Adesão a parcelamento do Simples Nacional vai até 29 de abril

Regras foram publicadas no Diário Oficial

Criado como medida de socorro a pequenos negócios afetados pela pandemia de Covid-19, o Relp prevê o parcelamento de dívidas com o Simples Nacional em mais de 15 anos

Os micro e pequenos empresários e os microempreendedores individuais terão até 29 de abril para aderirem ao parcelamento especial de dívidas com o Simples Nacional. O Diário Oficial da União publicou resolução que define as regras para o Programa de Reescalonamento de Débitos do Simples Nacional (Relp).

A adesão ao parcelamento poderá ser feita na Secretaria Especial da Receita Federal; na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), no caso de débitos inscritos em dívida ativa; e nas secretarias de Fazenda dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, para débitos com governos locais. A renegociação abrangerá os débitos com o Simples Nacional vencidos até a competência de fevereiro de 2022, com parcelas pagas em março. A renegociação especial de débitos com o Simples Nacional foi restabelecida pelo Congresso, que derrubou o veto há duas semanas. No dia 18, o Diário Oficial da União publicou a lei complementar que estabeleceu o Relp.

Criado como medida de socorro a pequenos negócios afetados pela pandemia de Covid-19, o Relp prevê o parcelamento de dívidas com o Simples Nacional em mais de 15 anos, com desconto na multa, nos juros e nos encargos legais. Os débitos poderão ser parcelados em até 188 meses (15 anos e oito meses). Desse total, as empresas pagarão uma entrada parcelada em até oito vezes mais 180 prestações. Cada parcela terá valor mínimo de R$ 300 para as micro e pequenas empresas e de R$ 50 para o microempreendedor individual. Haverá desconto de até 90% nas multas e nos juros de mora e de até 100% dos encargos legais.

Modalidades
Haverá várias modalidades de parcelamento, que variam conforme o impacto da pandemia sobre o faturamento das empresas. Por meio da comparação entre o volume financeiro de março a dezembro de 2020 em relação ao observado no mesmo período de 2019, os contribuintes inscritos no Simples Nacional poderão fazer a adesão com parcelas de entrada e descontos diferentes. Empresas que fecharam durante a pandemia também podem participar.

A resolução estabelece os valores mínimos de entrada, que deverá ser parcelada em até oito meses, antes do pagamento do restante da dívida. A divisão foi feita da seguinte forma:

Com Agência Brasil

Regras foram publicadas no Diário Oficial

Intenção de consumo tem terceiro aumento consecutivo

CNC também nota recuperação do mercado de trabalho

O item sobre acesso ao crédito também apresentou variação mensal positiva, apesar do encarecimento provocado pelo aumento constante da Selic nos últimos meses

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou, em março, o terceiro aumento mensal consecutivo e o maior nível desde maio de 2020. Com crescimento de 1,8%, o índice apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) atingiu 78,1 pontos, apresentando melhor pontuação do que a alcançada no mesmo mês em 2021 (73,8 pontos). Na comparação anual, o aumento foi de 5,9%.

Entre os subíndices avaliados, o principal destaque positivo foi para emprego atual, que atingiu o nível de 102,0 pontos e foi o primeiro item a voltar a ser considerado satisfatório pelos consumidores. Apesar de o ICF ainda permanecer abaixo da zona de satisfação (100 pontos), algo que vem acontecendo desde abril de 2015 (102,9 pontos), seis dos sete subíndices apresentaram elevação.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, observa que os dados apontam a recuperação do mercado de trabalho como fator de forte influência para os resultados positivos. “Com maiores chances de emprego, consequentemente, os consumidores passaram a ter mais acesso à renda. Esse processo levou a um aumento do percentual de famílias que consideraram sua renda melhor do que no ano passado”, avalia. A percepção ficou evidente com o terceiro avanço mensal consecutivo no quesito da renda atual, que apresentou a maior taxa de crescimento de março, 3,2%.

Condições de consumo mais favoráveis
O item sobre acesso ao crédito também apresentou variação mensal positiva, apesar do encarecimento provocado pelo aumento constante da Selic nos últimos meses. A economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, percebe que os números corroboram a melhora da percepção dos consumidores em relação às compras a prazo. “Mesmo com as famílias ainda considerando, em sua maior parte, dificuldade de ter acesso ao crédito, o segundo aumento seguido desse componente aponta que a renda mais equilibrada e maior confiança na manutenção do emprego proporcionam condições de consumo favoráveis o suficiente para compensar esse desafio”, analisa.

Ainda segundo ela, esse fator auxilia especialmente os bens duráveis. “São itens que costumam ser adquiridos por meio de parcelamento, já que têm custos mais altos. O item sobre o momento para compras de duráveis, que vinha em queda nos últimos meses, apresentou, em março, seu primeiro crescimento (+0.8%)”, revela. Apesar do avanço, no entanto, o indicador ainda é o mais baixo da pesquisa.

E, mesmo com as condições de consumo mais favoráveis, Catarina observa que a incerteza em relação ao futuro, com os efeitos da guerra e as dificuldades econômicas internas, levou a uma queda de 1,2% em perspectiva de consumo, revelando que as famílias ficarão atentas à evolução do ambiente econômico antes de consumir, nos próximos meses.

Recortes
Na avaliação por faixa de renda, as famílias com ganhos acima de 10 salários mínimos mostraram menor nível de insatisfação, registrando 94,5 pontos, com aumento mensal de 1% e alta anual de 11%. Entre as famílias com renda abaixo de 10 salários mínimos, o indicador atingiu 74,7 pontos, com crescimento de 2,1%, em relação a fevereiro deste ano, e de 4,4% na comparação com março de 2021.

Pelo critério regional, março não registrou queda mensal e o destaque positivo ficou por conta da região Sudeste, com crescimento de 2,1%. As famílias do Sul foram as mais confiantes (88,4 pontos), mesmo permanecendo em nível insatisfatório, e as do Norte (58,8 pontos) foram as que apresentaram menor indicador. Considerando o critério de variação anual, entre as cinco regiões, apenas duas contaram com oscilação negativa, Norte (-8,2%) e Centro-Oeste (-4,1%). Sul (12,9%) e Sudeste (10,4%) registraram os maiores crescimentos.

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CNC também nota recuperação do mercado de trabalho

Setores industriais estão menos confiantes em março

O maior recuo ocorreu no segmento de máquinas, aparelhos e materiais elétricos

Em março houve uma piora significativa na percepção das condições da empresa e da economia

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) por setor, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), caiu em 22 dos 29 setores industriais analisados. O principal motivo é a piora na percepção do momento atual da empresa e da economia. Apesar disso, o ICEI dos 29 setores ficou em 50 pontos, acima da linha de corte, que separa a confiança da falta de confiança. Foram entrevistadas 2.249 empresas, sendo 894 pequeno porte, 822 médio porte e 533 de grande porte.

O maior recuo da confiança ocorreu no segmento de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (veja os segmentos da indústria mais e menos confiantes no gráfico ao final desta reportagem). O ICEI do setor passou de 58,7 pontos em fevereiro para 53,3 pontos em março. De acordo com o gerente de análise econômica, Marcelo Azevedo, o índice para esse setor seguiu acima de 55 pontos entre junho de 2021 e fevereiro de 2022, alcançando 65,1 ponto em agosto de 2021. “Mas em março houve uma piora significativa na percepção das condições da empresa e da economia. O setor só segue confiante, porque as expectativas para os próximos seis meses se mantêm um pouco acima da linha de corte”, explica Marcelo.

Outras reduções expressivas de confiança na indústria de transformação, entre fevereiro e março, ocorreram nos setores: automotivo (59,8 pontos para 55,8 pontos), metalurgia (57,5 pontos para 53,8 pontos), biocombustíveis (59,3 pontos para 55,9 pontos) e produtos de metal (59,9 pontos para 56,5 pontos).

A pesquisa mostra que apenas seis dos 29 setores pesquisados avaliam positivamente as condições atuais das empresas e da economia brasileira na comparação com os últimos seis meses. São eles: couro, produtos farmacêuticos, máquinas e equipamentos, outros equipamentos de transportes, produtos diversos e biocombustíveis. Todos os 29 setores analisados permanecem com expectativas otimistas para os próximos seis meses.

O maior recuo ocorreu no segmento de máquinas, aparelhos e materiais elétricos

Receita da Positivo Tecnologia avança 53% em 2021

O lucro líquido totalizou R$ 202,8 milhões

A Positivo Tecnologia é a 69ª maior empresa da região e também a 30ª maior do Paraná, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL

A Positivo Tecnologia, de Curitiba, reportou em seu relatório trimestral que a receita líquida obteve alta de 53,5%, para R$ 3,3 bilhões. Já o lucro líquido de 2021 totalizou R$ 202,8 milhões, valor 3,6% maior que em 2020 (veja os principais resultados na tabela ao final desta reportagem). No caso do lucro, o resultado do quarto trimestre foi positivamente impactado por créditos tributários de litígios referentes a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e Cofins, da liquidação de processos administrativos em disputas relativas a ISS e pela adoção de procedimentos de contabilização ligados aos tributos diferidos.

Segundo a companhia, um marco importante em 2021 foi o crescimento da unidade de negócios corporativos que vem aumentando sua representatividade na receita total. A empresa alcançou comercialização recorde dos equipamentos, tanto para grandes corporações como para pequenas e médias empresas, e ainda ampliou o market share no segmento.

“O negócio HaaS (Hardware as Service) obteve demanda como nunca vista e já representa em torno de 40% do faturamento das vendas para grandes empresas. Destaque também para o R-HaaS, com as vendas e locações de equipamentos usados e remanufaturados, que ganhou tração ao longo do ano e representa uma importante contribuição para promover a cultura da economia circular”, destaca a Positivo.

A empresa também comemora os resultados de suas soluções de pagamento. Com o final do período de exclusividade junto a Cielo, a Positivo ganhou escala, passando a atender um mercado expressivo e que engloba todos os adquirentes do país, como é o exemplo do contrato com a Stone firmado em novembro.

Na unidade de instituições públicas, a Positivo mais que dobrou sua receita bruta em relação ano anterior. Em relação aos projetos já ganhos (contratados e a contratar), perfazemos o montante de mais de R$ 2 bilhões para os próximos períodos. Ainda, em dezembro, a companhia venceu nova licitação para fornecimento de mais 176 mil urnas eletrônicas para as eleições de 2024.

A Positivo Tecnologia é a 69ª maior empresa da região e também a 30ª maior do Paraná, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC. Leia o anuário completo clicando aqui, mediante pequeno cadastro.

O lucro líquido totalizou R$ 202,8 milhões

Randon Ventures lidera rodada de investimento na fintech Money Money Invest

Aporte vai potencializar startup e possibilitar parcerias que acelerem sinergias com os serviços financeiros e digitais das Empresas Randon

A Money Money Invest já realizou mais de R$ 30 milhões em empréstimos para cerca de 350 pequenas e médias empresas e tem 1,6 mil investidores conectados

A Randon Ventures, uma das Empresas Randon, anuncia um novo movimento de aporte em startups. A companhia lidera a mais recente rodada de investimento de R$ 7 milhões na fintech Money Money Invest, plataforma que conecta investidores dispostos a emprestar dinheiro para pequenos e médios empreendedores à procura de crédito. Com o aporte, a startup busca consolidar sua atuação, potencializando o modelo de negócio e ampliando a base de clientes atendida.

Por meio da modalidade conhecida como P2P lending, a Money Money oferece empréstimos para pequenas e médias empresas com condições mais atrativas do que os oferecidos pelas instituições financeiras tradicionais, utilizando uma plataforma online que simplifica e torna mais acessível o acesso ao crédito. O modelo é baseado em conceitos de economia compartilhada. A Money Money Invest já realizou mais de R$ 30 milhões em empréstimos para cerca de 350 pequenas e médias empresas e tem 1,6 mil investidores conectados.

Para as Empresas Randon, além do investimento realizado, a parceria com a startup servirá como uma ferramenta de aceleração dos processos realizados pelas unidades de negócio de serviços financeiros e digitais. “A sinergia entre a nossa atuação e o modelo de trabalho da Money Money gera uma grande trilha de descobertas. A nossa expertise de atuação financeira aliada ao modelo automatizado para concessão de crédito, abre caminho para a construção de uma agenda de produtos disruptivos e potencializa aprendizados para atuarmos com novos perfis de empresas”, destaca David Félix, diretor do Banco Randon.

Com esse movimento, o oitavo em dois anos de atuação, a Randon Ventures reforça a sua tese de investimentos. “Apostamos em startups que estão num estágio mais avançado de desenvolvimento, como a Money Money, que oferece ao mercado uma experiência de oferta de crédito diferenciada, conectando investidores a empreendedores em busca de recursos. Com isso também complementamos o leque de sinergias entre as investidas e todo o ecossistema ligado às Empresas Randon”, afirma Mateus de Abreu, diretor de negócios e estratégias digitais da companhia e diretor da Randon Ventures.

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Aporte vai potencializar startup e possibilitar parcerias que acelerem sinergias com os serviços financeiros e digitais das Empresas Randon

Estados prorrogam congelamento do ICMS sobre gasolina

Medida vale por mais 90 dias

Durante o período de prorrogação do congelamento do ICMS, os secretários vão procurar uma fórmula que possa ser aplicada em relação à gasolina

O Fórum de Governadores decidiu prorrogar por mais 90 dias o congelamento do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) médio que incide sobre gasolina, etanol e gás de cozinha. O anúncio foi feito nesta terça-feira (22) pelo coordenador do fórum, o governador do Piauí, Wellington Dias, após reunião com governadores, vice-governadores e secretários, em Brasília. Caso não fosse prorrogado, o congelamento, que está em vigor desde 1º de novembro do ano passado, acabaria no próximo dia 31. A prorrogação começa a valer no dia 1º de abril.

Na reunião desta terça-feira, os governadores debateram, entre outros temas, a fixação de uma alíquota única para o ICMS de combustíveis, conforme sancionado, na semana passada, pelo presidente Jair Bolsonaro (Lei Complementar 192/22). De acordo com Dias, o Conselho de Secretários de Fazenda (Comsefaz) deve definir até quinta-feira (24) uma fórmula para a cobrança da alíquota única que deve ser aplicada inicialmente em relação ao óleo diesel. O desafio é encontrar uma média de cálculo que não resulte em aumento do tributo em alguns estados, consequentemente, aumentando o preço do combustível.

Segundo Dias, pelo menos nove estados e o Distrito Federal praticam uma alíquota do ICMS em cima do diesel mais baixa que outros estados. Para evitar o aumento, os secretários estão estudando aplicar um incentivo fiscal para compensar o aumento da alíquota nessas unidades da federação. “Estamos autorizando o conselho dos secretários de Fazenda nesta quinta-feira a realizar uma reunião do Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária] para ali aprovar uma resolução que possa ser o parâmetro para aplicação da lei nas 27 unidades da federação”, disse o governador. “Somos favoráveis ao trecho da lei no que diz respeito à criação de um auxílio combustível e ao fundo de estabilidade dos preços dos combustíveis”, afirmou.

O governador disse ainda que, durante o período de prorrogação do congelamento do ICMS, os secretários vão procurar uma fórmula que possa ser aplicada em relação à gasolina. “Neste período, o Conselho dos Secretários de Fazenda deve tratar especificamente da gasolina”, disse. “Ainda não conseguimos encontrar uma alternativa para essa pactuação”, acrescentou Dias. O governador afirmou ainda que, na reunião, foi decidido que os estados vão entrar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar um artigo da lei que prevê que, enquanto não for disciplinada a cobrança da incidência do ICMS, o cálculo deverá levar em conta o preço médio do diesel cobrado do consumidor final nos 60 meses anteriores à sua fixação.

Redução do IPI
Na reunião, os governadores também debateram a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI). A medida, anunciada pelo governo federal, em fevereiro, reduziu o imposto em 25% para boa parte dos produtos. Em relação ao IPI, Dias declarou que os governadores enxergam a forma como o governo vem adotando as medidas como uma “ameaça concreta” aos estados e municípios. Na avaliação dos governadores, a medida, além de ferir a autonomia dos estados e o pacto federativo, deve causar forte impacto na arrecadação dos estados. “Uma medida unilateral como a que foi feita por parte da União é vista, por nós, como a quebra do pacto federativo”, acrescentou Dias, destacando que os estados também devem recorrer ao STF contra a medida.

Com Agência Brasil

Medida vale por mais 90 dias

Copom prevê inflação mais longa devido ao conflito na Ucrânia

Ata reafirmou compromisso de reajuste de 1 ponto percentual na próxima reunião

O comitê reconheceu que o cenário é “desafiador para a convergência da inflação às suas metas”

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central afirmou que o conflito entre Rússia e Ucrânia e o choque de oferta de preços de commodities (produtos primários, com cotação internacional) levam ao aumento da incerteza em torno do cenário econômico mundial, com “potencial de exacerbar as pressões inflacionárias”. O comitê indicou, em ata da reunião realizada na semana passada, que deve aumentar novamente a taxa básica de juros, a Selic, em um ponto percentual no próximo encontro, no início de maio.

Na última quarta-feira (16), o Copom decidiu, por unanimidade, elevar em 1 ponto percentual a Selic, que agora está em 11,75% ao ano. Na avaliação do comitê, o conflito entre Rússia e Ucrânia resultou em “novo impulso” nas cadeias de produção globais, com as sanções impostas à Rússia, podendo levar a “pressões inflacionárias mais prolongadas” na produção de bens. “A reorganização das cadeias de globais, com a criação de redundâncias na produção, no suprimento de insumos e mudança no tratamento dos estoques de bens (no sentido de se deter maiores estoques), ganhou novo impulso com o conflito na Europa e as sanções aplicadas à Rússia”, diz o documento.

O comitê declarou ainda que a inflação ao consumidor segue elevada, “com alta disseminada entre vários componentes, e mais persistente que o antecipado”. Ressaltou que as diferentes medidas revelam que a inflação deve permanecer “acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta”, que é de 3,5%, com variação de 1,5 ponto percentual. “A alta nos preços dos bens industriais não arrefeceu e deve persistir no curto prazo, enquanto a inflação de serviços acelerou ainda mais. As leituras recentes vieram acima do esperado, e a surpresa ocorreu tanto nos componentes mais voláteis quanto nos mais associados à inflação subjacente”, diz o Copom.

Na visão do comitê, o cenário “recomenda que a política monetária reaja aos impactos secundários desse tipo de choque”. Com isso, o Copom também passou a trabalhar com cenário alternativo, no qual o barril de petróleo passe a custar US$ 121 no fim de 2023, valor bem acima das projeções de mercado. “O comitê observou que o atual ambiente de incerteza e volatilidade elevadas demanda serenidade para a avaliação dos impactos de longo prazo do atual choque e, portanto, optou por comparar essa hipótese com os preços de contratos futuros de petróleo, negociados em bolsas internacionais, e com projeções de agências do setor”, detalha o documento.

Com base nesse cenário, o Copom informou que optou por trajetória de juros mais tempestiva e que essa preferência expressa cautela em relação às probabilidades atribuídas aos cenários levantados, a mensuração dos efeitos de segunda ordem, bem como seu comprometimento com a convergência da inflação e das expectativas para as metas de inflação no horizonte relevante. O comitê reconheceu, entretanto, que o cenário é “desafiador para a convergência da inflação às suas metas” e disse que estará pronto para ajustar o tamanho do ciclo de aperto monetário, caso o cenário evolua desfavoravelmente.

“Com base nesses resultados, os membros do Copom debateram a estratégia mais apropriada. Concluiu-se que um novo ajuste de 1 ponto percentual, seguido de ajuste adicional de mesma magnitude, é a estratégia mais adequada para atingir aperto monetário suficiente e garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante, assim como a ancoragem das expectativas de prazos mais longos”, afirma a ata.

Com Agência Brasil

Ata reafirmou compromisso de reajuste de 1 ponto percentual na próxima reunião

Selbetti prevê faturar R$ 450 milhões neste ano

Expectativa da companhia catarinense é atingir um valor de mercado de mais de R$ 1 bilhão até 2023

De acordo com a Selbetti, cada vez mais as empresas vêm buscando por um único fornecedor para atender todas as demandas

A Selbetti conquistou seu melhor resultado em 2021, com crescimento de 52% e superando R$ 300 milhões de faturamento. Para este ano, a companhia, sediada em Joinville (SC), projeta um novo recorde, com um salto de 50% e faturamento de R$ 450 milhões, somando as divisões de MPS (Managed Print Services) e DaaS (Device as a Service), com a locação de notebook, desktop, tablet e outros ativos de TI. Destaque também para a camada de software, com o RPA e o S-SIGN, na qual a Selbetti dobrou o seu faturamento e conta com mais de 80 profissionais na área de desenvolvimento. A empresa estima ainda um valor de mercado de mais de R$ 1 bilhão até 2023.

“Com o propósito tornar o dia a dia dos nossos clientes mais produtivos, a Selbetti acelerou a sua presença em softwares, integrando soluções de ponta a ponta para auxiliar as organizações na transição para um mindset digital, com o RPA (automatização de processos) e com o S-SIGN (assinatura eletrônica e digital). Em virtude disso, nos encontramos no ranking das empresas que mais crescem no Brasil”, destaca Rafael Leopoldo, diretor comercial e TI.

De acordo com a Selbetti, cada vez mais as empresas vêm buscando por um único fornecedor para atender todas – ou quase todas – as demandas organizacionais, de modo a centralizar informações e reduzir custos.

“É essa linha que a Selbetti segue para assegurar um crescimento contínuo.Aqui na companhia, buscamos antecipar o cenário das soluções end-to-end e oferecer serviços completos para resolver as demandas dos negócios de ponta a ponta, sem que seja necessário o cliente contar com mais de um fornecedor”, ressalta o CEO, José Nauro Selbach Junior.

Para garantir essa atuação nas mais diversas frentes, em um período de oito anos, a Selbetti realizou 23 aquisições, sendo seis delas apenas no último ano, e anunciará a 24ª em abril. “Essa estratégia possibilita ampliar nossos horizontes de negócios, expandindo a marca também para o mercado latino-americano e oferecendo um portfólio cada vez mais repleto de tecnologia para os clientes, com o intuito de atingirmos um valor de mercado de R$ 1 bilhão em 2023”, finaliza Selbach Junior.

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Expectativa da companhia catarinense é atingir um valor de mercado de mais de R$ 1 bilhão até 2023

Governo zera imposto de importação de etanol e de seis alimentos

Medida vale até o fim do ano e pretende conter inflação

Em relação ao etanol, a alíquota foi zerada tanto para o álcool misturado na gasolina como para o vendido separadamente

Até o fim do ano, o etanol e seis alimentos não pagarão imposto para entrarem no país. A redução a zero das alíquotas foi anunciada pelo Ministério da Economia, após reunião extraordinária do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex).A medida beneficia os seguintes alimentos: café, margarina, queijo, macarrão, açúcar e óleo de soja. Em relação ao etanol, a alíquota foi zerada tanto para o álcool misturado na gasolina como para o vendido separadamente. O imposto será zerado a partir desta quarta-feira (23), quando a medida for publicada no Diário Oficial da União.

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, a medida tem como objetivo segurar a inflação. “Estamos preocupados com o impacto da inflação sobre a população. Estamos definindo redução a zero da tarifa de importação de pouco mais de sete produtos até o final do ano. Isso não resolve a inflação, isso é com política monetária, mas gera um importante incentivo”, declarou.

De acordo com a pasta, a medida fará o preço da gasolina cair até R$ 0,20 para o consumidor. Atualmente, o litro da gasolina tem 25% de álcool anidro. Por causa da alta recente dos combustíveis, o governo espera que a redução da tarifa de importação praticamente zere os efeitos do último aumento. “Temos uma estimativa que isso poderia levar a uma redução do preço da gasolina da ordem de R$ 0,20 na bomba. Isso é uma análise estática. Na prática, essa medida vai acabar arrefecendo a dinâmica de crescimento dos preços na ordem de R$ 0,20”, disse o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz.

Em relação aos produtos alimentícios, o Ministério da Economia informou que os produtos beneficiados são o que mais estão pesando na inflação, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Esse indicador mede o impacto dos preços sobre as famílias de menor renda. Atualmente, o café paga Imposto de Importação de 9%; a margarina, 10,8%; o queijo, 28%; o macarrão, 14,4%; o açúcar, 16%; o óleo de soja, 9% e o etanol, 18%.

Bens de capital
A Camex também aprovou a redução em mais 10%, até o fim do ano, o Imposto de Importação sobre bens de capital (máquinas usadas em indústrias) e sobre bens de informática e de telecomunicações, como computadores, tablets e celulares. A medida pretende facilitar a compra de equipamentos usados pelos produtores industriais e baratear o preço de alguns itens tecnológicos, quase sempre importados.

Em março do ano passado, o governo tinha cortado em 10% a tarifa para a importação de bens de capital e de telecomunicações. No total, o corte chega a 20%. Até o início do ano passado, as tarifas de importação desses produtos variavam de zero a 16% para as mercadorias que pagam a tarifa externa comum (TEC) do Mercosul. Com a primeira redução, a faixa tinha passado de 0% a 14,4%. Agora, as alíquotas passaram de 0% a 12,8%.

Em novembro do ano passado, o governo reduziu em 10% a tarifa de 87% dos bens e serviços importados até o fim deste ano. Na época, o governo alegou a necessidade de aliviar os efeitos da pandemia de covid-19 e que a medida já havia sido acertada com a Argentina. Segundo o Ministério da Economia, o governo deverá deixar de arrecadar R$ 1 bilhão com as medidas até o fim do ano.

Com Agência Brasil

Medida vale até o fim do ano e pretende conter inflação

Estados do Codesul vão aumentar planejamento integrado de ferrovias e rodovias

Grupo de trabalho vai concentrar as ações para a integração logística entre os estados

Com o novo traçado entre o Mato Grosso do Sul e o Paraná, o governo de Santa Catarina também prevê ampliação de sua malha ferroviária, de Leste a Oeste e também entre os portos de Itajaí e Araquari

Os quatro estados que compõem o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) planejam projetos conjuntos para melhorar a infraestrutura da região, com destaque para os modais rodoviários e ferroviários. Os governadores do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior; e de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva; o vice-governador do Rio Grande do Sul, Ranolfo Vieira Junior; e o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico do Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, discutiram o tema nesta segunda-feira (21), em Chapecó (SC), na primeira reunião do ano do bloco.

Eles assinaram a resolução que cria o grupo de trabalho para o planejamento integrado de rodovias e ferrovias do Codesul, que vai concentrar as ações para a integração logística entre os estados, que estão entre os principais produtores do agronegócio brasileiro. O projeto de maior envergadura nessa área é a Nova Ferroeste, que vai ligar Maracaju (MS) ao Porto de Paranaguá, no Litoral do Estado, e tem nos planos um ramal interligando Cascavel e Chapecó, cidades do Oeste paranaense e catarinense.

Ratinho Junior destacou que o projeto da nova ferrovia, que terá 1,3 mil quilômetros de extensão e investimento previsto de R$ 30 bilhões, está bastante avançado. A previsão é que as audiências públicas ocorram em abril. A liberação da licença prévia deve sair no final de maio, com a expectativa de que o projeto vá a leilão na Bolsa de Valores ainda neste semestre. “Iniciamos os estudos para a ampliação da ferrovia em 2019, mas a discussão para ligar Maracaju ao Porto de Paranaguá vem de décadas. O Mato Grosso do Sul depende muito do porto e é também um grande fornecedor de matéria prima para a produção de proteína animal. Paraná e Santa Catarina respondem por 70% da carne de porco e de frango exportada pelo Brasil”, salientou.

Segundo o estudo de viabilidade técnica, a Nova Ferroeste terá capacidade de transportar 38 milhões de toneladas de produtos já no primeiro ano de operação plena, tornando-se o segundo maior corredor de exportação de grãos e de proteína animal do País, atrás apenas da malha paulista. “Dentro dos estudos que fizemos, se chegou à possibilidade de construção de um ramal até Chapecó. Os produtores de proteína animal são muito dependentes dos grãos produzidos no Mato Grosso do Sul. Essa conexão vai criar um grande corredor de insumos para o Paraná e Santa Catarina e, no caminho inverso, de fertilizantes para o Mato Grosso do Sul”, relatou o governador.

Com o novo traçado entre o Mato Grosso do Sul e o Paraná, o governo de Santa Catarina também prevê ampliação de sua malha ferroviária, de Leste a Oeste do Estado e também entre os portos de Itajaí e Araquari. “É uma visão de futuro para Santa Catarina. Com a conexão entre Cascavel e Chapecó, vamos começar a trabalhar com projetos de Chapecó até o Planalto Serrano de Santa Catarina, formando um importante corredor Leste-Oeste”, explicou Carlo Moisés.

“Ao invés de rejeitar qualquer projeto que venha de outro estado, queremos aproveitar a integração que já temos através do Codesul. Os quatro estados são muito parecidos economicamente, e uma integração logística regional trará ganhos de eficiência, além da redução dos custos de transporte da produção e de insumos, principalmente para o Oeste catarinense. São investimentos coordenados, de médio a longo prazo”, destacou o governador de Santa Catarina. Ele também autorizou o lançamento de dois editais de licitação para projetos que criam novas ferrovias em Santa Catarina. Trata-se do Corredor Ferroviário Catarinense, que ligará Chapecó a Correia Pinto e terá 319 quilômetros de extensão, e a nova Ferrovia Interportos, entre Itajaí e Araquari, com 72 quilômetros de comprimento. Segundo o planejamento estratégico para o ano de 2035, Santa Catarina contará com 2,1 mil quilômetros de ferrovias em operação, o que inclui a construção de novos ramais, a recuperação de trechos e a manutenção dos traçados já existentes.

Grande exportador de grãos, o Mato Grosso do Sul não tem saída para o mar e conta com a integração logística com os outros estados para o acesso ao mercado internacional. “Temos um posicionamento muito forte em buscar saídas logísticas, exatamente pela dificuldade de acessar os portos”, explicou Jaime Verruck. “A competitividade do Mato Grosso do Sul passa necessariamente pela redução dos custos de transporte, e o nosso foco é a ferrovia. A Nova Ferroeste vai adentrar justamente na maior região produtora do Estado, 60% do que produzimos está no eixo da ferrovia”, salientou o secretário do Mato Grosso do Sul.”A forma como a malha está sendo concebida, de não adentrar unidades de conservação, áreas indígenas e quilombolas, antecipou muito o cronograma. A ferrovia vai gerar o desenvolvimento integrado de todas as regiões, já que ela também se conecta com a Malha Oeste, promovendo uma integração nacional”, complementou.

Durante o encontro, também foi firmado um termo de cooperação técnica para elaboração do diagnóstico e mapeamento de áreas desmatadas nos quatro estados-membro, por meio do compartilhamento da ferramenta Sistema Integrado de Monitoramento e Alertas de Desmatamento de Santa Catarina (Simad/SC). A ferramenta detecta, registra e gera alertas precisos de desmatamento após cruzamento de diversos bancos de dados e imagens de satélites. O código-fonte do sistema será compartilhado com os demais estados, para a criação de um banco de dados conjunto para observar onde há a supressão ilegal da vegetação. Em contrapartida, os governos estaduais compartilharão estudos, ações, programas e resultados relacionados ao tema. 

“A integração proporcionada pelo Codesul é um importante auxílio no desenvolvimento socioeconômico conjunto dos quatro Estados, e os temas tratados no encontro de hoje confirmam isso. Especialmente a pauta do meio ambiente, com a assinatura deste importante termo de cooperação para que os Estados possam desenvolver ferramentas semelhantes ao Simad, para monitoramento e alerta de desmatamentos”, destacou Ranolfo. No final do evento, o vice-governador convidou os integrantes do conselho para o South Summit, de 4 a 6 de maio, em Porto Alegre. “Um dos maiores eventos mundiais de inovação e tecnologia, que pela primeira vez ocorrerá fora da Europa. Por isso, deixo aqui o convite para que as equipes dos demais estados prestigiem o evento e aprofundem a discussão nesse tema tão importante”, finalizou.

A última reunião do Codesul havia sido em novembro do ano passado em Curitiba, no Paraná. O próximo encontro esta previsto ainda para este semestre. Criado em 1961, o Codesul integrava, primeiramente, os estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e, em 1992, passou a contar também com o Mato Grosso do Sul. O principal objetivo do conselho é buscar alternativas aos desequilíbrios regionais e potencializar questões comuns aos estados-membros, sobretudo em questões essenciais como desenvolvimento econômico e social, além de fomentar a integração dos quatro estados com o Mercosul.

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Grupo de trabalho vai concentrar as ações para a integração logística entre os estados

Confiança do comércio encerra trimestre em queda

Com inflação persistente e guerra na Ucrânia, Icec mantém tendência negativa em março

Os efeitos da inflação persistente e a recente transmissão do aumento dos combustíveis a outros preços são elementos-chave que explicam a evolução da baixa confiança empresarial

A confiança do comerciante recuou 1,3% em março, mantendo a tendência apresentada em fevereiro (-1,2%). Com o resultado, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), encerra o primeiro semestre com queda acumulada de 1,12%. Segundo o levantamento, os efeitos da inflação persistente e a recente transmissão do aumento dos combustíveis a outros preços são elementos-chave que explicam a evolução da baixa confiança empresarial.

A guerra na Ucrânia também é um fator de peso para o resultado. O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que o quadro internacional gera um cenário de incertezas. “O conflito deve influenciar, juntamente com comportamento dos valores internos, o crescimento da inflação. Os preços, em geral, devem permanecer em alta, principalmente em virtude da escalada dos combustíveis e das commodities”, destaca Trados.

Todos os índices que compõem o Icec registraram variações negativas, com destaque para condições atuais, que recuou 1,6%, enquanto expectativas e intenção de investimentos apresentaram retrações de 1,2% e 1,1%, respectivamente. O indicador, no entanto, manteve-se na zona de satisfação (acima dos 100 pontos), registrando 118 pontos.

Mais estoques e menos contratações
No índice de intenção de investimentos, apenas um subíndice apresentou variação positiva, o relativo às intenções de investir em estoques, que cresceu 1,2%. O mesmo grupo, no entanto, também registrou a variação negativa mais expressiva entre todos os subíndices, de 3,5% em intenções de investimento em contratação de funcionários.

O economista da CNC responsável pela análise, Antonio Everton, avalia que, apesar de constituir a segunda retração consecutiva e com mais força que no mês anterior (-0,4% em fevereiro), a queda da intenção de contratar funcionários pode indicar ajustes nas empresas. “A variação pode sinalizar uma adequação nos custos operacionais a uma perspectiva de menor faturamento”, revela.

O economista ainda observa que o clima de menor confiança é agravado pela sazonalidade. Todo início de ano, a chegada de impostos aumentados (IPTU e IPVA), novos valores para condomínio e mensalidade escolar pesam nos orçamentos. Além disso, os juros reais por volta de 5% acima da inflação encarecem o custo da tomada do crédito. “São fatos que também afetam a percepção dos empresários do comércio para uma conjuntura relativamente mais difícil”, lembra o economista.

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Com inflação persistente e guerra na Ucrânia, Icec mantém tendência negativa em março

Alimentos na Ásia: tensão e riscos

A China tornou-se fator de tensão nesse mercado, conforme aumentava suas compras a partir dos anos 2000

Pelo fato da China ser a maior compradora de produtos agropecuários do Brasil, e da enorme capacidade instalada do setor no país, estruturado para atender o seu maior cliente, os riscos e tensões do abastecimento alimentar chinês afetam diretamente o Agro brasileiro

Reza a lenda que durante a “Guerra Fria” os chineses tinham em estoque uma safra de grãos, armazenados em locais à prova de bombardeios. Com as Reformas, a partir de 1980, a China reduziu a quantidade de grãos armazenados, mas não abriu mão do seu estoque de segurança. Evita informar a quantidade real estocada (se for equivalente a uma safra, a de 2020 atingiu 670 milhões de toneladas), porque ela lhe garante segurança alimentar e independência comercial em relação aos seus maiores fornecedores de alimentos – Brasil, Estados Unidos (EUA) e União Europeia (UE) –, responsáveis por 51% do total importado pela China em 2020.

Parece exagero estocar tanta comida, mas tem suas razões históricas: dezenas de milhões de pessoas morreram de fome na Ásia, nos séculos 20 (1943, na Índia; 1945, no Vietnã; e 1959-62, na China) e 19 (Índia em 1876-78, seis a dez milhões de mortos; e China em 1876-79, dez milhões de mortos nas províncias da região norte). Além dessa tragédia quase no final do século 19, a população chinesa enfrentou mais fomes de grandes proporções, durante as guerras do Ópio (1839-42 e 1956-60); a rebelião Taiping (1850-64); e a rebelião Dungan (1862-1877 e 1895-1896). Esses episódios ainda estão presentes na memória da população, desses e dos demais países asiáticos, todos eles sempre às voltas com os riscos da escassez de alimentos, por razões naturais (secas, inundações, tufões), crises econômicas, conflitos armados etc.

A China entrou no século 19 com 400 milhões de habitantes, muito mais gente na época do que a agricultura dava conta de alimentar. Estima-se que 20 milhões de pessoas morreram durante a rebelião Taiping – é razoável supor que parte expressiva desse total tenha sido de fome. Hoje o país tem 1,4 bilhão de pessoas, um bilhão a mais do que havia no século 19. Garantir alimentos em quantidade suficiente e preços acessíveis para tanta gente é responsabilidade que mantêm os governos sob tensão permanente.

Importando mais de US$ 150 bilhões de alimentos por ano, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a China tornou-se fator de tensão nesse mercado, conforme aumentava suas compras a partir dos anos 2000. A razão desse aumento constante das importações chinesas é simples: apesar dos esforços para aumentar a sua produção de alimentos, o consumo cresceu mais rápido, por causa do crescente poder aquisitivo da sua população – no período de 1980 a 2020, quase 800 milhões de pessoas saíram da condição de pobreza na China.

Com a pandemia, a tensão no mercado mundial de alimentos aumentou: os fretes marítimos encareceram muito; mesmo caros, faltaram navios; e a demora excessiva das viagens causou prejuízos consideráveis. Agora, com o ataque militar da Rússia contra a Ucrânia, ambos grandes exportadores de grãos e fertilizantes, o risco de duplo desabastecimento virou realidade, porque a Ásia utiliza mais do que o dobro da quantidade de fertilizantes usados nas Américas e Europa, e é quem mais come no mundo.

Taco a taco com a China na quantidade de habitantes, a Índia não é páreo para os chineses quando se trata de comida: produz metade da quantidade de grãos e de batatas que o vizinho; não come carne bovina; quase não importa alimentos; e ainda se dá ao luxo de exportar arroz e trigo! Infelizmente, não se trata de mágica: a Índia é o país com mais famintos no continente asiático, de acordo com estudo publicado em 2021, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

Pelo fato da China ser a maior compradora de produtos agropecuários do Brasil, e da enorme capacidade instalada do setor no país, estruturado para atender o seu maior cliente, os riscos e tensões do abastecimento alimentar chinês afetam diretamente o Agro brasileiro. E o Brasil como um todo, porque aqui não há mais estoque de alimentos, para garantir um mínimo de segurança ou para regular preços, e o país, que é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, segue importando arroz, feijão e trigo, por não produzir o suficiente para alimentar a população. E segue também importando fertilizantes – 75% a 95% do que utiliza –, inacreditável “tendão de Aquiles” do Agro brasileiro, que exportou quase meio trilhão de dólares de 2000 a 2020, e não conseguiu eliminar esse gargalo estratégico. Essas e outras questões sobre o mercado asiático de alimentos são alvo de análises da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e estão disponíveis no site da instituição.

Por tudo isso, os próximos meses serão angustiantes para quem atua no mercado de alimentos na Ásia, porque no conflito Rússia-Ucrânia estão diretamente envolvidos os EUA e a UE, e por tabela toda a Ásia. Provavelmente a China está preparada para esse cenário quase caótico (“China pós-Covid 19: um alerta ao agronegócio brasileiro”), por sua tradição de planejamento e por levar a segurança alimentar a sério – desde o ano passado tem emitido fortes sinais nesse sentido, e no início de março, durante as atividades parlamentares nacionais conhecidas como “Duas Sessões”, novamente esse tema foi destaque.

Ao mesmo tempo, o país segue política de tolerância zero com o Covid, fechando grandes cidades e restringindo o acesso a outras, quando surgem casos confirmados de contaminação. Caso se prolongue o conflito, e falte fertilizantes para a safra 2022/23, ficará muito mais tensa a situação alimentar na Índia e em outros países da Ásia, e será “tempestade perfeita” no Brasil: quedas na produção, produtividade e rentabilidade; escassez interna e preços nas alturas; e intensa demanda internacional com cotações elevadas (em moedas sobrevalorizadas em relação ao real). Confirmando-se esse cenário assustador, a fome no Brasil poderá aumentar em proporção inédita – dos atuais 10%, para os 32% da população que sobrevivem abaixo da linha de pobreza, segundo a Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas em 3 de dezembro de 2021.

A China tornou-se fator de tensão nesse mercado, conforme aumentava suas compras a partir dos anos 2000

Mercado aumenta estimativa da inflação para 6,59% este ano

Para os agentes econômicos, a Selic deve ficar em 13%

É a décima vez consecutiva que o mercado aumenta a previsão para o IPCA

O mercado financeiro aumentou pela décima vez consecutiva a previsão de inflação para este ano. Segundo projeção do Boletim Focus, divulgada pelo Banco Central, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar este ano em 6,59%. Há uma semana, a projeção do mercado era de que a inflação este ano ficasse em 6,45%. Há quatro semanas, a previsão era de 5,56%.

Divulgado semanalmente, o Boletim Focus reúne a projeção de cerca de 100 instituições do mercado para os principais indicadores econômicos do país. Para 2023, o mercado também aumentou a projeção da variação do IPCA. Com isso, a projeção desta semana aponta uma inflação de 3,75% ante os 3,71% projetados na semana passada.

O Focus também elevou a previsão do PIB registrada há sete dias. A nova projeção é de PIB de 0,50%, em 2022, ante o 0,49% previsto na semana passada. O mercado também projetou alta para a taxa básica de juros, a Selic, para 2022. Para o mercado, a Selic deve ficar em 13%, ante os 12,75% ao ano da semana passada. Na quarta-feira passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic, de 10,75% para 11,75% ao ano para conter a alta nos preços. No que diz respeito ao câmbio, a expectativa do mercado para a cotação do dólar em 2022 ficou em R$ 5,30, a mesma da semana passada.

Com Agência Brasil

Para os agentes econômicos, a Selic deve ficar em 13%

Rudolph anuncia que receita chega a quase R$ 180 milhões

Um dos alicerces para o crescimento foi redirecionar o foco na indústria automotiva pesada

“O automotivo pesado já superou, para nós, o automotivo leve, em distribuição de receitas”, conta o CEO da Rudolph, Alex Marson

Provedor de soluções para sistemas mecânicos, com forte presença no setor automotivo, a Rudolph Investimentos e Participações, de Timbó (SC), cresceu 74,4% entre 2020 e 2021, atingindo receita operacional líquida de R$ 178,9 milhões. Em seu balanço, anunciou ter superado todos os recordes históricos, nos quase 50 anos da companhia. Sobre 2019, período anterior à pandemia, o incremento foi de 49%. “A expressiva marca é reflexo de crescimento sólido e consistente da receita em todas as empresas do grupo ao longo do ano”, registra o balanço divulgado na semana passada. A média anual de evolução do resultado, nos últimos cinco anos, chega a 18,8%.

No período de 2017 a 2021, as vendas saltaram 137%, enquanto o mercado automotivo, segundo dados da Anfavea, que reúne as indústrias do setor, registrou aumento de apenas 3%. “A Rudolph se destaca, superando a cada ano os níveis de crescimento da produção automotiva brasileira e seu planejamento estratégico”, analisa a diretoria da indústria catarinense, em nota.

Entre as alavancas para os avanços registrados, estão a contratação de novos negócios com clientes estratégicos – em volume anualizado de R$ 30,7 milhões – e o desenvolvimento de novos produtos. Os principais segmentos beneficiados com a expansão são o automotivo pesado e a agroindústria. Para 2022, a empresa planeja investimentos de R$ 18,7 milhões, em vários projetos, com ênfase para a inovação tecnológica.

O CEO da Rudolph, Alex Marson, avalia que um dos alicerces para esse incremento foi redirecionar o foco na indústria automotiva pesada e, mais recentemente, no agronegócio, que estariam mais blindados a oscilações conjunturais. “O automotivo pesado já superou, para nós, o automotivo leve, em distribuição de receitas. É uma alteração significativa na carteira de produtos da Rudolph, do ponto de vista dos segmentos em que opera”, nota.

Outro fator foi concentrar a oferta de valor da companhia no desenvolvimento de soluções completas com especialização em usinagem, indo além da competência primária, o fornecimento de produtos usinados. Na avaliação de Marson, os resultados de 2021 demonstram a eficácia na integração do grupo, abrindo caminho para a evolução e expansão dos negócios.

Um dos alicerces para o crescimento foi redirecionar o foco na indústria automotiva pesada

Preço médio do litro de gasolina no país é de R$ 7,26

Diesel sofreu reajuste de 55,8% em um ano

O levantamento foi feito pela ANP no último dia 13, logo após o aumento promovido pela Petrobras, no dia 10 deste mês

O preço médio do litro da gasolina no país está em R$ 7,26, segundo os dados disponíveis na página da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O levantamento foi feito pela agência no último dia 13, logo após o aumento promovido pela Petrobras, no dia 10 deste mês.

Em uma semana, o aumento foi de 8,68%. No dia 6, o litro da gasolina era vendido, em média, a R$ 6,68. No período de 12 meses, o litro do combustível no país passou de R$ 5,59, no dia 14 de março de 2021, para os atuais R$ 7,26. A elevação é de 29,8% em um ano.

Logo após o aumento promovido pela Petrobras, o óleo diesel estava sendo vendido a R$ 6,75, no último dia 13. Uma semana antes, no dia 6, o valor era R$ 5,91, o que representou um aumento de14%. No período de 12 meses, o litro médio do diesel no país saltou de R$ 4,33, em 14 de março de 2021, para R$ 6,75, o que representa um aumento de 55,8%.

Segundo levantamento da ANP, o metro cúbico do Gás Natural Veicular (GNV), na média nacional, era vendido a R$ 4,74 no último dia 13. Um ano antes, valia R$ 3,24. O aumento foi de 46%. O GNV é muito utilizado por motoristas de táxi e aplicativos, impactando diretamente na remuneração da categoria.

Os dados podem ser acessados na página da ANP na internet.

Com Agência Brasil

Diesel sofreu reajuste de 55,8% em um ano