Pequenas indústrias já inovaram pelo menos uma vez

Pesquisa da CNI revela, no entanto, que maior parte dessas empresas não dispõem de estrutura para inovar

As regiões Nordeste e Sul são as que mais acreditam na inovação para o futuro das empresas

As pequenas empresas sabem da importância estratégica da inovação para que se mantenham no mercado e sejam competitivas, mas ainda esbarram em dificuldades para inovar. É o que revela pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada pelo Instituto FSB Pesquisa junto a executivos de 500 indústrias de pequeno porte (de 10 a 49 empregados). De acordo com os dados, 82% dessas empresas inovaram pelo menos uma vez nos últimos três anos.

No entanto, apesar de a grande maioria ter inovado, em geral as pequenas empresas ainda não têm estrutura para tornar a inovação uma atividade contínua. Segundo a pesquisa, 68% não possuem uma área de inovação e 76% não têm orçamento específico para inovação nem profissionais dedicados exclusivamente a esse fim. Mas para 57% dos executivos, a importância que a empresa dá para a inovação é alta ou muito alta. Veja os principais dados da sondagem no infográfico ao final desta reportagem.

Clique aqui e saiba como participar da 18ª edição da pesquisa Campeãs da Inovação, uma iniciativa do Grupo AMANHÃ com o IXL-Center.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, alerta que a inovação será cada vez mais importante no pós-pandemia. “A destinação de recursos financeiros para ciência, tecnologia e inovação será fundamental para o país sair forte da crise, e para a indústria buscar alternativas diante das incertezas que ainda permeiam as relações entre países, para enfrentarmos problemas como a falta de insumos para a produção nos mais diferentes setores”, afirma.

Ganhos com inovação na pandemia
Os números mostram ainda que, durante a pandemia, 68% das pequenas indústrias inovaram e tiveram ganhos de lucratividade, produtividade e competitividade. De acordo com a pesquisa, 45% delas apontaram que a dificuldade para inovar no período de Covid-19 aumentou, enquanto 19% consideram que a dificuldade para inovar no período diminuiu. Para 36%, ficou igual.

Entre as principais dificuldades para inovar durante a pandemia destaca-se o acesso a recursos financeiros de fontes externas à empresa, o que foi declarado por 20%. Na sequência, aparecem a dificuldade para contratar profissionais (9%); para obter mão de obra qualificada (6%), de orçamento na empresa (6%); e de acesso à cadeia de fornecedores (5%).

Do universo de 500 pequenas indústrias entrevistadas, 78% sentiram impacto da pandemia sobre seus negócios, sendo que 27% disseram ter sido muito prejudicadas; 14% prejudicadas; 17% mais ou menos prejudicadas; e 20% um pouco prejudicadas. Para 55% dos executivos, a cadeia de fornecedores foi o primeiro ou segundo aspecto mais impactado pela pandemia, seguido pelas vendas (50%) e pela relação com os trabalhadores (19%).

Reflexos da inovação na pandemia
A pesquisa revela também que 45% das pequenas empresas tiveram mais dificuldades em inovar por conta da pandemia. No entanto, para 19% que considerava difícil inovar, o processo melhorou na pandemia. Os executivos consideram as parcerias importantes para inovação em suas empresas. Para eles, os principais parceiros para inovar são: fornecedores (16%), bancos (15%) e outras empresas (11%).

A inovação é considerada essencial por 68% das pequenas empresas que não fizeram inovação nesse período. Pensando num mundo pós pandemia, 80% afirmam que terão que investir em inovação para crescerem ou se manterem no mercado. As regiões Nordeste (93%) e Sul (81%) são as que mais acreditam na inovação para o futuro das empresas.

Avanços das tecnologias
Considerando os avanços da tecnologia nesse período da pandemia, 78% das empresas avançaram, em algum nível, na adoção de novas tecnologias digitais. Com isso, 49% das empresas ampliaram o volume de vendas durante a pandemia, 47% estão produzindo com mais eficiência e 46% ampliaram o volume de produção. Com isso, é possível perceber como a inovação e adoção de novas tecnologias impactaram positivamente no desempenho das pequenas empresas durante a pandemia.

Os executivos destacaram, ainda, que a relação com o cliente e o marketing são os itens prioritários para o pós-pandemia. Já para os próximos 3 anos, as prioridades serão a ampliação do volume de vendas, a produção com menos custos e mais eficiência, além do aumento do volume de produção.

Trabalho remoto durante a pandemia
O trabalho remoto mudou a realidade de muitas empresas durante a pandemia e nas pequenas indústrias o cenário não foi diferente. Nesse período, 43% das empresas adotam o trabalho remoto. As regiões Nordeste e Sudeste foram as que mais tiveram empregados em trabalho remoto, foram 52% e 45% das empresas, respectivamente. Um total de 35% das pequenas empresas que adotaram o home office vão manter esse modelo em definitivo no pós-pandemia, enquanto outras 65% dizem que não pretendem aderir a esse modelo de trabalho.

Com as empresas adotando o modelo de trabalho remoto durante a pandemia, a adoção de novas ferramentas se fez necessária e elas dizem que vão manter. A pesquisa mostra que 45% das pequenas empresas tiveram que investir em ferramentas para condução de reuniões online, 43% investiram em serviços de armazenamento na nuvem e 42% em ferramentas de automação.

Quer saber mais sobre inovação?
Receba diariamente a newsletter do Grupo AMANHÃ. Faça seu cadastro aqui e, ainda, acesse o acervo de publicações do Grupo AMANHÃ.

Pesquisa da CNI revela, no entanto, que maior parte dessas empresas não dispõem de estrutura para inovar

Inadimplência aumenta pela primeira vez em oito meses

Indicador alcança maior nível desde setembro de 2020

Dentre os endividados, o percentual de famílias com dívidas por mais de um ano atingiu a máxima histórica de 36,2%

Pela primeira vez desde fevereiro deste ano, a inadimplência dos brasileiros apresentou aumento. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento recorde, que alcançou cerca de 12,3 milhões de famílias, e os desafios econômicos impostos aos orçamentos domésticos colaboraram para que o indicador alcançasse o maior nível desde setembro do ano passado: 26,1%.

O número representa uma elevação de 0,5 ponto percentual em relação a outubro e de 0,4 ponto percentual na comparação anual, sendo o maior nível para meses de novembro na série histórica da análise, iniciada em janeiro de 2010. A parcela que declarou não ter condições de pagar suas dívidas ou contas em atraso e, portanto, continuará inadimplente permaneceu estável, registrando 10,1%, queda de 1,4 ponto na comparação com o mesmo mês de 2020.

Já o percentual de famílias que relatou ter dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa) apresentou crescimento pelo 12º mês consecutivo, alcançando 75,6%, alta de um ponto percentual em relação a outubro e de 9,6 pontos ante novembro do ano passado.

Mesmo com os juros maiores, as concessões de crédito com recursos livres para pessoas físicas seguem aumentando. Segundo os dados do Banco Central (Bacen), outubro registrou crescimento real de 3,3% nas concessões de crédito às pessoas físicas, nas modalidades com recursos livres. No saldo das operações, o aumento real foi de 1% nas transações com recursos livres.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, observa que, na tentativa de ancorar melhor as expectativas inflacionárias futuras, o Comitê de Política Monetária (Copom) apertou o ritmo de alta dos juros. “Até o momento, isso não foi suficiente para abrandar a dinâmica do endividamento e o crédito segue sendo a saída do brasileiro para recompor a renda”, analisa.

Faixas de renda
A economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, aponta o uso do crédito como mais relevante ao grupo das famílias com rendimento de até dez salários mínimos. De outubro para novembro, o percentual de endividados nessa faixa de renda saltou de 75,9% para 77%. No mesmo mês do ano passado, o indicador registrava 67,9%, o que representa um aumento anual de quase dez pontos percentuais em 2021. “Para esse grupo em especial, a inflação corrente ao consumidor girando próxima a 11% ao ano acirra o orçamento familiar e aumenta a necessidade do crédito para organizar as despesas”, avalia.

Para as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o endividamento também segue apresentando tendência de alta. Nesse grupo, a proporção de endividados alcançou, da mesma forma, o maior patamar da série histórica, com aumento mensal de 69,5% para 70,3%. A comparação anual demonstrou um crescimento de onze pontos percentuais diante dos 59,3% registrados em 2020. “As famílias no grupo de renda mais elevado têm revertido suas poupanças, ampliadas durante a pandemia, para o consumo de serviços, auxiliando a retomada recente da atividade econômica no setor”, explica a economista.

Já o indicador de inadimplência apresentou divergências entre os dois grupos. A proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso na faixa de renda mais baixa voltou a aumentar de 28,9% para 29,4% e ante os 28,9% registrados em novembro do ano passado, alcançando o maior nível desde setembro de 2020. No grupo com rendimento mais alto, o percentual caiu de 11,6% para 11,4%, entre os dois últimos meses, e 11,8% na comparação anual, chegando à menor proporção desde julho de 2020.

Dentre os endividados, o percentual de famílias com dívidas por mais de um ano é crescente desde o fim do primeiro trimestre e atingiu a máxima histórica de 36,2%, indicando que os consumidores estão buscando alongar os prazos de pagamento de suas dívidas para que a parcela caiba nos orçamentos e, assim, reduza-se o comprometimento da renda.

De acordo com o levantamento, o prazo médio de atraso na quitação das dívidas voltou a aumentar em novembro, chegando a 61,6 dias. E, apesar da queda de 1,4 ponto percentual na comparação anual, a proporção de atrasos acima de 90 dias é a maior desde agosto deste ano, alcançando 41,6% dos inadimplentes.

Quer saber mais sobre economia?
Receba diariamente a newsletter do Grupo AMANHÃ. Faça seu cadastro aqui e, ainda, acesse o acervo de publicações do Grupo AMANHÃ.

Indicador alcança maior nível desde setembro de 2020

Encante-me se for capaz

Ou só se for imprescindível

Incentivar o encantamento ajuda a construir uma ideia de propósito numa organização, a engajar funcionários e a tornar o trabalho menos trivial e mais significativo

A pesquisa de satisfação da concessionária em que minha esposa fizera a manutenção periódica do carro encaminhava-se para o final quando a entrevistadora perguntou: “o que podemos fazer para encantá-la?”.

Meio sem reação, ela respondeu o óbvio: “não sei. Se for algo esperado ou solicitado por mim, deixa de encantar…”.

Verdade. O encantamento do cliente, nível mais alto de satisfação que um consumidor pode alcançar, pressupõe, sim, a surpresa, o inesperado, a exceção. Se uma empresa inquire sobre como pode encantar, na prática está perguntando como pode surpreender. E surpresas esperadas não são surpresas.

Mas o que mais chama a atenção nesse episódio é a atração que o conceito de encantamento desperta em certos gestores e empresas. Satisfazer, simplesmente, não basta?

Deveria, como bem mostram três autores a partir de um rápido P&R a respeito do assunto:

P: “Com que frequência alguém prestigia uma empresa só porque o atendimento é fora de série?”.

R: “Provavelmente, não serão muitas”.

P: “Quantas vezes um consumidor abandona uma empresa devido a um péssimo atendimento?”.

R: “O tempo todo”.

Eles continuam: “(…) a lealdade tem muito mais a ver com a capacidade da empresa de honrar sua promessa básica do que com o espetacular (…). [E]ncantar o cliente não produz fidelidade; reduzir seu esforço (…), sim. [S]uperar expectativas do cliente (…) só o torna marginalmente mais fiel do que quando suas necessidades são simplesmente satisfeitas” (Dixon, Freeman & Toman, Harvard Business Review Brasil, agosto 2010, p.58 e 59).

Por que, então, não simplesmente preocupar-se em satisfazer? Arrisco uma explicação. Gestores não convencem superiores e subordinados de sua competência quando sua preocupação se restringe ao essencial, a fazer funcionar perfeitamente uma engrenagem, sem falhas ou excessos. Tal qual um goleiro, que precisa de defesas espetaculosas para ser percebido, administradores voltados ao feijão-com-arroz só aparecem quando são substituídos por outros que não dão conta do recado. São notados na ausência, nunca na presença, o que numa cultura individualista como a ocidental pode representar uma limitação às ambições de ascensão profissional.

Além disso, incentivar o encantamento ajuda a construir uma ideia de propósito numa organização, a engajar funcionários e a tornar o trabalho menos trivial e mais significativo. José Galló construiu a Renner em torno dessa ideia, e orgulhava-se de a empresa ter acumulado mais de 800 mil histórias de encantamento registradas. Era uma bandeira da companhia. Mas ele mesmo reconhecia, nas entrelinhas, que o sucesso da varejista não vinha exclusivamente desse mote, e sim de escolhas estratégicas felizes e da competência operacional em áreas bem menos visíveis e marketizáveis que o atendimento em loja.

Ou seja, até ele sabia que por trás dos bons índices alcançados no famoso encantômetro, havia outros tão altos ou maiores no basicômetro do dia a dia.

Ou só se for imprescindível

Potencial mira o mercado de extração de óleo de soja

Grupo paranaense prepara caminho no setor de energia

O Grupo Potencial pretende montar sua planta de extração de óleo de soja até 2023

A Potencial Biodiesel, unidade de negócio do Grupo Potencial, anunciou há um ano ter dobrado a capacidade produtiva de sua usina na cidade paranaense da Lapa. A empresa, que atingiu a marca histórica de 900 mil metros cúbicos por ano, informa agora que seus resultados podem posicionar o grupo entre os líderes do mercado brasileiro de energia. O diretor Carlos Eduardo Hammerschmidt diz que os próximos passos miram a extração de óleo de soja e, a longo prazo, o mercado de etanol.

“Em 2012, quando entramos no segmento de biodiesel, o mercado passava por uma crise e conseguimos sobreviver porque estávamos preparados para essa situação. Sempre avançamos de acordo com um sólido planejamento e já tínhamos em mente o plano de nos tornarmos o maior player de biodiesel do Brasil. O mercado de energia está passando por um momento de transição e a Potencial quer se posicionar não mais como uma empresa de combustíveis, mas como uma de energia”, afirma.

O Paraná é o segundo maior produtor de soja do Brasil, tem grande capacidade instalada de esmagamento e bastante óleo disponível. Ainda assim, o Grupo Potencial pretende montar sua planta de extração de óleo de soja até 2023. “As coisas vão acontecer em partes, mas o projeto como um todo vai custar cerca de R$ 1,5 bilhão. Será um novo negócio que vamos agregar ao grupo, assim como fizemos com a glicerina. Atualmente, a Potencial Biodiesel é uma empresa autossustentável. O único subproduto que não conseguimos aproveitar em nossa usina é o sal. Todo o resto – ácidos graxos, borras e a glicerina – usamos na glicerólise. Hoje temos um share de 12% da glicerina refinada no Brasil. Nossa planta refina 50 mil toneladas ao ano”, relata Hammerschmidt.

A empresa planeja manter um único complexo industrial, na Lapa “Somos nascidos e criados na Lapa e cerca de 80% de nossos colaboradores são naturais da cidade. Ficamos orgulhosos de saber que nossa atividade contribuiu para o crescimento do PIB do município em cinco vezes. Além do mais, nossa mão-de-obra já está toda capacitada”, declara.

Quer saber mais sobre empresas do Sul?
Receba diariamente a newsletter do Grupo AMANHÃ. Faça seu cadastro aqui e, ainda, acesse o acervo de publicações do Grupo AMANHÃ.

Grupo paranaense prepara caminho no setor de energia

Mercado financeiro prevê inflação em 10,15%

Para 2022, caiu a previsão de crescimento do PIB de 0,7% para 0,58%

Para o fim de 2022, a estimativa é de que a taxa básica de juros chegue a 11,25% ao ano

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, subiu de 10,12% para 10,15% neste ano. Essa foi a 34ª elevação consecutiva da projeção. A estimativa está no Boletim Focus, pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), com a expectativa das instituições para os principais indicadores econômicos. Para 2022, a estimativa de inflação subiu 4,96% para 5%.

A previsão para 2021 está acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,25% e o superior de 5,25%.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 7,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião do Copom deste ano, nos dias 7 e 8 de dezembro, a previsão do mercado financeiro é que a Selic suba para 9,25% ao ano. Para o fim de 2022, a estimativa é de que a taxa básica chegue a 11,25% ao ano.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Além disso, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

As instituições financeiras consultadas pelo BC reduziram a projeção para o crescimento da economia brasileira este ano de 4,8% para 4,78%. Para 2022, a expectativa para o PIB é de crescimento de 0,58%. Na semana passada, a estimativa de expansão era 0,7%. A expectativa para a cotação do dólar se manteve em R$ 5,50 para o final deste ano. Para o fim de 2022, a previsão é de que a moeda americana também fique nesse patamar.

Quer saber mais sobre indicadores econômicos?
Receba diariamente a newsletter do Grupo AMANHÃ. Faça seu cadastro aqui e, ainda, acesse o acervo de publicações do Grupo AMANHÃ.

Com Agência Brasil 

Para 2022, caiu a previsão de crescimento do PIB de 0,7% para 0,58%

Pix Saque e Pix Troco estão disponíveis a partir de hoje

Cliente poderá fazer saque em locais como padarias e supermercados

O Pix Saque permitirá que os clientes de qualquer instituição participante do sistema realizem saque em um dos pontos que ofertar o serviço

A partir desta segunda-feira (29) passam a valer duas novas modalidades do Pix: Saque e Troco. Os usuários poderão fazer saques em locais como padarias, lojas de departamento e supermercados, não apenas em caixas eletrônicos. Segundo o Banco Central (BC), a oferta dos dois novos produtos da ferramenta aos usuários é opcional, cabendo a decisão final aos estabelecimentos comerciais, às empresas proprietárias de redes de autoatendimento e às instituições financeiras.

O Pix Saque permitirá que os clientes de qualquer instituição participante do sistema realizem saque em um dos pontos que ofertar o serviço. Estabelecimentos comerciais, redes de caixas eletrônicos compartilhados e participantes do Pix, por meio de seus serviços de autoatendimento próprios, poderão ofertar o serviço. Para ter acesso aos recursos em espécie, o cliente fará um Pix para o agente de saque, em dinâmica similar à de um Pix normal, a partir da leitura de um QR Code ou do aplicativo do prestador do serviço.

No Pix Troco, a dinâmica é praticamente idêntica. A diferença é que o saque de recursos em espécie pode ser feito durante o pagamento de uma compra ao estabelecimento. Nesse caso, o Pix é feito pelo valor total, ou seja, da compra mais o saque. No extrato do cliente aparecerá o valor correspondente ao saque e à compra.

O limite máximo das transações do Pix Saque e do Pix Troco será de R$ 500 durante o dia e de R$ 100 no período noturno (das 20h às 6h). De acordo com o BC, haverá, no entanto, liberdade para que os ofertantes dos novos produtos do Pix trabalhem com limites inferiores a esses valores, caso considerem mais adequado aos seus fins.

De acordo com o BC, não haverá cobrança de tarifas para clientes pessoas naturais (pessoas físicas e microempreendedores individuais) por parte da instituição detentora da conta de depósitos ou da conta de pagamento pré-paga para a realização do Pix Saque ou do Pix Troco em até oito transações mensais. A partir da nona transação realizada por mês, as instituições financeiras ou de pagamentos detentoras da conta do usuário pagador podem cobrar uma tarifa pela transação.

O valor da tarifa cobrada é de livre estabelecimento pela instituição e deve ser informado ao usuário pagador antes da etapa de confirmação da transação. “Os usuários nunca poderão ser cobrados diretamente pelos agentes de saque”, destacou a instituição.

O BC explica ainda que os quatro saques tradicionais gratuitos realizados pelo usuário fora do âmbito do Pix Saque e Pix Troco podem ser descontados da franquia de gratuidades (oito por mês). Ou seja, se o usuário realizar um saque da sua conta, sem ser por meio do Pix Saque ou Pix Troco, esse saque poderá ser contabilizado e sua franquia de gratuidades poderá ser reduzida de oito para sete, a critério da instituição.

Para o comércio que disponibilizar o serviço, as operações do Pix Saque e do Pix Troco representarão o recebimento de uma tarifa que pode variar de R$ 0,25 a R$ 0,95 por transação, a depender da negociação com a sua instituição de relacionamento.

Quer saber mais sobre tecnologia?
Receba diariamente a newsletter do Grupo AMANHÃ. Faça seu cadastro aqui e, ainda, acesse o acervo de publicações do Grupo AMANHÃ.

Com Agência Brasil 

Cliente poderá fazer saque em locais como padarias e supermercados

Matriz catarinense mostra 12 regiões no nível moderado

Nenhuma regional foi classificada nos níveis de risco grave ou gravíssimo

A taxa de ocupação de leitos de UTI de pacientes com diagnóstico de Covid-19 em Santa Catarina é de 21%

Pela oitava semana consecutiva, nenhuma região do estado foi classificada nos níveis de risco grave (laranja) ou gravíssimo (vermelho). A matriz de risco potencial regionalizado divulgada neste sábado (27) aponta 12 regiões como risco potencial moderado (cor azul) e cinco regiões como risco potencial alto (cor amarela).

A última vez que a matriz classificou uma região no nível grave foi no dia 1º de outubro, e no nível gravíssimo no dia 11 de setembro. De lá para cá houve avanço na vacinação que, alinhado a uma menor taxa de ocupação de leitos de UTI Adulto com pacientes com Covid-19, vem mantendo a tendência de redução da gravidade da pandemia em todas as regiões.

Houve melhora nos indicadores das regiões Carbonífera, a partir da redução no número de óbitos aliada a uma baixa ocupação de leitos de UTI Adulto com pacientes Covid-19, e na região de Xanxerê, a partir da redução no número de óbitos aliada a redução da taxa de hospitalizações (casos graves) de Covid-19, resultando na melhora na dimensão gravidade.

Com isso, estas regiões, que na semana anterior estavam classificadas como nível alto (amarelo), passaram a ser classificadas como moderado (azul), se juntando regiões do Alto Uruguai Catarinense, Alto Vale do Rio do Peixe, Extremo Oeste, Foz do Rio Itajaí, Laguna, Médio Vale do Itajaí, Meio-Oeste, Planalto Norte, Serra Catarinense e Vale do Itapocu, que se mantiveram no nível moderado.

Por outro lado, houve uma piora nos indicadores das regiões do Alto Vale do Itajaí, a partir da elevação no número de óbitos e detecção de casos novos, na região da Grande Florianópolis, a partir da elevação da taxa de infectividade (casos ativos), detecção de casos novos e ocupação de leitos de UTI Adulto, e na região Oeste, a partir da elevação na detecção de casos novos e ocupação de leitos de UTI Adulto.

Com isso, estas regiões, que na semana anterior estavam classificadas como moderado (azul), passaram a ser classificadas como nível alto (amarelo), juntamente com as regiões Extremo Sul e Nordeste, que permaneceram no nível alto.

Ocupação de leitos de UTI
A taxa de ocupação de leitos de UTI Adulto de pacientes com diagnóstico de Covid-19 em Santa Catarina é de 21% no total, com uma ocupação de 298 leitos num total de 1.446 disponíveis, o que classifica a capacidade de atenção do Estado como nível alto.

Em relação a regiões, somente a Nordeste e Oeste estão com uma ocupação acima de 40%, com 101 leitos ocupados dos 189 leitos disponíveis (53%) na região Nordeste e 21 leitos ocupados dos 52 disponíveis (40%) na região Oeste, sendo classificados como nível de risco grave. Grande Florianópolis, Extremo Oeste, Xanxerê e Laguna estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Adulto com pacientes diagnosticados com Covid-19 entre 20 a 40%, sendo classificados como risco alto, e as demais estão todas abaixo de 20%, sendo classificados no nível de risco moderado.

A análise deste indicador torna possível uma melhor gestão da ocupação de leitos de UTI no estado, servindo tanto para monitorar a situação de gravidade da pandemia no estado de forma regionalizada, quanto servindo de parâmetro para a retomada das cirurgias eletivas que foram paralisadas durante o período mais crítico da pandemia.

Nenhuma regional foi classificada nos níveis de risco grave ou gravíssimo

Busca por crédito no Sul registra retração em outubro

Índice avançou 5,6% no país no mês passado

O aumento da inflação encareceu a vida dos consumidores

A procura dos consumidores brasileiros por linhas de crédito cresceu 5,6% em outubro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2020. Apesar disso, os dados mostram a desaceleração da busca pelo recurso financeiro, sendo essa (5,6%) a menor expansão desde o início de 2021, que até então, tinha marcado crescimento de no mínimo 11,2% em janeiro.

De acordo com o Indicador de Demanda do Consumidor por Crédito da Serasa Experian, as regiões Norte e Nordeste tiveram as principais altas do país, impulsionando o índice. O Sul, no entanto, obteve retração na busca de empréstimos. Veja os dados completos nos gráficos abaixo.

Segundo o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, o crédito continua sendo um forte aliado, principalmente, para a parte da população que precisa do recurso para fechar as contas no fim do mês. “O aumento da inflação encareceu a vida dos consumidores que, esgotando seus recursos fixos mensais, precisaram utilizar as linhas de crédito para custear compromissos financeiros essenciais. No entanto, a alta da taxa Selic, também encareceu o acesso ao crédito, por isso, embora as pessoas continuem precisando desse recurso, o mês de outubro registrou o menor percentual do ano”, pondera.

Ainda na comparação ano a ano, a análise por faixa de renda revelou que os consumidores que recebem até R$ 500 por mês continuam sendo aqueles que mais demandam por crédito no país, com alta de 12,4%. Em sequência estão as pessoas que ganham entre R$ 500 e R$ 1.000 mensais, com 5,8%.

Índice avançou 5,6% no país no mês passado

Confiança recua na maioria dos setores da indústria em novembro

A percepção sobre as condições atuais da economia está negativa

ICEI foi heterogêneo entre os setores, o que reflete que as características setoriais estão afetando de forma diferente a confiança

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) recuou em 24 dos 30 setores analisados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na passagem de outubro para novembro deste ano. Apesar da queda, apenas um setor cruzou a linha de 50 pontos, todos os demais permanecem confiantes. Dados acima dessa faixa representam confiança e abaixo, falta de confiança. Em novembro, o ICEI de Produtos de limpeza, perfumaria e higiene pessoal ficou em 49,5 pontos. Ao todo, foram entrevistadas 2.340 empresas entre 3 e 12 de novembro.

A economista da CNI Larissa Nocko explica que o resultado do ICEI foi heterogêneo entre os setores, o que reflete que as características setoriais estão afetando de forma diferente a confiança. O ICEI é resultado da média entre a percepção das condições atuais e das expectativas futuras. Veja os setores mais e menos confiantes nas tabelas ao final desta reportagem.

“Todos os componentes do ICEI caíram. Quando perguntados sobre a percepção das condições atuais da economia, apenas dois setores a avaliaram positivamente: outros equipamentos de transporte e produtos de madeira. O que mantém o indicador da maior parte dos setores acima de 50 pontos, ou seja, em um cenário de confiança, são as expectativas positivas para os próximos seis meses, ainda que menos otimistas do que no mês anterior”, explica Larissa.

As maiores quedas de confiança ocorreram nos setores: móveis (-4,6 pontos), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e outros (-4,0 pontos) e metalurgia (-3,6 pontos). a confiança avançou principalmente nos setores: outros equipamentos de transporte (+3,3 pontos), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+2,9 pontos) e obras de infraestrutura (+2,0 pontos).

Entre novembro de 2020 e novembro de 2021, a confiança subiu em apenas três dos 30 setores pesquisados: Obras de Infraestrutura, produtos farmoquímicos e farmacêuticos e impressão e reprodução de gravações. Nos demais caiu e em alguns despencou.

Como, por exemplo, Produtos de borracha. O indicador passou de 68,2 pontos para 54. O ICEI do setor de Bebidas, que há um ano era de 62,6 pontos, o que indicava uma confiança alta e disseminada, está em 50,2 pontos, muito próximo da linha de corte para a falta de confiança. Vale dizer que, apesar da queda, o ICEI está acima de 50 pontos nesses setores, o que indica confiança.

Outras quedas expressivas são: produtos têxteis (-11,1 pontos), produtos de limpeza, perfumaria e higiene pessoal (-10,1 pontos), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e outros (-9,7 pontos), máquinas e equipamentos (8,8 pontos) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-8,6 pontos).

Quer saber mais sobre indústria?
Receba diariamente a newsletter do Grupo AMANHÃ. Faça seu cadastro aqui e, ainda, acesse o acervo de publicações do Grupo AMANHÃ.

A percepção sobre as condições atuais da economia está negativa

Joinville debate como a tecnologia pode desenvolver a eficiência urbana

Evento no Ágora Tech Park apresentará ideias para transformar cidades em territórios inovadores

Toda a agenda relacionada ao tema Smart Cities está intimamente ligada à tecnologia, inovação e planejamento

A expansão do conceito de cidades inteligentes com soluções tecnológicas para melhoria da qualidade de vida, especialmente em municípios de menor porte, e a integração entre entidades vinculadas ao setor público e o ecossistema de inovação são os principais objetivos do Summit Cidades 2021, evento presencial que acontece entre 9 e 10 de dezembro, no Ágora Tech Park, em Joinville (SC).

Sob o tema “tecnologia e inovação para desenvolver eficiência urbana”, o encontro traz ideias, conceitos, práticas e projetos com o objetivo de transformar as cidades em territórios inovadores, humanos, criativos e sustentáveis. O Summit Cidades é uma realização conjunta da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese), Consórcio de Informática na Gestão Pública Municipal (CIGA), Câmara de Smart Cities da Fiesc e Perini City Lab, ambiente de inovação para cidades inteligentes do Ágora Tech Park.

O encontro vai reunir especialistas em smart cities e entidades catarinenses como o Ciga, Consórcio Interfederativo Santa Catarina (Cincatarina) e a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Aris), além de debates com líderes da Câmara de Cidades Inteligentes da FIiesc e da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese), entre outros. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas neste link.

“O evento é importantíssimo para os gestores públicos e sociedade, pois apresentará ideias, conceitos, práticas e projetos, com o objetivo de tornar as cidades territórios inovadores, humanos, criativos e sustentáveis, promovendo a eficiência urbana e a melhoria da qualidade de vida para sociedade”, explica Marcelino Ito, Superintendente da Fepese.

Na tarde de abertura, cinco painéis com especialistas em smart cities e entidades do setor público e privado vão debater meio ambiente, sustentabilidade e energia; mobilidade urbana; desenvolvimento econômico e inclusão social; qualidade de vida e formação de capital humano; inteligência artificial e segurança da informação. Entre os convidados, representantes de prefeituras, universidades e grandes empresas (Renault, Petinelli Inc, Coringa Segurança e TopMed), além de startups locais, como GoMoov.

“Toda a agenda relacionada ao tema Smart Cities está intimamente ligada à tecnologia, inovação e planejamento, pois investir em tecnologias sem um planejamento tende a ser desperdício de recursos “, comenta Jean Vogel, presidente da Câmara de Smart Cities da Fiesc, diretor de novos negócios no Ágora Tech Park e curador do conteúdo do evento.

Na sexta-feira (10), serão apresentadas as experiências dos living labs, em que as cidades são ambientes de desenvolvimento e testes de soluções urbanas, além de debates sobre a transformação digital no setor público e modelos inovadores de compras para os municípios. Para Silvio Zancanaro, presidente do Ciga e prefeito de Campos Novos (SC), a troca de experiências no evento pode complementar as ações da entidade que criou neste ano um projeto específico de ações nesta área, o Smart Ciga. O Ciga é o maior consórcio de tecnologia do Brasil e tem 294 municípios associados em Santa Catarina. “A gente percebe que cidades estão sedentas para levar melhoria de qualidade de vida através da inovação para seus municípios”, afirma Zancanaro.

O consórcio também vai se reunir durante o evento com um grupo de contratação de tecnologia dos municípios para tentar tornar os editais mais ágeis e seguros, além de trocar experiência com grupos de transformação digital dos municípios e a Câmara de Cidades Inteligentes da Fiesc. “É um misto de ver e discutir o futuro e o que vem pela frente, mas também com um pé no prático do serviço público que tem que cumprir todas as questões legais e burocráticas”, aponta o presidente do Ciga.

“A inovação surge destes encontros de ideias e isso tem que ser feito olho no olho”, diz Beto Marcelino, fundador da iCities Smart Cities Solutions, empresa que representa no Brasil a Fira Barcelona, maior encontro mundial de Cidades Inteligentes do mundo, o Smart City Expo World Congress. Ele abre a programação com uma palestra sobre a edição 2021 do evento catalão, na quinta-feira (9). “É um conjunto de clusters que faz com que a velocidade de criação de cidades inteligentes seja mais rápida. São elementos combinados em prol da qualidade de vida das pessoas e é isso que esperamos de um evento como este”, avalia Marcelino.

Quer saber mais sobre cidades inteligentes?
Receba diariamente a newsletter do Grupo AMANHÃ. Faça seu cadastro aqui e, ainda, acesse o acervo de publicações do Grupo AMANHÃ.

Evento no Ágora Tech Park apresentará ideias para transformar cidades em territórios inovadores

Estados buscarão transição em regra que muda cobrança de ICMS de energia e telecomunicações

O caso envolveu uma ação em Santa Catarina, com repercussão geral para todo o país

O STF definiu que os Estados não podem cobrar alíquota de ICMS sobre energia elétrica e telecomunicações em percentual acima do cobrado em outros produtos

O Fórum Nacional de Governadores e o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda, Finanças, Receita e Tributação (Comsefaz), com as procuradorias-gerais dos Estados, buscarão no Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de modulação em relação à decisão acerca do ICMS de energia e telecomunicações.

O STF definiu que os Estados não podem cobrar alíquota de ICMS sobre energia elétrica e telecomunicações em percentual acima do cobrado em outros produtos. Isso significa alíquota de 17% para todos os Estados. O caso envolveu uma ação em Santa Catarina, com repercussão geral para todo o país. De acordo com cálculos do Comsefaz, a mudança significará perda de R$ 27 bilhões por ano para os Estados, impactando também os municípios.

O Comsefaz afirma que a decisão impactará profundamente as finanças públicas, “pois reduzirá a possibilidade de tributação na energia elétrica e nas comunicações que representam os setores que mais trazem arrecadação aos entes, juntamente com os combustíveis”. De acordo com os gestores, a implementação precoce do limite máximo de 17% de alíquota de afetará as verbas disponíveis para investimentos públicos.

Os secretários solicitam ao STF que seja prevista uma modulação dos efeitos da medida, alinhando ao prazo de vigência dos Planos Plurianuais (PPAs) de todas as unidades federativas e núcleos de gestão municipal impactados. Ou seja, que essa redução do ICMS passe a valer a partir de 2024, quando será elaborado o novo PPA, já considerando a mudança sobre as receitas. As procuradorias-gerais dos Estados também acompanham o tema, cuja votação, embora já definida, ficou suspensa até definição do início da vigência.

Os secretários da Fazenda destacam que o PPA é o instrumento fundamental de planejamento de médio prazo, pensado para um período de quatro anos, em que são estimadas as metas e programas a serem cumpridos no período. “Dessa forma, caso não seja possível a modulação, todos os PPAs aprovados em 2020, com vigência a partir deste ano, e válidos até 2024, restarão inviabilizados em suas diretrizes, objetivos e metas”, relata a carta do Comsefaz.

Na carta, os gestores estaduais também destacam o impacto catastrófico não só para os Estados e Distrito Federal, mas também para os municípios, que recebem 25% da arrecadação do ICMS, sendo em muitos casos a mais representativa fonte de financiamento das políticas públicas.

Quer saber mais sobre tributos?
Receba diariamente a newsletter do Grupo AMANHÃ. Faça seu cadastro aqui e, ainda, acesse o acervo de publicações do Grupo AMANHÃ.

O caso envolveu uma ação em Santa Catarina, com repercussão geral para todo o país

Juros cobrados de empresas e famílias sobem em outubro

Taxa chegou a 32,8% ao ano, a maior desde março de 2020

A alta dos juros bancários ocorre em um período de aumento da taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Copom

As taxas de juros dos empréstimos nos bancos subiram em outubro, segundo a pesquisa Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central (BC). Nas operações com taxas livremente definidas pelos bancos, a taxa média cobrada de empresas e famílias ficou em 32,8% ao ano, aumento de 2,2 pontos percentuais em relação a setembro, quando estava em 30,6% ao ano. Essa é a maior taxa desde março de 2020 (33,3% ao ano).

As famílias pagaram taxa média de 43,8% ao ano, com alta de 2,1 pontos percentuais em relação a setembro, e as empresas, 19,1% ao ano, aumento de 2 pontos percentuais. Em 12 meses, as altas foram de 4,8 pontos percentuais para as pessoas físicas e de 7,1 pontos para as empresas.

No caso das famílias, o BC destacou os aumentos das taxas do crédito pessoal não consignado (6,2 pontos percentuais, chegando a 83,6% ao ano, em outubro), crédito pessoal consignado para servidores públicos (0,9 ponto percentual, com taxa de 17,9 % ao ano) e cartão de crédito rotativo (4,1 pontos percentuais; taxa de 343,6% ao ano). O cheque especial ficou com taxa de 128,8% ao ano, recuo de 0,8 ponto percentual em relação a setembro.

No crédito às empresas, o destaque ficou para os crescimentos nos custos de contratação de desconto de duplicatas e outros recebíveis (1,5 ponto percentual, com taxa em 14,2% ao ano), capital de giro com prazo menor que 365 dias (6 pontos percentuais; taxa de 22,1% ao ano) e capital de giro com prazo superior a 365 dias (2 pontos percentuais, com juros em 19% ao ano). A inadimplência, considerados atrasos acima de 90 dias, do crédito livre para pessoas físicas chegou a 4,3%, com alta de 0,1 ponto percentual em relação a setembro. A inadimplência das empresas permaneceu em 1,6%.

A alta dos juros também foi observada nas operações de crédito direcionado, que têm regras definidas pelo governo e é destinado basicamente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito. A taxa média para pessoas físicas subiu 0,4 ponto percentual para 7,7% ao ano. Para as empresas, a alta, no mês, foi de 1,3 ponto percentual para 10,8% ao ano. A inadimplência do crédito consignado ficou estável em 1% para pessoas jurídicas e 1,4% para as famílias.

Taxa básica
A alta dos juros bancários ocorre em um período de aumento da taxa básica de juros, a Selic, atualmente definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, em 7,75% ao ano. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Os bancos também consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como inadimplência, lucro e despesas administrativas.

O crédito do Sistema Financeiro Nacional totalizou R$ 4,5 trilhões em outubro, aumento de 1,5% em relação ao mês anterior. De acordo com o BC, esse desempenho refletiu altas de 0,9% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$ 1,9 trilhão) e de 1,9% na de famílias (R$ 2,6 trilhões), em outubro comparado ao mês anterior.

Em relação a outubro de 2020, o crédito se elevou 16%, mesmo desempenho do mês anterior. Segundo o BC, nessa comparação de 12 meses, o crédito destinado às empresas desacelerou, passando de 11,7% (em 12 meses encerrados em setembro), para 11,4% (12 meses encerrados em outubro), enquanto o destinado às famílias continuou em expansão, de 19,5% para 19,7%.

O saldo do crédito livre às empresas somou R$ 1,2 trilhão, com aumentos de 1,2% no mês e de 15,9% em 12 meses, com destaque para as modalidades de antecipação de faturas de cartão de crédito (5,5%), capital de giro com prazo superior a 365 dias (0,9%) e financiamento às exportações (3%).

Para as pessoas físicas, o crédito livre atingiu R$ 1,4 trilhão em outubro, altas de 2,2% em relação ao mês anterior e de 21,3% na comparação interanual. O BC destacou que houve “evolução nas principais carteiras do segmento”, como as de cartão de crédito (4,2%), crédito pessoal não consignado (4,1%), crédito pessoal consignado para servidores públicos (1%) e financiamentos para a aquisição de veículos (1,2%).

O saldo das operações de crédito direcionado destinado às empresas atingiu R$ 695 bilhões no mês, com expansão mensal de 0,6% e crescimento interanual de 4,2%. No crédito direcionado às famílias, o saldo totalizou R$ 1,2 trilhão em outubro, com variações positivas de 1,5% no mês e de 17,8% em 12 meses, “fomentado pela continuidade do desempenho favorável do crédito rural com taxas reguladas (2,9%) e dos financiamentos imobiliários com taxas reguladas (1,1%)”.

As novas contratações de crédito do sistema financeiro atingiram R$ 428,9 bilhões em outubro. Na série com ajuste sazonal, o fluxo aumentou 1,7% no mês, com expansão de 5,1% nas concessões a pessoas jurídicas e alta de 0,1% para pessoas físicas.

Quer saber mais sobre economia?
Receba diariamente a newsletter do Grupo AMANHÃ. Faça seu cadastro aqui e, ainda, acesse o acervo de publicações do Grupo AMANHÃ.

Com Agência Brasil

Taxa chegou a 32,8% ao ano, a maior desde março de 2020

CSN adquire Metalgráfica Iguaçu

Valor do negócio ainda será fechado

A Metalgráfica Iguaçu é uma das grandes fabricantes de embalagens de aço para alimentos do país, localizada em Ponta Grossa

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) firmou acordo de incorporação integral da Metalgráfica Iguaçu, uma das grandes fabricantes de embalagens de aço para alimentos do país, localizada em Ponta Grossa (PR). Segundo fato relevante divulgado pela CSN, as duas companhias vão combinar suas operações de fabricação de embalagens de aço.

A CSN é dona da Prada, que atua nesse setor, e única fabricante nacional de folhas metálicas (chapas estanhadas) do país. Ou seja, a siderúrgica é fornecedora do material usado no processo de produção de embalagem em aço. A operação vai tornar a Iguaçu subsidiária integral da CSN.

Além disso, em contrapartida à incorporação de 100% de ações da Metalgráfica, seus acionistas receberão papéis da CSN a serem emitidas num aumento de capital, que prevê diluição máxima de 0,03% do capital social.

As companhias informaram que será considerado valor econômico da Metalgráfica, em avaliação de empresa especializada. No caso da CSN, preço médio das ações nos últimos 30 pregões. A dívida financeira da Metalgráfica é de aproximadamente R$ 80 milhões.

A CSN destacou que a operação é um passo estratégico para ampliar a capacidade de produção de sua divisão de embalagens, já que a tecnologia utilizada pela Metalgráfica é mais moderna.

Valor do negócio ainda será fechado

Três setores têm quase metade da receita em 500 MAIORES DO SUL

No entanto, eles seguem desafiados a obter melhores margens de lucro

Um setor que está bem posicionado tanto em vendas como em rentabilidade é Energia, o quarto que mais fatura e o terceiro com maior lucratividade

Um olhar atento nas duas tabelas ao final desta reportagem revela quais foram os setores que, em 2020, apresentaram vultosas receitas – e lucros idem. O já forte agronegócio do Sul mostra sua musculatura com as 32 cooperativas de produção presentes no ranking. Juntas, elas venderam R$ 125,8 bilhões em 2020, um valor 54,9% maior do que fizeram no exercício de 2019. Nesta edição, são seis cooperativas a mais do que no ranking anterior, fator que contribuiu para o alcance da maior receita líquida entre todos os segmentos presentes em 500 MAIORES DO SUL, ranking exclusivo publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC.

Clique aqui e veja como foi o evento de lançamento e premiação de 500 MAIORES DO SUL.

Entre elas estão as catarinenses Copercampos e Copérdia, além das gaúchas Cotrijal, Cotripal, Cotrijuc e a Cotribá, de Ibirubá, a cooperativa mais antiga do Brasil, com 110 anos de existência. A Cotribá tem mais de 8 mil associados, muitos dos quais micro e pequenos, atua em 24 municípios gaúchos e faturou R$ 1,5 bilhão no ano passado. Porém, o cooperativismo da região não se destacou pela capacidade de produzir lucros. Tanto é assim que as cooperativas obtiveram apenas uma margem de 4,4%, índice que as deixam entre os últimos lugares nesse quesito, de acordo com a análise feita pela PwC.

Com 34 representantes, o setor de Alimentos e Bebidas foi o segundo que mais faturou, totalizando R$ 112,7 bilhões, um avanço de 21%. Além de ter a Bunge e a BRF, a líder e a vice do ranking geral, o segmento é um campeão recorrente de vendas em 500 MAIORES DO SUL. No entanto, o mesmo mal que aflige o pujante cooperativismo também respinga no setor de alimentos, ainda que a margem seja quase o dobro (8,5%) das cooperativas.

O comércio – que sofreu reveses com o fechamento de lojas para conter a disseminação do coronavírus – tem a terceira maior soma de receitas, com R$ 85,4 bilhões. O varejo apresentou rentabilidade de 5,6% em 500 MAIORES DO SUL. Esses três setores, somados, venderam R$ 323,9 bilhões em 2020, quase metade (43,9%) da receita das 500 MAIORES DO SUL no período. Um setor que está bem posicionado tanto em vendas como em rentabilidade é Energia, o quarto que mais fatura e o terceiro com maior lucratividade (23,5% da receita).

Quando, aliás, a lupa recai sobre os setores campeões em rentabilidade, a receita com vendas não se mostra tão exuberante. O setor de Madeira e Cultivo Florestal, líder em rentabilidade (nada menos que 41,7%), é um exemplo nítido disso. Companhias que lidam com florestas plantadas realizam, de tempos em tempos, operações de reavaliação de ativos biológicos – e essa manobra provoca saltos artificiais em seus balanços patrimoniais. Ativos biológicos são nada mais que as florestas propriamente ditas – de eucaliptos, pinus, etc. Quando essas florestas são plantadas, elas têm um determinado valor. Depois que se desenvolvem, porém, passam a valer muito mais – daí as reavaliações.

O valor acrescido impacta as colunas de receita líquida e lucro líquido, ambos decorrentes da comercialização desses ativos. É o caso da Brochmann Pollis, de Curitibanos (SC), cujo lucro (R$ 80,7 milhões) ficou quase igual a sua receita (R$ 94,6 milhões). Papel e Celulose desponta como um segmento com grande margem de lucro – nada menos que 30%. Mas neste caso não se trata de uma questão contábil, e sim de conjuntura. A produção brasileira de celulose atingiu cerca de 21 milhões de toneladas em 2020, o segundo maior volume da história, conforme dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que reúne os produtores de celulose, papel, painéis e pisos de madeira e florestas no país. Conforme a Ibá, a China permanece principal destino da celulose produzida no Brasil, com importações de US$ 2,9 bilhões em 2020, queda de 11,7% na comparação com 2019, explicada pelo recuo dos preços da matéria-prima. A América Latina foi o maior mercado de exportação de painéis de madeira, com US$ 142 milhões no ano.

O setor se organizou rapidamente para enfrentar a pandemia e manteve as operações em segurança. “Papeis para higiene e papel cartão para embalagem também cresceram. O mesmo movimento se deu em painéis de madeira, que, com o aumento de adesão do modelo home office, passou a ser item desejado para um espaço confortável e adequado para o trabalho remoto”, avalia Paulo Hartung, presidente-executivo da entidade.

No entanto, eles seguem desafiados a obter melhores margens de lucro

A reforma do imposto sobre a renda: um impasse permanente

O Brasil é um dos poucos países do mundo que concentra toda tributação do lucro ao nível das empresas

Em algum momento, será necessário buscar um consenso em torno dessa reforma, que tem por objetivo alinhar o modelo brasileiro de tributação dos lucros à realidade internacional

A aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei que altera a legislação do imposto sobre a renda, com apoio, inclusive, de partidos de oposição, não resolveu o impasse em torno da reintrodução da taxação de dividendos, adotada pelo Brasil desde 1996. Na prática, a proposta de reduzir o IRPJ e, simultaneamente, retomar a tributação de lucros distribuídos, não agradou nem a contribuintes (que consideram que a medida geraria aumento da carga tributária) e tampouco a governos de estados e municípios, que temem uma queda de arrecadação em função da medida.

Essa aparente contradição se explica porque os empresários calculam a carga tributária que suportarão, se aprovada a reforma, a partir da soma da carga tributária ao nível da empresa (26% de IRPJ e CSLL) às alíquotas que passariam a pagar como pessoa física, incidentes sobre dividendos distribuídos (15%). A combinação dessas duas parcelas ultrapassa os 34% hoje incidentes sobre o lucro das empresas.

Os governos subnacionais e a própria Receita Federal, porém, estimam que a nova taxação estimulará a retenção, pelas empresas, de parte significativa dos seus lucros e que, com isso, o ganho efetivo de arrecadação sobre dividendos será menor do que a perda certa que ocorrerá com a redução das alíquotas de IRPJ. Como Estados e municípios têm direito a receber 46% da arrecadação de imposto de renda, seus representantes vêm se opondo também à aprovação da reforma nos termos propostos pela Câmara.

Diante das polêmicas e incertezas, o relator da reforma no Senado, Angelo Coronel (PSD), tem sinalizado a intenção de adiar a deliberação sobre o tema para 2022 ou 2023, no início do próximo governo. Porém, em algum momento, será necessário buscar um consenso em torno dessa reforma, que tem por objetivo alinhar o modelo brasileiro de tributação dos lucros à realidade internacional.

O Brasil é um dos poucos países do mundo que concentra toda tributação do lucro ao nível das empresas, isentando as pessoas físicas no momento da distribuição de dividendos. Se, por um lado, esse modelo parecer ser mais cômodo e simples para o Fisco, por outro lado se tornou inviável em um contexto mundial em que a maioria dos países tem reduzido significativamente a taxação ao nível das empresas devido à guerra fiscal internacional.

Até poucos anos atrás, a alíquota de 34% cobrada das empresas pelo Brasil não era anormal, mas hoje vários países que adotavam uma tributação nesse patamar a reduziram para algo entre 20% e 25%, compensando a perda de arrecadação com aumento de alíquotas de imposto sobre as pessoas físicas.

Se nosso país não caminhar na mesma direção, provavelmente perderá muitos investimentos, mas essa transição de modelo e paradigma não pode ocorrer de forma açodada, exigindo cautela e transparência para que tanto contribuintes quanto governos se sintam seguros sobre os efeitos do que virá pela frente.

*Mestre e Doutora em Direito Tributário. Advogada no escritório Magadan e Maltz, em Porto Alegre 

O Brasil é um dos poucos países do mundo que concentra toda tributação do lucro ao nível das empresas