Archives Janeiro 2025

Desemprego em novembro chega a 6,1%, menor índice desde 2012

Dados são da pesquisa PNAD Contínua, do IBGE

A indústria subiu 2,4%, ou seja, mais 309 mil pessoas, e a construção se expandiu em 3,6%, mais 269 mil pessoas

A taxa de desocupação no Brasil chegou a 6,1%, com o recuo de 0,5 ponto percentual (p.p.) no trimestre encerrado em novembro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a menor taxa da série histórica da PNAD Contínua, iniciada no primeiro trimestre de 2012. A queda é em comparação ao trimestre de junho a agosto, quando ficou em 6,6% e caiu 1,4 p.p. em relação ao mesmo trimestre de 2023, que foi de 7,5%. A taxa equivale a 6,8 milhões de pessoas em busca de emprego no país, o que representa o menor contingente desde o trimestre terminado em dezembro de 2014. Em um trimestre, 510 mil pessoas deixaram o desemprego. Ante o mesmo trimestre de 2023, 1,4 milhão de pessoas saíram da população desocupada. A pesquisa indicou ainda que a taxa de desocupação alcançou 8,8 pontos percentuais abaixo do recorde da série histórica da PNAD Contínua, que ficou em 14,9%, atingido no trimestre encerrado em setembro de 2020. Já o número de desocupados está 55,6% abaixo do recorde da série de 15,3 milhões, verificado no primeiro trimestre de 2021. Os dois períodos foram durante a pandemia da covid-19.

As pessoas ocupadas somaram 103,9 milhões, sendo um novo recorde no país. Antes disso, essa população havia caído ao menor contingente na série histórica, somando 82,6 milhões no trimestre encerrado em agosto de 2020. De lá para cá, houve alta de 25,8%, o equivalente a 21,3 milhões de pessoas a mais no mercado de trabalho. Com o desempenho da ocupação no trimestre terminado em novembro, o Brasil tem recorde também entre os empregados no setor privado, que atingiu 53,5 milhões, e os trabalhadores com carteira assinada, que alcançaram 39,1 milhões. No setor público, foram 12,8 milhões de trabalhadores. Segundo o IBGE, novamente, o nível de ocupação, que é a proporção de pessoas com 14 anos de idade ou mais que estavam trabalhando, foi recorde também, chegando a 58,8%.

Outro dado da pesquisa é sobre o número de empregados sem carteira assinada, que não teve variação significativa no trimestre e permaneceu em 14,4 milhões. Já o total de trabalhadores por conta própria avançou 1,8% no trimestre ou 25,9 milhões e ficou estável no ano. Com 38,7%, a taxa de informalidade equivale a 40,3 milhões de trabalhadores. “Essa taxa está ligeiramente abaixo da registrada no trimestre anterior [38,8%] e foi menor que a do mesmo período de 2023 [39,2%]”, informou o IBGE.

Grupos
A alta da ocupação foi puxada por quatro dos dez grupamentos de atividade investigados pela pesquisa. A indústria subiu 2,4%, ou seja, mais 309 mil pessoas; a construção se expandiu em 3,6%, mais 269 mil pessoas; o setor de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde Humana e serviços sociais avançou 1,2%, mais 215 mil pessoas; e os serviços domésticos, com alta de 3%, empregou mais 174 mil pessoas. Conforme o IBGE, a soma dessas atividades econômicas representou um ganho de 967 mil trabalhadores no trimestre.

Na comparação com o mesmo período de 2023, a alta foi em sete grupamentos: indústria geral (3,6%, ou mais 466 mil pessoas), construção (6%, ou mais 440 mil pessoas), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (3,6%, ou mais 692 mil pessoas), transporte, armazenagem e correio (5,8%, ou mais 322 mil pessoas), informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (4,4%, ou mais 548 mil pessoas), administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (4,4%, ou mais 790 mil pessoas) e outros serviços (5%, ou mais 270 mil pessoas). Somadas, essas sete atividades econômicas ganharam mais 3,5 milhões de trabalhadores, frente ao mesmo período de 2023. Na mesma comparação, o grupamento de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura caiu 4,4%, ou menos 358 mil pessoas, enquanto os demais grupamentos ficaram estáveis.

Rendimento
O rendimento real habitual de todos os trabalhos atingiu R$ 3.285 e ficou estável no trimestre, mas apresentou crescimento de 3,4% no ano. A massa de rendimento real habitual teve novo recorde, ao atingir R$ 332,7 bilhões. A alta é de 2,1%, o que representa mais R$ 7,1 bilhões no trimestre e de 7,2%, mais R$ 22,5 bilhões, no ano. Na comparação trimestral, apenas o grupamento transporte, armazenagem e correio registrou alta no rendimento médio, de 4,7%, ou mais R$ 141. Não houve variações significativas no rendimento médio dos demais grupamentos de atividade. No ano, três atividades tiveram alta no rendimento: comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (3,9%, ou mais R$ 102); transporte, armazenagem e correio (7,8%, ou mais R$ 229) e serviços domésticos (3,6%, ou mais R$ 43), com estabilidade nos demais grupamentos. 

Sobre a PNAD Contínua
A PNAD Contínua é o principal instrumento para monitoramento da força de trabalho no país. A amostra da pesquisa por trimestre no Brasil corresponde a 211 mil domicílios pesquisados. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham na pesquisa, em 26 estados e Distrito Federal, integrados à rede de coleta de mais de 500 agências do IBGE. Em função da pandemia de Covid-19, o IBGE implementou a coleta de informações da pesquisa por telefone a partir de 17 de março de 2020. Em julho de 2021, houve a volta da coleta de forma presencial.

Dados são da pesquisa PNAD Contínua, do IBGE

Receita Federal irá monitorar dados de cartão de crédito e Pix acima de R$ 5 mil

A regra começou a valer na quarta-feira (1º) e está prevista na Instrução Normativa 2.219, de 2024 do órgão federal

Em nota, a Receita Federal afirma que as medidas têm o objetivo de melhorar o controle e a fiscalização das operações financeiras

As operadoras de cartões de crédito e instituições de pagamento que movimentam recursos financeiros devem prestar informações à Receita Federal sobre operações financeiras de contribuintes. O envio dos dados será semestral. A regra começou a valer na quarta-feira (1º) e está prevista na Instrução Normativa 2.219, de 2024 do órgão federal. Em nota, a Receita Federal afirma que as medidas têm o objetivo de melhorar o controle e a fiscalização das operações financeiras, por meio de uma maior coleta de dados. A norma atualiza e amplia a obrigatoriedade de envio de informações à Receita Federal via e-Financeira, que é o sistema eletrônico da Receita Federal que faz parte do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). A e-Financeira monitora e coleta informações sobre operações financeiras. Os arquivos digitais incluem dados de cadastro, abertura, fechamento, operações financeiras e previdência privada.

As instituições financeiras tradicionais, como os bancos públicos e privados, financeiras e cooperativas de crédito, já eram obrigadas a enviar à Receita Federal as informações sobre movimentações financeiras de seus clientes, como saldos em conta corrente, movimentações de resgate e investimentos dos correntistas, rendimentos de aplicações e poupanças. Com a mudança que entra em vigor em 2025, a obrigação de prestação de informações relativas às contas pós-pagas e contas em moeda eletrônica passa a ser também de operadoras de cartões de crédito e instituições de pagamento. Estas últimas são empresas autorizadas pelo Banco Central a oferecer serviços financeiros relacionados a pagamentos, como transferências, recebimentos e emissão de cartões. Entre elas estão as plataformas e aplicativos de pagamentos; bancos virtuais; e varejistas de grande porte, a exemplo de lojas de departamentos, de venda de eletrodomésticos; e atacadistas.

As novas entidades listadas na norma da Receita Federal estão obrigadas a apresentar as informações mencionadas quando o montante movimentado no mês for superior a R$ 5 mil, para pessoas físicas; ou R$15 mil, para pessoas jurídicas. Os dados deverão ser apresentados via e-Financeira semestralmente:

· até o último dia útil do mês de agosto, contendo as informações relativas ao primeiro semestre do ano em curso; e

· até o último dia útil de fevereiro, contendo as informações relativas ao segundo semestre do ano anterior.

Desta forma, dados de pagamentos via Pix e cartões de crédito superiores aos valores citados serão informados à Receita Federal – via e-Financeira – em agosto de 2025.

A regra começou a valer na quarta-feira (1º) e está prevista na Instrução Normativa 2.219, de 2024 do órgão federal

Região Sul teve ao menos 170 mil tentativas de fraude em setembro

Paraná seguiu sendo o estado com o maior volume da região

A maior parte das fraudes identificadas foram direcionadas para o setor de “Bancos e Cartões”

Em setembro de 2024, a região Sul do país registrou quase 170 mil tentativas de fraude, segundo o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian. O estado com a maior quantidade no período foi o Paraná (66 mil), seguido do Rio Grande do Sul, com 58 mil. Santa Catarina foi o estado menos visado da região, com 42 mil tentativas de fraude. O Índice também traz a visão dos comportamentos suspeitos identificados nos golpes evitados: em 54,3% das ocorrências foram identificadas “inconsistências relacionadas aos dados cadastrais”, em 33,9% dos casos, “padrões fraudulentos ligados à autenticidade de documentos e validação biométrica” e em 11,8% “comportamentos suspeitos em dispositivos”, como associações anteriores com fraudes, entre outros.

A maior parte das fraudes identificadas pelas camadas de tecnologia da Serasa Experian foram direcionadas para o setor de “Bancos e Cartões” (53,4%). Os consumidores mais visados pelos criminosos são aqueles com idade de 36 a 50 anos (33,2%). “Os brasileiros devem estar vigilantes diariamente, evitando preencher formulários em sites desconhecidos, não clicar em links suspeitos em e-mails e mensagens de texto e nunca emprestar suas contas e documentos a terceiros. Para as empresas, o compromisso é aumentar as camadas de proteção nas etapas mais críticas das jornadas digitais e minimizar atrito na experiência dos seus clientes,” considera o diretor de produtos de autenticação e prevenção à fraude da Serasa Experian, Caio Rocha. 

Ao longo do mês, a média de tentativas a cada milhão de habitantes foi de 4.426. Segundo Rocha, o Indicador de setembro revelou que as regiões mais populosas concentram as tentativas de fraude pelo potencial de ganho financeiro para os criminosos. O Distrito Federal liderou o ranking, seguido por São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Confira a lista completa com números no gráfico abaixo:

Paraná seguiu sendo o estado com o maior volume da região

O marketing da culpa

Ou seriam os consumidores excessivamente sensíveis?

Motivações e inseguranças humanas são a matéria-prima de qualquer obra – artística ou comercial

Exercitar-se e aprender um idioma estão entre suas resoluções para 2025? Entre as suas e as de meio mundo, pode ter certeza. E saiba que o problema maior nem será iniciar as duas atividades, matriculando-se numa academia ou num curso de línguas, e sim perseverar.

Daí que empreendimentos dedicados a esses ramos tenham de ser muito proativos na retenção de seus clientes. A ponto de, às vezes – perdão pelo trocadilho –, passarem do ponto.

É do que se queixam usuários do Duolingo, um aplicativo mundial de ensino de idiomas, e a frequentadora de uma rede brasileira de academias cujo nome não foi revelado. Os primeiros denunciam um suposto tom “passivo-agressivo” em mensagens que irrompem na tela lembrando os inscritos de que não têm acessado o app (“faz tempo que não te vemos”). A segunda queixa-se de um e-mail fazê-la se sentir “uma fracassada” em seu objetivo de emagrecer (“faz 10 dias que não te vemos na academia. Para atingir os resultados dos seus treinos é preciso persistir”).

Há razão nas reclamações? Estaríamos diante de uma espécie de “marketing da culpa”?

Quanto à primeira pergunta, não acredito que a forma pela qual as empresas se dirigiram aos clientes tenha sido desrespeitosa, agressiva ou insultuosa. Se alguém me apresentasse os textos reproduzidos acima, eu os aprovaria sem ressalvas.

Quanto à segunda questão, há de se lembrar que motivações e inseguranças humanas são a matéria-prima de qualquer obra – artística ou comercial. A propaganda se apropria de várias delas, sempre por meio de recursos estilísticos, para consagrar o produto como a resposta para um desejo ou um temor. Assim, beber cerveja ou assinar TV a cabo passaram a ser vendidos como inserção em grupos (“ser brahmeiro é ser guerreiro”; “venha para o mundo dos nets”); desodorantes, como prevenção à rejeição; e cursos profissionais, como sinônimo de ascensão social (um antigo anúncio da ESPM mostrava duas imagens: uma estação de esqui e uma sala de aula, acompanhadas respectivamente pelas frases: “você não vai passar as férias aqui…se não passar as férias aqui”).

Assim, os episódios da Duolingo e da academia revelam mais sobre o consumidor atual, disposto a fazer barulho quando algo o desagrada, do que qualquer abuso na linguagem mercadológica. Vigora, hoje, o que especialistas chamam de uma “epidemia de drama” circulando pelo ambiente virtual: reações exageradas a coisas relativamente banais que antigamente passariam despercebidas.

O que dá margem a uma sugestão: tornar-se menos sensível às miudezas do mundo pode ser uma boa resolução de ano novo. Se malhar ou aprender inglês não forem adiante, cumprir com este objetivo já terá valido 2025.

Feliz ano novo.

Ou seriam os consumidores excessivamente sensíveis?

Mercado financeiro estima inflação de 4,99% em 2025

Boletim Focus projeta dólar a R$ 6 e Selic com 15%, ao final do ano

A estimativa para 2025 é mais pessimista que as previsões oficiais, segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC)

O mercado financeiro mantém as expectativas de alta tanto para a inflação como para a cotação do dólar em 2025. No caso da inflação, essa expectativa de alta se mantém há 12 semanas, culminando, agora, com uma projeção de que, ao final do ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – esteja em 4,99%. Há uma semana, a expectativa do mercado era de que a inflação fechasse 2025 em 4,96%; e há quatro semanas era de que fechasse em 4,59%. Para os anos subsequentes, o mercado trabalha com expectativas inflacionárias de 4,03% em 2026; e de 3,90 em 2027. Os números são do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC).

A estimativa para 2025 é mais pessimista que as previsões oficiais. O governo federal estima um IPCA de 3,1% este ano, segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025 aprovada no Congresso Nacional. Como ainda não foi divulgado o índice oficial da inflação de 2024, o mercado continua a fazer projeções para o ano encerrado. Neste caso, a expectativa para o índice inflacionário caminhou em sentido oposto, reduzindo dos 4,90% projetados há uma semana para 4,89%, segundo o boletim divulgado hoje. O teto para a meta inflacionária estipulada para 2024 é 4,50%.

Selic
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 12,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A alta recente do dólar e as incertezas em torno da inflação e da economia global fizeram o BC aumentar o ritmo de alta dos juros na última reunião do ano, dia 11 de dezembro. A expectativa, portanto, é que a Selic apresente alta já no início de 2025. Diante desse cenário, o mercado financeiro aumentou a projeção dessa taxa básica para o fim deste ano, passando dos 14,75% projetados há uma semana, para os 15% projetados neste boletim mais recente. Há quatro semanas, esta projeção estava em 13,50%. Para os anos subsequentes, o mercado trabalha com uma projeção de 12% em 2026; e de 10% em 2027.

Dólar e PIB
O mercado projeta que, ao final de 2025, o dólar esteja sendo comercializado a R$ 6, mantendo a tendência de alta que vem sendo observada há 10 semanas. Na semana passada, a cotação esperada para o final deste ano era de R$ 5,96; e há quatro semanas era de que a cotação da moeda norte-americana fecharia o ano em R$ 5,77. Para 2026 e 2027, as expectativas se mantêm estáveis, em R$ 5,90 e R$ 5,80, respectivamente. Já as previsões para o Produto Interno Bruto (PIB – a soma dos bens e serviços produzidos no país) de 2025 aumentaram de 2,01% para 2,02%. Há quatro semanas, o mercado projetava crescimento de 2% para o PIB de 2025. Para os PIBs de 2026 e 2027, o mercado projeta crescimentos de 1% e 2%, respectivamente.

Com ABR

Boletim Focus projeta dólar a R$ 6 e Selic com 15%, ao final do ano

Florianópolis tem o maior valor médio de dívidas entre as capitais brasileiras

Dados da FecomercioSP mostram ainda que Florianópolis e Curitiba direcionam mais do que a média nacional do orçamento para dívidas

Segundo a FecomercioSP, esse resultado sugere que os lares estão acessando crédito com custos mais altos, tanto para adquirir itens caros quanto para cobrir despesas do dia a dia

Praticamente um terço (29,6%) dos rendimentos mensais das famílias que vivem nas capitais está comprometido com o pagamento de dívidas, aponta um grande estudo sobre o tema realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A taxa se mantém estável há dois anos: em 2022, era de 30,4%, e no ano passado, de 29,7% —, mostrando-se bastante desigual na comparação entre as cidades. Em Florianópolis e Curitiba, por exemplo, perto da metade (34% e 33%, respectivamente) da renda dos lares é direcionada para arcar com despesas do tipo, ambas acima da média nacional (gráfico 1).

Na avaliação da FecomercioSP, realidades como essas são perniciosas às economias locais e à própria saúde econômica do país, na medida em que, quanto mais endividadas, maior a restrição das famílias não somente para consumir, mas também para investir a médio e longo prazos — ou mesmo para reunir recursos para possíveis emergências. Esses efeitos negativos ainda se somam a particularidades locais que podem ser observadas mais de perto. 

Tão importante quanto observar a parcela do orçamento entregue às dívidas é analisar o valor médio dessas despesas contraídas pelas famílias. Os resultados do estudo da Federação mostram que esse número está em queda há dois anos — de R$ 4.157, em 2022, para R$ 3.981, no ano passado. Agora, chegou a R$ 3.842, uma retração de 7,5% em dois anos. Contudo, ainda assim, o fenômeno se deu de forma desigual entre as capitais. Florianópolis tem o maior valor médio de dívidas entre as capitais (R$ 5.745, vide tabela 1). Com 34% do orçamento familiar comprometido, o município enfrenta uma situação complexa. Segundo a FecomercioSP, esse resultado sugere que os lares estão acessando crédito com custos mais altos, tanto para adquirir itens caros quanto para cobrir despesas do dia a dia, o que aumenta os riscos. O valor médio das dívidas na cidade supera o de São Paulo (R$ 5.021).

No total, de acordo com a pesquisa, hoje, as famílias das capitais brasileiras, juntas, devem quase R$ 50 bilhões em empréstimos, faturas de cartão de crédito, boletos do varejo ou financiamentos de carros e imóveis, entre outras modalidades. Em 2022, esse valor era de R$ 46,9 bilhões.

Gráfico 1

Tabela 1

Dados da FecomercioSP mostram ainda que Florianópolis e Curitiba direcionam mais do que a média nacional do orçamento para dívidas

Paraná prevê investimento de R$ 6 bi em infraestrutura rodoviária para 2025

Investimentos visam posicionar o estado como potência econômica

O Paraná foi o terceiro estado que mais investiu em rodovias no primeiro semestre de 2024, ficando atrás apenas de São Paulo e Bahia

O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) publicou seis editais para execução de obras que deverão ser realizadas em 2025. O valor previsto calcula um investimento próximo de R$ 6 bilhões e faz parte do interesse de expansionismo econômico do Paraná. Em 2023, o estado superou o PIB do Rio Grande do Sul, além de conectar o Sul do país com o Sudeste e Centro-Oeste e fazer fronteira com o Paraguai e a Argentina. Silvio Kasnodzei, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), ressalta que as obras são de extrema importância, pois a infraestrutura limitada restringia o crescimento paranaense. “Estávamos há décadas sem grandes valores para a construção ou ampliação das estradas, mas nestas mesmas décadas se instalaram novas indústrias, outras aumentaram sua produção, mas o investimento público em logística rodoviárias era muito pouco ou nada era feito para acompanhar este movimento.”

Como reflexo do novo momento em que vive, o Paraná também foi o terceiro estado que mais investiu em rodovias no primeiro semestre de 2024, ficando atrás apenas de São Paulo e Bahia e superando Minas Gerais e Rio de Janeiro. “Para os paranaenses, o aprimoramento de algumas vias, principalmente na região de Londrina, e a retomada das conceções dos lotes pedagiados foram marcos importantes”, completa Silvio. O presidente da entidade destacou que o setor está otimista, mas ponderou a necessidade de ampliar os trechos da BR 376 e BR 277, que ligam Ponta Grossa e Guarapuava à Palmeira e se juntam ao se aproximar de Curitiba no trecho que leva ao porto de Paranaguá. “Estamos otimistas com as oportunidades que existem para 2025, principalmente com o estudo do complexo rodoviário no Litoral do PR, que pode viabilizar a ligação das BR 116, BR 277, BR 376 e a PR 508 e, assim, melhorar o acesso aos portos paranaenses. Também aguardamos ansiosamente a liberação da ponte de integração entre o Brasil e o Paraguai”, conclui Kasnodzei.

Investimentos visam posicionar o estado como potência econômica

Micro e pequenas empresas de SC têm melhor resultado de vendas em cinco anos

Pesquisa realizada pelo Sebrae SC revela aumento médio de faturamento de 4,6% no estado

Mais de 60% dos micro e pequenos empresários relataram alta nas vendas durante o terceiro trimestre de 2024

As micro e pequenas empresas de Santa Catarina registraram o melhor resultado de vendas dos últimos cinco anos, segundo estudo do Sebrae SC divulgado em dezembro. A pesquisa mostrou que mais de 60% dos micro e pequenos empresários relataram alta nas vendas durante o terceiro trimestre de 2024, o maior percentual para este período desde 2019. O desempenho também é o melhor para um trimestre desde a reabertura dos negócios após a pandemia.

Conforme o Sebrae SC, dos 60,8% que relatam alta nas vendas no terceiro trimestre de 2024, há níveis diferentes de variação positiva. Cerca de 32,3% do total afirmam ter registrado uma elevação das vendas de até 10%. Já 28,5% disseram perceber um crescimento das vendas acima da marca de 10%. A pesquisa revelou ainda que 20,1% dos entrevistados tiveram queda nas vendas e 19,1% estão no mesmo patamar. A variação média do faturamento entre o segundo e o terceiro trimestre ficou positiva em 4,6%.

A pesquisa revelou ainda que o setor de serviços lidera a alta de vendas, com 65% dos entrevistados relatando elevação de faturamento. O setor de comércio vem na sequência, com 60,3% dos empresários relatando desempenho positivo. Já o setor industrial somou 52,7%. O Sebrae SC destaca que todos os três setores tiveram forte alta no resultado de vendas. Na análise dos portes das empresas, o destaque é para os Microempreendedores Individuais (MEIs). Entre os MEIs entrevistados, 67,9% afirma ter tido aumento de vendas no terceiro trimestre de 2024. O percentual é de 59,3% para Micro Empresas e de 55,2% para Pequenas Empresas, demonstrando um cenário positivo para o empreendedorismo.

Apesar da alta nas vendas, o percentual de empresários que estão realizando investimentos oscilou negativamente. No segundo trimestre de 2024 eram 37,3%, montante que caiu para 35,5% no terceiro trimestre. Ou seja, quatro em cada 10 empresários estão apostando em investir.

Pesquisa realizada pelo Sebrae SC revela aumento médio de faturamento de 4,6% no estado

Mais de 60% dos empresários gaúchos estão confiantes para 2025

Diagnóstico é revelado pela 39ª edição da Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae RS 

A falta de recurso financeiro (44%), de clientes (43%), a alta dos custos (26%) e o endividamento do negócio (18%) foram os fatores que mais afetaram os micro e pequenos negócios no último bimestre

Apesar do cenário não tão positivo no bimestre anterior, a 39ª edição da Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios mostra certo otimismo dos empreendedores gaúchos, uma vez que 62% dos entrevistados estão confiantes na melhoria do seu ramo de atividade e 47% estão confiantes na melhoria da economia do estado para o próximo bimestre. O dado faz parte da 39ª edição da Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae RS entre 1 e 24 de novembro. Nesta edição, a análise abrangeu a situação dos negócios, os desafios enfrentados, o desempenho em termos de faturamento e ocupação, o acesso ao crédito e as expectativas para o próximo bimestre, tanto no contexto econômico quanto no âmbito empresarial. 

O estudo ouviu 442 empreendedores que são clientes do Sebrae RS, atendidos nos meses de setembro e outubro de 2024. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 4,6%. A amostra envolve os segmentos de serviços (54%), comércio (27%) e indústria (19%). Das empresas pesquisadas 48% são MEIs, 37% são microempresas e 15% de pequeno porte. Para 48% dos empresários, há intenção de expandir as atividades nos próximos dois meses. Outros 43% pretendem manter o negócio. A expectativa de um aumento na ocupação, indicado por 29% dos empreendedores, demonstra otimismo em relação ao futuro. Contudo, 46% preferem manter a situação atual. 

A busca de crédito para o negócio é o plano de 37% dos entrevistados para o próximo bimestre, o que possibilitará atender às necessidades de capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, pagamento de dívidas, inovação e energias renováveis. As principais ações para preparar os negócios para as demandas de final de ano são: investimento em marketing digital para aumentar a visibilidade e atrair clientes; planejamento financeiro para garantir fluxo de caixa; criação de promoções e descontos para estimular as vendas; e ajuste de horários para melhorar o atendimento e as entregas.

A falta de recurso financeiro (44%), de clientes (43%), a alta dos custos (26%) e o endividamento do negócio (18%) foram os fatores que mais afetaram os micro e pequenos negócios no último bimestre. Conforme a pesquisa do Sebrae RS, 43% dos entrevistados indicaram redução do faturamento. Para 68%, a queda foi de até 50%. Por outro lado, 24% relataram aumento no faturamento no período. A ocupação de pessoas diminuiu para 30% dos entrevistados e aumentou para 14% dos empreendedores. Atualmente, os maiores desafios para os negócios são aumentar as vendas (59%), equilíbrio financeiro (40%), busca de crédito (30%), aumento dos custos (28%), redução do poder de compra do consumidor (27%) e o planejamento do negócio (27%). 

Conforme dados da Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios do Sebrae RS, 34% dos entrevistados procuraram financiamento para seus negócios e 51% desses buscaram recursos através de linhas emergenciais. O valor médio obtido foi de R$ 81,6 mil por empresa. Os principais motivos para buscar financiamento foram o pagamento de contas, pagamento de dívidas, aquisição de máquinas e equipamentos, compra de estoque e matéria prima e reformas/obras civis.

Diagnóstico é revelado pela 39ª edição da Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae RS 

Portos paranaenses movimentaram 62,2 milhões de toneladas até novembro

Número representa aumento de 5,4% em comparação ao ano passado

Entre as cargas movimentadas de janeiro a novembro de 2024, as importações lideraram o crescimento no período

A movimentação nos portos paranaenses alcançou a marca de 62,2 milhões de toneladas entre os meses de janeiro e novembro de 2024. O número representa um aumento de 5,4% em comparação ao ano passado (59 milhões de toneladas) e aproxima-se, cada vez mais, do recorde anual de movimentação registrado em 2023, de 65 milhões de toneladas. “Há cinco anos estruturamos a logística portuária para um trabalho mais eficiente, focado na produtividade. Além disso, ampliamos o calado da maioria dos berços no Porto de Paranaguá, alcançando a profundidade de 13,1 metros, o que aumentou em cerca de 2 mil toneladas a capacidade de carga operada por navio”, afirmou o diretor-presidente Luiz Fernando Garcia.

O farelo de soja está entre os maiores volumes de exportação. De janeiro a novembro deste ano, foram 5,9 milhões de toneladas, um número 3% superior ao do mesmo período de 2023 (5,7 milhões de toneladas). Atualmente, o Porto de Paranaguá é o segundo maior canal de exportação de farelo de soja do Brasil, representando 27,7% da movimentação nacional. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), a expectativa é que a exportação de farelo de soja em 2024 fique próxima da registrada no ano passado, entre 22,4 e 22,9 milhões de toneladas movimentadas no país. A exportação de açúcar a granel também apresentou crescimento no período. Foram 5,8 milhões de toneladas em 2024, um aumento de 24% em relação a 2023 (4,7 milhões de toneladas). A commodity segue em crescimento constante ao longo de todo o ano. Os principais destinos são Argélia, Indonésia e Irã.

Entre as cargas movimentadas de janeiro a novembro de 2024, as importações lideraram o crescimento no período. Foram 24,3 milhões de toneladas, 21% a mais que em 2023 (20,1 milhões de toneladas). Fertilizantes e contêineres apresentaram o maior volume total. “Foram movimentadas cerca de 10 milhões de toneladas de fertilizantes para importação, número 12% superior ao do mesmo período do ano passado (8,9 milhões de toneladas). Nós seguimos liderando a operação de importação de fertilizantes no país, representando 24,5% da movimentação nacional”, destacou o diretor de operações da Portos do Paraná, Gabriel Vieira. Já os contêineres apresentaram um crescimento de 39%, passando de 4,8 milhões de toneladas em 2023 para 6,7 milhões de toneladas em 2024. O maior volume é da categoria “Outros Produtos”, que engloba mercadorias conteinerizadas não especificadas individualmente nos relatórios e gráficos, como plásticos, produtos químicos e maquinários.

Número representa aumento de 5,4% em comparação ao ano passado

Salário mínimo passa para R$ 1.518 a partir desta semana

Novo valor está de acordo com limites fixados pelo Congresso Nacional

Por essa nova norma – válida entre 2025 e 2030 -, o salário mínimo terá ganho real de 0,6% a 2,5%

A partir desta quarta-feira (1º de janeiro) passa a valer o novo valor de R$ 1.518 para o salário mínimo no Brasil, o que representa aumento de R$ 106 em relação a 2024 (R$ 1.412). Segundo o governo federal, o novo valor incorpora a reposição de 4,84% da inflação de 12 meses apurada em novembro do ano passado (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e mais 2,5% de ganho real. O reajuste está de acordo com a nova regra aprovada pelo Congresso Nacional que condiciona a atualização do salário mínimo aos limites definidos pelo novo arcabouço fiscal. Por essa nova norma – válida entre 2025 e 2030 -, o salário mínimo terá ganho real de 0,6% a 2,5%.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), pela regra anterior o reajuste deveria ser a reposição da inflação mais 3,2% (variação do Produto Interno Bruto em 2023). O reajuste menor vai afetar a remuneração de 59 milhões pessoas que têm o rendimento ligado ao valor do salário mínimo, como empregados formais, trabalhadores domésticos, empregadores, trabalhadores por conta própria e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Impacto direto
O valor do salário mínimo tem impacto direto em despesas do governo federal como os pagamentos das pessoas aposentadas ou pensionistas, cerca de 19 milhões; de quem tem direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), mais de 4,7 milhões; dos trabalhadores com carteira dispensados do serviço, cerca de 7,35 milhões que acionaram o seguro-desemprego (dado de julho de 2024); e os trabalhadores que têm direito ao abono salarial (PIS-Pasep), cerca de 240 mil pessoas no ano passado. Entre 2003 e 2017, o salário mínimo teve 77% de ganho real (acima da inflação). Essa política de reajuste ficou interrompida entre 2018 e 2022. O salário mínimo no Brasil foi criado em 1936, durante o governo do ex-presidente Getúlio Vargas.

Com ABR

Novo valor está de acordo com limites fixados pelo Congresso Nacional

Brasil encerra 2024 com alta de juros, de preços e do dólar e recorde de empregos

Confira resumo da economia brasileira no ano que se encerra a partir dos principais indicadores

Alguns resultados são positivos, mas outros trazem preocupação para a economia brasileira

O ano de 2024 chega ao fim com resultados mistos no campo econômico, com recordes positivos (como o de emprego), mas também números que trazem preocupação para a economia brasileira. Confira abaixo um resumo dos principais indicadores. Alguns, como o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), são referentes ao terceiro trimestre de 2024. Outros, como os relativos ao emprego, alcançam período mais recente, como novembro. 

Emprego
A taxa de desocupação, mais conhecida como desemprego, fechou o trimestre encerrado em novembro em 6,1%. Esse é o menor índice da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso representa 6,8 milhões de pessoas em busca de emprego no país. Já o número de pessoas ocupadas atingiu o recorde de 103,9 milhões. No mesmo trimestre de 2023, a taxa de desocupação era de 7,5%. Em dezembro de 2023, o índice fechou em 7,8%. 

Esse comportamento do mercado de trabalho possibilitou também que o número de pessoas com carteira assinada atingisse o ponto mais alto da série, 39,1 milhões entre agosto e novembro de 2024. Ainda de acordo com o IBGE, a taxa de informalidade foi 38,7% da população ocupada – ou 40,3 milhões de trabalhadores informais. No mesmo período do ano passado, a marca era de 39,2 % (ou 39,4 milhões). Informais são empregados sem carteira assinada ou pessoas que trabalham por conta própria, mas que não são cobertos pela previdência social.

A pesquisa traz ainda dados sobre a renda do trabalhador. Em novembro, o rendimento médio ficou em R$ 3.285, crescimento de 3,4% ante o mesmo período de 2023. A massa de rendimento – somatório do que é recebido pelo conjunto de trabalhadores – foi recorde, R$ 332,7 bilhões, com alta de 7,2% em um ano. Outro dado muito acompanhado por economistas para avaliar o mercado de trabalho é o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e que leva em consideração apenas o emprego formal, ou seja, com carteira assinada. De janeiro a novembro, o Brasil apresentava um saldo positivo de 2,2 milhões de empregos formais. No mesmo período de 2023, o saldo era de 1,9 milhão.

Inflação
Outro indicador econômico que afeta diretamente o bolso do brasileiro é a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chamado também de inflação oficial, acumula nos 12 meses até novembro 4,87%, ficando acima da meta do governo, 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos. É também o maior acumulado desde setembro de 2023. De janeiro a novembro, o IPCA sobe 4,29%. O IPCA-15, que é uma prévia do índice oficial, fechou 2024 em 4,71%.

O IBGE divulgou também que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) somou até novembro 4,84%. O INPC apura a variação do custo de vida para as famílias com renda de até cinco salários mínimos. Já o IPCA, até 40 salários mínimos. O INPC de 12 meses acumulado até novembro serve como indexador para calcular o valor do salário mínimo, o que deve levar o valor para R$ 1.518. Outro índice de inflação bastante acompanhado por economistas e inquilinos é o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). Apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o indicador é comumente chamado de “inflação do aluguel”, pois costuma corrigir anualmente os contratos de moradia. O IGP-M encerrou 2024 em 6,54%, cenário bem diferente de 2023, quando houve deflação de 3,18%.

Juros
O Brasil adota o regime de meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e presidente do Banco Central (BC). A perseguição da meta é conduzida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A alta do IPCA em 2024 e a perspectiva para os anos seguintes fizeram com que o Copom subisse a taxa básica de juros, a Selic, que termina o ano em 12,25% ao ano. Altas do dólar e do preço dos alimentos influenciaram a decisão do comitê. A Selic é um instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Taxa alta faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas – e é sinônimo de freio na atividade econômica, o que tem potencial de conter aumento de preços, mas, por outro lado, desestimula investimentos e a criação de emprego e renda. Em janeiro, a Selic estava em 11,25%. Houve trajetória de queda até encostar nos 10,50% em maio. Mas o instrumento monetário sofreu uma inflexão e voltou a subir em setembro, apontando trajetória de elevação.

Dólar
O ano de 2024 marca também a desvalorização do real ante o dólar. Em 2023, a moeda estrangeira fechou cotada a R$ 4,85. Ao longo dos 12 meses que se encerram nesta segunda-feira, o dólar foi ganhando força e se aproxima de uma valorização de 27%, terminando o ano negociado a R$ 6,18. Entre os efeitos mais diretos da alta da moeda norte-americana, há pressão inflacionária, pois produtos importados – sejam finais ou matérias-primas – ficam mais caros no Brasil. Por outro lado, exportadores aumentam ganhos, já que as receitas obtidas em dólar nas vendas para outros países passam a valer mais após a conversão para o real. O comportamento da moeda norte-americana é atribuído a uma série de fatores dentro do país – como a preocupação com o nível de gastos do governo – e fora – como o resultado das eleições americanas e o patamar de juros nos Estados Unidos.

PIB
O conjunto de indicadores econômicos direcionam o comportamento da economia brasileira, que é medida pelo PIB, calculado pelo IBGE. O resultado do PIB fechado de 2024 será conhecido em março de 2025. O dado mais recente é o do terceiro trimestre: a economia cresceu 0,9% na passagem do segundo para o terceiro trimestre, empurrada pela indústria e pelo setor de serviços, na 13ª expansão consecutiva. A agropecuária foi o único setor que registrou queda. Em relação ao terceiro trimestre de 2023, o PIB apresentou alta de 4%. No acumulado de quatro trimestres, o crescimento da economia do país soma 3,1%. 

Com ABR

Confira resumo da economia brasileira no ano que se encerra a partir dos principais indicadores

Confira as tendências que podem influenciar a indústria brasileira nos próximos anos

Rede de Observatórios do Sistema Indústria mapeou as macrotendências globais para o setor industrial

Uma delas é a transição verde, que refere-se ao movimento global em direção ao crescimento sustentável por meio de soluções de baixo carbono

A Rede de Observatórios do Sistema Indústria mapeou e analisou as principais macrotendências que devem afetar a indústria brasileira até 2040 e sugeriu ações de como os setores poderão se organizar para aproveitar as oportunidades e se defender das ameaças geradas. Para identificar essas tendências em nível global, foi feito um levantamento exploratório em publicações e artigos científicos, nacionais e internacionais, bem como consultas a ferramentas de inteligência artificial. Em seguida, os conteúdos foram estruturados em uma matriz e foram feitas oficinas colaborativas com especialistas para análises mais complexas. Esse processo analítico identificou 14 macrotendências com potencial de impacto em toda a indústria nacional. Elas abrangem aspectos diversos, como mudanças nos padrões de consumo, novas tecnologias de produção, questões ambientais e transformações sociais.

“As análises geradas por este tipo de estudo permitem que organizações identifiquem oportunidades emergentes, antecipem riscos e alinhem suas estratégias a cenários de transformação, aumentando a resiliência e a capacidade de adaptação em contextos de incerteza”, explica o responsável pelo núcleo de prospectiva do Observatório Nacional da Indústria, Marcello Pio. O gerente do Observatório da Federação de Indústrias do Paraná (Fiep), Sidarta Ruthes, explica também que o intuito do levantamento é induzir posicionamentos mais ativos das indústrias frente às tendências globais. “O estudo é capaz de influenciar planejamentos estratégicos e processos de criação de novos produtos e serviços para a indústria brasileira sair na frente”.

O que vai impactar o setor produtivo até 2040

· Cadeias multidimensionais

Cadeias multidimensionais são redes complexas de produção, distribuição e consumo que abrangem várias geografias, setores, produtos e serviços. Podem envolver uma variedade de atores, incluindo fornecedores, fabricantes, distribuidores, varejistas e consumidores.

· Consumo singular

Refere-se à crescente demanda dos consumidores por produtos e serviços personalizados que atendam às suas necessidades e preferências individuais.

· Cultura do bem-estar

Está relacionada à crescente preocupação da população com o bem-estar e a qualidade de vida, envolvendo saúde física, mental, emocional e social. Cuidados com a alimentação, prática de atividades físicas e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal são aspectos relevantes dessa macrotendência.

· Desigualdades socioeconômicas

Diz respeito à disparidade na distribuição de recursos e oportunidades entre diferentes grupos sociais e econômicos, incluindo desigualdades de renda, gênero, raça, riqueza, educação, saúde e oportunidades de emprego.

· Educação ubíqua

Educação ubíqua envolve uma abordagem na qual a educação pode ocorrer a qualquer hora e em qualquer lugar, centrada nas necessidades e nos interesses dos indivíduos.

· Escassez de recursos

Essa tendência alerta para a diminuição da disponibilidade de recursos naturais, como água, materiais orgânicos, minerais e energia, essenciais para atender às necessidades humanas.

· Instabilidade geopolítica

Trata-se de conflitos, tensões ou incertezas entre nações que podem afetar a estabilidade política e econômica global. Essa macrotendência está diretamente relacionada a tensões comerciais, conflitos armados e ao surgimento de movimentos extremistas, nacionalistas e fundamentalistas.

· Mudanças climáticas

Um dos grandes desafios atuais é entender como lidar com as alterações de longo prazo nos padrões climáticos, incluindo temperatura, umidade e pluviosidade. Essas transformações resultam em desequilíbrios ambientais e riscos à vida humana, animal e vegetal, além do aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como inundações, ondas de calor, secas, tempestades tropicais e nevascas.

· Reconhecimento de diversidade

Essa tendência enfatiza a crescente valorização das diferenças individuais e coletivas, incluindo gênero, raça, etnia, orientação sexual, idade, habilidades físicas e mentais, religião e cultura.

· Transformações epidemiológicas

As mudanças nos padrões de doenças e condições de saúde que afetam as populações ao longo do tempo também tem impacto em todo setor produtivo. Devido ao avanço da medicina e das condições sanitárias da população, observa-se a diminuição de doenças infecciosas e parasitárias, mas também um aumento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes mellitus, câncer e acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, também é necessário levar em conta o risco de surgimento de novas doenças, como a Covid-19.

· Transformações no mundo do trabalho

Mudanças no mundo do trabalho estão remodelando a maneira como as empresas operam e gerenciam seus talentos. Trata-se tanto de mudanças no perfil dos trabalhadores como também nos impactos das novas tecnologias na produtividade e expectativas dos colaboradores.

· Transição demográfica

Aqui são consideradas as mudanças significativas na estrutura etária e na composição da população.

· Transição tecnológica e digital

A integração e incorporação de novas tecnologias digitais e de automação está impulsionando a inovação, aumentando a eficiência e criando oportunidades de negcios.

· Transição verde

Transição verde refere-se ao movimento global em direção ao crescimento sustentável por meio de soluções de baixo carbono. Envolve a adoção de estratégias que minimizem o impacto ambiental e promovam o uso eficiente dos recursos e preservem a biodiversidade.

Rede de Observatórios do Sistema Indústria mapeou as macrotendências globais para o setor industrial

Rissul inaugura nova loja em Novo Hamburgo

Companhia tem 35 unidades no Rio Grande do Sul

A nova operação, que teve investimento de R$ 45 milhões, ocupa uma área total de mais de 4,9 mil metros quadrados

A quarta loja do Rissul na cidade de Novo Hamburgo está oficialmente aberta ao público. A unidade, no bairro Pátria Nova, foi inaugurada nesta sexta-feira (20). A nova operação, que teve investimento de R$ 45 milhões, ocupa uma área total de mais de 4,9 mil metros quadrados, sendo 40% destinada para a área de venda. O autoatendimento na padaria é um dos destaques. O próprio cliente escolhe, entre uma seleção de pães, bolos, salgadinhos e doces que ficam disponíveis nos balcões, os itens de acordo com suas preferências. Depois coloca nas embalagens e pesa, ele mesmo, os produtos. “Estamos implementando este modelo em outras lojas, que segue tendências internacionais, e tem feito sucesso entre os clientes. Todo mundo gosta de escolher o pão que quer levar, mais assado, menos assado. Agora ele mesmo pode fazer isso”, comenta Robert Marks, diretor de varejo da UnidaSul.

A loja nasce trazendo o novo conceito de ponto de venda e posicionamento da rede, “Prazer em fazer você feliz”, a primeira em Novo Hamburgo. Fachada mais moderna e um layout interno, que traz mudanças na sinalização dos setores, ambientação diferenciada e a iluminação dos corredores são os destaques. Outras lojas já receberam esse novo projeto nas cidades de Porto Alegre, Canoas, Estância Velha, Três Coroas e Sapiranga. A unidade ainda conta com seis caixas de autoatendimento, os chamados self checkouts, e estacionamento com mais de 100 vagas, sendo duas com carregadores para carros elétricos. Esta é a 35ª loja do Rissul no Rio Grande do Sul e gerou 170 empregos.

Companhia tem 35 unidades no Rio Grande do Sul

Sulgás bate recorde de investimentos no ano

Aportes somarão R$ 1 bilhão até 2030

A partir de 2025, a meta da Sulgás é levar o gás natural de Norte a Sul do Rio Grande do Sul, de Pelotas até Passo Fundo

Responsável pela distribuição de gás natural no Rio Grande do Sul, a Sulgás encerra o ano de 2024 comemorando marcos que mostram crescimento. Com investimento recorde no valor de R$ 100 milhões ao longo de 2024, a companhia chegou a um resultado histórico de 100 mil clientes. O cliente 100 mil é o Theatro São Pedro, símbolo da cultura gaúcha. O avanço da rede e o benefício ao cliente se baseiam em um plano de expansão: em 2023, o gás natural chegou à Região das Hortênsias. Em 2024, ao Vale do Taquari, com o projeto estruturante em Lajeado. A partir de 2025, a meta da Sulgás é levar o gás natural de Norte a Sul do Rio Grande do Sul, de Pelotas até Passo Fundo.

O plano de expansão da Sulgás prevê um investimento total de R$ 1 bilhão no estado até 2030, com mais de 220 mil gaúchos sendo beneficiados pelo fornecimento de gás natural nos segmentos industrial, comercial, GNV e residencial. Além da consolidação da chegada em Gramado e Canela e ampliação da presença em municípios da Serra, a Sulgás implantou em 2024 a primeira rede local estadual, em Lajeado, iniciando o fornecimento no Vale do Taquari. Atualmente, são 31 municípios atendidos, com previsão de ampliação das atividades do Sul ao Norte no estado a partir de 2025.

No ano, a Sulgás ainda assinou com a Gerdau e a Petrobras o primeiro contrato para fornecimento de gás natural no mercado livre no Rio Grande do Sul. A Petrobrás atuará diretamente no fornecimento para a empresa e a Sulgás na distribuição, apoiando a iniciativa. O modelo permite que a Sulgás foque em expansão e operação da rede com segurança e excelência, podendo conectar mais consumidores ao sistema. “O mercado livre é positivo para todos os agentes do mercado. Os consumidores passam a ter maior liberdade de escolha, os supridores atuam em um mercado mais aberto e competitivo e a distribuidora segue focada em expandir e operar a rede com segurança e excelência, conectando mais consumidores ao sistema”, afirma o CEO da Sulgás, Marcelo Leite.

A parceria entre a Petrobras e a Gerdau para o fornecimento de gás natural no ambiente livre de comercialização desse insumo teve início em 2021, com o atendimento da planta de Ouro Branco (MG). Em junho deste ano, as empresas anunciaram a migração da unidade Cosigua, localizada no Rio de Janeiro. A Sulgás é a 168ª maior empresa da região e também a 62ª maior do Rio Grande do Sul, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC Brasil (veja o ranking completo aqui e o anuário digital completo clicando neste link).

Aportes somarão R$ 1 bilhão até 2030