Archives 2021

Claro, Vivo e TIM arrematam faixa de 3,5 GHz do leilão do 5G

Winity II Telecom leva a faixa de 700 MHz e, com isso, Brasil terá uma nova operadora móvel

A Winity II Telecom tem direito à exploração do serviço por 20 anos, que pode ser prorrogado

As operadoras Claro, Vivo e TIM arremataram três lotes na faixa de 3,5 GHz, o principal do leilão (foto) da tecnologia móvel 5G, realizado nesta quinta-feira (4) pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A Winity II Telecom levou a frequência de 700 MHz, e como é uma empresa ainda não detentora de faixa de radiofrequência, o Brasil terá uma nova operadora móvel com abrangência nacional. O leilão começou nesta quinta-feira e deve terminar só nesta sexta-feira (5). Ainda serão analisadas as propostas para as faixas de 2,3 GHz e de 26 GHz.

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As frequências têm finalidades específicas e em cada faixa as empresas dão os lances em lotes diferentes. Os lances vencedores na faixa de 3,5 GHz foram: R$ 338 milhões (ágio de 5,18%, valor acima do mínimo previsto no edital) da operadora Claro para o lote B1; R$ 420 milhões (ágio de 30,69%) da Vivo para o lote B2; e R$ 351 milhões (ágio de 9,22%) da TIM para o lote B3. O edital previa ainda um quarto lote na faixa de 3,5 GHz, com abrangência nacional, mas não houve lance. O direito de exploração das faixas será de até 20 anos.

As empresas vencedoras têm compromissos de investimento definidos pelo Ministério das Comunicações e aprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Anatel. O objetivo das contrapartidas é sanar as deficiências de infraestrutura, modernizar as tecnologias de redes e massificar o acesso a serviços de telecomunicações do país.

Entre os compromissos estão migrar o sinal da TV parabólica para liberar a faixa de 3,5GHz para o 5G, arcando com os custos; construir uma rede privativa de comunicação para a administração federal; instalar rede de fibra óptica, via fluvial, na Região Amazônica; levar fibra óptica para o interior do país; e disponibilizar o 5G em todos as capitais até julho de 2022.

Faixa de 700 MHz
A Winity II Telecom ofereceu o maior lance, R$ 1,4 bilhão na primeira faixa a ser leiloada, de 700 MHz, de abrangência nacional. O valor pago é 805% superior ao mínimo exigido. A operadora tem direito à exploração do serviço por 20 anos, que pode ser prorrogado, e prevê o cumprimento da obrigação de construir infraestrutura de cobertura 4G em 625 localidades do país que não têm acesso à internet e em 31 mil quilômetros de rodovias federais.

O 5G é uma nova tecnologia que amplia a velocidade da conexão móvel e reduz a latência, permitindo novos serviços com conexão com segurança e estabilidade, que abrem espaço para o uso de novos serviços em diversas áreas, como indústria, saúde, agricultura e na produção e difusão de conteúdos.

O leilão tem valor de arrecadação total previsto de cerca de R$ 50 bilhões, caso todos os lotes sejam arrematados. Desse total, R$ 10 bilhões serão em outorgas para o governo e os outros R$ 40 bilhões serão utilizados pelas empresas nas obrigações estabelecidas.

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Com Agência Brasil

Winity II Telecom leva a faixa de 700 MHz e, com isso, Brasil terá uma nova operadora móvel

Endividamento bate novo recorde

No entanto, índice revela desaceleração com alta dos juros

A proporção de famílias endividadas por mais de um ano é crescente desde o fim do primeiro trimestre, atingindo a máxima histórica de 35,8%

O número de brasileiros endividados seguiu crescendo em outubro, ainda que em ritmo menos acelerado. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) do mês, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer chegou a 74,6%. O número representa uma alta de 0,6 ponto percentual em relação a setembro, o 11° aumento seguido, e de 8,1 pontos na comparação com outubro de 2020, fazendo desse o segundo maior crescimento anual da série histórica.

A alta recente dos juros reduziu a dinâmica da contratação de dívidas em outubro e fez o indicador capturar um acréscimo abaixo dos últimos meses, quando apresentava aumento, em média, de 1,5 ponto. Os indicadores de inadimplência, por sua vez, apresentaram redução em relação ao ano passado.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso atingiu 25,6%, ficando 0,1 ponto acima do registrado no mês anterior e 0,5 ponto abaixo do apurado em outubro de 2020. Já a parcela que declarou não ter condições de pagar contas ou dívidas e, portanto, seguirá inadimplente caiu de 10,3% para 10,1% na passagem mensal e 1,8 ponto na comparação anual.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o relativo controle da taxa de inadimplência diante do cenário econômico é impressionante. “A inflação corrente elevada e disseminada tem deteriorado os orçamentos domésticos e diminuído o poder de compra das famílias, em especial as na faixa de menor renda. Os números demonstram os esforços em manter os compromissos financeiros em dia, com renegociação e melhor controle dos gastos”, avalia.

Controle da inadimplência
O aumento do tempo de comprometimento com dívidas também aponta nessa direção, segundo a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira. Os dados da Peic mostram que proporção de famílias endividadas por mais de um ano é crescente desde o fim do primeiro trimestre, atingindo a máxima histórica de 35,8%. “É um indício de que os consumidores estão buscando alongar os prazos de pagamentos de suas dívidas para que a parcela caiba nos orçamentos e, assim, evitem a inadimplência”, explica.

A economista também observa que o número de famílias endividadas no cartão de crédito segue avançando, atingindo 84,9% do total de dívidas contratadas. Em relação a outubro de 2020, a modalidade avançou 6,4 pontos no endividamento, o maior incremento anual da série histórica do indicador. Comparativamente a outubro de 2019, antes da pandemia, o incremento é de 6 pontos. Carnês de lojas e o financiamento automotivo também seguem ganhando destaque no endividamento.

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No entanto, índice revela desaceleração com alta dos juros

Stihl anuncia novo investimento no Sul

Aporte de R$ 56 milhões será usado para construção de dois novos prédios

Com a inauguração desta quinta, a empresa terá o aumento da capacidade de produção de máquinas, podendo alcançar até 1,5 milhão de unidades motoras por ano

A Stihl Ferramentas Motorizadas realizou, nesta quinta-feira (4), a cerimônia oficial de inauguração do novo Centro de Operações Motores e também a “pazada”, tradicional ato simbólico alemão, que marcou o início das obras dos novos prédios de ferramentaria e do vestiário da organização. A solenidade contou com a presença do presidente honorário do conselho consultivo do Grupo Stihl, Hans Peter Stihl, e do presidente da Stihl Brasil, Cláudio Guenther, além de outros executivos.

O novo Centro de Operações Motores da companhia contou com o aporte de R$ 68 milhões e, mediante toda a tecnologia, a empresa terá o aumento da capacidade de produção de máquinas, podendo alcançar até 1,5 milhão de unidades motoras por ano. Em uma área total com mais de 14 mil metros quadrados, a construção já foi desenvolvida dentro de conceitos da Indústria 4.0 – com uma produção mais limpa e orientação para a Internet das Coisas (Internet of Things – IoT).

“O novo empreendimento será crucial para expansão da nossa força de produção e para evolução da tecnologia utilizada, o que otimiza ainda mais o processo já existente. Todas as linhas de montagem estarão com fluxos de materiais e informações alinhados na mesma direção, propiciando melhor controle da atividade”, afirma o presidente da Stihl Brasil, Cláudio Guenther.

O novo prédio conta com processos de injeção de plásticos, usinagem e um novo e moderno sistema de pintura de peças de magnésio, tratamento térmico, usinagem de virabrequim e bielas e espaço para linhas de montagem dos equipamentos (motosserra, roçadeira, pulverizadores, sopradores e outros). Ainda neste sentido de expandir a capacidade de produção e, consequentemente, a estrutura social oferecida aos profissionais da organização, a Stihl investirá R$ 56 milhões para a construção de dois novos prédios. Os novos movimentos fazem parte do pacote de investimentos que a empresa fará na unidade de São Leopoldo (RS).

Dentro dos 2.560 metros quadrados, serão estruturados consultórios clínicos, odontológicos, de fisioterapia, espaço para amamentação e sala multidisciplinar para terapia familiar, além de uma área de 600 metros quadrados para o descanso dos funcionários após as refeições. Também serão instalados 3 mil armários, mais de 40 chuveiros e área para descarga de uniformes.

Com o aumento da demanda e da produção, a Stihl também oportunizou um significativo aumento nas vagas de empregos, que desde junho do ano passado somam mais de 1.400 contratações. A previsão de finalização tanto do prédio da ferramentaria como do novo vestiário é para o segundo trimestre de 2022.

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Aporte de R$ 56 milhões será usado para construção de dois novos prédios

Tecnologia 5G vai a leilão. Entenda os impactos

Certame terá grande parte do dinheiro da concessão revertida para ações de avanço no setor

Os termos do leilão do 5G preveem a obrigação de cobertura das 26 capitais e do Distrito Federal até julho de 2022

Após anos de pesquisa, articulação e negociação, está marcado para esta quinta-feira (4) o leilão das frequências que serão usadas na quinta geração de internet móvel, o 5G. O certame se estenderá até esta sexta-feira (5) Considerado um grande marco tecnológico, o padrão viabiliza inovações dignas de ficção científica: procedimentos médicos a distância, automação completa de linhas de produção, vigilância e monitoramento de todo o tráfego urbano, além de entretenimento em altíssima qualidade e conectividade semelhante à encontrada em países desenvolvidos.

Relembre a edição especial de AMANHÃ que abordou o tema e todas as mudanças que a tecnologia poderá trazer em diferentes áreas, como educação, saúde e agronegócio. Para acessar, basta preencher um pequeno cadastro no Portal AMANHÃ.

Segundo o Ministério das Comunicações, as inovações do 5G não são apenas melhorias de serviços para uma parcela limitada da sociedade. De acordo com os termos do certame, aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 25 de agosto, o leilão do 5G será responsável também pela ampliação da internet móvel de quarta geração (4G) para localidades que ainda não contam com essa tecnologia, ampliando assim a base total de usuários brasileiros.

“Podemos dizer sem medo de errar que a chegada do 5G vai levar o país para outro patamar de inclusão digital”, destacou o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra, em entrevista para a Agência Brasil. “Vamos cobrir todas as rodovias federais com pelo menos conectividade 4G, além de banda larga móvel para quase 10 mil localidades rurais, com a expansão do serviço para escolas e centros de saúde. Nossa meta para o ano que vem, e já temos condições, é de levar internet para 100% das escolas públicas do país”, acrescentou o secretário.

Sobre o mercado e os preços que deverão ser praticados com a chegada da nova tecnologia, Coimbra afirmou que há uma tendência ao avanço tecnológico com a manutenção de preços, e que a adoção do padrão 5G não será elitizada. “Na prática, haverá uma melhora na dinâmica do custo-benefício. Em telecomunicações, há um fenômeno conhecido de avanço tecnológico sem necessariamente reajuste de preços”, explicou.

Coimbra informou que existe também, dentro do governo, uma preocupação sobre a escassez de semicondutores que assola o mundo. Segundo o secretário, o Ministério das Comunicações já elaborou algumas alternativas para reforçar e atrair a produção de eletroeletrônicos, como tablets e celulares compatíveis com o novo padrão 5G, para solo nacional.

Estrutura e inclusão
Segundo o Ministério das Comunicações, a chegada do 5G eliminará um dos grandes empecilhos na universalização do acesso digital: a infraestrutura. A pasta informou que o leilão do 5G – de caráter não arrecadatório para o governo – terá grande parte do dinheiro da concessão revertida para ações de avanço no setor. De acordo com Coimbra, as metas futuras do Ministério das Comunicações após o leilão do 5G serão de caráter social, com o objetivo de traçar os perfis de brasileiros que ainda não estão incluídos na revolução digital, mesmo após chegar à meta de 100% do território conectado.

“Estamos muito perto de eliminar a necessidade de infraestrutura para levar inclusão digital. Agora, vamos focar no uso do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações [Fust], que vai permitir cobertura para todo o agro, para resolver as questões que ainda limitam o acesso à internet pelas pessoas”, afirmou.

Os termos do leilão do 5G preveem a obrigação de cobertura das 26 capitais e do Distrito Federal até julho de 2022. O serviço deverá cobrir todas as cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes até 2028, enquanto o serviço de 4G deverá cobrir todo o território nacional.

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Com Agência Brasil 

Certame terá grande parte do dinheiro da concessão revertida para ações de avanço no setor

Inadimplência atinge 5,8 milhões de empresas em setembro

Segmento de serviços registra participação recorde

Expansão pode ser o prenuncio de um cenário mais complicado daqui até o final do ano

A inadimplência alcançou 5,8 milhões de empresas em setembro deste ano. O aumento de 0,1% em comparação a agosto foi impulsionado, principalmente, pelos negócios de todos os portes do setor de Serviços, que representou a maior parcela dentre os negativados (51,7%). Em relação ao mês anterior a participação desse segmento cresceu 0,5 ponto percentual, atingindo um número recorde na série histórica do índice, iniciada em 2018. Confira mais informações no gráfico e tabela abaixo.

De acordo com o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, existe um conjunto de motivos que podem ter ocasionado o crescimento da inadimplência em setembro. “Com uma maior inflação e a alta da taxa de juros, os empresários são impactados direta e indiretamente. Primeiro pelo encarecimento dos insumos necessários para manter o próprio negócio funcionando, depois, pela sensação de incerteza gerada aos consumidores, que cortam ou priorizam gastos, enfraquecendo o fluxo de caixa das empresas”. Rabi ainda comenta que, “depois de quatro meses com quedas consecutivas na inadimplência, essa expansão, mesmo que leve, pode ser o prenuncio de um cenário mais complicado daqui até o final do ano”.

Agosto de 2021 registrou 5,3 milhões de micro e pequenas empresas inadimplentes. No mês seguinte, setembro do mesmo ano, esse número cresceu para 5,3 milhões. A análise por segmento mostra que, diferente do setor de serviços que teve alta de 0,1%, os negócios das áreas de comércio e indústria obtiveram melhora, ambos com queda de 0,1%. Além disso, a região Sudeste foi a única a marcar retração, essa de 0,2%.

Segmento de serviços registra participação recorde

Grupo Rudolph divulga receita recorde

Acumulado do ano até setembro atinge valor histórico

O CEO da Rudolph, Alex Marson, ressalta que o desempenho de todas as unidades do grupo superou expectativas

Apesar dos impactos da pandemia no ambiente de negócios, a Rudolph Investimentos e Participações – controladora da Rudolph Usinados, Rudolph Fixações e USITIM –, sediada em Timbó (SC), alcançou recorde na receita operacional líquida, no acumulado do ano até setembro.

Histórico para a companhia, o valor chegou a R$ 137,6 milhões, um salto de 100,4% sobre o mesmo período de 2020, superando as estimativas do planejamento estratégico do grupo. No trimestre, a receita atingiu R$ 50,8 milhões, com avanço de 9,5% sobre abril a junho deste ano e de 71,1% sobre o terceiro trimestre de 2020.

Os números, divulgados pela Rudolph nesta semana, indicam crescimento médio de 18,5% ao ano, ao longo dos últimos cinco anos. O balanço compara o desempenho do grupo – que tem forte presença no mercado automotivo, como fornecedora de componentes – à performance da indústria nacional de veículos: segundo dados da Anfavea, o setor cresceu 4% em cinco anos, e a receita líquida da Rudolph aumentou em 134%. Quase 31% da receita se deve ao segmento automotivo pesado, e 28% é proveniente de clientes da indústria automotiva leve.

O CEO da Rudolph, Alex Marson, ressalta que o desempenho de todas as unidades do grupo superou expectativas. “Em um cenário de oportunidades e desafios igualmente grandiosos, o ambiente de colaboração e o engajamento de pessoas e times que se inspiram e se desenvolvem para servir com integridade e excelência fizeram toda a diferença”, avaliou, em nota.

Acumulado do ano até setembro atinge valor histórico

Superávit da balança comercial é o mais baixo para outubro desde 2015

Exportações superam importações em US$ 2 bilhões

Apesar da alta do preço das commodities, as exportações desaceleraram

O crescimento das importações e a desaceleração das exportações de alguns produtos fizeram o superávit da balança comercial cair para o nível mais baixo em seis anos em outubro. No mês passado, o país exportou US$ 2 bilhões a mais do que importou. Esse foi pior resultado para o mês desde 2015, quando o superávit tinha atingido US$ 1,5 bilhão. Em relação a outubro do ano passado (resultado positivo de US$ 4,4 bilhões), a queda chega a 54,5% pelo critério da média diária.

O saldo recuou, mesmo com as exportações totais batendo recorde. No mês passado, as exportações somaram US$ 22,5 bilhões, alta de 27,6% sobre outubro de 2020 pelo critério da média diária. As importações, no entanto, cresceram mais e totalizaram US$ 20,5 bilhões, alta de 54,9% na mesma comparação.

Desaceleração
Apesar da alta do preço das commodities, as exportações desaceleraram. No mês passado, o volume de mercadorias embarcadas subiu apenas 0,7% em relação a outubro de 2020. Os preços subiram, em média, 26,3% na mesma comparação. Por causa da quebra na safra de milho, afetada pela seca e pelas geadas, as exportações do produto caíram US$ 442,6 milhões em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. O mesmo ocorre com os açúcares e melaços, cuja exportação caiu US$ 324,1 milhões, também afetado por quebra de safra.

A suspensão das compras de carne bovina pela China fez as vendas do produto cair US$ 265,8 milhões em outubro em relação ao mesmo mês do ano passado. Apenas no segmento da agropecuária, o volume de exportações caiu 12,8% na mesma comparação, enquanto os preços subiram 36,8%. Em relação aos produtos industrializados, caíram as vendas de aviões (-US$ 205,3 milhões) e de automóveis de passageiros (-US$ 45,9 milhões). No caso dos veículos, a crise econômica na Argentina, principal compradora do Brasil, está afetando as vendas externas.

Do lado das importações, as compras de combustíveis, de adubos e fertilizantes e de medicamentos apresentaram o maior crescimento. A alta do dólar, associada à elevação no preço internacional do petróleo (usado tanto nos combustíveis como em parte dos fertilizantes), pressionou as importações. A recuperação da economia também elevou o consumo. No mês passado, o volume importado subiu 19,6%, e os preços médios aumentaram 23,5%, em comparação a outubro de 2020.

Estimativa
Em outubro, o governo tinha diminuído para US$ 70,9 bilhões a previsão de superávit da balança comercial neste ano. Mesmo com a revisão para baixo, este ano deve terminar com resultado recorde. A estimativa já considera a nova metodologia de cálculo da balança comercial. As projeções estão mais otimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$ 70,1 bilhões neste ano.

Em abril, o Ministério da Economia mudou o cálculo da balança comercial. Entre as principais alterações, estão a exclusão de exportações e importações fictícias de plataformas de petróleo. Nessas operações, plataformas de petróleo que jamais saíram do país eram contabilizadas como exportação, ao serem registradas em subsidiárias da Petrobras no exterior, e como importação, ao serem registradas no Brasil.

Outras mudanças foram a inclusão, nas importações, da energia elétrica produzida pela usina de Itaipu e comprada do Paraguai, num total de US$ 1,5 bilhão por ano, e das compras feitas pelo programa Recof, que concede isenção tributária a importações usadas para produção de bens que serão exportados. Toda a série histórica a partir de 1989 foi revisada com a nova metodologia.

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Com Agência Brasil 

Exportações superam importações em US$ 2 bilhões

Caged revisa dados e número de vagas criadas recua para 75,9 mil

O indicador mede a diferença entre contratações e dispensas com carteira assinada

Responsável pelo Caged desde a recriação da pasta, em julho, o Ministério do Trabalho e Previdência atribuiu a redução do saldo ao envio de declarações fora do prazo

A revisão de dados de demissões fez o saldo de criação de empregos formais no Brasil cair pela metade em 2020. Pelas novas estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram abertas 75.883 vagas no ano passado, queda de 46,8% em relação ao dado anterior de 142.690 vagas.

O indicador mede a diferença entre contratações e dispensas com carteira assinada. Inicialmente, o Caged apontava que haviam ocorrido 15.166.221 admissões e 15.023.531 desligamentos no ano passado. Com as revisões, o número de contratações subiu 1,8%, para 15.361.234. As demissões aumentaram 2,2%, para 15.437.117.

Responsável pelo Caged desde a recriação da pasta, em julho, o Ministério do Trabalho e Previdência atribuiu a redução do saldo ao envio de declarações fora do prazo, em meio ao início da pandemia de Covid-19 e a adaptação para o novo modelo de declaração eletrônica.

Novo eSocial
Até 2019, as contratações e as demissões eram informadas manualmente. Em janeiro de 2020, o processo passou a ser realizado de forma eletrônica, por meio da Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial).

Em março de 2020, pouco depois do início da pandemia de Covid-19, o Ministério da Economia, na época responsável pelo eSocial e do Caged, suspendeu a divulgação das estatísticas por dois meses. Na ocasião, a pasta alegou que, durante o processo de adaptação ao novo sistema, diversas declarações de demissões foram preenchidas de forma errada e que o processo de retificação foi comprometido pela pandemia.

Até aquele momento, apenas os dados do Caged de dezembro de 2019 haviam sido divulgados. Os números só voltaram a ser apresentados no fim de maio de 2020, com os dados de janeiro a abril do mesmo ano e uma nova metodologia que passou a incluir trabalhadores temporários e bolsistas, impossibilitando a comparação com o Caged de anos anteriores.

Justificativa
Em nota, o Ministério do Trabalho e Previdência informou que, mesmo com a revisão dos dados, o ano de 2020 continuou a registrar criação de empregos formais. “Ressaltamos que, mesmo com a mencionada revisão, o saldo do Caged de 2020 se mantém positivo, em que pese o pior momento da pandemia da Covid-19”, destacou a pasta. Segundo o ministério, o prazo para ajustes dos dados do ano passado acaba no fim deste ano.

“A entrada de dados fora do prazo acontece quando as empresas declaram as informações de admissão e demissão após a competência em que a movimentação se realizou. A possibilidade de realizar esse tipo de declaração já existia no antigo Caged, havendo uma ocorrência um pouco maior neste momento devido ao processo de transição para a declaração via eSocial, que ocorreu para um número significativo de empresas ao longo de 2021”, acrescentou o Ministério do Trabalho e Previdência.

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Com Agência Brasil

O indicador mede a diferença entre contratações e dispensas com carteira assinada

Produção industrial fecha terceiro trimestre com queda de 1,1%

Indústria se encontra 3,2% abaixo do patamar pré-pandemia

Setor de produtos alimentícios recuou 1,3% em setembro

A produção industrial caiu 0,4% na passagem de agosto para setembro. Essa é a quarta queda consecutiva do indicador, que acumula perda de 2,6% no período. Com isso, a indústria se encontra 3,2% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia, e 19,4% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada pelo IBGE. No ano, o setor acumulou expansão de 7,5% e, nos últimos 12 meses, de 6,4%. Após registrar crescimentos desde o quarto trimestre de 2020, no terceiro trimestre de 2021 a produção industrial teve queda de 1,1%, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

O gerente da pesquisa, André Macedo, destaca que, diferentemente do que ocorreu nos meses anteriores, em setembro não houve predominância de taxas negativas entre as atividades investigadas pela PIM. “Houve queda na produção em sete dos nove meses deste ano. O que há de diferente em setembro é que a retração foi mais concentrada em poucas atividades. Mas isso não significa necessariamente que haja mudanças no comportamento predominantemente negativo do setor industrial, uma vez que ele é ainda bastante caracterizado pela perda de dinamismo”, explica.

Dez das 26 atividades tiveram resultados negativos. Entre elas, os maiores impactos no índice geral de setembro vieram do segmento de produtos alimentícios, que recuou 1,3%, e de metalurgia (-2,5%). “Podemos observar sinais negativos em segmentos importantes no setor de alimentos, como a parte relacionada ao açúcar, por causa das condições climáticas adversas que prejudicaram a cana-de-açúcar. Outro setor com comportamento negativo foi o das carnes bovinas, explicado pela suspensão das exportações desse produto para a China no início de setembro, por conta do ‘mal da vaca louca’. Isso impactou negativamente o setor de alimentos”, revela André. Com isso, esse segmento encontra-se 7,4% abaixo do patamar pré-pandemia.

O pesquisador ressalta que esse cenário é diferente do que ocorre com o setor de metalurgia, que avançou 0,4% em agosto e voltou para o campo negativo em setembro. “Mesmo com a queda do mês de setembro, que suplantou o crescimento de agosto, o segmento está 8,6% acima do patamar pré-pandemia. Tanto a metalurgia quanto o segmento de produtos alimentícios têm peso importante dentro do contexto da produção industrial e explicam essa concentração de poucas atividades com comportamento negativo”, afirma.

Além desses setores, tiveram queda na passagem de agosto para setembro os segmentos de couro, artigos para viagem e calçados (-5,5%), outros equipamentos de transporte (-7,6%), bebidas (-1,7%), indústrias extrativas (-0,3%), móveis (-3,7%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-1,7%).

Entre os que registraram alta, destacaram-se produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,5%), outros produtos químicos (2,3%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,0%) e máquinas e equipamentos (1,9%). Outras altas vieram de celulose, papel e produtos de papel (1,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,7%) e produtos do fumo (6,6%).

A categoria bens de capital teve a taxa negativa mais acentuada (-1,6%) e intensificou a queda de 1,2% registrada em agosto. Bens de consumo duráveis (-0,2%) e bens intermediários (-0,1%) também recuaram no período, enquanto o segmento de bens de capital (15,0%) foi a única grande categoria econômica a avançar.

Produção industrial cai 1,1% no terceiro trimestre
Ao recuar 1,1% no trimestre encerrado em setembro, o setor industrial interrompeu o comportamento positivo que vinha sendo registrado desde o último trimestre do ano passado (3,4%). De acordo com André, essa mudança é explicada pela diminuição no ritmo das quatro grandes categorias econômicas.

“Havia uma sequência, em termos trimestrais, de resultados positivos. Inclusive, no segundo trimestre deste ano houve uma expansão que se destaca (22,7%), em função de uma base de comparação bastante depreciada. E esse movimento de volta ao campo negativo é justificado pelos resultados em todas as categorias econômicas, em especial, do segmento de bens de consumo duráveis, que sai de um crescimento de três dígitos e vem para uma queda de 16,9%”, explica o pesquisador, que destaca, dentro do setor, as retrações nos grupamentos de automóveis e de eletrodomésticos.

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Indústria se encontra 3,2% abaixo do patamar pré-pandemia

Fed anuncia redução dos estímulos

BC dos Estados Unidos manteve taxa de juros em 0%

Magnitude da retirada de estímulos pode aumentar de acordo com a situação econômica, sinaliza Fed

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) anunciou nesta quarta-feira (3) que iniciará a redução dos estímulos monetários reduzindo em US$ 15 bilhões mensais a compra de títulos, com início neste mês. O Fomc também manteve a taxa de juros inalterada no intervalo entre 0% e 0,25%.

“O Comitê julga reduções em ritmo similar nas posições líquidas mensalmente para cada mês”, revela o comunicado, ressaltando que a magnitude da retirada de estímulos pode aumentar de acordo com a situação econômica. “O Comitê continua a monitorar as implicações de informações vindouras para a perspectiva econômica”, e que “estaria preparado para ajustar a política monetária caso os riscos emerjam para a consecução dos objetivos da política monetária”.

A política monetária consiste a partir de agora na compra mensais de até US$ 70 bilhões em títulos públicos e de até US$ 35 bilhões em títulos hipotecários. Anteriormente, os estímulos consistiam em compras mensais de até US$ 80 bilhões e de US$ 40 bilhões, respectivamente.

BC dos Estados Unidos manteve taxa de juros em 0%

Biocombustível pode ajudar na luta contra o aquecimento global

Erasmo Carlos Battistela, CEO da BSBIOS, defendeu na COP 26 a necessidade de os países incentivarem os biocombustíveis para uma matriz energética mais limpa

O empresário também destacou a importância de convencer os investidores institucionais e os setores financeiros a comprometer quantias significativas de capital no combate às mudanças climáticas

O Brasil já comprovou que os biocombustíveis têm um papel concreto e imediato para a transição energética global para uma matriz mais limpa. Essa foi a mensagem de Erasmo Carlos Battistela, CEO da BSBIOS, durante a apresentação “Biocombustíveis – uma solução real”, realizada nesta quarta-feira (3) no Pavilhão Brasil da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP 26). Battistella destacou a experiência da trajetória brasileira, o que permitiu ao país ter 25% da matriz com uso de biocombustíveis, sendo 5% com biodiesel.

“No Brasil, os biocombustíveis são vistos como uma energia limpa e sustentável para o futuro, fruto de uma bonita história de políticas públicas e investimentos privados que desenvolveram esse patrimônio nacional e levaram o país a ser referência mundial”, revelou Battistella. Só a BSBIOS já produziu, desde 2011, 4,9 bilhões de litros de biodiesel, o que corresponde a 9,4 milhões de toneladas de CO2 evitados.

“Precisamos que a COP 26 reconheça esse protagonismo em um cenário de sustentabilidade para que o produto esteja contemplado imediatamente nas políticas públicas em vários países, gerando um ar mais limpo nas grandes cidades e empregos verdes no campo”, analisou. “Os biocombustíveis têm um custo, mas qual o custo real de não se investir em descarbonização? Qual seria o custo de não ter biodiesel no Brasil?”, questionou.

O empresário também destacou a importância de convencer os investidores institucionais e os setores financeiros a comprometer quantias significativas de capital no combate às mudanças climáticas. O próprio ECB Group já está explorando o potencial dos biocombustíveis da segunda onda por meio do projeto Omega Green, um investimento de US$ 1 bilhão em uma biorrefinaria de biocombustíveis avançados no Paraguai, com início de operação previsto para 2025.

A iniciativa será a primeira desse tipo no hemisfério sul para produção do diesel renovável HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), o combustível renovável para aviação (Synthetic Paraffinic Kerosene – SPK), também conhecido como Sustainable Aviation Fuel (SAF) e o Green Naphtha [usado na indústria química para fazer plástico verde, entre outros produtos].

Além disso, a companhia já fechou contratos de venda de parte da produção da Omega Green para Shell e BP. Bem como investiu na aquisição de matérias-primas com um contrato para aquisição de óleo pongâmia, matéria-prima originada de modelo de conservação e reflorestamento baseado nos princípios do Sistema Silvipastoril (SSP), combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área, ao mesmo tempo, e manejados de forma integrada.

“Somos contra o desmatamento e entendemos que os biocombustíveis é uma rota para recuperação de áreas degradadas”, destacou Battistella.”Esse projeto é feito por pessoas e para as pessoas em primeiro lugar. Não quero ser cobrado pelas minhas filhas por não ter colaborado na luta por um mundo com menos poluição e aquecimento”, completou.

Carbono Neutro até 2030
Com foco de atuação nas áreas do agronegócio e de energia renovável, o planejamento estratégico do ECB Group definiu o foco do investimento em negócios sustentáveis com o objetivo de ser o maior produtor de biocombustíveis avançados da América Latina até 2025. Outra parte importante do planejamento é fomentar negócios que posicionem a organização entre as três maiores produtoras de biocombustíveis do mundo, além de se tornar Carbono Neutro até 2030.

Alguns países categorizam os biocombustíveis como uma energia de transição, mas eles têm um papel muito maior do que isso. “O produto está pronto para cumprir sua missão na transição da matriz energética com baixo custo de investimento e sem a necessidade de mudanças estruturais – uma solução ideal para os grandes centros urbanos”, explicou Battistella.

É importante notar também que o aumento da produção de biocombustíveis ajuda a impulsionar a produção de alimentos. Isso porque o farelo resultante dessa produção é usado na produção de proteína animal. A América Latina tem potencial para produzir muito mais matéria-prima para biocombustíveis e terá um papel importante na redução das emissões globais, sem afetar a floresta.

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Erasmo Carlos Battistela, CEO da BSBIOS, defendeu na COP 26 a necessidade de os países incentivarem os biocombustíveis para uma matriz energética mais limpa

Cade condena Rumo por impossibilitar serviço de concorrente

Multa determinada à empresa alcança R$ 247,1 milhões

Companhia criou dificuldades à atuação de empresa rival no mercado de logística para exportação de açúcar via transporte ferroviário

Na sessão de julgamento desta quarta-feira (3), o tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou a Rumo Logística Operadora Multimodal (Rumo) e da América Latina Logística (ALL) por abusar da posição dominante e criar dificuldades à atuação de empresa rival no mercado de logística para exportação de açúcar via transporte ferroviário. A multa aplicada à empresa alcança R$ 247,1 milhões.

A investigação teve início em 2016, a partir de denúncia feita ao Cade pela Agrovia, prestadora de serviço de logística integrada via modal ferroviário para exportação de açúcar. A empresa alegou à época que dependia da utilização da Malha Paulista, controlada pela Rumo-ALL, para transportar açúcar até o Porto de Santos, em São Paulo, e que a companhia estaria criando empecilhos ao seu funcionamento. A denunciante informou, por fim, que precisou encerrar suas atividades em razão do comportamento anticompetitivo da Rumo-ALL.

A denúncia foi reforçada por uma comunicação encaminhada ao Cade pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que apurou a existência de indícios de infração à ordem econômica em um processo que tramitava na agência envolvendo as mesmas empresas.

De acordo com as investigações do caso, a Rumo-ALL interditou o pátio de Santa Adélia, cidade no interior de São Paulo, que era essencial às atividades da Agrovia, impossibilitando a empresa de prestar serviços aos clientes no período entressafra, sob a alegação de que o local oferecia riscos à segurança por ausência de manutenção e reparos. Contudo, a manutenção do pátio, segundo a ANTT, era de responsabilidade da própria Rumo-ALL.

O Tribunal considerou provas que demonstraram que a Rumo-ALL buscou discutir com a Agrovia sobre a atribuição de responsabilidade da manutenção do pátio de Santa Adélia para, dessa forma, atrasar o restabelecimento do acesso à infraestrutura essencial detida por ela por um período de, pelo menos, quatro meses, o que configura o caráter anticompetitivo da conduta.

Segundo a relatora do processo, a conselheira Paula Azevedo, o comportamento da Rumo-ALL inviabilizou o acesso da Agrovia a equipamentos e canais de distribuição necessários à atividade-fim de escoamento do açúcar, criando dificuldades desarrazoadas ao funcionamento e desenvolvimento da concorrente.

Nesse sentido, o Conselho entendeu que a suspensão das atividades nesse período gerou entraves para a Agrovia, que, em um primeiro momento, foi forçada a fornecer transporte via modal rodoviário, e, posteriormente, impossibilitada de firmar contratos para a safra de 2016/2017 em função da incerteza sobre o restabelecimento da operação em Santa Adélia.

Além disso, a investigação aponta que a Agrovia não conseguiu manter suas atividades e se retirou do mercado ainda em 2016, quando da rescisão do contrato de transporte ferroviário. Dessa forma, parte considerável da demanda antes atendida pela Agrovia foi realocada para a Rumo-ALL, que se beneficiou da ausência da concorrente no mercado.

Penalidades
Além de pagar multa, a Rumo-ALL está obrigada a divulgar em seus sites oficiais e comunicar aos seus clientes sobre o teor da decisão do Cade em até 15 dias após a publicação da decisão plenária. Além das sanções, o Tribunal determinou, entre outras medidas, o envio da decisão à Procuradoria Federal especializada junto ao Cade para que seja avaliada se as condutas praticadas pela Rumo-ALL também podem significar descumprimento aos termos previstos no Acordo em Controle de Concentrações (ACC), firmado quando a autarquia aprovou a fusão da Rumo com a ALL.

Multa determinada à empresa alcança R$ 247,1 milhões

Wilson Bley assume presidência do BRDE

Meta é aumentar programas de desenvolvimento

Paranaense ocupava os cargos de vice-presidente e diretor de Operações do BRDE e presidirá a instituição até fevereiro de 2023

O paranaense Wilson Bley Lipski assumiu nesta quarta-feira (3) a presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), cargo que ocupará até fevereiro de 2023. Até então ele ocupava as funções de vice-presidente e diretor de Operações da instituição. O banco atua nos três estados do Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – e no Mato Grosso do Sul. Leany Lemos permanece no BRDE como diretora de operações, responsável pelo setor de crédito.

A meta do novo presidente é tornar o BRDE o maior banco de desenvolvimento regional do Brasil. Para ele, este é um caminho possível após os resultados obtidos pelo banco desde 2019, quando Bley e sua equipe assumiram a diretoria no Paraná. Hoje, a carteira tem 32 mil clientes em 1.285 municípios, fazendo do BRDE a quarta maior instituição entre os bancos de desenvolvimento e agências de fomento no Brasil em ativos e a 2ª maior em ativos, considerando apenas bancos de desenvolvimento puro no Brasil. Além disso, é a instituição que menos possui inadimplência, de 0,32% nos últimos 90 dias.

Os números são resultados de novos programas adotados pelo BRDE. “Lançamos programas como Jovem Empreendedor e Mulheres Empreendedoras, que mostram uma ação inovadora do BRDE. Somos um banco e não podemos ficar numa trajetória de menos riscos”, declarou Bley.

Para continuar sendo um banco de desenvolvimento diferenciado, afirma Bley, a aproximação com a sociedade deve ser um pilar. “Nossa gestão será marcada pela aproximação da instituição com a sociedade, atuando com políticas públicas voltadas às demandas de empreendedores do campo ou da cidade, pequenos ou grandes e, principalmente, dos municípios. Vamos transformar o BRDE na maior instituição de fomento e desenvolvimento regional do Brasil”, destacou.

Para isso, o banco toma alguns direcionamentos, como a procura por novos fundings. “Vamos sair ao mercado para captar recursos, entregando dinheiro com longo prazo e condições razoáveis de juros. Há cinco anos, 99,3% dos recursos eram do BNDES. Diversificamos e agora a dependência é de 55%”, disse. Para construção e desenvolvimento do Paraná, Bley completa que o objetivo é aumentar a carteira de crédito aos municípios dentro da visão de geração de emprego e renda. “O BRDE amplia sua carteira de projetos para se aproximar cada vez mais da sociedade, atendendo a uma premissa desenhada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior já no começo da gestão”, pontuou.

De acordo com o BRDE, as contratações em 2021 devem bater na casa dos R$ 3,5 bilhões. Em 2020, foram R$ 3,3 bilhões. Desse total, R$ 1,5 bilhão foi em aprovações no Paraná, valor que indica a aceleração da retomada econômica estadual. O banco completou 60 anos em 2021. Criado em 1961 com o desafio inicial de propiciar ganhos de produtividade para uma economia regional à época majoritariamente agrícola, o BRDE nasceu da necessidade de atrair para os estados do Sul melhores fatias das linhas de crédito federal, por muitos anos fonte majoritária de funding.

Meta é aumentar programas de desenvolvimento

BC manterá ciclo de elevação da taxa de juros em dezembro

Copom prevê retomada econômica menos intensa e focada em serviços

De acordo com o comitê, os indicadores recentes da produção industrial e do comércio tiveram resultados negativos e abaixo do esperado

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) mantém a expectativa de retomada da atividade econômica no segundo semestre deste ano, ainda que menos intensa e mais concentrada no setor de serviços. A avaliação consta na ata da última reunião do Copom e reflete o impacto das limitações na oferta de insumos em determinadas cadeias produtivas, que devem perdurar até o próximo ano. De acordo com o comitê, os indicadores recentes da produção industrial e do comércio tiveram resultados negativos e abaixo do esperado. Por outro lado, o setor de serviços, que foi mais atingido pelas restrições da pandemia de Covid-19, “continuam em trajetória de recuperação robusta”.

“Para 2022, se por um lado a elevação dos prêmios de risco e o aperto das condições financeiras atuam desestimulando a atividade econômica, por outro, o Copom avalia que o crescimento tende a ser beneficiado por três fatores: a continuação da recuperação do mercado de trabalho e do setor de serviços; o desempenho de setores menos ligados ao ciclo de negócios, como agropecuária e indústria extrativa; e os resquícios do processo de normalização da economia conforme a crise sanitária arrefece”, detalha a ata.

Segundo o BC, no cenário internacional, o ambiente também tem se tornado menos favorável, refletindo a persistência da inflação. “O próximo ano deve ser caracterizado por menor crescimento, com a reversão dos impulsos fiscais e avanço nos processos de normalização da política monetária. Para as economias emergentes, essa combinação implica um cenário mais desafiador”, projeta o documento.

No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de setembro, o Banco Central projetava crescimento de 4,7% para a economia em 2021. Já ao longo de 2022, espera-se um ritmo de crescimento menor do que no segundo semestre de 2021, resultando em crescimento anual de 2,1% no PIB. O próximo relatório será divulgado em dezembro. O mercado projeta crescimento maior neste ano e menor em 2022. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 4,94% do PIB em 2021 e 1,2% no ano que vem.

Inflação em alta
A projeção está desacelerando por causa da persistência da inflação e da alta dos juros. De acordo com a ata do Copom, a inflação ao consumidor segue elevada e tem se mostrado mais persistente que o antecipado, com alta dos preços mais disseminada e abrangendo também componentes mais associados à inflação subjacente, que é o núcleo da inflação, que desconsidera distúrbios de choques temporários.

“A alta nos preços dos bens industriais ainda não arrefeceu e deve persistir no curto prazo, enquanto a inflação de serviços acelerou, refletindo a gradual normalização da atividade no setor, dinâmica que já era esperada. Além desses desenvolvimentos, desde a última reunião [do Copom] houve alta substancial dos preços internacionais de commodities energéticas, cujo impacto inflacionário é amplificado pela depreciação do real, sendo essa combinação o fator preponderante para a elevação das projeções de inflação do comitê tanto para 2021 quanto para 2022”, revelam os membros do comitê.

Por isso, no encontro da semana passada, o Copom elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 6,25% ao ano para 7,75% ao ano e já sinalizou que deve fazer um aumento da mesma magnitude, de 1,5 ponto percentual, na próxima reunião, em dezembro, mantendo o ciclo de elevação da taxa de juros, em um aperto monetário “significativamente mais contracionista” do que o utilizado no cenário básico. Com isso, espera-se a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui os anos de 2022 e 2023.

Esse foi o maior aperto monetário em quase 20 anos. A última vez em que o Copom tinha elevado a Selic em mais de 1 ponto percentual tinha sido em dezembro de 2002. Na ocasião, a taxa tinha passado de 22% para 25% ao ano, com alta de 3 pontos.

Para decidir sobre a elevação, o comitê estabeleceu um cenário básico para a inflação, com as projeções em torno de 9,5% para 2021, 4,1% para 2022 e 3,1% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 8,75% ao ano em 2021 e para 9,75% ao ano em 2022, terminando em 9,5% ao ano, e reduz- para 7% ao ano em 2023.

Com os dados, as projeções para a inflação de preços administrados, como combustível e energia, são de 17,1% para 2021, 5,2% para 2022 e 5,1% para 2023. O Copom adotou ainda uma hipótese de bandeira tarifária de energia elétrica em “escassez hídrica” em dezembro deste ano e em “vermelha – patamar 2” em dezembro de 2022 e 2023.

Esse foi o sexto reajuste consecutivo na taxa Selic. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018. Em agosto de 2019, houve mais redução e, para combater os efeitos da pandemia, em agosto de 2020, chegou ao menor nível da história, em 2% ao ano. Em março deste ano, começou a subir novamente, quando avançou para 2,75% ao ano, chegando a esse patamar de 7,75% ao ano.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia. Puxada pelo aumento dos preços de energia elétrica e combustíveis, em setembro, a inflação chegou a 1,16%, o maior para o mês de setembro desde 1994, quando foi de 1,53%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o índice está em 10,25%, acima dos 9,68% registrados nos 12 meses anteriores. Este ano, a inflação já acumula alta de 6,9%.

O valor está acima do teto da meta de inflação. Para 2021, o Conselho Monetário Nacional (CMN) tinha fixado meta de inflação de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 5,25% neste ano nem ficar abaixo de 2,25%. Para 2022 e 2023 as metas são 3,5% e 3,25%, respectivamente, com o mesmo intervalo de tolerância.

Riscos fiscais
No Relatório de Inflação, o BC estimava que, em 2021, a inflação fecharia o ano em 8,5% no cenário base. A projeção, no entanto, pode estar desatualizada com a possibilidade de que o teto de gastos seja alterado. O cenário básico do Copom para a inflação também envolve o risco fiscal diante da decisão do governo de mudar o cálculo do teto de gastos. Na avaliação do órgão, os acontecimentos recentes elevaram o risco de a inflação subir mais que o previsto, justificando a alta dos juros.

“Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico”, destaca a ata.

Para os membros do Copom, o processo de reformas e ajustes necessários é essencial para o crescimento sustentável da economia brasileira. “Esmorecimento no esforço de reformas estruturais e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, diz a ata.

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Com Agência Brasil 

Copom prevê retomada econômica menos intensa e focada em serviços

Apenas sete capitais estão preparadas para receber o 5G

Curitiba e Porto Alegre estão entre elas. Florianópolis deve alterar lei atual

Essas capitais têm leis de antenas preparadas para o avanço da nova tecnologia

Um levantamento da Conexis Brasil Digital indica que das 27 capitais brasileiras, sete têm legislações para instalação de infraestrutura e antenas preparadas para a chegada do 5G: Boa Vista, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Palmas, Porto Alegre e Porto Velho. Essas capitais têm leis municipais com alta aderência à Lei Geral de Antenas, de 2015.

Legislações modernas que facilitem a instalação de antenas são imprescindíveis para o avanço da nova tecnologia. “O 5G vai exigir de cinco a 10 vezes mais antenas que o 4G, considerando a mesma área de cobertura, mas são antenas pequenas que podem ser instaladas nas fachadas dos edifícios”, explica Marcos Ferrari, presidente executivo da Conexis.

O levantamento aponta ainda nove capitais com média aderência à Lei Geral de Antenas: Cuiabá, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Maceió, Manaus, Recife, Salvador e São Luís, e quatro cidades que estão trabalhando na alteração da legislação por leis mais modernas e aderentes à legislação federal: Belo Horizonte, Florianópolis, Rio de Janeiro e São Paulo.

Ferrari destaca ainda a importância do apoio do governo e da Anatel para a adequação das leis municipais que permitirão a instalação do 5G no Brasil. “A Anatel, o Ministério da Economia e o Ministério das Comunicações prepararam uma minuta de projeto de lei padrão a partir da qual as Câmara municipais podem elaborar leis mais modernas e que facilitem a instalação de infraestruturas de telecomunicações”, afirmou.

O leilão do 5G ocorrerá nesta quinta-feira (4). O edital prevê que as empresas comecem a oferecer o 5G nas capitais até o dia 31 de julho de 2022, mas o atendimento desse compromisso depende da permissão para a instalação de antenas, que são essenciais para a conexão.

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Curitiba e Porto Alegre estão entre elas. Florianópolis deve alterar lei atual