétrica, as comunicações e os transportes coletivos como itens essenciais “para fins de tributação”. Com isso, os estados e o Distrito Federal ficaram impedidos de cobrar mais de 17% ou 18% de ICMS sobre esses bens e serviços.

A ação aberta pelos governadores pede uma liminar (decisão provisória) para suspender a lei, que dizem ser inconstitucional. Entre outros pontos, eles argumentam que as unidades da federação têm autonomia na fixação de alíquotas tributárias. Os mandatários locais demonstraram também preocupação com a redução da arrecadação, e destacaram que os combustíveis foram responsáveis por 86% das arrecadações estaduais e distrital em 2021.

A ação direta de inconstitucionalidade (ADI) foi aberta pouco depois de estados como São Paulo e Goiás se adiantarem e limitarem, por conta própria, suas alíquotas de ICMS sobre combustíveis. Na peça inicial, eles argumentam que a redução do ICMS como proposto pelo governo federal é “inexequível”, por se tratar da principal fonte de arrecadação dos estados e do DF. Assinam a ação os governadores de Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe. Nenhum dos estados do Norte ou Sudeste figuram como parte na ADI.

Uma audiência de conciliação foi realizada no STF nesta terça na tentativa de fechar um acordo entre União, estados e DF. Na reunião estados e DF fizeram uma proposta com quatro pontos para tentar um acordo com a União, que se comprometeu a estudar e responder até o fim de quarta-feira (29). Ministros do governo têm defendido a medida, afirmando que ela é acertada num contexto mundial de luta pela redução dos preços de combustíveis.

Com Agência Brasil

A ação aberta pelos governadores pede liminar

Presidente do BC afirma que o pior da inflação já passou

Declaração foi feita durante o Décimo Fórum Jurídico de Lisboa

“Vamos ver ainda alguns países subindo bastante os juros”, projetou Campos Neto

O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, afirmou que “o pior momento da inflação já passou”, e que, graças ao histórico de convívio que o Brasil teve com altos índices inflacionários, a autoridade monetária brasileira conseguiu “sair na frente”, adotando ferramentas capazes de frear o processo inflacionário. As afirmações foram feitas durante o painel Erosão da Ordem Pública Internacional e o Futuro, no Décimo Fórum Jurídico de Lisboa, na capital portuguesa na segunda-feira (27). Durante o discurso, Neto lembrou que o Brasil “é um dos poucos países que no meio desse processo está tendo revisões para cima” do PIB.

“Inclusive a nossa última revisão no BC aumentou [a previsão de crescimento da economia] de 1,5% para 1,7% [em 2022]. Provavelmente teremos PIB forte no segundo trimestre. Obviamente, em algum momento, tudo que estamos fazendo vai gerar alguma desaceleração no segundo semestre. Mas ainda assim o crescimento é bastante melhor do que se esperava no início do ciclo de ação”, destacou Campos Neto.

A experiência que o Brasil tem com o combate à inflação tem ajudado na definição estratégica para amenizar este problema. “Como nós no Brasil entendemos que era problema mais de demanda, na minha opinião, até um pouco antes dos demais países, o BC do Brasil saiu na frente porque temos memória de inflação muito maior e mecanismos de indexação muito mais vivos”, disse. Campos Neto ressalta que todos os países estão subindo juros e que, enquanto alguns estão no meio do caminho, o Brasil já está muito perto de ter feito o trabalho todo. “Vamos ver ainda alguns países subindo bastante os juros”, projetou.

Ainda segundo Campos Neto, o Brasil ainda apresenta um “componente de aceleração de inflação”. Ele, no entanto, acredita que o pior momento da inflação já passou. “Temos algumas medidas desenhadas pelo governo que precisamos entender os efeitos delas no processo inflacionário, o que ainda não está claro, mas o Brasil fez o processo antecipado e acreditamos que nossa ferramenta é capaz e vai frear o processo inflacionário”, argumentou.

Preços e investimentos
Na avaliação do presidente do BC, os índices inflacionários que estão sendo registrados em diversos países têm como origem uma “desconexão entre preços e investimentos” que vai além do petróleo, abrangendo também os alimentos. “Os governos estão enfrentando o dilema de garantir segurança energética e alimentar para a população”, contextualizou. Nesse sentido, “muitos países, em função da guerra, estão adotando medidas protecionistas que estão contaminando o resto da cadeia de inflação”. “E o anseio de gerar segurança alimentar e energética dos governos está sendo feito de maneira descoordenada e gerando queda de investimento”, acrescentou.

Segundo Campos Neto, a falta de coordenação está gerando queda em investimentos tanto em energia quanto em alimentos. “Precisamos entender que quem produz alimentos e energia não é o governo, mas o setor privado e que o governo tem de endereçar o problema das classes sociais mais baixas, mas não pode se desviar das práticas de mercado, porque, no final das contas, são os mercados que produzem alimentos e energia”, completou.

Com Agência Brasil

Declaração foi feita durante o Décimo Fórum Jurídico de Lisboa

Confiança do comércio é a maior desde o início da pandemia

Otimismo do varejo foi impulsionado pelo aumento das vendas

Evolução positiva das vendas, a despeito da inflação persistente e dos juros elevados, melhorou a percepção dos comerciantes

O crescimento do volume de vendas tem gerado perspectivas positivas no varejo, segundo os resultados do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de junho. Neste mês, o indicador apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) cresceu 5,1% e, no ano, 24,4%, alcançando 122,4 pontos, a maior pontuação desde março de 2020 (128,4).

A análise da entidade destaca que os números da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram crescimento sustentado do volume de vendas nos primeiros quatro meses do ano, o que é refletido no indicador de condições atuais do setor do comércio, que também chegou ao maior nível desde março de 2020 (107,1 pontos). O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que o resultado apresenta um panorama das projeções do comércio para o curto prazo.”Essa evolução positiva das vendas, a despeito da inflação persistente e dos juros elevados, melhorou a percepção dos comerciantes, fazendo com que projetem um cenário favorável para o setor no segundo semestre”, ressalta.

Suporte à renda e substituição de marcas
A economista da CNC responsável pela análise, Izis Ferreira, esclarece que as medidas de suporte à renda, como o auxílio emergencial e os saques extraordinários do FGTS, seguem produzindo efeitos positivos no consumo e viabilizando o pagamento de dívidas. “Com o ticket médio das vendas correntes mais baixo, o comércio aposta na recorrência das compras e na substituição de marcas caras, o que também explica o bom desempenho das vendas no contexto da disseminação da alta dos preços aos consumidores”, acrescenta.

Os números do Icec também apontam que as expectativas positivas dos varejistas de grande porte para os próximos meses apresentaram um salto entre abril e junho deste ano, indo de 143,8 pontos para 150,6 pontos. O índice que avalia essas expectativas cresceu 5,7% em relação a junho do ano passado. Sobre isso, Izis explica que, apesar do peso menor no total de estabelecimentos do comércio, o tomador de decisão do grande varejo, em geral, antecipa tendências. “Os números indicam que, na visão desses varejistas, o desempenho da economia, do comércio e das próprias empresas será melhor na segunda metade do ano”, projeta.

Melhora da rotatividade dos estoques
Ainda segundo a pesquisa, apesar das margens comprimidas e do custo do crédito mais alto, o comerciante sentiu que, em relação há um ano, a rotatividade dos estoques melhorou em junho. A percepção sobre o nível dos estoques diante da programação das vendas (90,6 pontos) é a melhor desde abril de 2020. A proporção de 23,5% dos varejistas considera o volume de estoques acima do adequado, 4,4 pontos percentuais abaixo da média do período da pandemia (27,9%).

Otimismo do varejo foi impulsionado pelo aumento das vendas

Sul tem saldo de 217 mil postos de trabalho até maio

Paraná obteve o melhor saldo da região no mês e no acumulado anual

Em maio deste ano, o Brasil registrou um saldo de 277.018 novos empregos formais

O Sul obteve um saldo de 217.402 postos de trabalho no acumulado até maio, de acordo com os dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados nesta terça-feira (28). O Paraná obteve o melhor saldo da região no mês e no acumulado anual (veja as tabelas ao final desta reportagem).

Em maio deste ano, o Brasil registrou um saldo de 277.018 novos empregos formais. No mês passado foram registradas 1.960.960 contratações com carteiras assinadas e 1.683.942 desligamentos. Já o total de trabalhadores celetistas – ou seja, com vínculo formal de trabalho e direitos e deveres regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – aumentou 0,67% em relação ao resultado de abril deste ano, passando de 41.448.948 para 41.729.858.

Na média nacional, os salários iniciais pagos a quem foi admitido em um novo emprego em maio foi de R$ 1.898,02 – valor R$ 18,05 menor que a média de R$ 1.906,54 calculada em abril. No acumulado do ano, foi registrado saldo de 1.051.503 empregos, decorrente de 9.693.109 admissões e de 8.641.606 desligamentos (com ajustes até maio de 2022).

Os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas avaliados registraram saldos positivos em termos de criação de empregos formais. Tal como em abril deste ano, o setor de serviços voltou a ser destaque, com um saldo de 120.294 postos celetistas. Em seguida vêm as atividades ligadas ao comércio (+47.557 postos); indústria (+46.975 postos); construção (+35.445 postos) e, por fim, agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+26.747 postos). Todas as cinco regiões também tiveram saldo positivo, com destaque para o Centro-Oeste, cujo índice variou 0,9%, com um saldo de 33.978 vagas de empregos formais.

Os dados do Caged vêm de onde?
O Caged deve ser preenchido por empregadores com informações sobre admissões e desligamentos de funcionários da empresa. O formulário deve ser enviado por meio de um sistema próprio na internet. Há penalização para as empresas que dispensarem ou contratarem empregados e não derem essa informação ao Ministério do Trabalho.

Com base nos cadastros, é possível saber quantas vagas foram abertas e fechadas no país durante um mês e calcular o número de aberturas de vagas líquido (contratações menos desligamentos). É possível saber a abertura e fechamento de vagas por região e setor.

Os dados só abrangem os contratos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), diferentemente da Pnad, que abarca também o setor informal e autônomos. Sua série histórica começa em 1992, embora tenha sofrido mudanças metodológicas que impossibilitam a comparação com números anteriores ao ano de 2020.

Uma portaria de outubro de 2019, por exemplo, mudou o sistema de preenchimento de dados, que é feito hoje pelo pelo eSocial, e passou a reunir mais informações na mesma base de dados. O novo Caged tornou obrigatório informar a admissão e demissão de empregados temporários. Antes, essa comunicação era facultativa.

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Com Agência Brasil

Paraná obteve o melhor saldo da região no mês e no acumulado anual

Balneário Camboriú terá criptomoeda própria

A expectativa é que até setembro a cidade seja a primeira da América Latina a oferecer o ativo digital

“O BC Token será um ativo e também uma plataforma de NFT´s para o Metaverso com imagens geradas pelos próprios usuários com ferramentas tecnológicas acessíveis”, antecipa Almeida

Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, será a primeira cidade da América Latina a ter sua própria criptomoeda via sistema token, o BC Token, que deve entrar em circulação até setembro. Idealizado pela Wayne Soluções Digitais, especialista em criptomoedas e blockchain, trata-se de um ativo digital não controlado pelo governo que permite pagamentos online e presencial, e o envio instantâneo de dinheiro para qualquer lugar do mundo a baixo custo usando apenas o celular.

“Pensado para fazer parte do dia a dia financeiro de qualquer pessoa na cidade, de turistas a comerciantes, passando por investidores, o BC Token vai se valorizar à medida que ganhar volume de mercado, da mesma maneira que aconteceu com moedas digitais como o Bitcoin, por exemplo”, explica Anderson de Almeida, empresário multisetorial que é CEO da IHit, desenvolvedora do projeto. Além de entusiasta da popularização do Metaverso, Anderson teve um de seus projetos de criptomoedas valorizado em 3600% em 2021.

A plataforma do BC Token sustenta ainda funções comerciais conectadas ao Metaverso, como visitas virtuais a imóveis na cidade para compra, venda ou locação; vantagens como descontos nas transações de turismo e entretenimento em Balneário Camboriú; a possibilidade de liquidar o token a qualquer momento para Real.”O BC Token será um ativo e também uma plataforma de NFT´s para o Metaverso com imagens geradas pelos próprios usuários com ferramentas tecnológicas acessíveis”, antecipa. O projeto está em fase de ajustes de parcerias para sua implementação e popularização.”Balneário Camboriú é o nosso laboratório. Vamos inovar nesta cidade que é vanguardista por natureza, mas os planos da iHit Full HUB é ativar moedas virtuais em outros municípios do Brasil ainda este ano”, projeta.

Em até 60 dias, antes do início oficial da operação do BC Token, haverá uma pré-venda da moeda onde as pessoas poderão comprá-la num valor mais baixo que valerá depois do lançamento oficial. Os utility tokens são ativos descentralizados, que permitem o acesso a determinados produtos ou aplicações. O Token Utility BC é uma ferramenta de gestão que atua de forma simples e efetiva no mercado, no caso do BC Token e da ferramenta bcwallet, poderá ser usada no comércio, como meio de pagamento, receber e enviar dinheiro.

Blockchain
Um blockchain é um livro digital descentralizado, distribuído e público usado para recuperar transações em muitos computadores para que o registro não possa ser alterado retroativamente sem a alteração de todos os blocos subsequentes e o conluio da rede. Blockchains crescem constantemente à medida que um novo bloco é “extraído” e são registrados em um formato cronológico do mais recente ao menos recente. Ele oferece aos participantes do mercado a oportunidade de rastrear suas transações em moeda digital sem qualquer forma de registro central. Para cada computador conectado à rede, sempre há uma cópia blockchain dedicada a ele e baixada automaticamente.

A expectativa é que até setembro a cidade seja a primeira da América Latina a oferecer o ativo digital

Embrapii e BNDES destinam R$ 50 milhões a inovação na indústria

Recursos são para projetos de inovação em transformação digital de indústrias de todos os portes e setores

Fiates (ao centro) afirma que parceria fortalece a competitividade da indústria brasileira

Indústrias brasileiras de todos os portes e setores podem acessar recursos na ordem de R$ 50 milhões (sendo parte não reembolsável) para aplicar em projetos de inovação na área de transformação digital. Apresentada nesta semana na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis, a iniciativa é da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) em parceria com o Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES).

“Essa parceria vai ao encontro da necessidade de fortalecer nossa capacidade de inovação e desenvolvimento da competitividade da indústria brasileira”, afirmou o diretor de inovação e competitividade da Fiesc, José Eduardo Fiates. “Nosso incremento do Produto Interno Bruto (PIB) somente terá um crescimento efetivo com a agregação de tecnologia e inovação e, neste caso, o investimento estatal é fundamental”, salientou.

Ele ainda observa que o Brasil precisa avançar em sua política industrial, pois atualmente investe em torno de 6 bilhões de dólares anuais em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). “É um montante muito aquém dos investimentos da China ou dos Estados Unidos”, comparou. Segundo ele, os investimentos anuais chineses em PD&I se aproximam de U$ 250 bilhões (em torno de 2% do seu PIB de US$ 12 trilhões) e representam o dobro do volume de investimentos dos Estados Unidos, cujo PIB é da faixa de US$ 20 trilhões.

O diretor substituto de planejamento e relações institucionais da Embrapii, Fábio Stallivieri, salienta que a parceria foca o desenvolvimento de projetos e soluções tecnológicas em transformação digital. “É aberta uma nova janela de oportunidade para as empresas do estado avançarem em termos de inovação e, em consequência, em sua produtividade, reduzindo significativamente o custo da inovação para as empresas”, destaca. Segundo Stallivieri, até 50% dos recursos não são reembolsáveis e os outros 50% devem ser divididos entre as empresas e uma das 76 unidades Embrapii, entre elas os Institutos Senai de Inovação em Florianópolis e Joinville. “Temos uma grande expectativa de alcançar um maior número de empresas, permitir alavancar recursos privados de maneira mais ágil e contratar projetos em período mais curto, além de aumentar o alcance e a efetividade dos recursos ao longo do tempo”, disse Sérgio Schmidt, engenheiro da área industrial do BNDES.

Dois focos principais norteiam a parceria. O primeiro é voltado para “Soluções digitais para Agro, Saúde, Cidades Inteligentes e Indústria 4.0” e prevê investimentos em soluções digitais que tornem serviços e processos produtivos mais seguros, eficientes e inteligentes, como automação e robótica; Internet das Coisas (IoT); Inteligência Artificial (IA); Blockchain; computação em nuvem, entre outros. Já o segundo está dedicado a “Sistemas e Componentes para Conectividade” e é direcionado para o desenvolvimento de tecnologias para serviço de telefonia móvel de quinta geração (5G). A iniciativa visa desenvolver inovações em soluções aplicadas a plataformas de hardware, seus sistemas e componentes para o desenvolvimento das tecnologias de 5G e semicondutores.

Além de recursos não reembolsáveis, as empresas também contarão com apoio técnico para desenvolver o projeto. O Ecossistema da Embrapii possui uma rede de 76 Unidades Embrapii-ICTs credenciadas com infraestrutura de ponta e pesquisadores qualificados para apoiar a indústria a superar seus desafios tecnológicos.

Recursos são para projetos de inovação em transformação digital de indústrias de todos os portes e setores

Catarina Capital lança fundo para startups

Com o lançamento do Secundus, gestora catarinense passa a investir em todo ciclo empreendedor de empresas

“Nosso trabalho é identificar e equacionar todas as dificuldades encontradas pelas startups, como obstáculos societários e estruturais que estejam impedindo a evolução da empresa”, conta Albino

A Catarina Capital, gestora catarinense especializada em investimentos em tecnologia, lançou o fundo inédito de venture capital Secundus, que vai fomentar a liquidez ao mercado secundário de participações empresas de tecnologia na América Latina, um mercado já desenvolvido nos Estados Unidos, porém praticamente inexistente na região. O foco será em companhias em estágio mais maduro de desenvolvimento, incluindo unicórnios, mas que ainda não realizaram a abertura de capital em bolsa.

O novo fundo passa a atuar em toda a América Latina, adquirindo ações de startups diretamente de seus acionistas, que podem incluir executivos que aderiram a programas de stock options, pequenas participações de sócios-fundadores, aceleradoras, investidores-anjos e fundos de investimentos que entraram em estágios iniciais e buscam liquidez. Com as operações, o objetivo da Catarina Capital é oferecer impulso para essas startups, que já se encontram em jornada crescente e consolidada de atividade, crescerem e desenvolverem as condições para o IPO.

Quem lidera a iniciativa é José Augusto Albino, empreendedor com larga experiência com mais de 15 anos de trajetória em Venture Capital no Brasil e ex-sócio da CRP, uma das pioneiras da indústria no país. Albino, que é um dos fundadores da Catarina Capital, detalha os diferenciais do novo produto. “Nosso trabalho é identificar e equacionar todas as dificuldades encontradas pelas startups, como obstáculos societários e estruturais que estejam impedindo a evolução da empresa. Trata-se de uma excelente oportunidade para investidores aportarem em empresas representativas antes do IPO e terem alto lucro com o desinvestimento após a entrada na Bolsa, em um ciclo de menos de cinco anos, menor do que os tradicionais de entre sete a dez anos previstos pelo mercado”, avalia.

A captação inicial do fundo para investimentos é de US$ 50 milhões e a meta é chegar a US$ 100 milhões até o final de 2023. A gestora espera ter entre 15 a 20 companhias investidas, com desembolsos médios para cada operação de US$ 5 milhões. Neste primeiro momento, o Secundus terá como foco investidores internacionais e alguns investidores de maior porte brasileiros, como institucionais e Family offices, uma vez que o investimento mínimo é de US$ 1 milhão. Para a etapa final de captação, a gestora estuda com parceiros uma maneira de viabilizar a oferta para o varejo.

“Se tratam de startups maduras, com negócios comprovados portanto de menor risco e muito mais perto do IPO ou evento de liquidez. O fundo é uma oportunidade excelente para investidores capturarem negócios nas empresas de tecnologias mais desejadas do mercado, sem precisar competir com grandes nomes como Softbank e Tiger”, argumenta a o executivo.

Com o lançamento do Secundus, gestora catarinense passa a investir em todo ciclo empreendedor de empresas